15 novembro, 2019

O que é ''aporofobia''? Uma reflexão útil e atual

“Ninguém tem antipatia pelos turistas estrangeiros que invadem as nossas cidades artísticas, muito menos pelos empresários ou pelos financiadores estrangeiros que abrem ou adquirem empresas entre nós. O problema não é o estrangeiro, mas sim o pobre como tal e aquilo que ele representa.”


A opinião é do padre italiano Luciano Cantini, em artigo publicado em Il Sismografo, 10-07-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Adela Cortina é professora de Ética e Filosofia Política na Universidade de Valência (Espanha), diretora da Fundação Étnor para a Ética dos Negócios e das Organizações, membro da Academia das Ciências Morais e Políticas, tem oito doutorados “honoris causa” conferidos por diversas universidades no mundo. Ela é a autora da “palavra do ano de 2017”, de acordo com a Fundação Espanhola Urgente(a de 2014 foi “selfie”), que está entrando na reflexão de quem está atento à evolução do pensamento e dos comportamentos sociais no mundo ocidental.

A palavra é “aporofobia”, que Adela cunhou e usou em diversos artigos, livros, entrevistas; é uma palavra emprestada da língua grega e tenta identificar uma fobia, um medo, uma patologia social que se manifesta na aversão a alguém que é percebido como diferente, como a homofobia, a islamofobia, a xenofobia.

Em grego, a palavra á-poros significa “sem recursos”, portanto, o termo aporofobia significa “rejeição ou aversão aos pobres”.

De acordo com a filósofa espanhola, é importante chamar as coisas pelo seu verdadeiro nome. De fato, é por uma mera questão política ou pela falta de uma percepção plena, talvez por limites de linguagem, que a nossa sociedade, muitas vezes, define como “xenofobia” ou “racismo” a rejeição aos imigrantes ou aos refugiados, termo que, na maioria dos casos, é indesejado, mas também inadequado para expressar a realidade. De fato, essa percepção dos nossos dias não se deve ao status de estrangeiros, mas sim ao fato de que são pobres.

Dos políticos às pessoas comuns, existe a preocupação de rejeitar o fato de serem tachados de racistas xenófobos, enquanto se esforçam para encontrar as justificativasmais diversas para uma atitude de antipatia e de rejeição não claramente identificada.

A professora espanhola defende que o que assusta a nossa sociedade do bem-estar é a pobreza, mas não se tem a coragem de reconhecer isso, mesmo que seja recorrente se apresentarem situações de crise econômica. Identificando a pobreza com os estrangeiros imigrantes e refugiados e com os Rom, é menos constrangedor e mais fácil apresentar essas pessoas como uma ameaça à identidade nacional. Desse modo, construiu-se um discurso social repleto de ódio que não é totalmente identificável com a xenofobia.

Nos últimos anos, mudaram rapidamente as formas em que a pobreza se manifesta, assim como a sua percepção. O certo é que, na Itália, a pobreza avança – cada vez menos ricos são mais ricos, e aumenta o número dos pobres mais pobres –, além disso, a pobreza e o desconforto geram e incentivam formas de microcriminalidade. Isso torna as pessoas incertas e preocupadas, assustadas a ponto de se perderem no escuro em busca do “leproso”, em vez de buscarem as causas para remediar isso seriamente. É mais fácil deixar os pobres do lado de fora da porta de casa (ou no meio do mar).

Ninguém tem antipatia pelos turistas estrangeiros que invadem as nossas cidades artísticas, muito menos pelos empresários ou pelos financiadores estrangeiros que abrem ou adquirem empresas entre nós. O problema não é o estrangeiro, mas sim o pobrecomo tal e aquilo que ele representa.

A pobreza e a degradação que ela envolve nunca desapareceram, mas são diferentes a percepção e o modo de enfrentá-la na história recente: passou-se de uma situação de pobreza generalizada desde a Grande Guerra aos anos do boom econômico, em que também eram generalizados a solidariedade e os modos de convivialidade (vivia-se com a chave na fechadura de casa), em que assistimos ao fenômeno da emigração; entre os anos 1960 e 1980, produzimos sistemas de assistencialismo, mas também de marginalização, surgiram bairros e estruturas inteiros para se relegar a pobreza – exemplo disso são o “serpentone” de Roma ou as “vele” de Nápoles; em Livorno, foram os bairros a norte que tiveram essa prerrogativa, mas os “campos nômades” também surgiram por toda a parte –, áreas onde a pobreza e uma espécie de separação se reproduziram, aumentando o empobrecimento e a guetização social. A pobreza foi mantida longe dos olhos.

Com o bem-estar, pensou-se em uma requalificação das periferias, mas não dos centros históricos, cujas estruturas de moradia, não mais adequadas a um estilo de vida rico, foram pouco a pouco ocupadas pelos menos ricos, como os estrangeiros imigrantes. A urbanização da pobreza é um fenômeno tão novo que criou o alerta de invasão.

Saber que existe a aporofobia não muda a situação, e talvez não seremos capazes de eliminar a rejeição aos pobres dos nossos medos, mas pelo menos poderemos nos tornar conscientes do problema real e identificar algum caminho de correção, talvez até tirando algumas máscaras, libertando-nos de formas de “libertação das consciências” do assistencialismo, trabalhando sobre o próprio coração e sobre o próprio sentimento, antes ainda de fazer escolhas operativas.

“É urgente redescobrir a ideia de bem comum, para a felicidade da convivência; é urgente se exercer na ‘con-vivialidade’, na partilha do alimento, para redescobrir os laços sociais, a possibilidade de instaurar uma confiança recíproca, que se traduz em responsabilidade um pelo outro” (Enzo BianchiJesus, julho de 2018).

Fonte: IHU

13 novembro, 2019

CNBB lança novas “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros na Igreja no Brasil”



Mudanças históricas e os desafios da atualidade são pontos importantes que foram considerados na elaboração das novas “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros na Igreja no Brasil”. A obra é resultado do trabalho da 56ª Assembleia Geral dos Bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de 2018, que acaba de ser lançada pela Edições CNBB.

O documento traz orientações para a formação de novos presbíteros no Brasil e a necessidade de formação permanente. Segundo o texto, esse novo presbítero precisa ter características como “coragem de alcançar todas as periferias geográficas e existenciais que precisam da luz do Evangelho, em uma atitude acolhedora e misericordiosa”, destaca o texto.

De acordo com o arcebispo de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, um dos responsáveis pela elaboração do texto na época, a Igreja no Brasil deve buscar “Homens verdadeiramente apaixonados pelo Evangelho do crucificado/ressuscitado, homens entusiasmados pela proposta do Reino e por isso capazes de se lançar generosamente no trabalho apostólico”, afirmou em uma entrevista ao portal da CNBB.

O documento foi inspirado na Ratio Fundamentalis – O dom da vocação presbiteral e suas quatro características que precisam ser destacadas: a formação deve ser única, integral, comunitária e missionária. Publicado no dia 8 de dezembro de 2016, atualiza as orientações de 1985.

As atuais Diretrizes para a Formação Presbiteral foram aprovadas na 48ª Assembleia Geral da CNBB, em 2010, e já visavam enriquecer a formação espiritual, humana, intelectual e pastoral dos futuros sacerdotes “com novos impulsos vitais, consoantes com a índole peculiar de nosso tempo”. As “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros na Igreja no Brasil” passou a vigorar no Brasil em 12 de outubro de 2019, um mês depois de o decreto ser aprovado pela Congregação para o Clero do Vaticano.

O subsídio as “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros na Igreja no Brasil” pode ser adquirido no site das Edições CNBB.

Organização da Igreja no Brasil

De acordo com o Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil da CNBB, atualmente, o Brasil conta com 278 circunscrições eclesiásticas: 45 arquidioceses, 217 dioceses, oito prelazias territoriais, uma arquieparquia de rito oriental, três eparquias orientais, um ordinariado militar, um exarcado, um ordinariato para fieis de rito oriental sem ordinário próprio, uma Administração Apostólica pessoal.

Segundo os dados de 2018, divulgados pelo professor doutor Fernando Altemeyer Junior, chefe do departamento de Ciência da Religião da PUC-SP, a organização na Igreja Católica do Brasil acontece através de 11.700 paróquias, 27.416 presbíteros, 3.849 diáconos permanentes, 2.073 membros de institutos seculares, 122.170 missionários leigos, 2.674 irmãos, 6.154 seminaristas maiores em 595 seminários de formação presbiteral e 29.868 religiosas consagradas.

Fonte: CNBB

Campanha da Fraternidade 2020 - VÍDEO OFICIAL - CNBB







Campanha da Fraternidade 2020: CNBB
disponibiliza vídeo para as comunidades

O vídeo intercala experiências de cuidado com
a vida com frases de Santa Dulce dos Pobres, segundo padre Patriky, “a grande
inspiradora, boa samaritana para os dias atuais”, exemplo de que “Vida doada é
vida santificada”.

Foi divulgado o vídeo oficial da Campanha da
Fraternidade 2020, cujo tema é “Fraternidade e vida: dom e compromisso” e o
lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34). A produção apresenta
experiências de cuidado com a vida em suas várias dimensões encontradas Brasil
afora e poderá ser utilizado para auxiliar as reflexões sobre a temática
proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a Quaresma
de 2020.

Segundo a editora Edições CNBB, que prepara os
materiais da Campanha da Fraternidade, o vídeo oferece um panorama completo,
com todo o referencial necessário “para viver, difundir e praticar os preceitos
desta edição da CF”. E, neste ano, não será colocado um DVD à venda, mas
oferecido diretamente às comunidades.

“Além de uma abordagem fundamentada para cada
um dos pilares: ‘Viu, Sentiu e Cuidou’, o vídeo auxiliará nossas comunidades na
divulgação e aprofundamento do tema e do lema da Campanha, bem como na
assimilação da relevância do assunto para a nossa sociedade”, lê-se na
descrição do vídeo no Youtube. Os pilares citados nesta explicação referem-se à
parábola do Bom Samaritano, que inspira e ensina o compromisso de cuidar do dom
da vida.

O secretário executivo de Campanhas da CNBB,
padre Patriky Samuel Batista, ressalta as diversas ações de cuidado em favor da
vida promovidas pela Igreja em várias partes do Brasil e também “as diversas
situações onde a vida tem sido descuidada e necessita de uma intervenção
evangélica fruto de um coração convertido pela Palavra de Deus”.

O vídeo intercala experiências de cuidado com
a vida com frases de Santa Dulce dos Pobres, segundo padre Patriky, “a grande
inspiradora, boa samaritana para os dias atuais”, exemplo de que “Vida doada é
vida santificada”.

Fonte: CNBB

12 novembro, 2019

Para refletir


Círculos Bíblicos em preparação ao Dia dos Cristãos Leigos e Leigas 2019


Informamos ainda que o referido material encontra-se disponível nas plataformas digitais e pode ser baixado gratuitamente (https://www.cnlb.org.br/?wpfb_dl=63).



Círculos Bíblicos em preparação ao Dia dos Cristãos Leigos e Leigas 2019

Conselho Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas Católicos Nordeste I - CNLB NE I

Ofício Circular Nº 006/19/CNLB NE I

 Fortaleza-CE, 09 de novembro de 2019.

"O leigo deve ter a consciência não somente de pertença à Igreja, mas de ser Igreja.”
(Pio XII, 1946)

Amados irmãos e irmãs em Cristo,

Paz e Bem!

            Estamos (disponibilizando) para você a apresentação que consta no subsídio Círculos Bíblicos, material preparado com muito carinho pelo CNLB Nacional para que todos nós cristãos Leigos e Leigas possamos realizar em nossas paróquias e comunidades.

            Informamos ainda que o referido material encontra-se disponível nas plataformas digitais e pode ser baixado gratuitamente (https://www.cnlb.org.br/?wpfb_dl=63)

"O importante é fazer a caridade, não falar de caridade. Compreender o trabalho em favor dos necessitados como missão escolhida por Deus"
Santa Dulce dos Pobres


Com alegria apresento aos Conselhos e Organizações Filiadas ao Organismo, bem como a todo laicato católico do país, os círculos bíblicos em preparação ao Dia dos Cristãos Leigos e Leigas de 2019, celebrado na Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, encerrando o ano litúrgico.
“A esperança dos pobres jamais se frustrará” (Sal 9,19), nos recorda Francisco em sua Carta para o III Dia Mundial dos Pobres, a qual foi nossa inspiração para os roteiros. A conjuntura exige de nós, sujeitos eclesiais e corresponsáveis pela missão, reafirmar de forma eloquente e inequívoca a opção pelos pobres e sua libertação, traço marcante de nossa identidade, como indica nossa Carta de Princípios.

Tenhamos coragem!

Peço a Santa Dulce dos Pobres que nos ajude na árdua tarefa de articular o laicato brasileiro!

Sônia Gomes de Oliveira
Presidente


Desde já em oração para que aconteça em cada comunidade uma linda Festa de Cristo Rei do Universo e já antecipo os mais sinceros votos de um Feliz Dia do Leigo a todos na certeza de que com a graça de Deus nos encontraremos em comunhão fraterna e espiritual celebrando juntos este grande dia.


 Abraço Fraterno,
Francineuda Aquino
Pela Presidência CNLB – NE 1

Capitalismo inclusivo: "ser mais" e não "ter mais", afirma o Papa

“ Um capitalismo inclusivo, que não deixa ninguém para trás, que não descarta nenhum dos nossos irmãos e irmãs, é uma nobre aspiração, digna de seus melhores esforços. ”


O Papa reiterou que um sistema econômico saudável não pode ser baseado nos lucros a curto prazo em detrimento de um desenvolvimento e investimentos produtivos, sustentáveis e socialmente responsáveis a longo prazo.

O verdadeiro desenvolvimento não pode se limitar somente ao crescimento econômico, mas favorecer a promoção de cada homem e de todo homem, como dizia São Paulo VI.

Leia na íntegra a matéria AQUI

Equoterapia para pessoas com deficiência será obrigatória em plano de saúde


Nova legislação aprovada, começou a vigorar em 10 de novembro de 2019.

“Quando houver indicação médica, cobertura não poderá ser recusada”

Para mais informações clique AQUI


11 novembro, 2019

4º SULÃO DAS CEBs


O  4º SULÃO DAS CEBs, será nos dias 15 a 17 de novembro, em Canoas – Arquidiocese de Porto Alegre/ RS.

Igreja da Base na perspectiva do Papa Francisco

O 4° Sulão das CEBs, que ser espaço para partilhar as nossas lutas, buscas, alegrias e esperanças, mas também angústias e dúvidas, animados/as pela certeza de que onde houver um/a cristão/ã consciente ou uma mulher e um homem de boa vontade que se irmanam na solidariedade, na luta pela justiça, e na criação de estruturas de fraternidade e comunhão, o tirano poder não será nem absoluto e nem definitivo. E aí está o coração das CEBs, aí está acontecendo o jeito de ser da Igreja comprometida com Jesus Cristo.

Canoas foi indicada diante do fato de que as CEBs no RS tiveram aí seu berço inicial, fruto da ação do Espírito Santo, como fonte geradora de uma Igreja encarnada na realidade do povo sofredor, entre eles, os Índios e Afrodescendentes.

Através da inserção e ação evangelizadora do Irmão Antônio Cechin, sua irmã Matilde e tantas outras lideranças leigas e religiosas, que sempre nos animaram com os exemplos de fé de São Sepé.

Com nosso Irmão e Pastor Francisco, que nos preside na caridade, queremos renovar essa fé no Deus Conosco, que continua caminhando ao nosso lado, ouvindo os clamores de seu povo, acolhendo em seus braços e coração misericordioso nossas incertezas e dores, mas ao mesmo tempo, nos animando para que, como Moisés, sejamos também nós uma Igreja na base, profética e portadora da esperança da terra onde jorra leite e mel, ou como dizem os sábios povos nativos guaranis, uma Terra Sem Males.

O Sulão das CEBs reúne  representante dos quatro Regionais do sul do Brasil (Sul 1, Sul 2, Sul 3 e Sul 4).  

07 novembro, 2019

Missa de Sétimo Dia de minha Santa Mãezinha


Missa de Sétimo Dia de minha Santa Mãezinha

Dia: 09/11/2019 - sábado
Horário: 19h30
Local: Paróquia São Mateus Apóstolo
Rua Rio das Várzeas, 950 – Pq. Res. Tuiuti – Maringá – Pr

Com carinho convidamos para a Missa de Sétimo Dia de nossa Santa Mãezinha Ivete Isabel Veloso Bueno, que o nosso Deus a levou para junto de Jesus no dia primeiro de novembro de 2019, ás 23h45m.

Ao celebrarmos a Missa de Sétimo dia, celebramos dia de seu descanso eterno, símbolo da quietude que todos vamos viver um dia, junto ao Pai.

Na Bíblia o número sete é igual à perfeição que é igual DEUS.

Deus criou o mundo em sete dias e descansou.

Encontramos na bíblia sobre o luto de sete dias.

- O luto de Jacó durou sete dias.
“Chegando à eira de Atad, além do Jordão, fizeram uma grande e solene lamentação, e José celebrou, em honra de seu pai, um pranto de sete dias”. (Gn 50,10)

- Saul foi enterrado e fizeram um jejum de sete dias.
"Tomaram os ossos e os enterraram debaixo da tamareira, em Jabes. Depois disso jejuaram sete dias." (1Sm 31,13)

- O povo chorou a morte de Judite durante sete dias.
"Ela viveu cento e cinco anos na casa de seu marido. Deu liberdade à sua escrava. Morreu e foi sepultada em Betúlia junto de seu marido. Todo o povo a chorou durante sete dias." (Jt 16,24-25)

Somos um povo de esperança, cremos na vida eterna e acreditamos que a morte não é o fim de tudo, mas o começo de uma nova vida. “Cristo, morrendo, destruiu a morte e ressuscitando dos mortos deu-nos a vida”.

03 novembro, 2019

No carinho e amor das amigas e amigos o consolo de Deus!

O meu carinho, amor e obrigada, aos padres, as tantas lideranças da Arquidiocese de Maringá, diáconos, seminaristas, vizinhos, colegas do Grupo Muzenza de Capoeira, primas e primos, tias e tios. Não vou citar nomes, muitos, amigas e amigos. No carinho e amor da presença e do abraço de vocês presente no velório de minha santa mãezinha, o consolo de Deus.

O consolo de Deus também nos afagos dos que não puderam estar presente, mas enviaram comentários e curtidas em minha publicação no Facebook e pelo WhatsApp.

Em números minha família de sangue, pequena, que somou com minha grande família de pessoas queridas que fazem parte da minha vida, e tornou-se maior ao somar com as amigas e os amigos pessoais de meu pai, minha irmã, meus dois irmãos, meu cunhado e cunhadas, sobrinhas e sobrinhos.

Obrigada ao Pe. Genivaldo Ubinge e ao Claudinei Souza e a Célia por assumir os cantos, a missa de corpo presente, nos encheu de paz, acalmou o coração e o envio amoroso de minha santa mãezinha, que faleceu no dia primeiro de novembro, dia em que nós católicos dedicamos ao todas as santas e santos de Deus, para os braços de nosso Deus a colocando na comunhão dos santos.

Será dias difíceis ainda, vazio no peito e forte dor da separação, precisamos de vocês. Obrigada. Que o nosso Deus os abençoe.

01 novembro, 2019

Primeiro de novembro dia de todos os Santos/as


Primeiro de novembro dia de todos os Santos/as

Sim, é possível sermos santas e santos, e esta solenidade nos recorda e faz relembrar a santidade cotidiana e anônima de tantas pessoas de todas as condições, idades, e profissões que caminharam fiel ao Evangelho e conseguiram testemunhar a ternura de nosso Deus em suas vidas.

Ser santo é ser plenamente humano sensível e próximo das misérias de todos/as, é viver em comunhão com Deus e a Igreja. Santo nos dias de hoje é quem mostra sua preocupação e seu compromisso com a justiça, próximo de quem necessita, renunciando a toda vangloria e arrogância.

O livro do Apocalipse fala de 144.000 justos, na verdade esse número significa uma multidão, de gente boa, que lavou suas vestes, isto é seu coração no Sangue do Cordeiro, tornando-se como Ele, cheio de ternura, compreensão e perdão para com todas as criaturas.

Assim acredito. É muito bonito esse dia.

29 outubro, 2019

Solicitação ao Hospital Bom Samaritano para rever a alteração no horário de visita na CTI/UTI

Solicitação ao Hospital Bom Samaritano para rever a alteração no horário de visita na CTI/UTI

A presença da família acelera o processo de recuperação do enfermo, principalmente da pessoa idosa e ameniza o trabalho dos profissionais de enfermagem, que podemos observar sobrecarregados.

Pessoa internadas e principalmente idosos passam por uma série de sentimentos, que envolve sensação que está sozinho, medo e insegurança.

A presença da família é muito importante principalmente em relação a esses sentimentos, por levar a pessoa se sentir mais segura, não estar sozinha e amada.

Solicitamos que à direção do Hospital Bom Samaritano revejam a alteração do horário das visitas na CTI/UTI, que sofreu alteração, onde a partir do dia 28 de outubro de 2019, o horário de visita das 17h30 às 22 horas foi retirado.

Acreditamos ser de extrema importância esse horário onde há troca de turnos, poucos profissionais para as atividades indispensáveis à assistência dos pacientes como higiene, alimentação, procedimentos clínicos, realização de curativos, entre outras atividades.

A presença de um membro da família no horário 17h30 às 22 horas ameniza o trabalho dos profissionais de enfermagem, auxilia e estimula com o jantar do enfermo e acalma e tranquiliza para uma noite tranquila.

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Para você que esta lendo entender e concordando façam também a solicitação. Abaixo os meios como pode ser feito.

Desde o dia 15 de outubro minha mãe esta na CTI do Hospital Bom Samaritano.

Do dia 26 até o momento minha mãe esta em coma induzido.

Más do dia 15 ao dia 26 ela estava consciente e respirando sem auxilio de aparelhos.

O horário de visita até o dia 27 de outubro era das 11h00 às 13h00 e das 17h30 às 22h00.

Á partir do dia 28 de outubro passou para 11h30 às 12h30 e das 15h30 às 16h30.

A experiência com minha mãe nos leva não concordar com a alteração feita pela direção do Hospital Bom Samaritano.

Nos dias que fui ficar com minha mãe, embora o horário de entrada as 17h30, chegava as 18h15 porque meu horário de saída no trabalho às 18h.

Ao aproximar dela, já ia brincando e sorrindo percebia sua fisionomia mudando, alegrando-se. Pouco após minha chegada, troca de turno dos profissionais. Nesse período os enfermos confortados e acompanhados por um acompanhante.

Assim que aos profissionais eram informados quais seriam os enfermos em sua responsabilidade percebia a correria. Muito trabalho para o número de profissionais com muitas funções indispensáveis à assistência dos pacientes como higiene, alimentação, procedimentos clínicos, realização de curativos, entre outras atividades.

A alimentação de minha mãe, o jantar, eu perguntava: e a janta de minha mãe, ainda não veio. Não por culpa do profissional de enfermagem, mas pelo acúmulo de serviços a serem executados.

Resumindo, ela trazia o jantar eu dava a minha mãe que precisa de estímulo para comer e tempo, porque comendo devagar ficava por quase uma hora. Tempo esse que no meu entender os profissionais não tem.

A fisionomia de minha mãe mudava assim que chegava. Ficava suave e tranquila.  No horário do banho, orientada pela profissional ficava aguardando em uma sala. A ser orientada que poderia retornar encontrava minha mãe inquieta e novamente quando aproximava e em sua mão segurava e conversando com carinho ela ia se acalmando e fica serena.

E com ela fiquei todos os dias que com ela ficava até as 22 horas, que ao sair a deixava dormindo serenamente.

Acredito que é preciso que o Hospital Bom Samaritano reveja a mudança no horário de visita.


Meios para encaminhar a solicitação:

Ouvidoria do Hospital Bom Samaritano

De segunda à sexta-feira das 08h às 12h e das 13h30 às 17h30
Atendimento:

- Pessoalmente na própria instituição Av. Independência, 93
- Por telefone: 44 3032-1818 – 99172-6001
- Por e-mail: ouvidoria@hbsm.net.br

22 outubro, 2019

Como enfrentar essa situação de uma forma saudável?


Minha mãe continua na CTI sem previsão de deixar a CTI  para ir para o quarto.





Minha mãe continua na CTI sem previsão de deixar a CTI  para ir para o quarto.

O sentimento está uma bagunça, medo, angústia, tristeza e ansiedade. Um sentimento de impotência. Acredito que seja uma reação normal ao estresse e a situação em si.

Um desajuste não só em minha cabeça más em minha família, pelas mudanças causadas com o ocorrido.

Como enfrentar essa situação de uma forma saudável?
Não sei, e se sei, não sei que é a resposta.

Mistério?
Pode ser que sim ou não, más minha fé em Deus e a esperança continuam vivas embelezando a vida, confiança e segurança.

Sobre o estado de minha mãe

A recuperação esta acontecendo aos poucos, Minha mãe continua na CTI sem previsão de deixar a CTI  para ir para o quarto.

Respira sem aparelhos. Esta consciente, enxerga e ouve normal.

Sua aparência melhorou e muito. A aparência dela já é outra.

A testa e os olhos que estava muito inchado e roxo, deixando-a com a imagem muito difícil de olhar, graças a Deus, desinchou.

Cabeça e rosto ainda roxo e bem inchado, mas diminuiu um pouco a inchação.

Os braços muito inchados.

Graças a Deus intestino, rim, respiração e coração, dentro da normalidade. Não houve alteração pelo ocorrido e nem por estar na CTI.

O sangramento graças a Deus não afetou o cérebro. É entre o couro cabeludo e o crânio.

Ainda sai sangue pelo dreno colocado em sua cabeça.

Há risco, segundo o Neurologista, que nos deixa em alerta, ao colocar que o quadro é ainda grave, embora o boletim da CTI, apresenta quadro estável.

Essa gravidade é em relação:
- Retornar a sangrar
- Infecção

Rezemos por ela, para que o nosso Deus não a deixe sofrer e graça da recuperação.

17 outubro, 2019

Um vazio no peito!


A cena que vivi com minha mãe, estando no cinema fecharia os olhos para não ver.

Triste...muito triste...

Minha mãe agora na UTI com risco de vida. Sua recuperação vai ser sofrida e lenta.

Erros desses “médicos aprendizes”, que ocorre por Negligência dos prontos atendimentos nos hospitais. Onde o lucro fala mais alto do que a vida. Nesses prontos atendimentos de urgência, “médicos aprendizes” sem a presença de nenhum médico experiente.

Ontem, por volta das seis horas da manhã, minha mãe acordou gritando de dor na cabeça. Dor tanta que ela parecia que iria desmaiar.

A cabeça de minha mãe começou a crescer. Em sua testa “galo” grande formando. Cabeça e rosto foi Deformando, cena que sendo no cinema fecharia meus olhos para não ver. Como esquecer essa dor de minha mãe...

Estava com ela, procurei ser forte e fiquei encorajando-a. Meu irmão chegou, colocamos no carro e levamos para o hospital. Foi ele e minha irmã.

Deu uma diarréia que só consegui ir para o hospital uma hora depois.

Há quinze dias minha mãe sofreu uma queda. Levamos ao hospital, após tomografia o médico deu alta, dizendo que não havia nada para preocupar-se.

Ontem ao conversar com o médico de plantão na UTI, explicou que a queda sofrida há quinze dias provocou um pequeno traumatismo craniano. Ontem ela sofreu derramamento do acúmulo do sangue provocado pelo traumatismo. No caso da minha mãe, muito sangue.

Minha mãe deveria ter sido internada quando sofreu a queda, para observação e nova tomografia e suspendido os remédios de afinar o sangue que ela toma. Não foi internada, não foi orientado para suspender o remédio e mandou para casa dizendo que estava tudo bem, nada para preocupar.

Minha mãe agora na UTI com risco de vida. Sua recuperação vai ser sofrida e lenta.

Peço que rezem por ela. Para que o nosso Deus não deixa sofrer.

Agora às dez saiu boletim da UTI
Estável - consciente e respirando naturalmente.

15 outubro, 2019

Os novos caminhos têm rosto feminino



 Os novos caminhos têm rosto feminino

Uma imagem sempre valeu mais que mil palavras, especialmente nesses tempos de redes sociais em que na tela de nossos celulares estão passando fotos que provocam reações, que expressamos com um simples clique. Na manhã de sábado(12), apareceu uma imagem que mostra um passo adiante, certamente nem todo mundo vê dessa maneira, que Francisco quer as mulheres cada vez mais perto dele.

Contam de dentro da sala sinodal que, quando uma mulher fala, Francisco presta especial atenção à tela à sua frente. Ele não apenas quer ouvir, mas também vê seus rostos, suas reações, porque, como já tinha falado nos pequenos círculos formados nos momentos de pausa, ele quer que elas falem e o façam sem medo.

De fato, em alguma ocasião o Papa disse que, quando coloca um problema para homens e mulheres, as reações são diferentes, elas têm visões que se enriquecem decisivamente ao oferecer soluções. Na aula sinodal, segundo informações, tem 38 mulheres, representantes dos povos originários, religiosas, agentes das pastorais sociais, mulheres da Igreja, que já falam sem medo da necessidade de novos caminhos, que certamente já tem sido oferecidos ao Papa Francisco, porque, como escutei de algumas mulheres, incluindo algumas que participam da assembleia, “as mulheres sabemos aproveitar as brechas”.

Passos estão sendo dados, novos caminhos estão sendo construídos, é um tempo de esperança, de kairos, tempo de Deus, que também tem rosto feminino e que, através das mulheres, está nos dizendo para mudar e tornar realidade uma Igreja que seja imagem, não dos tempos modernos, mas do Reino, que é o que está na origem e fundamenta tudo.

(Luis Miguel Modino)

Fonte: Portal das CEBs

Francisco: Há uma atitude que o Senhor não tolera: a hipocrisia!



“Há uma atitude que o Senhor não tolera: a hipocrisia. É o que acontece no Evangelho de hoje. Convidam Jesus para jantar, mas para julgá-lo, não para fazer amizade”, afirmou o Papa na homilia da missa na Casa Santa Marta.
Adriana Masotti - Cidade do Vaticano

A hipocrisia foi o tema da homilia do Papa Francisco na Missa desta manhã celebrada na Casa Santa Marta, sugerido pelo Evangelho do dia, que narra a história de Jesus que é convidado por um fariseu para jantar e é criticado pelo anfitrião, porque não havia lavado as mãos antes de estar à mesa.
E o Papa comenta: "Há uma atitude que o Senhor não tolera: a hipocrisia. É o que acontece hoje no Evangelho. Convidam Jesus para jantar, mas para julgá-lo, não para fazer amigos”.

A hipocrisia, continua ele, "é precisamente aparentar ser de um jeito e ser de outro”.  É pensar secretamente de maneira diferente do que aparenta ser. E Jesus não suporta isso. E frequentemente chama os fariseus de hipócritas, sepulcros caiados.

O de Jesus não é um insulto, é a verdade. "Por fora, tu és perfeito, antes ainda, engomado precisamente com a concretude - diz ainda Francisco - mas por dentro és outra coisa".

E afirma que "a atitude hipócrita vem do grande mentiroso, o diabo". Ele é o "grande hipócrita" e os hipócritas são seus "herdeiros":

A hipocrisia é a linguagem do diabo, é a linguagem do mal que entra em nosso coração e é semeada pelo diabo. Não se pode viver com pessoas hipócritas, mas elas existem. Jesus gosta de desmascarar a hipocrisia. Ele sabe que será precisamente esse comportamento hipócrita que o levará à morte, porque o hipócrita não pensa se usa meios lícitos ou não, vai em frente: calúnia? "vamos caluniar"; falso testemunho? "busquemos um falso testemunho".

O Papa continua dizendo que alguém poderia objetar "que conosco não existe hipocrisia assim". Mas pensar isso, é um erro:

A linguagem hipócrita, não diria que é normal, mas é comum, é de todos os dias. O aparentar de uma maneira e ser de outra. Na luta pelo poder, por exemplo, as invejas, os ciúmes fazem você parecer uma maneira de ser e, por dentro, tem o veneno para matar, porque a hipocrisia sempre mata, sempre, mais cedo ou mais tarde mata.

 É necessário ser curado deste comportamento. Mas qual remédio, pergunta Francisco? A resposta é dizer "a verdade diante de Deus. É acusar a si mesmo:

Precisamos aprender a nos acusar: "Eu fiz isso, eu penso  assim, maldosamente ... sou invejoso, gostaria de destruir aquele ...", o que existe dentro, nosso, e dizer isso diante de Deus. Este é um exercício espiritual que não é comum, não é usual, mas procuremos fazê-lo:  acusar a nós mesmos,  vermo-nos no pecado, nas hipocrisias, na maldade que existe em nosso coração, porque o diabo semeia a maldade. E dizer ao Senhor: "Mas veja Senhor, como sou!", e dizer isso com humildade.

Aprendamos a acusar a nós mesmos, repete o Papa, acrescentando "talvez algo muito forte, mas é assim: um cristão que não sabe acusar a si mesmo não é um bom cristão" e corre o risco de cair na hipocrisia. E recorda da oração de Pedro quando disse ao Senhor: afasta-te de mim, porque sou um homem pecador.

"Que nós aprendamos a nos acusar – conclui o Papa - a nós, a nós mesmos".

Fonte do texto: Vatican News

Lucas 11,37-41


Naquele tempo:
37Enquanto Jesus falava,
um fariseu convidou-o para jantar com ele.
Jesus entrou e pôs-se à mesa.
38O fariseu ficou admirado
ao ver que Jesus não tivesse lavado as mãos
antes da refeição.
39O Senhor disse ao fariseu:
'Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora,
mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades.
40Insensatos! Aquele que fez o exterior
não fez também o interior?
41Antes, dai esmola do que vós possuís
e tudo ficará puro para vós.

Palavra da Salvação.

14 outubro, 2019

Estação Primeira de Mangueira em 2020 mais “um recado”.



Estação Primeira de Mangueira em 2020 mais “um recado”.

Campeã do carnaval de 2019 vai pisar na Sapucaí com o enredo 'A verdade vos fará livre'.
Em 2019 a escola recontou a história do Brasil a partir de heróis negros e índios.

A mídia já divulga a ousadia da Mangueira, com títulos diversos:
- “Teologia da Libertação será tema da Mangueira em 2020”
- “Enredo 2020 da Mangueira traz Cristo histórico contra a intolerância “A verdade vos fará livre””
- “Mangueira terá como tema em 2020 a volta de Jesus em um mundo intolerante”
- “Mangueira apresentará o verdadeiro Jesus Cristo ao Brasil”

Sinopse 2020 (fonte site da Mangueira)

Nasceu pobre e sua pele nunca foi tão branca quanto sugere sua imagem mais popular. Sem posses e mais retinto do que lhe foi apresentado, andou ao lado daqueles que a sociedade virou as costas oferecendo-lhes sua face mais amorosa e desprovida de intolerância. Sábio, separou o joio do trigo, semeou terrenos férteis e jamais deixou uma ovelha sequer para trás.
Exaltou os humildes e condenou o acúmulo de riqueza. Insurgiu-se contra o comércio da fé e desafiou a hipocrisia dos líderes religiosos de seu tempo. Questionou o poder do império romano e condenou a opressão. Seu comportamento pacifista e suas ideias revolucionárias inflamaram o discurso dos algozes que passaram a excitar o estado a decretar sua sentença. O fim todos sabemos: Foi torturado, padeceu e morreu.
Séculos depois, sua trajetória ainda anda na boca dos homens e em seu nome, para o mal dito “de bem” – e com rígido contorno de moralidade - muito já foi realizado de forma estanque ao  sentido mais completo do AMOR por ele difundido. O amor incondicional, irrestrito e ágape.
Por isso, quando preso à cruz, ele não pode ser apresentado como um. Ser um, exclui os demais. Preso à cruz, ele é a extensão de tantos, inclusive daqueles que a escolha pelo modelo “oficial” quis esconder.  Sendo assim, sua imagem humana não pode ser apenas branca e masculina. Na cruz, ele é homem e é também mulher. Ele é o corpo indígena nu que a igreja viu tanto pecado e nenhuma humanidade. Ele é a ialorixá que professa a fé apedrejada e vilipendiada. Ele é corpo franzino e sujo do menor que você teme no momento em que ele lhe estende a mão nas calçadas. Na cruz, ele é também a pele preta de cabelo crespo. Queiram ou não queiram, o corpo andrógino que te causa estranheza, também é a extensão de seu corpo.
Sem anunciar o inferno, ele prometeu que voltaria. Acredito que, se ele voltasse à terra por uma encosta que toca o céu - para nascer da mesma forma: pobre e mais retinto, criado por pai e mãe humilde, para viver ao lado dos oprimidos e dar-lhes acolhimento - ele desceria pela parte mais íngreme de uma  favela qualquer dessa cidade. Talvez na Vila Miséria*, região mais alta e habitada do Morro de Mangueira. Ali, uma estrela iluminaria a sala sem emboço onde ele nasceria menino outra vez. Então, ele cresceria entre os becos da Travessa Saião Lobato*, correria junto das crianças da Candelária*, espalharia suas palavras no Chalé* e no "Pindura" Saia*. Impediria que atirassem pedras contra os que vivem nas quebradas e nos becos do Buraco Quente*. Estaria do lado dos sem eira e nem beira estranhando ver sua imagem erguida para a foto postal tão distante, dando as costas para aqueles onde seu abraço é tão necessário.
Se sobrevivesse às estatísticas destinadas aos pobres que nascem em comunidades, chegaria aos 33 anos para morrer da mesma forma. Teria a morte incentivada pelas velhas ideias que ainda habitam os homens. O amor irrestrito ainda assusta. A diferença jamais foi entendida. Estender a mão ao oprimido ainda causa estranheza. Seria torturado com base nas mesmas ideias.
Morto, ressuscitaria mais uma vez e, por ter voltado em Mangueira, saudaríamos a possibilidade de vermos seu sorriso amoroso novamente com o que aqui fazemos de melhor. Louvaríamos sua presença afetuosa com samba e batucada. Vestiríamos todos nossa roupa mais cara. Aquela de paetês e purpurina. De cetim com joias falsas. Desfilaríamos diante dele e, em seu louvor, instauraríamos a lei que rege nossos três dias de folia. Sem pecado, irmanados e em pleno estado de graça.
Explicaríamos nessa ocasião que a cruz pesada que carregamos como fardo ao longo do ano nos é tirada das costas no carnaval. Por ter vencido a morte e sem ter o peso de sua cruz nas costas, ele sorri para a baiana que desce para se apresentar. Ele acena com a mão direita para a passista que amarra a sandália, enquanto a mão esquerda dá a benção para o ritmista que rompe o silencio com a levada de seu tamborim.
Fitando o céu, ele parece ver algo ou alguém acima da linha do horizonte . Sorri, como se pego em meio a brincadeira e se soubesse humano também.  Entendendo que ali ele é rebento e que todos, sem exceção, são seu rebanho; ciente de que o pecado, por vezes, é invenção para garantir medo e servidão, ele pede para que toda essa gente que brinca anuncie enquanto canta sorrindo: A VERDADE VOS FARÁ LIVRE.
 Vila Miséria* Travessa Saião Lobato* Candelária* Chalé* Pindura Saia* Buraco Quente* - Todos os nomes referem-se a localidades ocupadas pela comunidade do Morro da Mangueira.
 Rio de Janeiro, Julho de 2019.
PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E TEXTO: LEANDRO VIEIRA

12 outubro, 2019

Invocação a Mariama

Lindo e Profético!

De  Dom Helder Camara
Invocação a Mariama

Mariama, Nossa Senhora, mãe de Cristo e Mãe dos homens!

Mariama, Mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra.

Pede ao teu filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver.

Mas é importante, Mariama, que a Igreja de teu Filho não fique em palavras, não fique em aplausos.

O importante é que a CNBB, a Conferência dos Bispos, embarque de cheio na causa dos negros.

Como entrou de cheio na pastoral da terra e na pastoral dos índios.

Não basta pedir perdão pelos erros de ontem.
É preciso acertar o passo de hoje sem ligar ao que disserem.

Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo.

É Evangelho de Cristo, Mariama.

Mariama, Mãe querida, problema de negro acaba se ligando com todos os grande problemas humanos.

Com todos os absurdos contra a humanidade, com todas as injustiças e opressões.

Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas.

O mundo precisa fabricar é Paz.

Basta de injustiça! De uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar.

Basta de alguns tendo de vomitar para poder comer mais e cinquenta milhões morrendo de fome num ano só.

Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia.

Mariama, Nossa Senhora, Mãe querida, nem precisa ir tão longe, como no teu hino.

Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e o pobres de mãos cheias. Nem pobre nem rico!

Nada de escravo de hoje ser senhor de escravos amanhã.

Basta de escravos!

Um mundo sem senhores e sem escravos. Um mundo de irmãos.

De irmãos não só de nome e de mentira. De irmãos de verdade, Mariama.