12 abril, 2016

As cinco urgências das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2015-2019)

Escrevi o texto abaixo para uma reflexão

As cinco urgências das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2015-2019)

É lindo ver que as “diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil” direciona a Igreja para ser samaritana a serviço da vida, casa para todas e todos, acolhedora, comunidade que partilha tristezas e angústias, necessidades, alegrias e esperanças. Acredita que a Igreja precisa ser solidária e servidora.

Papa Francisco, em sua Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, fala que existe uma “globalização da indiferença” (54). O Papa insiste: “Não deixemos que nos roubem a comunidade” (92).

Dentro de um contexto de pobreza, miséria, desrespeito, discriminação, angústia, desesperança e morte as diretrizes apresenta cinco urgências, são elas:

1 – Em estado permanente de missão.
2 – Casa da iniciação à vida Cristã.
3 – Lugar de animação Bíblica da vida e da pastoral.
4 – Comunidade de Comunidades.
5 – A serviço da vida plena para todos.

Uma Igreja de ternura e afeto doce e delicada, vivida com participação viva, afetuosa e dinâmica, sair do eu para encontrar-se com o tu, uma relação real de dedicação, cuidado e reciprocidade.

As cinco urgências estão unidas, estão sempre presentes, pois se referem a Cristo, à Igreja, à vida comunitária, à Palavra de Deus como alimento para a fé, à Eucaristia como alimento para o serviço ao Reino de Deus, a caminho da vida eterna.

EM ESTADO PERMANENTE DE MISSÃO

A Conferência de Aparecida e a exortação apostólica Evangelii gaudium (Alegria do Evangelho) convocam a Igreja a ser toda missionária e em estado permanente de missão.

A Igreja “em saída” é a comunidade de discípulos missionários que “primeireiam”, que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam. tomam a iniciativa! A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4, 10), e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Ousemos um pouco mais no tomar a iniciativa! Como consequência, a Igreja sabe “envolver-se”. Jesus lavou os pés aos seus discípulos. O Senhor envolve-Se e envolve os seus, pondo-Se de joelhos diante dos outros para os lavar; mas, logo a seguir, diz aos discípulos: “Sereis felizes se o puserdes em prática” (Jo 13, 17).  (Evangelii gaudium, 24)

CASA DA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

Despertar o desejo de encontrar Jesus Cristo. Este encontro se dá através do mergulho gradativo no mistério do Redentor. Daí a importância do primeiro anúncio e da iniciação à vida cristã.

O estado permanente de missão implica uma efetiva iniciação à vida cristã que desperta uma resposta consciente e livre.  É preciso ajudar as pessoas a conhecer Jesus, fascinar-se por Ele e optar por segui-lo.  A iniciação à vida cristã não se esgota na preparação aos sacramentos, mas se refere principalmente à adesão a Jesus Cristo, numa catequese de inspiração catecumenal . Ela requer atitudes: acolhida, diálogo, partilha, escuta da Palavra e adesão à vida comunitária.  

Se hoje partilhamos a experiência cristã, é porque alguém nos transmitiu a beleza da fé, apresentou-nos Jesus Cristo, acolheu-nos na comunidade eclesial e nos fascinou pelo serviço ao Reino de Deus.

LUGAR DE ANIMAÇÃO BÍBLICA DA VIDA E DA PASTORAL

 “Toda escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para argumentar, para corrigir, para educar conforme a justiça” (2tm 3,16).

Todos devem redescobrir o contato com a Palavra de Deus como lugar privilegiado de encontro com Cristo. É preciso introduzir as novas gerações na Palavra através do adulto, dos amigos e da comunidade eclesial. O desafio é escutar a voz de Cristo em meio a tantas outras vozes.

A Palavra de Deus dirige-se a todos, indistintamente: crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, e em todas as situações e contextos em que se encontrem. Ouvida e celebrada na comunhão com os irmãos, a Palavra de Deus gera solidariedade, justiça, reconciliação, paz e defesa de toda a criação.

COMUNIDADE DE COMUNIDADES

A fé se vive em comunidade, em união e comunhão das pessoas umas com as outras e delas com o nosso Deus Trindade. Sem vida em comunidade, não há como efetivamente viver a proposta cristã. Comunidade implica convívio, vínculos profundos, afetividade, interesses comuns, estabilidade e solidariedade nos sonhos, nas alegrias e nas dores. A comunidade eclesial acolhe, forma e transforma, envia em missão, restaura, celebra, adverte e sustenta.

Ao mesmo tempo em que hoje se constata uma forte tendência ao individualismo, percebe-se igualmente a busca por vida comunitária. Esta busca nos recorda como é importante a vida em fraternidade. Mostra também que o Espírito Santo acompanha a humanidade suscitando, em meio às transformações da história, a sede por união e solidariedade.

Dentre os desafios dois se destacam. O 1º diz respeito aos ambientes marcados por aguda urbanização, para os quais vizinhança geográfica não significa necessariamente convívio, afinidade e solidariedade. O 2º se refere aos ambientes virtuais, onde a rapidez da comunicação e a superação das distâncias geográficas tornam-se grandes atrativos, especialmente aos jovens. É necessária a consciência de que, na ação evangelizadora, estes desafios devem ser seriamente considerados e que nada substitui o contato pessoal. Papa Francisco insiste “Não deixemos que nos roubem a comunidade”.

A SERVIÇO DA VIDA PLENA PARA TODOS

 “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10)

A vida é dom de Deus!  A vida é o centro da mensagem de Jesus. As condições de vida que contradizem o projeto de Deus devem levar a angustia diante de todas as formas de vida ameaçada. Ao contemplar os diversos rostos de sofredores, vê o rosto de nosso Deus. Daí a opção preferencial pelos pobres. Precisamos contribuir para superar a miséria e a exclusão e não podemos restringir a solidariedade à doação.

Opção pelos pobres implica convívio, relacionamento fraterno, atenção, escuta, acompanhamento nas dificuldades, buscando a mudança de sua situação e a transformação social. Os pobres são sujeitos da evangelização e da promoção humana e estão no centro da vida da Igreja. 

As leigas e leigos devem participar na construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário. É preciso avançar na consciência ecológica. Daí, a urgência na formação e apoio para que atuem nos movimentos sociais, conselhos de políticas públicas, associações de moradores, sindicatos, partidos políticos e outras entidades, sempre iluminados pelo Ensino Social da Igreja. Para o Papa Francisco a participação na política “é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum”.

Fonte: Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2015-2019)

07 abril, 2016

Para Refletir

O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história. O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA. Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais... mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?...
Carlos Drummond de Andrade


NA BUSCA DA JUSTIÇA E DA PAZ

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e a Associação dos Juízes Federais do Brasil assinaram, segunda-feira, 4, o manifesto “Na busca da Justiça e da Paz”.

Eis o texto.
NA BUSCA DA JUSTIÇA E DA PAZ
A sociedade brasileira passa por um momento de grave crise institucional, provocada por uma polarização política em crescente radicalização. 
Esse sentimento que atinge hoje grandes segmentos da população apresenta, infelizmente, reações carregadas de intolerância e agressividade, dividindo brasileiros e brasileiras e gerando o risco de uma preocupante escalada daviolência, em prejuízo de toda a nação.
Neste momento, urge que os atores da cena política procurem o entendimento para consolidar a luta contra a corrupção, sempre de acordo com a institucionalidade democrática.
A unidade nacional não pode sofrer divisões insuperáveis. Por isso, é necessário que as entidades da sociedade civil se unam pela superação da intolerância e pela busca de soluções que priorizem o compromisso com o interesse comum do país.
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e a Associação dos Juízes Federais do Brasil formulam veemente apelo fraterno à inteira sociedade brasileira e suas instituições para se engajarem, de forma decidida, na incansável luta pela Justiça e pela Paz, para a construção de um país, casa comum de brasileiros e brasileiras e daqueles que adotaram esta terra como seu lar.
Brasília, 4 de abril de 2016.
Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Dr. João Ricardo dos Santos Costa
Presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros
Dr. Ricardo Lourenço Filho

Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho
Dra. Candice Galvão Jobim
Vice-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil

05 abril, 2016

Periferias, geográficas e existenciais

Um pequeno texto que escrevi para uma reflexão, será tema de uma das celebrações do 7º Intereclesial das CEBs do Paraná, que a Província Eclesiástica de Maringá é responsável. 
O intereclesial das CEBs acontecerá entre os dias 21 a 24 do corrente mês.

Periferias, geográficas e existenciais

Para o papa Francisco, a periferia é a situação limite, a fronteira do humano, a condição onde os valores se encontram sob ameaça.

Vejo a periferia como um mundo desconhecido, que precisa tornar-se conhecido, pelos governos, pela igreja e por nós.

As periferias constituem o maior fenômeno urbano e social da América Latina. Elas reúnem em condições precárias milhões de famílias, migrantes e descendentes que jamais contaram com políticas públicas razoáveis de urbanização, transportes, educação e saúde.

 O Papa convoca as mulheres e homens de boa fé a irem combater a pobreza material, dentro das periferias materiais.

Mas existe outro tipo de periferias que para o papa Francisco se não forem alcançadas, muito provavelmente a pobreza material irá crescer e se multiplicar, são às periferias existenciais.

As periferias existenciais precisam ser alcançadas, elas machucam, feri, quase não aparece, tem muita dificuldade de se mostrar e muitas vezes não quer aparecer.

A periferia existencial é a pobreza existencial, a falta de sonho, de utopias e de esperança. É o vazio da vida. Nossas cidades estão cheia de periferias existenciais.

Elas atingem pobres e ricos. As pessoas não conseguem ser felizes, vivem uma vida vazia, sem projetos que possam dar um sentido maior a vida.

Muito triste, para poderem suportar o vazio, muitas dessas pessoas recorrem a algum tipo de vício, por exemplo, o uso de drogas, o excesso de bebidas alcoólicas, o excesso de remédios antidepressivos e outros.

Papa Francisco nos diz que, é preciso reencantar a mulher e o homem, a mulher e o homem precisam voltar a sonhar, a confiar em Deus e a ter fé.

Precisamos chegar até as periferias geográficas e existenciais, com a ternura de nosso Deus. Onde não houver ternura, dificilmente haverá amor.

Uma das características lindas do agir de Jesus é o seu fazer-se próximo com uma ternura de compaixão, de amizade, de serviço e de participação profunda na vivência com toda criatura de Deus.

04 abril, 2016

Deus chega até Maria através de uma experiência profunda de Deus, isso é muito lindo.

Uma linda e abençoada semana a todas e a todos!

Deus chega até Maria através de uma experiência profunda de Deus, isso é muito lindo.

O anúncio do anjo a Maria no evangelho de hoje, Lc 1,26-38 vem depois do anúncio do anjo a Zacarias (Lc 1,5-25). Nos dois casos anuncia-se um nascimento. Importante comparar os dois anúncios e perceber as semelhanças e as diferenças.

Lucas ao descrever a visita do anjo a Maria e a Isabel,  evoca as visitas de Deus a várias mulheres estéreis do Antigo Testamento: Sara, mãe de Isaque (Gn 18,9-15), Ana, mãe de Samuel (I Sam 1,9-18), a mãe de Sansão (Jz 13,2-5).

A essas mulheres o anjo tinha anunciado o nascimento de um filho com missão importante na realização do plano de Deus.

E agora, ele faz o mesmo anúncio a Isabel, esposa de Zacarias, e a Maria. Maria não é estéril. Ela é virgem. Muitas vezes no Antigo Testamento, o anjo de Deus, é o próprio Deus.

Deus chega até Maria através de uma experiência profunda de Deus, isso é muito lindo.

Maria saia de si para servir aos outros.

01 abril, 2016

O xadrez do fim da síndrome de Pilatos no STF

O xadrez do fim da síndrome de Pilatos no STF
“Hoje, as nuvens que se formam no céu político indicam o seguinte: 1. Boa probabilidade da tese do impeachment na Câmara não ter quórum; 2. Rearticulação da base política do governo, em bases precárias; 3. Novas tentativas de golpe através do TSE”, escreve o jornalista Luis Nassif, em comentário publicado por Jornal GGN, 01-04-2016.
Segundo ele, há a “necessidade de se passar à opinião pública o sentimento de urgência para abrir espaço para um pacto que impeça o aprofundamento da crise”.
Eis o comentário
Peça 1 – terminou a fase Pôncio Pilatos do STF
Na fábula do lobo e do cordeiro, qualquer argumento valia para o lobo devorar a vítima.
Com o reequilíbrio de forças nas ruas, as articulações políticas no Congresso, os abusos da Lava Jato, as agressões a Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e a perspectiva sombria de um governo com Eduardo Cunha e Michel Temer, o quadro mudou. O impeachment, agora, necessita de legitimação.
Dificilmente, hoje, o Ministro Luís Roberto Barroso repetiria a frase de dias atrás, de que o Supremo não iria analisar o mérito da votação da Câmara.
A declaração de Marco Aurélio de Mello – de longe, o mais independente e corajoso dos Ministros – sobre a necessidade da análise de mérito pelo STF, mais as agressões a Teori Zavascki, aparentemente romperam a síndrome Pôncio Pilatos que acometia o Supremo.
Nesta 5ª, foi o julgamento da liminar impetrada pela AGU (Advocacia Geral da União) contra os grampos de Sérgio Moro. A sessão era apenas para decidir se o inquérito ficava com Sérgio Moro ou se viria para o STF analisar e decidir com quem ficar. Mas houve inúmeras manifestações contra os abusos de Moro, prenunciando um futuro julgamento severo sobre sua atuação.
Até algum tempo atrás, o STF supunha que sua não-manifestação no processo do impeachment significaria respeito a outro poder. Agora, caiu a ficha que não. Nenhum Ministro – com as notáveis exceções de Gilmar Mendes e Dias Toffoli – se sentirá confortável, se o julgamento da Câmara se revelar uma farsa.
Peça 2 – O julgamento do impeachment pela Câmara é farsa
Imagine você indo a um supermercado com a lista de compras e limite de R$ 150,00 para gastar. No meio do caminho ligam de casa pedindo para reformular a lista, aumentando a quantidade de tomates. Os gastos continuam limitados a R$ 150,00. Compram-se mais tomates e cortam-se outros itens, mas não se gasta acima do teto definido.
Essa fábula hortifrutigranjeira foi o melhor exemplo levantado pela Fazenda para explicar os decretos questionados pela Câmara.
A LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) legisla exclusivamente sobre despesas primárias (excluindo juros e amortização). Quer saber se administrações gastam acima de limites pré-fixados pelo orçamento, ou se determinados itens do orçamento – como despesa com salários – superam percentuais máximos previstos em lei.
Vamos entender melhor essa questão.
O orçamento é fixado no final do ano anterior e funciona mais ou menos assim:
1. O governo define o orçamento geral para o ano seguinte.
2. Cada órgão recebe sua dotação e planeja seus gastos, definindo o montante de cada programa. Com isso, monta-se a lista do supermercado.
3. O orçamento é autorizativo, mas não obrigatório. No decorrer do ano, o governo vai adaptando o orçamento às disponibilidades de caixa. Se há frustração de receita, por exemplo, ela pode contingenciar os gastos. Pode trocar tomates por cebolas, ou até gastar menos – nunca gastar mais. Para a LRF interessa o que foi gasto, não o que foi previsto.
4. Dentro dos limites fixados, os recursos podem ser remanejados, já que é impossível prever todas as ocorrências com um ano de antecedência. A maneira de remanejar é através dos decretos
5. A Lei de Responsabilidade Fiscal mede o gasto final. E incide apenas sobre a despesa primária (a despesa pública expurgada dos juros e amortização de dívida).
Vamos a alguns exemplos das necessidades que surgem de remanejamento e como os decretos são utilizados:
1. Houve vários concursos públicos em 2014. Inscreveram-se o dobro de candidatos previstos. Com isso, arrecadou-se o dobro do valor estimado com as tarifas de concurso. Como o concurso só ocorreria em 2015, esse dinheiro ficou guardado na conta única do Tesouro, como superávit financeiro do ano anterior.
2. Em 2015 os concursos foram realizados. Como houve o dobro de candidatos, obviamente aumentaram os gastos com o concurso. Assina-se então um decreto permitindo ao MEC (Ministério da Educação) utilizar o dinheiro daquela rubrica (que ficou rendendo na conta única do Tesouro) – do ano anterior – para cobrir os gastos do concurso.
O que a acusação faz é tratar 6 decretos de remanejamento de Dilma como se fosse criação de despesa.
No tal processo do impeachment, discute-se isso:
“abertura de credito suplementar mesmo diante do cenário econômico daquele momento, quando já era sabido que as metas estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentarias, Lei n. 13.080/2015, não seriam cumpridas, o que pode ensejar o cometimento de crime de responsabilidade contra a lei orçamentária”.
Foram seis decretos, no valor total de R$ 95 bilhões. R$ 92,5 bilhões foram compensados com cortes em outros programas.
Sobram R$ 2,5 bilhões.
Desses, R$ 708 milhões foram para despesas financeiras, isto é pagamento do serviço da dívida e de amortização, sem nenhum impacto no gasto primário.
Sobra R$ 1,8 bilhão, ou 0,06% do orçamento. É sobre esse valor que se armou toda a celeuma.
No pedido de impeachment se afirma que a presidente editou os 6 decretos que ampliaram a dotação orçamentária no nível de programação e que seria incompatível com a meta fiscal
Não aumentaram e nem faz sentido a afirmação.
Segundo a advogada Janaina Paschoal, na hora em que presidente assinou o decreto, cometeu crime. Só seria ilegal se não permitisse cumprir a meta. Mas só se saberá se cumpriu a meta no final do ano. É o conhecido recurso “joga-para-ver-se-pega”, muito mal visto na área do direito.
Peça 3 – o rescaldo da semana
Encerra-se a semana, então, com o seguinte balanço:
Depois do desembarque do PMDB, o governo deu início a novas articulações que, aparentemente, lhe permitiram recuperar o fôlego no Congresso. Ficou nítido na resistência dos ministros do PMDB em entregar o cargo, e na dura crítica feita pelo presidente do Senado Renan Calheiros à precipitação do partido.
A perspectiva de um governo com Michel Temer à frente, conduzido por Eduardo Cunha, chegou a provocar arrepios cívicos no Ministro Luis Roberto Barroso. Enfim, repetiu-se o mesmo erro inicial, de amarrar o impeachment à imagem de Temer, Cunha, Aécio, Serra e outros menos votados.
Enquanto multiplicavam-se as manifestações contra o golpe, os articuladores do governo iniciavam negociações com o PP, PSD e outros, visando otimizar as vagas de ministros abertas.
O Procurador Geral da República Rodrigo Janot, no entanto, agiu rapidamente. Ontem mesmo denunciou toda a cúpula do PP, justo no momento em que o governo armava o novo Ministério e tentava cooptar o partido. Segundo a colunista Tereza Cruvinel, com a intenção de impedir as negociações. Pode ser apenas um caso de coincidência excessiva.
Ontem, ainda, surgiu o boato de que algumas federações de indústria estariam montando um enorme caixa visando convencer deputados recalcitrantes a votar pelo impeachment.
Pode ser apenas boato. Se for real, nesses tempos de Lava Jato seria um prato cheio para o MPF e a PF.
Hoje, as nuvens que se formam no céu político indicam o seguinte:
1. Boa probabilidade da tese do impeachment na Câmara não ter quórum.
2. Rearticulação da base política do governo, em bases precárias.
3. Novas tentativas de golpe através do TSE.
Necessidade de se passar à opinião pública o sentimento de urgência para abrir espaço para um pacto que impeça o aprofundamento da crise.

New Yorker' compara Dilma a Nixon e diz que será trágico se crise afetar Bolsa Família

'New Yorker' compara Dilma a Nixon e diz que será trágico se crise afetar Bolsa Família
"Os verdadeiros perdedores na reformulação política que deve acontecer no Brasil não serão os políticos corruptos. As dezenas de milhões de beneficiários dos programas sociais criados nos governos de Lula e Dilma, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, estão sob risco também. (…) Será uma tragédia se, na corrida louca para formar uma nova coalizão política, ela (coalizão) se torne mais favorável aos negócios e deixe para trás o eleitorado".
A revista semanal americana 'The New Yorker' comparou nesta quarta-feira (30) a presidente Dilma Rousseff ao ex-presidente americano Richard Nixon (1969-1974) --mandatário reeleito ao posto em 1972 que, menos de dois anos depois, acabou renunciando em meio a um processo de impeachment contra ele.
A reportagem foi publicada por BBC Brasil, 30-03-2016.
Assim como ocorre no Brasil com a Operação Lava Jato, nos Estados Unidos também houve um escândalo que levou a uma crise política sem precedentes à época.
O chamado escândalo do Watergate levou Nixon a deixar o cargo na Presidência mais cedo do que planejava. Watergate era o nome do prédio onde ficava a sede do Comitê Nacional Democrata, que foi grampeado durante a campanha eleitoral de 1972, e as investigações apontaram para Nixon.
"Richard Nixon foi reeleito de maneira esmagadora em novembro de 1972 e renunciou em agosto de 1974. Dilma Rousseff, presidente do Brasil, parece estar seguindo o mesmo caminho: reeleita (não de maneira esmagadora) em outubro de 2014, ela corre tanto perigo um ano e meio depois que não parece que vai conseguir finalizar seu mandato", afirma a revista.
A publicação opina que quem tem mais a perder com a crise e a instabilidade é a população carente.
"A revolta contra Rousseff é da classe média, em um país onde a classe média ainda não é maioria, como é nos Estados Unidos", diz.
"Os verdadeiros perdedores na reformulação política que deve acontecer no Brasil não serão os políticos corruptos. As dezenas de milhões de beneficiários dos programas sociais criados nos governos de Lula e Dilma, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, estão sob risco também. (…) Será uma tragédia se, na corrida louca para formar uma nova coalizão política, ela (coalizão) se torne mais favorável aos negócios e deixe para trás o eleitorado".
Corrupção constante
Na reportagem, a 'New Yorker' cita a operação Lava Jato, que traz "a cada dia mais notícias de mais autoridades envolvidas na investigação, mais delações premiadas, mais esquemas de corrupção".
"Escândalos de corrupção são uma característica constante da política no Brasil. O governo tem um papel bem maior na economia do que costuma ter no mundo desenvolvido: há muitos negócios controlados pelo Estado, outros subsidiados e outros protegidos legalmente de qualquer competição", diz a publicação.
Outra crítica da revista é ao sistema político "complexo" do Brasil, que permite a presença de inúmeros partidos no Congresso.
"Há um sistema parlamentar especialmente complexo e caótico –atualmente, mais de duas dezenas de partidos ocupam cadeiras no Congresso, o que significa que a única forma de conseguir um governo de coalizão é sob uma troca de favores, que muitas vezes é feita na distribuição de ministérios em troca de apoio."
'Golpe'
Nesta quarta-feira, no lançamento da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff voltou a chamar de "golpe" o processo de impeachment contra ela.
"A Constituição de 1988 tem de ser honrada porque reflete nossas lutas. Não existe essa conversa: 'Não gosto do governo, então ele cai'. Impeachment está previsto na Constituição. Mas é absolutamente má-fé dizer que todo impeachment está correto. Para isso, precisa haver crime de responsabilidade. Impeachment sem crime de responsabilidade é o quê? É golpe."
Enquanto isso, os trabalhos para analisar o pedido de impeachment da presidente –baseado nas acusações sobre as pedaladas fiscais e omissão no escândalo da Petrobras– seguem na Câmara.

29 março, 2016

Não ao golpe, não ao impeachment

Não ao golpe, não ao impeachment
Nenhum crime pesa contra a presidenta Dilma
O processo de impeachment, como está colocado, é um golpe contra a democracia.
A democracia em nosso país está em risco.
A constituição da legalidade ao mandato da presidenta Dilma, conquistada legitimamente nas eleições de 2014, com mais de 54 milhões de votos.
O mandato da presidenta deve ser preservado e defendido, é triste ver um eticamente desqualificado como Eduardo Cunha, a oposição que não se conforma de ter perdido nas urnas as eleições de 2014 e mídia golpista atrasando e parando nosso país.
Os articuladores do impeachment, do golpe, em sua grande maioria, são investigados e réus em processos. Na comissão do impeachment são 34 investigados pelo Supremo Tribunal Federal, na Câmara dos Deputados 271 deputados enfrentam acusações que vão da fraude ao homicídio.
A irresponsabilidade de tudo isso, de todo esse processo esta parando nosso país. O que vale para o governo não vale para a oposição, para os golpistas, porque o que esta na mira desses são as conquistas sociais, a distribuição de renda, a política externa independente, as cotas, a defesa das empresas nacionais, a ampliação dos direitos humanos. A democracia.

28 março, 2016

Democracia posta à prova - Dom Demétrio Valentini

Por Dom Demétrio Valentini - Bispo Emérito de Jales-SP
DEMOCRACIA POSTA À PROVA
Estamos na iminência de uma ruptura constitucional. Em momentos assim, se faz necessário um apelo à consciência democrática, e uma advertência dos riscos de uma decisão política profundamente equivocada.
Falando claro e sem rodeios: com a tentativa de impeachment da Presidente Dilma, procura-se revestir de legalidade uma iniciativa política com a evidente intenção de destituir do poder quem foi legitimamente a ele conduzido pelo voto popular.
Isto fere o âmago do sistema democrático, que tem como pressuposto básico o respeito aos resultados eleitorais.
E´ preciso desmascarar a trama que foi sendo urdida, para criar artificialmente um pretenso consenso popular, para servir de respaldo aos objetivos que se pretende alcançar.
E´ notável que desde as últimas eleições presidenciais, os derrotados não aceitaram o resultado das urnas, e traduziram seu descontentamento em persistentes iniciativas de deslegitimar o poder conferido pelas eleições.
Outra evidência é a contínua e sistemática obstrução das iniciativas governamentais, praticada especialmente por membros do Congresso Nacional, com o evidente intuito de inviabilizar o governo, e aplainar o caminho para o golpe de misericórdia contra ele.
Está em andamento um verdadeiro linchamento político , conduzido sutilmente por poderosos meios de comunicação, contra determinados atores e organizações partidárias, que são continuamente alvo de acusações persistentes e generalizadas, e que se pretende banir de vez do cenário político nacional.
Causa preocupação a atuação de membros do Poder Judiciário, incluindo componentes da Suprema Corte, que deixam dúvidas sobre as reais motivações de suas decisões jurídicas, levando-nos a perguntar se são pautadas pelo zelo em preservar a Constituição e fazer a justiça, ou se servem de instrumento para a sua promoção pessoal ou para a vazão de seus preconceitos.
Em meio a esta situação limite, cabe ao povo ficar atento, para não ser ludibriado.
Mas cabe ao Judiciário a completa isenção de ânimo para garantir o estrito cumprimento da Constituição.
E cabe ao Congresso Nacional terminar com sua sistemática obstrução das iniciativas governamentais, e colaborar com seu apoio e suas sugestões em vista do bem comum, e não de interesses pessoais ou partidários.
Em vez deste impeachment sem fundamento legal e sem justificativa, que nos unamos todos em torno das providências urgentes para que o Brasil supere este momento de crise, e reencontre o caminho da verdadeira justiça e da paz social.

26 março, 2016

Um abençoado Sábado Santo a todas e a todos!

Um abençoado Sábado Santo a todas e a todos!
Trazemos presente o aniversário do triunfo de Cristo, a vitória da vida sobre a morte, a redenção e libertação do pecado da humanidade pelo Filho de Deus.
São Paulo nos diz: “Aquele que ressuscitou Jesus Cristo devolverá a vida a nosso corpo mortal”.
Celebrar a Páscoa é celebrar a libertação, não apenas de um povo, de uma nação isolada, mas do mundo inteiro. É celebrar o resgate e a reabilitação de mulheres e homens que se encontram caído. Libertação do egoísmo, complexos, individualismo, preconceitos, discriminação, comodismo. Libertação das/os excluídas(os) e perseguidas(os).
A Páscoa é convite para seguirmos o testemunho das que sempre foram, são e serão, sacerdócias, profetas, discípula, apóstolas embora infelizmente nem sempre aceitas e reconhecidas. Seguir o testemunho das mulheres, para quem Jesus ressuscitado aparece primeiro e as envia.
E com alegria e coragem elas vão e anuncia:
“JESUS RESSUSCITOU”

24 março, 2016

Uma Abençoada Quinta-feira Santa a Todas e a Todos!

Uma Abençoada Quinta-feira Santa a Todas e a Todos!

O Senhor se faz servidor. Jesus nos dá a lição do serviço humilde, generoso, gratuito aos outros.

Jesus diz a seus discípulos e discípulas e a todos nós: “Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros” (Jo 13, 34).

A liturgia da Quinta-feira Santa é um convite a aprofundar concretamente no mistério da Paixão de Cristo.

Jesus nos dá um testemunho idôneo da vocação ao serviço do mundo e da Igreja quando decide lavar os pés dos seus discípulos.

Ajoelha e lava os pés, como gesto inquietante de uma acolhida inalcançável, solidariedade, igualdade, e serviço.

A entrega de Jesus foi tanta que deu em alimento seu Corpo e seu Sangue para todas e todos os que queiram segui-lo, ficando assim instituída a Eucaristia.

Jesus não exclui ninguém - “Então Jesus pegou o cálice, agradeceu a Deus, e disse: tomem isto, e repartam entre vocês” (Lc 22,17).

A celebração da Ceia do Senhor na qual Jesus, um dia como hoje, na véspera da sua paixão, "enquanto ceava com seus discípulos tomou pão..." (Mt 26, 26). Ele quis que, como em sua última Ceia, seus discípulos e discípulas se reunissem e se recordassem dEle abençoando o pão e o vinho: "Fazei isto em memória de mim" (Lc 22,19).

23 março, 2016

Precisamos preservar nossa democracia

Precisamos preservar nossa democracia, o Estado de direito e as conquistas sociais que o nosso país alcançou nos últimos anos.
Não podemos ser guiados por uma mídia partidarizada e tendenciosa. Não podemos aceitar o golpe em marcha executado pela direita raivosa, constituída pela elite e os partidos que os representam.

Inspirados no gesto profético do Papa Francisco ousamos dizer: "ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião a uma intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (EG, 183).

Manifestações, ódio e golpe: as crianças do Brasil estão aprendendo

Manifestações, ódio e golpe: as crianças do Brasil estão aprendendo
"Salvem o Gui, salvem os nossos filhos. Não deixem que eles acreditem que desejar a morte de uma pessoa é normal. Não deixem que eles acreditem que xingar uma mulher de puta e vagabunda é aceitável. Que espancar alguém que veste vermelho é um comportamento admissível. Ele e os nossos filhos têm que aprender que todos podem lutar pelos seus ideais, mas dentro da lei. E que urrar, babar e matar é coisa de bicho, não de homo sapiens."

Salvem o Gui. Salvem nossos filhos", publicou Rita Lisauskas, no Estadão sobre a criança que, ao invés de fazer desenhos do "Ben 10 ou Homem Aranha, retrata a Presidenta e o ex-Presidente da República com ferimentos no peito, sangrando, ao lado das frases 'Morre Diuma' (sic) e 'Morre Lula'". A colunista afirma que o Gui e as crianças "precisam de ajuda". "E rápido", completa.
Para a colunista, o passo seguinte a esse incentivo que partem dos pais ou das escolas é aprender "também que se pode fazer justiça com as próprias mãos quando ouve o pai dizer que 'tem que matar esse bando de petistas!'".
O comentário é de Luis Nassif publicado por jornal GGN, 22-03-2016.
O jornalista, reproduz na integra o artigo de Rita Lisauskas.
Eis o artigo.
Deixe seu filho longe desse ódio todo
Quando entro na escola do meu filho e vejo aquelas crianças todas brincando meu coração sempre enche de esperança. Não paro de sorrir para aquela gritaria fininha, e meus olhos nem piscam ao ver a alegria dos meninos e meninas correndo para cima e para baixo, absortos em suas próprias fantasias, brincadeiras e sonhos, sem ter a menor ideia das guerras rolando atrás da jabuticabeira linda colada ao muro da educação infantil.
Mas fiquei chocada, semana passada, ao ver que o ódio, esse sentimento comezinho, adulto e detestável, tinha sim pulado o muro e sentado no gira-gira do parquinho das crianças. Tinha invadido também a aula de artes, esse lugar sagrado onde nossos filhos desenham o céu, as nuvens e colam lantejoulas amarelas no sol, para que fique com o brilho igual ao de suas fantasias.
Ninguém deveria ter deixado isso acontecer. Pior do que assistir à invasão bárbara é comemorá-la. “Meu filho, meu maior orgulho. Gui se manifestando na aula de artes. Vamos para as ruas domingo, vamos lutar por um país digno para as nossas crianças”, escreveu um pai semana passada em seu Facebook, ao compartilhar, orgulhoso, um desenho de seu filho feito na escola. Não sei quem é esse pai, a pessoa que compartilhou na minha timeline teve o cuidado de não expor a identidade desse homem.
Sabemos apenas que ele é o pai do Gui. Não conheço tampouco a professora do Gui e a escola do Gui mas, espero de todo o coração, que ambas tenham ficado chocadas a ponto de chamar essa família para conversar. Um menino que senta em sua mesinha, coloca um avental e, em vez de desenhar e pintar o Ben 10 ou Homem Aranha, retrata a Presidenta e o ex-Presidente da República com ferimentos no peito, sangrando, ao lado das frases “Morre Diuma” (sic) e “Morre Lula” precisa de ajuda. E rápido.
O Gui deve ser como todas as crianças. Gosta de super-heróis, adora um Lego. E muitas vezes, deve ser retirado de seu mundinho paralelo de brincadeiras para correr para a varanda e gritar uns palavrões horríveis, como “puta” e “vagabunda” enquanto seus pais batem panelas. “Mas a mamãe e o papai não disseram que é feio falar palavrão?”, pensa. Pensa, mas não diz, porque nessa idade eles aprendem tudo o que a gente faz, como esponjas, quase sem questionar. Aos poucos o Gui está aprendendo também que se pode fazer justiça com as próprias mãos quando ouve o pai dizer que “tem que matar esse bando de petistas!” Também fica confuso quando a mãe xinga uma mulher que está de vestido vermelho na rua: “Mas vermelho não é só uma cor?”, pensa. “Mas se a mamãe está tão brava deve ser uma cor horrível”, conclui.
Salvem o Gui, salvem os nossos filhos. Não deixem que eles acreditem que desejar a morte de uma pessoa é normal. Não deixem que eles acreditem que xingar uma mulher de puta e vagabunda é aceitável. Que espancar alguém que veste vermelho é um comportamento admissível. Ele e os nossos filhos têm que aprender que todos podem lutar pelos seus ideais, mas dentro da lei. E que urrar, babar e matar é coisa de bicho, não de homo sapiens.

19 março, 2016

Que bom se estivéssemos vendo bandeiras expressando propostas!

Um lindo e abençoado final de semana a todas e a todos.

É triste ver bandeiras de luto e outras coisas desvalorizando o país e a nação.
Que bom seria se estivéssemos vendo bandeiras de propostas...

"O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade."
Che Guevara

Domingo de Ramos - entrada de Jesus a Jerusalém

Um pequeno texto que escrevi

Domingo de Ramos - entrada de Jesus em Jerusalém

Com a Celebração de “Domingo de Ramos” damos inicio a Semana Santa que é como uma escola para conhecer Jesus.

Jesus é Salvador e Rei. É exemplo de obediência e humildade.

Ao celebrarmos Domingo de Ramos, fazemos memória da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, onde o povo com ramos de oliveira o aclamou como rei.

Montado num jumentinho que, conforme as profecias era a característica do rei justo, pobre e desarmado.

Mas é preciso ficar atento, o mesmo povo que aclamou Jesus como rei, deixa-se enganar pelos poderosos que temiam a perca de seu poder e suas mordomias e vão gritar: crucifica-o.

Vamos participar com todo o nosso coração as liturgias da Semana Santa, para vivermos á certeza da ressurreição.

17 março, 2016

“Acham Que Pegaram Lula E Dilma. Na Verdade, Pegaram Você”, Diz Renato Janine Ribeiro

Artigo para nos ajudar na reflexão e não ficar somente com o senso comum.

Esqueçam por um momento que foram Dilma e Lula os grampeados ilegalmente ontem à tarde. Pensem que, agora, não há mais limite algum ao grampo ilegal e a seu uso igualmente ilegal. A qualquer momento, um policial e um juiz podem mandar gravar você. Você, empresário, psicólogo, o que seja. Conheço psicólogos que atendem pelo telefone. Podem ser grampeados – e com boas razões, porque, afinal, há clientes que superfaturam ou corrompem, e que contam isso ao terapeuta. Há sacerdotes que ouvem confissões. Confissão é de coisa errada, não é? Ótima razão para gravar e apurar. Empresários podem sonegar, ótima justificativa para grampeá-los, todos, não é? Mesmo que não soneguem. Isso já começou, quando o sigilo acusado-advogado foi rompido. Claro, o acusado é bandido, não é? E nestas gravações, caro amigo, cara amiga, podem descobrir coisas que nem desonestas são, mas que vão te causar um mal danado. Podem descobrir, empresário, que você pretende lançar um novo produto na praça. E podem divulgar este segredo para seu concorrente. Leia na íntegra

Ação relâmpago de Moro é irresponsável e política

A divulgação do grampo de uma conversa entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula mostra que está sendo travada uma guerra aberta entre o juiz Sérgio Moro e o Palácio do Planalto. Moro agiu em retaliação à nomeação de Lula para a Casa Civil.
Numa ação relâmpago, Moro quis causar um dano antes de as investigações saírem das suas mãos e tomarem outro rumo. Isso é perigoso. Um juiz não deve agir politicamente. É frágil o argumento de justificar a divulgação como uma forma de atender ao interesse público e de mostrar que autoridades agiriam na sombra.
Nesse caso, o juiz deveria ter divulgado antes, não no dia em que houve a decisão que levaria a investigação sobre Lula para o Supremo Tribunal Federal.
A exposição de um material desse tipo, sem denúncia contra Lula, sem uma decisão judicial num processo em que ele seja réu, é uma forma de julgamento sumário, de justiçamento. Não é correto um juiz agir como justiceiro.
Há ainda dúvida sobre a legalidade da escuta...continue lendo...

14 março, 2016

'O que é mesmo que estão querendo? - Linha de Tiro.'

A quem interessa criar um clima de guerra civil, no qual a Polícia já começa a interromper plenárias sindicais, violando frontalmente a Constituição ?
Esta trapalhada faz lembrar, também, a insensatez dos movimentos que pedem, ou a renúncia ou o impedimentos da Presidenta – por ódio político ou inconformidade com o resultado eleitoral – sem levar em consideração a instabilidade política e o aumento da crise econômica e social a que o país seria jogado, se isso acontecesse.

Eis o artigo de Tarso Genro

A denúncia feita pelos promotores de São Paulo, que contém o pedido de prisão preventiva do Presidente Lula – de um dos seus filhos e da dona Marisa – pareceu abrir um clarão de lucidez nos meios jurídicos, em setores políticos menos sectários e em boa parte da inteligência do país. Demonstra, também, o grau de partidarização daquele órgão de Estado, a tragédia de parte do nosso ensino jurídico e a escassa capacidade que vem demonstrando um setor daquela corporação, de compreender a importância das suas funções no Estado de Direito, que é diferente daquelas exercidas pela instituição num Estado policial, no qual, Governo e Estado, se confundem no monopólio da violência sem lei.

Qualquer um destes promotores aguentaria dez minutos de debate com Celso Antonio Bandeira de Mello, com Fábio Comparatto, com Dalmo Dallari, com Lenio Streck, com José Geraldo de Souza Junior, com Paulo Abrão, com Luiz Moreira, sem mandar algum deles “catar coquinhos”, como disse um dos brilhantes Promotores, ao responder pergunta de um jornalista sobre a parceria, até então desconhecida, de Marx diretamente com Hegel? Creio que não. Acho que perderiam a cabeça e provavelmente pediriam a solução do impasse de ideias, pelas “vias de fato”, numa mistura de “progrom” cultural, com uma Santa Inquisição pós-moderna.

Esta trapalhada faz lembrar, também, a insensatez dos movimentos que pedem, ou a renúncia ou o impedimentos da Presidenta – por ódio político ou inconformidade com o resultado eleitoral – sem levar em consideração a instabilidade política e o aumento da crise econômica e social a que o país seria jogado, se isso acontecesse.

Vejamos qual seria a sucessão de Dilma (sobre quem não pende nenhuma acusação criminal), sucessão que lembro sem afiançar qualquer uma das acusações que são feitas a estes políticos, já que não se conhece nada de oficial, até agora, sobre imputações que lhes estariam sendo feitas. Cordão sucessório: Vice-Presidente Michel Temer, na linha de tiro do Supremo; deputado Eduardo Cunha, na linha de tiro do Supremo, próximo ao cadafalso; Senador Renan Calheiros, com três inquéritos, na linha de tiro do Supremo. Depois vem o Presidente do STF e o Procurador Geral da República. (Bem, mas poderia ser Aécio, por alguma forma de golpismo institucional? Resposta: já na linha de tiro doSTF, por citação, entre outros, do próprio Senador Delcídio, festejado agora pela mídia como o “novo delator fundamental”).


Costumo consultar, quando tenho dúvidas sobre a estética da linguagem em situações difíceis, um precioso livro deJorge Luís Borges e José E. Clemente (“El Lenguaje de Buenos Aires”,1968), onde os autores compõem uma sinfonia de rejeição “do colonialismo idiomático das academias” e mostram o seu “aborrecimento”, perante “o que chamam “linguistas profissionais”. Lá na pg. 37 desta preciosidade está uma das sentenças lapidares de Borges: “Falam em voz mais alta, isto sim, com a postura dos que ignoram a dúvida.”

A arrogância autoritária destes jovens promotores, não vem somente de um cortejo à grande mídia, na expectativa de que o apoio imediato desta, à prisão de Lula, lhes permitisse suprimir “as dúvidas”, por falarem “mais alto” -através dela- majoritariamente comprometida com o golpismo. Sua arrogância vem, principalmente, da sua visão peculiar do Estado de Direito, como Estado-Polícia, a quem competiria solucionar os conflitos da ordem, a partir de juízos políticos por fora dos parâmetros da Constituição.

Os Promotores de São Paulo, todavia, não levaram em consideração que a sua aventura não seria incensada pela imprensa, não pela sua grosseira falta de juridicidade, mas por enfraquecer um outro “bunker” autoritário, que é - ele mesmo - o preferido do golpismo da grande mídia: a jurisdição ilegal do juiz Moro, instalada em Curitiba.

Os que pedem a deposição da Presidenta, o fazem na expectativa que, colocando um daqueles próceres políticos na Presidência, os inquéritos da “Lava-Jato” vão ser suspensos? Janot vai recolher as suas denúncias? Moro, vai se recolher ao seu trabalho comum? A Polícia Federal vai deixar de investigar? Os vazamentos vão cessar? Os que estão nas ruas, com intenções de denunciar a corrupção na Petrobras, vão voltar para casa? Ou, ao contrário, os movimentos populares da base da sociedade, vão radicalizar as suas mobilizações para que todos sigam o mesmo destino de “exceção”, que retiraria a Presidenta, do Governo? Pergunto: isso não seria criar uma situação de indeterminação política no país, próxima a uma situação revolucionária, sem possibilidades de revolução? Ou seja, o caos a ser resolvido pelos aventureiros da força? Ricardo Noblat – se é verdadeiro o “tuíte” que lhe é atribuído – aposta (e festeja) que a “Lava-Jato” é um instrumento político destinado à derrubada da Presidenta Dilma, o que – efetivamente – hoje ela se tornou. Mas, atenção, hoje ela também se tornou mais do que isso: é um instrumento de desidratação política da democracia que, com a suas imperfeições e misérias, mantém a capacidade orgânica de recuperar-se dentro da Constituição.

A verdade é que, se o impedimento da Presidenta se realizar sem causa legítima, conduzido por Eduardo Cunha como está proposto, este desfecho vai devastar o que tem de “ruim” e de “bom”, na ordem política, e nos legará um sistema de poder ainda mais corrupto e transgressor, que o atual. Isso já ocorreu com Berlusconi, na Itália, quando a moralidade desejada pelo resultado das “mãos limpas”, gerou a amoralidade absoluta das mãos berlusconianas.

Creio que seria melhor um “pacto político de responsabilidade democrática”, para enfrentar uma situação de crise, entre, de um lado, as forças políticas que não tem demonstrado condições suficientes para governar com estabilidade; e, de outro, aquelas forças que não são hegemônicas para substituir a Presidenta dentro da Lei. Este pacto de bom senso, poderia fundar uma solução do impasse dentro da Constituição, entre outras, com as seguintes preliminares: arquivamento dos processos de impedimento; os que querem governar o país, de novo, buscariam isso nas eleições de 2018; ficaria acordada uma unidade contra a destruição da esfera da política, em implantação por processos judiciais nitidamente de “exceção”, que estão em andamento; acordar-se-ia um plano emergencial de retomada do crescimento, para combater o desemprego; ajustar-se-iam cláusulas claras, para uma reforma política e eleitoral imediata, ainda que provisória, principalmente para acabar com a “dinheirização” da política, responsável por grande parte da corrupção no Estado.

O que devemos nos perguntar, neste momento, é a quem interessa criar no país, um clima de guerra civil, no qual a Polícia já começa — como ocorreu sexta à noite no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC- a interromper plenárias sindicais, violando frontalmente a Constituição, que diz todos poderem reunir-se sem armas, sem prévia autorização de qualquer autoridade? A quem interesse iniciar embates “de rua”, entre cidadãos com distintas posições políticas, às vezes vizinhos, às vezes da mesma família? A quem interesse suprimir a política como mediação dos conflitos para colocar, no lugar dela, a força de uma burocracia iluminada, que não responde a ninguém?

Pode interessar a alguém, mas certamente a poucos. Ao país interessa sair desta encalacrada mais forte e mais democrático. Com instituições mais respeitadas e um povo mais feliz, para assumir o seu destino em liberdade. Estamos, na verdade, à beira da hora de uma nova Constituinte, que virá, ou de forma acordada pelas forças políticas majoritárias, em desmoronamento, ou por implosão da ordem atual, com todos os riscos da imprevisibilidade que sucede a violência.

Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul – PT
Fonte: Carta Maior