07 dezembro, 2016

Na “Reforma” da Previdência, farsa desmascarada

Conservadores “denunciam” corrupção do Congresso, mas pedem que corruptos liquidem direitos do povo, escreve Antonio Martins em artigo publicado por OutrasPalavras.

Eis o artigo.
Às vezes, diz o brocado, é mais fácil pegar um mentiroso que um coxo. Nos últimos dois anos, os conservadores brasileiros surfaram na onda do sentimento anti-establishmentque percorre o planeta. Deram-lhe conteúdo reacionário. Em maio, derrubaram um governo que ensaiava reformas sociais tímidas porém inéditas – acusando-o de responsável por práticas de corrupção que marcam a história do país há séculos. Promoveram uma série inédita de ataques aos direitos sociais, aos serviços públicos e às liberdades democráticas. Governam como saqueadores, loteando o Estado e desmantelando as políticas públicas. Agora, quando começa a ficar claro que o resultado é o aprofundamento da crise, do desemprego e do empobrecimento, jogam a cartada do punitivismo.
Convocam a população às ruas para pressionar por “dez medidas” que, se aprovadas, nos aproximarão ainda mais de um Estado Policial. Investem contra o Congresso Nacional. Ao fazê-lo, no mesmo momento em que o Palácio do Planalto tenta aprovar a “Reforma” da Previdência, arriscam-se a um enorme passo em falso, capaz de comprometer o conjunto de sua estratégia.
É que a manobra revela o caráter farsesco de seu “ataque” ao establishment. O sistema político brasileiro está, de fato, minado pela corrupção. As delações dos executivos da Odebrecht sugerem que só esta empresa – uma das dezenas que praticam permanentemente lobby no Congresso – financiava e cobrava favores de cerca de metade (300) dos 594 deputados e senadores senadores. Mas como “denunciar” os corruptos e defender, ao mesmo tempo, que eles continuem governando e investindo contra os direitos da maioria?
É exatamente este o movimento em curso. Ontem, os noticiários da TV Globo e Globo News exortavam a população a ir às ruas contra parlamentares desonestos. A partir de hoje, as duas emissoras pedirão que estes mesmíssimos senhores invistam contra direitos históricos do povo. Hipocrisia idêntica é praticada pelos blogs (Spotnik e O Antagonista, por exemplo) ligados a movimentos como o MBL e Vem pra Rua. O pacote de maldades é vasto. Não se trata de uma reforma, mas de um autêntico desmonte da Previdência – talvez o único esboço de Estado de Bem-Estar Social que as maiorias conseguiram arrancar das elites, num dos países mais desiguais do mundo.
O tempo mínimo necessário para obter aposentadoria aumentará – em alguns casos, em até dez anos. A regra valerá inclusive para os que já ingressaram no mundo do trabalho, numa clara violação do princípio do direito adquirido. O próprio valor do benefício cairá em relação aos valores já minguados de hoje — exceto para os que acumulem, no momento da retirada, cinquenta anos de contribuições. As aposentadorias rurais e dos idosos deixarão de acompanhar o salário-minimo, o que as tornará irrisórias em pouco tempo. As pensões por morte serão achatadas. A lista completa teria 17 itens, todos retrógrados e impopulares.
Não se trata de propostas de difícil compreensão, como no caso da PEC 241/55. Serão sentidas por milhões. Têm sentido oposto ao defendido por Dilma e Temer, em 2014. Sequer foram cogitadas por Aécio Neves, o segundo colocado nas eleições. Como impô-las? Comprando maioria num Congresso “de corruptos”?

Recorre-se nesse ponto à arma onipresente da ideologia. A contrarreforma não seria opção política, mas fatalidade técnica. O atual sistema teria se tornado inviável, por acumular déficits constantes e crescentes. O “ajuste” visaria, na verdade, evitar sua quebra certa. Estas fórmulas serão repetidas mil vezes, nos próximos dias, talvez para testar de novo a hipótese de Goebbels, sobre os meios para transformar mentiras em verdades…

Entenda a reforma da Previdência (que vai fazer você trabalhar mais)

Pelas mudanças propostas pelo governo Temer, será preciso trabalhar 49 anos para ter acesso à aposentadoria integral.

A reportagem é de Renan Truffi e publicada por CartaCapital

Os homens e mulheres brasileiros terão de trabalhar por mais tempo para conseguir a aposentadoria, caso a reforma da Previdência lançada pelo governo Michel Temer seja aprovada no Congresso em 2017.
As novas regras, encaminhadas à Câmara dos Deputados, foram apresentadas nesta terça-feira 6 pelo secretário da Previdência, Marcelo Caetano, em Brasília.
Entenda, nas perguntas e respostas abaixo, do que se trata a proposta.

Qual é a regra atual para as aposentadorias?

Há duas regras. A primeira é por tempo de contribuição. Os homens podem se aposentar com qualquer idade após 35 anos de contribuição ao INSS, enquanto as mulheres podem fazê-lo após 30 anos de contribuição, também sem idade mínima. Há também a aposentadoria por idade. Os homens com 65 anos podem requerer aposentadoria aos 65 anos, desde que tenham ao menos 15 anos de contribuição. As mulheres, por sua vez, podem se aposentar com 60 anos, também com pelo menos 15 anos de contribuição.

Qual é a proposta do governo?

Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 248 exige que o trabalhador, seja homem ou mulher, contribua durante ao menos 25 anos com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e estabelece idade mínima de 65 anos de idade para ter acesso ao benefício. Esses fatores precisam ser combinados para que seja possível requerer a aposentadoria. Alcançar os 65 anos com menos de 25 anos de contribuição ou atingir os mesmos 25 anos de trabalho formal antes dos 65 anos de idade não permitirão o acesso à Previdência.

Isso vale para quem?

Vale para os homens que têm menos de 50 anos e para as mulheres com idade inferior a 45 anos.

E como será possível obter o valor integral da aposentadoria?

Hoje, a aposentadoria integral significa receber o valor total do chamado salário de benefício, que é a média dos 80% maiores salários recebidos desde julho de 1994. Atualmente, esse teto é de 5.189,82 reais. Atualmente, o cálculo para chegar a esse valor é feito com base no Fator Previdenciário ou na chamada regra 85/95, sancionada pelo governo Dilma em novembro de 2015. A proposta do governo Temer é acabar tanto com o Fator Previdenciário quanto com a regra 85/95, estabelecendo cotas para o acesso à aposentadoria integral.

E o que isso significa?

Significa que, mesmo contribuindo por 25 anos, o trabalhador não terá direito à aposentadoria integral. Por exemplo, se um trabalhador contribuir com uma média de 2.000 reais durante 25 anos, ele receberá uma aposentadoria de apenas 1.520 reais quando chegar aos 65 anos de idade.
Caso queira receber um valor superior, o brasileiro deverá continuar no mercado formal após os 65 anos ou começar a trabalhar aos 16 anos. Na prática, para ter acesso à média integral do valor contribuído, será preciso trabalhar formalmente por 49 anos.

Como ficam homens com mais de 50 anos e mulheres com mais de 45 anos?

Os homens de 50 anos ou mais e as mulheres com 45 ou mais de idade entrarão nas regras de transição. Para esses casos, o governo impôs um outro cálculo para acesso ao benefício. Os trabalhadores deverão trabalhar mais 50% do tempo restante ao que faltava para se aposentar.
Por exemplo: um homem de 51 anos que estava a cinco anos de conseguir o benefício, vai precisar trabalhar 50% a mais do que esse período. Ou seja, os cinco anos da regra anterior mais dois anos e seis meses como "pedágio".
No caso específico desse trabalhador, portanto, ele precisará trabalhar até os 58 anos e 6 meses, em vez de parar aos 56 anos. O mesmo vale para as mulheres, só que a partir dos 45 anos.

A reforma atinge quem já se aposentou?


Não. A reforma da Previdência não vai atingir quem já se aposentou ou já alcançou as regras atuais para ter acesso ao benefício. Além disso, não serão modificadas, por enquanto, as regras de aposentadoria de militares.

Dia contra a corrupção e Dia dos Direitos Humanos!

“O Dia contra a corrupção – 9 de dezembro – e o Dia dos Direitos Humanos – 10 de dezembro. São duas realidades estritamente relacionadas: a corrupção é o aspecto negativo a ser combatido, começando pela consciência pessoal e controlando os âmbitos da vida civil; os direitos humanos são o aspecto positivo, a ser promovido com decisão, para que ninguém seja excluído do reconhecimento efetivo dos direitos fundamentais da pessoa humana. Que o Senhor nos ampare neste duplo compromisso”.

Papa Francisco

06 dezembro, 2016

Dois aninhos de minha afilhada

Celebrando dois aninho de minha afilhada e sobrinha Ana Laura.












Para refletir

“Cuidar das pessoas, começando dos pequenos e indefesos, significa cuidar também do ambiente em que eles vivem. Pequenos gestos, ações simples, pequenas faíscas de beleza e caridade podem curar, remendar o tecido humano, urbanístico e ambiental, muitas vezes dilacerado e dividido, sendo uma alternativa concreta à indiferença e ao cinismo.”

Papa Francisco

Mundo vive maior crise humanitária desde 2ª Guerra, alerta ONU


Genebra (RV) – O mundo atravessa sua pior crise humanitária desde a 2ª Guerra e cerca de 128 milhões de pessoas precisam de ajuda em diversos continentes. Nesta segunda-feira, 5, a ONU lançou um apelo para o financiamento de suas operações de resgate e estima que em 2017 precisará de US$ 22,2 bilhões para socorrer a população afetada por guerras e desastres ambientais.

O valor solicitado é inédito e a ONU insiste que nunca, desde o final da 2ª Guerra, tantas pessoas no planeta estiveram sob um risco tão elevado.

Diante da dificuldade em sair ao auxílio de todos, a entidade dará prioridade a 33 países e estabelecerá operações para atender 93 milhões de pessoas consideradas as mais vulneráveis. “O mundo está enfrentando um estado de crise humana jamais visto desde o final da 2.ª Guerra. No total, 128 milhões de pessoas estão sendo afetadas por conflitos, deslocamentos, desastres naturais e profunda vulnerabilidade”, indicou a ONU em seu apelo por recursos.

Solidariedade

“A escala da crise hoje é maior do que em qualquer outro momento desde a criação da ONU”, declarou Stephen O’Brien, sub-secretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários. “Em nenhum momento no passado recente tantas pessoas precisaram de nossa ajuda e solidariedade para sobreviver.”

Em seu apelo por recursos, a ONU incluiu ações para lutar contra a fome na bacia do Lago Chade e no Sudão do Sul, atendimento para civis na Síria, Iraque e Iêmen, e educação para crianças em zonas afetadas pelo fenômeno El Niño. A guerra na Síria, porém, estará entre as mais custosas financeiramente. No continente americano, o foco do resgate será o Haiti.

Crise

Se o mundo vive sua pior crise humanitária, a ONU também atravessa uma situação financeira delicada. Para 2016, a entidade recebeu apenas 52% da verba que havia solicitado para sair ao socorro das populações pelo mundo.

Ao final de 2016, o buraco nas contas da entidade chegou a US$ 10,7 bilhões, o maior de sua história. “A vida de milhões de crianças, mulheres e homens estão em nossas mãos”, disse O’Brien, ao lançar o apelo. “Não podemos abandoná-los.” (SP)


Fonte: Rádio Vaticano

STF decide afastar Renan Calheiros da presidência do Senado Federal

Em caráter provisório, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, decidiu afastar Renan Calheiros (PMDB) da presidência do Senado. O pedido acatado por Mello foi solicitado por parlamentares da Rede, após Calheiros se tornar réu no Supremo na última quinta-feira (1º), em investigação por peculato.
"Defiro a liminar pleiteada. Faço-o para afastar não do exercício do mandato de Senador, outorgado pelo povo alagoano, mas do cargo de Presidente do Senado o senador Renan Calheiros. Com a urgência que o caso requer, deem cumprimento, por mandado, sob as penas da Lei, a esta decisão", descreve o despacho do ministro.
O plenário do STF ainda proferirá uma decisão final, em sessão que não tem data para ser realizada. Agora, quem assume a liderança da Casa é o vice-presidente do Senado Jorge Vianna (PT-AC).
A ação, que havia sido instaurada para pedir o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara Federal, seguiu no STF para julgar se réus podem ocupar cargo na linha de sucessão à Presidência da República. Na decisão, seis dos 11 ministros votaram para impedir que réus estivessem na linha de sucessão.
Fonte: Brasil de Fato

O fim do governo Temer e a implosão do golpismo

“O governo Temer acabou”, constata Aldo Fornazieri, diretor Acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política, em artigo publicado por Jornal GGN, 05-12-2016.
Segundo ele, “o governo acabou porque, se a agressão aos trabalhadores era coisa sabida de antemão, agora os setores médios percebem que continuarão perdendo e que a indústria terá menos do que teve com Dilma. Tudo somado, comércio e serviços também começam a perceber os rombos da canoa em que embarcaram. Empresas endividadas, sem crédito, além de demitirem, caminham para o desespero do fechamento”.
Fornazieri, doutor em Ciência Política, destaca, por outro lado, que “as esquerdas continuam à deriva e não conseguem perceber a natureza dos tempos e o rumo dos acontecimentos e as suas proposições não conseguem atrair ninguém para além da militância”.
Eis o artigo.
As duas últimas semanas marcaram o fim do governo Temer e a implosão do bloco que patrocinou o golpe parlamentar. O governo Temer continua existindo formalmente. Mas deixou de existir enquanto efetividade, enquanto capacidade de tirar o país da crise. Já se disse que nada tem a oferecer a não ser o agravamento da recessão, o aumento do desemprego, o ataque às políticas sociais e aos direitos e a violência contra o espírito e a letra da Constituição de 1988.
O governo acabou porque as parcas esperanças que uma parte minoritária da sociedade nutria em relação a ele se desfez na percepção de que o núcleo central do Planalto é uma quadrilha e porque as ilusões da retomada do crescimento se afogaram na falta de legitimidade do comando político e econômico do Brasil.
A figura insípida de Temer se move como um fantasma quase imperceptível na Brasília das permissividades. A equipe econômica, cantada em prosa e verso pelos áulicos da agressão à democracia, caminha para a inanição em face da falta de oxigênio, que lhe foi tirado por Temer e sua quadrilha e pelo oportunismo inominável do PSDB. Se essa equipe tem alguma dignidade - pois é de se duvidar de que servidores de golpistas tenham dignidade - deveria entregar os cargos e ir para casa. Não há como servir o Brasil num governo que foi constituído para se servir a si mesmo.
O governo acabou porque, se a agressão aos trabalhadores era coisa sabida de antemão, agora os setores médios percebem que continuarão perdendo e que a indústria terá menos do que teve com Dilma. Tudo somado, comércio e serviços também começam a perceber os rombos da canoa em que embarcaram. Empresas endividadas, sem crédito, além de demitirem, caminham para o desespero do fechamento.
Mas o motivo principal do fim efetivo do governo Temer é porque ele é fruto de uma grande farsa. E aqui vale lembrar as duas primeiras frases de O 18 Brumário de Luiz Bonaparte: "Hegel observou algures que todos os grandes fatos e personagens da história universal aparecem como que duas vezes. Mas esqueceu-se de acrescentar: uma vez como tragédia e outra como farsa". O impeachment de Collor teve uma dimensão trágica por se tratar do primeiro presidente eleito depois de quase 30 anos sem eleições presidenciais. Aquele movimento uniu a sociedade e o governo que resultou, discorde-se ou não dele, teve propósitos honestos em Itamar Franco. Ele afastou ministros mediante meras denúncias. Constituiu uma equipe econômica competente, que tinha algo a oferecer ao país e que solucionou um dos mais graves problemas que corroia a renda dos brasileiros: a inflação.
O governo Temer emergiu como fruto de uma dupla farsa: a farsa da manipulação da opinião pública em nome do combate à corrupção e a farsa do próprio impeachment, que não passou de um golpe. O golpe, patrocinado por toda espécie de conspiratas e traições, entregou o poder a um governo desonesto, corrupto, a um presidente que agiu para proteger o crime de um ministro em seu próprio gabinete, que mantém em seu ministério vários ministros denunciados e que ele mesmo é depositário de uma série de denúncias e suspeitas. A sua equipe econômica nada tem a remediar, nada tem a oferecer, a não ser a exigência de sacrifícios aos mais pobres. Compare-se as duas situações e a farsa ficará evidente.

A implosão do bloco golpista

Desnudada a inviabilidade do governo Temer, o bloco golpista implodiu. O PSDB, dividido, e sabendo que não pode morrer abraçado a Temer, prepara o desembarque, que não é consensual. Alguns querem salvar o que não pode ser salvo. Outros querem o desembarque, mas aqui também não há consenso: a) deixar que Temer e o PMDB se afundem sozinhos; b) afastar Temer e assumir o poder; c) afastar Temer e aprovar uma emenda para eleições diretas já. Fernando Henrique Cardoso tratou de transformar "A Ponte para o Futuro" do PMDB em uma frágil pinguela, prestes a se despedaçar nas águas turbulentas da crise.
Mas as fissuras do bloco golpistas se apresentam em outras partes: a grande mídia perdeu as mesuras com o governo; na Congresso, a inquietação se alastra, pois a anistia ao caixa 2 e a crimes conexos foi pactuada como moeda de troca no impeachment, mas está inviabilizada pela reação da opinião pública; os protestantes verde-amarelos voltaram às contra o Congresso, Renan e Rodrigo Maia e ameaçam assumir o "Fora Temer"; Gilmar Mendes e Dias Toffoli se aliaram a Renan e congressistas para minar a Lava Jato e enfrentar juízes e procuradores. O maremoto da Odebrecht se aproxima de Brasília e as perguntas de Eduardo Cunha atormentam o sono de Temere da cúpula do PMDB.
O que se vê é o agravamento da crise política e institucional, que já existia à época de Dilma. O Executivo deixou de funcionar desde o início de 2015. Incapacidades e conspirações foram a regra do jogo. Juízes e procuradores formaram o Partido da Moralidade e se apresentam como salvadores da pátria. O Congresso se move ao sabor dos interesses da degradação da política. O STF se tornou parte da crise ao não defender a Constituição. Essa crise é prolongada e, talvez, só uma nova Constituinte, com a mobilização das ruas, poderá remediá-la.

As esquerdas sem rumo

Com exceção do MTST e de um ou outro agrupamento, as esquerdas continuam a deriva. O PT, dividido, não consegue propor nenhuma estratégia. Parte da bancada do partido passou a ser dirigida por Renan Calheiros. Não foram poucos os que se condoeram com as prisões de Cunha e de Sérgio Cabral. Há até aqueles que elogiam Gilmar Mendes.
As esquerdas não conseguem perceber a natureza dos tempos e o rumo dos acontecimentos. Suas proposições não conseguem atrair ninguém para além da militância. Correm o risco de ver a direita tomar-lhe a bandeira do "Fora Temer" e do PSDB propor as "Diretas Já". O fato é que as esquerdas, desde o início de 2015, não conseguem propor uma saída para a crise. Tinham a chance de retomar a bandeira ética sob o governo Temer, mas estão permitindo que a direita a desfraldem novamente nas ruas.
Enquanto as esquerdas político-partidárias permanecem inertes, na base da sociedade ocorrem vários movimentos e mobilizações na defesa de direitos e contra a PEC do teto. Mas, no geral, permanecem fragmentados nos seus particularismos, pois ninguém consegue propor uma agenda geral. Com mais de 12% de desemprego, as centrais sindicais e os sindicatos, paralisados em sua perplexidade, não conseguem propor um movimento contra o desemprego.
As elites, confusas, buscam reposicionar-se em face da crise. Nunca tiveram um projeto para o país e apoiaram qualquer governo que as servisse. Estão percebendo que o governo Temer não consegue servi-las a contento. Tendem a ver no PSDB e em Alckmin uma tábua de salvação. As classes médias, indignadas, porque em parte perdedoras e em parte enganadas, retomam as mobilizações. As periferias, desconfiadas e abandonadas, observam o cenário político à distância enquanto continuam com suas lutas. As esquerdas estão feridas e o sangue que delas jorra alimenta a direita. A incapacidade e a desmoralização das esquerdas vão empurrando a sociedade para a direita. O agrupamento estamental-burocrático do Estado - Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal - procuram conferir um rumo à crise ao seu modo, combinando medidas legais com medidas de exceção.
Em face de tudo isso e das incertezas da crise, faltam líderes. Se as elites se socorrem no PSDB, as classes médias buscam uma nova liderança, um outsider, um empresário, um juiz e, no limite, um Bolsonaro. O estamento burocrático ainda não tem um líder propriamente político como alternativa. Nas esquerdas sobram indefinições, perplexidades e paralisia. O fato é que a sociedade não suportará por muito mais tempo a degradação do país e o clima de conflagração social que vai se instalando. Ela buscará alternativas. Penderá para quem tiver força organizada e mobilização. Fará surgir um líder, mesmo que seja efêmero, pois essa crise não é efêmera.
Fonte: IHU

Para refletir

“Mas o que Jesus fazia não era somente uma mudança da feiura à beleza, do ruim ao bom: Jesus fez uma transformação. Não é um problema de fazer bonito, não é problema de maquiagem, de magia: transformou tudo a partir de dentro! Transformou com uma recriação: Deus tinha criado o mundo; o homem caiu no pecado; chega Jesus para recriar o mundo. E esta é a mensagem; a mensagem do Evangelho, que se vê claramente: antes de curar aquele homem, Jesus perdoa os seus pecados. Vai ali, à recriação, recria aquele homem de pecador a homem justo: o recria como justo. O faz de novo, totalmente novo. E isso escandaliza: isso escandaliza!”
Papa Francisco

05 dezembro, 2016

Acabar com a venda de armas que terminam nas mãos de crianças-soldados.

Papa Francisco afirma que é necessário respeitar a “dignidade das crianças” e acabar com a venda de armas que terminam nas mãos de crianças-soldados.

“Devemos fazer o possível para que seja respeitada a dignidade das crianças e terminar com esta forma de escravatura”, disse o papa

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04 dezembro, 2016

Obrigada Pe. João Caruana!

Obrigada Pe.  Joao Caruana, pela participação em seu livro não tem como expressar com palavras e obrigada também por confiar conduzir  o lançamento.
"Pensadores da Caminhada - 30 anos vividos nas Comunidades Eclesiais de Base".



02 dezembro, 2016

Lançamento do livro: “Pensadores da Caminhada – 30 anos vividos nas CEBs” de Pe. João Caruana

Neste sábado, dia 03 de dezembro de 2016

Lançamento do livro: 
“Pensadores da Caminhada – 30 anos vividos nas CEBs” de Pe. João Caruana.





Convite

 Será um lindo momento

Lançamento do livro: “Pensadores da Caminhada – 30 anos vividos nas CEBs” de Pe. João Caruana.

Ao adquirir o convite ganha o livro

- Convite individual: R$ 25,00
- Convite para casal: R$ 35,00
Os convites podem ser encontrados nas quatro paróquias de Sarandi, na Paróquia São Silvestre e no CEPA.

Dia: 03 de dezembro
Horário: 20h30
Local: Salão da Paróquia Nossa Senhora das Graças – centro da cidade de Sarandi-Pr.
O livro é uma coletânea de experiências, reflexão, entrevistas.

Na primeira parte, dois momentos, trajeto da caminhada de Caruana, experiências vividas e algumas de suas reflexões.

Na segunda parte, mais de 30 entrevistas que relatam sobre a trajetória das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs no Brasil e na América latina.

Reflexões e entrevistas com:

Gustavo Gutiérrez - Aloisio Lorscheider - JoseMaria Peres - Helder Câmara - Pedro Casaldaliga - Erwin Kautler - Carlos Mesters - Evaristo Arns - Cláudio Hummes - Luciano Mendes de Almeida - Mauro Morelli - Padre  Zezinho - Alberto Antoniazz - Segundo Galilea - Leonardo Boff - Frei Beto - Milton S  Tpmãschwantes - Jon Sobrinho Jose' Comblin -  Tomas Bladuino - Ladislau Biernaski - Joao Batista Libanio - Arturo Paoli - Marcello Barros - Oscar romero - Zilda Arns  - Ivone Gebara -  Dorothy Stang.


Oração para o Advento [Luiz Carlos Ramos]

Deus de toda graça,
vem sobre nós nesta hora e visita-nos com teu amor incomparável;
enche-nos de expectativa radiante
e prepara-nos para receber a tua salvação;
ajuda-nos a preparar o caminho
e a endireitar o coração para recebermos o Salvador,
e a vivermos esse imenso Amor.
Amém.

Rev. Luiz Carlos Ramos†
Para o Segundo Domingo do Advento

Fonte: http://www.luizcarlosramos.net

Percorrer caminhos novos [José Antonio Pagola]

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 3,1-12 que corresponde ao Segundo Primeiro Domingo de Advento, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

Pelos anos 27 ou 28 apareceu no deserto próximo do Jordão um profeta original e independente que provocou um forte impacto no povo judeu: as primeiras gerações cristãs viram-no sempre como o homem que preparou o caminho a Jesus.

Toda a sua mensagem se pode concentrar num grito: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas!”. Depois de vinte séculos, o Papa Francisco grita-nos a mesma mensagem aos cristãos: abri caminhos a Deus, voltai a Jesus, acolhei o Evangelho.

Seu propósito é claro: «Procuremos ser uma Igreja que encontra caminhos novos». Não será fácil. Nos últimos anos vivemos paralisados pelo medo. O Papa não se surpreende: “A novidade dá-nos sempre um pouco de medo porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle, se somos nós os que construímos, programamos e planejamos a nossa vida». E faz-nos uma pergunta a que temos de responder: «Estamos decididos a percorrer os caminhos novos que a novidade de Deus nos apresenta ou nos entrincheiramos em estruturas caducas que perderam a capacidade de resposta?».

Alguns espaços da Igreja pedem ao Papa que efetive o mais pronto possível diferentes reformas que se consideram urgentes. No entanto, Francisco manifestou sua postura de forma clara: «Alguns esperam e pedem-me reformas na Igreja, e deve ocorrer”. “Mas antes é necessária uma alteração de atitudes”.

Parece-me admirável a clarividência evangélica do Papa. O prioritário não é assinar decretos reformistas. Previamente é necessário colocar as comunidades cristãs em estado de conversão e recuperar no interior da Igreja as atitudes evangélicas mais básicas. Só nesse clima será possível concretizar de forma eficaz e com espírito evangélico as reformas que a Igreja necessita com urgência.

O próprio Francisco indica-nos todos os dias as mudanças de atitude de que necessitamos. Assinalarei algumas de grande importância.

Colocar Jesus no centro da Igreja: «Uma Igreja que não leva a Jesus é uma Igreja morta».

Não viver numa Igreja fechada e autorreferencial: «Uma Igreja que se encerra no passado e atraiçoa a sua própria identidade».

Atuar sempre movido pela misericórdia de Deus para com todos seus filhos: não cultivar “um cristianismo restauracionista e legalista que quer tudo claro e seguro, e não encontra nada”.

Procurar uma Igreja pobre e dos pobres. Ancorar nossa vida na esperança, não “nas nossas regras, nos nossos comportamentos eclesiásticos, nos nossos clericalismos”.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br

01 dezembro, 2016

O carinho de dom Pedro Casaldáliga

O carinho de dom Pedro Casaldáliga

Há muito tempo, no inicio de dezembro, tempo do Advento que é um tempo de alegria, expectativa, esperança, fraternidade e paz, via e-mail recebo de dom Pedro Casaldáliga sua mensagem. Como sempre, partilho com vocês.


Carta aberta a Michel Temer

Me pergunto ao iniciar essa carta, como endereçar qualquer palavra a você sem inevitavelmente ofendê-lo (e aos seus pares); como dirigir-me a alguém, cuja legitimidade como presidente da República, não posso reconhecer. Termos como golpista, usurpador, traidor propagam-se por aí, mas eu não gostaria de usá-los, pois não quero parecer rude. Por isso mesmo evitarei o uso da expressão vampiro sócio-político. Se lembrarmos de sua carta a Dilma Rousseff podemos confiar no seu entendimento sobre o formato que uso nesse momento.

No entanto, é impossível falar sem um profundo pesar a quem não foi desejado pela maioria dos eleitores, enquanto, ao mesmo tempo, por mil artimanhas do poder, por toda sorte de astúcias jurídicas e políticas, ocupa seu lugar e deveria, por um regra de etiqueta, ser chamado de Excelentíssimo.

Nesse momento, todas as camadas da cultura que me levam a sentir empatia estão acionadas, mas não posso ser insincera. Não posso chamá-lo de excelentíssimo, muito menos de presidente, porque seria aceitar alguma legitimidade em sua atual condição política. E aqui eu prefiro sinceramente colocar em jogo não as excelências possíveis, mas a simples dignidade.

Ainda vale escrever uma carta para falar da dignidade, a meu ver é fundamental lembrar dela em tempos torpes como o nosso.

Suspeito de sua vaidade, de sua falta de autocrítica, pois sua história em relação às urnas é a de um homem que talvez precise ocultar justamente aquilo que provoca o maior rancor político: a invotabilidade. A presidência da República não faria parte de seu destino senão por meio do golpe no qual veio a ser favorecido já que, em nome do tal presidencialismo de coalizão, estava na carona de uma mulher que ocupava pela segunda vez o cargo máximo do país.

Sinto uma profunda vergonha em lhe enviar essa carta, mas me sinto ainda mais comprometida com a profissão que escolhi, a de professora de filosofia. E professores de filosofia em um momento como esse não podem calar. Exerço a docência, na mesma época em que uma medida provisória desnecessária e sem urgência desobrigou do ensino de filosofia, sociologia, artes e educação física. Sou professora da disciplina de Introdução, ensino e estágio de filosofia que hoje está sob a mira autoritária de um projeto que quer dificultar a reflexão dos brasileiros.

É envolta na meditação sobre tantos outros atos contra a educação nacional, que em tudo parecem puro terrorismo de Estado, que eu não consigo imaginar que um dia você tenha sido professor, embora haja quem afirme que lecionou a disciplina de direito constitucional (direito constitucional, que ironia!).

Nada na vida me orgulha, senão esse lugar de professora. Penso em nosso país no qual o povo é humilhado por falta de acesso à educação, exposto a horas de televisão embrutecedora e imbecilizante. Penso no desprezo pela educação, um desprezo que faz parte da máquina autoritária do neoliberalismo e da colonização externa e interna que sua pessoa ajuda a manter em ação. Quando olho para todas as medidas de aniquilação contra a educação na época de seu governo, imagino que o ódio contra cidadãos brasileiros, sobretudo crianças e jovens, bem como adultos que precisam de alfabetização, tenha se tornado uma espécie de razão de Estado. Não é possível não mencionar o heroísmo daqueles que ocupam hoje centenas de escolas em uma luta generosa pela democracia, cuja aniquilação parece estar sendo desejada pelos donos do poder. E tudo o que digo sobre a educação, infelizmente serve também para a cultura, a saúde, os direitos dos trabalhadores.

Nessas horas, é impossível não lembrar de um de seus filhos, aquele que bem pequeno aparece algumas vezes publicitariamente nos meios de comunicação, talvez, me desculpe comentar, para amenizar sua própria má presença. Espero que ele não venha a sentir vergonha do pai. Mas talvez a vergonha não seja uma questão para sua pessoa. Há pessoas que se acostumam à infâmia, pois já não vivem segundo o paradigma do reconhecimento.

Nesse momento, é provável que a maioria dos brasileiros sinta vergonha alheia quando de sua aparição pública que surge mal preparada para representar o povo e o Brasil. Até aqueles que investiram com ódio contra a presidenta democraticamente eleita, não te desejam (não se engane com os olhares apaixonados de parcela da mídia que pensa o que os cifrões determinam, Michel Temer).

Nesse cenário, eu me preocupo com o Brasil contemporâneo e o Brasil futuro como qualquer cidadão. E é profundamente ansiosa por um projeto de país no qual a educação para o pensamento autônomo, que tenha como base o diálogo com todas as raças, gêneros e classes, que lhe dirijo um pedido. Gostaria de contar com sua atenção para além da habitual atitude de descaso e de destruição que tem sustentado tantas pessoas no poder. Um fiapo de dignidade já basta para atender a um apelo da consciência coletiva que, nesse momento, se desespera.

Não é preciso lançar mão do brilho de nenhuma verdadeira inteligência para atender ao meu pedido, pois ele é bem modesto. Do mesmo modo, nenhuma grande fé é necessária para lembrar da dignidade perdida, algo que, mesmo que seja apenas antes da morte, vale a pena tentar recuperar.

Lembro, a propósito, de um estadista corajoso como foi Getúlio Vargas e sua medida extrema, o suicídio. Sabemos que a covardia é compartilhada em nossa época, ela é um registro consensual do pensamento e do comportamento da maioria. Há heróis nacionais desse modelo e devemos todos evitar de nos tornarmos mais um deles. Evidentemente, eu não lhe sugeriria um ato tão trágico como o suicídio, não se brinca com o destino alheio. Meu pedido é bem mais simples, envolve um gesto infinitamente mais modesto que, no entanto, seria capaz de redimir toda a vergonha que sentimos até aqui.

 O que lhe peço é que renuncie. Renuncie e salve, de algum modo, o que lhe resta de respeito. Muitos de nós, simples cidadãos ficariam perplexos em vez de envergonhados e talvez até lhe déssemos um voto importante, o de confiança por seu misterioso gesto.

Renuncie, por favor, ainda este ano, como forma de evitar o que vem sendo chamado de “golpe dentro do golpe” (mais um no Brasil), que se avizinha conforme demonstram as últimas notícias envolvendo você e seus ministros e ex-ministros, esse grupo que vem se demonstrando inconfiável e que se uniu para exclusivamente colocar em prática um projeto derrotado nas urnas. Renuncie e evite que o novo presidente do país seja escolhido de forma indireta, evite que mais um presidente brasileiro seja escolhido da mesma forma que se escolhiam os ditadores após 1964.

Junto dessa renúncia, a proposta de eleições diretas nesse momento seria um ato democrático fundamental, capaz de redimir a auto-estima aniquilada e a esperança do povo brasileiro. Pergunto se você, Michel Temer, seria capaz desse ato de generosidade?

Com sua renúncia neste momento a imagem de vampiro que se deita em um caixão todas as noites depois de sugar a jugular do Brasil na companhia de seus bizarros comparsas neoliberais, deixaria espaço para a de uma pessoa que entra para a história como alguém que, por algum tempo ocupou um lugar especial e decidiu agir com dignidade.

Dignidade é o que em nós não tem preço, Michel Temer. O seu oposto, no entanto, é não valer nada. A escolha é sempre o que nos resta.

*Por Marcia Tiburi, Professora de filosofia

Fonte: http://revistacult.uol.com.br

Governo Temer retarda demarcação de 13 áreas indígenas

Em uma decisão incomum, a Casa Civil da Presidência da República mandou devolver à Funai (Fundação Nacional do Índio) 13 processos de demarcação de terras indígenas que aguardavam homologação presidencial.

O Ministério da Justiça também devolveu ao órgão indigenista outros seis processos em fase de identificação, uma etapa anterior à homologação.

Os processos aguardavam assinatura ou do presidente Michel Temer ou do ministro Alexandre Moraes (Justiça). Eles se referem a 1,5 milhão de hectares em 11 Estados reivindicados por índios de 17 diferentes etnias. A maioria foi aberta entre 2004 e 2014. Um caso é datado de 1982.

A Casa Civil diz que a intenção é apurar eventuais "óbices judiciais" em torno das terras.

Para o CNPI (Conselho Nacional de Política Indigenista), vinculado ao Ministério da Justiça, o governo descumpre o rito das demarcações, que não prevê a suspensão de homologações pela existência de disputas judiciais.

O entendimento é reforçado pelo subprocurador geral da República Luciano Mariz Maia, coordenador da 6ª Câmara da PGR (Procuradoria Geral da República), voltada para populações indígenas e comunidades tradicionais.

Segundo Maia, o decreto que regula a demarcação concede um prazo de até 30 dias para o ministério devolver o processo à Funai, mediante "decisão fundamentada".

Maia insere o episódio em um quadro político que inclui a recriação da CPI da Funai, no Congresso, decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) contra indígenas e o esvaziamento do órgão, com anúncio recente de reestruturação em termos ainda não divulgados. O cargo de presidente da Funai está vazio desde maio.

Membro do CNPI, Weiber Tapeba afirma que as devoluções são um retrocesso. "Procrastina, dificulta, impede que os procedimentos de demarcação sejam concluídos."

Fonte: Folha de S.Paulo

Por que nos tornaram o país da estupidez?

Do blog do Marcelo Auler, o artigo do Subprocurador-geral da República Eugenio Aragão, ex-ministro da Justiça:

Já o dizia meu saudoso pai: os ignorantes usam o punho, enquanto os inteligentes usam a cabeça. Em outras palavras, o punho do ignorante entra em cena, quando seus paupérrimos argumentos se esgotam.

A batalha campal ocorrida terça-feira (29/11) em Brasília é um evidente sinal do desgoverno que tomou conta do Brasil depois do golpe parlamentar.

Um grupinho se incrustou nos palácios e ministérios da capital, sem capacidade de diálogo e de minimamente convencer a sociedade atônita sobre seus propósitos. Prefere mandar a “puliça” atacar indefesos manifestantes a se dar ao esforço da argumentação. Até porque argumentos não há que sustentem a degradação do Brasil a uma republiqueta de atores políticos vaidosos, ambiciosos e gananciosos.

Não há mais projeto nacional, não há metas nem de curto, nem de médio e nem de longo prazo. A economia está à deriva, por se interessarem seus gerentes públicos apenas por satisfazer as pretensões egoístas de rentistas e especuladores.

Ontem um amigo empresário do Norte me disse que a exportação de gado brasileiro caiu 90% e o setor está em polvorosa.

Com certeza não é um problema de falta de demanda externa, mas sim da mais tosca incompetência do desgoverno, incapaz de abrir novos mercados e de manter os já consolidados.

A comissão de comércio exterior da Federação Russa, por exemplo, insistiu em vão em se reunir com os técnicos do Sr. José Serra e não recebeu nenhuma confirmação sobre data que estava ficada, desde tempos, para dezembro. A reunião, parece, ficou para depois do carnaval.

A Embraer atravessa séria crise, de modo a demitir centenas de seus empregados especializados. Os estaleiros construídos para atender às demandas de equipamentos naval para exploração do pré-sal estão estagnados. Milhares de empregos foram riscados do mapa. O governo resolveu desistir do conteúdo nacional no setor.

O Almirante Othon, pai da energia nuclear brasileira foi colocado atras das grades, condenado a 43 anos de reclusão, mais do que a Sra. Susanne Richthofen, que fez matar pai e mãe.

E, no entanto, pouco interessou aos ávidos acusadores que a administração de meios nessa área estrategicamente sensível não se pode fazer por rotinas comuns, transparentes. Afinal, certos insumos para o programa não se adquirem pela internet pagando com Pay-Pal. Mas isso é muito complexo para procuradores ameganhados.

Ao mesmo tempo, assistimos um assombrador crescimento de grupos fascistas na sociedade. Pessoas embrutecidas pelo vício de uma linguagem violenta nas redes sociais se distraem colocando para fora seu ódio contra as forças democráticas. Sua presença, ontem, no banzé organizado pela “puliça” na esplanada dos ministérios, mostra sua disposição de jogar o país no caos. O “quanto pior melhor” só os aproveita. E quem apanha é a multidão pacífica que teve seu ato infestado por atos de provocação dos brucutus bolsonaristas.

Enquanto isso o Judiciário e o ministério público estão mais preocupados com seus umbigos, temerosos de qualquer iniciativa legislativa que os venha chamar à responsabilidade.

Não se vê ação contra esse massacre aos direitos individuais e coletivos, mas somente a cantilena do “combate” à corrupção, do julgamento falso-moralista da classe política, como se o Brasil só agora tivesse despertado para as mazelas do financiamento eleitoral e partidário.

Juízes, nestes tristes tempos, falam pelo cotovelo. Emitem juízos antecipados sobre processos em curso e até se sugerem a deputados e senadores como seus conselheiros… impressionante a ousadia da burocracia sobre a democracia. O poder que emana do povo já lhes deixou de ser sagrado há muito.

Não há luz no fim do túnel. A única saída desse estado desesperador é a organização da sociedade civil, para que tome em suas mãos a defesa da Constituição-Cidadã e exija a mudança urgente do desgoverno por um governo legítimo saído das urnas.

Essa demanda urgente não pode ser desvirtuada com a de setores pouco afeitos à democracia que namoram numa eleição indireta em 2017. Tratar-se-ia de mais um golpe dentro do golpe, para manter a sociedade longe do comando sobre seu destino.

Também não podemos contar com um proativo Supremo Tribunal Federal que venha a reinstituir a presidenta destituída à traição, pois essa corte mais está preocupada com sua própria imagem na mídia conservadora que ajudou a tramar o golpe contra a constituição.

Tenhamos, pois, esses dois objetivos claros em mente: a defesa da carta maior gestada numa constituinte eleita e a realização já de eleições para presidente. É o único meio de o Brasil sair do lamaçal em que os golpistas o jogaram.

E quanto aos inimigos da democracia, terão que pagar por seus atos covardes perante a História, que saberá avaliar a gravidade da conspiração por eles praticada contra o País.

Fonte: http://www.tijolaco.com.br

25 novembro, 2016

A Campanha da Fraternidade (CF) 2017


A Campanha da Fraternidade (CF) 2017

A Campanha da Fraternidade (CF) 2017 terá como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da visa” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15).

O texto-base da CF 2017 apresenta a proposta principal dar ênfase a diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho.

Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.

O texto-base está dividido em quatro capítulos, a partir do método ver, julgar e agir, faz uma abordagem dos biomas existentes, suas características e contribuições eclesiais. Também traz reflexões do tema sob a perspectiva de São João Paulo II, Bento XVI e o papa Francisco. Ao final, são apresentados os objetivos permanentes da Campanha, os temas anteriores e os gestos concretos previstos durante a Campanha 2017.

A partir do texto-base todas as comunidades, paróquias e dioceses do Brasil organizam formações e ações para o período de realização da CF 2017.