02 fevereiro, 2019
01 fevereiro, 2019
Uma quase-leitura da profecia da comunidade de Tiago 5,1-6
Uma quase-leitura da profecia da comunidade de Tiago 5,1-6:
“E agora vocês, ricos e gananciosos, chorem e gemam por causa das desgraças que estão para cair sobre vocês. As riquezas de vocês estão podres, e suas roupas estão roídas pelas traças, manchadas pelo sangue derramado e sujas pela lama que jogastes sobre as vidas, os rios e a natureza. O ouro e a prata de vocês estão enferrujados, e a ferrugem deles vai testemunhar contra vocês, os corpos retirados do meio da lama de rejeitos e do lixo de morte vai testemunhar contra vocês, e como fogo lhes devorará a carne. Vocês amontoaram tesouros para o final do mundo. O salário dos trabalhadores que fizeram a colheita nos campos de vocês, que vocês não pagaram, está clamando; os gritos das vidas encobertas pela lama e retiradas da lama, estão clamando; os rios, os peixes e a natureza, estão clamando, o clamor dos ceifadores, dos povos indígenas, dos quilombolas, dos pobres, dos trabalhadores, das trabalhadoras, das mulheres, das crianças, chegou aos ouvidos do Senhor dos exércitos. Vocês viveram na terra com luxo refinado; engordaram seus corpos para o dia da matança. Oprimiram e mataram o inocente, cobriram de lama sua vida, sua casa, seu rio, seu mundo, sem que ele pudesse defender-se”. (CEBI)
“E agora vocês, ricos e gananciosos, chorem e gemam por causa das desgraças que estão para cair sobre vocês. As riquezas de vocês estão podres, e suas roupas estão roídas pelas traças, manchadas pelo sangue derramado e sujas pela lama que jogastes sobre as vidas, os rios e a natureza. O ouro e a prata de vocês estão enferrujados, e a ferrugem deles vai testemunhar contra vocês, os corpos retirados do meio da lama de rejeitos e do lixo de morte vai testemunhar contra vocês, e como fogo lhes devorará a carne. Vocês amontoaram tesouros para o final do mundo. O salário dos trabalhadores que fizeram a colheita nos campos de vocês, que vocês não pagaram, está clamando; os gritos das vidas encobertas pela lama e retiradas da lama, estão clamando; os rios, os peixes e a natureza, estão clamando, o clamor dos ceifadores, dos povos indígenas, dos quilombolas, dos pobres, dos trabalhadores, das trabalhadoras, das mulheres, das crianças, chegou aos ouvidos do Senhor dos exércitos. Vocês viveram na terra com luxo refinado; engordaram seus corpos para o dia da matança. Oprimiram e mataram o inocente, cobriram de lama sua vida, sua casa, seu rio, seu mundo, sem que ele pudesse defender-se”. (CEBI)
O grito e a dor, entre lamentos e a busca teimosa da esperança, se tornam profecia
"O grito e a dor, entre lamentos e a busca teimosa da esperança, se tornam profecia a fortalecer os mais sofridos a buscarem forças para lutar, denunciar, enfrentar os poderes que trouxeram a enxurrada de lamas. Profecia a incomodar que parcelas atuantes da sociedade ajam na defesa da vida de tantos irmãos e irmãs fragilizados e indefesos, na defesa da natureza e na defesa do amanhã. Profecia que alerta para os perigos e convoca todos/as, com suas diferenças e pluralidades, a construir uma agenda comum na luta contra a ganância do capital que ceifa vidas e violenta a mãe terra e a mãe água. (CEBI)
Os gritos e choros dos assolados pela lama e pela maldade
nota da Direção Nacional do CEBI*
A pequena neblina/bruma da região de Brumadinho não será mais a mesma depois de toda a lama de rejeitos e do lucro desenfreado dos “capetalistas” que passou por cima das vidas e das águas rasas do principal rio que abastece a região. A lama da barragem da Vale do Rio Doce, que sepultou famílias, animais e a natureza, e que também encheu o rio Paraopeba de lixo, escancara para o mundo: a vida não vale nada para os interesses do capital.
A natureza não vale nada na política da Vale do Rio Doce; dos governos Federal e de Minas Gerais. Este crime chama a nossa atenção para os sucessivos crimes que vem sendo cometidos contra a vida das pessoas pobres, dos/as trabalhadores/as e dos/as “condenados/as da terra”.
A pequena neblina/bruma da região de Brumadinho não será mais a mesma depois de toda a lama de rejeitos e do lucro desenfreado dos “capetalistas” que passou por cima das vidas e das águas rasas do principal rio que abastece a região. A lama da barragem da Vale do Rio Doce, que sepultou famílias, animais e a natureza, e que também encheu o rio Paraopeba de lixo, escancara para o mundo: a vida não vale nada para os interesses do capital.
A natureza não vale nada na política da Vale do Rio Doce; dos governos Federal e de Minas Gerais. Este crime chama a nossa atenção para os sucessivos crimes que vem sendo cometidos contra a vida das pessoas pobres, dos/as trabalhadores/as e dos/as “condenados/as da terra”.
Há exatamente três anos, a lama cobriu Mariana e ceifou vidas, envenenou a terra e as águas do Rio Doce e sua sede de lucro continuou com a cumplicidade das autoridades e dos governos Federal e de Minas Gerais. O crime cometido em Brumadinho é um crime anunciado e segue a horrenda lista dos pavores e das atrocidades contra a vida. Atentado às vidas legalizado e aprovado por setores que tem papel fundamental de controlar, impedir, punir as ações que põem em perigo a população e a natureza; pelo contrário, assinam os acordos e, por certo, se corrompem pelas ofertas grandiosas do capital e do lucro que vale.
Malditas mineradoras e malditas entidades que autorizaram, facilitaram e que tiveram “ganhos” com a implantação das inúmeras barragens no Estado de Minas Gerais e em outras regiões do país. Tão malditas e ávidas por ganhos, que no dia 11 de dezembro de 2018 aprovaram a abertura da Mina do Córrego do Feijão.
As imagens da destruição, do povo afundado na lama, o grito sufocante das pessoas pobres, dos/as trabalhadores/as e dos/as oprimidos/as são abafados, e junto com a enxurrada de rejeitos, são esquecidos e silenciados pelo discurso batido de que foi uma “fatalidade” porque a obra foi vistoriada e não corria nenhum risco de rompimento.
A profecia do antigo Israel na defesa dos pobres denunciava as políticas de expansão do Estado tributário que alterou drasticamente a condição de vida das pessoas, de lavradores e camponesas. Opulência e luxo da corte eram extorquidos de quem produzia (1Rs 5,2-8). O comércio internacional ia às custas da mesa do povo e que privilegiava os senhores do Estado. (1Rs 5,10-11; 9,10s). As obras públicas eram erigidas à base da corvéia campesina (1Rs 4,6; 5,27-32; 12,1s). O exército era mantido pelo suor do povo e contra ele (1Rs 5,8; Am 7,1). Era direito do rei: extorquir, expropriar e escravizar (1Sm 8,11-17). O Estado é Não-Meu-Povo (Os 1,9)! Governantes e aqueles que estão sentados nos altos postos da sociedade praticaram violência física e subjugação (Am 8,4-6); concentraram terras e cometeram injustiças (Mq 2,1-2); legitimaram pela religião e pela lei o poder, os interesses econômicos, comerciais e políticos; exploraram mulheres e homens que trabalham e produzem (Is 10,1s). Passaram por cima do povo com debulhadoras de ferro (imagem que vem da profecia de Miquéias, que viu exércitos e carros de guerra passarem por cima da vila – Mq 1-2). Na profecia, os pobres e condenados são feitos agentes sociais, sujeitos históricos para as mudanças.
O grito e a dor, entre lamentos e a busca teimosa da esperança, se tornam profecia a fortalecer os mais sofridos a buscarem forças para lutar, denunciar, enfrentar os poderes que trouxeram a enxurrada de lamas. Profecia a incomodar que parcelas atuantes da sociedade ajam na defesa da vida de tantos irmãos e irmãs fragilizados e indefesos, na defesa da natureza e na defesa do amanhã. Profecia que alerta para os perigos e convoca todos/as, com suas diferenças e pluralidades, a construir uma agenda comum na luta contra a ganância do capital que ceifa vidas e violenta a mãe terra e a mãe água.
Uma quase-leitura da profecia da comunidade de Tiago 5,1-6: “E agora vocês, ricos e gananciosos, chorem e gemam por causa das desgraças que estão para cair sobre vocês. As riquezas de vocês estão podres, e suas roupas estão roídas pelas traças, manchadas pelo sangue derramado e sujas pela lama que jogastes sobre as vidas, os rios e a natureza. O ouro e a prata de vocês estão enferrujados, e a ferrugem deles vai testemunhar contra vocês, os corpos retirados do meio da lama de rejeitos e do lixo de morte vai testemunhar contra vocês, e como fogo lhes devorará a carne. Vocês amontoaram tesouros para o final do mundo. O salário dos trabalhadores que fizeram a colheita nos campos de vocês, que vocês não pagaram, está clamando; os gritos das vidas encobertas pela lama e retiradas da lama, estão clamando; os rios, os peixes e a natureza, estão clamando, o clamor dos ceifadores, dos povos indígenas, dos quilombolas, dos pobres, dos trabalhadores, das trabalhadoras, das mulheres, das crianças, chegou aos ouvidos do Senhor dos exércitos. Vocês viveram na terra com luxo refinado; engordaram seus corpos para o dia da matança. Oprimiram e mataram o inocente, cobriram de lama sua vida, sua casa, seu rio, seu mundo, sem que ele pudesse defender-se”.
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Nota do CEBI Nacional sobre o crime ambiental em Brumadinho/MG, 31/01/2019.
29 janeiro, 2019
Lucro acima de tudo, lama em cima de todos
Por Pedro Paulo Zahluth Bastos, 19/01/2019 - Carta Capital
A Vale e Bolsonaro são as mais perfeitas expressões do capitalismo neoliberal no mundo
O desastre da Vale em Brumadinho foi uma tragédia anunciada. Em dois sentidos: primeiro porque o lobby das mineradoras barra legislação para evitar o pior. Segundo, em um sentido mais profundo, porque tragédias ambientais são da lógica do capitalismo, principalmente depois das reformas neoliberais que mudaram o mundo desde os anos 1980.
O desastre com a barragem da Samarco em Mariana (MG) em novembro de 2015 também é responsabilidade da Vale. A Samarco é um joint venture da Vale com a anglo-australiana BHP Billiton. A última era a maior empresa de mineração do mundo em 2013, perdendo a posição para outra anglo-australiana (a Rio Tinto), que por sua vez teria perdido a posição para a Vale há duas semanas.
Depois do desastre em Mariana, a comoção levou a promessas de mudança de conduta por parte da empresa, de um lado, e de dureza na legislação e na fiscalização, de outro. As promessas foram vãs, pois as mineradoras financiaram lobby para barrar reformas protetoras do meio-ambiente.
Um projeto com regras severas de licenciamento ambiental para novas barragens e fiscalização mais dura das existentes está paralisado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais há um ano. O projeto aumentava o custo das mineradoras, tanto por aumentar investimento em prevenção quanto exigir a formação de um fundo para danos futuros.
Foi vetado pelos deputados Tadeu Martins Leite (MDB), Gil Pereira (PP) e Thiago Cota (MDB). O último afirmou à BBC Brasil que o projeto “inviabilizaria a mineração em Minas Gerais… não teríamos mais como sonhar com o retorno da Samarco. Isso seria terrível para Mariana, Ouro Preto e toda uma região.”
O lobby das mineradoras também barrou projeto no Senado que aumentava a fiscalização, as exigências de segurança e as punições por não cumpri-las. Também exigia a contratração de seguro ou garantia financeira para cobertura de danos. A exigência de seguro complementaria a fiscalização pública com a avaliação da seguradora privada.
Enquanto o projeto do Senado foi arquivado em 2018, três projetos da Câmara de Deputados estão parados desde 2016. No Ministério Público, a cobrança no valor de R$ 155 bilhões contra a Samarco está suspensa por conta de negociações com a empresa, que quer diminuir o valor.
A luta contra a indenização pelo desastre de Brumadinho já começou. Na segunda-feira o advogado da Vale, Sérgio Bermudes, afirmou que a empresa “não enxerga razões determinantes de sua responsabilidade” no estouro da barragem. A repercussão negativa levou a empresa a desautorizá-lo, mas ele já pediu à Justiça mineira o fim do bloqueio de R$ 11 bilhões para indenizações.
Os Bolsonaros, Queiroz, as milícias e a morte de Marielle
As conexões possíveis entre os milicianos de Rio das Pedras homenageados por Flávio Bolsonaro e o caso Marielle
O senador americano Daniel Patrick Moynihan, morto em 2003, costumava dizer: “Todos têm direito à própria opinião, mas não a seus próprios fatos”. Jair Bolsonaro, presidente recém-empossado, e Flávio Bolsonaro, às voltas para explicar as movimentações financeiras suspeitas entre a equipe de seu gabinete, compartilham de uma opinião: “A esquerda defende bandido”. Mas os fatos são outros. Vastos são os registros de Bolsonaro e de seu filho primogênito defendendo — e até mesmo homenageando — notórios milicianos.
Hoje, enquanto a polícia investiga a participação de milicianos de Rio das Pedras (favela na Zona Oeste do Rio de Janeiro) na morte da vereadora Marielle Franco, é inquietante olhar em retrospecto as moções de louvor que Flávio Bolsonaro apresentou na Assembleia Legislativa do Rio em nome do ex-policial Adriano Magalhães da Nóbrega e do major Ronald Paulo Alves Pereira — ambos alvo, na manhã desta terça-feira (22), daOperação Os Intocáveis , que investiga a compra e venda de terrenos invadidos, agiotagem, extorsão e pagamento de propina na região de Rio das Pedras.
Em 2003, Flávio homenageou Nóbrega — hoje chefe da milícia de Rio das Pedras — por sua “dedicação, brilhantismo e galhardia” . Nóbrega seria preso, ...continue lendo AQUI.
27 janeiro, 2019
Mensagem da Ampliada Nacional das CEBs às vítimas do rompimento da barragem de rejeitos de minérios em Brumadinho – MG
Nas intervenções sobre os recursos naturais, não predominem os interesses de grupos econômicos que arrasam irracionalmente as fontes da vida (DAp 471)
A Ampliada Nacional das CEBs, composta por representantes dos 18 Regionais da CNBB, reunida em Cuiabá-MT, em preparação para o 15º Intereclesial de CEBs, que acontecerá em Rondonópolis-Guiratinga-MT, em julho de 2022, recebe com profundo sentimento de indignação, a triste notícia do rompimento da barragem de rejeitos de minérios da Mineradora Vale, no município de Brumadinho – MG, ocorrido neste 25 de janeiro de 2019.
Diante deste triste fato, a Ampliada Nacional das CEBs vem de público afirmar que isto não se trata de tragédia, nem de acidente e, muito menos, uma fatalidade, mas um crime sócio ambiental, plenamente previsível e anunciado, pois sabemos que as Mineradoras, movidas pela ganância e lucros desenfreados, são capazes de devorar e destruir nossas montanhas, florestas, aquíferos, rios, fauna, flora, patrimônios históricos e culturais e de ceifar a vida de tantas pessoas.
Denunciamos a Mineradora Vale que, em nosso país e além fronteiras, invade territórios, destrói modos de vida e maneiras tradicionais de conhecimento e sobrevivência de muitos povos, com um discurso de desenvolvimento e progresso, iludindo-os com falsas promessas e ameaças.
Afirmamos nosso compromisso em defesa dos bens da criação, nossa Casa Comum, e que estes bens não podem ser apropriados por mineradoras em nome de um modo de produção, distribuição e consumo concentrador da riqueza e do poder, destruidor do meio ambiente, excludente e violento.
Fazemos nossas as palavras do Papa Francisco:
Os poderes econômicos continuam a justificar o sistema mundial atual, onde predomina uma especulação e uma busca de receitas financeiras que tendem a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e sobre o meio ambiente. Assim se manifesta como estão intimamente ligadas a degradação ambiental e a degradação humana e ética (Laudato Si, 56).
Alertamos para o risco eminente de rompimentos de outras barragens da Vale, tanto em Minas Gerais como em Parauapebas-PA.
Diante dos danos sócio ambientais provocados pela Mineradora Vale, apoiamos o processo em andamento que requer a revogação de sua privatização.
Conclamamos que as autoridades competentes façam a devida justiça perante as vitimas e suas famílias.
Solidarizamo-nos com as vítimas deste crime, seus familiares, seus territórios e com toda a criação divina, que mesmo no luto, na lágrima e na dor, mantenhamos confiantes nossa fé e nossa solidariedade, acreditando que o Senhor enxugará toda lágrima e destruirá nosso luto.
Que Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais, seja nossa companheira nesta travessia de dor e de esperança.
Cuiabá – MT, 26 de janeiro de 2019
26 janeiro, 2019
Que o nosso Deus abençoe as crianças e todo povo de Brumadinho, Minas Gerais
Que as crianças e todo povo de Brumadinho, Minas Gerais sintam a ternura e o amor de nosso Deus, que com eles chora de dor.
Como esta sendo a dor desse povo, acredito que muito mais do que podemos sentir e imaginar.
O rompimento da barragem de rejeitos de minérios da Mineradora Vale, no município de Brumadinho – MG, ocorrido no dia 25 de janeiro de 2019 é fruto da:
Ganância, negligência, irresponsabilidade...
Total desrespeito para com a vida humana e para com a natureza.
Mais uma página muito triste e trágica, é esse o modelo de desenvolvimento que vem sendo implantado em nossa pais.
(Fonte das fotos Google imagem)
Minas está de luto. Mensagem de Dom Walmor
Minas está de luto. Mensagem de Dom Walmor
É preciso repensar modelos de desenvolvimento que desconsideram o respeito à natureza, os parâmetros de sustentabilidade.
Mais uma “abominação da desolação”, como disse Jesus no Evangelho de Marcos, referindo-se aos absurdos nascidos das ganâncias e descasos com o outro, com a verdade e com o bem de todos: mais uma barragem rompida em Minas Gerais, agora em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Arquidiocese de Belo Horizonte une-se a cada um dos atingidos, compartilhando suas dores. Nossas comunidades de fé, especialmente às que servem ao Vale do Paraopeba, estejam juntas, para levar amparo, ajuda, a todos que sofrem diante de tão lamentável tragédia.
Os danos humanos e socioambientais são irreparáveis e apontam para uma urgência, já tão evidente: é preciso repensar modelos de desenvolvimento que desconsideram o respeito à natureza, os parâmetros de sustentabilidade. Uma triste coincidência: nesta sexta-feira, dia 25, quando uma barragem se rompe no coração da nossa amada Brumadinho, entrou em pauta, no Conselho da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, autorização para a retomada da mineração na Serra da Piedade. Uma tragédia se efetiva e outra se anuncia.
A Arquidiocese de Belo Horizonte defende, incansavelmente, de modo inegociável, a natureza, obra do Criador, compreendendo que o ser humano, as plantas e os animais devem viver em completa harmonia, pois são todos habitantes do planeta, a Casa Comum.
Rezemos pelas vítimas desta tragédia, unidos ao coração de cada pessoa e de todas as famílias que sofrem, renovemos, mais uma vez, o nosso compromisso com a solidariedade. É urgência minimizar a dor dos atingidos por mais esse desastre ambiental, sem se esquecer de acompanhar, de perto, a atuação das autoridades, na apuração dos responsáveis por mais um triste e lamentável episódio, chaga aberta no coração de Minas Gerais. A justiça seja feita, com lucidez e sem mediocridades que geram passivos, com sentido humanístico e priorizando o bem comum, com incondicional respeito e compromisso com os mais pobres. Minas Gerais está de luto.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte
25 janeiro, 2019
A paz inquieta
A paz inquieta
Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta
Que denuncia a PAZ dos cemitérios
E a PAZ dos lucros fartos.
Dá-nos a PAZ que luta pela PAZ!
A PAZ que nos sacode
Com a urgência do Reino.
A PAZ que nos invade,
Com o vento do Espírito,
A rotina e o medo,
O sossego das praias
E a oração de refúgio.
A PAZ das armas rotas
Na derrota das armas.
A PAZ do pão da fome de justiça,
A PAZ da liberdade conquistada,
A PAZ que se faz “nossa”
Sem cercas nem fronteiras,
Que é tanto “Shalom” como “Salam”,
Perdão, retorno, abraço…
Dá-nos a tua PAZ,
Essa PAZ marginal que soletra em Belém
E agoniza na Cruz
E triunfa na Páscoa.
Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta,
Que não nos deixa em PAZ!
Pedro Casaldáliga.
24 janeiro, 2019
“Missa é como um poema, não suporta enfeite nenhum”, diz Adélia Prado
Escritora brasileira defende resgate da beleza na celebração da liturgia.
“A missa é a coisa mais absurdamente poética que existe. É o absolutamente novo sempre. É Cristo se encarnando, tendo a sua Paixão, morrendo e ressuscitando. Nós não temos de botar mais nada em cima disso, é só isso”, enfatiza.
Poeta e prosadora, uma das mais renomadas escritoras brasileiras da atualidade, Adélia Prado, 71 anos, falou sobre o tema da linguagem poética e linguagem religiosa essa quinta-feira, em Aparecida (São Paulo), no contexto do evento “Vozes da Igreja”, um festival musical e cultural.
Ao propor a discussão do resgate da beleza nas celebrações litúrgicas, Adélia Prado reconheceu que essa é uma preocupação que a tem ocupado «há muitos anos». “Como cristã de confissão católica, eu acredito que tenho o dever de não ignorar a questão”, disse.
“Olha, gente – comentou com um tom de humor e lamento –, têm algumas celebrações que a gente sai da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar.”
Como um primeiro ponto a ser debatido, Adélia colocou a questão do canto usado na liturgia. Especialmente o canto “que tem um novo significado quanto à participação popular”, ele “muitas vezes não ajuda a rezar”.
“O canto não é ungido, ele é feito, fazido, fabricado. É indispensável redescobrir o canto oração”, disse, citando o padre católico Max Thurian, que, observador no Concílio Vaticano II ainda como calvinista, posteriormente converteu-se ao catolicismo e ordenou-se sacerdote.
Adélia Prado reforçou as observações, enfatizando que «o canto barulhento, com instrumentos ruidosos, os microfones altíssimos, não facilita a oração, mas impede o espaço de silêncio, de serenidade contemplativa.
Segundo a poeta, “a palavra foi inventada para ser calada. É só depois que se cala que a gente ouve. A beleza de uma celebração e de qualquer coisa, a beleza da arte, é puro silêncio e pura audição”.
“Nós não encontramos mais em nossas igrejas o espaço do silêncio. Eu estou falando da minha experiência, queira Deus que não seja essa a experiência aqui”, comentou.
“Parece que há um horror ao vazio. Não se pode parar um minuto”. “Não há silêncio. Não havendo silêncio, não há audição. Eu não ouço a palavra, porque eu não ouço o mistério, e eu estou celebrando o mistério”, disse.
De acordo com a escritora mineira (natural de Divinópolis), “muitos procedimentos nossos são uma tentativa de domesticar aquilo que é inefável, que não pode ser domesticado, que é o absolutamente outro”.
“Porque a coisa é tão indizível, a magnitude é tal, que eu não tenho palavras. E não ter palavras significa o quê? Que existe algo inefável e que eu devo tratar com toda reverência.”
Adélia Prado fez então críticas a interpretações equivocadas que se fizeram do Concílio Vaticano II na questão da reforma litúrgica.
“Não é o fato de ter passado do latim para a língua vernácula, no nosso caso o português, não é isso. Mas é que nessa passagem houve um barateamento. Nós barateamos a linguagem e o culto ficou empobrecido daquilo que é a sua própria natureza, que é a beleza.”
“A liturgia celebra o quê?” – questionou –. “O mistério. E que mistério é esse? É o mistério de uma criatura que reverencia e se prostra diante do Criador. É o humano diante do divino. Não há como colocar esse procedimento num nível de coisas banais ou comuns.”
Segundo Adélia, o erro está na suposição de que, para aproximar o povo de Deus, deve-se falar a linguagem do povo.
“Mas o que é a linguagem do povo? É aí que mora o equívoco”, – disse –. “Não há ninguém que se acerca com maior reverência do mistério de Deus do que o próprio povo”. “O próprio povo é aquele que mais tem reverência pelo sagrado e pelo mistério”, enfatizou.
“Como é que eu posso oferecer a esse povo uma música sem unção, orações fabricadas, que a gente vê tão multiplicadas e colocadas nos bancos das igrejas, e que nada têm a ver com essa magnitude que é o homem, humano, pecador, aproximar-se do mistério.”
Segundo a escritora brasileira, barateou-se o espaço do sagrado e da liturgia “com letras feias, com músicas feias, comportamentos vulgares na igreja”.
“E está tão banalizado isso tudo nas nossas igrejas que até o modo de falar de Deus a gente mudou. Fala-se o ‘Chefão’, ‘Aquele lá de cima’, o ‘Paizão’, o ‘Companheirão’.”
“Deus não é um “Companheirão”, ele não é um ‘Paizão’, ele não é um ‘Chefão’. Eu estou falando de outra coisa. Então há a necessidade de uma linguagem diferente, para que o povo de Deus possa realmente experimentar ou buscar aquilo que a Palavra está anunciando”, afirmou.
Para Adélia Prado, “linguagem religiosa é linguagem da criatura reconhecendo que é criatura, que Deus não é manipulável, e que eu dependo dele para mover a minha mão”.
Com esse espírito, enfatizou, “nossa Igreja pode criar naturalmente ritos e comportamentos, cantos absolutamente maravilhosos, porque verdadeiros”.
Ao destacar que a missa é como um poema e que não suporta enfeites, Adélia Prado afirmou que a celebração da Eucaristia “é perfeita” na sua simplicidade.
“Nós colocamos enfeites, cartazes para todo lado, procissão disso, procissão daquilo, procissão do ofertório, procissão da Bíblia, palmas para Jesus. São coisas que vão quebrando o ritmo. E a missa tem um ritmo, é a liturgia da Palavra, as ofertas, a consagração… então ela é inteirinha.”
“A arte a gente não entende. Fé a gente não entende. É algo dirigido à terceira margem da alma, ao sentimento, à sensibilidade. Não precisa inventar nada, nada, nada”, disse Adélia.
E encerrou declamando um poema seu, cujo um fragmento diz:
Ninguém vê o cordeiro degolado na mesa,
o sangue sobre as toalhas,
seu lancinante grito,
ninguém”.
–
Publicado em http://www.zenit.org/pt/articles/missa-e-como-um-poema-nao-suporta-enfeite-nenhum-diz-adelia-prado, 02/12/2007.
'Uma sala de morte e tristeza, tornou-se um lugar de alegria e esperança'!
Em 1922, na Universidade de Toronto, os cientistas foram para uma enfermaria de hospital com crianças diabéticas, a maioria delas em coma e morrendo de cetoacidose diabética. Isto é conhecido como um dos momentos mais incríveis da medicina. Imagine uma sala cheia de pais sentados à beira do leito esperando a morte inevitável de seu filho. Os cientistas foram de cama para cama e injetaram nas crianças o novo extrato purificado - insulina. Quando eles começaram a injetar a última criança comatosa, a primeira criança injetada começou a despertar. Então, um por um, todas as crianças acordaram de seus comas diabéticos. Uma sala de morte e tristeza, tornou-se um lugar de alegria e esperança. Obrigado Dr. Banting e Dr Best!
Créditos fotográficos - Biblioteca e Arquivos do Canadá.
Fonte: facebook Leonora Scherer
22 janeiro, 2019
Jovens indígenas, preservem suas culturas, suas raízes e delas, cresçam"
“Jovens indígenas, preservem suas culturas, suas raízes e delas, cresçam, floresçam, frutifiquem; celebrem a sua fé em Jesus Cristo a partir da riqueza milenar das suas culturas originais, mostrem o rosto indígena da nossa Igreja no contexto da JMJ e afirmem o nosso compromisso de proteger a Casa Comum e de colaborar na construção de um outro mundo possível, mais justo e mais humano”.
(Papa Francisco)
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