13 novembro, 2015

O Sentido Missionário da Igreja esta nas CEBs!


As feridas emocionais das crianças refugiadas

"Eu tinha tanto medo no barco. Eu estava com meu irmão mais novo nos braços, também quando a gente caiu na água. Eu o segurei em meus braços e chorei. Eu rezei a Deus para ir para o paraíso. Eu pensei que fosse morrer. A morte estava tão perto". Farah tem 10 anos e fugiu da Síria juntamente com a família.
A reportagem foi publicada por Deutsche Welle e reproduzida por CartaCapital, 12-11-2015.
"Durante a fuga, tivemos de ficar por cinco meses em um campo de refugiados na Bulgária, que era horrível. Os guardas batiam na gente", lembra Namir, de 12 anos. Sua família cristã vivia em Damasco, na Síria, onde, segundo ele, era perseguida. Ele relata que alguns parentes foram até forçados a se converter ao Islã. "No caminho para a Alemanha, andamos por uma floresta escura. Lá eu perdi os meus sapatos, e meus pés ficaram sangrando por causa dos galhos e espinhos. Meu pai teve de me carregar e também carregar a minha irmã. Eu passei fome e sede."
Luta pela sobrevivência e medo da morte
"Meu irmão mais novo foi separado de nós durante a fuga. Durante três dias nós não o achamos. Choramos três dias seguidos", diz Walid. Quando finalmente encontraram Nidal, três dias depois, estava traumatizado. "Ele chorava e ria ao mesmo tempo. Foi indescritível. Se tivesse acontecido comigo, tudo bem, mas ele é só uma criança", conta Walid, de 17 anos.
Durante a fuga, Walid se tornou adulto. Ele fugiu da Síria com a mãe e dois irmãos. Seu pai teve de ficar para trás. "Minha mãe às vezes chora sem parar. Nós todos temos pesadelos. Vimos combatentes matarem duas pessoas, quando passávamos uma noite dormindo no chão de uma escola. Eu nunca vou esquecer isso. Meus dois irmãos também viram aquilo. Às vezes, Nidal parece querer machucar a si mesmo." Walid diz que o dia mais feliz para ele será quando puder ver o pai novamente.
Um terço é de crianças
As vivências de Farah, Namir e Walid comovem. São experiências de que os pais tentam poupar os filhos. Mas o desespero desses pais é grande. Todos eles têm o desejo de dar a seus filhos um futuro seguro. De acordo com o governo alemão, um terço de todos os refugiados que vêm para a Alemanha é de crianças e adolescentes. Organizações de proteção à criança, como a Save the Children, alertam que muitos desses menores passam por experiências cruéis e traumatizantes – mas poucos falam sobre isso.
"É um sofrimento terrível, ouvimos isso todos os dias", diz o psicólogo Andreas Mattenschlager, diretor de um projeto em Ulm que oferece consulta e apoio psicoterapêutico para crianças refugiadas traumatizadas. "Crianças refugiadas, como todas as crianças, querem ter uma sensação de segurança. Na fuga, elas e seus pais conseguiram escapar do sofrimento e da violência, mas a situação delas continua sendo catastrófica", destaca Mattenschlager.
Perda de segurança
"Crianças pequenas experimentam esse sentimento de segurança, não em lugares, mas no relacionamento com seus pais", explica o terapeuta familiar. "As crianças vivenciam pais fortes em casa. Já quando seus pais não estão presentes ou ficam para trás durante a fuga, essa segurança é perdida". Em seu trabalho, ele também percebeu que as crianças afetadas sofrem com a alta expectativa dos pais. "Eles deixaram tudo para trás, a fim de dar a seus filhos um futuro melhor", ressalta Mattenschlager. "As crianças, então, têm de desempenhar seus papéis na Alemanha e temem não decepcionar os pais."
Experiências de guerra, prisão e tortura no país de origem, assim como na fuga de meses para a Europa sobrecarregam muito essas crianças. A situação nos campos de refugiados, a discriminação e o isolamento aumentam a carga psicológica. "Nos abrigos, com 1.500 pessoas em um espaço confinado, as famílias passam muitos dias e meses. Este é um grande fardo", diz o médico Volker Mall, diretor no Kinderzentrum München, centro de atendimento social e pediátrico em Munique.
Terapia pode melhorar integração
Muitos dos menores sofrem de transtornos psicológicos por causa da experiência pela qual passaram. "Para melhor integrar as crianças em creches e escolas, é preciso oferecer, de forma rápida e simples, um auxílio psicoterapêutico", acredita Mall. "Nossas estruturas são boas. Temos instalações para lidar com o problema. Mas alguns pedidos de asilo duram anos para serem aprovados", constata Mall. Somente após uma autorização de residência, o seguro de saúde na Alemanha pode cobrir tratamentos psicoterapêuticos.
Andreas Mattenschlager e sua equipe oferecem, uma vez por semana, atendimento gratuito em um centro para refugiados em Ulm. O serviço é financiado pela Igreja. "Mas conseguir ganhar confiança nesse tempo reduzido é um grande desafio", sublinha Andreas Mattenschlager. "As crianças e adolescentes desacompanhados passaram por muitos relacionamentos rompidos. Eles perderam os pais ou, na fuga, tiveram contato com pessoas que posteriormente se perderam. Em primeiro lugar, é importante para eles ter alguém para conversar em quem confiam."
Mas, no início, as famílias ficavam desconfiadas de que o conteúdo das conversas fosse encaminhado para o setor de imigração do governo. "Só depois que a confiança é criada, é que as crianças traumatizadas conseguem falar sobre o que viveram."

12 novembro, 2015

7º Intereclesial das CEBs do Paraná


O PMDB e a reforma fiscal: ponte para o inferno social

A essência da proposta é, portanto, a de rasgar a Constituição de 1988 no que diz respeito à rede de proteção nela estabelecida e retirar, do Executivo, toda e qualquer influência que este hoje dispõe para formular, propor e implementar programas que coloquem em risco a meta sagrada do ajuste fiscal", esclarece Fabrício Augusto de Oliveira, Doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e escritor, em artigo publicado por Carta Maior.
Eis o artigo.
Depois de operar e atuar por décadas nas sombras do poder, de uma maneira geral contra os interesses da sociedade como um todo, o PMDB, visando manter seu espaço de influência nas decisões estratégicas da política do governo, acaba de lançar oportunisticamente, para dele não se afastar, diante do enfraquecimento da presidente Dilma, um documento com propostas de reformas para o País sair da crise, intitulado “Uma ponte para o futuro”.
Tal como o que recentemente foi lançado pelo Senado Federal, patrocinado por seu presidente Renan Calheiros, também do PMDB, as propostas ali apresentadas, ao contrário do que anunciam, representam um retrocesso quando se considera seu objetivo que é o da reconstituição de um “Estado moderno, próspero, democrático e justo”.
Colocando-se como fiador deste projeto para a nação, o documento do PMDB, fazendo coro às vozes da ortodoxia, atribui as dificuldades do País às ações do Estado voltadas para beneficiar as políticas sociais, entendendo que sem a construção de “uma trajetória de equilíbrio fiscal duradouro, com superávit operacional e redução progressiva do endividamento público”, não há como escapar dessa crise. Daí deduz que, para purificar-se e se candidatar novamente a ingressar no paraíso do crescimento, o Brasil tem, necessariamente, de resolver primeiramente essa questão.
Ora, ao enunciar de modo tão categórico as causas e raízes da crise atual, que identifica na generosidade da Constituição de 1988 com a criação de um sistema de vinculação de receitas para o financiamento das políticas sociais, que estaria garantindo, no tempo, um crescimento dos gastos do Estado superior às suas receitas, os remédios que propõe para sua solução não poderiam ser diferentes.
Ao lado de acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas, sugere dar fim a todas as indexações existentes, seja para “salários, benefícios previdenciários e tudo o mais”, e estabelecer um limite para a expansão das despesas inferior ao crescimento do PIB. Além disso, atribui, ao Legislativo, poder tanto para definir as prioridades orçamentárias com a implantação do “orçamento de base zero” quanto de atuar como “autoridade orçamentária”, responsável por avaliar, acompanhar e fiscalizar a execução dos programas públicos, corrigindo excessos e desvios cometidos pelo Executivo em relação às metas garantidoras do equilíbrio fiscal. 
A essência da proposta é, portanto, a de rasgar a Constituição de 1988 no que diz respeito à rede de proteção nela estabelecida e retirar, do Executivo, toda e qualquer influência que este hoje dispõe para formular, propor e implementar programas que coloquem em risco a meta sagrada do ajuste fiscal. Enfim, substituir na prática, no País, o presidencialismo pelo parlamentarismo, como se os parlamentares estivessem, em sua maioria, despidos de interesses fisiológicos, particulares e familiares, e em condições de, efetivamente, lutar por interesses mais nobres da sociedade como um todo, com suas bancadas do “boi, da bala e da bíblia”.
Depois de despejar uma artilharia pesada nos programas sociais e na previdência social, como causas da falência do Estado brasileiro, o documento mantém-se silente sobre as despesas tributárias nas quais o Estado incorre com o capital, por meio de renúncias tributárias e subsídios concedidos às empresas, estimadas pela Receita Federal em R$ 280 bilhões, ou 4,9% do PIB só em 2015, e sobre os juros da dívida que o Estado paga a seus credores, que já atingiram, até setembro, 8,9% do PIB, no acumulado de 12 meses, como se não tivessem nenhuma responsabilidade neste desequilíbrio e no crescimento da dívida.
Ao retirar do capital e da riqueza financeira qualquer responsabilidade nessa situação, o documento não poderia ir muito longe na proposta de uma reforma tributária que contribuísse, de fato, para ajudar a remover alguns dos entraves que se opõem ao crescimento econômico, à redução mais sustentável das desigualdades sociais e à reconstrução do federalismo no País. É, por isso, de uma pobreza franciscana.
Isso porque se restringe a descartar qualquer aumento na carga de impostos na promoção do ajuste de longo prazo por considerá-la muito elevada quando comparada aos padrões vigentes nas economias emergentes e até mesmo em relação a alguns países desenvolvidos, reduzindo a competitividade da produção nacional e operando como obstáculo ao crescimento mais sustentado. Nada diz, contudo, sobre a sua composição, na qual residem os principais problemas do sistema tributário brasileiro e para os quais sua reforma é mais do que necessária caso se pretenda ressintonizá-lo exatamente com os objetivos do crescimento, da equidade e da federação.
Ora, mesmo os que não são especialistas em tributação sabem que o sistema de impostos no Brasil, além de muito complexo e pouco transparente, carrega, em sua estrutura, um peso muito elevado dos impostos indiretos, reconhecidamente regressivos, que respondem por cerca de 70% da arrecadação (incluídos os incidentes sobre a folha de salários), o que enfraquece o mercado interno ao jogar o maior fardo de seu ônus sobre os ombros mais fracos. E que, entre estes se incluem impostos de má qualidade, de incidência cumulativa, prejudiciais para a competitividade por onerar excessivamente a produção, devido à tributação em cascata.
Por isso, qualquer reforma deste sistema que tenha a preocupação de reformá-lo, visando a ajustá-lo para os objetivos do crescimento econômico com equidade, não pode simplesmente ignorar as mudanças que devem ser feitas nessa estrutura, dando-se maior ênfase à cobrança dos impostos diretos vis-à-vis os indiretos, não somente por uma questão de justiça tributária e social, mas até mesmo por uma razão econômica, considerando que são as classes de mais baixa renda as que possuem maior propensão ao consumo e que, por isso, podem ajudar a manter com maior vigor o mercado interno.
Esse deslocamento das bases de incidência dos impostos, que significaria cobrar mais impostos de quem mais ganha, ou seja, das rendas mais altas e da riqueza financeira, principalmente, e que apresenta um potencial elevado de arrecadação, poderia abrir espaços para a reforma da tributação indireta e mais do que compensar perdas que com ela poderiam ocorrer com a extinção ou redução dos impostos cumulativos, ao mesmo tempo em que se tornaria possível reduzir sua regressividade, estabelecendo-se alíquotas seletivas destes impostos de acordo com a essencialidade do produto.
Este não é, no entanto, um caminho que, tal como ocorre com o pensamento conservador, interesse ao programa proposto pelo PMDB, já que contraria os interesses das classes dominantes. Por isso, sua proposta, neste campo, cinge-se a sugerir um “vasto esforço de simplificação do sistema, reduzindo o número de tributos e unificando a legislação do ICMS, com a transferência de sua cobrança para o Estado de destino da mercadoria, e também, a desoneração das importações e dos investimentos”, como se simplificar fosse sinônimo de modernizar.
Embora essas sejam medidas que devam ser consideradas em uma eventual reforma para simplificar o sistema, coibir as guerras fiscais entre os governos subnacionais e melhorar um pouco a competitividade da produção nacional, representam muito pouco para quem se propõe a cimentar as bases da economia para um crescimento autossustentado e para a reconstrução de um “Estado moderno, próspero, democrático e justo”.
Talvez para não ser rotulado de excessivamente tendencioso nessa questão, o documento ainda se aventura, no apagar das luzes de seu encerramento, a rapidamente propor uma vaga “redução das exceções para que os grupos parecidos paguem impostos parecidos”. O que pouco significa pela sua inconsistência com a análise realizada, figurando, pela sua imprecisão, mais como um jogo de cena da proposta. Não é com este documento que o partido irá resgatar o compromisso histórico do antigo MDB com as lutas democráticas por um Estado de direito, próspero e justo, e nem com a “Constituição cidadã” do Dr. Ulysses Guimarães.

11 novembro, 2015

Arquidiocese de Maringá divulga logo vencedora do concurso do Jubileu dos 60 anos



Do site da Arquidiocese de Maringá

Na manhã de sexta-feira, seis de novembro de 2015, a Comissão do Jubileu dos 60 anos da Arquidiocese de Maringá elegeu a logomarca que será usada em toda a comunicação dos eventos dos 60 anos da Arquidiocese de Maringá. As comemorações do jubileu serão realizadas entre o dia 15 de agosto de 2016 até 15 de agosto de 2017.

A logomarca vencedora foi desenvolvida pelo publicitário maringaense Anselmo José. O concurso recebeu 15 inscrições. “Ficamos felizes e surpresos com a quantidade e a qualidade das propostas encaminhadas. Isto é sinal de uma Igreja que dialoga também com a classe artística”, comentou o arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti.

O vencedor receberá o prêmio no valor de R$2.000 (dois mil reais).

O que diz o vencedor?

“Um desafio tremendo fazer uma logomarca para a Arquidiocese de Maringá. Impossível não utilizar como referência a silhueta de nossa imponente catedral, mas ao mesmo tempo, como inseri-la sem parecer clichê? Ao desenvolver a logomarca dos 60 anos voltei um pouco ao passado e ‘misturei’ as duas silhuetas: a da catedral antiga, de madeira, e da atual, e acredito que isso tenha agradado o jure e espero que agrade também esta comunidade que tanto ama seu templo mais importante”. (Anselmo José)


04 novembro, 2015

A greve geral de mulheres que tornou Islândia o país 'mais feminista do mundo'


Há 40 anos, as mulheres islandesas entraram em greve –recusaram-se a trabalhar, cozinhar e cuidar das crianças por um dia. O momento mudou a forma como as mulheres eram vistas no país e ajudou a colocar a Islândia na vanguarda da luta pela igualdade.

Em vez de ir aos seus escritórios, fazer tarefas domésticas ou cuidar de crianças, elas foram às ruas, aos milhares, para reivindicar direitos iguais aos dos homens. O movimento ficou conhecido como o "Dia de Folga das Mulheres"

"O que aconteceu naquele dia foi o primeiro passo para a emancipação das mulheres na Islândia", disse. "Ele paralisou o país completamente e abriu os olhos de muitos homens".

"Havia um grande poder nisso tudo e um grande sentimento de solidariedade e força entre todas aquelas mulheres que estavam na praça sob o sol"
Leia na íntegra aqui

Pais digitais com filhos superconectados - O desafio é a qualidade das relações

O que significa ser um pai na era digital? A resposta requer muito mais do que uma mera reflexão superficial, porque entre os chamados "nativos digitais" encontra-se a geração dos "milennials", ou seja, aqueles que nasceram entre 1980 e 2000, muitos dos quais estão começando a ter ou têm os seus primeiros filhos.
E, precisamente, os "milennials" são aqueles que estão na capa da revista Time de outubro de 2015 com um artigo cujo título é pouco inspirador: “Socorro, os meus pais são milennials".
O artigo começa mostrando os novos hábitos alimentares dessa nova geração de pais (veganos ou vegetarianos) e descrevendo sua característica principal: são pessoas que cresceram com smartphones e conectados nas redes sociais: sua vida é documentada com fotos no Instagram, pensamentos em blogs e comentários no Facebook.
Essa mentalidade 'digital' na qual a autoridade é determinada pela popularidade mensurável em "curtidas" ou número de "seguidores" passa depois, também, para o ambiente familiar: os filhos podem ir aonde quiserem porque o lar é uma mini democracia ou, o que é o mesmo, uma “autoridade consensual". A permissividade é quase, quase, uma lei de relações intrafamiliares.
A revista TIME relata que, em 2015, os milennials são cerca de 22 milhões nos Estados Unidos, com uma taxa de 9.000 recém-nascidos por dia. Pelo menos 90% desses 22 milhões usa as redes sociais. Segundo pesquisas da eMarketer só o 76% da "Geração X" e 59% da "geração baby boomer" usa as redes sociais. Isso significa que as "milennials family" são famílias que vivem na web: os convites de aniversário são recebidos por Pinterest e as fotos das festas terminam no Instagram ou Snapchat. A vida familiar se resume em tirar fotos e subir nas redes sociais. TIME fala que as redes sociais são vitrines de alegria por meio da exibição que os pais fazem dos seus filhos.
Uma pesquisa feita pela Survey Monkey revelava que pelo menos 46% dos pais milennials postou fotos de seus filhos, até mesmo quando estes só se encontravam no útero materno ou antes de que o seu filho fizesse um ano. De acordo com a mesma pesquisa, alguns pais gostam de ver outros pais milennials cuidando dos seus filhos. “A maioria dos pais joga, consciente ou inconscientemente, com o custo-benefício de estar nas redes sociais", diz Sarita Schoenebeck, professora da Universidade de Michigan, que realizou um estudo sobre o uso do Facebook por parte de mães milennials. Entre as suas conclusões está o fato de que para a maioria das pessoas os benefícios de estar na mídia supera qualquer crítica no campo da educação dos filhos.
Para muitos pais milennials o modo de superar problemas sobre a sua tarefa como pais é precisamente as redes sociais: os seus amigos são os “especialistas” e as mães que não sabem o que fazer com os seus bebês se refugiam nos conselhos obtidos por meio dos grupos de Facebook ou WhatsApp. De acordo com TIME, isso acontece até com o 58% dos pais milennials. É evidente que não fazem o que o seus pais fizeram com eles: perguntar para verdadeiros especialistas.
Mas não é só nesse campo onde se nota a quebra da geração de pais milennials com as gerações anteriores: na maioria dos casos os milennials já não enviam os seus filhos para aulas de tênis, piano ou arte. A empresa Future Cast publicou em 2013 um informe sobre hábitos e atitudes de milennials: 61% deles disseram que os filhos precisam jogar de uma forma não estruturada. Isso, na prática, se reflete em algo tão simples como que as decisões sobre o que fazem ou não os filhos já não vêm dos pais mas das pesquisas que os pais fazem aos seus filhos. TIME sugere que por trás disso é possível ter um forte individualismo e a ideia de competitividade como um dos valores mais altos sob o slogan "seja você mesmo".
É verdade que também os pais milennials reconhecem que é preciso fazer malabarismos para ter a atenção das crianças hoje. Mas pelo menos eles têm a intenção de testar, pois os milennials são de mente aberta e pessoas que procuram a empatia; tendem a ser excessivamente otimistas, acreditam no progresso e, acima de tudo, confiam no Google. De fato, junto com as redes sociais o seu principal conselheiro é o famoso motor de busca.
É, pois, evidente que as famílias digitais são famílias conectadas e comunicadas mas, a qualidade das relações e a facilidade das conexões não estão mudando o modo como as relações familiares são vividas e experimentadas? A resposta a esta pergunta, de não pouco valor, poderá vista com mais nitidez nos próximos anos. 

Fonte: Zenit

02 novembro, 2015

Jesus afirmou:

“Eu Sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá” (Jo 11,25)

01 novembro, 2015

Finados: Confira os horários de missas no Cemitério Municipal de Maringá para o dia 02 de novembro

9h – Paróquia Menino Jesus de Praga e São Francisco Xavier – Pe. Nelson Molina
10h – Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe – Pe. Janilson Canuto
11h – Paróquia São Silvestre I, Papa – Pe. Alécio Carini
12h – Paróquia Pessoal para Japoneses São Francisco Xavier – Pe. Hélio Takemi Sakamoto
14h – Paróquia São Miguel Arcanjo – Pe. Onildo Luiz Gorla Junior
15h – Paróquia Santa Rita de Cássia – Pe. Vandir Santo Freo e Pe. Antonio Ganzer
16h – Paróquia Santa Rosa de Lima – Pe. Rodrigo Gutierrez Stabel
17h – Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e São Judas Tadeu – Pe. César Hipólito

Fonte: site da Arquidiocese de Maringá

O dia de Finados nos ajuda a crescer na fé!


Dia de Finados

O dia de Finados nos ajuda a crescer na fé!

Celebrar a morte cristã é celebrar a esperança na vida eterna, que se encontra em nosso Deus.

Jesus afirmou:

“Eu Sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá” (Jo 11,25)

O dia de hoje nos ajuda a crescer na fé.

Lembremos com saudades das
nossas falecidas e dos nossos falecidos!

Que bom que o nosso Deus nos concedeu a graça de termos convivido com pessoas tão queridas, como o nosso pai ou a nossa mãe; um irmão ou irmã; uma amiga querida ou um amigo querido... por eles façamos um pedido de perdão diante de nosso Deus por alguma falta ou pecado que tenham cometido em suas vidas. Eles necessitam de nossa oração em favor de suas almas.

Que nossos fiéis falecidos descansem em paz e que nós sejamos mensageiros da esperança!


30 outubro, 2015

Flash-mob de detentas para dizer ao Papa: "Nós gostamos de você!"

Flash-mob de detentas para dizer ao Papa: "Nós gostamos de você!"

 “O Papa é pop” é o balé improvisado em homenagem ao Papa Francisco realizado na manhã desta quinta-feira pelas detentas do Cárcere de Rebibbia. Uma exibição que envolveu muitas das prisioneiras da penitenciária romana. :

Um flash-mob para dizer ao Papa “Nós gostamos de você", "Francisco você é pop". Na manhã desta quinta-feira cinquenta jovens, detentas e não, da seção da ala feminina da Penitenciária de Rebibbia dançaram e cantaram juntas o seu hino de alegria dedicado ao Pontífice. Detentas de diferentes credos e culturas, mas unidas por uma única paixão: o Papa Francisco e por sua mensagem de esperança que chega também àqueles que estão na prisão. E, especialmente, às vésperas do Jubileu da Misericórdia, fizeram ouvir a sua voz forte do lugar de restrição por excelência: a prisão. Mas como nasceu esta iniciativa? Foi o que explicou o idealizador do evento, Igor Nogarotto.

R. - "O Papa é pop" nasce simplesmente do fato que Francisco me fascinou. Eu não sou um crente, mas eu me aproximei da Igreja, graças a ele, graças ao seu carisma, graças ao seu ser um pouco fora dos esquemas, mas sobretudo por ser precisamente..." pop ", popular. Ou seja, o desejo de estar perto das pessoas, de estar perto das pessoas que têm necessidade. Portanto, nasceu esse jogo de palavras - "papa é pop" – e a partir daí, então, todo um movimento de pessoas quis participar desta mensagem. E tudo isso poderia ser feito, na minha opinião, somente graças a este Papa. (SP) 

Fonte: Rádio Vaticano

29 outubro, 2015

Os homossexuais após o Sínodo


Os homossexuais após o Sínodo
Um vicariato para atender as pessoas homossexuais?

Na Igreja, ultimamente, tem-se prestado muita atenção à homossexualidade. Tudocomeçou com a famosa frase proferida pelo papa Francisco a bordo do voo que o levou do Rio de Janeiro a Roma, em 2013: “Quem sou eu para julgar a consciência de um gay?” O carinho e o respeito de sua santidade para com essa parcela de irmãos homossexuais manifesta-se sempre. Sem embargo, em nenhum instante o bispo de Roma relevou uma vírgula sequer da moral cristã, que exproba os chamados “atos homossexuais” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2357). Mas, a grande característica do sumo pontífice reinante consiste em aproximar-se dos dramas humanos, sem medo, sem preocupação com o que vão dizer. Afinal de contas, ele é o vigário de Cristo, do salvador que veio ao mundo para trazer vida abunda nte (Jo 10,10).
A Relatio Synodi, publicada no dia 24 de outubro de 2015, reitera a doutrina de que “não existe nenhum fundamento para uma analogia, nem mesmo remota, entre a união homossexual e o designío de Deus sobre o matrimônio e a família” (n. 76), porém, frisa a obrigação de se acolher o homossexual com todo respeito e alude à premência de se prover uma atenção específica, bem como um acompanhamento dessas situações (idem).
Espera-se que o santo padre, dentro em breve, divulgue uma exortação apostólica pós-sinodal, roborando e explicitando as temáticas agitadas no sínodo de 2015, inclusive a questão da solicitude pastoral para com os homossexuais.
As dioceses, à luz da Relatio Synodi e, ulteriormente, com base na exortação pontifícia, decerto criarão mecanismos pastorais de acolhida. Uma pastoral dos homossexuais? Um vicariato para as pessoas com tendência homossexual, já que o documento em exame discorre acerca da formação dos fiéis, leigos e clérigos, que atuarão na acolhida dos homossexuais? É difícil dizê-lo por enquanto. Todavia, será mister traduzir em mediações sociológicas o desvelo da Igreja de Cristo pelos homossexuais. Ocorrerá, com certeza, uma abordagem carinhosa, respeitosa, contudo, tendente à conversão, isto é, à vivência dos ditames éticos cristãos, um dever tanto de homossexuais quanto de heterossexuais.

Fonte: Zenit

Grupo Muzenza de Capoeira Maringá - Paraná


27 outubro, 2015

Haverá comunhão para os divorciados recasados

“O documento final abre as portas para que os católicos que fracassaram em seu matrimônio possam aproximar-se da mesa da comunhão. (...) Três são os critérios que, combinados, tornam possível um grande passo para frente: integração, discernimento e acompanhamento”.
A análise é de Jorge Costadoat, SJ, teólogo, e publicada por Religión Digital, 25-10-2015. A tradução é de André Langer.
Eis o artigo.
Terminou o Sínodo dos Bispos sobre a Família. Talvez desde o Concílio Vaticano II, há 50 anos, uma reunião episcopal em nível mundial não atraía tanto o interesse e agitava tanto as águas. O acontecimento constituiu um verdadeiro turning point. Ainda é cedo para tirar muitas conclusões. Mas se este Sínodo não representa um passo para frente, será para trás, exatamente quando a Igreja mais necessita avançar. Como digo, ainda não podemos oferecer uma opinião acabada, pois dispomos do texto final apenas em italiano. Temos, isso sim, em castelhano o discurso final do Papa, no qual Francisco felicita os congregados por terem atinado com sua missão pastoral, que consiste em pensar nas pessoas antes que na doutrina; em interpretar a doutrina em função de pessoas que necessitam que lhes seja anunciado um evangelho de vida, em vez de oprimi-las com mandamentos e proibições desumanas.
Muitos foram os temas, mas um deles atraiu o interesse principal. Poderão os divorciados recasados comungar na missa? O Sínodo não exclui a possibilidade, isto é, sim, poderão fazê-lo. Qualquer leitor atento concluirá que a possibilidade existe, se as coisas forem feitas seriamente. O documento final abre as portas para que os católicos que fracassaram em seu matrimônio possam aproximar-se da mesa da comunhão. Devemos dizer com todas as letras: sim, os divorciados recasados, que até agora foram excluídos pela instituição eclesiástica e malvistos pelos católicos hipócritas, devem alegrar-se porque não se pode dizer que todos eles sejam adúlteros. Os números do documento correspondentes a esta matéria (84-86), introduzem uma mudança pastoral responsável. Neles, três são os critérios que, combinados, tornam possível um grande passo para frente: integração, discernimento e acompanhamento.
O Sínodo, nesta matéria, quis integrar estas pessoas em vez de excluí-las. Diz-nos: “a lógica da integração é a chave de seu acompanhamento pastoral, não apenas para que saibam que pertencem ao Corpo de Cristo que é a Igreja, mas tenham disso uma experiência gozosa e fecunda”. O critério provém do Instrumentum Laboris que recolhia o parecer das Igrejas das diversas partes do mundo e que insistentemente não queria exclusões, mas inclusão e integração. Estas pessoas deverão ser acolhidas com especial carinho e poderão participar o máximo possível da missa.
Mas a possibilidade em questão – sempre tácita no documento – não deveria ser executada indiscriminadamente. Exige-se um discernimento. A propósito das diferentes maneiras de participação é necessário “discernir quais das diversas formas de exclusão atualmente praticadas no âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional, podem ser superadas”. As situações, sabemos, podem ser muito diferentes. O documento cita João Paulo II para recordar que, por exemplo, deve-se distinguir as pessoas que se esforçaram para salvar seu primeiro casamento e depois foram abandonadas injustamente, daquelas que, com grave culpa de sua parte, o destruíram. Cada caso merece um estudo particular.
Por último, o Sínodo pede que este discernimento seja acompanhado por um padre. Para quê, se dirá? Para fechar novamente a porta? Pois bem, sempre poderá haver o caso de um padre que, em vez de acompanhar, queira dirigir a vida dos outros e agora pense que poderá autorizar uns a comungar e outros não. Esta não é a ideia. A decisão final fica a cargo de um exame de consciência e de uma decisão que, pensamos, só pode pertencer às pessoas em questão. Na nossa opinião, o padre que ajudar as pessoas na formação de um juízo sobre o que corresponder, representa a Igreja que leva a sério sua vida, que quer ajudá-las a processar seu fracasso, a curar as feridas e a crescer outra vez em seu cristianismo. O mesmo deverá cumprir esta função de um modo regulado por uma autoridade, que será tanto mais competente quanto mais misericordiosa.
Assim, católicos que viveram durante anos no mais triste abandono, receberão o trato que sempre deveria ter sido prioritário. Ninguém mais que eles deveriam ser acolhidos, cuidados e orientados. Suas famílias, no entanto, foram consideradas de segunda categoria. Termina um escândalo. A opção de Jesus pelos estigmatizados tira novamente o cetro do farisaísmo.
O documento do Sínodo é, no entanto, a penúltima palavra. Os católicos esperam que o Papa ainda publique um documento que dê orientações sobre esta e muitas outras matérias tratadas. Por enquanto, restam para ser definidas as disposições dos termos daquele acompanhamento.
O que também deve ser salientado, e que no longo prazo será decisivo para o futuro da Igreja, é que o Papa decidiu governar de um modo sinodal, isto é, caminhando com todos, fazendo discernimento coletivo sobre os principais assuntos, retomando os passos democráticos do Vaticano II.

16 outubro, 2015

Arquidiocese de Maringá - Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)


Neste sábado, dia 17, a coordenação da CEBs da Arquidiocese de Maringá, estará reunida para a avaliar a caminhada de 2015, programar atividades para ano 2016 e trazer presente informes e a alegria da realização do 7º Intereclesial das CEBs do Paraná, que acontecerá na Diocese de Umuarama em abril de 2016. Está previsto que o evento tenha cerca de 1000 delegados representando as dioceses do Estado que virão com o objetivo de refletir sobre os desafios enfrentados pela Igreja na atualidade, principalmente no meio urbano.
A reunião acontecerá no CEPA, às 14 horas.

15 outubro, 2015

Ano Santo da Misericórdia

Um pequeno texto que escrevi para contribuir com a reflexão diante desta linda proposta do Ano Santo da Misericórdia.

Ano Santo da Misericórdia 

Como descobrir o rosto e o grito de quem pede compaixão?
Como “Eu” e “Você”, podemos descobrir e aproximar levando a misericórdia de nosso Deus?

Papa Francisco convoca o Jubileu da Misericórdia, e ao anunciar o ano jubilar disse: "Decidi convocar um Jubileu Extraordinário que tenha o seu centro na Misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia."

Misericórdia significa ter capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente, aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém, ser solidário com as pessoas. Misericórdia é também um grito de quem pede compaixão.

Ao anunciar o Ano Jubilar da Misericórdia, o papa justificou dizendo: “Pensei muitas vezes no modo como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual; e devemos fazer este caminho." – e cheio de ternura disse: “ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus” e que a Igreja “é a casa que acolhe todos e não recusa ninguém”. “As suas portas estão escancaradas para que todos os que são tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Quanto maior é o pecado, maior deve ser o amor que a Igreja manifesta aos que se convertem”.

Na bíblia misericórdia é o meio pelo qual nosso Deus age. Um olhar profundo no rosto leva a inserir na realidade da outra pessoa. O Ano da Misericórdia propõe ir ao encontro do outro, descobrir seu rosto. O rosto do outro é uma verdadeira manifestação, sair do eu para encontrar-se com o tu, uma relação real, vivido com participação viva, afetuosa, de dedicação, cuidados e de forma dinâmica. O rosto do outro revela o rosto de nosso Deus. A misericórdia de Jesus revela o que de mais humano existe em Deus e o que de mais divino existe na mulher e no homem.

Precisamos conhecer a carta do papa “Misericordiae Vultus (MV)” e deixar acender em nós a chama que não devemos deixar que nos roubem a alegria da Evangelização, que devemos nos aproximar mais do nosso povo, em primeiro lugar daquelas pessoas que se encontram à margem da sociedade.

Em nossas Paróquias, em nossas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), na rua em que moramos como descobrir o rosto e o grito de quem pede compaixão? Como “Eu” e “Você”, podemos descobrir e aproximar levando a misericórdia de nosso Deus?

O grito dos que pedem compaixão está muito presente nos doentes, idosos, dependentes químicos, desempregados, nos que cometem erros, nos afastados e de seus familiares; no posto de saúde, comércio e nos colégios em nosso bairro.

Devemos nos aproximar com a misericórdia que nos leva a entrar na vida das pessoas, sentir suas dores, seus sonhos, suas alegrias, angustias, para juntos nos deixarmos surpreender por Deus e encontramos caminhos de superação, fraternidade e justiça: “A igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar das feridas  (das pessoas), aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-los com a misericórdia e tratá-los com solidariedade e atenção devidas. Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na comodidade que anestesia o Espírito e impede de descobrir a novidade, no animo que destrói” (MV 15).

Misericordiae Vultus apresenta um caminho de peregrinação em direção da Misericórdia. A proposta desse ano jubilar precisa ser prolongado pela vida toda, porque nunca se esgota a experiência do perdão e a necessidade da presença amiga da Igreja.

O Ano da Misericórdia terá início no dia 8 de dezembro desde ano, na solenidade da Imaculada Conceição, neste dia celebra-se também o 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II.  O encerramento do Ano Santo será no dia 20 de novembro de 2016, na Solenidade litúrgica de Jesus Cristo Rei do Universo . 

E se o “egoísmo humano” for um mito interesseiro?

Novas pesquisas sugerem: nossa espécie é majoritariamente colaborativa, altruísta e solidária. Ideia da ganância coletiva pode ser projeção ideológica dos que concentram poder e capital.

O artigo é de George Monbiot, jornalista e ambientalista inglês, publicado por Outras Palavras, 14-10-2015.  A tradução é de Inês Castilho.

Eis o artigo.

Você se debate contra os sinais de indiferença e egoísmo humanos? Sente-se oprimido pela sensação de que, enquanto se preocupa com o mundo, ao contrário de muitos outros? Julga que a indiferença de pessoas iguais a você está esvaziando o que resta da civilização e da vida na Terra? Se assim é, você não está sozinho. Mas também não está certo.

Um Estudo da Fundação Causa Comum a ser publicado em novembro, revela duas descobertas transformadoras. Aprimeira é que a grande maioria das 1000 pessoas pesquisadas – 74% – identifican-se mais fortemente com valores altruístas do que com valores egoístas. Significa que estão mais interessadas em gentileza, honestidade, perdão e justiça do que em dinheiro, fama, status e poder. A segunda é que uma maioria semelhante – 78% – acredita que os outros são mais egoístas do que realmente são. Ou seja, cometemos um terrível erro sobre o comportamento das outras pessoas.

A revelação de que a característica humana dominante é, digamos, a humanidade, não é surpresa para quem acompanhou o recente desenvolvimento das ciências sociais e do comportamento. As pessoas, sugerem essas descobertas, são basica e intrinsecamente boa gente.

Um artigo de revisão  no jornal Fronteiras em Psicologia (Frontiers in Psychology) afirma que nosso comportamento em relação a membros de nossa espécie que não são nossos parentes é “espetacularmente incomum, comparado ao de outros animais”. Enquanto chimpanzés aceitam partilhar comida com membros do seu próprio grupo, embora geralmente só depois de importunados por pedidos agressivos, com estranhos eles tendem a reagir violentamente. Chimpanzés, observam os autores, comportam-se mais como o Homo economicus da mitologia neoliberal do que as pessoas.

Os humanos são, ao contrário, ultrassociais. Possuem uma elevada capacidade de empatia, sensibilidade sem paralelos para as necessidades do outro, um nível incomparável de preocupação com o bem-estar deste e capacidade de criar normas morais que generalizam e fazem valer essas tendências.

Esses traços emergem tão cedo em nossas vidas que parecem inatos. Ou seja, parece que evoluímos para nos tornarmos assim. Por volta dos 14 meses, as crianças começam a ajudar umas às outras — por exemplo pegando coisas para aquelas que não as conseguem alcançar. Quando chegam aos dois anos, passam a compartilhar objetos que valorizam. Aos três, começam a protestar contra a violação das normas morais por outras pessoas.

Um texto fascinante do jornal Infância (Infancy) revela que isso não tem nada a ver com recompensa. Crianças de três a cinco anos mostram-se menos propensas a ajudar alguém pela segunda vez se foram recompensadas ao fazê-lo pela primeira vez. Ou seja, recompensas externas parecem minar o desejo intrínseco de ajudar. (Pais, economistas e governos, anotem, por favor.)

O estudo descobriu também que crianças dessa idade estão mais inclinadas a ajudar pessoas que percebem estar sofrendo, e que desejam ver tal pessoa amparada, seja ou não por elas próprias. Isso sugere que são motivadas por um interesse genuíno no bem-estar da outra pessoa, ao invés do desejo de posar de benevolentes.

Por que razão? Como a árdua lógica da evolução produziria tais resultados? A questão é objeto de debates acalorados. Uma escola de pensamento defende que altruísmo é a resposta lógica à vida em pequenos grupos de parentes próximos, e a evolução, distraída, não foi capaz de perceber que agora vivemos em grandes grupos, a maioria composta por estrangeiros. Uma outra argumenta que grandes grupos, com grande número de altruístas, irão superar grandes grupos com grande número de egoístas. Uma terceira hipótese insiste em que a tendência à colaboração melhora a  sobrevivência de cada um, independentemente do grupo em que se encontre. Qualquer que seja o mecanismo, o resultado é motivo para celebrar.

Se é assim, por que conservamos uma visão tão sombria da natureza humana? Em parte, talvez, por razões históricas. Filósofos, de Hobbes a RousseauMalthus a Schopenhauer, cujo entendimento da evolução humana limitava-se aoLivro de Gênesis, produziram relatos persuasivos, influentes e catastroficamente equivocados sobre o “estado de natureza” (nossas características inatas, ancestrais). Suas especulações sobre esse assunto deveriam há muito ter sido colocadas numa prateleira alta, etiquetada de “curiosidades históricas”. Mas de alguma forma elas ainda parecem exercer controle sobre nossas mentes.

Outro problema é que – quase por definição – muitos daqueles que dominam a vida pública têm fixação incomum em fama, dinheiro e poder. Seu extremo autocentramento faz deles uma pequena minoria. Mas, como estão em todo lugar, achamos que são representativos da humanidade.

A mídia idolatra riqueza e poder, e às vezes lança ataques furiosos contra pessoas que se comportam altruisticamente. Vale atentar para o espaço dado, nos jornais e TVs, a pessoas que falam e escrevem como se fossem psicopatas.

As consequências desse pessimismo indevido sobre a natureza humana são notáveis. Como revelam as entrevistas e a pesquisa da Common Cause Foundation, os que têm visão mais sombria da humanidade são os que tendem a votar menos. Por que razão o fariam, raciocinam, se todos os outros votam apenas segundo seus próprios interesses egoístas? De modo interessante, e que pode alarmar pessoas da minha sensibilidade política, também descobriram que as pessoas de ideias libertárias tendem a ter uma visão das outras pessoas mais sombria que a dos conservadores. Você quer que as ideias de transformação social avancem? Se é assim espalhe a notícia de que as pessoas, em sua grande maioria, são bem-intencionadas.

A misantropia abre campo para a minoria gananciosa, e alucinada pelo poder, que tende a dominar nossos sistemas políticos. Se soubéssemos quanto são anormais, estaríamos mais inclinados a rejeitá-los e buscar líderes melhores. Isso contribui para o perigo real que enfrentamos: não um egoísmo generalizado, mas uma passividade generalizada. Bilhões de pessoas decentes balançam suas cabeças enquanto o mundo pega fogo, imobilizadas pela convicção de que ninguém mais quer saber de nada.

Você não está só. O mundo está com você, ainda que não tenha encontrado sua voz.