06 abril, 2018

Casa de Nazaré - Maringá - Paraná



Casa de Nazaré

Atendimento Espiritual
Padre Genivaldo Ubinge

PÚBLICO ALVO
Dependentes de substancias psicoativas do sexo feminino a partir dos 16 anos, inclusive gestantes.

FINALIDADE
Proporcionar um tratamento qualificado para mulheres usuárias de substancias psicoativos do Município de Maringá e Região, garantindo a permanência até o final do tratamento (período de nove meses).

OBJETIVO GERAL
A Casa de Nazaré tem por objetivo apoiar mulheres que fazem uso indevido de substancias psicoativo, visando à reintegração dos mesmos ao convívio social e familiar.

OBJETIVOS ESPECIFICOS
Elevar a auto-estima e a participação na vida social promovendo, a partir das palestras e oficinas, a autonomia de cada residente;

Proporcionar o desenvolvimento pessoal através da arte, cultura e atividades que possam despertar aptidão empreendedora;

Encaminhar as famílias das residentes para grupos de apoio (AMOR EXIGENTE).

Proporcionar palestras informativas (grupo de convivência) e espirituais, promovendo a prevenção de uso e abuso de substancias psicoativas.

Desenvolver trabalho com equipe interdisciplinar com vistas ao reconhecimento do atendido como um ser integral, estabelecendo espaço de interlocução e de intervenção com profissionais de diferentes áreas.

METODOLOGIA:
A entidade busca uma prática que não produz modelos de Instituições de confinamento, e sim um equipamento social dotado de recursos humanos e materiais que propiciam acolhimento, convivência, atividades pedagógica, ocupacionais, recreativas, atendimento psicológico, odontológicos, médico e espiritual, visando o desenvolvimento humano, integral e social e dos direitos de cidadania das residentes e de suas famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade, exclusão e risco social.

O processo de tratamento é respaldado a partir da terapia, orientado pelo tripé ORAÇÃO-TRABALHO-DISCIPLINA e estudo dos 12 passos. A ORAÇÂO é à base do programa, por meio dela buscam-se levar a presença de Deus a todas as internas, em um ambiente de muita paz, fé e confiança na nova vida que está por vir. O TRABALHO apóia e impulsiona o êxito do processo de recuperação das internas, todos os serviços da Casa de Nazaré são realizados pelas internas e supervisionados pela equipe responsável, consistindo em uma terapia ocupacional. A disciplina norteia todas as atividades, com o intuito de atingir grandes resultados, é necessário seguir normas e princípios que possam sustentar a terapia. Na busca pela paz, as internas também recebem, semanalmente, atendimento psicossocial, evangelização e aprendem a fazer trabalhos manuais.


Fonte: site da Casa de Nazaré

Barraca Casa de Nazaré na Festa da Canção 2018


Festa da Canção 2018.

A tradicional Festa da Canção, na cidade de Maringá-Pr, oferece opções de lazer para a comunidade e região.

De hoje dia 06 até o dia 15 de abril, no Centro de Convivência Comunitário Deputado Renato Celidônio.

Programação: 
Dia 06: Samba de Manco
Dia 07: Banda Purple Trit
Dia 08: Bárbara Carrie (Sertanejo Universitário)
Dia 09: Banda Os Mobydicks
Dia 10: Banda Via Brasil (Variados)
Dia 11: Banda Beats (Anos 80)
Dia 12: Banda MR Marca Registrada
Dia 13: Banda Tua Palavra (Carismático)
Dia 14: Tijolo e Enéas (MPB)
Dia 15: Ronaldo Gravino e Banda

A prisão não prendem pensamentos, sonhos e esperanças!


Para refletir!

Às hienas que se regozijam com a zebra sendo devorada pelos leões:
Quando os leões devorarem a ultima zebra, restarão as hienas. 
Thieplo Bertola

A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

"esse pedido de prisão é apenas mais um capítulo do golpe geral".



A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

 "esse pedido de prisão é apenas mais um capítulo do golpe geral".

A medida foi tomada, ontem, cinco de abril, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).


Lula foi condenado a 12 anos e um mês na ação penal do tríplex do Guarujá (SP), na Operação Lava Jato.

O juiz Sérgio Moro deu prazo até às 17 horas desta sexta-feira (6) para que o ex-presidente se apresente na Polícia Federal, de Curitiba (PR), para cumprimento da pena.

Para João Pedro Stedile,  da Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), "esse pedido de prisão é apenas mais um capítulo do golpe geral".

Stedile aponta responsabilidade a Rede Globo " desde que nasceu, é o verdadeiro partido ideológico da burguesia. Antigamente, isso ocorria por meio das escolas, das igrejas, outros aparatos. Hoje, a unidade das ideias vem da Globo. Ela é a autora intelectual do golpe, é a coordenadora política das forças de direita. É a maior responsável pelo golpe aplicado sobre o povo. Quer fazer algo contra a Globo? Desligue a TV. Não dê audiência. Mas, algum dia, o povo ainda vai cobrar a fatura desses crimes da Globo. Ela mente, mente, mente. E nós temos de denunciar o papel que ela tem, nos insurgir contra o que ela faz."

05 abril, 2018

Em parceria as CEBs e o COMIDI realizarão "Estudo do Marco Referencial Missionário" da Arquidiocese de Maringá, nas oito regiões patoral.


Em parceria as CEBs e o COMIDI realizarão "Estudo do Marco Referencial Missionário" da Arquidiocese de Maringá, nas oito regiões patoral.

Estará presente, o assessor do COMIDI padre Thiers Queiroga Alves e Melo, o assessor das CEBs padre Genivaldo Ubinge e Lucimar Moreira Bueno (Lúcia) assessora leiga e membros da coordenação arquidiocesana das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs e do Conselho Missionário Diocesano, o COMIDI.

Após a acolhida, o momento de oração será pela Escola de Evangelização Santo André.

O estudo será conduzido pelos padres assessores.

Vimos que a melhor forma de otimizar a dimensão missionária em nossa Arquidiocese é implantando e fortalecendo o COMIPA – que já é proposta do 24º PAE – em cada paróquia, partindo da estrutura que já existe: as CEB’s.

A maioria das nossas paróquias já está organizada a partir das CEB’s. 

Cada CEB’s tem seu coordenador/a, que, ajudado pelos que fazem o CPC (Conselho Pastoral da Comunidade), desenvolve as propostas firmadas pelo CPP (Conselho Pastoral Paroquial), do qual é membro, e anima a comunidade a tornar-se cada vez mais discípula e missionária de Jesus Cristo. 

Assim, propomos que o/a coordenador/a de cada CEB’s, ou outra pessoa indicada por ele e confirmada pelo pároco seja membro efetivo do COMIPA.

Igualmente, em algumas paróquias, já existe uma “certa” organização de COMIPA. A esse grupo existente, os/as coordenadores/as das CEB’s serão inseridos e assim, será efetivado o Conselho Missionário Paroquial.

Essas propostas encontra-se no "Marco Referencial Missionário" da Arquidiocese de Maringá, apresentada na reunião do clero e por esses acolhidos. 

Para esse momento convidamos:

- Todas/os as/os coordenadoras/res de cada CEBs (setores, capelas) das paróquias.

- Em algumas paróquias, já existe uma "certa” organização de COMIPA, esses também são convidados.

Segue as datas do estudo em cada região pastoral:

- REGIÃO PASTOAL JANDAIA DO SUL
08/04/2018  - Domingo
08h30  às  11h30
Paroquia  São João Batista - Jandaia do Sul

- REGIÃO PASTORAL CATEDRAL
10/04/2018 – Terça-Feira
20h00 às 22h00
Paroquia Menino Jesus de Praga e São Francisco Xavier
Sala São Lucas

- REGIÃO PASTORAL SANTA CRUZ
15/04/2018 – Domingo
08h30  às  11h30
Paroquia São Sebastião - Mandaguaçu

- REGIÃO PASTORAL PARANACITY
22/04/2018 – Domingo
14h às 16h30
Centro Catequetico - Nova Esperança

- REGIÃO PASTORAL CASTELO BRANCO
29/04/2018 - Domingo
14h às 16h30
Paroq. N.Sra. Mãe de Deus – Pres. Castelo Branco

- REGIÃO PASTORAL SÃO JOSÉ OPERÁRIO
15/05/2018 – Terça-Feira
20h00 às 22h00
Paróquia São José Operário

- REGIÃO PASTORALNOSSA SENHORA APARECIDA
25/05/2018 – Sexta-Feira
20h00 às 22h00
Paróquia Santo Antonio de Pádua

- REGIÃO PASTORAL NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS
27/05/2018 – Domingo
08h30  às  11h30
Paróquia São Miguel - Cidade de Maringá

Por que escrever um romance se você pode muito bem escrever um programa de computador? Chatbots e o futuro da literatura


"Se a máquina conseguir manter uma conversa por escrito com o interrogador, sem que o interrogador possa determinar se está conversando com uma pessoa ou uma máquina, então a máquina passa no “teste de Turing” – ela vence no “jogo da imitação”. Vejam que agora é irrelevante a pergunta sobre se a máquina tem consciência ou não, se ela tem sentimentos ou não, se ela tem uma vida mental. Tudo o que importa é que a máquina seja capaz de “imitar” uma conversa por escrito, tal como fazemos quando usamos o WhatsApp para conversarmos com alguém", escreve Marcelo de Araujo, professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Eis o artigo.

O livro Androides sonham com carneiros elétricos?, de Philip K. Dick, completou 50 anos este mês. A obra ficou mais conhecida pela adaptação para o cinema como Blade Runner, em 1982. ELIZA, de Joseph Weizenbaum, completou 50 anos também. Pouca gente ainda se lembra: ELIZA foi o primeiro programa de computador capaz de manter uma conversa com seres humanos. Mas o que essas as duas obras podem ter em comum além da idade? A primeira é uma obra de ficção sobre robôs. A segunda é um robô inspirado numa obra de ficção. Tanto Androides quanto ELIZAlevantam questões sobre nossa relação com as máquinas. As duas obras tratam da pergunta sobre até que ponto programas de computador poderiam se tornar tão inteligentes a ponto de se passarem por seres humanos. Tanto uma quanto a outra, com outras palavras, nos levam a especular se não poderíamos criar um dia máquinas que possam realmente pensar, ou que pelo menos sejam capazes de passar no famoso “teste de Turing”.
teste de Turing foi proposto pelo filósofo e matemático Alan Turing em um artigo de 1950, muito embora ele não utilize o próprio nome para se referir ao teste. A expressão que ele utiliza no artigo é “jogo da imitação”. A pergunta que Turing se coloca, logo no início do texto, é se “máquinas podem pensar”. A primeira dificuldade que a pergunta envolve é sabermos com precisão o que significa pensar. Para dizermos que alguma coisa pensa é preciso que ela tenha consciência, que ela tenha sentimentos ou uma espécie de vida mental? Cada pessoa pode estar inteiramente certa de que ela mesma tem consciência. Mas como eu posso saber, com absoluta certeza, se outras coisas além de mim também pensam, se elas também têm uma vida mental? Eu não posso ver ou sentir diretamente os pensamentos de outras pessoas. Eu não vejo ou sinto a consciência delas. Tudo que eu posso fazer é observar se elas se comportam como se também tivessem uma vida mental. Diante dessa dificuldade, Turing sugere então uma reformulação do problema, e um método de solução. Ao invés de se perguntar se máquinas pensam, a questão passa a ser se máquinas são capazes de “imitar” de modo convincente o comportamento de seres humanos naquelas situações em que as pessoas conversam, ou seja, quando elas dão uma indicação pública de que estão pensando. Turing propõe então como método – para sabermos se máquinas pensam – o “jogo da imitação”.
Uma pessoa, o “interrogador”, deve conversar com o outro jogador e se decidir, ao final de cinco minutos, se o outro jogador é uma pessoa de verdade ou um programa de computador. Os dois jogadores devem estar em locais separados, e a conversa entre eles deve ocorrer por escrito. Turing chega mesmo a propor que, em circunstâncias ideais, os jogadores deveriam utilizar um “teletipo” (teleprinter) para realizar a conversa. Não deve ter ocorrido a Turing, na época em que escreveu o artigo, que e-mailsSMSWhatsApp, e o chat do Facebook se tornariam um dia o método predominante de conversação entre as pessoas. O jogo da imitação é, de certa forma, a condição humana agora.
Se a máquina conseguir manter uma conversa por escrito com o interrogador, sem que o interrogador possa determinar se está conversando com uma pessoa ou uma máquina, então a máquina passa no “teste de Turing” – ela vence no “jogo da imitação”. Vejam que agora é irrelevante a pergunta sobre se a máquina tem consciência ou não, se ela tem sentimentos ou não, se ela tem uma vida mental. Tudo o que importa é que a máquina seja capaz de “imitar” uma conversa por escrito, tal como fazemos quando usamos o WhatsApp para conversarmos com alguém. Turing sugeriu, na época em que publicou o artigo, que em menos de 50 anos computadores passariam no teste:
“Acredito que daqui a aproximadamente cinquenta anos será possível programarmos computadores (…) para fazê-los jogar o jogo da imitação tão bem que um interrogador mediano não terá mais do que setenta por cento de chance de identificar corretamente após cinco minutos de perguntas.” [1]
Turing errou por pouco: foi só em junho de 2014, sessenta anos após a publicação do artigo, que um programa de computador chamado Eugene Goostman se mostrou capaz de jogar – e também de vencer – o jogo da imitação. Programas como Eugene Goostman são conhecidos como chatbots.
O primeiro chatbot de sucesso foi ELIZA, criado por Weizenbaum em 1966. O nome é uma homenagem à personagem Eliza Doolittle, da peça Pygmalion, de Bernard Shaw. Na peça, Eliza é uma vendedora de flores que aos poucos aprende a falar inglês tão bem que as outras pessoas a tomam por uma lady da alta aristocracia. A ideia de Weizenbaum era que, assim como a Eliza da peça, a ELIZA escrita em linguagem de programação também poderia se exprimir de modo cada vez mais convincente. Para isso, tal como ocorre na peça, ela precisaria de um “professor”, ou seja, de um programador que vai ampliando seu vocabulário e estoque de frases. Mas hoje, graças a tecnologias como machine learning, programas como ELIZA se tornaram autodidatas. Chatbotscomo AlexaCortanaSiri, ou Tay agora aprendem e evoluem diretamente com o input do usuário. Já há também, hoje em dia, milhões de bots que se passam por pessoas nas redes sociais influenciando no resultado de eleições.
Em função das limitações tecnológicas da época, ELIZA era um pouco repetitiva e por isso nunca passou no teste de Turing. Mas isso não impediu que muitas pessoas levassem ELIZA a sério e contassem para ela detalhes de sua vida privada. No livro O Poder do Computador e a Razão Humana, de 1976, Weinzenbaum conta que, certo dia, a sua secretária, que evidentemente sabia que ELIZA era só um programa de computador, perguntou se ele não poderia deixar a sala para ela pudesse conversar a sós com ELIZA. Weinzenbaum ficou preocupado:
“Eu fiquei assustado ao ver o quão rapidamente e o quão profundamente as pessoas que conversavam com ELIZA se tornavam emocionalmente envolvidas com o computador.” [2]
Quando Eugene Goostman passou no teste de Turing poucas pessoas se deram conta de que o chatbot vencedor não era só um programa. Eugene Goostman, assim como ELIZA, era antes de qualquer coisa um personagem, uma obra de ficção escrita em linguagem de programação. Um chatbot convincente deve ter personalidade, ele ou ela deve ter crenças, dúvidas, desejos. Do diálogo com um chatbot devemos ser capazes de estimar a sua idade, seu nível de instrução, se é homem ou mulher. É claro que em cinco minutos de conversa não podemos saber tudo sobre nosso interlocutor, seja ele real ou ficcional. Mas a leitura de um conto ou romance também não é muito diferente.
É preciso ler as primeiras páginas de uma obra literária para formarmos aos poucos uma imagem de quem são seus personagens. Se o texto for bem escrito, e os personagens convincentes, continuaremos então a leitura. Chatbots convincentes, da mesma forma que personagens de um conto ou romance, devem ser capazes de nos engajar numa conversa e de criar em nós a ilusão de que são alguém de verdade, mesmo que nós já saibamos de antemão que a “pessoa” em questão é apenas um personagem, uma obra de ficção. Passar no “teste de Turing”, por isso, a meu ver, não significa conseguir enganar o interlocutor. Nenhum romance é bom porque consegue enganar o leitor e se passar por um relato verídico, mas por criar de modo elegante e criativo essa ilusão de verdade. Passar no teste de Turing, para mim, significa ser capaz de criar essa espécie de ilusão consentida.
O sucesso de Eugene Goostman no teste Turing, portanto, não se deveu à inteligência de suas respostas, mas à capacidade de, durante cinco minutos, ter criado a ilusão – consciente ou não – de que ele era uma pessoa real: um menino de 13 anos, nascido na Ucrânia, dono de um porquinho da Índia. Um chatbot convincente, assim como personagens de um romance, tem de manter uma narrativa consistente ao longo da conversa. Num texto de 2008, os criadores de Eugene Goostman chamam atenção para essa relação que há entre chatbots e obras literárias:
“Tenha em mente que ninguém gosta de conversar com gente chata. Mesmo que seu chatbot passe no teste dando um monte de repostas vagas e ‘profundas’, não fique surpreso se as pessoas enjoarem de conversar com a sua criatura por mais de dez minutos. Ao criar um chatbot, você não escreve um programa, você escreve um romance. Você imagina uma vida para seu personagem desde o início – a começar pela infância dele (ou dela) que vai até o momento presente, conferindo-lhe características pessoais únicas – opiniões, pensamentos, medos, manias. Se o seu chatbot se tornar popular e as pessoas se mostrarem dispostas a falar com ele por horas, dia após dia, talvez você devesse pensar em uma carreira de escritor, ao invés de ser um programador.” [3]
Para os criadores de Eugene Goostman, portanto, uma pessoa não deveria desperdiçar seu talento literário criando chatbots. Seria melhor para escrever um romance.
No futuro, é claro que as pessoas continuarão escrevendo contos e romances, e haverá com certeza também um público para ler essas obras. Mas a pergunta é se contos e romances não podem vir a ter o mesmo destino de sonetos, óperas, ou filmes mudos em preto e branco. Ainda admiramos a lírica de Camões e Bocage; os filmes de Chaplin e Eisenstein; ou novas encenações das óperas de VerdiWagner, ou Bizet. Mas sonetos, filmes mudos, e óperas já não são – há muito tempo – as mídias correntes para a expressão de novas ideias, para a discussão de temas prementes, para a crítica à cultura de nosso tempo. O romance e o conto são gêneros bastante recentes e não há nenhuma razão para rejeitarmos de antemão a suposição de que, no futuro, contos e romances passem a ser lidos com a mesma reverência que dispensamos hoje em dia a certas formas culturais do passado, mas sem que, ainda assim, nos sintamos motivados a abraçar essas formas antigas para a expressão de nossas próprias ideias.
Ainda haverá lugar para escritoras e escritores no futuro? Acredito que sim, mas eles terão de se reinventar e talvez criar novos veículos para a produção de ficção. A criação de chatbots – contra a sugestão proposta pelos criadores de Eugene Goostman – talvez seja uma opção. No futuro, quem sabe, gente como Philip K. Dick não estará mais publicando histórias de ficção científica, mas escrevendo as linhas do programa de androides de verdade.
Notas:
[1] Turing, A. “Computing machinery and intelligence”. Mind, 1950, vol. 49, p. 59.
[2] Weizenbaum, J. Computer Power and Human Reason: From Judgment to Calculation. 1976, p. 6.
[3] Demchenko, E.; Veselov, V. “Who fools whom? The great mystification, or methodological issues on making fools of human beings”. R. Epstein et al. (ed.). Parsing the Turing Test: Philosophical and Methodological Issues in the Quest for the Thinking Computer. 2008. p. 258.
Fonte: IHU

04 abril, 2018

No Caminho de Emaús Lc 25, 13-35

No Caminho de Emaús Lc 25, 13-35


No Caminho de Emaús
Abrir os olhos
Ele está no meu de nós!
Lucas 25, 13-35

Texto extraído do livro “O avesso é lado certo – Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Lucas” – dos autores Carlos Mesters e Mercedes Lopes.

1. De que estavam falando pelo caminho?
Duas pessoas andando pela estrada. Desanimadas. Tristes! Estavam indo na direção contrária. Fugindo. Buscando. Imagem de ontem e de hoje. Imagem de todos nós. No ano de 85, muitos discípulos e discípulas andavam pelo caminho, tristes, desanimados, sem saber se estavam no caminho certo. No ano de 1998, parece que a cruz ficou maior e mais pesada. O desemprego, a violência, a droga, a falta de atenção séria à saúde e à educação, a falta de dinheiro, as dívidas... o desespero. Sentimo-nos impotentes frente à corrupção que desvia fundos dos cofres públicos, ou frente à má administração que deixa o povo no desamparo. O sistema neoliberal vai gerando cada dia mais exclusões de indivíduos, grupos e países. Parece que vivemos em um caos, em uma situação sem saída. Temos a impressão de estarmos caminhando ladeira abaixo, para o pior.

2. Tinham os olhos vendados
A experiência da morte de Jesus tinha sido tão dolorosa que eles perderam o sentido de viver em comunidade, abandonaram o grupo de discípulos e discípulas. Sentiram-se impotentes diante do poder que matou Jesus e procuraram salvar pelo menos a própria pele. Sua frustração era tão grande, que nem reconheceram Jesus, quando este se aproximou e passou a caminhar com eles (24,15). Tinham um esquema rígido de interpretação sobre o Messias, e não puderam ver a salvação de Deus entrando em suas vidas. Algumas discípulas tentaram ajudar os companheiros a perceber que Jesus estava vivo (24,22-23). Mas eles se recusaram a acreditar (24,24). Esta notícia era por demais surpreendente. Era o mesmo que dizer que Jesus era o vencedor do caos e da morte. Só podia ser fantasia, sonho, delírio de mulheres (24,11). Impossível acreditar! Quando a dor e a indignação pegam forte, há pessoas que ficam depressivas, desesperadas. Outras se tornam coléricas e amargas. Algumas invocam o fim do mundo com catástrofes que vão tirar os maus da face da terra. Outras buscam evadir-se numa oração sem compromisso social e político. Mas nenhuma dessas posturas ajuda a abrir os olhos e analisar a situação com fé lúcida e responsável, capaz de inventar saídas para esta situação aparentemente sem saída.

3. A Bíblia esquentou o coração, mas não abriu os olhos
Caminhando com eles, sem eles se darem conta, Jesus fazia perguntas. Escutava as respostas com interesse. Dessa maneira, obrigava-os a irem fundo no motivo da sua tristeza e fuga. Procurava fazê-los expressar a frustração que sentiam. Depois, ia iluminando a situação com palavras da Escritura. Procurava situas os discípulos na história do povo, para que pudessem entender o momento que estavam vivendo. Foi uma experiência apaixonante. Mais tarde, eles iriam fazer uma reflexão e perceber que o coração deles ardia, quando Jesus lhes explicava as Escrituras pelo caminho (24,32). Mas a explicação que Jesus dava a partir das Escrituras não conseguiu abrir os olhos dos discípulos.

4. Eles o reconheceram na partilha do pão
Caminhando com Jesus, os discípulos sentiram o coração arder. Cresceu dentro deles uma atitude de acolhida: “Fica conosco! Cai a tarde e o dia já declina!” (24,29). Foi só então que a partilha aconteceu. Partilha de vida, de oração e de pão. Partilha que abriu os olhos e provocou a mais importante descoberta da fé: ele está vivo, no meio de nós! (24,30-31). Esta descoberta lhes deu forças para voltar a Jerusalém, mesmo de noite. Tinham pressa de partilhar com os outros a descoberta que os fez renascer e ter coragem para enfrentar o poder da morte. Sim, Jesus era de fato o vencedor do caos e da morte! Não era fantasia das mulheres. Era uma realidade escondida, misteriosa, que só pode ser descoberta por quem aprende a partilhar, a se entregar, a sair do círculo vicioso dos interesses egoístas, para lutar junto com os outros pela vida de todos. Quando seus olhos se abriram, livres das trevas e travas por poder dominante, puderam descobrir a morte de Jesus como expressão máxima de um amor sem limites. Amor que tem sua origem no Pai cheio de ternura, gerador incansável da vida. Amor que tomou carne em Jesus de Nazaré para visitar e redimir a humanidade. Amor que se mantém fiel até ao extremo de dar a própria vida, para que todos tenham vida (Jo 10,10). Amor que foi confirmado pelo Pai, quando ressuscitou Jesus da morte.

5. Renascer para uma nova esperança
Esta experiência fez os discípulos renascerem para uma nova esperança. Ao redor de Jesus vivo, eles se uniram de novo e assumiram o projeto de vida para todos. A esperança é como um motor que leva a acreditar nos outros e a inventar práticas de fé. Com a esperança renovada, aquilo que parecia uma total impossibilidade passou a ter um novo significado para eles. Perderam o medo, superaram a experiência de incapacidade e de impotência. Deixaram de lado o negativismo derrotista e voltaram, em plena noite, como se fosse de dia. Voltaram para recomeçar, para reconstruir a comunidade, expressão, sinal e sacramento da presença de Jesus Ressuscitado.

6. Refazer hoje a experiência do caminho de Emaús
Desafiados pela atual conjuntura, somos chamados a viver hoje a experiência de Emaús e descobrir, na partilha solidária, a presença de Deus no meio de nós. Como comunidade de fé, somos chamados a reconstruir, no diálogo, na abertura e na acolhida, o projeto de Jesus, pelo qual ele entregou sua própria vida. A solidariedade leva à descoberta da força libertadora de Deus na história. Com olhar lúcido e criativo procuraremos expressar esta fé numa solidariedade bem concreta e articulada, seja a nível de grupo, de bairro ou de cidade. Dizer articulada quer dizer que esta ação solidária deve ser comunitária. Só assim será de fato sinal do Reino e poderá intervir em favor da vida, da vida indefesa dos pobres, os preferidos de Jesus.

Fonte: CEBI

03 abril, 2018

Nossa...A vida é como um rio de acontecimento...

Que saudade de jogar capoeira...

Essa roda de capoeira do Grupo Muzenza com participação de amigos foi em outubro do ano passado, 2017.

Depois dessa roda participei em mais uma esse ano.

Com minha mãe precisando de cuidados desde que sofreu um AVC em fevereiro de 2017, muito pouco consigo participar.

02 abril, 2018

Oração!


"Senhor Jesus, dá-me um coração aberto à tua luz e disponível para a missão. Não falta neste mundo quem procure esconder a verdade, fechar-se à tua luz, refugiar-se em conspirações para defender os seus interesses, afastando-se cada vez mais da simplicidade da verdade e juntando confusão à confusão. Mas só quem se abre à verdade está em paz e pode avançar com simplicidade.
Senhor Jesus, creio na tua ressurreição gloriosa. Faz crescer em mim um
coração de apóstolo. Dá-me uma alma vibrante e generosa, combativa e acolhedora, uma alma que me leve a dar testemunho de Ti em todas as ocasiões, porque só Tu tens Palavras de vida e porque, só na realização do teu Reino, encontrarei a paz.
Interceda por mim a tua Mãe, a Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos. Amém."


Fonte: Dehonianos

Páscoa, o amor de Deus por nós!


Uma abençoada semana a todas e a todos!

Páscoa, o amor de Deus por nós!

Uma linda notícia que alegra os nossos corações, reconstrói vidas e renova esperança: Jesus ressuscitou!

Do que tenho medo? de emprestar meus livros!


30 março, 2018

Sexta-feira Santa


 "Cruz de Cristo, ensina-nos que a aurora do sol é mais forte do que a escuridão da noite e que o amor eterno de Deus vence sempre". Papa Francisco

Amar até o fim!
A amar até o fim foi o que Cristo fez. Na cruz, nos amou sem limite algum, não recuou em nenhum momento, sem se poupar em nada, até o extremo.

Jesus por amor a nós não deixou envolver por limites, não se deteve em barreiras, suportou todas as dores, acima de Sua vida colocou a nossa salvação.

É lindo, o amor de Jesus começa sem que nós O tenhamos amado, não é retribuição, é puro dom, e chega até o extremo ainda que nós não o amamos como deveria.

Um desafio.

É nisso que consiste o amor, São João entendeu –: “Não em termos nós amado a Deus, mas em que Ele nos amou primeiro e enviou o seu Filho para expiar os nossos pecados” (1 Jo 4, 10).

“Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos ladrões e corruptos que, em vez de salvaguardar o bem comum e a ética, vendem-se no miserável mercado da imoralidade” Papa Francisco

29 março, 2018

Quinta-feira Santa


“Compreende o que acabo de fazer?”

Celebramos a nova e eterna Aliança de nosso Deus conosco, que somos suas filhas amadas e filhos amados.

Jesus mesmo falou que desejou muito celebrar conosco esta ceia.

A Eucaristia é a memória de Jesus e de todas aquelas e aqueles que vivenciam experiências das refeições partilhadas, comungam suor e sangue, tristezas e alegrias, sonhos e esperanças, vinho e pão, mesmo diante da opressão e dos poderes opressores.

Jesus o centro da Ceia que oferece sua vida, seu sangue e sua utopia sem impor condições.

Ele pede que façamos o mesmo que ele fez, e assim manter viva sua memória. “Fazei isso em memória de mim!”.

Participar da ceia de Jesus é comprometer-se em dar continuidade de seu testemunho profético contra as injustiças, em defesa da vida, de toda a criação e dar continuidade aos seus gestos de amor e ternura, de cuidado e de acolhida e isso é lindo.

Jesus depois de partilhar o pão e o vinho, lava os pés dos que estão com Ele à mesa, que humildade, serviço que cabia as mulheres e crianças.

Ao lavar os pés, esse lindo gesto de Jesus emociona ao sabermos que é o próprio Deus que de joelho lava nossos pés. Um Deus Pai e Mãe que se inclina diante da humanidade, quebrando assim as hierarquias e revelando a igualdade de todas as filhas e filhos de Deus.
 
Jesus é todo servidor e sua missão compartilhada conosco é o de se colocar a serviço de todo o povo de Deus, principalmente dos pobres e marginalizados.

Um grande desafio.

“Compreende o que acabo de fazer?”

“Vós me chamais de mestre e Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.”

28 março, 2018

Por que condenaram e mataram Jesus?

Um pequeno texto que escrevei porque deu vontade de escrever



Por que condenaram e mataram Jesus?

Jesus foi um profeta que nunca foi submisso, sabia de Sua missão e tudo fez para realizá-la.

Desmascarou as hipocrisias e a falta de fé dos homens de sua época e com humildade, acolhida e Sua presença praticou o que acreditava, rompeu com tradições e costumes de sua época, desafiou os poderosos e trouxe novos ensinamentos.

Conversava, se alimentava e convivia com as/os pagãos que eram considerados impuros e conhecendo como agiam os fariseus (políticos e religiosos da época) o chamava de hipócritas e aproveitadores.

Aproximava das mulheres samaritanas, curava judeus e pagãos. Isso chocava e escandalizava.

Quando propôs a perdoar as pessoas de seus pecados orientando-as, mais escândalo Ele causou.

Aí os poderosos falavam: “Ele é um impostor, pois só Deus pode perdoar.” Jesus dizia: “Eu estou em Deus e Deus está em mim.”

As atitudes e as falas acolhedoras e transformadoras incomodavam os poderosos porque Jesus tinha poderes que eles não tinham, estava se tornando popular e demonstrava na prática o quanto os sacerdotes estavam distantes de Deus. Com isso se sentiram desmoralizados e com inveja.

Jesus trazia muitas novidades e novas mensagens. O poder dos sacerdotes e a ordem injusta dos poderosos estavam em risco. Não quiseram acolher a mensagem de Jesus, não quiseram acolher o Reino de Deus. Diante de tal risco, decidiram se livrar de Jesus, por inveja e por medo de perder o poder.

21 março, 2018

Confessar é envergonhar-se do que fez, afirma o papa


Confessar é envergonhar-se do que fez, afirma o papa

Papa Francisco, “Se eu pergunto: ‘Vocês são todos pecadores?’ – ‘Sim, padre, todos’ – ‘E para receber o perdão dos pecados?’- ‘Nos confessamos’ – ‘E como você se confessa?’- ‘Vou, digo meus pecados, o padre me perdoa, me dá três Ave Marias para rezar e vou embora em paz’.

Afirma o papa, “Você não entendeu! Fazendo assim, você foi ao confessionário fazer uma operação bancária ou um processo burocrático. Não foi lá envergonhado pelo que fez. Viu algumas manchas em sua consciência e errou, porque pensou que o confessionário fosse uma lavanderia para limpar as manchas. Você foi incapaz de envergonhar-se por seus pecados”.

O Santo papa reza pedindo a graça da vergonha diante de nosso Deus - "Peçamos hoje ao Senhor a graça de entender este “setenta vezes sete”. Peçamos a graça da vergonha diante de Deus. É uma grande graça! Envergonhar-se dos próprios pecados e assim receber o perdão e a graça da generosidade de dá-lo aos outros, porque se o Senhor me perdoou tanto, quem sou eu para não perdoar?”.

O poder de assassinar pessoas sem o risco de ser punido

"A diferença entre a opressão humana, como senhora da estrutura soberana socioeconômica, mandante dessa realidade, e a exclusão social da conjuntura que a expressa aparece clara nesses números, não exclusivos do meio rural, como se sabe, mas também do meio urbano", escreve Jacques Távora Alfonsin, procurador aposentado do estado do Rio Grande do Sul e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos.

Eis o artigo.

O assassinato da vereadora negra Marielle está sendo objeto de opiniões as mais apaixonadas e controvertidas, como sempre acontece quando morre algum/a defensor/a de direitos humanos que tenha se notabilizado em defender gente pobre. A violência do chamado “sistema” sócio econômico e político vigente no Brasil, atualmente estreitando os laços históricos que o servem dentro do Estado, nem está mais preocupada em mostrar o seu poder de agressão ao direito alheio, especialmente se esse for considerado contrário a qualquer dos seus interesses.

Para essa outro tipo de PPP (política privado-pública), se for necessário eliminar a vida de pessoas ou grupos que a ela se oponham, utilizar de novo os métodos terroristas do Estado, torturando e matando como aconteceu em 1964, isso será feito. E agora, “de acordo com o devido processo legal”, como as infâmias da história “oficial” do país tentem convencer terem sido justificadas as mortes de muitas heroínas e heróis do passado brasileiro, verdadeiras/os ancestrais de Marielle. Como Zumbi, as/os líderes das revoltas de Queimados, o “Almirante negro” João Cândido da revolta da chibata, entre muitas/os mortos por se insurgiram contra a escravidão e abusos do Poder Público.

Por uma trágica coincidência, no mesmo dia 14 deste março em que Marielle foi assassinada, a CPT (Comissão Pastoral da Terra) publicou nota em seu site, onde se pode identificar tanto as causas remotas e, de fato, praticamente inimputáveis da violência e da insegurança, ora crescendo no Brasil, quanto as causas próximas das injustiças presentes em uma e outra. Depois de denunciar o boicote de toda a política pública imposta desde o golpe institucional, no que se refere ao acesso à terra da multidão que à ela tem direito, diz a nota:

“A face mais cruel deste cenário é o crescimento dos conflitos e da violência no campo. Os números gritam. Em 2017, 65 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo(dados parciais), registrados pelo Centro de Documentação Dom Tomás Balduino(CEDOC) da CPT. O número mais elevado desde 2003. Quase metade deles em situações de massacres (3 mortos ou mais na mesma ocasião): 9 pessoas em Colniza (MT), 10 em Pau D’Arco (PA), 6 em Lençóis (BA) e 3 em Vilhena (RO). E ainda circularam notícias de massacres de mais de uma dezena de indígenas isolados que, por causa mesmo do seu isolamento, é muito difícil comprovar. Mas, se comprovados, dariam a 2017 um macabro recorde. Além dos assassinatos e massacres, outro expediente tem sido mais acionado para “liberar” as terras: expulsões de famílias diretamente pelo latifúndio e o agronegócio, e despejos de outras milhares de famílias em cumprimento a ações judiciais favoráveis a supostos proprietários e/ou grileiros. Entre os anos de 2012 e 2016 foram despejadas 52.737 famílias no campo brasileiro, segundos dados do CEDOC da CPT. Só na região Sul do Pará, no final de 2017, a Vara Agrária de Marabá determinou a execução de sentenças de reintegração de posse contra 2 mil famílias. Talvez por isso também Marabá tenha sido escolhida para o presidente golpista celebrar os números de sua anti-reforma agrária. Neste início de ano, já houve o despejo, entre outros, de 800 famílias em Canguaretama (RN), 400 em Iranduba, Manacapuru e Novo Airão (AM), 140 em Capitão Enéas (MG).” {...} “em 2017 não foi assentada nenhuma família sem-terra. Nenhuma! Continuam elas sendo cerca de 4,8 milhões, neste país continental, de maioria das terras sendo públicas e griladas e com a maior área ainda agricultável do planeta. E os povos indígenas e comunidades tradicionais continuam à espera de seus direitos constitucionais, dívida histórica mais uma vez postergada.”

A diferença entre a opressão humana, como senhora da estrutura soberana socioeconômica, mandante dessa realidade, e a exclusão social da conjuntura que a expressa aparece clara nesses números, não exclusivos do meio rural, como se sabe, mas também do meio urbano. Daí as reações “legais” literalmente armadas pela estrutura da opressão, no atacado, contra quem ousa, tem a coragem de contariá-la, no varejo, conjunturalmente, como fazia Marielle e fazem movimentos sociais populares como o MST e o MTST.

Disso dá exemplo o projeto de lei do deputado Jerônimo Goergen, aqui já criticado, enquadrando os protestos de um e outro desses movimentos como terroristas. Com o apoio da bancada ruralista, ele já conseguiu assinaturas suficientes para impor urgência na aprovação do mesmo.

Eis-nos devolvidos, nos termos desse projeto de lei, ao atraso da época em que a escravidão era considerada legal, a opressão política e a exclusão socialpremiadas como virtudes cívicas, e não punidas pelo Direito Penal. O assassinato de Marielle - basta a leitura de alguns comentários vergonhosos transitando pelas redes sociais - avisa e confirma o conselho do cineasta Marcos Manhãs Marins, publicado pela Editora Caros Amigos (”Revoltas populares no Brasil", fascículo 6), sobre a conveniência de se reexaminar as causas e os efeitos da “revolta da Chibata”, justamente por ela ter revelado, em pleno nascimento da nossa República, o que de pior havia na escravidão do negro durante o Império:

“Considero importante discutir a revolta. Ela remete a uma reflexão sobre a soberba com que algumas autoridades ainda tratam as pessoas, como se fossem senhores de escravos. Isso não se restringe à Marinha, a “chibata virtual” está presente em vários lugares: na turba de justiceiros (estes que lincham negros ao menor sinal de suspeita), no racismodos policiais (nas abordagens, nas prisões sem provas), nos autos de resistência (que justificam a morte de milhares de jovens negros), no racismo judiciário (que permitem que negros fiquem mais tempo presos e só 27% obtenham absolvição contra 67% de brancos), nos espancamentos e execuções sumários por policiais que prendem e matam mais negros do que brancos, e no assédio moral de diversas empresas e instituições privadas e públicas, ao negro e ao pobre.”

Marielle morreu pela mão desses poderes. Por mais que eles prossigam oprimindo politicamente (estrutura) e excluindo socialmente (conjuntura), ela vai ressuscitar em cada brasileira/o que seguir o seu exemplo.


Fonte: IHU

20 março, 2018

As respostas do Papa: a prostituição não é amor, mas torturar uma mulher


Francisco responde a cinco perguntas dos participantes na reunião pré-sinodal para os jovens: uma jovem nigeriana libertada da rua, um francês ateu, uma argentina professora das Scholas, um seminarista ucraniano e uma jovem religiosa chinesa

Alessandro di Bussolo, Silvonei José - Cidade do Vaticano



Gostaria que vocês jovens lutassem contra o crime de exploração sexual das mulheres, contra a “mentalidade doente segundo a qual a mulher deve ser explorada”. É um crime contra a humanidade, e um jovem que tem esse hábito, pare, porque é um criminoso: ir com uma prostituta “não é fazer amor, mas torturar uma mulher”. Foi o que disse o Papa Francisco na reunião pré-sinodal para os jovens em Roma, respondendo a uma pergunta de uma jovem nigeriana vítima do tráfico de seres humanos que conseguiu escapar da rua. E pede perdão por todos os católicos que praticam este ato criminoso, que na Itália, provavelmente, são a maioria dos clientes.

A mentalidade doente segundo a qual a mulher deve ser explorada

Blessing Okoedion, que chegou à Itália há quatro anos com o engano e forçada a prostituir-se, pede ao Papa como ajudar os jovens a permanecerem humanos e a vencer a mentalidade doente que reduz a mulher a mercadoria “para o prazer egoísta do homem”. E se a Igreja, ainda tão machista, é capaz de questionar-se sobre o fato de que muitos clientes são católicos.

Francisco agradece pela pergunta “sem anestesia” e recorda que, em 2017, visitou uma casa da associação Papa João XXIII de padre Benzi e encontrou outras jovens que foram libertadas da escravidão. “Quando se libertam – conta o Papa - elas não têm a coragem de voltar para casa, de dizer a verdade à família: elas não querem que a família fique suja com esta história”. E conta a história de amor entre um voluntário e uma jovem ajudada a escapar da rua.

Perdão pelo crime dos católicos que pagam para fazer sexo

Mas não há feminismo, continua o Papa Francisco, que conseguiu retirar do imaginário coletivo a mentalidade doente segundo a qual “a mulher deve ser explorada”. E fala sobre uma jovem africana vendida por uma mulher consagrada ou de uma leiga comprometida na sua paróquia. É um problema sério, conclui, e eu gostaria que vocês jovens lutassem por isso.

E, por favor, se um jovem tem esse comportamento, pare, hein? É um criminoso. Quem faz isso é um criminoso. “Mas, padre, não se pode fazer amor?” – “Não, não: isso não é fazer amor. Isso é torturar uma mulher. Não confundamos os termos”. Isso é criminoso. Mentalidade doente. E quero aproveitar deste momento, porque você falou de batizados, de cristãos, para pedir perdão a vocês e à sociedade, por todos os católicos que praticam este ato criminoso.


Fonte: Vatican News