10 julho, 2026

Rumo às finais

Rumo às finais

Olá, se a trupe de Neymar ficou pelas oitavas, na política, agora é que começa a fase do mata-mata.

.Do pescoço pra baixo é canela. Jogando no campo do adversário, nas audiências do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o governo brasileiro demonstrou uma paciência e precisão dignas do ataque norueguês. Enquanto, publicamente, o Planalto afirma que, em termos de negociações, tudo o que podia, já foi feito; na prática, aposta em outra frente, a OMC, onde os EUA é obrigado a negociar com o Brasil se quiser destravar suas pautas globais. Sem fazer uso da palavra na audiência, o Brasil viu 63 das 78 entidades presentes se manifestarem contra o tarifaço, inclusive organizações estadunidenses. O Itamaraty aproveitou e foi para o ataque, afirmando em nota, que “entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil”. Aliás, o Itamaraty saiu de sua letargia para também criticar a classificação das facções criminosas como terroristas de forma unilateral e de alertar que isso poderia significar inclusive o uso da “força militar dos Estados Unidos em território brasileiro.” Na estratégia petista, o flanco continua sendo a segurança pública, como se vê nas dificuldades da campanha de Fernando Haddad em São Paulo. Com as propostas do governo paradas no Congresso, restam as ações da PF como cartão de visita do governo sobre o tema. Mas nem só de futebol-arte vive a política. Pensando em vencer em outubro, o Planalto também distribuiu acenos ao núcleo duro da oposição: pagou R$32 bilhões em emendas parlamentares até junho; negocia uma medida provisória sobre as dívidas do agronegócio, que podem ter um impacto fiscal de R$140 bilhões, e tem mandado recados ao mercado financeiro de que, em comparação com os Bolsonaros, Lula sim é um gestor fiscalmente responsável e austero. A favor de Lula contam ainda as previsões de elevação de crescimento da economia pelo FMI e o despreparo de Flávio para lidar com crises, já que ser fã de Donald Trump não ajuda a derrubar tarifas e nem a lidar com cenários como uma nova disparada dos preços do petróleo.

.Mais perdido em campo que a seleção brasileira. Apesar de senador experimentado e candidato à presidente, Flávio Bolsonaro tem se mostrado tão habilidoso na política quanto Casemiro com a bola. Isso começa pela tentativa de surfar na onda da nova direita latino-americana com o apoio de Trump, que fracassou e deu a Lula o argumento da soberania. Percebendo o erro, o candidato do PL aproveitou a audiência do USTR em Washington para tentar reverter a situação. Além de participar de penetra, Flávio argumentou que as tarifas foram uma resposta do governo norte-americano à perseguição sofrida por seu pai no Brasil. Uma tese que não poderia nem sequer ser assumida pelo governo Trump, sob pena do tarifaço ser revertido na Suprema Corte, e ainda ajudou a confirmar o argumento de Lula de que a família Bolsonaro conspirou para sabotar a economia brasileira junto com o governo dos Estados Unidos em nome de seus próprios interesses. Mas quando joga em casa, a inabilidade de Flávio não é menor. O problema não são apenas os aliados na política fluminense e nacional que não saem das páginas policiais por envolvimento com todo o tipo de contravenção. É que, ao queimar as pontes com Michelle, Flávio perdeu uma importante aliada, a senadora Damares Alves, ampliou o fogo amigo bolsonarista contra si mesmo e ainda afastou o público feminino, do qual nunca foi muito próximo. Nesse caso, a escolha de uma mulher para vice é uma oportunidade para mitigar o problema e contrastar com a chapa Lula-Alckmin. A ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, seria uma potencial “Posto Ipiranga” de Flávio, tida como favorita devido à sua interlocução com a Faria Lima, o que também ajudaria a colocar a economia em primeiro plano na campanha, como insiste Valdemar Costa Neto. Porém, ela tem dois problemas: sua ligação com o Banco Digimais, investigado recentemente por um escândalo financeiro, e a falta de apoio de seu partido, o Republicanos, que ainda discute se apoiará a candidatura do PL ou manterá neutralidade, como provavelmente farão o União Brasil e o Progressistas. Já a vereadora do PL, Priscila Costa, preferida de Michelle, seria o nome ideal para apaziguar as relações familiares, mas com menor peso político. Há também os partidários de um quadro mais ligado ao agronegócio, como Tereza Cristina (PP), mas a atual senadora tem outros planos políticos.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.‘Não somos uma nação em disputa e não somos uma colônia’ . O presidente de Cuba Miguel Díaz-Canel concede entrevista exclusiva ao Brasil de Fato.

.Como Milei quer transformar a Argentina em um laboratório desregulado de IA e quais os riscos. O plano argentino de oferecer desregulamentação e impunidade para atrair as Big Techs. No Brasil de Fato.

.A IA não vai acabar com o trabalho – vai piorar os empregos. No Intercept Brasil, Juliane Furno escreve sobre o papel da IA na reorganização do trabalho sob o capitalismo.

.O Brasil de empreendedores desamparados. O Outras Palavras mostra como a realidade dos trabalhadores autônomos está distante da ideologia do empreendedorismo.

.Veja quem são os pré-candidatos ao governo e ao Senado em cada estado. A relação de todos os pré-candidatos aos governos e ao Senado nos 26 estados e no Distrito Federal. Na Folha.

.O que a "remada viking" da Noruega revela sobre a cultura sindical do país. Na Jacobin, as raízes sindicais e coletivas da comemoração da torcida norueguesa.

.Bubista, o treinador de Cabo Verde, a voz dos pobres no futebol. As preocupações sociais do técnico da seleção mais simpática da Copa. No Instituto Humanistas.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.


Pessoas estão mais felizes em 2026 do que 12 meses atrás

O Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede os níveis de felicidade da população, mostra em 2026 que as pessoas estão mais felizes em 25 dos 29 países pesquisados. 

No Brasil, 28% dos entrevistados se dizem muito feliz, 52% bastante feliz, 15% não muito feliz e 5% nada feliz – a média global é 18%, 56%, 22% e 5%, respectivamente. Somando quem se declara feliz (80%), o Brasil registrou um aumento de 2 p.p. em relação à 2025.

Para os brasileiros, se sentir amado é o que mais contribui para a sua felicidade (34%), revela o estudo. Na sequência, estão a saúde física e mental (31,4%) e o relacionamento com a família e os filhos (29,4%).

Quando se trata de se sentir muito feliz, os homens brasileiros são maioria (29,3%) versus 26,4% das mulheres. Elas, por outro lado, superam os homens que se sentem bastante felizes (54,3%), enquanto 50,4% deles declaram se sentir da mesma forma.

A pesquisa também mostra que a felicidade começa alta na juventude, diminui por volta dos 50 anos, mas depois sobe para atingir seu pico após os 70 anos. No Brasil, a soma daqueles que se dizem muito felizes e bastante felizes, entre 50 e 74 anos, é de 82%, a maior média por faixa etária. A Geração Z (nascidos aproximadamente entre meados dos anos 1990 e início dos anos 2010), por outro lado, é a que mais afirma estar “nada feliz” (5,6%).

Os países com a maior porcentagem de pessoas felizes são a Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). O Brasil, que também apresenta um alto índice, com 80% da população se declarando feliz, foi o país o que mais citou a fé religiosa ou vida espiritual como um motivo que contribui para a felicidade (22%), frente a 10% da média global.

Os dados apresentam também uma correlação entre renda e felicidade. Pessoas com renda mais alta tendem a ser mais felizes (79%) do que as de renda mais baixa (67%).

Felicidade x infelicidade

Se os relacionamentos pessoais e a saúde são o maior motor da felicidade, a infelicidade é causada, principalmente, por um fator externo: a situação financeira. No Brasil, esse foi o motivo citado por 54% dos entrevistados (57% na média global), seguido de saúde mental e bem-estar (37%) e situação habitacional ou condições de vida (27%). A situação financeira é citada também por todas as gerações em território nacional, na seguinte ordem: 67,5% Baby Boomers, 62,2% Geração X, 49,1% Millennials e 48,6% Geração Z.

“Não importa a sua idade, onde você mora ou quanto você ganha. Se você está infeliz, suas finanças pessoais são a causa mais provável dessa infelicidade”, afirma Lucymara Andrade, Diretora de pesquisas de marca na Ipsos.

A Ipsos Happiness Report 2026 destaca ainda que a percepção sobre a economia do país como fonte de infelicidade diminuiu em 2026. Em 18 dos 29 países, mais pessoas acreditam que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior, o que pode explicar parte do aumento geral da felicidade.

Metodologia

A pesquisa foi realizada em 29 países, por meio de sua plataforma online Global Advisor e, na Índia, por meio de sua plataforma IndiaBus, entre quarta-feira, 24 de dezembro de 2025 e sexta-feira, 9 de janeiro de 2026. A Ipsos entrevistou um total de 23.268 adultos com 18 anos ou mais na Índia, de 18 a 74 anos no Canadá, República da Irlanda, Malásia, África do Sul, Turquia e Estados Unidos, de 20 a 74 anos na Tailândia, de 21 a 74 anos na Indonésia e Singapura, e de 16 a 74 anos em todos os outros países.

No Brasil, a amostra consiste em aproximadamente 1.000 indivíduos. Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita melhor o perfil demográfico da população adulta, de acordo com os dados do censo mais recente.

A precisão das pesquisas on-line da Ipsos é calculada usando um intervalo de credibilidade, sendo que uma pesquisa com N=1.000 tem uma margem de erro de +/- 3,5 pontos percentuais e uma pesquisa com N=500 tem uma margem de erro de +/- 5,0 pontos percentuais. Para mais informações sobre o uso de intervalos de credibilidade pela Ipsos, visite o site da Ipsos.

Sobre a Ipsos

A Ipsos é uma empresa de pesquisa de mercado independente, presente em 90 mercados. A companhia, que tem globalmente mais de 6.000 clientes e 20.000 colaboradores, entrega dados e análises sobre pessoas, mercados, marcas e sociedades para facilitar a tomada de decisão das empresas e das organizações. Maior empresa de pesquisa eleitoral do mundo, a Ipsos atua ainda nas áreas de marketing, comunicação, mídia, customer experience, engajamento de colaboradores e opinião pública. Os pesquisadores da Ipsos avaliam o potencial do mercado e interpretam as tendências. Desenvolvem e constroem marcas, ajudam os clientes a construírem relacionamento de longo prazo com seus parceiros, testam publicidade e medem a opinião pública ao redor do mundo.