26 outubro, 2018

Um resumo de informações e análises publicadas pela imprensa em geral


Um resumo de informações e análises publicadas pela imprensa em geral

Estão chegando ao final as eleições mais excepcionais da história do Brasil. Depois de ter o líder das pesquisas impedido de concorrer, um primeiro turno turbinado pela onda conservadora e pela máquina de fake news, a eleição termina com o TSE e o STF sob fogo: de um lado, ameaças da família Bolsonaro, de outro muitas críticas quanto à passividade dos tribunais. Nesta edição, discutimos tudo isso e chamamos a atenção para a presença militar desde agora no processo político, as sombras tenebrosas que se projetam no futuro e inúmeros casos de censura. Antes de mais nada, a pergunta: vai virar?

Vamos lá.

Sinais, fortes sinais. As últimas pesquisas, em especial Ibope, Vox Populi e Datafolha, deram ânimo à campanha de Fernando Haddad. Apesar das divergências, as três mostram pelo menos um viés: a distância está diminuindo. O Datafolha realizado entre quarta (24) e quinta mostrou que a diferença caiu seis pontos em relação ao levantamento feito nos dias 17 e 18. “O resultado é a mais expressiva oscilação na curva das intenções de voto no segundo turno até aqui, e reflete um período de exposição negativa para o deputado do PSL”, avalia reportagem da Folha. No centro da disputa, estão os eleitores indecisos (14%), um índice inédito em segundo turno de eleições presidenciais. Há movimentações inclusive entre os setores evangélicos. Alguns dos motivos da queda, na visão de políticos à direita: as falas extremadas de Bolsonaro e filho nos últimos dias e um acerto na campanha do PT. Antes mesmo do Datafolha, Bolsonaro já deu mostras de nervosismo, pedindo que deputados eleitos atuassem mais na campanha presidencial.

Um detalhe da mobilização pró-Haddad é o caráter cívico e não partidarizado. Além de artistas e intelectuais, estão chamando a atenção os pequenos grupos que se organizaram nos últimos dias para virar voto nas ruas. Começando por Recife, estão sendo realizados atos de encerramento da campanha. Na ausência do debate na Globo, que poderia acelerar a diminuição na diferença, um fato importante para esta sexta é o retorno de Ciro Gomes, que estava em Paris, que poderia fazer uma declaração firme pelo voto em Haddad. Na semana que passou, Marina Silva declarou seu apoio crítico a Haddad, enquanto Fernando Henrique Cardoso deu apenas declarações contrárias a Bolsonaro, enquanto internamente os tucanos divergem sobre uma declaração de voto em Haddad. Interessante notar que o apresentador Luciano Huck barrou uma nota de voto crítico em Haddad por seu movimento político. Há um claro embate entre políticos e intelectuais: enquantos uns decidem apoiar Haddad, em nome da democracia, há outros que lavam as mãos ou, simplesmente, aderem. No Boa Leitura, selecionamos mais textos sobre isso.

As instituições estão funcionando. Só que não.  "É a primeira vez numa democracia que estamos observando o uso do WhatsApp para disseminar maciçamente notícias falsas”. A frase é da ex-presidente da Costa Rica e chefe da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) para as eleições no Brasil, Laura Chichilla. Aparentemente não é o que pensa o TSE. No domingo passado, a ministra Rosa Weber anunciou em coletiva que estava tudo bem. No mesmo dia, em vídeo para apoiadores, Bolsonaro avisava que vai mandar a oposição para a prisão ou para o exílio, enquanto circulava um vídeo do seu “garoto” afirmando que bastava um cabo e um sargento para fechar o STF. As reações do STF e do Poder judiciário em geral se limitaram a declarações à imprensa. A postura tímida das cortes não surpreendeu juristas ouvidos pela Rede Brasil Atual.

É evidente que o TSE fracassou. Prova disso é de que da centena de casos investigados pelo Ministério Público na eleição, apenas um é sobre fake news. O episódio revela um mercado ilegal de dados e a violação das próprias regras destas redes sociais. A prática também põe por terra o argumento de espontaneidade da campanha. Ao contrário, pesquisa da UERJ demonstra que ação é bastante profissional e orquestrada, confirmando as denúncias da Folha de São Paulo. Reportagem da revista Época fez um bom detalhamentode como funciona a máquina de WhatsApp e as relações com a campanha. A Carta Capital também vê estranhas semelhanças entre o recente vazamento de dados do Facebook e a ação eleitoral massiva, lembrando a prática da Cambridge Analytics e da própria rede na eleição de Trump e no Brexit. Um exemplo quase cômico da ação de robôs foi uma matéria da Folha sobre joalherias. Por conta da palavra “bolso” no título, centenas de robôs ligados ao deputado passaram atacar a reportagem.

RADAR

Carta na manga. Está claro que, por hora, o caso do lava zap vai ficar como está. Por hora. Os ritmos da apuração e a boa vontade do TSE não devem encerrar o caso neste ano. O que significa que, caso seja eleito, Bolsonaro começaria seu mandato com uma possibilidade de cassação da chapa pairando no ar. O The Intercept resume o dilema. Resta saber se o judiciário terá a mesma presa que teve com Lula.

República aquartelada. As Forças Armadas não precisaram esperar a eleição do seu candidato para voltarem ao cenário político. Na antessala do presidente do STF, está o general da reserva Fernando Azevedo e Silva. Segundo a revista Época, “amicíssimo do General Mourão” e ex-colega de Bolsonaro nos Agulhas Negras. Também não seria surpresa se o general Sérgio Etchegoyen, responsável pela mudanças na política de espionagem do governo, permanecesse num futuro governo. A sua escalada no poder é tema de reportagem do The Intercept. Segundo a imprensa, pelo menos três generais estariam num eventual ministério. E haveria consensos na equipe militar: tipificar movimentos como terroristas, reduzir a maioridade penal, a volta da moral e cívica às escolas e o “expurgo” (sic) de Paulo Freire, entre outros. Porém, tanto a Folha de São Paulo quanto o Correio Braziliense apuram que os militares também temem que um fracasso do governo vá para conta da caserna.

Teu futuro é duvidoso. Nesta semana, o deputado carioca recebeu dez empresários que representariam 32% do PIB. A campanha vendeu o encontro como apoio, mas reportagem do El País mostra que os empresários também têm suas dúvidas e críticas Em especial sobre o papel do BNDES e a política tarifária, como alertamos na semana passada. Também alertamos que a posição anti-China preocupa o empresariado. Agora, a CNI também manifestou-se contrária a extinção do Ministério de Indústria e Comércio. Enquanto o programa de Paulo Guedes é ultraliberal, Bolsonaro vai ter que lidar com o fato de que 44% da sua base eleitoral é contra as privatizações, em especial da Petrobras. E economistas ouvidos pelo Poder 360 avisam que a proposta de Orçamento Base Zero é pouco efetiva e sem benefícios a curto prazo, porque esbarra nas despesas obrigatórias constitucionais. O certo é que uma antiga reivindicação do sistema financeiro, a independência do Banco Central, está nos planos, incluindo a manutenção de Ilan Goldfajn na presidência. Aliás, Paulo Guedes teria interesse em manter membros da equipe econômica de Temer.

Agressões. Se repetir o padrão das eleições norte-americanas, o Brasil poderá ter um pico de violência após o segundo turno. Segundo pesquisa do Centro para Estudo do Ódio e Extremismo da universidade californiana, o dia seguinte à eleição de Donald Trump registrou 44 crimes de ódio. No mês em que Trump foi eleito, 758 ocorrências relacionadas à preconceitos contra uma raça, religião, etnia ou gênero. Segundo monitoramento da plataforma Violência política no Brasil, 133 casos de agressões cometidos por apoiadores do deputado foram registrados somente em outubro. O sinal de alerta com a escalada de violência teria soado inclusive nas forças armadas.

Reformas às avessas. Cobrança de mensalidades nas universidades públicas e o fim das eleições para reitores estão entre as propostas da equipe do candidato do PSL para a educação. Segundo a equipe, as universidades estão "aparelhadas" por partidários de "ideologia de esquerda". A equipe já teria inclusive um mapeamento de “quem é quem” no meio acadêmico para barrar eventuais eleitos. A reportagem é da rede Brasil Atual.

Mais do que vem por aí. Cientistas, ambientalistas, ex-ministros do Meio Ambiente, além do atual gestor da pasta, vêm alertando que, se Bolsonaro vencer e cumprir o que promete, o desmatamento da Amazônia poderia disparar. Enquanto isso, matéria do jornal Valor Econômico desta sexta (26) mostra que fabricantes de armas estão de olho no mercado brasileiro. Bem vindos ao passado.

RETROCESSO DIÁRIO

Censura. No dia 20, policiais e fiscais do TRE-RJ invadiram a sede do Sindipetro em Macaé e apreenderam exemplares do tablóide especial sobre as eleições do Brasil de Fato.Segundo o advogado Patrick Mariano, a ação foi arbitrária e ocorreu fora da normalidade, ao mesmo tempo em que o TSE tem sido omisso no escândalo das fake news. O Brasil de Fato compara ainda o tratamento recebido com a omissão com a partidarização da cobertura pela grande mídia. A Abraji, associação de jornalismo investigativo, condenou a apreensão dos jornais.

Censura (2). Nesta semana, universidades, associação de docentes e diretórios acadêmicos também foram alvos de ação da Polícia Federal e de Tribunais eleitorais. A DW Brasil apurou que ao menos 27 instituições de ensino superior tiveram a presença de agentes dos TREs e da PF nesta quinta (25). Coincidência ou não, paralelamente apoiadores de Bolsonaro invadiram instituições, como um caso que ocorreu em Santa Catarina.

Coerção. Levantamento da Agência Pública revela que a maioria das empresas acusadas de coação de funcionários nas eleições e investigadas pelo Ministério Público do Trabalho e pela Procuradoria Geral do Trabalho são relacionadas a Bolsonaro. Em 57 empresas investigadas, 28 delas são acusadas de coação. A maior parte das denúncias concentra-se na região Sul.

VOCÊ VIU?

Moro. A equipe de Bolsonaro estaria considerando o nome de Sérgio Moro para ocupar uma vaga no STF. Fontes próximas ao juiz dizem que ele estaria inclinado em aceitar o convite. A ideia não caiu bem no Supremo. Um grande acordo nacional costurado pelo General Etchegoyen com Moro e Raquel Dodge no STF já havia sido mencionado aqui na semana passada, citando a Carta Capital.

Saída pela direita. A equipe de Michel Temer tem se encontrado com frequência com os assessores de Bolsonaro. Já esteve na pauta a Reforma da Previdência e agora os assessores palacianos negociam uma saída honrosa para Temer. Leia-se foro privilegiado. Uma embaixada diplomática seria uma possibilidade, revela O Globo. O namoro com Temer pode incluir ainda a permanência de ministros como Mendonça Filho e o acordo para a reeleição de Rodrigo Maia na presidência da câmara.

Relações perigosas. Bolsonaro deve ser convidado para a primeira reunião da Cúpula de extrema-direita convocada para o próximo ano em Bruxelas. A organização foi criada pelo político belga Mischaël Modrikamen e pelo ideólogo de Donald Trump, Steve Bannon. “O Movimento” (assim mesmo) promove ideias nacionalistas e populismo de direita, sobretudo na Europa.

Absolvição. Chegou ao fim o caso dos 18 jovens presos num ato Fora Temer em São Paulo em 2016. A juíza absolveu todos os réus. O caso ganhou notoriedade tanto pelos buracos no processo quanto pela participação de um capitão do exército infiltrado entre os protestos. A Ponte recapitula todo o episódio.

Ainda Censura. Levantamento do The Intercept demonstra que o deputado do PSL é o candidato que mais ações judiciais para retirar conteúdo do ar na internet: 23 ações. Veículos de imprensa tradicionais como a Folha e a editora Abril também entraram na mira do Deputado, além do Facebook. Contra a rede social, foram 17 processos, todos negados.

E mais censura. O professor e jornalista Juremir Machado demitiu-se no ar de um programa da Rádio Guaíba. Juremir e outros participantes foram impedidos de perguntarem ao candidato Bolsonaro em entrevista. A emissora pertence ao grupo Record, da Igreja Universal. A Carta Capital publica uma análise do papel da Record e um possível choque com a Rede Globo no futuro.

É BOATO (QUE NÃO ACABA MAIS)

Enxurrada. Das 123 notícias falsas analisadas por agências de checagem de informação no período eleitoral, 104 eram contra Haddad. O levantamento é do site do Congresso em Foco.

BOA LEITURA

Fake news verde oliva. Na Carta Capital, o advogado Rodrigo Lentz demonstra como o uso de fake news nas eleições foram planejadas de acordo com as diretrizes da Escola Superior de Guerra e da Doutrina de Segurança Nacional da ditadura. O mesmo tema é abordado pelo antropólogo Piero Leirner em entrevista ao El País.

Guerra Híbrida. No Brasil de Fato, o autor de “Guerras Híbridas”, Andrew Korybko, descreve largamente sua teoria e analisa o cenário brasileiro a partir dela. O sociólogo Laymert Garcia dos Santos (Unicamp) também usa o conceito para analisar tanto o uso das redes sociais quanto a omissão do TSE no processo.

AI-R reloaded. O decreto sobre a política de inteligência de Temer, conhecido como o seu AI-5, é dissecado neste post de Antônio Salvador e como ele se relaciona com o projeto de mudança da lei antiterrorismo.

Ustra. A absolvição do General Ustra pela morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino corresponde a um segundo assassinato, como denuncia sua sobrinha e também jornalista Tatiana Merlino. No Le Monde Diplomatique, a especialista em justiça de transição Carla Osmo elenca todas as fragilidades do processo na justiça. Na revista Vice, Fernando Cesarotti demonstra como o problema está na forma como o país tratou os crimes da ditadura desde a anistia.

Duterte. A revista Vice e Mario Sérgio Conti vêem semelhanças perigosas entre o presidente da Filipinas, Rodrigo Duterte, e Bolsonaro: populismo penal de soluções simples para questões complexas. Além de mortes extrajudiciais, Duterte atacou grupos políticos adversários, prendeu uma senadora da oposição e tramou para a presidente da Suprema Corte local fosse destituída.

Fascismo 2.0. Timothy Snyder, autor de “Sobre a Tirania”, fala sobre o papel da internet em alimentar os novos fascismos: empresas como a Cambridge Analytica usam a riqueza e a internet para influenciar eleições, a partir das emoções e notícias falsas. “Uma das maneiras mais fáceis de manipular as pessoas, de mantê-las longe dos dados, é dividir o mundo entre eles e nós”.

Aos que preferem não. “Esta é uma eleição em que um candidato, Fernando Haddad, por mais ressalvas que se possa ter a ele e ao seu partido, tem um projeto democrático, e o outro candidato nega a democracia”, escreve a jornalista Eliane Brum.

Concertação democrática. Defender as instituições democráticas significa hoje reconstruí-las. Em novas bases, repactuadas. O primeiro passo é reunir quem está alarmado, inquieto e construir uma frente como espaço comum de formulação e ação. Artigo de Marcos Nobre na revista Piauí.

Imprensa e democracia. Na Folha de São Paulo, a ex-editora do jornal, Eleonora de Lucena, escreve: “Este jornal escreveu história na campanha das Diretas. Depois, colocou-se claramente contra os descalabros de Collor. Agora, titubeia - para dizer o mínimo. A defesa da democracia, dos direitos humanos, da liberdade está no cerne do jornalismo. Não adianta pedir desculpas 50 anos depois.”

Gente frouxa. Um dos textos que mais circulou nesta semana foi do escritor e artista plástico Nuno Ramos, na Folha, criticando a inércia de políticos e intelectuais diante da ameaça fascista. “Precisamos de declarações bem claras de condenação à Venezuela antes de assinar manifestos democráticos? Você ainda não entendeu que a Venezuela é aqui, agora?”

Jogue como uma menina. Sissi, ex-capitã da seleção brasileira feminina escreve uma carta para Ana Vitória, capitã da Seleção sub-20, sobre as dificuldades e conquistas de sua trajetória. Leia a carta e a resposta de Ana Vitória no Puntero Izquierdo.

Fonte:  Ponto - Informação sem ruído
Ponto é uma newsletter semanal editada pelo jornal Brasil de Fato com um resumo de informações e análises publicadas pela imprensa em geral.

Para Refletir


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24 outubro, 2018

Nota da CNBB por ocasião do 2º turno das eleições

No documento, os bispos reforçam que as eleições são ocasião de exercício da democracia que requer dos candidatos propostas e projetos que apontem para a construção de uma sociedade em que reinem a justiça e a paz social. Os bispos exortam a que se deponham as armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira. 

Abaixo, a íntegra do documento.  


Nota da CNBB por ocasião do 2º turno das eleições

Jesus Cristo é a nossa paz! (cf. Ef 2,14)

O Brasil volta às urnas para eleger seu novo presidente e, em alguns Estados e no Distrito Federal, seu governador. Fiel à sua missão evangelizadora, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de seu Conselho Episcopal Pastoral (Consep), reunido em Brasília-DF, nos dias 23 e 24 de outubro, vem ratificar sua posição e orientações a respeito deste importante momento para o País.

Eleições são ocasião de exercício da democracia que requer dos candidatos propostas e projetos que apontem para a construção de uma sociedade em que reinem a justiça e a paz social. Cabe à população julgar, na liberdade de sua consciência, o projeto que melhor responda aos princípios do bem comum, da dignidade da pessoa humana, do combate à sonegação e à corrupção, do respeito às instituições do Estado democrático de direito e da observância da Constituição Federal.

Na missão de pastores e profetas, nós, bispos católicos, ao assumirmos posicionamentos pastorais em questões sociais, econômicas e políticas, o fazemos, não por ideologia, mas por exigência do Evangelho que nos manda amar e servir a todos, preferencialmente aos pobres. Por isso, “a Igreja reivindica sempre a liberdade, a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76). Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada” (CNBB – Mensagem ao Povo de Deus – 19 de abril de 2018). Inúmeros são os testemunhos de bispos que, na história do país, se doaram e se doam no serviço da Igreja em favor de uma sociedade democrática, justa e fraterna.

A CNBB reafirma seu compromisso, sobretudo através do diálogo, de colaborar na busca do bem comum com as instituições sociais e aqueles que, respaldados pelo voto popular, forem eleitos para governar o País.

Exortamos a que se deponham armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira. Toda atitude que incita à divisão, à discriminação, à intolerância e à violência, deve ser superada. Revistamo-nos, portanto, do amor e da reconciliação, e trilhemos o caminho da paz!

Por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, invocamos a bênção de Deus para o povo brasileiro.

Brasília-DF, 24 de outubro de 2018

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador
Presidente da CNBB em exercício
Dom Guilherme Antônio Werlang
Bispo de Lajes
Vice-Presidente da CNBB em exercício
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Fonte: CNBB

Vale a pena ler o depoimento do meu amigo o Teólogo Celso Pinto Carias



O PT me decepcionou e MUITO. Sacrifiquei juventude e até família por acreditar na CAUSA. Os setores que comandavam o PT não tinham o direito de não caminhar com o POVO. Deveriam correr o risco de perder eleições buscando quebrar o sistema e não manter o modelo predominante de GOVERNABILIDADE. Possibilitou que, de fato, houvesse desvios sérios, manchando a história de muitos que não se corromperam. Mas somente uma pessoa desonesta ou submetida a forte propaganda do ódio, pode concluir que o PT institucionalizou a CORRUPÇÃO. Entrei no PT em 1986 e saí em 2004, antes que a construção do antipetismo tomasse grandes proporções. O PT ainda não fez uma profunda revisão do seu caminho. APESAR DE TUDO voto sem vacilar em HADDAD. Trata-se de um voto na DEMOCRACIA, NA PAZ, NO RESPEITO, NO AMOR, na garantia de que posso respirar gás na rua, e tomar pimenta na cara, mas que não serei processado por pensar de forma diferente. Trata-se de não dar condições para que inocentes morram. Por favor, esta CORTINA DE FUMAÇA poderosa que conseguiram criar de FAMÍLIA, ABORTO, KIT GAY, COMUNISMO (KKKKKKKK), com o auxílio de lideres religiosos, muitos por sincero medo, e outros por puro oportunismo, possa ser retirada de sua frente. E PT, POR FAVOR, GANHANDO OU PERDENDO, REVEJA O SEU CAMINHO. Que o DEUS DA VIDA seja a nossa luz e que possamos caminhar juntos se o pior acontecer. (Celso Pinto Carias - Doutor em Teologia pela PUC-Rio, mendigo de Deus, morador da Baixada Fluminense).  

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Celso Pinto Carias, vive em Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro. É doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), onde trabalha. Assessor das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB (Comissão do Laicato, Setor CEBs), vem acompanhando a vida dessas Comunidades desde 1989, quando ajudou a coordenar os serviços do 7º Encontro Intereclesial, em Duque de Caxias. Participa do grupo de assessoras e assessores da Ampliada Nacional das CEBs.

Um lindo exemplo Com dinheiro do Dízimo, padre e comunidade constroem casas para famílias em extrema pobreza.

Sou Fernando Haddad


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23 outubro, 2018

Discurso de 'eliminar adversário' deveria deixar país alerta, dizem estudiosos de genocídios


Discurso de 'eliminar adversário' deveria deixar país alerta, dizem estudiosos de genocídios

No último domingo (21), diante de uma multidão na avenida Paulista, o candidato à Presidência da República,Jair Bolsonaro (PSL), falou por meio de um telão seus planos para parte da oposição, caso eleito. 


"Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria", disse. Pouco antes, o capitão da reserva havia falado também em limpeza: "A faxina agora será muito mais ampla. Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora, ou vão pra cadeia".

A 10 mil quilômetros dali, em Sarajevo, o pesquisador bósnio Hikmet Karcic disse que o tom do discurso merece "preocupação" e deveria ser um "sinal de alerta". Estudioso de genocídios como o que matou milhares há 23 anos em Srebrenica, no leste da Bósnia, Karcic afirma que esse tipo de fala deveria ser motivo de "alerta vermelho".

"Nenhum país ou povo do mundo está a salvo do risco do genocídio."

Para Karcic, a ameaça "começa com um discurso, vai para uma política de Estado e pode virar uma atrocidade. Não podemos subestimar o risco da violência", disse ao UOL, por telefone.

Além do Holocausto, que matou milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, a humanidade assistiu a outros episódios de eliminação sistematizada de "adversários" nos últimos 30 anos: em 1995, ao menos 8.000 bósnios foram mortos no massacre de Srebrenica; e um ano antes, entre 500 mil e 1 milhão foram mortos em Ruanda, na África.

Para Karcic, apesar das muitas diferenças entre o cenário da sociedade bósnia dos anos 1990 e do Brasil de 2018, há sinais que, em qualquer sociedade, não devem ser ignorados. São eles: 

Criação de "etiquetas" para os cidadãos: como a de cidadãos "de bem" versus outros; pertencentes à etnia hutu contra tutsis, em Ruanda; ou, no caso da Bósnia, sérvios, bósnios e croatas --todos contra todos; 

Fim de vínculos sociais: "amigos, vizinhos ou familiares estão deixando de se falar por causa dessas divisões? Isso é muito grave", diz Karcic;

Discurso envolvendo "limpeza" ou "eliminação" do adversário: "Nós éramos uma sociedade em que as pessoas conviviam e ninguém sabia ao certo quem era o quê. Não importava. Mas em pouco tempo isso mudou: com propaganda e medo, começou o ódio, aconteceu o massacre e as pessoas acharam normal. O terreno havia sido preparado para isso", resume Karcic, que defendeu seu doutorado sobre "Campos de detenção como uma ferramenta para limpeza étnico-religiosa de não sérvios na Bósnia". 

Eliminação como política de Estado
Um dos episódios mais cruéis da tragédia bósnia ocorreu há 23 anos. Em julho de 1995, no coração da Europa e sob os olhos da comunidade internacional, homens armados invadiram a pequena cidade de Srebrenica e mataram mais de 8.000...Continue lendo....
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22 outubro, 2018

Aniversário de meu pai

CNBB e entidades consideram inquietantes episódios ocorridos nos últimos dias


Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB, assina Nota Conjunta com outras entidades repudiando as ações de violência dos últimos dias, reiterando compromisso com a preservação de um ambiente sociopolítico genuinamente ético, democrático, de diálogo, com liberdade de imprensa, exortando a renovação de respeito pela Constituição Federal,  manifestando a defesa irrestrita e incondicional dos direitos fundamentais sociais e declarando, por fim, a sua compreensão de que não há desenvolvimento sem justiça e paz social.

Confira a Nota na íntegra:


NOTA CONJUNTA

As entidades signatárias abaixo nominadas, representativas da sociedade civil organizada, no campo do Direito e das instituições sociais, por seus respectivos Representantes, ao largo de quaisquer cores partidárias ou correntes ideológicas, considerando os inquietantes episódios descortinados nos últimos dias, nas ruas e nas redes sociais, ao ensejo do processo eleitoral, de agressões verbais e físicas – algumas fatais – em detrimento de indivíduos, minorias e grupos sociais, a revelar crescente desprestígio dos valores humanistas e democráticos que inspiram nossa Constituição cidadã, fiadores da convivência civilizada e do exercício da cidadania, vêm a público:

AFIRMAR o peremptório repúdio a toda manifestação de ódio, violência, intolerância, preconceito e desprezo aos direitos humanos, assacadas sob qualquer pretexto que seja, contra indivíduos ou grupos sociais, bem como a toda e qualquer incitação política, proposta legislativa ou de governo que venha a tolerá-las ou incentivá-las;

REITERAR a imperiosa necessidade de preservação de um ambiente sociopolítico genuinamente ético, democrático, de diálogo, com liberdade de imprensa, livre de constrangimentos e de autoritarismos, da corrupção endêmica, do fisiologismo político, do aparelhamento das instituições e da divulgação de falsas notícias como veículo de manipulação eleitoral, para que se garanta o livre debate de ideias e de concepções políticas divergentes, sempre lastreado em premissas fáticas verdadeiras;

EXORTAR todas as pessoas e instituições a que reafirmem, de modo explícito, contundente e inequívoco, o seu compromisso inflexível com a Constituição Federal de 1988, no seu texto vigente, recusando alternativas de ruptura e discursos de superação do atual espírito constitucional, ancorado nos signos da República, da democracia política e social e da efetividade dos direitos civis, políticos, sociais, econômicos e ambientais, com suas indissociáveis garantias institucionais;

MANIFESTAR a defesa irrestrita e incondicional dos direitos fundamentais sociais, inclusive os trabalhistas, e da imprescindibilidade das instituições que os preservam, nomeadamente a Magistratura do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho, a Auditoria Fiscal do Trabalho e a advocacia trabalhista, todos cumpridores de históricos papéis na afirmação da democracia brasileira;

DECLARAR, por fim, a sua compreensão de que não há desenvolvimento sem justiça e paz social, como não há boa governança sem coerência constitucional, e tampouco pode haver Estado Democrático de Direito sem Estado Social com liberdades públicas.

Brasília (DF), 19 de outubro de 2018.

 
CLÁUDIO PACHECO PRATES LAMACHIA

Presidente do Conselho Federal da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB)

GUILHERME GUIMARÃES FELICIANO

Presidente da Associação Nacional
dos Magistrados da Justiça do
Trabalho (Anamatra)

LEONARDO ULRICH STEINER
Secretário-Geral da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB)

ÂNGELO FABIANO FARIAS DA COSTA

Presidente da Associação Nacional dos
Procuradores do Trabalho (ANPT)

CARLOS FERNANDO DA SILVA FILHO

Presidente do Sindicato Nacional dos
Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait)

ALESSANDRA CAMARANO MARTINS
Presidente da Associação Brasileira dos
Advogados Trabalhistas (Abrat)

MARIA JOSÉ BRAGA
Presidente da Federação Nacional dos
Jornalistas (Fenaj)

Lucimar Moreira Bueno e Celso Pinto Carias

Na foto, eu e o Celso Pinto Carias

O teólogo Celso Pinto Carias é o assessor convidado para a escola. Carias vive em Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro. É doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), onde trabalha.  Assessor das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB (Comissão do Laicato, Setor CEBs), vem acompanhando a vida dessas Comunidades desde 1989, quando ajudou a coordenar os serviços do 7º Encontro Intereclesial, em Duque de Caxias. Participa do grupo de assessoras e assessores da Ampliada Nacional das CEBs.