24 julho, 2019

'Então digamo-lo sem medo: Precisamos e queremos uma mudança.'



“Reconhecemos nós que as coisas não andam bem num mundo onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem teto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas na sua dignidade?

Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando explodem tantas guerras sem sentido e a violência fratricida se apodera até dos nossos bairros? Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando o solo, a água, o ar e todos os seres da criação estão sob ameaça constante?

Então digamo-lo sem medo: Precisamos e queremos uma mudança.

A globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença.  

Vós sois semeadores de mudança. Aqui, na Bolívia, ouvi uma frase de que gosto muito: «processo de mudança». A mudança concebida, não como algo que um dia chegará porque se impôs esta ou aquela opção política ou porque se estabeleceu esta ou aquela estrutura social. Sabemos, amargamente, que uma mudança de estruturas, que não seja acompanhada por uma conversão sincera das atitudes e do coração, acaba a longo ou curto prazo por burocratizar-se, corromper-se e sucumbir. Por isso gosto tanto da imagem do processo, onde a paixão por semear, por regar serenamente o que outros verão florescer, substitui a ansiedade de ocupar todos os espaços de poder disponíveis e de ver resultados imediatos. Cada um de nós é apenas uma parte de um todo complexo e diversificado interagindo no tempo: povos que lutam por uma afirmação, por um destino, por viver com dignidade, por «viver bem».  

A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas a condigna administração da casa comum.  

Conheci de perto várias experiências, onde os trabalhadores, unidos em cooperativas e outras formas de organização comunitária, conseguiram criar trabalho onde só havia sobras da economia idólatra. As empresas recuperadas, as feiras francas e as cooperativas de catadores de papelão são exemplos desta economia popular.

Vemos novas formas de colonialismo 

Muitos graves pecados contra os povos nativos da América, cometidos em nome de Deus.

Não se pode permitir que certos interesses - que são globais, mas não universais", se imponham, submetendo Estados e organismos internacionais e continuem a destruir a criação.

O futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem e também nas suas mãos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança."

(Papa Francisco)

23 julho, 2019

Para Refletir


"O sangue inocente derramado, as crianças encurraladas sob os intensos bombardeios..."

A carícia da Igreja
"...um gesto que vai além das palavras; é um gesto que é amor da Igreja pelos mais fracos, é a carícia de Jesus aos famintos de hoje."

“Quanto sangue foi derramado! E quantos sofrimentos ainda deverão acontecer antes que se consiga encontrar uma solução política à crise?”

“Pedimos a todos os países que alarguem o asilo temporário, ofereçam o estatuto de refugiado a quantos se apresentarem idôneos, ampliem os seus esforços de socorro e colaborem com todos os homens e mulheres de boa vontade para um rápido fim dos conflitos em curso”

“Este sofrimento brada a Deus e faz apelo ao compromisso de todos nós por meio da oração e de todo o tipo de iniciativa”

“O fundamentalismo religioso – explica o Papa em janeiro de 2015 – ainda antes de descartar os seres humanos perpetrando horrendos massacres, rejeita o próprio Deus, relegando-O a mero pretexto ideológico”

“Há um juízo de Deus e também um juízo da história sobre as nossas ações às quais não se pode fugir! O uso da violência nunca leva à paz. Guerra chama guerra, violência chama violência!”

_____________________________
Do nosso amado Papa Francisco

A amada e martirizada Síria no coração do Papa Francisco



A amada e martirizada Síria no coração do Papa Francisco

Desde o início do Pontificado, Papa Francisco implorou pela Síria, tornando-se intérprete da dor de um povo sofredor, pedindo a intervenção da comunidade internacional para que as armas se calem. 

O mais recente gesto do Papa Francisco pela Síria foi comunicado nesta segunda-feira (22) com a declaração do novo Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, confirmando “a profunda preocupação do Papa pela situação humanitária na Síria com particular referência às dramáticas condições da população civil em Idlib”. A Carta foi entregue ao presidente da SíriaBashar Hafez al-Assad em Damasco pelo cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson.

O sangue inocente derramado, as crianças encurraladas sob os intensos bombardeios, muitas testemunhas de fé sequestradas e assassinadas, mas que não renegam diante da Cruz. Em seis anos de Magistério, são muitas as imagens que o Papa Francisco ofereceu ao mundo para que não esquecessem da desumana guerra na Síria. O Papa se fez voz da esperança, de paz, de compromisso não escondendo as dificuldades do diálogo entre as partes e o grande risco de transformar o conflito em uma “perseguição brutal” das minorias religiosas. A preocupação do Pontífice foi dirigida muitas vezes aos refugiados e os deslocados que fogem da guerra e da violência que “apenas cria novas feridas, cria novas violências”.

Ao lado do povo sírio

O Papa fez mais de uma dezena de apelos no Angelus e no Regina Coeli. A Síria é uma constante nas mensagens Urbi et Orbi que o Papa pronuncia; o mesmo acontece nas Audiências Gerais das quartas-feiras quando as notícias abalam pela violência com a qual são cometidas. Francisco faz com que os grandes da terra, todos os que encontra, escutem o grito de paz. Por exemplo, escreve ao presidente russo Vladimir Putin por ocasião da cúpula do G20 de São Petersburgo (5 de setembro de 2013), invocando “uma solução pacífica através do diálogo e da negociação entre as partes interessadas com o apoio conjunto da comunidade internacional”. Em 12 de dezembro de 2016 escreve ao presidente sírio Bashir Al-Assad, uma carta enviada em mãos pelo núncio apostólico na Síria, cardeal Mario Zenari, outro incansável embaixador de paz. Pede “uma solução pacífica das hostilidades”, a proteção dos civis, o acesso gratuito às ajudas humanitárias e condena “todas as formas de extremismo e terrorismo”.

A carícia da Igreja

“Quero dizer que vocês não estão sós”: assim Francisco explica a sua presença, junto com o Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu, na Ilha de Lesbos em 16 de abril de 2016, ao se dirigir aos refugiados abrigados nos hospitais do campo de Mòria. Ao seu retorno a Roma, traz consigo no avião três famílias sírias. É um gesto que vai além das palavras; é um gesto que é amor da Igreja pelos mais fracos, é a carícia de Jesus aos famintos de hoje. Três anos mais tarde o Papa envia o cardeal Konrad Krajewski, Esmoleiro Pontifício, para levar a sua proximidade e uma doação de 100 mil euros aos migrantes alojados nas estruturas da ilha. Também neste ano de 2019, na Via-Sacra do Coliseu, dois sírios apertam forte a Cruz na décima-segunda estação. As mãos que abraçam a madeira evocam as palavras do Papa na Carta aos Cristãos do Oriente Médio de 2014, “que vocês possam sempre dar um testemunho de Jesus – escrevia Francisco – através das dificuldades! Vocês são o fermento na massa”.

O Dia de Jejum e Vigília pela paz

Dezoito dias depois da sua eleição, na mensagem Urbi et Orbi o Papa recorda “a amada Síria” e a população ferida pelo conflito, mas também “os numerosos refugiados, que esperam ajuda e consolo”.

“Quanto sangue foi derramado! E quantos sofrimentos ainda deverão acontecer antes que se consiga encontrar uma solução política à crise?”

Um pergunta muito repetida com o passar dos anos . O Papa pede “coragem” e “decisão” para empreender o caminho da negociação, sem poupar esforços. A oração é a força à qual apegar-se na dor e na dificuldade, por isso promove para o dia 7 de setembro de 2013 o Dia de Jejum e de oração pela paz na Síria, no Oriente Médio, e no mundo inteiro. “A humanidade – diz Francisco no Angelus de primeiro de setembro de 2013 – precisa ver gestos e escutar palavras de esperança e de paz!”.

A assistência aos que sofrem

A preocupação de Francisco, no decorrer dos anos e em vista das cúpulas internacionais sobre a Síria, é de respeitar o direito humanitário. Pediu várias vezes garantias para a evacuação dos civis e elogiou a acolhida de países como o Líbano, a Jordânia e a Turquia. Em 2016, na Ilha de Lesbos, junto com o Patriarca Bartolomeu e o arcebispo de Atenas Ieronymos, assinou uma Declaração conjunta para implorar o fim da guerra e intensificar os esforços para a acolhida dos que fogem.

“Pedimos a todos os países que alarguem o asilo temporário, ofereçam o estatuto de refugiado a quantos se apresentarem idôneos, ampliem os seus esforços de socorro e colaborem com todos os homens e mulheres de boa vontade para um rápido fim dos conflitos em curso”

Que as armas se calem

Diante dos sequestros de cristãos e muçulmanos, entre eles, bispos e religiosos, Francisco pede que as armas se calem e na Carta aos cristãos do Oriente Médio fala de atribulações causadas pelo Estado Islâmico.

A aflição e a tribulação agravaram-se nos últimos meses por causa dos conflitos que atormentam a Região e, sobretudo, pela atuação de uma organização terrorista mais recente e preocupante, de dimensões antes inconcebíveis, que comete toda a espécie de abusos e práticas indignas do homem, atingindo de forma particular alguns de vocês que foram brutalmente expulsos das suas terras, onde os cristãos têm estado presentes desde a época apostólica.

“Este sofrimento brada a Deus e faz apelo ao compromisso de todos nós por meio da oração e de todo o tipo de iniciativa”

“O fundamentalismo religioso – explica o Papa em janeiro de 2015 – ainda antes de descartar os seres humanos perpetrando horrendos massacres, rejeita o próprio Deus, relegando-O a mero pretexto ideológico”

As crianças, esperança de paz

No pensamento de Francisco há sempre um espaço especial para as crianças, primeiras vítimas da guerra e que “não poderão ver a luz do futuro!”. Condenando com firmeza o recurso às armas químicas e os traficantes que “continuam fazendo seus interesses: armas molhadas de sangue, sangue inocente”, o Pontífice recorda que a violência cria violência.

“Há um juízo de Deus e também um juízo da história sobre as nossas ações às quais não se pode fugir! O uso da violência nunca leva à paz. Guerra chama guerra, violência chama violência!”

Em primeiro de junhode 2016, por ocasião do Dia Internacional da Criança, o Papa convida as crianças de todo o mundo a se unirem em oração com seus coetâneos sírios enquanto em 2 de dezembro de 2018, primeiro domingo de advento, acende uma vela, símbolo da paz, para as crianças que vivem em zonas de conflitos não percam a esperança. A paz, repetiu várias vezes Francisco, “começa no coração”.

Fonte: Vatican News

22 julho, 2019

Curso de formação político partidária e eleitoral


Conselho Nacional do Laicato do Brasil da Arquidiocese de Maringá – (CNLB-AM)
Curso de formação político partidária e eleitoral
Em vistas das eleições municipais de 2020.



Objetivo:

- Formar os agentes de pastorais, movimentos e organismos de nossa arquidiocese que aventam a ideia de participarem de um processo político eleitoral. Capacita-los, preparando-os para enfrentar os desafios que deverão ser enfrentados por estes cristãos na atuação no espaço político partidário;

- Municiar as paróquias da arquidiocese com a produção de um subsídio orientativo, que demonstre como as paróquias da arquidiocese devem proceder, caso em suas comunidades existam cristãos leigos e leigas que desejem e de fato, venham a participar do processo político eleitoral em 2020.

Público alvo:
Integrantes das pastorais, movimentos e organismos da Arquidiocese de Maringá que:

- Possam, por ventura, vir a participar do processo político eleitoral nas eleições municipais de 2020;

- Desejem conhecer melhor os limites da ética nos processos eleitorais no Brasil, e assim, possam ajudar suas comunidades a evitar exageros cometidos pelos nossos candidatos e até mesmo por nossas próprias comunidades.

Data - Local e Horário:

Dia 28 de setembro de 2019.
Local será o Centro Catequético da Paróquia São José Operário de Maringá
Das 9h às 16h30

Cronograma:

9:00 Oração Inicial
9:10 O processo histórico de formação dos partidos políticos no Brasil
Professor Dr. Reginaldo Dias (UEM)
11:00 Os desafios de uma campanha eleitoral e os limites da legislação
José Pacífico (Assessor Legislativo na Assembleia Legislativa do Paraná)
12:00 Almoço
13:00 O dia-a-dia de um vereador
Humberto Henrique (Ex-vereador, três gestões consecutivas em Maringá)
14:00 Os Cristãos Leigos no Mundo da Política, à luz do Concílio Vaticano II
Clodoaldo Assis (Presidente do CNLB-AM)
15:00 Trabalho de Grupo
16:00 Conclusão Final

Investimento:

R$ 30,00

 Inscrições:

Pelo e-mail secretaria@callm.com.br ou
pelo telefone (Whatsapp – Telegram) 44.99701.2699
Maiores informações, pelo e-mail presidencia@callm.com.br ou pelo telefone 44.99962.9057

“Eu vi o Senhor!” - Testemunho de Maria Madalena!

Um pequeno texto meu sobre o lindo evangelho de hoje.


“Eu vi o Senhor!” - Testemunho de Maria Madalena!

Maria Madalena chora, porque ama, havia um amor muito grande entre Jesus e Maria Madalena.

A liturgia de hoje traz presente Maria Madalena. Mulher próxima do Senhor, amada por Ele, a primeira testemunha da Sua Ressurreição e por Ele enviada.

Jesus pronuncia o nome “Maria!” e aí o reconhecimento. Muito lindo, imaginem a emoção de ouvir a mesma voz, o jeito amado de Jesus chamá-la.

Maria Madalena presente em todos os Evangelhos, com ela outras mulheres discípulas de Jesus.

Nos Evangelhos, muitas vezes, Maria Madalena é citada nominalmente:
Como discípula de Jesus (Lc 8,1-2);
Como testemunha da sua crucifixão (Mc 15,40-41; Mt 27,55-56; Jo 19,25);
Como testemunha do seu sepultamento (Mc 15,47; Mt 27,61);
Como testemunha da sua ressurreição (Mc 16,1-8; Mt 28,1-10; Lc 24,1-10; Jo 20,1.11-18);
Como enviada aos Onze com uma mensagem de Jesus (Mt 28,10; Jo 20,17-18).

Vejo Maria Madalena como apóstola dos apóstolos, a grande anunciadora do Cristo Ressuscitado. Ama e amada por Ele, por isso Ele a chama pelo seu nome.

Jesus perguntou-lhe:
'Mulher, por que choras?
A quem procuras?'
Jesus disse: 'Maria!'
Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: 'Rabuni'
(que quer dizer: Mestre).
Jesus disse: 'Não me segures.
Ainda não subi para junto do Pai.
Mas vai dizer aos meus irmãos:
subo para junto do meu Pai e vosso Pai,
meu Deus e vosso Deus'.
Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos:
'Eu vi o Senhor!' ( Jo 20,15-18)


19 julho, 2019

Para refletir


O Índice de Pobreza Multidimensional global de 2019 e o aumento da fome no mundo

O conceito tradicional de pobreza precisa ser atualizado e ampliado. Definir os domicílios como ricos ou pobres apenas com base na renda é uma simplificação excessiva.  


"Em termos intergeracionais, uma em cada três crianças ao redor do mundo é multidimensionalmente pobre, em comparação com um em cada seis adultos. Isso significa que quase metade das pessoas que vive em pobreza multidimensional – 663 milhões – são crianças, e as crianças mais novas carregam a maior carga da miséria e também da fome e da desnutrição", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 17-07-2019.

Eis o artigo.



Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Oxford Poverty and Human Development Initiative (OPHI) lançaram na semana passada o relatório sobre o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) global de 2019, mostrando que o conceito tradicional de pobreza precisa ser atualizado e ampliado. Definir os domicílios como ricos ou pobres apenas com base na renda é uma simplificação excessiva.
Índice de Pobreza Multidimensional global de 2019 fornece informações detalhadas para que os formuladores de políticas possam traçar planos para combater a pobreza de forma mais efetiva, pois os pobres não estão uniformemente espalhadas por um país e nem se encontram apenas nos locais de baixa renda.
IPM global de 2019 traça um quadro detalhado da pobreza para 101 países e 1.119 regiões subnacionais, cobrindo 76% da população global e indo além de medidas simples baseadas na renda para observar como as pessoas vivenciam a pobreza todos os dias.
Os dados mostram que mais de dois terços das pessoas multidimensionalmente pobres – 886 milhões de pessoas – vivem em países de renda média, sendo 94 milhões em países da parte superior do grupo de renda média (upper-middle-income) e 792 milhões em países da parte de baixo do grupo de países de renda média (lower-middle-income). Outros 440 milhões vivem em países de baixa renda, conforme o gráfico acima.
Segundo divulgação da agência ONU, os resultados mostram ainda que as crianças sofrem mais intensamente com a pobreza do que os adultos e estão mais propensas à privação em todos os 10 indicadores do IPM, com a falta de elementos essenciais como água potávelsaneamentonutrição adequada ou educação primária.
Em termos intergeracionais, uma em cada três crianças ao redor do mundo é multidimensionalmente pobre, em comparação com um em cada seis adultos. Isso significa que quase metade das pessoas que vive em pobreza multidimensional – 663 milhões – são crianças, e as crianças mais novas carregam a maior carga da misériae também da fome e da desnutrição.
A nova edição do relatório anual “O estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo”, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgado no dia 15 de julho de 2019, mostra que houve aumento global da insegurança alimentar.
O número de pessoas em todo o mundo não tiveram acesso suficiente a alimentos, em 2005, foi de 947,2 milhões (representando 14,5% do total populacional) e este número caiu para 785,4 milhões (10,6%) em 2015, conforme mostra o gráfico abaixo. Porém, a subnutrição subiu nos últimos três anos e atingiu 821,6 milhões de pessoas (10,8% do total) em 2018. Isto mostra que existe um grande desafio para se alcançar a meta 2 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê fome zero até 2030.


pobreza e a subnutrição acontecem com mais intensidade nos países onde as taxas de fecundidade estão acima do nível de reposição, pois existe uma relação direta entre o maior número de filhos e as carências de renda e acesso à alimentação. A maior incidência e o maior aumento da subnutrição ocorreu exatamente na África Subsaariana (onde a fecundidade é mais alta), que tinha uma taxa de subnutrição de 24,3% em 2005, caiu para 20,9% em 2015 e subiu para 22,8% em 2018.
O surpreendente é que estes dados sobre o agravamento da pobreza e da fomeacontecem em um momento em que existe recuperação e crescimento da economia internacional.
Uma possível recessão no início da década de 2020 e o agravamento das consequências das mudanças climáticas podem aumentar, ainda mais, a insegurança alimentar e o número de pobres no mundo nos próximos anos e décadas.

Referências:

ALVES, JED. Alta fecundidade, fome e biodiversidade, Ecodebate, 17/04/2013

Leia mais


Fonte: IHU



Pobreza Multidimensional

Quase 7,8 milhões de pessoas, 3,8% da população brasileira em situação de pobreza, privados no acesso a saúde, educação, água e saneamento, eletricidade e padrões de habitação adequados. 


Em 2015, 3,8% da população brasileira, o equivalente a quase 7,8 milhões de pessoas, vivia em situação de pobreza multidimensional — isto é, sofria privações no acesso a saúdeeducaçãoágua e saneamentoeletricidade e padrões de habitação adequados. A estimativa foi divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em seu mais recente relatório sobre as múltiplas faces da miséria.
A reportagem é publicada por ONU Brasil, 8-07-2019.
Divulgado neste mês (11), o Índice de Pobreza Multidimensional (IPMGlobal 2019 avalia as formas como indivíduos têm condições de vida básicas negadas por causa da miséria. O levantamento analisa o cenário de 101 países, cobrindo 76% da população global. A proposta da pesquisa é superar o viés unidimensional — que adota critérios únicos, como a renda per capita, por exemplo — nas discussões sobre pobreza.
Quanto mais próximo do zero está o IPM, menor é a pobreza multidimensional de uma nação. A taxa expressa o nível de privação vivido por uma sociedade. Para calcular o índice, o PNUD utiliza dez indicadores, divididos em três categorias. Sob a classificação ‘Saúde’, a agência mede a nutrição e a mortalidade infantil. No quesito ‘Educação’, são avaliados os anos de escolaridade e a frequência escolar. Em ‘Padrões de vida’, o organismo investiga dados sobre a disponibilidade de combustível ou energia para cozinhar alimentossaneamentoágua potáveleletricidademoradia e recursos.
O índice brasileiro foi estimado em 0,016 — o mesmo da China. À frente do Brasil, na América Latina, estão Trinidad e Tobago (0,002), Santa Lucia (0,007), Guiana(0,014) e República Dominicana (0,015).
Para que uma pessoa seja considerada “multidimensionalmente pobre”, ela precisa ter privações em pelo menos um terço dos indicadores — no caso da mortalidade infantil, o que é avaliado é a ausência de uma baixa mortalidade de crianças. Quando privações são observadas em mais da metade dos indicadores, o indivíduo vive em pobreza multidimensional severa.
No Brasil, em 2015, 3,8% da população estava em condição de miséria multidimensional. Desse contingente de brasileiros, em torno de um quarto — 0,9% da população total — foi classificado como em situação de pobreza multidimensional severa.
De acordo com a pesquisa, a mortalidade infantil é o indicador que tem mais influência sobre a taxa do Brasil, respondendo por 49,8% do valor que estima as privações da população. Em seguida, vêm os anos de escolaridade (19,8%) e o acesso a saneamento (11,9%).
Para calcular o índice brasileiro, o PNUD utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) anual de 2015.

Leia mais




Fonte: IHU