21 julho, 2016

‘O Barros é o Temer que nós mais temíamos'

O Barros é o Temer que nós mais temíamos'
A cada declaração, uma polêmica. Essa tem sido a rotina do ministro interino da saúde, Ricardo Barros, que em quase dois meses de gestão provisória colecionou controvérsias destacadas nas páginas dos principais jornais.
Semana passada, num evento da Associação de Médicos Brasileiros, ele afirmou que há excesso de exames desnecessários no SUS, já que a maioria dos usuários que procuram serviços de saúde não tem doença alguma, apresentando apenas um quadro psicossomático. Mas a fala recente que mais tem mobilizado as instituições de saúde e o movimento sanitário em geral veio na forma de uma proposta concreta: facilitar a criação de planos de saúde populares, mais baratos e com cobertura mais limitada, como estratégia para economizar recursos, diminuindo o uso do sistema público e universal de saúde brasileiro.
Embora em entrevista ao Estadão Barros tenha desqualificado as críticas que vinham dos professores universitários porque eles não entendiam nada de mercado, o Portal EPSJV/Fiocruz, 20-07-2016, procurou a professora universitária e médica sanitarista Ligia Bahia para analisar a proposta e discutir as concepções de saúde e os interesses por trás dela.

Eis a entrevista.

Houve uma reação de profissionais e pesquisadores da saúde, do movimento sanitário de um modo geral, à proposta do ministro interino Ricardo Barros de criar um plano de saúde popular para desafogar o SUS. Por que da perspectiva do movimento sanitário isso é alguma coisa condenável?
É uma surpresa que o ministro da saúde, que deveria ter um discurso sobre saúde, passe a falar como se estivesse dando conselhos para o mercado. É muito estranho esse deslocamento de uma autoridade da saúde, principalmente num país que tem Zika, que tem problemas muito graves de saúde, tem uma dívida sanitária imensa. E o ministro não fala sobre saúde! Ele se coloca como quem vai aconselhar sobre para onde seria melhor ir, sobre como as empresas de planos podem se virar nessa conjuntura, quando na realidade não é disso que se trata. O mais estranho ainda é que, se existe uma conjuntura de recessão econômica ou uma crise estrutural, como as pessoas vão comprar planos, sejam baratos ou caros?
Assim, o nosso ministro parece a Maria Antonieta: se vocês não têm SUS — e não terão —, então tenham um plano. Primeiro nós achamos que [esse tipo de postura] era um erro dele. Tanto que ele fez aquela primeira declaração [defendendo diminuir o tamanho do SUS] e depois desmentiu. Mas, na realidade, já existe uma terceira declaração sobre planos baratos, o que nos obriga a tentar depreender uma reflexão mais aprofundada sobre isso. Porque não se trata de ingenuidade de alguém que é um engenheiro, que nunca ouviu falar sobre saúde. Na primeira vez em que ele falou isso, era uma hipótese, mas agora não é mais. Ele tem dito isso, inclusive, em agendas com entidades da área, e parece que essa é a única proposta que ele tem.
No governo Dilma Rousseff também apareceu num dado momento a proposta de criação de planos populares, teve uma grita geral e acabou não se concretizando. Tem diferença?
Eu acho que tem uma diferença. A proposta que apareceu na época da Dilma talvez fosse mais apavorante do que essa porque vinha com um subsídio público. Era uma proposta na qual o governo faria um subsídio público para que parte da população tivesse plano de saúde. E houve uma gritaria geral, a gente conseguiu falar com a imprensa, emitimos uma nota no dia seguinte com o título ‘Dilma, vai acabar com o SUS?’. A gente sabia a origem dessa proposta: ela vinha de um grupo de empresas de plano de saúde, que já vendiam planos mais baratos. Já havia toda aquela concepção de que 50% da população brasileira poderia ter plano, desde que esses planos tivessem um amparo, um suporte dos fundos públicos.
O que o Ricardo Barros está falando eu penso que é diferente. Ele está dizendo o seguinte: olha só, gente, não vai terSUS. Se puder, se vire. E ele vai ajudar todo mundo a se virar, fazendo com que a ANS [Agência Nacional de Saúde Suplementar] regulamente de outra maneira os planos. A outra proposta era de uma política para estimular a demanda para planos de saúde, via ação governamental. Agora, se está dizendo que o SUS não tem jeito. E, diante disso, o que se vai fazer é: os planos de saúde vão ficar piores, as coberturas vão ficar menos abrangentes, e aí as pessoas vão poder comprar. Então, eu não acho que sejam propostas similares, embora elas possam até ter um efeito parecido, no final, que seria a expansão do mercado de planos.
Tem-se denunciado isso pela ótica da defesa do consumidor, já que seria um rebaixamento dos planos privados. Mas o Brasil tem um sistema universal de saúde. Como se discute que a saída para desafogar um sistema público universal seja focalizar através de planos privados?
A questão é que uma autoridade pública está se desonerando das suas responsabilidades com relação à saúde. Tem um paradoxo: ele é o ministro da não saúde! Em primeiro lugar, a gente sabe que ele foi financiado por plano de saúde na campanha, o que é um detalhe que tem relevância. Em segundo, a própria legislação não permite isso, ele quer mudar a Lei 9656, que regulamenta os planos de saúde.
E isso poderia mesmo gerar economia para o SUS?
Não, claro que não. Ao contrário: torna-se um esquema muito mais fragmentado, muito mais segmentado e muito mais caro, porque os custos de transação, os custos administrativos aumentam. Todos os casos graves, em algum momento, chegam ao SUS. O gasto com os últimos dias de vida, o atendimento de pacientes com várias comorbidades, etc., são elevados. O que o ministro está querendo, para resumir, é uma proposta que a Colômbia fez usando planos de saúde. E que deu completamente errado porque gerou uma avalanche de sentenças judiciais favoráveis aos consumidores de planinhos com pouca cobertura, pouco abrangentes.
O direito à saúde não é só um direito constitucional, mas um direito humano. O que ele está propondo é incompatível não só com as legislações nacionais e internacionais mas com a jurisprudência, com o senso comum.Além de defender planos de saúde populares, o ministro interino teve outra fala polêmica recente, afirmando que a maior parte dos usuários que procuram os serviços não estão doentes, mas apenas com um quadro psicossomático. O argumento era exatamente para apontar um suposto excesso de gasto com exames ‘desnecessários’ no SUS. Você vê relação entre as duas falas?
Eu acho que tem uma intenção específica, que é cobrar no SUS. Ele vem anunciando isso: que o SUS deveria cobrar por faixa de renda, etc. E que, se o SUS cobrar, as pessoas só vão usar quando for extremamente necessário. Daí ele faz conta com plano barato. Então, o SUS poderia reaver parte de recursos da população, que ele considera que pode pagar e que não paga. Ele considera pago ou não pago apenas o pagamento direto e não o pagamento de todos os impostos diretos e indiretos. Então, eu acho que tem conexão. Ele quer impedir o que considera um uso excessivo doSUS. E acha que, se for pago, vai haver consciência de custos. E o SUS pode diminuir. Eu acho que talvez a outra conexão seja essa: ele está dizendo que o SUS tem que ficar menor.
Tramita no congresso a Proposta de Emenda Constitucional 241, que institui um teto de gastos para o governo federal e, com isso, ameaça reduzir muito o financiamento da saúde pública. Essa proposta de saída pelo plano privado pode ser compreendida como um complemento dessa medida? Uma naturalização do corte estrutural de recursos que viria?
Eu diria que não. Eu diria que o Ricardo Barros é quase um evento experimental, um fenômeno a que a gente está tendo o ‘privilégio’ de assistir. Eu não acho que ele seja uma expressão da hegemonia do governo interino. Acho que ele expressa uma parte desse conjunto, que é uma amálgama. Ele próprio não é da saúde e [com essa proposta], tenta se aproximar de algumas entidades médicas e de alguma parte das empresas — algumas, porque há empresas que não querem fazer plano barato desse jeito.
Mas você identifica qual a parte dele nesse amálgama?
Para mim estava muito difícil achar a tribo dele. Agora eu estou achando que é essa direita do sul, que não vai conseguir falar com a direita do norte. Porque vai ter eleição, né? E como é que algum candidato a prefeito no nordeste vai dizer que a proposta dele é plano de saúde barato? Eu penso que ele está fazendo um discurso desesperado para ver se consegue base para se manter como ministro.
Mas você acha que ele está ameaçado como ministro? Existe um ‘Fora Barros’ independente de um ‘Fora Temer’?
Eu acho que o ‘Fora Barros’ ganhou mais autonomia em relação ao ‘Fora Temer’. Mas eu diria que o Barros é alguma coisa ainda pior do que o Temer. O Barros é o Temer que nós mais temíamos. Não acho que tem que ficar livre e autônomo e, relação ao ‘Fora Temer’, mas até o próprio Temer diz que não o queria como ministro da saúde.
O Temer disse isso?
Ele disse que queria um perfil de médico, famoso, etc. Ele quer um psdebista, não queria botar um cara do PP desse jeito. Isso sem contar os nomes dos outros escalões do ministério... Ali ninguém é da saúde, todo mundo é do PP.
Ainda no governo Dilma, o movimento sanitário vinha denunciando uma Proposta de Emenda Constitucional de autoria do Eduardo Cunha que obrigava as empresas a oferecerem plano de saúde para todos os empregados. Agora o ministro interino propõe a criação de planos mais baratos, com cobertura menor. Você vê relação entre essas coisas?
Sem dúvida. Eu não acho que ele está atirando aí, mas se os planos reduzirem ainda mais a abrangência de cobertura, certamente as empresas empregadoras vão se beneficiar com isso. Os empresários tendem a contratar planos mais baratos mesmo para os seus empregados, especialmente aqueles que pagam um percentual grande do plano, 70%, 75%.
Foto: Abrasco.
Fonnte: IHU

20 julho, 2016

A professora que usou funk para ensinar Marx (e acabou repreendida)

“Os burgueses não moram na favela. Estão nas empresas explorando a galera. E para os proletários o salário é uma miséria. Essa é a mais-valia vamos acabar com ela”. Quando Karl Marx virou Baile de Favela, vídeo que viralizou nas redes sociais em menos de 24 horas de sua publicação, a professora de sociologia Gabriela Viola, que coordenou a paródia feita por seus alunos do ensino médio, foi afastada por uma semana da escola estadual Maria Gai Grendel, onde dá aula, na periferia de Curitiba, e agora fará seu trabalho com "acompanhamento pedagógico" especial. O episódio jogou mais lenha na fogueira no debate sobre o movimento Escola sem Partido, que acusa professores de tentarem doutrinar os alunos.
A reportagem é de Ana Carolina Cortez, publicada por El País, 19-07-2016.
A confusão começou na noite de um domingo, em 3 de julho, quando a professora publicou, a pedido dos alunos (todos seus amigos no Facebook), o vídeo que eles gravaram em sala, resultado de um trabalho sobre Karl Marx, conteúdo que faz parte da grade curricular obrigatória do primeiro ano de sociologia do ensino médio. A paródia foi o resultado de um bimestre de aulas expositivas e uma série de debates. Os alunos escolheram a música e elaboraram a letra. No dia 4, a professora foi convocada para uma reunião com o Núcleo Regional de Educação, subordinado à Secretaria de Educação do Paraná, na terça seguinte. Lá, foi ordenada a ficar em casa até a próxima reunião de pais, sem data marcada para acontecer.
Oficialmente, a Secretaria de Educação do Paraná diz que o afastamento foi feito para preservação de sua integridade física, após usuários terem publicado ameaças à professora nas redes sociais. Comentários como “essa mulher merece uma surra” e “pobres crianças manipuladas” permearam as reproduções do vídeo pelo Youtube e pelo Facebook, onde foi originalmente publicado, no perfil privado de Viola. “Mas não recebi nenhuma ameaça direta. Nenhum pai reclamou comigo, ninguém me perseguiu. Pelo contrário, só me mandaram mensagens de apoio, após meu afastamento”, afirma. Já os alunos criaram a hashtag “VoltaGabi” e organizaram manifestações na escola. Após o protesto dos estudantes, a professora voltou para a sala de aula, depois de menos de uma semana.
A secretaria insistiu em nota que "tomou as medidas necessárias para garantir normalidade das aulas". Também disse que "a professora receberá acompanhamento para auxiliar na sua prática pedagógica". O motivo seria o uso de conteúdo inadequado para alunos daquela idade (jovens de 15 ou 16 anos). Neste caso, o que desagradou a secretaria foi a escolha do Baile de Favela enquanto música de trabalho. A assessoria disse, entretanto, que esse acompanhamento não tem o objetivo de virar "um policiamento de conteúdo".
“Eu moro no Taquara [periferia de Curitiba e bairro da escola] e sei que o estilo preferido aqui é o funk, e não a música clássica. Tratar o funk como um estilo inferior é etnocêntrico”, afirma Gabriela. A letra original, que a professora considera machista, também foi questionada e debatida. “Eu quis trabalhar com aquilo que os alunos já tinham de bagagem, dando um novo significado à música. Para mim, a educação deve respeitar a realidade do aluno”.
Teor ideológico
Viola insiste que o afastamento foi injusto e apenas fortaleceu grupos ligados ao movimento Escola sem Partido, ou “escola de um só partido”, como prefere chamar o grupo que pretende limar do currículo conteúdos considerados ideológicos. O movimento conseguiu emplacar três projetos de lei na Câmara - um deles, inclusive, propõe a criação do crime de “assédio ideológico”, prevendo multa e até um ano de prisão para professores que supostamente doutrinam alunos em sala. O Escola sem Partido vem conseguindo outras pequenas vitórias, como a exclusão do termo "gênero" do Plano Nacional de Educação, por considerar que a palavra se referia a uma questão de ideologia.
“O Escola sem Partido desrespeita a diversidade de pensamento na escola. A maioria dos ataques nas redes ao nosso vídeo vieram de pessoas defendendo esse grupo. Mas como gerar cidadãos críticos se eles não tiverem acesso à pluralidade de conhecimento?”, diz Viola. “Nas redes sociais, muitas pessoas apenas xingaram a mim e aos meus alunos, sem argumentos, como se eles fossem tábulas rasas, manipuláveis. Os alunos vem de uma realidade, de uma cultura. Eles não aceitam qualquer coisa que o professor diz, ao contrário do que a Escola sem Partido alega”, complementa.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP) classificou o afastamento da professora Gabriela como ilegal. “O Núcleo não pode afastar ninguém sem antes abrir sindicância e apurar o acaso”, afirma Vanda Santana, secretária geral da APP. “Não adiantaria nada forçar a professora a ficar em casa. Se a ameaça fosse real, ela correria perigo assim mesmo”, alega. Para ela, o motivo do afastamento foi político. “O problema foi a música e a escola não soube lidar com a repercussão. Mas isso está dentro de um contexto mais amplo. Falta gestão democrática em todo o sistema de ensino, que hoje é autoritário e incapaz de lidar com as divergências”, diz.
Preconceito
A professora de 22 anos, que se formou em sociologia com bolsa do ProUni, defende que a escola busque maneiras de se tornar mais interessante que o Facebook. “Damos aula como no século XIX para alunos do século XXI. A sociedade é dinâmica e a escola precisa se adaptar", afirma. Viola garante que o afastamento não mudará sua metodologia de ensino. Esta, inclusive, não foi a primeira vez que trabalhou com paródias em sala de aula. Mas foi a primeira que gerou repercussão nas redes. Antes desse vídeo, ela publicou uma paródia da música sertaneja “Aquele 1%”, escrita pelos alunos de outra turma do primeiro ano do ensino médio, que falava sobre a mesma coisa, ainda que o nome do “pai do comunismo” não aparecesse.
Quando postou a paródia "Karl Marx é Baile de Favela" no Facebook, para que os alunos mostrassem o trabalho para os pais, Viola acredita que alguém tenha baixado e encaminhado para grupos de extrema direita. Ela afirma que na descrição do vídeo original, ela havia informado que o vídeo fazia parte de um trabalho sobre Marx. “O vídeo foi reproduzido sem essa descrição. Isso fez parecer que os alunos estavam entoando um hino comunista, ensinado pela professora”, relata.
Fonte: IHU

18 julho, 2016

A missão é um ato maternal!


Uma linda e abençoada semana a todas e a todos!

A missão é um ato maternal. Cuidar e proteger das dores do mundo para fecundar a acolhida, o amor e a Palavra de Deus no coração de cada uma e de cada um e no coração do mundo. Como ato maternal, a missão acontece no dia a dia, de forma expressiva em nossas Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs.

Quando estivermos conversando com o nosso Deus, levemos a Ele uma prece para as "Missionárias" e "Missionários" da CEB São Francisco de Assis, que estarão preparando e durante a semana estará indo ao encontro das famílias levando convite para uma visita missionária oferecendo estudo da "Carta aos Felipenses" em quatro encontros.

15 julho, 2016

Imigrantes de Maringá e Região que querem regularizar seus diplomas e voltar a estudar.


Nosso Deus não é rígido não é duro como uma rocha!

Nosso Deus não é rígido não é duro como uma rocha. Na liturgia de hoje percebemos isso.
Em Jesus, o nosso Deus revela a cada uma e a cada um que Ele se preocupa com o nosso bem, mais do que na observância da lei.
A lei precisa ser sim observada, más o nosso Deus é misericordioso.
Nosso Deus sente nossas dores, angústias, clamores, nosso coração. Ele acolhe até as súplicas que muitas vezes temos medo de levar a Ele.
E por amor e misericórdia, Ele até muda nossos desígnios para nosso bem, nossa felicidade.

13 julho, 2016

Paróquia Nossa Senhora da Liberdade - CEB São Francisco de Assis



"Como são belos os pés do mensageiro que anuncia a Paz” (Is 52,7)
Dinamizar de um jeitinho muito lindo!

A CEB São Francisco de Assis, uma das nove Comunidades Eclesiais de Base que compõe a estrutura da Paróquia Nossa Senhora da Liberdade, Arquidiocese de Maringá, estará por esses dias indo ao encontro das pessoas de um jeito muito lindo.

Uma Visita Missionária através de um convite. O convite em uma embalagem plástica será por um barbante amarrado nos portões de todas as casas que pertencem ao seu espaço geográfico.

Através desse convite missionário as famílias receberão outro convite oferecendo uma Visita Missionária em quatro encontros com o estudo da Carta aos Felipenses, conforme podem conferir na foto.

Se aceita, por uma ou outra família será lindo, frutos serão colhidos. Como são lindos os pés das mensageiras e dos mensageiros que estarão levando o convite ás famílias

Paulo, na carta aos felipenses expressa amor, amizade, cuidado e carinho. Ajuda a centralizar a vida em Cristo e a estar contentes em todas as situações, ser forte em oração e a imitar com alegria o exemplo de seu Salvador, Jesus Cristo.

08 julho, 2016

A CEB é Uma casa - Um lar - Uma família! - Paróquia Nossa Senhora da Liberdade

A CEB é Uma casa - Um lar - Uma família!
Ás lideranças são “Mãe e Pai” da família CEBs
As filhas e os filhos são o povo de Deus que moram nas CEBs.
A/O coordenadora/or precisa corrigir fraternalmente, unir e motivar.

Partilho com vocês, um lindo momento.
Coordeno a CEB São Francisco de Assis, uma das nove Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da estrutura paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Liberdade, Arquidiocese de Maringá.

O Conselho Pastoral da CEB São Francisco de Assis (CPC) vem apresentado proposta e aprovando iniciativas bonitas, que leva a Igreja ali presente ser missionária no dia a dia, com pequenos gestos, uma Igreja que vai ao encontro, para acolher, conhecer, servir e amar.

Como coordenadora em alguns momentos venho sentindo-me só. Tenho percebido que as lideranças não pode apenas aprovar iniciativas, elas precisam fazer acontecer.

Inspirada pelo nosso Deus, convoquei CPC que teve como tema: “Quando a União se Faz!”.

No convite algumas colocações sobre: Comunidade – Equipe e Trabalho em Equipe.

Iniciei o CPC levando as lideranças a observarem as mãos, a sua mão e as mãos uns dos outros, para perceberem a unidade na diversidade.

Em seguida, a iluminação bíblica, Eclesiastes 4.9-12.

Fui conversando, e disse:

Vou desabafar nesse momento, o que percebo, mais do que percebo, o que sinto. Posso até dizer “o meu sonho”.

A CEB é Uma casa - Um lar - Uma família

Como na família a Mãe e o Pai, embora tenham seus afazeres individuais, seu emprego/trabalho, eles estão sempre unidos ao executar os afazeres, observando, cuidando, orientando, dando carinho e amor as suas filhas e filhos e as outras pessoas que na casa moram.
Muitas vezes a Mãe e o Pai precisam de ajuda de outras pessoas, uma mão amiga.

A CEB é Uma casa - Um lar - Uma família.
Na CEB a Mãe e o Pai, são as lideranças, somos nós.
As filhas e os filhos e as outras pessoas que na casa moram, é o povo de Deus que moram no espaço geográfico da CEB.
A mão amiga que tanto nós precisamos, são as pessoas da CEB que não tem uma função específica (não é uma liderança), más é a mão amiga, que sempre nos ajudam.

Eu acredito nessa definição de que a CEB é Uma casa - Um lar - Uma família.

Más como coordenadora da CEB, eu sinto falta da MÃE e do PAI. Sinto falta de vocês.

Aprovamos em nossos CPCs idéias e propostas maravilhosas, que realmente expressa o sonho de nosso Deus.

Quando surgem as idéias, propostas e quando aprovamos, não sinto só. Sinto o agir da Mãe e do Pai, cada um de nós.

Para executar sinto falta da Mãe e do Pai, sinto falta de vocês.
Não tem como executar sem haver união de cada um de nós. Que embora muitos, somos dois: Mãe e Pai.
Isso me faz lembrar a Santíssima Trindade, três pessoas em uma só pessoa.
Nós somos, muitas pessoas, em duas pessoas – Mãe e Pai, referindo a definição de CEB como Uma casa - Um lar - Uma família.

No ano passado, foi proposto e aprovado por nós, e aconteceu:
- Missas em conjunto
- Via Sacra às sextas feiras – cada sexta-feira em uma das ruas da CEB
- Almoço lideranças e familiares
- Celebração do Padroeiro (missa e caminhada luminosa e confraternização ecumênica)
- Noite Natalina
- Noite com Folia de Reis

Para que tudo acontecesse teve que confeccionar convites e distribuir casa por cada, para atingir nossos filhos e filhas, o povo de Deus que moram no espaço geográfico da CEB.

Diante de relatos que, colocar no portão os convites cai. Na caixa do correio muitos ao pegar não lêem ou pegam depois que aconteceu a atividade. Entregar diretamente a uma pessoa da casa, são muitas casas, não tem como além de muitas casas ao entregar os convites estão fechadas.

Diante disso a idéia de colocar os convites em embalagens plásticas e pendurar no portão. Não cai é rápido a entrega, e dessa forma tem como atingir todas as casas.

Temos mais ou menos 500 casas em nossa CEB.

Vocês fazem idéia do que é colocar 500 convites nas embalagens plásticas e amarrar o barbante?
Vocês fazem idéia do tempo que uma ou duas pessoas levam para passar em 500 casas amarrando os convites?

Já pensou como seria rápido todos nós fazendo?
Sabiam que por todos com 30 minutos faz?

Para a maioria das atividades, no dia de acontecer precisou arrumar a rua, organizar tudo.

Para todas essas atividades, precisou animação, empolgação, fazer acontecer.

Para todas essas atividades FALTOU união, da Mãe e do Pai, que somos nós lideranças.

Fica a pergunta, nas atividades realizadas:
Qual foi a minha contribuição? O que fiz para que elas acontecessem? Eu participei?

Para esse ano de 2016 aprovamos e precisamos fazer acontecer:

Missa em conjunto com a CEB Sagrada Família
Encontro com os jovens
Convite missionário estudo de Felipenses
Almoço Lideranças e Familiares
Formação dia 18 de setembro – domingo – para todos – 14horas
Celebração do Padroeiro (missa sertaneja e caminhada luminosa e confraternização ecumênica)
Noite Natalina – 17/12

Procurem entenderem meu desabafo.

Temos sobre a mesa: Barbante, embalagens plásticas, tecido TNT, os convites para a visita Missionária com estudo de Felipenses – tesoura.

Para a nossa festa julina paroquial pediram para nossa CEB 30 metros de bandeirinhas.

Vamos agora confeccionar os 30 metros de bandeirinhas e embalar os convites missionários.

Vamos fazer isso compartilhando outros assuntos de nossa pauta e degustar uma pipoca, amendoim e chá bem quentinho.

Para fecharmos esse momento, no encerramento vamos partilhar sobre o meu “desabafo/sonho”, tendo como pano de fundo a definição de CEBs como Uma casa - Um lar - Uma família, nós lideranças como Mãe e Pai, e o desenvolvimento do CPC de hoje e o tema “Quando a União se Faz!”.

E foi assim, definimos os outros pontos da pauta, confeccionamos juntos os 30 metros de bandeirinhas para festa julina paroquial, e embalamos os convites para uma visita missionária em quatros encontros com o estudo de Felipenses.

A conclusão pelas lideranças presentes foi linda. Segue algumas frases que marcaram:

- fazer tudo isso sozinho é cansativo e desanimador
- todos nós ajudando foi rápido
- como foi gostoso estar junto, fazendo esses trabalhos
- foi descontraído e motivador
- precisamos disso, para não sentirmos sozinhos e desanimarmos
- realmente não temos ajudado e tem sido difícil para você Lucia
- precisamos dessa motivação
- seu desabafo Lucia e como você foi falando fez nós entender. Que momento gostoso.
- vamos unir para fazermos juntos, o que aprovamos
- Lucia você deve estar feliz com o CPC de hoje

Essas frases foram mais expressivas, foram repetidas.

Eles têm razão, fiquei feliz. Motivada e ciente de que a/o coordenadora/or precisa corrigir fraternalmente, unir e motivar.

Segue abaixo dois links.

Onde poderão conferir o convite enviado às lideranças para o CPC e para entenderem como será a missão propondo visita missionária em quatro encontros com o estudo de Felipenses.



07 julho, 2016

Paróquia Nossa Senhora da Liberdade - CEB São Francisco de Assis



CEB São Francisco de Assis

Paróquia Nossa Senhora da Liberdade
"Quando a União se Faz" é o Tema do nosso CPC

Nosso CPC que acontecerá quinta-feira, dia 7, terá uma dinâmica formativa.

"Quando a União se Faz"


Comunidade grupo de pessoas que compartilham algo em comum, como uma história comum, um objetivo comum, ..., interagir,...
Conviver, conhecer e executar tarefas, de modo a encontrar soluções para todo tipo de situação, inclusive as derrotas.
Descobrir o quanto vale a amizade, a parceria e a colaboração.
Trabalho em equipe.
Não somos somente um grupo de pessoas, somos uma equipe.
Equipe é um conjunto de pessoas com objetivos comuns atuando no cumprimento de tarefas, propostas aprovadas e de metas específicas.
"Quando a União se Faz"
Sua presença é importante

Coordenadoras e coordenadores motivem os seus para participar, que bom se estiverem com a gente nesse dia:
As/Os catequistas – ministras/os do altar – ministras/os dos enfermos e colaboradoras/res - nossas/os vices das pastorais, movimento, e serviços - às missionárias/os do dízimo, Mãe Peregrina e da Pastoral da Criança.
Que o nosso Deus nos abençoe.

“Escola sem partido”, escola silenciada

O que seria a tão falada, e pouco explicada “escola sem partido”? Basicamente, trata-se de uma falsa dicotomia, pois não diz respeito à não partidarização das escolas, mas sim à retirada do pensamento crítico, da problematização e da possibilidade de se democratizar a escola, esse espaço de partilhas e aprendizados ainda tão fechado, que precisa de abertura e diálogo.

A pauta que precisamos debater é a da qualidade da educação, e não falácias ideológicas sobre a “não ideologização da escola”, algo que se vê até mesmo em alguns diálogos sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

O Plano Nacional de Educação foi aprovado há dois anos. Durante sua tramitação, uma das polêmicas suscitadas foi acerca da promoção das equidades de gênero, raça/etnia, regional, orientação sexual, que acabou excluída do texto do projeto. Por consequência, isso influenciou a tramitação dos planos estaduais e municipais, que também sucumbiram ao lobby conservador e refutaram qualquer menção a gênero, por exemplo, difundindo a falsa tese da aberração intitulada “ideologia de gênero”. Isso causou uma confusão deliberada entre uma categoria teórica e uma pretensa ideologia.

Marivete Gesser, do Laboratório de Psicologia Escolar e Educacional da Universidade Federal de Santa Catarina, explica que “gênero pode ser caracterizado como uma construção discursiva sobre nascer com um corpo com genitália masculina ou feminina” e, por meio de normas sobre masculinidade e feminilidade, vamos nos construindo como sujeitos “generificados”. O preconceito vem dos discursos que naturalizam os lugares sociais de homens e mulheres como únicas representações, e segregam qualquer outra forma de manifestação. Além disso, em pesquisa realizada por estudantes do ensino médio em Brasília, feita no âmbito do projeto Educação de Qualidade (Inesc/Unicef), constatamos que uma das razões do abandono escolar é a discriminação relativa ao público LGBTI. Razões mais do que suficientes para discutirmos gênero nas escolas.

Qual a ligação entre esses dois temas, “escola sem partido” e “ideologia de gênero”, em momentos tão distintos? O que parece ter diferentes motivações e origens resulta dos mesmos elementos: os fundamentalismos conservadores que tentam passar às pessoas suas ideologias e crenças. Afinal de contas, não são apenas os pensamentos marxistas que são ideológicos, como tentam fazer crer os defensores da “escola sem partido”. Sendo assim, o que significa ideologia então?

Um dos conceitos mais difundidos é o de Karl Marx em parceria com Friedrich Engels, na obra a Ideologia Alemã, em que afirmam ser a ideologia uma consciência falsa da realidade, importante para que determinada classe social exerça poder sobre a outra, bem como a necessidade de a classe dominante fazer com que a realidade seja vista a partir de seu enfoque.

O conceito, no entanto, sofreu inúmeras interpretações, como a de Lênin para a ideologia socialista, como forma de definir o próprio marxismo. Portanto, há ideologia nas diferentes formas de ver e conceber o mundo. Não existe neutralidade. Quando defendem a “não ideologização”, em nome dessa pretensa neutralidade, também estão impregnados de ideologia.

Os teóricos do projeto “escola sem partido” advogam a neutralidade e se dizem não partidários. No entanto, suas intenções são claras: a retroação dos avanços que tivemos nos últimos tempos, especialmente com relação aos direitos humanos. Por exemplo, quando dizem lutar contra a doutrinação, uma das situações apresentadas no site do movimento da “escola sem partido” é um seminário realizado pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados sobre direitos LGBTI e a política de educação. Eles citam esse caso como uma afronta ao artigo 12 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, afirmando que pais e seus filhos têm que ter uma educação moral de acordo com suas convicções. É uma deturpação do citado artigo, que diz respeito à liberdade religiosa que deve ser respeitada individualmente. Além disso, manipulam e fazem confusão deliberada com a discussão realizada no seminário, que reafirmou a importância de se debater questões de gênero e de sexualidade nas escolas, para que as diferenças não sejam transformadas em desigualdades.

Em outro momento, dizem que os alunos (a quem chamam de “vítimas”) acabam sofrendo de Síndrome de Estocolmo, ligando-se emocionalmente a seus algozes (“professores doutrinadores”). Nesse caso, os estudantes se recusariam a admitir que estão sendo manipulados por seus professores e sairiam furiosos em suas defesas. Para exemplificar, citam momentos identificados como “monstro totalitário arreganha os dentes” e chamam os estudantes de soldadinhos da guarda vermelha.

Em um dos livros desse movimento, é passada a noção de que o professor não é um educador, separando assim o ato de ensinar (passar conteúdos) e educar. O/A professor(a) deveria estar ali apenas para passar conteúdo sem crítica, problematização ou contextualização, em um ato mecânico. Paulo Freire é demonizado como o grande doutrinador – justo ele, que construiu uma obra toda para combater doutrinações.

Esse movimento da “escola sem partido” nasceu em 2004 e não gerou muitas preocupações, porque parecia muito absurdo e coisa pequena. No entanto, tem tomado corpo e crescido, na mesma toada de movimentos fascistas tais como ‘revoltados online’, responsável por apresentar recentemente a proposta da “escola sem partido” ao ministro da Educação do governo ilegítimo. Aliás, é bom dizer que foi a primeira audiência concedida pela pasta da Educação nesta gestão ilegítima. E em vídeo, os criadores da “escola sem partido” e do “revoltados online’ explicam que criaram tais coisas a partir de motivações pessoais. Ou seja, eles tentam impingir ao país projeto com base em impressões e vivências individuais.

A proposta foi apresentada em forma de projeto pela primeira vez no Estado do Rio de Janeiro, pelo deputado Flávio Bolsonaro. A segunda vez foi no Município do Rio de Janeiro, pelo vereador Carlos Bolsonaro – ambos filhos do deputado federal Jair Bolsonaro. E tal proposta já se espalhou por diversas câmaras municipais e assembleias legislativas. Em âmbito nacional, o deputado Izalci (PSDB/DF) apresentou o PL 867/2015 à Câmara Federal, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Dentre várias questões, o artigo 3º do referido projeto diz o seguinte: “Art. 3º. São vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica bem como a veiculação de conteúdos ou a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes.” O que viola tais convicções provavelmente será julgado de acordo com o que e com quem quiserem criminalizar. O projeto ainda levanta uma polêmica do século XIX quando se discutia a dicotomia família e escola, o que deveria estar superado no século XXI.

Há vários projetos tramitando apensados a esse, ainda mais perversos. Um deles, do deputado Victório Galli, do PSC/MT, proíbe a distribuição de livros didáticos que falem de diversidade sexual. E há ainda o projeto de lei 1411/2015, do deputado Rogério Marinho PSDB/RN, cujo relator é o mesmo deputado Izalci. Esse projeto tipifica o crime de assédio ideológico, que, de acordo com o projeto, significa: “toda prática que condicione o aluno a adotar determinado posicionamento político, partidário, ideológico ou qualquer tipo de constrangimento causado por outrem ao aluno por adotar posicionamento diverso do seu, independente de quem seja o agente.” E diz ainda que o professor, orientador, coordenador que o praticar dentro do estabelecimento de ensino terá a pena acrescida de um terço. Ou seja, a s opiniões fora da escola, tais como nas redes sociais, poderão penalizar o profissional da educação também.

O movimento criou recentemente uma “associação escola sem partido” para ter uma entidade com a qual pudesse recorrer à Justiça em casos que julgasse relevantes. E a primeira ação por eles promovida foi contra o INEP, devido ao tema da redação do Enem de 2015, que tratava de violência contra as mulheres, tema que julgaram doutrinador e partidário. A violência contra as mulheres é reconhecida como grave problema em diversos tratados internacionais de direitos humanos, como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), aprovada pela ONU em 1979, e outros que a seguiram. No Brasil, a cada 4 minutos uma mulher dá entrada no SUS por ter sofrido violência física, e 13 mulheres são assassinadas a cada dia – uma a cada 1 hora e 50 minutos. A violência está inclusive nas próprias escolas, como demonstrou a iniciativa “Meu professor abusador”.

Há vários ovos de serpente chocando no momento, em diversos locais, seja no âmbito dos legislativos municipais, estaduais ou nacional, e mesmo nos Executivos, e não temos garantias de que o Judiciário irá barrar tais aberrações. Portanto, nossa única arma é a manifestação, a nossa presença nas ruas e a disseminação de informações a um público maior possível, já que é na internet e em redes como whatsapp que esses grupos têm angariado seguidores, muitos deles muito jovens. É preciso promover debates que esclareçam essas situações que estão amadurecendo na surdina, com pessoas que não nos representam, mas estão em cadeiras que permitem tais movimentos.
 
*O artigo é de Cleomar Manhas, assessora do Inesc e doutora em educação pela PUC/SP, publicado por Outras Palavras, 05-07-2016.

Nota do Cimi: Contra o Militarismo Integracionista, o Fundamentalismo Religioso e o Ruralismo na relação do Estado brasileiro com os Povos Indígenas

O Conselho Indigenista Missionário – Cimi repudia a indicação do Coronel reformado Roberto Sebastião Peternelli, ex-candidato a Deputado Federal pelo Partido Social Cristão (PSC), para a função de presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai). Uma eventual nomeação de Peternelli demonstraria, inequivocamente, o retorno do alinhamento do Estado brasileiro ao militarismo integracionista na relação com os povos originários, a exemplo do que ocorreu durante a ditadura militar, quando mais de oito mil índios foram mortos, conforme demonstrado pela Comissão Nacional da Verdade.

Pelo fato do coronel ser vinculado à bancada do fundamentalismo religioso e esta ser uma espécie de correia transmissora de interesses do ruralismo na Câmara dos Deputados, já que vem apoiando as pautas da chamada bancada ruralista, inclusive a PEC 215/00, a nomeação de Peternelli pelo governo ilegítimo de Temer também significaria a entrega dos povos indígenas na bandeja opulenta do agronegócio, o que é completamente inaceitável.

Ao mesmo tempo, o Cimi demonstra profunda preocupação com as consequências advindas da implementação do Decreto 8785/16 e da Portaria 611/16, ambas assinadas no último dia 10 de junho pelo presidente interino, Michel Temer, e pelo Ministro da Justiça, Alexandre de Morais, respectivamente.

Por meio da portaria 611/16, o governo federal bloqueia a execução de despesas fundamentais e, por consequência, impede o funcionamento regular de órgãos vinculados ao Ministério da Justiça, a exemplo do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI) e da própria Fundação Nacional do Índio (Funai).

Por meio do Decreto 8785/16, Temer determina que os ministérios devolvam postos de trabalho de Direção e Assessoramento Superiores (DAS) ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Para cumprir a sua cota, que é a maior da Esplanada, o Ministério da Justiça está exigindo que a Funai faça cortes profundos na sua estrutura. Com isso, serviços básicos de atendimento aos povos indígenas, que já estão extremamente precários, serão inviabilizados por completo, atingindo inclusive situações limites como a enfrentada pelos Guarani Kaiowá, vítimas de recorrentes ataques paramilitares no estado no Mato Grosso do Sul.

Inanição do órgão indigenista, desassistência absoluta e aumento dos despejos forçados contra povos indígenas são algumas das consequências potenciais decorrentes dessas graves medidas administrativas do Governo Temer relativamente aos povos indígenas.

O Cimi entende que o golpe à democracia representado pela possibilidade do impeachment da presidente Dilma é potencializado com medidas rasteiras, como estas, do governo interino de Temer, que atentam contra os povos e seus direitos, em benefício exclusivo dos interesses do agronegócio, do latifúndio e das corporações empresariais, de capital nacional e internacional, que as controlam.

Brasília, DF, 04 de julho de 2016

Conselho Indigenista Missionário

Fonte: http://www.cimi.org.br

General que defende golpe de 64 é indicado para presidir a Funai


O general da reserva do Exército Sebastião Roberto Peternelli Júnior, 61, confirmou ao jornal Folha de SP ter recebido um convite do PSC (Partido Social Cristão) para presidir a Funai (Fundação Nacional do Índio). Ele afirmou que aceitou o convite e aguarda uma confirmação do governo.

Em uma página na internet em março passado, Peternelli postou uma imagem em homenagem ao golpe militar de 1964 – "52 anos que o Brasil foi livre do maldito comunismo. Viva nossos bravos militares! O Brasil nunca vai ser comunista", diz a postagem, compartilhada por 750 internautas.

A reportagem é de Rubens Valente, publicada por Folha de S. Paulo, 06-07-2016.

O militar foi candidato pelo PSC a deputado federal por São Paulo em 2014 –recebeu 10.953 votos e não se elegeu.

A Folha confirmou que o PSC encaminhou o nome do general ao Planalto, que ainda não deu resposta. O partido é o único que fez indicação para o cargo.

A sigla considera que a indicação foi "bem recebida" e recebeu a informação de que o nome já foi aprovado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que costuma fazer averiguação prévia sobre nomes indicados ao governo.

Desde o início do governo interino de Michel Temer, em 12 de maio, a presidência da Funai está vaga.

Nascido em Ribeirão Preto (SP), Peternelli é ligado ao partido que tem uma das bancadas mais conservadoras no Congresso, com oito deputados, entre os quais Jair Bolsonaro (RJ), seu filho Eduardo (SP) e o pastor evangélico Marco Feliciano (SP).

Em outubro de 2014, porém, Peternelli escreveu duas "notas de esclarecimento" e fez postagens em redes sociais para dizer que não defende um novo golpe.

"Estamos em um estado democrático e as instituições funcionam normalmente e não vejo motivos para nenhuma intervenção militar. Não condiz com meus pensamentos. Devemos todos trabalhar para o bem do nosso Brasil."

Peternelli disse à Folha nesta segunda-feira (4) que preferia não falar sobre seus planos na política indigenista e também não quis comentar que experiência acumulada ele tem sobre o tema.

"Tem diversos assuntos [sobre o índio], antes temos que ouvir as lideranças indígenas e os funcionários da Funai", disse.

"Eu gostaria de esperar [para falar dos planos], até para não estar dando declarações sem efetivamente estar credenciado formalmente para a atividade", acrescentou o general.

Questionado, Paternelli disse que só falará sobre sua posição em relação ao golpe de 64 e sobre a postagem que fez após eventual nomeação para o cargo.

Em dados biográficos postados em rede social, o general listou ter servido nas cidades de Campinas (SP), Resende (RJ), Rio de Janeiro, São João del-Rei (MG), Brasília, Taubaté (SP), São Paulo e Pelotas (RS), nenhuma conhecida por forte atual presença indígena.

À Folha ele disse que, como piloto, "voou pela Amazônia". "Não morei lá, mas cumpri muitas missões".

Peternelli foi promovido a general em 2006, no governo Lula, e a general de divisão em 2011, no primeiro governo de Dilma Rousseff. Em 2012, foi nomeado secretário executivo do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência, órgão que, entre outras atividades, controla as atividades de inteligência da Abin.

Campanha

Na campanha eleitoral de 2014, Peternelli fez campanha aberta nas redes sociais pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Ele instou o candidato a falar sobre "infiltração cubana" no programa Mais Médicos e denúncias de corrupção no governo Dilma.

Na época da posse do general no GSI, o órgão informou que Peternelli foi incorporado ao Exército em fevereiro de 1970, na escola preparatória de cadetes em Campinas (SP).

Tornou-se aspirante a oficial de arma de infantaria em dezembro de 1976 e se especializou como "piloto militar de combate". Conforme o GSI, ele comandou a Aviação do Exército em Taubaté (SP) e a 2ª Região Militar.

Procurado, o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, desconversou quando indagado se havia indicado algum nome, em especial o do general, para a presidência da Funai. Ele disse que não conversa com o governo sobre cargos, só sobre "assuntos de interesse do país".

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br