12 setembro, 2025

#11 de setembro de 2025, não esqueçamos essa data!


O Brasil viveu quase todo o século XX sob a sombra da intervenção militar, ora como sustentação de governos civis, ora como poder direto. O golpe de 1964 e a ditadura que se seguiu deixaram marcas profundas na política, na sociedade e na memória coletiva do país.

O dia 11 de setembro de 2025, não deixemos que seja esquecido, a #Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) #condenou o ex-presidente #Jair Bolsonaro e sete aliados, uma condenação com peso simbólico e consequências políticas, uma decisão histórica num país com largo histórico de golpes e tentativas de golpes lideradas por militares, sempre impunes.

Os #sete aliados condenados junto com Jair Bolsonaro pelo STF, no caso da trama golpista, segundo as informações da Agência Brasil:

- Walter Braga Netto — general, ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice-presidente na chapa de 2022

- Almir Garnier — ex-comandante da Marinha

- Anderson Torres — ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal

- Augusto Heleno — ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)

- Paulo Sérgio Nogueira — ex-ministro da Defesa

- Mauro Cid — ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, delator

- Alexandre Ramagem — ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)


$Bolsonaro e os sete aliados foram condenados pelos crimes de:

- tentativa de golpe de Estado;
- tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- organização criminosa armada;
- dano qualificado pela violência e grave ameaça;
- deterioração de patrimônio tombado

Aqui estão as penas de prisão que caberam a Jair Bolsonaro e aos outros sete condenados pelo STF na trama golpista:

- Jair Bolsonaro 27 anos e 3 meses, em regime inicial fechado;

- Walter Braga Netto 26 anos e 6 meses;

- Almir Garnier 24 anos;

- Anderson Torres 24 anos;

- Augusto Heleno 21 anos (e 6-meses) ou cerca de 21 anos;

- Paulo Sérgio Nogueira19 anos;

- Alexandre Ramagem 16 anos, 1 mês e 15 dias;

- Mauro Cid 2 anos em regime aberto.


Segue as Multas / Dias-Multa, fonte Correio Brasiliense:

- Jair Bolsonaro: 124 dias-multa, sendo cada dia-multa equivalente a 2 salários mínimos.

- Walter Braga Netto: 100 dias-multa, cada dia equivalendo a um salário mínimo.

- Almir Garnier: 100 dias-multa, cada dia equivalente a um salário mínimo.

- Anderson Torres: 100 dias-multa, com valor de um salário mínimo por dia.

- Augusto Heleno: 84 dias-multa, salário mínimo por dia.

- Paulo Sérgio Nogueira: 84 dias-multa, salário mínimo por dia.

- Alexandre Ramagem: 50 dias-multa, salário mínimo por dia.

- Mauro Cid: não consta multa. Ele teve pena reduzida pelo acordo de colaboração.


Outras sanções além da multa e prisão:

Perda de mandato:
Alexandre Ramagem, que era deputado federal, terá o mandato cassado.

Inelegibilidade:
Todos os condenados ficam inelegíveis por 8 anos após o cumprimento da pena.

Perda de patente militar:
Alguns réus que tinham patente (sobretudo militares ou reservistas) perderão suas patentes. Exemplo: Braga Netto e Bolsonaro (que era capitão da reserva) perderão suas patentes militares.

Multa coletiva / indenização por danos aos prédios públicos (Três Poderes):
Foi determinada uma multa/indenização solidária de R$ 30 milhões pelos danos causados nos edifícios do Supremo, Palácio do Planalto, Congresso e Câmara dos Deputados. Essa penalidade é compartilhada entre os condenados. (Fonte Terra)


A Ministra Cármen Lúcia em uma alusão ao histórico de golpes de Estado pelo qual o Brasil passou desde que virou uma República, em 1889 disse "O que há de inédito, talvez, nessa ação penal é que nela pulsa o Brasil que me dói. A presente ação penal é quase o encontro do Brasil com seu passado, com seu presente e com seu futuro".

O Brasil mostrou que o sistema judicial pode ir até o fim contra quem atentar contra a democracia. O julgamento envia um recado não só para os EUA, mas para outros países: líderes que tentem minar eleições ou promover golpes podem ser responsabilizados.

*Quem “esperançar”, transforma*.

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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

11 setembro, 2025

Viva a democracia!

"Pela 1ª vez na história do Brasil, militares de alta patente são responsabilizados por atentarem contra a democracia".

Viva a democracia!
Ex-presidente Bolsonaro e outros sete réus foram considerados culpados pelo golpe, por diversos crimes pelo STF.

Mais de 6,5 milhões de famílias deixaram linha da pobreza em 2 anos

Dados fazem parte de análise do CadÚnico.

Em 2023, o cadastro tinha 26,1 milhões de famílias nessa faixa de renda. Em julho de 2025, a quantidade foi reduzida para 19,56 milhões, diminuição de 25%.

A reportagem é de Bruno de Freitas Moura, publicada por Agência Brasil, 9/09/2025, atualizado em 09/09/2025.


Cerca de 6,55 milhões de famílias deixaram a linha da pobreza nos últimos dois anos. Em termos individuais, essas famílias representam um contingente de 14,17 milhões de pessoas.

A constatação está em uma análise de famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

O CadÚnico considera como linha da pobreza famílias com renda de até R$ 218 por pessoa. Em 2023, o cadastro tinha 26,1 milhões de famílias nessa faixa de renda. Em julho de 2025, a quantidade foi reduzida para 19,56 milhões, diminuição de 25%.

Para o titular do MDS, ministro Wellington Dias, há uma combinação de desenvolvimento econômico e social.

“As pessoas estão saindo da pobreza, seja pelo trabalho ou pelo empreendedorismo", diz.

O cadastro do governo terminou julho deste ano com 41,6 milhões de famílias, o que significa 95,3 milhões de pessoas. O ministério classifica os inscritos no CadÚnico em três faixas de renda mensal por pessoa:

situação de pobreza: até R$ 218
- aixa renda: entre R$ 218,01 e meio salário mínimo (R$ 759)
- renda acima de meio salário mínimo

O CadÚnico funciona como porta de entrada para benefícios do governo, como o Bolsa Família. No caso do programa de transferência de renda, a principal regra para ter direito é que a renda de cada pessoa da família seja de, no máximo, R$ 218 por mês.

Renda familiar

O cálculo da renda familiar por pessoa consiste na soma das rendas individuais dos integrantes da família dividida pelo número de pessoas que formam o núcleo familiar.

No valor da renda individual, além de recursos obtidos por meio do trabalho, entram na conta aposentadoria, pensão, doações e o Benefício de Prestação Continuada (BPC - um salário mínimo por mês ao idoso com idade igual ou superior a 65 anos ou à pessoa com deficiência de qualquer idade).

O levantamento que mostra redução de pessoas abaixo da linha da pobreza foi realizado pela Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único. De acordo com secretário da pasta, Rafael Osório, a diminuição de famílias com renda inferior a R$ 218 por pessoa é explicada por três fatores:

- avanço de programas sociais
- melhoria do mercado de trabalho
- processo de qualificação do CadÚnico, que passou a incorporar automaticamente dados sobre a renda formal dos trabalhadores

Com esse aprimoramento do cadastro, o governo consegue incorporar dados como o recebimento de aposentadoria, por exemplo.

“Com a integração das informações com outras bases de dados, já disponíveis ao poder público, reduzimos a dependência da autodeclaração”, aponta o secretário.

10 setembro, 2025

Palestinos que permanecem na Cidade de Gaza: "Estamos todos mortos aqui. É só uma questão de tempo"

Moradores da capital decidiram ignorar a ordem de evacuação israelense porque não têm para onde ir, nem há espaço na lotada "zona humanitária" de Al Mawasi.

A reportagem é de Beatriz Lecumberri Trinidad Deiros Bronte, publicada por El País, 10-09-2025.


Não há lugar seguro em Gaza; não há espaço sequer para montar uma barraca improvisada na chamada "zona humanitária" de Al Mawasi, no sul da Faixa de Gaza, um estreito deserto costeiro de cerca de dez quilômetros quadrados para onde o exército israelense ordenou que toda a população de sua capital, a Cidade de Gaza, se mudasse. Nesta terça-feira, o porta-voz árabe do exército israelense, Avichay Adraee, emitiu uma ordem final de evacuação da maior cidade do enclave, onde centenas de milhares de pessoas lutam para sobreviver. Apesar disso, Maryam, o nome falso de uma palestina de 40 anos, decidiu ficar. Ela acredita que seu destino e o de sua família estão selados: "Em Gaza, já estamos todos mortos de qualquer maneira: é só uma questão de tempo", diz ela.

Assim como ela, outros habitantes daquela antiga cidade, agora quase reduzida a escombros, decidiram ignorar essa ordem, as ameaças do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e de seu ministro da Defesa, Israel Katz, que chegou a prometer desencadear um "furacão" sobre a cidade, bem como o sinistro alerta imposto atualmente pelo bombardeio contínuo dos prédios residenciais mais altos da capital. Como Maryam, outros palestinos, segundo depoimentos coletados por este jornal, permanecem na capital de Gaza. Eles não sabem o que fazer e não têm para onde ir em um território superlotado, onde até mesmo as áreas designadas como "humanitárias" por Israel têm sido implacavelmente bombardeadas há quase dois anos, o período da invasão israelense.

Maryam explica que, mesmo que concorde com esse novo êxodo que Israel pretende impor a eles, seus seis filhos, com idades entre 4 e 16 anos, não estarão seguros, independentemente de ela deixar sua casa em Gaza ou não. Qual o sentido então, pergunta ela por meio de um aplicativo de mensagens, de tentar encontrar abrigo no sul da Faixa de Gaza, algo que ela descreve como "impossível".

Naquilo que Israel agora redefiniu como a "zona humanitária" de Al Mawasi — uma estreita faixa de litoral sem serviços como água potável — não há espaço para mais ninguém. As Nações Unidas estimam que aproximadamente um milhão de pessoas — 800.000, segundo as autoridades do território governado pelo Hamas — estejam amontoadas em seus cerca de dez quilômetros quadrados.

“É impossível encontrar um espaço para montar uma loja no sul, muito menos um quarto para alugar”, descreve Maryam.

Sucessivas ordens de evacuação do exército israelense forçaram os 2,1 milhões de palestinos em Gaza a se aglomerarem em apenas 14% do pequeno território da Faixa, cuja área total é de cerca de 365 quilômetros quadrados, pouco mais da metade da área de Madri, excluindo sua área metropolitana. Os 86% restantes foram declarados zona militar por Israel.

Antes do início da invasão, o território palestino ocupado já era um dos lugares mais densamente povoados do mundo. Agora, após a ordem de evacuação completa da capital e a declaração de sua área como zona militar, 89% de Gaza ficará interditada à entrada de civis, segundo estimativa deste jornal. Com a ordem de evacuação completa da Cidade de Gaza, várias centenas de milhares de pessoas, segundo estimativas da ONU, teoricamente terão que se juntar ao mais de um milhão já amontoado nas chamadas "zonas humanitárias".

Sem transporte

Além de não ter para onde ir, Maryam também não tem como transportar os itens básicos — roupas, colchões, cobertores — para sua grande família porque na Faixa de Gaza "não há gasolina", e pagar por um dos poucos carros que ainda têm gasolina, ou pelas carroças puxadas por burros, está além do alcance da maioria dos moradores de Gaza.

Durante o cessar-fogo que entrou em vigor em janeiro e foi quebrado unilateralmente por Israel em 18 de março, a família desta mulher retornou à sua casa na Cidade de Gaza. Eles estavam exaustos, ela diz; agora também estão com fome. Maryam luta todos os dias para fornecer pelo menos um prato de comida para seus filhos, mas a fome que ela sofre, assim como o resto de Gaza, complica ainda mais a perspectiva de deixar para trás o pouco que ainda lhes resta.

Com seis filhos, ela enfatiza, "precisa de tudo". Sua família também está cansada de fugir. Como 90% dos habitantes de Gaza, segundo as Nações Unidas, Maryam teve que se mudar pelo menos meia dúzia de vezes desde outubro de 2023, quando começou a ofensiva israelense, que já causou mais de 64.000 mortes na Faixa de Gaza. Destes, pelo menos 387, incluindo 138 crianças, morreram de fome devido ao bloqueio quase total ao fornecimento de alimentos imposto por Israel desde março. Somente desde 22 de agosto, quando a ONU declarou oficialmente o estado de fome, pelo menos 109 habitantes de Gaza morreram de inanição.

Razan também decidiu permanecer na Cidade de Gaza. Esta palestina de cerca de 30 anos, que prefere não revelar seu sobrenome, tomou essa decisão depois que seu marido se arriscou a viajar para o centro da Faixa de Gaza e para a região de Al Mawasi, apenas para descobrir que "não havia espaço em lugar nenhum", sussurra ela em uma gravação de áudio que inclui o zumbido de drones israelenses.

Ela então jura que, se sua família conseguisse "comprar uma barraca" e quisesse montá-la "no meio da rua", "não encontrariam lugar". Ela descreve como até as ruas estão cobertas de abrigos improvisados ​​para pessoas que foram despejadas de suas casas ou que não têm mais uma. "Já perdemos toda a esperança. Se Deus quiser, este pesadelo vai acabar, mas decidimos ficar na Cidade de Gaza e enfrentar o que quer que nos aconteça", diz esta mulher palestina.

Dizendo adeus a Gaza

Shireen Khalifa, uma jornalista de 45 anos de Gaza, também não encontrou um lugar no sul. Sua família é grande, com irmãos casados ​​e filhos, e eles precisam de um lugar onde possam montar não uma, mas mais de três barracas.

A casa de Shireen foi destruída em um bombardeio. Ela mora em um pequeno campo de deslocados em Tel al-Hawa, ao sul da Cidade de Gaza. Ela retornou à cidade depois de 15 meses no sul e, para ela, viver em uma barraca novamente significa retornar ao horror. Ela não quer ir embora, mas sente que não terá escolha em dois ou três dias. "Nossa vida se tornou uma sucessão de deslocamentos. Agora, mais uma vez, estamos rumando para o desconhecido", explica.

"Estou me despedindo de Gaza, a cidade onde cresci. Sinto como se fosse um adeus para sempre, porque tenho certeza de que, se nos mudarmos, provavelmente não voltaremos e, se voltarmos, este será um lugar muito diferente", explica ela.

Em 21 de agosto, a ONU estimou a população da Cidade de Gaza em um milhão de habitantes. Sucessivas ordens de evacuação parcial emitidas pelo exército israelense reduziram esse número desde então, mas organizações humanitárias ainda estimam que centenas de milhares de pessoas permaneçam na cidade. As Nações Unidas alertaram que a realocação em massa dessa população dizimada, enfraquecida e faminta terá consequências catastróficas.

Especialmente para os mais vulneráveis, como feridos e doentes. O diretor do Hospital Shifa na Cidade de Gaza, Mohamed Abu Salmia, garantiu à Efe na terça-feira que sua equipe médica não tem intenção de deixar a cidade ou transferir pacientes após a ordem israelense de evacuação total .

"Todos os hospitais no sul de Gaza, tanto os públicos quanto os de campanha, estão ocupados por pacientes e feridos, e não há espaço para receber pacientes no sul de Gaza, então a situação é muito, muito, muito difícil", disse o chefe do maior hospital da capital de Gaza.

O centro de atendimento do Programa de Saúde Mental Comunitária de Gaza (GCMHP), uma ONG que atende a população da Faixa de Gaza há 30 anos, também permanece aberto, explica seu diretor, Yasser Abu Jamei, da Faixa de Gaza. Sua equipe continua trabalhando. "Eles são verdadeiros heróis. Apenas alguns funcionários saíram. Os demais permanecem, e o centro está funcionando por enquanto", enfatiza.

Outros moradores de Gaza já embarcaram em mais um êxodo, arriscando-se a dormir ao relento. "Estamos partindo, mas não sabemos para onde", soluça Shoroq Al Hams, 35, enquanto arruma seus pertences essenciais para deixar sua casa no campo de refugiados de Al Shati, perto da Cidade de Gaza. "Não há espaço na chamada zona humanitária, está lotada demais", acrescenta.

Esta mulher palestina está partindo com os pais e irmãos. São oito no total. Seus pais não podem andar porque são idosos, e seu irmão encontrou um carro, no qual estão colocando o máximo de pertences possível. "Não temos dinheiro para alugar os poucos espaços disponíveis no centro e no sul da Faixa de Gaza. Há centenas de milhares de pessoas lá. Também não temos uma barraca. Não sei exatamente onde meus pais vão dormir esta noite, mas decidimos arriscar e ir embora", acrescenta.

O caos reina ao redor deles. Aqueles com dinheiro estão indo embora , mas uma parcela significativa dos moradores do bairro não tem escolha. "Há moradores que não vão embora porque não sabem para onde ir e porque não encontraram nenhum meio de transporte para se locomover", explica.

Fonte: IHU

08 setembro, 2025

1000 dias da #Ocupação Dom Helder Câmara!

Celebrando 1000 dias da #Ocupação Dom Helder Câmara.
Presença do cantor Zé Vicente.






1000 dias da #Ocupação Dom Helder Câmara!

Celebrando 1000 dias da #Ocupação Dom Helder Câmara.
Presença do cantor Zé Vicente.

Segue dois vídeos




  

05 setembro, 2025

Programa Gás do Povo

O programa Gás do Povo, foi lançado, quinta-feira, dia 04 de setembro de 2025, pelo presidente Lula.

Quem tem Direito
Terão direito ao benefício as famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda mensal de até meio salário mínimo (R$ 759) por pessoa.

Terão prioridade quem recebem o Bolsa Família.

Cada família terá direito a uma quantidade de botijões por ano, conforme a composição familiar:
- Até três Botijões para famílias de dois integrantes;
- Até quatro para famílias com três integrantes;
- E até seis botijões anuais para famílias com quatro ou mais membros.

Ao todo, o programa distribuirá cerca de 65 milhões de botijões por ano.

O Gás do Povo substitui o atual Auxílio Gás, em vez do benefício em dinheiro, com o novo programa cada família vai retirar diretamente o botijão de gás nas revendedoras credenciadas pelo Governo do Brasil. A mudança aumenta a eficiência, a transparência e o controle da política pública.

O programa será feito da seguinte forma:
- Por meio de um aplicativo gerido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), onde o beneficiário poderá localizar revendas credenciadas e acessar o vale eletrônico;
- Com o cartão do próprio programa que será criado;
- Por meio de vale impresso a ser retirado nas agências da Caixa Econômica Federal ou em lotéricas;
- Ou com o cartão do Bolsa Família.

22 agosto, 2025

Com Carinho das CEBs para a PJ!

A celebração dos 45 anos da Pastoral da Juventude (PJ) em Maringá será no dia 6 de setembro de 2025, um sábado, com a presença do cantor e poeta Zé Vicente.


As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Arquidiocese de Maringá dedicam, com carinho, esta mensagem à Pastoral da Juventude (PJ) de Maringá.

A bela e profética caminhada da PJ em Maringá, tecida por tantas vidas inquietas e dedicadas, foi marcada pela alegria, superação, trabalho em conjunto, articulação e formação de lideranças. Esses elementos fortalecem os passos de quem continua essa jornada e convidam à reflexão: como estamos cuidando dessa memória, um sinal profético, poético e místico de que o Reino de Deus se manifesta através das juventudes?

Jesus é aberto às riquezas que as juventudes e as pessoas excluídas revelam, suas resistências e sua fé. Mais do que semear e levar "verdades", Jesus reconhece a água viva que encontra no íntimo de cada pessoa, no coração de cada ser humano, como encontrou no coração da mulher samaritana e nas juventudes.

As Comunidades Eclesiais de Base devem continuar vigilantes e orientando para não cair no erro de achar que temos a água e que o povo tem a sede. Na verdade, todos somos uma mistura de água e de sede. As comunidades são o lugar onde a água e a sede se encontram, se misturam e se complementam. As CEBs precisam da alegria, da sabedoria, da coragem, da ternura, da resistência e da ousadia das juventudes.

O que move as Comunidades Eclesiais de Base e a Pastoral da Juventude é a espiritualidade do seguimento de Jesus Cristo, um modo de se relacionar com Deus que reaviva nossos sonhos e esperanças na construção do Reino. Assim, continuamos sendo espaços de ação evangelizadora, missionária, de acolhida, de escuta, de cuidado, de formação, de reflexão e de luta.

Desfrutemos deste momento de celebração dos 45 anos da Pastoral da Juventude em Maringá. A caminhada e os desafios continuam, e a graça do Jovem de Nazaré nos envolve e nos guia.

“Leva-me onde os jovens necessitem tua palavra; necessitem de força de viver. Onde falte a esperança, onde tudo seja triste simplesmente por não saber de ti”. (Música “Alma Missionária”, de Ziza Fernandes)

Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora das CEBs na Arquidiocese de Maringá

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Rezemos pela paz!

Senhor, conceda a paz e a justiça, enxugue as lágrimas daquelas e daqueles que sofrem por causa dos conflitos armados e por intercessão de Maria, Rainha da Paz que os povos encontrem o caminho da paz.


20 agosto, 2025

O Papa deveria viajar a Gaza para impedir o massacre de inocentes? Um gesto profético necessário em um mundo destruído. Artigo de José Manuel Vidal

- Poderia o Papa cruzar as fronteiras de Gaza e impedir a matança?

- A simples ideia de um Papa exigir a entrada em uma zona de guerra controlada por Israel é um gesto simbólico. Mas seria viável? Seria eficaz?

- Se Israel negasse a entrada do Papa, o impacto seria devastador para sua imagem global.

O artigo é de José Manuel Vidal, publicado por Religión Digital, 19-08-2025.

José Manuel Vidal é doutor em Ciências da Informação e licenciado em Sociologia e Teologia e diretor do Religión Digital.

Eis o artigo.

O clamor pela paz em Gaza ressoa alto em um mundo que parece insensível à tragédia. O sangue de crianças inocentes e a fome que devora um povo preso entre bombas e bloqueios escandalizam o mundo e levaram figuras como Madonna a se manifestarem, implorando ao Papa Leão XIV: "Você é o único de nós a quem não se pode negar a entrada".

Isso é verdade? Poderia o Papa, como chefe de Estado, autoridade moral reconhecida e líder espiritual de milhões de católicos em todo o mundo, cruzar as fronteiras de Gaza e impedir o massacre? E se não, o que significaria essa tentativa?

Um precedente histórico: gestos papais que mudam a história

Esta não é a primeira vez que um papa é chamado a ser um farol em meio a uma tempestade. João Paulo II foi instado a visitar o Iraque durante a Guerra do Golfo. Ele não o fez, mas sua voz ressoou alto, condenando o conflito e defendendo a paz.

Mais recentemente, Francisco atingiu um marco em 2015, quando visitou a República Centro-Africana, um país dilacerado pela violência sectária. Sua presença, seu acolhimento às vítimas e sua mensagem de reconciliação foram um bálsamo que, pelo menos temporariamente, silenciou as armas.

No entanto, quando solicitado a viajar para a Ucrânia em meio à invasão russa, Bergoglio optou por não ir, preferindo uma diplomacia mais discreta, embora não menos ativa, primeiro com o Cardeal Esmoler e depois com o Cardeal Zuppi.

Agora, a pergunta ressoa mais uma vez na consciência mundial: o Papa Leão XIV deveria viajar para Gaza? A própria ideia de um Papa exigir a entrada em uma zona de guerra controlada por Israel, um país com políticas de segurança rigorosas, é um gesto altamente simbólico. Mas seria viável? E, mais importante, seria eficaz?

Israel deixaria o Papa entrar?

Como chefe de Estado do Vaticano, o Papa não é um cidadão comum. Sua entrada em Gaza dependeria de uma decisão política de Israel, que controla o acesso ao território. Embora Madonna afirme que o Papa "não pode ter a entrada negada", a realidade é mais complexa. Israel poderia permitir sua entrada como um gesto diplomático, ciente da pressão internacional que surgiria caso fosse negada.

No entanto, você também pode argumentar razões de segurança para bloquear o acesso, especialmente em um ambiente altamente tenso como o atual.

De qualquer forma, se Israel negasse a entrada do Papa, o impacto seria devastador para sua imagem global. O mundo veria um Estado impedindo o líder da Igreja Católica de levar uma mensagem de paz e conforto a um povo sofredor. Seria um erro estratégico que colocaria Israel no banco dos réus perante a opinião pública internacional.

Por outro lado, se Israel permitisse a entrada, o Papa poderia se tornar um catalisador para destacar o sofrimento em Gaza, abrindo as portas para mais ajuda humanitária e pressionando por um cessar-fogo.

Um gesto profético é suficiente?

A presença do Papa em Gaza seria, sem dúvida, um ato profético, um grito pela humanidade em meio à barbárie. Leão XIV, com seu estilo sóbrio, simples e calmo, e sua capacidade de se conectar com os marginalizados, poderia caminhar entre as ruínas, abraçar crianças órfãs e exigir que o mundo não olhasse para o outro lado.

Mas seria suficiente para parar a guerra? A história nos ensina que os gestos papais têm imenso poder simbólico, mas nem sempre se traduzem em mudanças imediatas. Na África Central, Francisco conseguiu um cessar-fogo temporário, mas em outros conflitos, como na Ucrânia, sua influência foi muito mais limitada.

O conflito em Gaza é particularmente complexo, com raízes históricas, políticas e religiosas que transcendem a vontade de qualquer líder, por mais carismático que seja. O Papa poderia pressionar Israel, o Hamas e a comunidade internacional a permitir a entrada de ajuda humanitária e negociar o fim das hostilidades, mas uma solução definitiva pode exigir um esforço coletivo que transcenda sua liderança.

O Papa é a única esperança?

Em seu apelo, Madonna eleva o Papa a um status quase mítico: "o único" capaz de entrar em Gaza. Mas essa declaração, embora comovente, não é totalmente precisa. Outros atores — líderes políticos, organizações internacionais e movimentos de cidadãos — também desempenham um papel crucial na busca pela paz. Especialmente o presidente Trump, grande aliado e amigo de Netanyahu.

No entanto, é verdade que o Papa possui algo único: sua autoridade moral e sua capacidade de mobilizar consciências em escala global. Um Papa em Gaza não seria apenas um símbolo, mas um tapa na cara da indiferença mundial. Se Leão XIV exigisse publicamente a entrada em Gaza, mesmo que lhe fosse negada, o impacto seria inegável.

Seu gesto desafiaria os líderes da guerra, destacando sua responsabilidade pelo sofrimento de pessoas inocentes. Além disso, poderia inspirar a comunidade internacional a agir com mais urgência para garantir ajuda humanitária e pressionar por um cessar-fogo.

Um risco que vale a pena correr

A viagem do Papa a Gaza não é uma utopia, mas também não é uma solução mágica. Seria um ato de coragem, um desafio aos poderosos e um abraço aos esquecidos. O grande abraço que os palestinos aguardam e que o mundo anseia por ver. Mesmo que não interrompa a guerra imediatamente, poderá mover as peças no tabuleiro de xadrez global, forçando os líderes (especialmente Netanyahu e Trump) a se olharem no espelho de sua própria desumanidade.

Assim como Francisco na África Central, outro Papa, Leão XIV, poderia ser o profeta que desperta as consciências e abre caminho para a paz. Mas, para isso, Prevost precisa estar disposto a correr o risco. Porque, como disse João Paulo II, "a paz não é apenas a ausência de guerra, mas a presença da justiça". E em Gaza, a justiça continua sendo uma dívida pendente.

Santidade, deixe-se guiar pelo seu coração e pela imensa pulsação do mundo inteiro. A Palestina precisa de você, e as crianças e os famintos não podem esperar mais . E o Padre Romanelli respiraria aliviado, finalmente!

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Fonte: IHU

18 agosto, 2025

Lula monitora ação militar dos EUA contra Maduro e teme impacto no Brasil

Presidente brasileiro acompanha com apreensão a operação ordenada por Donald Trump para combater cartéis de drogas, que inclui presença de submarinos, navios de guerra e aeronaves de reconhecimento no Caribe.


A informação é publicada por Agenda do Poder, 15-08-2025.

Fonte: IHU


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha com preocupação a decisão de Donald Trump de enviar forças militares dos Estados Unidos para o Mar do Caribe Meridional. Segundo apuração publicada pela agência Reuters e pela CNN, a medida foi anunciada pelo governo americano com o objetivo declarado de combater cartéis de drogas na América Latina, mas é vista por assessores do Planalto como potencialmente desestabilizadora para a região.

A operação ocorre em meio a tensões com a Venezuela, cujo presidente, Nicolás Maduro, é apontado por Washington como ligado ao narcotráfico. Nos últimos dias, Trump aumentou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à captura de Maduro. O líder venezuelano reagiu, alertando que um ataque militar poderia representar “o fim do império americano”.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que a ação acontece em águas internacionais e não caracteriza intervencionismo. No entanto, em Brasília, auxiliares de Lula consideram que a movimentação de forças estrangeiras na região é preocupante “em qualquer circunstância”, especialmente se houver risco de violação territorial envolvendo o Brasil.

Operação militar de grande porte

O destacamento inclui militares do Grupo Anfíbio de Prontidão Iwo Jima e da 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, além de um submarino de ataque com propulsão nuclear, aeronaves de reconhecimento P8 Poseidon, contratorpedeiros e um cruzador de mísseis guiados. Todos estão sendo alocados para o Comando Sul dos EUA (Southcom) como parte de um reposicionamento estratégico iniciado há três semanas.

Fontes ligadas à defesa americana afirmam que o reforço militar busca “enfrentar ameaças à segurança nacional” oriundas de organizações narcoterroristas atuantes na região. Um oficial da Marinha dos EUA declarou que as tropas estão prontas para “executar ordens legais e apoiar os comandantes combatentes nas necessidades que lhes forem solicitadas”.

Para o governo brasileiro, o cenário exige monitoramento constante e ação diplomática coordenada, a fim de evitar que a escalada de tensões afete diretamente a estabilidade da América do Sul.

Em tempo

"Governo acha que Trump quer mudança de regime no Brasil e prevê ações para além de Bolsonaro. Na visão de fontes do Planalto, EUA podem inclusive questionar a legitimidade da eleição de 2026" é o título da reportagem de Patrícia Campos Mello, publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 17-08-2025.

Segundo a reportagem, o governo brasileiro encara o tarifaço e as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil como uma tentativa de "mudança de regime" e acredita que as ações de presidente Donald Trump não se restringem a pressão sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo STF (Supremo Tribunal Federal), marcado para setembro. Para uma fonte do Planalto, as ações de Trump visam a influenciar o processo eleitoral brasileiro. Nessa visão, a ideia do governo americano é garantir que exista um candidato com afinidade ideológica com Trump na cédula eleitoral da eleição presidencial do Brasil em 2026. O governo brasileiro também acredita que, caso haja vitória do presidente Lula (PT) no ano que vem, haverá questionamento da legitimidade da disputa no Brasil por parte de Trump. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vem afirmando há meses que, se Bolsonaro não estiver na cédula, os EUA não vão reconhecer a eleição no Brasil.

12 agosto, 2025

Grupo Muzenza de Capoeira

 Roda realizada no dia 11/08/2025

Visita amiga do Mestre Goiore e de outros colegas.


08 agosto, 2025

Campanha da fraternidade (CF) 2026

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou quinta-feira, 7 de agosto, a identidade visual da Campanha da Fraternidade (CF) 2026.

Tema “Fraternidade e Moradia”
Lema bíblico “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14)

Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como expressão concreta da fé cristã.

O assessor do Setor de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, afirmou “Deus veio morar entre nós, e isso fundamenta a dimensão social da nossa fé. A Campanha da Fraternidade nos convida a construir aqui, entre nós, sinais do Reino de Deus, promovendo dignidade, especialmente nas realidades onde ela é negada”.

Segundo o padre Jean, o Brasil enfrenta um déficit habitacional de 6 milhões de moradias, somado a um déficit qualitativo de 26 milhões de residências inadequadas – sem saneamento básico, com espaços superlotados ou estruturas precárias. “Essa realidade clama por conversão social e ações concretas que garantam um lar digno a todos”.



*A mensagem do cartaz*

A imagem escolhida para representar visualmente a Campanha foi desenvolvida pela Assessoria de Comunicação da CNBB e traz elementos simbólicos que provocam reflexão. No centro, destaca-se a escultura “Cristo sem-teto”, criada por um artista católico canadense em 2012, Timothy Schmalz, após a experiência de ver um homem em situação de rua dormindo em um banco de parque, em Toronto.

A escultura, que tem réplicas em diversas cidades do mundo – inclusive no Brasil – mostra um homem coberto por um cobertor, com o rosto e as mãos escondidos, mas com os pés feridos, revelando ser Jesus. Há um espaço vazio no banco, convidando quem vê a se aproximar.

“A mensagem é clara: é preciso se aproximar para reconhecer o Cristo presente nas periferias e entre os empobrecidos. Deus habita nossas cidades, mas muitas vezes está escondido nos que mais sofrem”, explicou padre Jean.

O fundo do cartaz exibe a silhueta de uma cidade dividida por duas cores contrastantes – marrom e laranja – representando os paradoxos urbanos e sociais. Ao centro, uma igreja com uma cruz simboliza a presença da fé nesse contexto, chamada a ser sinal de esperança e transformação.

“O cartaz quer nos provocar à conversão: mudar o olhar, reconhecer o Cristo no irmão sem moradia, e assumir um compromisso pessoal, comunitário e social com a dignidade humana”, completou o assessor.

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Fonte: Site da CNBB


Ouvir o canto de Isabel

Por Irmã Tea Frigério

Ouvir o canto de Isabel

A Boa Nova das Comunidades lucanas está nos acompanhando nas liturgias dominicais. Entre os Evangelhos sinóticos seja o que mais nos ajuda a compreender que a história de Deus se faz realidade na história cotidiana vivida por mulheres e homens. O protagonismo das mulheres é o elemento fundamental desta história: abrem sua obra com elas, e, o testemunho delas é referencial ao encerrar o evangelho. Lucas 1-2 e 24 colocam as bases históricas-sociais e teológicas sobre as quais constroem o caminho de Jesus e das comunidades originarias tendo a participação decisiva, igualitária, autônoma das mulheres.

Há um debate aberto: o evangelho de Lucas é favorável mais do que os outros evangelhos às mulheres? O debate é aberto e não há consenso, mas nestes escritos, vou deixar a questão de lado. Sublinho somente que o evangelho de Lucas tem cerca de 20 referências a mulheres que não encontramos nos outros evangelhos.

Convido vocês a fazer esta pesquisa, sem dúvida enriquecedora sobretudo nas intuições que vocês podem elaborar. Pessoalmente fiz isso e partilho minhas intuições tendo como chão o caminho que como Igreja estamos vivendo, o da sinodalidade.

A fina arte histórica narrativa que Lucas coloca à disposição das comunidades nos presenteia nos capítulos 1 e 2 com a reflexão teológica de suas comunidades: a Boa Nova de Jesus não tem início na sua idade adulta, mas sonho-anúncio, gravidez-feto, amamentação-bebê, cuidado-criança são o lugar onde a Boa nova é gestada e vem à luz. Deus salva na relação-presença com mulheres portadoras de vida. Deus salva e liberta se tornando carne no mistério da carne de mulheres que engravidam e dão à luz. Experiência misteriosa do sagrado que se realiza na vida através de fala de anjos, de Espírito que envolve, de corpos de homens, de mulheres, crianças.

Na sua arte narrativa Lucas nos convida a entrar na história através de narrações paralelas: o anúncio e nascimento de João Batista e Jesus.

“… nos dias de Herodes …”(1,5) palavras que nos introduzem numa história onde há violência e morte, que nos convidam a fixar nossa atenção sobre um casal: Isabel e Zacarias“… ambos justos … neles não havia criança, porque Isabel era estéril e ambos eram avançados em idade” (1,7).

A apresentação de Isabel e Zacarias minuciosamente paritária nos faz recordar Sara e Abraão. No entanto a esterilidade de Isabel vem colocada em primeiro plano, implicitamente culpada pela ausência de criança. A narração avança nos fazendo entrar no templo com Zacarias, participar do anúncio do anjo Gabriel, sair do templo mudo, voltar para as montanhas de Judá, somente no final da narração lembrando-se de Isabel. Acompanhando o roteiro, também as interpretações e comentários de 1,5-25, têm relegado Isabel à margem, dando destaque a Zacarias.

A Boa Nova, porém, é vivenciada para ambos embora em tempos diferentes: Zacarias sai do templo mudo por causa de sua incredulidade. O primeiro louvor, neste evangelho brota da boca de Isabel. “Isto me fez o Senhor, quando olhou para baixo para anular o meu opróbrio entre as pessoas” (1,25).

Opróbrio, vergonha, discriminação, exclusão devido a esterilidade apontam para humilhação a partir de sua sexualidade; seu sofrimento existencial vem das observações maldosas ou alusões a esterilidade associadas a compreensão de pecado e maldição.

Do opróbrio se eleva a voz de Isabel que canta sua libertação. O primeiro cântico de louvor, no evangelho das Comunidades lucanas o escutamos de Isabel. Gravidez e louvor, guardados primeiro no silêncio por cinco meses, como dons preciosos, explodem de sua boca, canta a Boa Nova de libertação: seu ventre floriu, uma criança está sendo gestada, Deus anulou a discriminação.

A narração se encerra mantendo nosso olhar em Isabel: em seu ventre o novo se manifesta e concretiza.

O que aconteceu a Zacarias em sua volta para casa? Será que por ter ficado mudo escutou mais a voz de Isabel? Será que algo mudou na relação entre Isabel e Zacarias? Será que foi percebendo que o sagrado habitava na casa, no corpo de Isabel? Será que esta mudança atraiu e agradou o olhar de Deus que a abençoou com uma criança?

Sem maiores detalhes, pressupondo mudanças na relação sexual dos idosos Isabel e Zacarias, a narração afirma a concepção e a gravidez de Isabel. No corpo da mulher, no seu ventre grávido salvação e libertação se realizam. E, a comunidade guardou para nós a memória do seu cântico de louvor, tornando-o o primeiro cântico de louvor em seu evangelho.

O cântico de louvor de Isabel denuncia as relações sociais e religiosas construídas de forma assimétricas que humilham mulheres que não têm criança e que por causa disso são colocadas na última esfera da hierarquia social e excluídas da esfera religiosa. Os cânticos de louvor que brotam hoje das vozes das mulheres nas comunidades o que denunciam?

No templo, Zacarias incrédulo, ficou mudo. A igreja precisará ficar muda para apreender a escutar a voz das mulheres? Esta Igreja que relega ao último versículo as mulheres, silencia seu cântico, descarta seu poder de engravidar o novo e assim anula seu próprio poder salvífico libertador.

A Divina Ruah abra os ouvidos, rompa a incredulidade, ajude a percorrer o caminho de Zacarias: sair do templo, voltar para periferia, para casa, voltar mudo, e, no silêncio aprender a ouvir, acolher a voz de Isabel, seu canto de louvor pelo novo que carregam em seu ventre.

Bolsonarismo: o puro suco da vergonha alheia

O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato"

Bolsonarismo: o puro suco da vergonha alheia

E Bolsonaro finalmente foi preso. Quero dizer, quase. Prisão domiciliar é um começo, certo? Pós-tornozeleira eletrônica e impedimento de usar as redes sociais, que, aliás, foram o motivo da sua queda, com uma ajudinha de seus filhos e do deputado Nikolas Ferreira. Mas a extrema direita não se calou. Ou melhor, se calou, fez motim, impediu o retorno do Congresso, do Senado e de Comissões.

O Brasil não é para fracos e a semana não poupou emoções. A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na segunda-feira (4). A decisão inclui o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de visitas exceto de familiares próximos e advogados, e recolhimento de todos os celulares do local.

Tudo isso porque o ex-presidente participou a distância do protesto de manifestações bolsonaristas realizadas no dia anterior (3) em algumas cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), colocou brevemente o pai no viva-voz para falar com o público e, mais tarde, divulgou um vídeo mostrando Bolsonaro em casa enviando uma mensagem aos apoiadores.

O deputado federal Nikolas Ferreira fez o mesmo, utilizando o ex-presidente para impulsionar as mensagens proferidas na manifestação. Aparentemente, nem todas ações dos aliados realmente vêm para ajudar e Bolsonaro teve que passar a semana em casa.

Falando em aliados, a oposição também tentou ajudar. Parlamentares bolsonaristas obstruíram as votações na Câmara e no Senado em defesa da anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o fim do foro privilegiado e pedindo o impeachment de Moraes. E chamaram as ações de “pacote de paz”.

Assim, deputados e senadores de oposição se revezaram ocupando as mesas diretoras da Câmara e do Senado, impedindo os trabalhos do parlamento. Nas imagens, bocas, olhos e orelhas tapados com fita crepe, correntes ao redor dos punhos, pressão ao redor do presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB), muito barulho e vergonha alheia.

Tanto Motta quanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tentaram contornar a situação e reagir ao bloqueio, mas para quem vê de fora, a sensação é de falta de moral e ambiguidade. Neste meio tempo, o pedido de impeachment de Moraes foi protocolado com apoio de muitos senadores, mas Alcolumbre disse que o tema não será pautado.

O que se observa é o desespero da oposição para aprovar o PL da anistia aos investigados pela tentativa de golpe de Estado e o fim do foro privilegiado. Tudo isso para livrar Bolsonaro da prisão definitiva, aquela fora de casa. Mas a ação penal no STF está prestes a ser concluída e talvez seja a hora de se dedicar a outras pautas.

Afinal, todo o pandemônio desta semana ocorreu em meio ao início oficial da taxação de 50% nos produtos exportados para os Estados Unidos, imposta pelo governo de Donald Trump, que começou quarta-feira (6) com demissões nos setores afetados. E o próprio governo brasileiro está bolando um plano de contingência para ajudar os setores afetados, usando uma “régua” para considerar a variação de exportações dentro de um mesmo setor, para tornar o socorro mais preciso.

É estranho que, enquanto a economia brasileira corre riscos, parte dos parlamentares se preocupe em salvar a pele de um ex-presidente que, se olharmos bem, pouco fez para que o país crescesse em todos seus anos na política.

Ou talvez não seja estranho. Afinal, como disse o cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) Paulo Niccoli Ramirez, é apenas um “sintoma do fundamentalismo político e religioso” no país. “São políticos que não estão preocupados com o Brasil, não colocam o Brasil acima de tudo, mas os Estados Unidos acima de todos, e a ignorância e estupidez como uma regra das suas práticas políticas.”