03 julho, 2026

Igreja Católica lança campanha de solidariedade e fraternidade às vítimas dos terremotos da Venezuela: “SOS VENEZUELA”



Como doar:

PIX: doe@caritas.org.br

Cáritas Brasileira
CNPJ: 33.654.419/0001-16
Banco do Brasil
Agência: 452-9
Conta corrente: 53.377-7

A Igreja Católica lançou nesta quarta-feira, 1º de julho, a campanha “SOS Venezuela – Solidariedade e Fraternidade”, uma mobilização nacional para arrecadar recursos destinados às famílias atingidas pelos terremotos que devastaram a Venezuela.

Inspirada na primeira encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas, a campanha reafirma o compromisso da Igreja com a promoção da vida, da fraternidade e da solidariedade diante das situações de sofrimento humano.


Registro de La Guaira, região mais afetada pelos terremotos na Venezuela. Foto: Cáritas Venezuela


Tragédia humanitária

No dia 24 de junho, dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram as regiões centro-norte e costeira da Venezuela. Os tremores também foram sentidos em estados da região Norte do Brasil. Novos abalos sísmicos, de magnitudes 4,9 e 4,6, foram registrados nos dias 26 e 29 de junho.

Segundo dados divulgados pelas autoridades venezuelanas e por organismos internacionais, milhares de pessoas foram afetadas pela tragédia, que provocou mortes, desaparecimentos, desabrigados e graves danos à infraestrutura de diversas comunidades.

Diante desse cenário, a Igreja reafirma sua missão de estar próxima daqueles que sofrem. Como recorda São Paulo: “Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele” (1Cor 12,26).

A presença solidária da Igreja

Ao longo da história, a Igreja tem respondido às grandes tragédias humanitárias em diferentes partes do mundo, oferecendo assistência material, apoio espiritual e esperança às populações atingidas por terremotos, guerras, enchentes, secas e outras situações de emergência.

Foi assim após o terremoto no Haiti, em 2010; diante dos terremotos na Turquia e na Síria; nas enchentes que atingiram diversas regiões do Brasil; e em tantos outros momentos em que comunidades inteiras precisaram reconstruir suas vidas.

Os Papas também têm insistido nesse compromisso. Bento XVI convocou a comunidade internacional à solidariedade com o Haiti. O Papa Francisco recordou diversas vezes que a proximidade é o primeiro passo para restaurar a esperança. Na encíclica Magnifica humanitas, o Papa Leão XIV convida toda a Igreja a tornar-se “tecelã de esperança”, compartilhando os dons e os bens com quem mais necessita.

“Com a mesma fé de Maria, tornemo-nos tecelões de esperança no nosso mundo, partilhando o que somos e o que temos”, diz a Encíclica Magnifica Humanitas.

Nesse caminhar solidário, a Igreja no Brasil, de mãos dadas, abre o convite solidário para doação a favor dos irmãos e irmãs enlutados, desabrigados e que sofrem as consequências do terremoto.

Os recursos arrecadados no Brasil serão destinados ao apoio das ações de resposta humanitária coordenadas pela Cáritas Venezuela, contribuindo para a aquisição de alimentos, água potável, kits de higiene, medicamentos, materiais de abrigo temporário e outros itens essenciais para as famílias afetadas.

Além da resposta imediata à emergência, a campanha busca apoiar os processos de recuperação das comunidades atingidas, fortalecendo iniciativas que contribuam para a reconstrução da vida, da dignidade e da esperança.

A iniciativa também expressa a compreensão da Igreja sobre a promoção integral da pessoa humana. Diante de uma tragédia dessa dimensão, cuidar da vida significa responder às necessidades materiais, mas também fortalecer os vínculos comunitários, restaurar a esperança e reafirmar a dignidade de cada pessoa.

Convite à solidariedade à toda a sociedade

Em carta conjunta, as presidências da CNBB e da Cáritas Brasileira convidam toda a Igreja e a sociedade brasileira a participar da campanha:

“Conclamamos as arquidioceses, dioceses, paróquias, comunidades, congregações religiosas, movimentos, pastorais, instituições de ensino e todas as pessoas de boa vontade, brasileiras e brasileiros, a se unirem nesta corrente de solidariedade e oração pelo povo venezuelano”, cita trecho de carta assinada pelas presidências da Cáritas Brasileira e CNBB.

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Partidas e partidos

Partidas e partidos

Olá, a Copa entra na reta final, e os candidatos entram no aquecimento.

.Fogo no parquinho. A crise aberta pela dissidência de Michelle com Flávio Bolsonaro poderia ter sido bem maior se as atenções não estivessem todas voltadas para a Copa. O que não significa que o problema seja pequeno. O principal saldo da treta familiar até agora foi o afastamento das mulheres, que representam 52% do eleitorado brasileiro. Dessas, 48% votariam em Lula e apenas 29% em Flávio, segundo a pesquisa Nexus/BTG Pactual, ou seja, um desempenho que inviabiliza qualquer vitória da candidatura bolsonarista. O tom misógino do influenciador Paulo Figueiredo ao defender Flávio só piorou a situação, confirmando que os bolsonaristas não gostam mesmo de mulher na política. Em resposta, Flávio tentou reduzir danos, criticando o aliado e reunindo-se com um grupo de mulheres que o apoiam em um evento sem muita repercussão. Até a senadora Damares Alves, tradicional defensora dos valores patriarcais, entrou em cena, somando-se à Michelle no que cada vez mais parece uma dissidência de gênero. É claro que a ex-primeira-dama sabe que não tem condições de desbancar Flávio em sua candidatura presidencial. Seu movimento busca disputar o futuro do bolsonarismo, resgatando a fidelidade pessoal ao líder (Jair) e opondo-se ao excessivo pragmatismo político dos enteados. O que, na prática, por agora, pode levar ao seu próprio isolamento político, com seu desligamento do PL Mulher e desistência do Senado, arrastando junto a candidatura de Flávio. Enquanto isso, a esquerda aproveitou a crise para tirar uma casquinha nas redes, inclusive para abafar os próprios problemas. Já Flávio, tenta ancorar sua campanha cada vez mais em aliados externos, sejam eles os Estados Unidos, o movimento sionista ou a direita latino-americana. Mas isso só reforça o argumento de Lula de que é uma família de traidores da pátria, o que, aliás, um grupo de deputados petistas tenta tipificar como crime. E para surpresa de ninguém, Trump deixou mais uma vez o vassalo brasileiro a ver navios. É que a tentativa de uma jogadinha ensaiada, onde Flávio posaria de negociador e Trump reverteria o tarifaço depois do seu apelo, não foi além da imaginação do candidato brasileiro.

.Atacantes e retranqueiros. Faltando menos de 100 dias para as eleições, Lula tem mantido uma vantagem sobre Flávio Bolsonaro que não é nem confortável, nem segura. Assim como a aprovação do governo tem melhorado, mas a passos de formiga. Sem autorização para jogar parado, o governo tentou entregar o máximo possível antes do 4 de julho, data limite da legislação eleitoral para este tipo de anúncio, em especial para as camadas mais populares, como o novo Plano Safra para a agricultura familiar. O problema do candidato Lula continua sendo o mesmo do presidente Lula, o Congresso Nacional. É verdade que Hugo Motta, tentando manter a boa relação com o Planalto, vai dar um gás antes do recesso e atender as demandas do governo sobre o novo limite para os micro-empreendedores e o PL de combate à misoginia. Porém, no Senado, Davi Alcolumbre instituiu a Operação Tartaruga, sentado em cima dos projetos prioritários do governo. Na prática, o Senado não vai votar nada até as eleições. Só que na gaveta de Alcolumbre também está a grande bandeira de Lula para 2026, o fim da escala 6x1. E mesmo que o presidente do Senado sinalize que vai defender a redução da jornada sem transição, a aprovação deve ficar só para depois de outubro. De positivo para o Planalto, apenas o adiamento da votação da aposentadoria especial a agentes comunitários de saúde, que estava sendo acelerada para colocar uma bomba fiscal no colo do governo. Fora este, o único acordo possível entre Lula e Alcolumbre é a defesa de Jaques Wagner, que recebeu afagos do presidente do Senado e gestos de amizade de Lula. Afinal, mesmo que as pesquisas apontem desgastes depois da operação no caso Master, o ex-líder do governo segue liderando as pesquisas para o Senado na Bahia. De qualquer forma, em alguns dias a Copa acaba, o Congresso já está praticamente em recesso e os partidos têm até 5 de agosto para realizarem suas convenções e definirem as chapas. Acabou o aquecimento e agora toda partida é uma final.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.EUA x Brasil: a intervenção subterrânea. No Outras Palavras, Sara Vivacqua analisa a nova doutrina de guerra ao terror de Trump na América Latina.

.“Bancada das bets”: quem são os aliados das casas de apostas no Congresso Nacional. Sob a bandeira da liberdade econômica, parlamentares de direita jogam a favor das Bets. Na Pública.

.Enquanto escolas do campo são fechadas, programas educacionais do agronegócio se espalham pelo país. Foram mais de 110 mil unidades educacionais rurais fechadas nos últimos 25 anos. Veja n’O Joio e o Trigo.

.O Método Sueli Carneiro: livro de Cidinha da Silva reúne 81 lições da pensadora. O Nós apresenta o livro de Cidinha da Silva que relata os aprendizados ao longo dos quase quarenta anos de convívio com Sueli Carneiro.

.Momento China USP #67: O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, ganha tradução para o mandarim. A tradutora chinesa Silvia Yan explica porque a obra de Darcy Ribeiro foi considerada prioritária para os chineses entenderem o Brasil. No Jornal da USP.

.100 anos de Alexina Crêspo: relembre guerrilheira feminista que defendia reforma agrária ‘na marra’. O Brasil de Fato relembra a trajetória da dirigente que participou das Ligas Camponesas e do MST.

.A matemática do gol de falta. Na Piauí, Sérgio Rodrigues analisa os efeitos do planejamento estatístico sobre um dos momentos mais artísticos do futebol.


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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

E se o Brasil virar uma Venezuela?

O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato" (03/07/2026).

E se o Brasil virar uma Venezuela?

Quem diria que a divisão da Terra em camadas, a união das placas da América do Sul e do Caribe e a capacidade da litosfera de segurar suas tensões trariam mais más notícias para um país que está tendo um 2026 já bastante desafiador, e desde seus primeiros dias.

Não, este não é um texto sobre geologia. Mas, no dia 24 de junho, dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela, afetando especialmente a capital, Caracas, sua região metropolitana e o litoral, com ênfase na cidade de La Guaira.

Em um ano no qual sua população já viveu um bombardeio que deixou diversos militares mortos e muitos moradores traumatizados, que teve como consequência o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cília Flores, aparentemente os Estados Unidos não são o único inimigo — mesmo que sigam sendo um dos principais.

Passados nove dias da maior tragédia natural vivida pela Venezuela em mais de um século, a força e a dedicação para resgatar a população são inspiradoras. No último informe, o número de mortos ultrapassava os 2,2 mil, mas o de resgatados era mais de 6,4 mil. Os feridos e desabrigados são muitos, mas há assistência interna e estrangeira, abrigos temporários, hospitais de campanha, equipes de resgate e campanhas solidárias.

A solidariedade nessas horas merece atenção. Porque ela vem de países que estão mais bem supridos, como a China, de alguns que têm seus próprios escombros a lidar, como a Rússia, e até daqueles que conhecem bem o que é passar por dificuldades, mas não por isso deixariam de estender as mãos, como Cuba.

A Venezuela não está sozinha. Pelo menos, não agora. Já são mais de 30 países que enviaram equipes de resgate e ajuda humanitária para este momento tão difícil. Afinal, é preciso buscar, quebrar, apoiar, medicar, confortar, cuidar e, para tudo isso, quanto mais pessoas, melhor. A Organização das Nações Unidas está envolvida e tem até cachorros vietnamitas participando da busca por sobreviventes.

Mas e depois? Em algum momento, infelizmente, a busca deve parar de encontrar pessoas com vida e vai servir mais para oferecer um fim de respeito para quem padeceu. Os feridos serão tratados e receberão alta, podendo voltar a viver, mas não necessariamente voltar à vida anterior, porque passar por um evento deste tamanho muda um destino para sempre.

E o país passará por um longo processo de reconstrução. O caminho, me parece, é este: destruição, busca e acolhimento, aceitação, superação e reconstrução. Mas como realmente ocorre o processo de reconstrução e recuperação de uma nação que sofre influências externas na intensidade que acontece com a Venezuela?

O país vive uma crise histórica devido às sanções e bloqueios impostos pelos Estados Unidos, que minam aspectos econômicos e dificultam o acesso a equipamentos e tecnologias de resgate essenciais — e não só agora, que são ainda mais necessários.

Essa agressão política reduz o potencial de resposta rápida da Venezuela para lidar com um desastre natural como este, pois não há insumos, não há profissionais qualificados, não há abertura e sequer há dinheiro para superar as adversidades. E não são só os Estados Unidos: a União Europeia trata essa tragédia da mesma forma que faria há 500 anos, com indiferença e insensibilidade.

E, se é para ser justa, os próprios Estados Unidos estão fazendo parte da ajuda humanitária nos resgates após os terremotos. Enviando médicos militares e, de alguma forma, aumentando sua presença em um lugar onde ela já é imposta? Sim. Mas essa é a realidade.

Ainda assim, a dupla agressão, política e natural, poderia fazer qualquer um desistir. Mas, tal qual os brasileiros, os venezuelanos não desistem nunca. A força latina de um povo que lutou para se libertar corre no sangue da sua população até agora, e é isso que os mantém em frente.

Cada novo sobrevivente é comemorado. Cada nova ajuda é celebrada. A esperança, a dedicação e o empenho que já faziam parte do dia a dia do venezuelano, inclusive em um ano com mais debilidades, tentam se fortalecer em meio a tanta dor.

A Venezuela resiste. A Venezuela se recupera. Não vai ser fácil. Assim como a última semana foi bastante triste e pesada, infelizmente este sentimento vai perdurar e os próximos meses não serão leves. Mas, sem esperança, fica difícil viver. E se tem uma coisa que o latino-americano tem, é vontade de viver.

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Rafaella Coury
Supervisora de edição