10 novembro, 2023

32º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Reflexão: Domingo, 12 de Novembro de 2023

32º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Leituras:

Sb 6,12-16
Sl 62(63),2.3-4.5-6.7-8 (R. 2b) ou mais breve 4,13-14
1Ts 4,13-18
Mt 25,1-13




Celebrando o 32º Domingo do Tempo Comum, caminha-se para o final do ano litúrgico, as leituras dizem vigiai. Através de parábolas, Jesus continua a falar do Reino de Deus e a liturgia orienta para preparar-se para a segunda vinda do Senhor. Como preparar-se?

A primeira leitura, tirada do livro da Sabedoria.
O caminho que assegura um lugar junto a Deus é o da sabedoria. O livro da sabedoria é o ponto mais alto de toda a sabedoria em Israel, é livro da justiça, do bem comum, da teologia política. A sabedoria é a atitude que faz a pessoa justa para fazer a justiça; para fazer acontecer o bem comum; para lutar; para tirar as causas da pobreza; para tirar as causas das periferias existenciais e geográficas, a partir da realidade presente. A verdadeira sabedoria não se conquista pelo esforço humano, mas vem de Deus e produz a justiça. A sabedoria é “justiça é imortal” (Sb 1,15). A sabedoria é um dom que Deus concede gratuitamente aos que se abrem ao seu amor. É graça de Deus, que acontece quando a pessoa se abre para Ele, pois é dele que vem a graça da vida plena. Quem busca a Deus recebe a sabedoria que capacita para buscar, discernir e praticar o que é justo. A maior expressão da justiça é a sabedoria de Deus, porque o seu projeto visa à realização da vida para todas e todos.

Quem se deixa guiar pelo saber da injustiça, gera pobreza; gera as periferias existenciais e geográficas; gera violência; gera armas; gera guerra; gera desigualdade, gera exclusões, gera a injustiça.

Quem se deixa guiar pela sabedoria de Deus que é justiça, torna-se coerente com Seu projeto, é capaz de analisar a realidade atual e de colocar-se contra as causas que geram as injustiças, e faz justiça para que o projeto de Deus, de vida para todas e todos aconteçam. “A Sabedoria é resplandecente e sempre viçosa. Ela é facilmente contemplada por (aquelas e) aqueles que a amam, e é encontrada por (aquelas e) aqueles que a procuram. Ela até se antecipa, dando-se a conhecer aos que a desejam. Quem por ela madruga não se cansará, pois a encontrará sentada à sua porta. Meditar sobre ela é a perfeição da prudência; e quem ficar acordado por causa dela em breve há de viver despreocupado. Pois ela mesma sai à procura dos que a merecem, cheia de bondade, aparece-lhes nas estradas e vai ao seu encontro em todos os seus projetos.”.

O Evangelho, Jesus continua apresentando o que é o Reino dos Céus, conta a parábola das cinco jovens prudentes e da cinco imprudentes, “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo”. O noivo, Jesus que virá no fim da história. No contexto em que foi escrito o Evangelho, quando começava a escurecer eram acesas lâmpadas e as mulheres que faziam essa tarefa, tinham com elas as lamparinas a óleo, e era também costume entre os judeus, quando a chegada do noivo era anunciada, as jovens que estava cuidando da noiva, saíam com lâmpadas para iluminar o caminho até a casa para a festa.

As jovens prudentes levaram as lâmpadas e o óleo, as jovens imprudentes não levaram o óleo, e no “meio da noite, ouviu-se um grito: 'O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!' Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas”. As jovens que não levaram o óleo, como estava acabando, foram comprar, enquanto isso, o noivo chegou e as jovens que havia levado o óleo, estavam preparadas mediante a prática da justiça, com o noivo entrou para a festa de casamento e diz o texto “E a porta se fechou. Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: 'Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!' Ele, porém, respondeu: 'Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!' Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora".

Ficar vigilante para viver melhor o tempo presente, tempo esse oferecido por Deus, para se abrir ao seu amor, indo ao seu encontro, deixando-se envolver com Ele e fazer com Ele uma linda experiência pessoal e comunitária que transforma a vida, que leva a receber a graça da sabedoria que torna a pessoa justa para fazer a justiça, capaz de amar ao próximo como a si mesmo; capaz de reconhecer Deus na pessoa do pobre, dos pequenos, marginalizado e excluído; nas pessoas que sofrem pelos atos injustos de quem se julga justo e mais conhecedor da verdade e com poder para humilhar, afastar, descartar. E assim, quando o Senhor chegar, poderá com Ele entrar no Reino dos Céus, a vida eterna. São Paulo em sua primeira carta aos Tessalonicenses garante que Jesus virá para concluir a história humana e levar para o encontro com o Senhor para permanecer com Ele para sempre, aquelas e aqueles que a Ele aderiram e com Ele se identificaram.

É preciso ficar vigilante e acolher os conselhos da primeira leitura que indica que a sabedoria, que é o próprio Deus, se deixa encontrar porque quem a ama, por quem a procura e aos que a desejam.

Com o salmista rezemos “a minh'alma tem sede de vós, e vos deseja, ó Senhor”.

07 novembro, 2023

Aberta inscrições para curso de Teologia

A Escola de Teologia para Cristãos Leigas e Leigos, com mais de 20 anos atuando na Arquidiocese de Maringá, está com as inscrições abertas para o ano letivo de 2024.

O curso de Teologia tem duração de três anos, aulas semanais – todas as quintas-feiras –, totalizando 480 h/a, e conta com um excelente quadro de professores formado por padres, diáconos, leitas e leigos.

As inscrições podem ser feitas no site www.teologiamaringa.ong.br


06 novembro, 2023

Pelas crianças que sofrem - O Vídeo do Papa 11 - Novembro de 2022

Pelas crianças que sofrem
Papa Francisco, em seu vídeo de novembro, nos convida a rezar pelas crianças.

"Há ainda milhões de crianças que sofrem e vivem em condições muito semelhantes à escravidão. Não são números: são seres humanos com um nome, com um rosto, com uma identidade dada por Deus. Muitas vezes esquecemos a nossa responsabilidade e fechamos os olhos à exploração destas crianças que não têm direito de brincar, nem de estudar, nem de sonhar. Elas nem sequer têm o calor de uma família. Cada criança marginalizada, abandonada por sua família, sem escolaridade, sem cuidados médicos, é um grito! Um grito que se eleva a Deus e acusa o sistema que nós, adultos, construímos. Uma criança abandonada é culpa nossa. Não podemos continuar a permitir que se sintam sozinhas e abandonadas; elas precisam receber uma educação e sentir o amor de uma família para saberem que Deus não as esquece. Rezemos para que as crianças que sofrem, as crianças que vivem nas ruas, as vítimas da guerra e os órfãos, possam ter acesso à educação e possam redescobrir o afeto de uma família".


03 novembro, 2023

31º Domingo do Tempo Comum, Ano A – Solenidade de todos os Santos

Reflexão: - Domingo, 05 de novembro de 2023

31º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Leituras:

Ap 7,2-4.9-14
Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)
1Jo 3,1-3
Mt 5,1-12a (Bem-aventuranças)


Festa de todas as Santas e de todos os Santos!

“À luz desta festa, detenhamo-nos um pouco a pensar sobre a santidade, em particular nas características da verdadeira santidade: é um dom - é um presente, não se pode comprar e, ao mesmo tempo, é um caminho. ” (Papa Francisco)

A festa de todas as Santas e de todos os Santos é convite a alegrar com a multidão de mulheres e homens acolhidos por Deus, o Livro do Apocalipse insiste em números simbólicos para nos fazer compreender que “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar”. A Primeira Carta de São “vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhas e filhos de Deus! E nós o somos! ”. O salmista “É assim a geração dos que procuram o Senhor! ”.

O Evangelho, as bem-aventuranças, “vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los”.

Bem-aventurados são as e os: - pobres em espírito; aflitos; mansos; quem tem fome e sede de justiça; misericordiosos; puros de coração; quem promovem a paz; quem são perseguidos por causa da justiça e quem recebe perseguição e maldade por causa do senhor.

E Jesus diz porque são bem-aventurados: - porque delas e deles é o Reino dos Céus; porque serão consolados; porque possuirão a terra; porque serão saciados; porque alcançarão misericórdia; porque verão a Deus; porque serão chamados filhas e filhos de Deus; porque delas e deles é o Reino dos Céus; porque será grande a vossa recompensa nos céus.

As bem-aventuranças é o ressoar de Jesus que resgata para aquele tempo e para todos os tempos, o Deus amoroso e misericordioso que houve o clamor do povo oprimido e intervém para libertá-lo, inaugurando no aqui e agora o Reino de Deus. Em Jesus a revelação do amor imenso de Deus para com os pobres. As bem-aventuranças convoca, mulheres e homens, as paróquias, as Comunidades Eclesiais e Base (CEBs) e demais comunidades, a cultivar o seguimento de Jesus no que refere ao amor solidário, misericordioso e compassivo para com as e os empobrecidos e no compromisso de restabelecer a justiça, porque sem justiça não acontece o Reino.

Em face do Reino de Deus, são chamados de felizes justamente os que, segundo os critérios desse mundo, são chamados de infelizes, podemos compreender as bem-aventuranças como um protesto contra todo tipo de atitudes e meios de exclusão deste mundo.

Os pobres, os que tem fome e sede de justiça e os demais a quem Jesus menciona e os que Jesus continua a mencionar hoje, são as pessoas que não possuem o necessário para viver; tem fome e sede de pão e justiça; não tem moradia; não tem esperança; e incluí entre esses, viúvas e órfãos, e também, doentes crônicos e portadores de deficiência, como cegos, paralíticos, leprosos e muitas outras e outros que podemos incluir, enfim, que se encontram em situação vital marcada pela fome e lágrima.

Também o pobre de espírito, que sofre tanto quanto o pobre de material, a pobreza do espírito leva a uma profunda crise existencial que pode ter várias causas, como insucessos, frustações e fracasso na vida, tanto na sociedade, na Igreja e na família, entre os pobres de espírito encontram também as pessoas que em sua busca de Deus sentem distante de Deus e as pessoas que não percebe Deus e nem que necessita de Deus.

As bem-aventuranças convoca a enfrentar esse problema, como diz Papa Francisco, em meio à “globalização da indiferença”, enfrentar principalmente pelas pessoas que professam a fé cristã, pelas CEBs, pelas Igrejas. Como enfrentar é no seguimento de Jesus.

Por que são bem-aventurados?

- São bem-aventurados, porque acolhem com alegria a boa notícia do Reino dos Céus que se instaura neste mundo, trazida por Jesus.

- São bem-aventurados porque acreditam no Reino dos Céus, por meio de Jesus.

- São bem-aventurados, porque veem a coerência entre o que Jesus ensina e o que Jesus faz.

Deixar provocar pelas bem-aventuranças, é assumir o batismo. Deixar provocar pelas bem-aventuranças, é comprometer no seguimento de Jesus.

O caminho a Santidade é o seguimento de Jesus “A santidade é um dom de Deus que recebemos no Batismo, «se o deixarmos crescer, pode mudar completamente nossa vida» (cf. Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, 15) a ponto alcançar a plenitude da vida cristã. O santos não são heróis inalcançáveis ou distantes, mas são pessoas como nós". (Papa Francisco).

02 novembro, 2023

Uma bem-aventurança muito atual: «Bem-aventurados os pacificadores»



Uma bem-aventurança muito atual: «Bem-aventurados os pacificadores»

Vejamos, por exemplo, uma bem-aventurança muito atual: «Bem-aventurados os pacificadores». A paz de Jesus é muito diferente do que imaginamos. Todos desejamos paz, mas muitas vezes o que queremos não é precisamente a paz, é estar em paz, ser deixados em paz, não ter problemas, mas tranquilidade. Por outro lado, Jesus não chama bem-aventurados os tranquilos, aqueles que estão em paz, mas aqueles que fazem a paz e lutam para fazer a paz, os construtores, os pacificadores. De facto, a paz tem de ser construída, e como qualquer construção requer empenho, colaboração, paciência.

Gostaríamos que a paz chovesse do alto, mas a Bíblia fala da «semente da paz» (Zc 8, 12), porque germina do terreno da vida, da semente do nosso coração; cresce no silêncio, dia após dia, através de obras de justiça e misericórdia(...). Somos levados a acreditar que a paz vem pela força e pelo poder: para Jesus é o oposto. A sua vida e a dos santos dizem-nos que a semente da paz, para crescer e dar fruto, deve primeiro morrer. A paz não é alcançada conquistando ou derrotando alguém, nunca é violenta, nunca está armada.

Como nos tornamos então pacificadores? Antes de mais, é necessário desarmar o coração. Sim, porque estamos todos equipados com pensamentos agressivos, uns contra os outros, com palavras afiadas, e pensamos estar a defender-nos com o arame farpado da queixa e os muros de cimento da indiferença; e entre queixa e indiferença defendemo-nos, mas isto não é paz, isto é guerra. A semente da paz pede-nos que desmilitarizemos o campo do coração. Como está o teu coração? Está desmilitarizado ou cheio destes sentimentos, com queixas e indiferença, com agressão? E como se desmilitariza o coração? Abrindo-nos a Jesus, que é «a nossa paz» (Ef 2, 14); permanecendo diante da sua Cruz, que é a cátedra da paz; recebendo d’Ele, na Confissão, «o perdão e a paz». Por aqui se começa, pois ser pacificadores, ser santos, não é capacidade nossa, é dom seu, é graça.

Irmãos e irmãs, olhemos para dentro de nós e perguntemo-nos: somos pacificadores? Onde vivemos, estudamos e trabalhamos, levamos tensão, palavras que magoam, tagarelices que envenenam, polémicas que dividem? Ou será que abrimos o caminho para a paz: perdoamos aqueles que nos ofendem, cuidamos dos que estão à margem, curamos alguma injustiça ajudando aqueles que têm menos? A isto chama-se construir a paz.

No entanto, pode surgir uma última questão, que se aplica a qualquer bem-aventurança: vale a pena viver desta forma? Não é de perdedor? É Jesus que nos dá a resposta: os pacificadores «serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9): no mundo parecem fora de lugar, porque não cedem à lógica do poder e do prevalecer, no Céu serão os mais próximos de Deus, os mais semelhantes a Ele. Mas, na realidade, também aqui aqueles que prevaricam permanecem de mãos vazias, enquanto aqueles que amam todos e não magoam ninguém vencem: como diz o Salmo, «o homem de paz terá uma descendência» (cf. Sl 37, 37).

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Papa Francesco
Angelus
1° novembro de 2022

01 novembro, 2023

Pe. Ciotti: emoção e gratidão ao Papa por receber mulheres que abandonaram a máfia

Hoje, para padre Ciotti, "graças a essas mulheres, um fermento subterrâneo está crescendo. Está crescendo uma consciência racional de que um mecanismo irrefreável foi colocado em movimento. Não há apenas o desejo de mudar o campo, há acima de tudo a necessidade de recuperar o que as máfias 'roubaram' delas: liberdade, vida, dignidade. É uma ruptura com o mal, uma ruptura cultural antes de tudo, e dessa forma elas 'enfraquecem' o poder da máfia por dentro"


Publicado no site da Vatican News


"Grande emoção e gratidão ao Papa Francisco, que esta segunda-feira, 30 de outubro, quis receber no Vaticano uma significativa representação de mulheres que decidiram romper códigos milenares baseados em violência e ameaças. Elas pedem uma mão, pedem para serem acompanhadas para sair do contexto mafioso. Mulheres que, depois de se tornarem mães, olham para seus filhos, meninos e meninas, e não aceitam a ideia de que um dia essas vidas serão peças em um jogo de poder, de violências e de prisão".

É o que diz padre Luigi Ciotti, presidente de Livre e do Grupo Abel, após a audiência concedida pelo Papa Francisco a um grupo de mulheres que se rebelaram contra a máfia. O padre continua:
"As máfias 'confiscaram' suas vidas. Mulheres que se rebelam contra a 'lei' do clã e buscam uma saída. É uma rebelião de corações e consciências. Mulheres que, apesar dos códigos culturais estabelecidos, dizem: 'Basta'! 'Basta' desse absurdo respeito sagrado pelo papel subordinado da mulher. Conscientes de que a violação foi frequentemente paga com a morte".

A liberdade é filha da justiça e da solidariedade

Hoje, para padre Ciotti, "graças a essas mulheres, um fermento subterrâneo está crescendo. Está crescendo uma consciência racional de que um mecanismo irrefreável foi colocado em movimento. Não há apenas o desejo de mudar o campo, há acima de tudo a necessidade de recuperar o que as máfias 'roubaram' delas: liberdade, vida, dignidade. É uma ruptura com o mal, uma ruptura cultural antes de tudo, e dessa forma elas 'enfraquecem' o poder da máfia por dentro".

"Mães que decidem se afastar e pedir ajuda. É necessário que muitas delas mudem seus nomes, suas generalidades. Um novo nome significa assumir a responsabilidade por uma renovação real de sua existência. É poder reconstruir laços de amizade, afetivos e profissionais sem o medo de ser reconhecidas e, portanto, rastreadas por aqueles que as procuram para fazê-las pagar".

O presidente de Livre e do Grupo Abel observa: "Elas pedem para ser livres. E a liberdade é filha da justiça que saberemos cada vez mais conquistar e da solidariedade que saberemos desenvolver".

(com Sir)



27 outubro, 2023

30º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Reflexão: - Domingo, 29 de outubro de 2023

30º Domingo do Tempo Comum, Ano A


Leituras:

Ex 22,20-26
Sl 17(18),2-3a.3bc-4.47.51ab (R. 2)
1Ts 1,5c-10
Mt 22,34-40



A liturgia apresenta o resumo de toda a lei do Antigo Testamento: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Que a luz da Palavra de Deus do 30º Domingo do Tempo Comum, ilumine as leis que regem o capitalismo, a economia de mercado do tempo atual.

A primeira leitura deixa claro que não se pode tolerar as situações que roubam a vida e a dignidade das pessoas. “Assim diz o Senhor” não oprimas, não maltrates, não faça mal e sejam misericordiosos. A leitura do Êxodo refere-se a algumas exigências sócias que resultam da Aliança, apresenta indicações concretas de como lidar com as realidades de carência; de necessidade e de debilidade das pessoas estrangeiras; órfãs; viúvas e pobres, essas pessoas não podem defender-se, devem ser protegidas pelo direito.

Os hebreus haviam saído do Egito, da casa da escravidão, e estavam acampados, após a Aliança com Deus no Sinai, leis, mandamentos foram elaborados numa tentativa de organização da vida e convivência de acordo com o projeto de Deus, são leis de liberdade que garantem a vida para todas e todos, especialmente para os mais desprotegidos.

O estrangeiro, o migrante obrigado a deixar sua terra, deixar as relações familiares, enfrentam um ambiente cultural e social adverso, e onde as leis locais nem sempre protegem os seus direitos e a sua dignidade, frequentemente a situação de debilidade dessas mulheres e homens é aproveitada por pessoas sem escrúpulos que os exploram, que os escravizam e que contra eles cometem injustiças. A viúva e o órfão, vítimas dos abusos dos poderosos, desprotegidos e ignorados, sem defesa diante das arbitrariedades dos mais fortes, vítimas de todos os tipos de injustiças, é no Senhor que encontram força e defesa. O pobre, na maioria, camponês carregados de impostos, passando dificuldades pelas más colheitas, que tem que pedir para pagar as dívidas e sustentar a família e são explorados sem escrúpulos. O Deus de Israel ouve o clamor do seu povo oprimido, não aceita a opressão, defende pobres e indefesos.

Deixar provocar pelo texto de Êxodo, necessário. As leis existentes hoje no mundo que regem o capitalismo, a economia de mercado ouve o clamor do povo oprimido ou está a serviço do capital e do lucro, que se alimenta com o sofrimento das trabalhadoras e trabalhadores, das desempregadas e desempregados, das viúvas, dos órfãos, dos pobres, dos migrantes, das marginalizadas e marginalizados?

Como as Dioceses, Paróquias, as Comunidades Eclesiais de Base ouvem, acolhem e cuidam dos que sofrem com toda essa situação?

Como cada mulher e cada homem ouve, acolhe e cuida dessas pessoas?

Conforme Êxodo, Deus ouve o clamor “Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos. Por isso, desci para libertá-lo” (Ex 3:7).

O Evangelho, em Jerusalém, últimos dias de Jesus, a pouco de sua entrada na cidade, momento em que foi aclamado como filho de Davi, e como no Evangelho dos domingos anteriores, continua as controvérsias entre Jesus e os saduceus, os fariseus e os herodianos, grupos religiosos, sociais e políticos daquele tempo, que já fizeram as suas escolhas, rejeitam a proposta de Jesus, para eles a proposta de Jesus não vem de Deus e deve ser rejeitada e Jesus deve ser denunciado, julgado e condenado e para conseguir procuram argumentos de acusação contra Jesus e novamente arma uma cilada, a elite injusta da época forma um complô político-religioso para eliminá-lo. Uma elite corrupta que usa o nome de Deus para condenar e matar o próprio Filho de Deus. Ao perguntar a Jesus qual é o maior mandamento da Lei, os doutores da lei procuram demonstrar que Jesus não sabe interpretar as Leis do Pentateuco e que, portanto, não é digno de crédito. Diz a narrativa do Evangelho “Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" Jesus respondeu: "'Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!' Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: 'Amarás ao teu próximo como a ti mesmo'”. Jesus simplifica e concentra toda a Lei no amor a Deus e ao próximo, resume a essência e o espírito da vida humana no ato de amar a Deus com entrega total de si mesmo, e amar ao próximo como a si mesmo. Jesus conclui, seguindo a narrativa “Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos", para Jesus, o Antigo Testamento só tem sentido se entendido à luz do amor a Deus e ao próximo.

Os grupos religiosos, sociais e políticos daquele tempo, rejeitam a proposta de Jesus, e na segunda leitura, Paulo manifesta sua alegria pela comunidade que, ainda jovem, segue o caminho de Jesus, mesmo com a hostilidade provocada pela oposição dos judeus e pela tensão entre as e os cristãos e as autoridades da cidade. Faz parte da dinâmica do Evangelho a alegria e o sofrimento. Essa comunidade que vive na alegria e na dor, percorre o caminho do amor e do dom da vida e o exemplo da vivência comunitária geraram frutos em outras comunidades do mundo. O Evangelho quando acolhido na alegria, apesar do sofrimento e da perseguição tona-se um dinamismo concreto de vida e de salvação. Paulo, dá exemplo, ele reconhece que a evangelização da comunidade é graça do Espirito Santo, não mérito dele e assim proclama que Deus é o Senhor da história e quem evangeliza é um instrumento da ação de Deus. Deixar provocar por esta comunidade, por São Paulo pelo Evangelho, é preciso.

Em Jesus Cristo o amor a Deus e o amor ao povo se tornam seu modo de viver; Jesus ouve e ensina a vontade do Pai cumprindo-a com fidelidade e amor filial. “Amar a Deus” é, na perspectiva de Jesus, estar atento, ouvir e concretizar na vida, o projeto de Deus, que é misericórdia com as pessoas que sofrem. Jesus faz da vida uma entrega de amor a todas irmãs e irmãos, até ao dom total de si mesmo. Trata-se de um amor sem limites, sem medidas e que não faz distinção entre bons e maus, amiga/os e inimiga/os.

Deixar provocar, é preciso. Conforme o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor a Deus passa pela escuta da sua Palavra, pelo acolhimento das suas propostas e pela obediência total aos seus projetos: para cada pessoa, para a Igreja, para as Comunidades Eclesiais de Base e demais comunidades e para o mundo. Jesus era peregrino e deixou o testemunho que o amor as irmãs e aos irmãos passa por prestar atenção a cada mulher, a cada homem com quem cruza pelos caminhos no dia a dia da vida, seja pobre ou rico, branco ou negro, do mesmos pais ou estrangeiro. O amor as irmãs e aos irmãos, como ensina o Papa Francisco é partilhar das “alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Gaudium et Spes,01). Nos dias atuais, o mundo está a gritar: que precisa de redescobrir o amor, a solidariedade, o serviço, a partilha, o dom da vida.

Dia de Oração pela Paz!

O Papa Francisco convocou o mundo todo a um Dia de Oração pela Paz. O dia 27 de outubro foi escolhido pelo Pontífice para unir os povos, católicos, cristãos de todas as denominações e todas as mulheres e homens de boa vontade, em oração implorando que cessem as guerras e a violência.

Senhor Deus,
Pedimos para que cessem as guerras e a violência que gera sofrimento; medo; morte e destruição. Que as crianças; idosos; jovens; mulheres e homens feridos pela guerra e pela violência sintam sua presença, e a elas e em seus países chegue ajuda humanitária. Que todos os povos e nações estendam a mão em solidariedade e oração a irmãs e irmãos que sofrem. Que os líderes mundiais promovam a paz e a justiça e o fim da guerra e da violência e que toda a humanidade anda em Teus caminhos, e acolhe Senhor os que morreram. Amém.

O Papa: com que paciência o povo de Deus suporta os maus-tratos do clericalismo

A lista de preços dos sacramentos

"quando os ministros "excedem em seu serviço e maltratam o povo de Deus, desfiguram o rosto da Igreja, arruínam-na com atitudes machistas e ditatoriais"

"É doloroso encontrar em alguns escritórios paroquiais a 'lista de preços' dos serviços sacramentais como em um supermercado. Ou a Igreja é o povo fiel de Deus em caminho, santo e pecador, ou acaba sendo uma empresa de vários serviços, e quando os agentes pastorais tomam esse segundo caminho, a Igreja se torna o supermercado da salvação e os sacerdotes simples funcionários de uma multinacional".


Clericalismo "chicote" e "flagelo

Esse é o "grande fracasso" ao qual o clericalismo leva. Igual amargura, ou melhor, “dor”, o Papa expressa por aqueles "jovens sacerdotes" que se veem nas lojas de alfaiataria eclesiástica "experimentando batinas e chapéus ou vestidos com rendas". "Chega", diz ele, "isso é realmente um escândalo.

O clericalismo é um chicote, é um flagelo, uma forma de mundanismo que suja e danifica a face da esposa do Senhor, escraviza o santo povo fiel de Deus".

Leia a íntegra AQUI

24 outubro, 2023

O Anjo Exterminador (1962), de Luis Buñuel

"Filme de Luis Buñuel que se chama O anjo exterminador. Nele, vemos um grupo de burgueses que vai para uma espécie de salão de recepção e simplesmente não consegue mais sair. Não há nenhum impedimento físico, nenhuma restrição, a não ser aquela vinda de suas próprias vontades. Quando tentam sair eles subitamente param, perdem a força de vontade e permanecem paralisados. A impotência vai até o desespero, cenas de violência e degradação aparecem, até que, da mesma forma como foi natural entrarem no salão, eles saem."


 

O suicídio de uma nação e o extermínio de um povo. Artigo de Vladimir Safatle

"O Hamas não será destruído porque ele tem um sócio que precisa dele para sobreviver, e esse sócio é Benjamin Netanyahu", escreve Vladimir Safatle.

Existe um sintoma fundamental na ordem geopolítica mundial. Trata-se do conflito palestino. Ele é como o filme de Buñuel: diante dele todos param e preferem nada fazer, até que explode algo terrível, como os ataques perpetrados pelo Hamas semana passada, e seguem-se ações que têm, no fundo, um só objetivo, a saber, continuar a não fazer nada de real, continuar a não procurar abrir caminho algum para resolver o conflito. A reação consiste apenas em mobilizar porta-aviões, exército, discursos de força, catástrofes humanitárias para esconder o dado elementar: a comunidade internacional não está disposta a resolver problema algum na Palestina.

Leiam a íntegra, clique AQUI

20 outubro, 2023

29º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Reflexão: - Domingo, 22 de outubro de 2023

29º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Leituras:

Is 45,1.4-6
Sl 95(96),1.2a.3.4-5.7-8.9-10a.c (R. 7ab)
1Ts 1,1-5b
Mt 22,15-21


A liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum, Jesus é confrontado pelos poderes religiosos na figura dos fariseus e pelos poderes políticos na figura dos herodianos. A liturgia leva a refletir a relação entre as realidades de Deus e as realidades do mundo e de perceber, a ação de Deus na história, Deus é único Senhor da história e da vida de cada pessoa.

A primeira leitura, mostra o profeta Isaías no final do tempo do exílio quando o rei Ciro autoriza a volta das e dos exilados. Sobre o comando do rei Ciro, no ano de 539 a.C., o Império Persa derrota o Império opressor babilônico e logo a vitória, é promulgado o decreto - édito de Ciro, que concede aos judeus exilados o retorno à Jerusalém. O texto inicia assim “Isto diz o Senhor sobre Ciro seu Ungido”, portanto Deus escolheu Ciro, derramou sobre ele o seu Espírito e concedeu-lhe poder, para que ele, desempenhando a sua missão real, se tornasse seu instrumento de libertação. Deus age na história, para realizar o seu projeto, serve da história dos povos, chegando a tomar um rei pagão para revesti-lo com a função de messias (ungido), própria dos reis de Israel. O Senhor age na história e na vida de seu povo, e eles leem no gesto de Ciro um gesto de Deus, que abre as portas e não deixa fechar os portões, para que todas e todos saibam de sua pertença a Deus, a origem de tudo é Deus, ninguém é propriedade de ninguém, a humanidade é filha de Deus.

É preciso compreender, mesmo diante dos acontecimentos do nosso tempo; mesmo quando parece que Deus mantem-se em silêncio; mesmo sem saber para onde é que a história conduz; mesmo diante da crueldade dos que destrói a natureza; inventam esquemas de destruição e de morte; produz a guerra; produz à miséria, a exploração e a injustiça, é preciso compreender que Deus continua intervindo na história, não de forma mágica, Deus atua no mundo com simplicidade e discrição, através de pessoas, muitas vezes pessoas limitadas, simples, pecadoras, a quem Ele chama e a quem Ele confia uma missão. Quem recebe o chamado precisa estar disponível, para acolher esse chamamento e para aceitar ser instrumento de Deus na história, na construção de um mundo novo.

Na segunda leitura, Paulo vai dizer aos Tessalonicenses "sois do número dos escolhidos”. Quem eram os Tessalonicenses, para quem Paulo escreve, eram os mais pobres de Tessalônica e Paulo vai diz a eles "sois do número dos escolhidos" por força do Espírito Santo. O exemplo da comunidade cristã de Tessalônica, com a catequese iniciando, leva ao questionamento, apesar de um ambiente hostil, abraçou com entusiasmo o Evangelho e concretizou a proposta de Jesus na vida do dia a dia, através da fé, do amor e da esperança.

O Evangelho, Jesus em Jerusalém, onde acontece confronto direto com as autoridades religiosas e políticas. Os dirigentes judeus nas suas certezas e preconceitos, recusam a acolher a proposta do Reino e Jesus procura levar os dirigentes a consciência de que, ao recusar o Reino, estão a recusar a oferta de salvação que Deus lhes faz. Nos últimos três domingos as parábolas contadas por Jesus relatam esse confronto. A primeira parábola dos dois filhos, o que disse sim, mas que não foi trabalhar no campo e o que disse não e foi (cf. Mt 21,28-32); na segunda, a dos vinhateiros maus que foram capazes de matar o filho (cf. Mt 21,33-46); na terceira, os convidados para o banquete que rejeitaram o convite (cf. Mt 22,1-14). No Evangelho desse 29º Domingo do Tempo Comum, Jesus é confrontado pelos poderes religiosos na figura dos fariseus e pelos poderes políticos na figura dos herodianos, eles armam cilada para Jesus com intuito de acusa-lo publicamente. Os conflitos porque eles tinham uma imagem de um Deus vingador, e Jesus vem e revela um Deus terno, compassivo e misericordioso, que se coloca junto aos pobres, marginalizados, os fracos, acolhendo a todas e a todos e libertando. Jesus nunca praticou maldade e nunca quis poder.

O texto de Mateus diz que "Os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus", quem eram os fariseus, eram um grupo de líderes religiosos do povo judeus, conhecedor da lei, eram pessoas que parecem uma coisa por fora, mas por dentro são outra e eles fazem um plano, movido pela maldade, como hoje, quantos planos de maldade acontecendo.

Os fariseus não aceitavam a dominação romana, embora não se manifestavam para sobreviver e os herodianos apoiavam Herodes, o império romano, a dominação e fizeram uma aliança, um acordo para pegar Jesus e foram até Jesus e disseram "Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências", assim se dá o agir da traição, elogiam Jesus, um elogiar cheio de ironia, uma armadilha.

Eles perguntam a Jesus "É lícito ou não pagar imposto a César?" Esse imposto já era um sinal da dominação, os judeus tinham que pagar esse imposto a César, que com o valor do imposto, mantem sua segurança, seu luxo, seus caprichos, e o povo passava necessidade, tinha que pagar o imposto, não havia saída, quem não pagava o imposto, o exército romano prendia. Perguntam a Jesus se é lícito ou não pagar a César o imposto. Se a resposta de Jesus fosse não, o exército viria e o prendia, se Jesus respondesse sim, o povo não iria compreender e até acharia que Jesus fosse igual aos outros, más "Jesus percebeu a maldade deles e disse: "Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha?

No templo não podia entrar a moeda do imposto porque era uma moeda romana, havia na moeda a face do César, imperador de Roma, não diferente de hoje, se acha, domina e até fala em nome de Deus, e Jesus vai dizer "Mostrai-me a moeda do imposto!", levaram a Jesus uma moeda e Jesus pergunta "De quem é a figura e a inscrição desta moeda? Eles responderam: "De César". Jesus então lhes disse: "Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus".

Jesus não cai na armadilha, manda devolver a César o que é de César, devolver sua exploração; sua dominação; sua arrogância; sua autossuficiência; sua injustiça, e para os dias de hoje podemos incluir Fake News. E Jesus diz, devolver a Deus o que é de Deus, a vida. Não se tira a vida de nenhuma pessoa, porque a vida de cada pessoa é de Deus, portanto não se tira a dignidade, não tira a alegria, a esperança. A vida de ninguém não pode ser maltratada e tirada.

Havia na moeda de Roma a imagem de César, que seja dada a César. A humanidade tem a imagem de Deus, conforme livro de Gênesis, Deus criou à sua imagem a mulher e o homem, portanto, a humanidade pertence somente a Deus e deve reconhece-lo como o seu único Senhor. A preocupação de Jesus é a de deixar claro que a mulher e o homem só pertencem a Deus e deve entregar toda a sua vida nas mãos de Deus.

É preciso compreender, que entregar a vida nas mãos de Deus, não é omissão diante das injustiças. Deus chama e conta com a mulher e o homem na construção de seu projeto; na construção de um mundo justo e fraterno. São muitas as vidas ceifadas; são muitas as vidas maltratadas; são muitas as vidas exploradas; são muitas as vidas diminuídas na sua dignidade, cada mulher e cada homem devem sentir o grito que vem da terra; o grito que vem da natureza; o grito das crianças; o grito das mulheres; o grito dos homens; o grito dos idosos; o grito das juventudes; o grito da violência doméstica; o grito que vem da guerra e da violência com armas; o grito das e dos excluídos e marginalizados, gritos esses presentes no mundo. Deus chama as mulheres e os homens de todas as idades a lutar contra todos os sistemas que, na Igreja ou na sociedade, atentem contra a vida e a dignidade de qualquer pessoa e de toda criação.

Oração pela Paz!

Oração pela Paz!


“Senhor Deus da Paz, escuta a nossa súplica!

Dá-nos a paz, ensina-nos a paz, guia-nos para a paz.

Abre os nossos olhos e os nossos corações

e dá-nos a coragem de dizer: «nunca mais a guerra!».

Infunde em nós a coragem de realizar gestos concretos

para construir a paz.

Senhor, Deus Amor que nos criaste

e nos chamas a viver como irmãos,

dá-nos a força para sermos cada dia artesãos da paz;

dá-nos a capacidade de olhar com benevolência

todos os irmãos que encontramos no nosso caminho.

Mantém acesa em nós a chama da esperança

para efetuar, com paciente perseverança,

opções de diálogo e de reconciliação,

para que vença finalmente a paz.

Senhor, desarma a língua e as mãos,

renova os corações e as mentes,

para que a palavra que nos faz encontrar

seja sempre «irmão», e o estilo da nossa vida

se torne: shalom, paz, salam! Amém.



Papa Francisco
(Invocação pela Paz, Jardins do Vaticano, 8 de Junho de 2014)

19 outubro, 2023

Dia Nacional da Juventude - Arquidiocese de Maringá

Dia Nacional da Juventude
29 de outubro na Arquidiocese de Maringá
A Paróquia Bom Pastor, na cidade de Mandaguari, acolherá o DNJ


Programação:
13h30 - início na igreja matriz com acolhida e animação.
14h30 - caminhada em direção ao ginásio do colégio Sagrada Família, onde haverá a Santa Missa presidida por Dom Frei Severino Clasen, e posteriormente, apresentações musicais.

Previsão de término às 19h.
Levar lanche para a partilha.

As inscrições gratuitas, clique aqui

13 outubro, 2023

28º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Reflexão: - Domingo, 15 de outubro de 2023

28º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Leituras:
Is 25,6-10a
Sl 22(23),1-3a.3b-4.5-6 (R. 6cd)
Fl 4,12-14.19-20 ou mais breve 22,1-10
 Mt 22,1-14



A liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum utiliza a imagem do "banquete" para descrever esse mundo de comunhão, diálogo, intimidade, alegria, amor e abundância eterna que Deus quer oferecer a todas suas filhas e a todos os seus filhos. Nos últimos três domingos, as parábolas tinham a imagem da vinha, para 28º Domingo do Tempo Comum, o banquete, sinal de festa.

O profeta Isaías anuncia um farto banquete que Deus prepara e oferece a todos os povos e para quem participa, é vida e vida em abundância. O evangelho legitima o anuncio do texto de Isaías e alerta sobre as consequências de não aceitar o convite e ou de não se comprometer em sua totalidade. Paulo dá o testemunho, aceitou em sua totalidade o convite de Deus, levou os filipenses e outras pessoas a participação no banquete do Senhor.

Na primeira leitura, o texto diz que o Senhor, dará no monte que refere a cidade de Jerusalém “um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro”, vinho é símbolos dos dons de Deus, como o amor, a paz e a alegria. Para o profeta, serão tempos de comunhão total de Deus com a mulher e o homem e da mulher e do homem com Deus. Dessa intimidade entre Deus e a mulher e o homem resultarão, para a mulher e para o homem, a felicidade total, a vida verdadeira e plena. É um novo mundo de felicidade e vida em abundância, equivalente ao Reino dos céus anunciado por Jesus.

No evangelho, Jesus em Jerusalém, nos dias que antecedem a Páscoa, continua falando em parábola, conforme o evangelho dos últimos domingos. Fala aos sumos sacerdotes e aos anciões do povo, dando reposta ao questionamento de sua autoridade de ensinar no templo. Os dirigentes religiosos, que em suas certezas e seguranças, já decidiram que a proposta de Jesus não vem de Deus, por isso, rejeitam o Reino que Jesus anuncia, e aumenta por parte deles a pressão sobre Jesus.

Na parábola que Jesus conta, o Reino é comparado a uma festa de casamento para todas e todos, os empregados foram chamar os convidados e eles não aceitaram, então o rei, envia outros empregados, mas “os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram”, não aceitam o convite que Deus os convocava para uma nova aliança, simbolizada pela festa de casamento, os que rejeitam o convite são os que se apegam ao sistema religiosos que defende seus interesses. Ao saber do ocorrido o rei diz aos seus empregados “ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes. Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons”, e convidaram bons e maus, porque Deus não exclui ninguém, todas e todos são convidados, e foram às encruzilhadas dos caminhos e quem são os que se encontram nas encruzilhadas, os que o sistema exclui, marginaliza, são os que não comprometeram com o sistema injusto. Esses aceita o convite, a aliança oferecida por Deus é formada com os pobres, marginalizados, excluídos, com as e os que não se deixaram corromper pelo sistema injusto.

É preciso ficar atento, diz o evangelho que quando o rei entrou para ver os convidados, observou um homem que não estava usando o traje da festa, e perguntou, amigo como entraste aqui sem o traje da festa, e o homem foi jogado para fora, como os que se apegam ao sistema religiosos que defende seus interesses e destruídos juntamente com o sistema que defendem.

Muitos são chamados e poucos escolhidos, o chamado exige mudança e conversão, não falsa segurança, é preciso o traje da festa, Mateus diz, o traje da festa é a partilha; a prática do amor. É viver as bem-aventuranças, traje da justiça; o traje da misericórdia; o traje da compaixão.

São Paulo que recebia ajuda apenas da comunidade de Filipenses disse, fizeste bem em compartilhar as minhas dificuldades. As nossas comunidades precisam refletir o que disse Paulo, as comunidades precisam, ser espaços de acolhida e partilha.

Precisamos compreender, quem diz ser cristã e cristão mas não veste o traje da festa, é a favor da pena de morte e do aborto; trama contra outras pessoas para defender seus interesses particulares; que ajuda a criticar e condenar os outros; com sua fala destrói os outros; se alegra com a desgraça do outro; é inferente ao sofrimento no mundo; despreza e exclui pobres, moradores em situação de rua, encarcerados, povos indígenas - quilombolas e ribeirinhos, idosos, membros da comunidade LGBTQIA+, pessoas com deficiências físicas ou intelectuais, dependentes químicos, essas e esses não está com o traje da festa e será colocado fora, na escuridão, sem esperança.

O que dá esperança é muitas vezes a fragilidade, a incerteza, a fraqueza, Paulo vai dizer tudo posso naquele que me dá força. Muitas e muitos são alvos de maldades; de injustiças, e diante de tantos interesses pessoais; interesses na Igreja; interesses políticos; interesses econômicos; interesses e interesses, é preciso vestir o traje da festa, esse traje não se compra, não se encontra em lojas, em shopping, o traje é a justiça e compaixão, de amor aos pobres; perseguidos; fracos e pequenos.

É preciso perguntar-se:

- Eu estou com a veste da festa? Sou espaço para celebrar a festa que Deus oferece?

- As famílias; às Comunidades Eclesiais de Base; as paróquias estão com a veste da festa? Estão sendo espaço para celebrar a festa que Deus oferece?

O apelo de Jesus é: aceite o convite, e haverá alegria de partilhar e festejar, e como o salmista cantar a certeza “Na casa do Senhor habitarei, eternamente”.

11 outubro, 2023

Jesus nos deu Maria como mãe na cruz!

Dia de Nossa Senhora Aparecida



Jesus nos deu Maria como mãe na cruz!


Nossa Senhora Aparecida que é chamada de tantos nomes, nomes dados pelo povo, pelas nações, más é sempre a mesma, Maria, a mãe de Deus e nossa mãe. Nossa Senhora nos ama porque somos suas filhas e filhos, e Jesus nos deu Maria como mãe na cruz.

Em solidariedade para com as e os escravos que sofriam com a escravidão e com todas e todos empobrecidos, Nossa Senhora tornou-se negra, não foi apenas pelo lodo e pala fumaça das velas, negra sim, por solidariedade com as e os oprimidos, em solidariedade as negras e negros que no ano de 1717, ano em que a imagem foi encontrada, era a maioria da população brasileira.

Quem a encontrou, não foram aquelas e aqueles que se achavam importantes, mas por pobres pescadores. Nossa Senhora negra e pobre, não podemos deixar de ver a pobreza dela e nela em sua imagem, penso que enfeitaram demais a imagem de Nossa Senhora a ponto de muitos ao ver sua imagem não enxergar sua pobreza.

Nossa senhora expressa o protagonismo feminino na história do povo de Deus e a predileção de Deus pelas pessoas humildes e marginalizadas, escolhidas para fazer grandes coisas em favor do seu povo e de toda a humanidade.

Na solenidade de Nossa Senhora Aparecida, a liturgia é toda voltada à Maria, mãe de Deus, recordando o protagonismo feminino na história do povo de Deus.

No Livro de Ester, o exemplo de uma mulher atenta às necessidades do seu povo ameaçado de extermínio, Ester intercede ao rei, pedindo vida para si e para seu povo “concede-me a vida - eis o meu pedido! - e a vida do meu povo - eis o meu desejo!".

No Livro do Apocalipse, que foi escrito em tempo de muita perseguição em uma linguagem simbólica, vai buscando encorajar o povo no sofrimento e fala do sinal que está no céu “uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés

e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações”, ela é perseguida pelo dragão, pelas forças do mal, o dragão que quer devorar a criança, quer devorar a esperança, que quer devorar o novo, mas a mulher resiste.

No Evangelho de João a presença ativa da mãe de Jesus no início de seu ministério; sensível e solidária às necessidades do próximo e confiante na palavra de Jesus, ela participa da realização do seu primeiro sinal. O novo que o dragão do Apocalipse quer devorar o Evangelho de João revela que o novo é o amor de Deus que nos transforma.

O Evangelho fala houve um casamento em Caná da Galileia, na bíblia o casamento quer dizer a união de Deus com o povo, o amor de Deus pelo povo. Deus ama seu povo como o noivo ama sua noiva. A mãe de Jesus estava presente e no casamento faltou vinho, na bíblia vinho significa o amor, então nesse casamento estava faltando amor que é o principal no casamento, não havia vinho, não havia amor.

Em nenhuma parte do texto fala da nova e do noivo, porque o casamento é de Deus com o povo e nesse casamento não tem mais vinho, não tem mais amor e Maria vai dizer, eles não têm vinho, esse casamento de Deus com o povo não tem amor e Jesus vai dizer “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”, a hora de Jesus é a cruz.

Jesus chama sua mãe de mulher, no Evangelho de João, algumas vezes, algumas personagens são chamadas de mulher, isso significa, as esposas, aquelas que aceitam as vontades de Deus, e a Mãe de Jesus vai dizer aos que estavam servindo "Fazei o que ele vos disser". O casamento de Deus com o povo se dá na aliança "Fazei o que ele vos disser".

Na bíblia a perfeição é o sete e havia seis talhas de pedra, seis quer dizer imperfeito, incompleto, e elas estavam vazias e cada uma delas cabiam cem litros de água, os judeus faziam purificação com a água, nos ritos dos judeus havia os puros e impuros, os que cumpriam a lei eram puros e os impuros os que não cumpriam a lei, e o casamento desse Evangelho não tinha vinho, não tinha amor e sem amor não em como cumprir a lei.

Jesus pede para ““Enchei as talhas de água". Encheram-nas até a boca. Jesus disse: "Agora tirai e levai ao mestre-sala"’. A palavra designada a mestre sala é uma palavra grega semelhante a palavra que quer dizer autoridade religiosa. As autoridades não são capazes de reconhecer o vinho, o “mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: "Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!", sempre é servido primeiro o vinho bom e quando os convidados já estão embriagados serve o vinho menos bom, quando se domina as pessoas, não precisa de muito para continuar dominando, por isso eles não sabia que água era aquela e que vinho era aquele.

O novo que Jesus apresenta, a novidade de Deus é o amor, é o vinho do casamento, o casamento sem vinho é a aliança sem amor, que não aceita o amor de Deus, a vida que Deus comunica e que nos transforma, por isso o texto vai dizer “Este foi o início dos sinais de Jesus.”.

Jesus traz uma nova aliança, não baseada na lei, mas vivida no amor, Jesus traz uma nova proposta que é vinho, portanto amor, que alegra e que liberta, é amor que nos humaniza, que nos faz pessoas humanas verdadeiras, que nos tira do jugo da lei e nos faz livre para vivermos o amor que conduz para a vida.

O Evangelho nos fala que Deus quer nos libertar de toda a escravidão, de tudo que oprime, que desumaniza, que joga a margem. Deus quer que nossa união com Ele seja de esperança de alegria, de vida e liberdade, Deus não quer que tenhamos medo Dele, no antigo testamento Deus tinha prometido 50 maldições para quem não segue sua lei e Jesus vem e propõe, uma única bem aventurança, a bem aventurança de amar com liberdade e de sentir libertados, não ter medo, mas amar, o que transforma a vida é o amor.

Nossa Senhora é a luz que nos orienta e que nos faz reconhecer Jesus, nos faz ver Jesus e nos faz fazer o caminho de seguir Jesus, ela veio para nos dizer que nossa vida tem que mudar da água para o vinho, para anunciar que o dragão não vai comer nossa esperança, que nenhuma maldade pode destruir nossos sonhos e a nossa busca de solidariedade e fraternidade. Maria mãe quer a partilha do pão para todas e todos e que diz partilhe o pão também com suas irmãs e irmãos, Nossa Senhora nos mostra o inverso das coisas, nos aponta que todas e todos são filhas e filhos de Deus, portanto somos todas irmãs e irmãos.

Esse é o desafio de todos nós, de não nos contaminar pelo vício do poder, Nossa Senhora nos aponta para olharmos pelos mais fracos, e termos resistência e perseverança para diante dos que usam o poder para destruir, a prepotência para dominar, nós mantermos a fé, manter a fé é resistir, é ter esperança, é construir esperança. Todas às vezes que nós resistimos ao individualismo, ao egoísmo, a prepotência nós estamos fazendo um ato de fé.

Celebrando também hoje o dia das crianças, nesse mundo capitalista, na lista dos presentes que as crianças querem ganhar esta iphone, tablet, cada vez quer mais e mais, vivemos num mundo do consumismo que leva a querer tanta coisa e depois nem usa, não precisa. No dia da criança, estamos vivendo violência contra a criança. Que Nossa Senhora Aparecida nos ajude a educar nossas crianças na fé, não impondo a elas a fé, e sim, vivendo nossa fé coma elas.

Que por interseção de Nossa Senhora, o nosso Deus abençoe todas as crianças, o Brasil e todas as nações, para que haja a vivencia do amor que gera fraternidade, paz e justiça.


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Quinta-feira, 12 de Outubro de 2023
Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida, Solenidade, Ano A
27ª Semana do Tempo Comum
Leituras:
Est 5,1b-2;7,2b-3
Sl 44(45),11-12a.12b-13.14-15a.15b-16 (R. 11.12a)
Ap 12,1.5.13a.15-16a
Jo 2,1-11 (Bodas de Caná)



09 outubro, 2023

Pela paz em Israel, na Palestina e a martirizada Ucrânia!

Rezemos juntos como Papa Francisco,
Pela paz em Israel, na Palestina e a martirizada Ucrânia!



Rezemos juntos como Papa Francisco,

Pela paz em Israel, na Palestina e a martirizada Ucrânia!

“parem as armas, o terrorismo e a guerra não levam a nenhuma solução. (...) A guerra é uma derrota: toda guerra é uma derrota!”. Em relação ao que está ocorrendo em Israel “a violência explodiu ainda mais ferozmente, causando centenas de mortos e feridos”.

"Expresso a minha proximidade às famílias das vítimas, rezo por elas e por todos aqueles que vivem horas de terror e angústia. Por favor, parem com os ataques e as armas! e se compreenda que o terrorismo e a guerra não levam a nenhuma solução, mas apenas à morte e ao sofrimento de muitas pessoas inocentes".

"Não nos cansemos de invocar, por intercessão de Maria, o dom da paz sobre os numerosos países do mundo marcados por guerras e conflitos; e continuemos a recordar a querida Ucrânia, que todos os dias sofre tanto, tão martirizada".

06 outubro, 2023

27º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Reflexão: Domingo, 8 de Outubro de 2023

27º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Leituras:
Is 5,1-7
Sl 79(80),9.12.13-14.15-16.19-20 (R. Is 5,7a)
Fl 4,6-9
Mt 21,33-43




A liturgia do 27º Domingo do Tempo Comum utiliza a imagem da "vinha" para falar de quem se coloca a serviço de Deus por amor a Ele. Desse Povo, o Senhor exige frutos de amor, de paz, de bondade, de misericórdia e de justiça.

Profeta sempre fala de acontecimentos concretos e aponta a realidade da vida, dos problemas, das inquietações, das esperanças das mulheres e dos homens do seu tempo.

Deus chama o profeta Isaías a pronunciar-se. Na época da profecia de Isaías logo no início, em sua primeira fase, parecia tudo correr bem, na política e na religião, más o profeta Isaías vê uma realidade diferente, a sociedade está marcada por injustiças e arbitrariedade, exploração dos menos favorecidos pelos poderosos; a cobiça domina e inventam esquemas legais para apropriar dos bens dos mais pobres; uma vida de luxo num desrespeito pelas necessidades dos mais pobres. Em termos religiosos cultos com práticas de piedade e de abundantes manifestações religiosas não verdadeiras, incoerente, sem uma adesão a Deus. Jerusalém deixou de ser fiel, a “vinha” cuidada por Deus só produz frutos ruins e não bons.

Em tão poético, um canto, o profeta diz que, Deus não pode pactuar com este esquema e prepara-Se para abandonar essa "vinha" ingrata, essa amada infiel. “Pois bem, a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação; eu esperava deles frutos de justiça — e eis injustiça; esperava obras de bondade — e eis iniquidade.”. O profeta desmascara a injustiça e a aplicação corrupta da lei que, ao invés de trazer justiça, resulta em clamor para o oprimido.

Importante o entendimento, que é uma história de amor a parábola da vinha. Um Deus, que por amor liberta o seu povo da escravidão, que o conduz para a liberdade, que protege nos caminhos da história indicando em direção a justiça, a paz, a felicidade. Essa história de amor não terminou, continua hoje, o mesmo Deus continua a dar seu amor, sua misericórdia e direção para realização da justiça, paz, fraternidade e amor.

Para compreendermos o texto do Evangelho, importante perceber as narrativas no capítulo 21 do Evangelho de Mateus. Logo no início do capítulo Mateus narra que Jesus entra em Jerusalém e acontece conflito com os chefes do povo, fato que se deu porque no templo Jesus expulsa os vendedores (Mt 21,12-13). Em seguida a figueira que não produziu frutos (Mt 21,18-22). Depois, a parábola dos dois filhos e o debate de Jesus com as autoridades sobre o batismo de João (Mt 21,23-27), e para o 27º Domingo do Tempo Comum, a parábola da vinha. Nesse capítulo 21 de Mateus, os conflitos vão aumentando e para as autoridades cada vez mais Jesus vai incomodando.

Jesus não acusa a vinha de não produzir uva, como o texto de Isaías, e sim os vinhateiros, os responsáveis pela produção. Para entender, o dono da vinha é Deus, os arrendatários os chefes do povo, a vinha é o povo que deve ser conduzido. Jesus não acusa a vinha, isto é, o povo, de não produzir frutos, mas acusa diretamente os que são responsáveis pela produção deste mesmo povo. Quem sonega e desviam o fruto são os arrendatários, que oprime, explora o povo, e são capazes de mentir, perseguir e matar. O próprio Jesus ao ir para a colheita foi jogado fora, como meio, de impedi-Lo de destruir um sistema corrupto, opressor e injusto, sistema que prendia a consciência do povo e garantia o lucro para os grandes, manipulava a religião e até o nome de Deus. Dos muros de Jerusalém Jesus foi jogado no monte do Calvário e crucificado, “Jesus sofreu sua paixão fora de Jerusalém, quando purificou o povo com o seu próprio sangue. ” (Hebreus 13,12). Devido a dureza do coração das pessoas, dos vinhateiros que a vinha lhes foi tirada e entregue aos que acolhem o anúncio do Reino e dá frutos, os pagãos, já que as autoridades do povo não foram capazes de acolher o Reino. “Então Jesus lhes disse: "Vós nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”.

É preciso entender e acolher a mensagem, para o hoje, da parábola. Onde estão os frutos de justiça no Brasil e no mundo? Qual o interesse que movem os governantes? Olhemos também para dentro de nossas Igrejas. Precisa ficar bem claro que fazer parte da vinha de Deus é uma missão, que requer compromisso, para produzir frutos de amor e justiça.

Na segunda leitura Paulo fala a comunidade filipenses e a todas e todos que fazem parte da vinha de Deus a viver, a ocupar “com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude”. Com o salmista elevemos uma prece “Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo, e sobre nós iluminai a vossa face!”.

05 outubro, 2023

6 coisas que você precisa saber o Sínodo da Sinodalidade

Publicado pelo CEFEP, por Franklin Machado, 04/10/2023


Nesta quarta-feira, 04 de outubro, tem início a XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo, em Roma, onde os bispos e outros participantes se reúnem para recolher os frutos dos processos prévios de escuta das etapas locais e continentais. Para te ajudar a entender e melhor acompanhar o andamento da Assembleia, preparamos seis respostas de possíveis dúvidas que você, sua família e comunidade precisam saber sobre o Sínodo:



1 – O que é um Sínodo?

É uma reunião de fiéis para ouvir o que o Espírito Santo diz à Igreja e pede que ela seja e faça. Este encontro pode envolver os fiéis de diversas maneiras: os párocos com os leigos, os bispos com os outros ministérios ordenados e o Papa com os bispos. A palavra sínodo vem do grego ‘synodos’, que significa “caminhar juntos”. Oferece uma imagem da Igreja como povo peregrino, que cresce e se desenvolve num caminho de fé. Uma imagem muito diferente daquela da Igreja como instituição estática.


2 – O que é sinodalidade?

É um estilo, uma cultura, um modo de pensar e de ser, que reflete a verdade de que a Igreja é dirigida pelo Espírito Santo, que permite a cada um oferecer a sua própria contribuição à vida da Igreja. Embora “a sinodalidade expresse a natureza da Igreja, a sua forma, o seu estilo, a sua missão”, a Igreja dos nossos dias carece do hábito e da prática da sinodalidade. Isto é o que o Papa Francisco nos convida a examinar e discernir para o futuro em um esforço coletivo na busca contínua de aprendermos a “caminhar juntos”.


3 – O que o Sínodo da Sinodalidade traz de diferente?

No passado, um Sínodo consistia numa reunião (chamada “Assembleia Geral”) de Bispos em Roma. Este Sínodo consiste em todo o processo sinodal, iniciado com a consulta global de todos os fiéis, incluindo uma Assembleia Geral dos Bispos em Roma, e terminando com a recepção pelo Povo de Deus nas Igrejas locais dos frutos de todo o processo de discernimento. Embora os sínodos anteriores também tenham começado com extensas consultas sob a forma de questionários, esta é a primeira vez que todos foram diretamente convidados a participar num exercício de escuta a nível de paróquias e dioceses.


4 – Onde e quando acontece o Sínodo?

A primeira fase, foi vivida nas dioceses, de outubro de 2021 a março de 2022. No Brasil, após esta fase, as dioceses enviaram suas contribuições à CNBB, responsável por fazer a sistematização brasileira a ser enviada para etapa continental. A segunda fase, a continental, aconteceu entre setembro de 2022 e outubro de 2023, e a terceira, fase da Igreja Universal, com início em outubro de 2023. Esta se celebrará em duas sessões com um ano de diferença: de 4 a 29 de outubro de 2023 e em outubro de 2024, em Roma.


5 – Quem participa do Sínodo?

O Papa Francisco sublinhou em diversas ocasiões a necessidade de o Sínodo envolver todos e ir o mais longe possível. Todas as pessoas batizadas foram explicitamente convidadas a participar, especialmente nas suas comunidades locais, como por exemplo, a partir da etapa diocesana que aconteceu entre os anos 2021 e 2022. Para a Assembleia Geral em Roma, o papa divulgou uma lista com 464 convocados para participação. Destes, 363 com direito ao voto.


6- Brasileiros no sínodo

Ao todo serão 13 brasileiros participando do Sínodo. Entre bispos e peritos, duas mulheres ganham destaque: Maria Cristina dos Anjos da Conceição (Cáritas Brasileira) e Sônia Gomes de Oliveira (presidente do CNLB). Pela primeira vez em um sínodo, 54 mulheres terão direito ao voto, dentre elas, as duas brasileiras.