17 agosto, 2020

Chega de violência! Não ao aborto!

 

Chega de violência! Não ao aborto!

O bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Ricardo Hoepers, escreveu artigo questionando a decisão de interrupção da gravidez de uma menina de dez anos que sofreu abuso sexual, em São Mateus (ES).

“É uma história que precisa ser esclarecida. É um processo que precisa ser desvendado. Duas crianças que poderiam viver… teve laudo técnico a favor da vida, teve suporte profissional a favor da vida, teve hospital disposto a cuidar até o fim da gestação, tiveram todas as condições de salvar as duas vidas, mas, de repente, uma transferência, de um Estado para o outro, e toda uma mobilização para que o aborto fosse realizado. Nas mãos de quem ficou a tutela dessa menina, quem decidiu tudo por ela?”, questiona o bispo.

Confira o texto na íntegra:


Por que não viver?

Desde o momento que soube do assassinato da bebê de mais de 5 meses, de São Mateus (ES), com uma injeção de potássio na cavidade cardíaca da criança, em Recife (PE), cuja mãe é uma menina de dez anos, fiquei pensando, como explicar esse crime hediondo.

Por que não foi permitido esse bebê viver? Que erro ele cometeu? Qual foi seu crime? Por que uma condenação tão rápida, sem um processo justo e fora da legalidade? Por que o desprezo a tantas outras possibilidades de possíveis soluções em prol da vida? Foram muitos os envolvidos, mas o silêncio e omissão dos órgãos institucionais que têm a prerrogativa de defender a vida, se entregaram às manobras de quem defende a morte de inocentes. Por quê?

É uma história que precisa ser esclarecida. É um processo que precisa ser desvendado. Duas crianças que poderiam viver… teve laudo técnico a favor da vida, teve suporte profissional a favor da vida, teve hospital disposto a cuidar até o fim da gestação, tiveram todas as condições de salvar as duas vidas, mas, de repente, uma transferência, de um Estado para o outro, e toda uma mobilização para que o aborto fosse realizado. Nas mãos de quem ficou a tutela dessa menina, quem decidiu tudo por ela?

Por que a obsessão de apresentar uma única saída? Por que burlar as leis para alcançar esse objetivo de usar de uma criança para um intento assassino?

Difícil raciocinar o que aconteceu, como aconteceu e porque terminou assim!

Ministério Público do Espírito Santo, Conselho Tutelar, Secretários Municipais da Saúde de Vitória e Recife e Secretários Estaduais da Saúde do Espírito Santo e de Pernambuco têm muitas explicações a dar à sociedade brasileira. Por que foi rejeitado um laudo técnico de profissionais e o suporte dos mesmos, obrigando o hospital a dar alta e subitamente transferir a menina-mãe para um hospital em outro Estado? Há claramente um abuso de poder que merece ser investigado.

Mas, de tudo isto, ainda resta a pergunta: por que o bebê não pôde viver? Por que foi sentenciado à morte, mesmo sendo inocente, e tendo todas as condições para vir à vida com os devidos cuidados e com o apoio técnico profissional à disposição? Por que optaram pela morte e não pela vida, desrespeitando a lei, pois se tratava de um bebê de 22 semanas?

Se não somos capazes nem de defender a nossa própria espécie, que tipo de humano estamos nos tornando? Estamos negando nossa própria humanidade. A violência do estupro e do abuso sexual é infame e horrenda, mas a violência do aborto provocado em um ser inocente e sem defesa é tão terrível quanto. Ambos são crimes. Apontam como sinais da degradação moral e da decadência dos costumes, ferindo os valores mais sublimes como o respeito à dignidade do ser humano e a sacralidade do valor da vida!

Mesmo sendo rechaçados pelo nosso discurso religioso em prol da vida, quero dizer que não se trata de nenhum fundamentalismo, mas do uso da reta razão. Quando vem à mente um tema tão básico, tão racional, tão científico, tão antigo, de uma regra de ouro que é uma verdade basilar e aceita por qualquer sociedade civilizada: “Não matarás um inocente”, então nos perguntamos: Por que estão matando nossas crianças? Ou perdemos o fio da história ou nos tornamos reféns de uma razão autodestrutiva, que se odeia e, por isso, mata o seu futuro antes dele nascer…

Hoje faço uma prece por todas as crianças que gostariam nascer, brincar, chorar e viver, mas, foram assassinadas antes de nascer! Esperamos explicações e respostas sobre esse caso. Chega de violência! Não ao aborto! Escolhe, pois, a vida (Dt, 30,19).

Rio Grande (RS), 17 de agosto de 2020.
Dom Ricardo Hoepers
Presidente da Comissão Vida e Família da CNBB

Fonte: Site da Arquidiocese de Maringá

5º GRITO 1999 - 25 ANOS DE MEMÓRIA DO GRITO DOS EXCLUÍDOS

15 agosto, 2020

Inclusão, comunhão e defesa dos pobres, indígenas e excluídos!

Profética a fala de dom Severino Clasen, na missa de posse canônica de Arcebispo de Maringá. 

Falou em inclusão, comunhão e defesa dos pobres, indígenas e excluídos. Fez menção ao nosso querido Papa Francisco, sentimento as vidas perdidas pelo Covid-19 e falou da omissão do governo frente à pandemia. Lembrou e citou uma frase de dom Pedro Casaldáliga “Não se pode ser cristão sem defender os direitos dos pobres”. Em sua fala, mostrou carinho e reconhecimento ao laicato.

É... A utopia serve para caminhar e ela vai se realizando com o pouquinho que é feito por cada um de nós.


Dia dedicado a Vida Religiosa Consagrada

Posse Canônica de Dom Severino Clasen na Arquidiocese de Maringá

Nesse momento na Catedral representando as CEBs na posse e Santa Missa de Dom Severino Clasen como Arcebispo de Maringá.

Nesse sábado: Posse de Dom Severino Clasen como Arcebispo de Maringá

Santa Missa em que Dom Severino Clasen tomará posse como Arcebispo de Maringá será transmitida ao vivo pelo canal da Arquidiocese de Maringá no YouTube https://www.youtube.com/ArquidioceseMaringa e pela Rádio Colmeia FM (98,7), a partir das 9h.


A Santa Missa em que Dom Severino Clasen tomará posse como Arcebispo de Maringá será celebrada nesse sábado, 15 de agosto, às 9h30 na Catedral Metropolitana Basílica Menor Nossa Senhora da Glória. Haverá transmissão com acessibilidade em Libras, com intérprete da Pastoral do Surdo. 

Dom Severino será acolhido na Catedral às 9h, horário em que terá início a transmissão on-line pelo canal da Arquidiocese de Maringá no YouTube 
https://www.youtube.com/watch?v=DIjZjHljWYU&feature=emb_title

Por causa da pandemia, a celebração terá público restrito. Para manter o distanciamento exigido pelas autoridades sanitárias, a Catedral comportará 450 pessoas sentadas (menos de 30% de sua capacidade normal). 

A Arquidiocese de Maringá convidou  arcebispos, bispos, padres, diáconos, seminaristas, religiosas e religiosos e leigos coordenadores de pastorais, movimentos e organismos da Arquidiocese, além de autoridades civis de Maringá e região. Padres e leigos da Diocese de Caçador, Santa Catarina, também terão lugar reservado na celebração. 

O *Papa Francisco* nomeou Dom Severino Clasen como Arcebispo de Maringá dia 1º de julho, transferindo-o da Sede Episcopal de Caçador. Franciscano, Dom Severino também foi Bispo de Araçuaí, Minas Gerais; por oito anos presidiu a Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB e, até ser nomeado Arcebispo de Maringá, presidia o Regional Sul 4 da CNBB, que representa a Igreja Católica em Santa Catarina. 

Transmissão on-line

A Santa Missa em que Dom Severino Clasen tomará posse como Arcebispo de Maringá será transmitida ao vivo pelo canal da Arquidiocese de Maringá no YouTube https://www.youtube.com/ArquidioceseMaringa e pela Rádio Colmeia FM (98,7), a partir das 9h. 

Fonte: site da Arquidiocese de Maringá 

14 agosto, 2020

Rezemos por Dom Severino Clasen

Despejo de acampamento do MST em Minas Gerais é denunciado à ONU


Informe enviado pede que o governador Romeu Zema seja oficiado pelo organismo internacional para suspensão do despejo

Redação
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 13 de Agosto de 2020 às 19:21

A Campanha Despejo Zero, capitaneada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e mais de 100 movimentos populares, denunciou o despejo do Acampamento Quilombo Campo Grande à Organização das Nações Unidas (ONU).

Um informe foi enviado nesta quinta-feira (13) ao relator especial de moradia adequada ONU, Balakrishnan Rajagopal, denunciando a destruição de uma escola e a retirada de seis famílias do acampamento do MST em Campo do Meio, no estado de Minas Gerais.

Os movimentos também denunciam o fato de ação estar ocorrendo durante o estado de calamidade pública provocado pela pandemia da covid-19 e pedem que o governador Romeu Zema (Novo) seja oficiado pela entidade para a suspensão imediata da reintegração.


As mais de 450 famílias vivem e trabalham no local há 23 anos e são referência de produção agroecológica na região. Os sem-terra resistem à tentativa de despejo desde a manhã de quarta-feira (12). Neste momento, segundo o MST, há mais de 200 policiais no local

“O despejo do Quilombo Campo Grande é uma grave violação de direitos humanos para as famílias locais, que podem perder tanto sua moradia quanto seu sustento. Isto também impacta diretamente a segurança alimentar de todas as famílias que recebem os alimentos ali produzidos”, apontam as organizações da Campanha Despejo Zero no informe enviado.


Apesar de o governador ter cedido à pressão popular e declarado em suas redes sociais nesta quarta-feira (12) que o governo estadual era a favor do adiamento da remoção dos sem-terra, o oficial responsável pelo despejo informou ao MST que a ação iria continuar caso não houvesse uma ordem de suspensão oficial.

Os advogados do MST entraram com um pedido no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a ordem de despejo.

Entenda o conflito 

Os acampados atingidos pela reintegração de posse vivem na área da usina falida Ariadnópolis, da Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo (Capia), que encerrou as atividades em 1996. Ao falir, os donos da empresa deixaram dívidas trabalhistas e as terras em situação de completo abandono. 

Após a ocupação e revitalização das terras a partir de 1998, os agricultores estão em constante disputa com os proprietários da Companhia, que reivindicam posse do local recuperado ao longo dos anos pelos sem-terra. 
A região do sul de Minas, conhecida por ser a maior produtora de café do Brasil, é também berço do café orgânico e agroecológico Guaií, produzido há décadas pelos acampados. No local, os agricultores também desenvolvem atividades como plantio de cereais, milho, hortaliças e frutas. 


Atualmente, quem pede o despejo das famílias é o empresário Jovane de Souza Moreira, que tenta reativar a usina falida para cumprir um acordo comercial com a Jodil Agropecuária e Participações Ltda. O proprietário da empresa em questão é João Faria da Silva, considerado um dos maiores produtores de café do país.

O juiz Walter Zwicker Esbaille Junior, do Tribunal de Justiça de Minhas Gerais (TJ-MG) chegou a determinar a reintegração de posse em novembro de 2018 em primeira instância. Entretanto, o desembargador Marcos Henrique Caldeira Brant suspendeu a decisão.

Reportagem da Repórter Brasil, publicada em novembro 2018, registra que após pedir recuperação judicial da Usina, o documento firmado entre Jovane e Faria prevê o arrendamento de parte dos 4 mil hectares da terra para o plantio de café, enquanto outra parcela seria destinada ao cultivo da cana-de-açúcar.

O despejo iniciado nesta quarta-feira (12) foi determinado pelo juiz Roberto Apolinário de Castro em fevereiro e afeta diversas famílias que ocupam a área da sede da Usina.

Mas, segundo denuncia o MST, a questão que agrava a situação é o limite entre as áreas do Quilombo e a área que o proprietário da antiga usina alega ser de sua propriedade.

De acordo com o movimento, área que o dono da Usina reivindica legalmente não é dele de fato. Apesar disso, o despacho mais recente, de fevereiro desse ano, aumentou a área da reintegração de posse para 52 hectares. 

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Edição: Rodrigo Chagas

Tentativa de despejo denunciada à ONU iniciou na manhã de quarta-feira (12), em Campo do Meio (MG) - Foto: Brasil de Fato/MG

13 agosto, 2020

25 ANOS DE MEMÓRIA DO GRITO DOS EXCLUÍDOS

 


CNLB – CONSELHO NACIONAL DO LAICATO DO BRASIL

25 ANOS DE MEMÓRIA DO GRITO DOS EXCLUÍDOS

1º GRITO DOS EXCLUÍDOS 1995

O CNLB, antecedendo o 26º Grito dos excluídos, preparou juntamente com os Cristãos Leigos e Leigas de todo o Brasil, um histórico dos vinte e cinco gritos que estiveram presentes em nossa Igreja e sociedade.

Tendo como sempre o GRITO:
VIDA EM PRIMEIRO LUGAR!

#CNLB #GritoDosExcluidos #CNLB #CBJP

Nos visite em:
https://www.youtube.com/user/laicatodobrasil
https://www.facebook.com/conselhodeleigos/

Fruto da 2º Semana Social Brasileira e inspirado na Campanha da Fraternidade de 1995, o Grito conta com uma história de 26 anos de realização e acontece sempre no dia 07 de setembro de cada ano. As motivações para a escolha da data se deram no sentido de se fazer um contraponto ao Dia da Independência.

Hoje, queremos fazer memória ao 1º Grito dos Excluídos/as, realizado em 1995 e que teve como lema: “Vida em primeiro lugar”, tendo como símbolo também uma panela vazia. O Grito daquele ano ecoou em 170 localidades espalhadas pelo Brasil.

Mais do que um evento, o Grito é uma manifestação popular carregado de simbolismo e vivido na prática das lutas do povo que clama por direitos. A cada ano se efetiva como uma imensa construção coletiva, antes, durante e após o 7 de Setembro.

Para esse ano, o Grito que quero dar é pela defesa do Sistema Único de Saúde, o SUS, que é uma conquista do povo brasileiro e que precisa ser valorizado. É um dos poucos serviços de saúde público no mundo que tem acesso universal e defende-lo é nossa obrigação como Cristão leigo e leiga.


12 agosto, 2020

O nosso povo quer se expressar, e nas CEBs ninguém é mais importante e o povo faz e é sujeito, e isso é lindo!

O nosso povo quer se expressar, e nas CEBs ninguém é mais importante e o povo faz e é sujeito, e isso é lindo!




Movimento negro apresenta pedido de impeachment de Bolsonaro

A Coalizão Negra por Direitos, articulação que reúne 150 organizações do movimento negro, vai protocolar na quarta-feira (12) um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. O pedido se baseia, segundo os proponentes, em crimes de responsabilidade praticados por Bolsonaro que atentam contra a vida da população negra e suas comunidades.

A reportagem é publicada por Congresso em Foco, 11-08-2020.

Além das assinaturas das organizações que compõem a Coalizão, o documento tem o apoio de outras mais de 600 entidades e instituições de todo o país, centenas de trabalhadores e trabalhadoras domésticas, da saúde, informais, de aplicativos, da construção civil e pessoas ligadas à cultura e à religião.
“No curso de nossa história, o movimento negro brasileiro sempre se fez presente em momentos críticos de defesa aos direitos humanos e de necessidade de construção democrática. E mais um vez agora!”, diz parte do texto publicado no site da Coalizão.

O pedido acontece “em decorrência do menosprezo e negligência com o qual o Presidente da República Jair Bolsonaro atuou na pandemia do coronavírus, descumprindo o seu dever constitucional de garantia aos direitos constitucionais e universais à vida e à saúde, através de atos que consistem em crime de responsabilidade”.

Entre os crimes atribuídos pelo movimento estão o uso de medicamentos não comprovados para o tratamento de coronavírus, negar medidas de atendimento e enfrentamento à covid-19 em comunidades mais vulnerabilizadas; dentre elas as comunidades quilombolas e a atuação para conflitar com os estados, "frentes às ações apropriadas que estavam sendo realizadas pelos governadores para contenção da pandemia".

O pedido também cita ações do presidente no sentido de cercear os direitos políticos, de gerar suspeita ao sistema eleitoral vigente, ataques aos direitos constitucionais de acesso à informação e liberdade de expressão, ações para extermínio e vulnerabilização, especificamente, das comunidades quilombolas, e atos que incitam discriminação racial e religiosa.

O protocolo do documento deve acontecer às 11h,na Câmara dos Deputados, seguido de ato simbólico no gramado da esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso Nacional e entre o Ministério da Justiça e da Saúde.

Fonte: IHU

A fé de Israel

CAPÍTULO I
ACREDITÁMOS NO AMOR
(cf. 1 Jo 4, 16)

A fé de Israel

12. A história do povo de Israel, no livro do Êxodo, continua na esteira da fé de Abraão. De novo, a fé nasce de um dom originador: Israel abre-se à acção de Deus, que quer libertá-lo da sua miséria. A fé é chamada a um longo caminho, para poder adorar o Senhor no Sinai e herdar uma terra prometida. O amor divino possui os traços de um pai que conduz seu filho pelo caminho (cf. Dt 1, 31). A confissão de fé de Israel desenrola-se como uma narração dos benefícios de Deus, da sua acção para libertar e conduzir o povo (cf. Dt 26, 5-11); narração esta, que o povo transmite de geração em geração. A luz de Deus brilha para Israel, através da comemoração dos factos realizados pelo Senhor, recordados e confessados no culto, transmitidos pelos pais aos filhos. Deste modo aprendemos que a luz trazida pela fé está ligada com a narração concreta da vida, com a grata lembrança dos benefícios de Deus e com o progressivo cumprimento das suas promessas. A arquitectura gótica exprimiu-o muito bem: nas grandes catedrais, a luz chega do céu através dos vitrais onde está representada a história sagrada. A luz de Deus vem-nos através da narração da sua revelação e, assim, é capaz de iluminar o nosso caminho no tempo, recordando os benefícios divinos e mostrando como se cumprem as suas promessas.

13. A história de Israel mostra-nos ainda a tentação da incredulidade, em que o povo caiu várias vezes. Aparece aqui o contrário da fé: a idolatria. Enquanto Moisés fala com Deus no Sinai, o povo não suporta o mistério do rosto divino escondido, não suporta o tempo de espera. Por sua natureza, a fé pede para se renunciar à posse imediata que a visão parece oferecer; é um convite para se abrir à fonte da luz, respeitando o mistério próprio de um Rosto que pretende revelar-se de forma pessoal e no momento oportuno. Martin Buber citava esta definição da idolatria, dada pelo rabino de Kock: há idolatria, « quando um rosto se dirige reverente a um rosto que não é rosto ».[10] Em vez da fé em Deus, prefere-se adorar o ídolo, cujo rosto se pode fixar e cuja origem é conhecida, porque foi feito por nós. Diante do ídolo, não se corre o risco de uma possível chamada que nos faça sair das próprias seguranças, porque os ídolos « têm boca, mas não falam » (Sal 115, 5). Compreende-se assim que o ídolo é um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da realidade, na adoração da obra das próprias mãos. Perdida a orientação fundamental que dá unidade à sua existência, o homem dispersa-se na multiplicidade dos seus desejos; negando-se a esperar o tempo da promessa, desintegra-se nos mil instantes da sua história. Por isso, a idolatria é sempre politeísmo, movimento sem meta de um senhor para outro. A idolatria não oferece um caminho, mas uma multiplicidade de veredas que não conduzem a uma meta certa, antes se configuram como um labirinto. Quem não quer confiar-se a Deus, deve ouvir as vozes dos muitos ídolos que lhe gritam: « Confia-te a mim! » A fé, enquanto ligada à conversão, é o contrário da idolatria: é separação dos ídolos para voltar ao Deus vivo, através de um encontro pessoal. Acreditar significa confiar-se a um amor misericordioso que sempre acolhe e perdoa, que sustenta e guia a existência, que se mostra poderoso na sua capacidade de endireitar os desvios da nossa história. A fé consiste na disponibilidade a deixar-se incessantemente transformar pela chamada de Deus. Paradoxalmente, neste voltar-se continuamente para o Senhor, o homem encontra uma estrada segura que o liberta do movimento dispersivo a que o sujeitam os ídolos.

14. Na fé de Israel, sobressai também a figura de Moisés, o mediador. O povo não pode ver o rosto de Deus; é Moisés que fala com Jahvé na montanha e comunica a todos a vontade do Senhor. Com esta presença do mediador, Israel aprendeu a caminhar unido. O acto de fé do indivíduo insere-se numa comunidade, no « nós » comum do povo, que, na fé, é como um só homem: « o meu filho primogénito », assim Deus designará todo o Israel (cf. Ex 4, 22). Aqui a mediação não se torna um obstáculo, mas uma abertura: no encontro com os outros, o olhar abre-se para uma verdade maior que nós mesmos. Jean Jacques Rousseau lamentava-se por não poder ver Deus pessoalmente: « Quantos homens entre mim e Deus! » [11] « Será assim tão simples e natural que Deus tenha ido ter com Moisés para falar a Jean Jacques Rousseau? » [12] A partir de uma concepção individualista e limitada do conhecimento é impossível compreender o sentido da mediação: esta capacidade de participar na visão do outro, saber compartilhado que é o conhecimento próprio do amor. A fé é um dom gratuito de Deus, que exige a humildade e a coragem de fiar-se e entregar-se para ver o caminho luminoso do encontro entre Deus e os homens, a história da salvação.

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CARTA ENCÍCLICA LUMEN FIDEI
DO SUMO PONTÍFICE FRANCISCO  

11 agosto, 2020

A tristeza, no a-Deus de Pedro, é fecunda, queima, interpela e compromete - Edward Guimarães


Pedro Casaldáliga - este dom preciso de Deus, profeta da opção pelos pobres e da justiça do Reino - testemunhou e anunciou com a totalidade de sua vida e com profunda coerência evangélica, a VIDA NOVA de quem foi libertado pela graça em Jesus de Nazaré, para amar e servir, desde os mais pequeninos e marginalizados. 

Talvez por isso, Pedro, como os demais homens e mulheres que foram profetas na história, foi muito amado e odiado. 

Pedro foi amado pelas vítimas, pobres, vulneráveis, excluídos e marginalizados, pelos que seguem Jesus e acolhem o seu Evangelho e pelos que assumem a centralidade do amor e da justiça. Ele foi também muito odiado e ameaçado, como inimigo, pelos que defendem o latifúndio, a acumulação, a dominação dos indígenas, dos negros e dos empobrecidos e que defendem, aristocraticamente, com unhas e dentes, os privilégios de sua classe ou de casta. 

Estes rotulavam Pedro como bispo vermelho, socialista, comunista, marxista, subversivo e revolucionário. Aqueles reconheciam nele o companheiro de caminhada, o Evangelho vivo, o poeta da espiritualidade e santidade do Reino, o comunitarista fraterno-sororal da justiça e da igualdade. 

Pedro influenciou toda uma geração de cristãos e de pessoas de boa vontade, comprometida com a dignidade da vida, com a opção pelos pobres e marginalizados, com os direitos humanos, com a igual cidadania para todos, com a partilha e a justiça social, com o Estado Democrático de Direito e concretizador das políticas públicas desde os que mais precisam. 

Tomara que agora, como Jesus Ressuscitado, Pedro continue a influenciar as novas gerações na construção do Reino da fraternidade-sororidade e da justiça social.

Louvo muito a Deus pela graça de ter conhecido, em meados dos anos 80, o testemunho vivo e a pessoa de Pedro, este sacramento vivo da práxis libertadora de Jesus, da espiritualidade do seguimento e da fraternidade-sororidade do Reino. 

Por ter conhecido Pedro e seus muitos companheiros e companheiras de luta e caminhada na Igreja dos pobres e nas pastorais sociais, na Igreja católica, evangélica e pentecostal, mas também os muitos "desigrejados", apaixonados pelo seguimento do Profeta da Galileia e a justiça do Reino, nos movimentos populares, e por ter comungado, na Palavra e na Eucaristia, das lutas dos pobres contra a pobreza, dos seus fracassos e vitórias, há 34 anos fiz também a opção pelos pobres e oprimidos, assumi a mesma aliança de cuidar e defender a dignidade da vida. Aliança simbolizada no anel de Tucum, mas renovada em cada experiência de partilha e de luta em defesa da vida e da casa comum.

Louvado seja Deus porque Pedro Casaldáliga vive, plenificado na Trindade de Amor e Justiça, em cada um de nós! 

Pedro, sua vida valeu a pena e o seu legado continuará vivo e estaremos juntos na luta até que se realize a utopia da Terra sem males que, agora, você já participa com tantos outros irmãos e irmãs em Deus, na glória do justo!
Amém

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Edward Guimarães, é Belo Horizonte, Teólogo leigo e assessor das CEBs.


10 agosto, 2020

Oração da Campanha da Fraternidade Ecumênica - 2021

Deus da vida, da justiça e do amor, 
Nós Te bendizemos pelo dom da fraternidade 
e por concederes a graça de vivermos a comunhão na diversidade. 

Através desta Campanha da Fraternidade Ecumênica, 
ajuda-nos a testemunhar a beleza do diálogo 
como compromisso de amor, criando pontes que unem 
em vez de muros que separam e geram indiferença e ódio. 

Torna-nos pessoas sensíveis e disponíveis para servir a toda a humanidade, em especial, aos mais pobres e fragilizados, a fim de que possamos testemunhar o Teu amor redentor e partilhar suas dores e angústias, suas alegrias e esperanças, caminhando pelas veredas da amorosidade. 

Por Jesus Cristo, nossa paz, 
no Espírito Santo, sopro restaurador da vida. 

Amém.

Rezemos juntos

Rezemos juntos,

Que o nosso Deus nos conceda a graça de sermos contagiados com a mística e a profecia de Dom Pedro Casaldáliga.

08 agosto, 2020

Cemitério do Sertão

Cemitério do Sertão

Para descansar
eu quero só
está cruz de pau
estes sete palmos 
e a Ressurreição!

Mas para viver
eu já quero ter
a parte que me cabe
no latifúndio seu:
que a terra não é sua,
seu doutor Ninguém!
A terra é de todos
porque é de Deus!

Para descansar...

Mas para viver,
terra eu quero ter.
Com Incra ou sem Incra,
com lei ou sei lei.
Que outra Lei mais alta
já a Terra nos deu 
a todos os pobres 
sem voz e sem vez;
que os filhos da gente são gente também!

Para descansar....

Mas para viver
terra exijo ter.
Dinheiro e arame
não nos vão deter.
Mil facões zangados
cortam pra valer.
Dois mil braços juntos
cercam terra e céu.

Para descansar...

Mas para viver,
terra e liberdade
eu preciso ter.
E não peço esmola
nem compro o que é meu.
A Sudam e o diabo
podem se vender:
gente não se vende,
nem se compra Deus!

Pedro Casaldáliga, Águas do Tempo

Morre dom Pedro Casaldáliga, o "bispo do povo"