08 dezembro, 2015

Ano Santo da Misericórdia

Hoje inicia o Ano da Misericórdia
abaixo um texto que escrevi e hoje publico novamente

Ano Santo da Misericórdia

Como descobrir o rosto e o grito de quem pede compaixão?
Como “Eu” e “Você”, podemos descobrir e aproximar levando a misericórdia de nosso Deus?

Papa Francisco convoca o Jubileu da Misericórdia, e ao anunciar o ano jubilar disse: "Decidi convocar um Jubileu Extraordinário que tenha o seu centro na Misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia."

Misericórdia significa ter capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente, aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém, ser solidário com as pessoas. Misericórdia é também um grito de quem pede compaixão.

Ao anunciar o Ano Jubilar da Misericórdia, o papa justificou dizendo: “Pensei muitas vezes no modo como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual; e devemos fazer este caminho." – e cheio de ternura disse: “ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus” e que a Igreja “é a casa que acolhe todos e não recusa ninguém”. “As suas portas estão escancaradas para que todos os que são tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Quanto maior é o pecado, maior deve ser o amor que a Igreja manifesta aos que se convertem”.

Na bíblia misericórdia é o meio pelo qual nosso Deus age. Um olhar profundo no rosto leva a inserir na realidade da outra pessoa. O Ano da Misericórdia propõe ir ao encontro do outro, descobrir seu rosto. O rosto do outro é uma verdadeira manifestação, sair do eu para encontrar-se com o tu, uma relação real, vivido com participação viva, afetuosa, de dedicação, cuidados e de forma dinâmica. O rosto do outro revela o rosto de nosso Deus. A misericórdia de Jesus revela o que de mais humano existe em Deus e o que de mais divino existe na mulher e no homem.

Precisamos conhecer a carta do papa “Misericordiae Vultus (MV)” e deixar acender em nós a chama que não devemos deixar que nos roubem a alegria da Evangelização, que devemos nos aproximar mais do nosso povo, em primeiro lugar daquelas pessoas que se encontram à margem da sociedade. 

Em nossas Paróquias, em nossas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), na rua em que moramos como descobrir o rosto e o grito de quem pede compaixão? Como “Eu” e “Você”, podemos descobrir e aproximar levando a misericórdia de nosso Deus?

O grito dos que pedem compaixão está muito presente nos doentes, idosos, dependentes químicos, desempregados, nos que cometem erros, nos afastados e de seus familiares; no posto de saúde, comércio e nos colégios em nosso bairro.

Devemos nos aproximar com a misericórdia que nos leva a entrar na vida das pessoas, sentir suas dores, seus sonhos, suas alegrias, angustias, para juntos nos deixarmos surpreender por Deus e encontramos caminhos de superação, fraternidade e justiça: “A igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar das feridas  (das pessoas), aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-los com a misericórdia e tratá-los com solidariedade e atenção devidas. Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na comodidade que anestesia o Espírito e impede de descobrir a novidade, no animo que destrói” (MV 15).

Misericordiae Vultus apresenta um caminho de peregrinação em direção da Misericórdia. A proposta desse ano jubilar precisa ser prolongado pela vida toda, porque nunca se esgota a experiência do perdão e a necessidade da presença amiga da Igreja.

O Ano da Misericórdia terá início no dia 8 de dezembro desde ano, na solenidade da Imaculada Conceição, neste dia celebra-se também o 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II.  O encerramento do Ano Santo será no dia 20 de novembro de 2016, na Solenidade litúrgica de Jesus Cristo Rei do Universo . 

07 dezembro, 2015

Um eticamente desqualificado manda a julgamento uma mulher íntegra e ética

"Não podemos aceitar que um delinquente político, destituído de sentido democrático e de apreço ao povo brasileiro, nos imponha mais este sacrifício", escreve Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.
Eis o artigo.

O Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é acusado de graves atos delituosos: de beneficiário do Lava-Jato, de contas não declaradas na Suiça, de mentiras deslavadas como a última numa entrevista coletiva ao declarar que o Deputado André Moura fora levado pelo Chefe da Casa Civil Jacques Wagner a falar com a Presidenta Dilma Rousseff para barganhar a aprovação da CPMF em troca da rejeição da admissibilidade de um processo contra ele no Conselho de Ética. Repetidamente afirmou que a Presidenta em seu pronunciamento mentiu à nação ao afirmar que jamais se submeteria à alguma barganha política.

Quem mentiu não foi a Presidenta, mas o deputado Eduardo Cunha. Seu incondicional aliado, o deputado André Moura, não esteve barganhando com a Presidenta Dilma, como o testemunhou o ministro Jacques Wagner. Vale enfatizar: quem mentiu ao público brasileiro foi Euclides Cunha. Imitando Fernando Pessoa diria: Ele, mentiroso, mente tão perfeitamente que não parece mentira as mentiras que repete sempre.

É mentira que seu julgamento foi estritamente técnico. Pode ser técnico em seu texto, mas é mentiroso em seu contexto. O técnico nunca existe isolado, sem estar ligado a um tempo e a um interesse. É o que nos ensinam os filósofos críticos. Ele deslanchou o processo de impeachment contra a Presidenta exatamente no momento em que, apesar de todas as pressões e chantagens sobre o Conselho de Ética,soube que na votação perderia pois os três representantes do PT acolheriam a aceitação de um processo contra ele, o que poderia, depois, significar a sua condenação.

O que fez, foi um ato de vindita reles de quem perdeu a noção da gravidade e das consequências de seu ato rancoroso.

É vergonhoso que a Câmara seja presidida por uma pessoa sem qualquer vinculação com a verdade e com o que é reto e decente. Manipula, pressiona deputados, cria obstáculos para o Conselho de Ética. Mais vergonhoso ainda é ele, cinicamente, presidir uma sessão na qual se decide a aceitação do impedimento de uma pessoa corretíssima e irreprochável como é a Presidenta Dilma Rousseff.

Se Kant ensinava que a boa vontade é o único valor sem nenhum defeito, porque se tivesse um defeito, a boa vontade não seria boa, então Eduardo Cunha encarna o contrário, a má vontade, como o pior dos vícios porque contamina todos os demais atos, arquitetados para tirar vantagens pessoais ou prejudicar os outros.

Seu ato irresponsável pode lançar a nação em um grave retrocesso, abalando a jovem democracia, que, com vítimas e sangue, foi duramente conquistada. Não podemos aceitar que um delinquente político, destituído de sentido democrático e de apreço ao povo brasileiro, nos imponha mais este sacrifício.

Faço um apelo explícito ao Procurador Geral da República, ao Dr. Rodrigo Janot e a todo o Supremo Tribunal Federal: pesem, sotopesem e considerem as muitas acusações pendentes contra Eduardo Cunha nas áreas da Justiça. Estimo que há suficientes razões para afastá-lo da Presidência da Câmara e que venha a responder judicialmente por seus atos.

A missão desta mais alta instância da República, assim estimo, não se restringe à salvaguarda da constituição e à correta interpretação de seus artigos, mas junto a isso, zelar pela moralidade pública, quando esta, gravemente ferida, pode constituir uma ameaça à ordem democrática e, eventualmente, levar o país a um golpe contra a democracia.

Mais que outros cidadãos, são suas excelências, os principais cuidadores da sanidade da política e da salvaguarda da ordem democrática num Estado de direito, sem a qual mergulharíamos num caos com consequências políticas imprevisíveis. O Brasil clama pela atuação corajosa e decidida de vossas excelências, como ultimamente, tem demostrando exemplarmente.

04 dezembro, 2015

Conic se manifesta a favor da Dilma e contra impeachment

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) também vê com preocupação o acolhimento de um impeachment, baseado em "argumentos frágeis, ambíguos e sem a devida sustentação fática”


Em comunicado a entidade pede serenidade e profunda reflexão, lembrando também o "crime ambiental” de Mariana (Estado de Minas Gerais). "Perguntamos quais seriam as consequências para a democracia brasileira diante de um processo de deposição de um governo eleito democraticamente, em um processo sem a devida fundamentação. Um impeachment sem legitimidade nos conduziria a situações caóticas”.

Segue a integra da nota

DECLARAÇÃO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

“A justiça caminhará à nossa frente e os seus passos traçarão um caminho” (Sl 85.16)

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), nesse contexto de tensões e incertezas que paira sobre o mandato da presidente Dilma Rousseff, une-se às demais organizações da sociedade civil e reafirma o compromisso e engajamento em favor do respeito às regras da democracia.

Como já afirmamos em diferentes ocasiões, nossa história democrática foi conquista com a luta e engajamento de muitos brasileiros e brasileiras, muitos perderam suas vidas. Ela precisa, portanto ser diariamente reafirmada. Vemos com muita preocupação que o presidente da Câmara tenha acolhido um pedido de impeachment com argumentos frágeis, ambíguos e sem a devida sustentação fática para acusação de crime de responsabilidade contra a presidente da república.

O momento pelo qual passamos pede serenidade e profunda reflexão. Vivemos um tempo difícil na economia e na política. Ainda estamos estarrecidos com o crime ambiental ocorrido em Mariana (MG) e que afeta também o estado do Espírito Santo. Temos, portanto, razões para afirmar e conclamar que os e as parlamentares se dediquem para a defesa dos interesses das pessoas que, nesse momento, sofrem os impactos dos crimes ambientais, da violência e do desemprego.

Perguntamos quais seriam as consequências para a democracia brasileira diante de um processo de deposição de um governo eleito democraticamente em um processo sem a devida fundamentação. Um impeachment sem legitimidade nos conduziria para situações caóticas.

No calendário cristão, estamos no período de advento. Tempo de renovação e reafirmação da esperança. Que este tempo contribua para refletirmos de fato um projeto para o país que leve em consideração não os interesses materiais e imediatos das elites econômicas e políticas, mas sim as necessidades das grandes maiorias, especialmente dos e das trabalhadores e trabalhadoras do campo e das cidades. Afinal, este é o sentido maior da res publica - atender ao bem comum e contribuir para melhorar a vida daqueles que mais necessitam do apoio do Estado na saúde, na segurança, na educação e na proteção social em momentos de crise econômica.

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC


Movimentos populares e parlamentares afirmam que aceitação de impeachment por Cunha é “chantagem” e “vingança”


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), aceitou nesta quarta-feira (3) o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, após a bancada do PT se posicionar a favor do processo contra a continuidade dele no comando da Casa.
Após a decisão, Dilma se pronunciou oficialmente e disse ter recebido a notícia “com indignação”. “Não podemos deixar as conveniências e interesses indefensáveis abalarem a democracia e estabilidade do nosso país”, disse.
Referindo-se ao fato de Cunha ter aceito o pedido por conta da posição dos deputados petistas, a presidenta disse que “jamais aceitaria ou concordaria com quaisquer tipos de barganha, muito menos aquelas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas do meu país, bloqueiam a justiça ou ofendam os princípios morais e éticos que devem governar a vida pública. Tenho convicção quanto à improcedência deste pedido, bem como ao seu justo arquivamento”.
Diversos movimentos populares se posicionaram contrários à decisão de Cunha. O Levante Popular da Juventude afirmou, em vídeo compartilhado em suas redes sociais, que vai estar nas ruas contra o pedido de impeachment e contra Cunha, além de lutar por uma reforma política.
“Dilma foi eleita democraticamente pelo povo brasileiro. A juventude vai continuar nas ruas contra Cunha. Ele representa o ataque aos direitos das mulheres, negros, negras e da comunidade LGBT do nosso país. Eduardo Cunha é comprovadamente corrupto e representa os setores golpistas do Brasil”, disse um dos integrantes do coletivo.
Gilmar Mauro, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), questionou que Cunha “não tem nem moral nem ética para encaminhar um processo de impeachment”.
“Vamos sair às ruas em defesa da democracia e das reformas políticas e estruturais que defendemos. Agora é um momento muito importante no Brasil para se discutir uma reforma política. Hoje, são as empresas privadas que decidem quem vão ser os congressistas do nosso país”, disse.
Em nota, a Consulta Popular disse que a aceitação do processo de impeachment subordina as instituições do país aos interesses do presidente da Câmara. “Eduardo Cunha usa do cargo de presidente da Câmara para retaliação e busca de impunidade. O aviltamento das instituições e sua subordinação aos interesses pessoais de um acusado de corrupção é a expressão de uma profunda crise política que só uma reforma constituinte poderá dar respostas capazes de fazer o Brasil avançar na construção do desenvolvimento econômico e social”.
No Congresso
Nem mesmo parlamentares do partido de Cunha apoiaram sua decisão. Jarbas Vasconcelos (PE), um dos parlamentares mais antigos em exercício e fundador do PMDB, considerou que a postura do presidente da câmara foi uma decisão explícita de chantagem. “Ele é um chantagista cínico. Não tem a menor condição de comandar um processo como esse”.
Na mesma linha, o líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues (REDE-AP), disse que Cunha perdeu a legitimidade para conduzir a ação. “Um processo contra a presidente da República não pode ser conduzido por alguém que é praticamente réu no Supremo Tribunal Federal”, disse.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS), presente na sessão da Comissão de Ética, afirmou que “a medida que Cunha toma de abrir o processo de impeachment no mesmo dia em que anunciamos nossa posição contra ele é uma medida baseada na chantagem, a qual nós não podemos nos submeter. E todas as pessoas de bem, que querem que o país saia da crise e que o governo possa cumprir seus compromissos, sabe que nós não podemos permanecer com Cunha na presidência da Câmara dos Deputados. E não podemos aceitar nenhum tipo de ataque, chantagem contra Dilma e a democracia”.
Em sua página no Facebook, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) classificou o ocorrido como “pura vingança”. “Cunha há muito não deveria estar à frente da Câmara dos Deputados com tantas acusações de corrupção ativa, mentiras na CPI da Petrobras e o uso ostensivo do cargo para manobrar e chantagear. A liberação do processo de impeachment é pura vingança e não tem legitimidade quando deflagrado por alguém que é repudiado por mais de 80% da população. Impeachment é coisa séria, não pode ser usado como barganha. Agora, também, Cunha não tem mais como escapar”.
A deputada Jandira Feghali (PcdoB-RJ) também se posicionou contra a atitude de Cunha. “Estamos firmes na defesa do mandato da presidenta Dilma e contra essa atitude revanchista. Cunha percebeu que não conseguiria fazer acordo com ninguém na comissão de ética e, com seu pescoço na forca, tenta colocar Dilma no meio da crise. Vamos lutar para impedir não só o comando dele na casa, mas qualquer tentativa de golpe, puxada de tapete e que qualquer atitude antidemocrática prevaleça no parlamento e na sociedade brasileira”.

CNBB é contra impeachment da presidenta Dilma

Para a  Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), não há indícios que justifiquem afastamento da presidenta.

Confira a nota:

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo da CNBB, no ensejo da ameaça de impeachment que paira sobre o mandato da Presidente Dilma Rousseff, manifesta imensa apreensão ante a atitude do Presidente da Câmara dos Deputados.

A ação carece de subsídios que regulem a matéria, conduzindo a sociedade ao entendimento de que há no contexto motivação de ordem estritamente embasada no exercício da política voltada para interesses contrários ao bem comum.

O País vive momentos difíceis na economia, na política e na ética, cabendo a cada um dos poderes da República o cumprimento dos preceitos republicanos.

A ordem constitucional democrática brasileira construiu solidez suficiente para não se deixar abalar por aventuras políticas que dividem ainda mais o País.

No caso presente, o comando do legislativo apropria-se da prerrogativa legal de modo inadequado. Indaga-se: que autoridade moral fundamenta uma decisão capaz de agravar a situação nacional com consequências imprevisíveis para a vida do povo? Além do mais, o impedimento de um Presidente da República ameaça ditames democráticos, conquistados a duras penas.

Auguramos que a prudência e o bem do País ultrapassem interesses espúrios.

Reiteramos o desejo de que este delicado momento não prejudique o futuro do Brasil.

É preciso caminhar no sentido da união nacional, sem quaisquer partidarismos, a fim de que possamos construir um desenvolvimento justo e sustentável.

O espírito do Natal conclama entendimento e paz.

Carlos Alves Moura
Secretário Executivo
Comissão Brasileira Justiça e Paz

01 dezembro, 2015

Primeira semana do Advento - Deus veio habitar no meio de nós, é o Emanuel!

Primeira semana do Advento 
Chegou o mês de dezembro ele é para nós cristãos um mês especial, o Natal do Senhor Jesus, “um menino nos nasceu, nasceu o Salvador que é Cristo o Senhor”.
O nascimento de Jesus transformou a mulher e o homem e trouxe a todos nós uma esperança nova.
É bom sentir que o nosso Deus veio habitar no meio de nós, é o Emanuel, o Deus que Se aproxima para caminhar conosco. Que iluminados por Ele sejamos a presença Dele para quem mais precisa. Amém!

30 novembro, 2015

Ao redor do mundo, marchas pelo clima exigem ação de governos contra aquecimento global

Uma série de manifestações ao redor do mundo tem reunido milhares de pessoas neste fim de semana para exigir de líderes mundiais que cheguem a um acordo contra o aquecimento global na Conferência sobre as Mudanças Climáticas das Nações Unidas, que começa nesta segunda-feira (30/11) em Paris.
A reportagem foi publicada por Opera Mundi, 29-11-2015.
Mais de duas mil Marchas Globais pelo Clima estavam programadas para este sábado (28/11) e domingo (29/11) em vários países, com o objetivo de impor pressão popular sobre governos para que evitem a catástrofe climática que se projeta para os próximos anos devido à ação humana.
“Não há planeta B”, dizia um cartaz na marcha em Sydney, na Austrália, que reuniu cerca de 45 mil pessoas. "Em dez anos, nossos filhos vão dizer: 'mãe, você sabia que isso [mudanças climáticas] estava acontecendo? O que as pessoas estavam fazendo?'", afirmou Kate Charlesworth, presente na marcha na cidade australiana, à AFP.
Em Paris, ativistas do meio ambiente saíram às ruas apesar da proibição das manifestações por questões de segurança após os ataques do dia 13 de novembro. Uma corrente humana foi formada por centenas de pessoas ao longo dos três quilômetros da marcha que estava programada anteriormente, e centenas de pares de sapatos foram colocados na Praça da República, simbolizando as pessoas que não puderam marchar neste domingo.
Cerca de 150 líderes mundiais participarão da COP21, incluindo os presidentes dos EUABarack Obama, da China,Xi Jinping, da RússiaVladimir Putin, e a presidente brasileira, Dilma Rousseff, que chegou neste sábado em Paris.
O objetivo da conferência é chegar a um acordo global sobre o clima que limite a média de aumento das temperaturas para 2º C ou menos através da diminuição das emissões de dióxido de carbono, consideradas as principais causadoras do aquecimento global, até 2020.
Cientistas alertam que, caso este objetivo não seja atingido, o mundo se tornará cada vez menos hospitaleiro para a vida humana, com extremos climáticos como secas e tempestades cada vez mais severos e com o aumento do nível dos oceanos, que poderão engolir ilhas e regiões costeiras em todo o mundo.
O presidente francês, François Hollande, anfitrião da conferência, lembrou nesta sexta-feira (27/11) que a responsabilidade sobre as mudanças climáticas é humana, e cabe à humanidade fazer algo para contê-las. “Seres humanos estão destruindo a natureza e devastando o meio ambiente. Cabe, portanto, aos seres humanos a tarefa de enfrentar sua responsabilidade para o bem das gerações futuras.”
Entre os principais obstáculos para o fechamento de um acordo significativo em Paris estão o financiamento para países mais vulneráveis às mudanças climáticas – os países mais pobres do globo – e o corte das emissões de gases causadores do efeito estufa, advindos da queima de combustíveis fósseis como petróleo e carvão – mais proeminente em países ricos. A divisão entre estas duas classes de países fez fracassar as negociações da última conferência global sobre o clima, realizada em CopenhagenDinamarca, em 2009.
“As pessoas que menos fizeram para causar o problema estão sentindo os impactos primeiro e com mais severidade, como nossas irmãs e nossos irmãos no Pacífico”, afirmou Judee Adams, ativista da Oxfam.
COP21 em Paris deve reunir cerca de 40 mil pessoas, incluindo 10 mil representantes de 195 países, entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro. Cerca de 2.800 policiais e soldados farão a segurança da conferência, além de outros 6.300 que estarão nas ruas da capital francesa durante o evento.
No Rio de Janeiro, manifestantes denunciam tragédia de Mariana
Cerca 200 pessoas participaram da marcha pelo clima no Rio de Janeiro, com concentração na praia de Ipanema. Um grupo de manifestantes se pintou de cor marrom para representar a lama do vazamento que afetou 650 quilômetros do leito do rio Doce e que chegou até o oceano Atlântico.
O vazamento, ocorrido pela ruptura de dois diques de depósitos de resíduos minerais e de água, em uma mina da empresa Samarco, foi considerado pelo governo como o mais grave desastre ambiental ocorrido no Brasil.

26 novembro, 2015

UEM forma primeiro médico indígena

O sonho de ser médico foi acalentado desde os 11 anos de idade. Porém, nem a previsão mais otimista diria que Virlei Primo Júnior, indígena pertencente à etnia Guarani Nhandewa, oriundo da Terra Indígena Laranjinha, no município paranaense de Santa Amélia, receberia o diploma de curso de Medicina. Hoje, aos 31 anos, o sonho se concretizou. Virlei é o primeiro médico indígena a se graduar pela Universidade Estadual de Maringá e, nesta quinta-feira, dia 26, será um dos formandos na solenidade de antecipação de colação de grau para o curso de Medicina. A cerimônia terá a presença de Mário Raulino Sampaio, liderança indígena na Terra Yvy Porá, entre os municípios paranaenses de Santa Amélia e Abatiá. Leia aqui na íntegra

25 novembro, 2015

Liberdade, ainda que tardia!

Por Pe. Nelito Dornelas

Duas reservas de rejeitos de uma mina de ferro da Samarco S.A., um consórcio entre a Valee a BHP Billiton, se romperam e deixaram um rastro de destruição sem precedentes, matando pessoas, animais, peixes, plantas, povoados, propriedades rurais, identidades culturais e muitos sonhos. A lama de dor, sangue e desolação desceu pelo Rio Doce alcançando o Oceano Atlântico.

O trágico 5 de novembro de 2015 ficará em nossa história como a mais terrível e cruel atentado à vida contra a quinta maior bacia hidrográfica brasileira. O que virá daí não sabemos. Apenas suspeitamos.

Esta é uma tragédia anunciada, que compromete por, pelo menos, cem anos a vida de dois milhões de brasileiros que vivem nesta região atingida e de toda a biodiversidade existente no entorno deste rio e do oceano.

E agora, o que fazer em situação tão desafiadora?

Lembrei-me da oração da Salve Rainha, na qual de afirma que vivemos “gemendo e chorando neste vale de lágrimas”. E foi exatamente este o sentimento que me veio, trazendo à memória este mar de lama que desce sem fim e, provavelmente descerá por muitos anos, todas as vezes que chover na região afetada.

Mas a Salve Rainha fala também que há de se transformar este “vale de lágrimas” em “vida, doçura, esperança nossa, salve”.

Lembrei-me de um orador que certa vez abriu um congresso com esta fala: “É dos estercos mais fedorentos que nascem as rosas mais perfumadas!”

E que podemos oferecer para salvar e proteger a vida do Vale do Rio Doce e no Vale do Rio Doce? Recorri, então, ao profeta Jeremias que, vivendo diante do exílio e da deportação do povo de Israel já em curso, quando perguntado sobre o que fazer diante daquele contexto, ele respondia: vamos nos casar, constituir famílias e dar nosso filhos em casamento, cultivar jardins e plantar pomares, pois o curso da história está nas mãos de Deus. E ele mesmo deu um belo testemunho de confiava na Palavra de Deus, que ele pregava, quando um parente seu veio-lhe reivindicar o direito de resgate e exigiu-lhe que comprasse sua propriedade. Mesmo estando o país sitiado e tudo perdido, Jeremias exerce o dever de goêl, o protetor do desvalido, e compra o referido terreno, paga-lhe por ele, lavra uma escritura perante testemunhas e manda enterrá-la no mesmo terreno dentro de um pote de barro, afirmando perante todos, que um dia voltariam para aquela terra e ali se cumpririam as promessas de Deus.

Acredito que o Rio Doce é a nossa terra prometida. Deus nos plantou aqui para sermos testemunhas do seu amor solidário e sua misericórdia redentora. Mais do que nunca, devemos cumprir o pedido feito pelo apóstolo Paulo, quando afirma que a própria criação foi submetida à corrupção e está gemendo como uma mulher em dores de parto, aguardando a nobre manifestação dos filhos de Deus.

Quais são as nobres manifestações que Deus aguarda de nós?

Diante de nossos olhos já brotam, por todos os cantos, manifestações de solidariedades que, honrarão nossa geração.

É hora de repensarmos nosso estilo de vida e buscarmos a nível pessoal uma vida simples e sóbria, unindo-nos ao pensamento do Papa Francisco que implora por uma outra economia, pois esta economia mata!E afirma que “os poderes econômicos continuam a justificar o sistema mundial atual, onde predomina uma especulação e uma busca de receitas financeiras que tendem a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e sobre o meio ambiente. Assim se manifesta como estão intimamente ligadas a degradação ambiental e a degradação humana e ética” (Laudato Si, 56).

Voltemos a nos relacionar com a natureza como criação e não como coisa, objeto externo a nós, mas como nossa mãe e irmã e fonte de nossa espiritualidade.

ONU alerta: catástrofes naturais mataram 600 mil pessoas em 20 anos

Da Agência Lusa
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou hoje (23) que as catástrofes naturais, cada vez mais frequentes, mataram cerca de 600 mil pessoas em 20 anos. A organização destacou a importância de a Conferência do Clima (COP 21), que começa no dia 30 em Paris, chegar a um acordo.

Desde 1995, "as catástrofes meteorológicas mataram 606 mil pessoas, média de 30 mil por ano, deixando mais de 4,1 bilhões de feridos, desabrigados ou necessitados de ajuda emergencial", indicou um relatório do Gabinete da ONU para Redução dos Riscos de Catástrofes (UNISDR).

A maioria das mortes (89%) ocorreu em países mais pobres e causou perdas financeiras avaliadas em 1,8 bilhões de euros.

"O conteúdo deste relatório sublinha a importância de um novo acordo sobre alterações climáticas na COP21", em dezembro, afirmou a diretora do UNISDR, Margareta Wahlstorm, durante a apresentação do relatório.

A COP21 ocorrerá em Bourget, na região nordeste de Paris, de 30 de novembro a 11 de dezembro, para que 195 países, sob a égide das Nações Unidas, adotem um acordo mundial para frear o aquecimento climático do planeta.

O objetivo do encontro é conseguir o compromisso dos países participantes no sentido de conter a elevação da temperatura do planeta a 2 graus Celsius (ºC) desde a era pré-industrial.

"A alteração climática, a variabilidade climática e os fenômenos meteorológicos constituem uma ameaça à erradicação da pobreza extrema no mundo", explicou Margareta.

A diretora pediu aos países que, entre outras medidas, reduzam as emissões de gases de efeito estufa, melhorem a urbanização dos seus territórios e impeçam a degradação do ambiente.

De acordo com o relatório, que analisa apenas os últimos 20 anos, "as catástrofes climáticas são cada vez mais frequentes, sobretudo devido ao aumento consistente do número de inundações e tempestades".

Essa progressão vai continuar "nas próximas décadas", embora os cientistas ainda não tenham conseguido determinar em que medida o aumento desses fenômenos se deve às alterações climáticas, avisou a ONU.

Apenas as inundações representaram 47% das catástrofes climáticas entre 1995 e 2015 e afetaram 2,3 bilhões de pessoas, 95% das quais na Ásia.

Apesar de menos frequentes que as inundações, as tempestades foram as catástrofes climáticas mais letais, com 242 mil mortos.

Ao todo, os Estados Unidos e a China registaram o maior número de catástrofes climáticas desde 1995, devido à dimensão territorial.

A China e a Índia dominam a classificação dos países mais atingidos em termos de população afetada, seguidas por Bangladesh, Filipinas e Tailândia.

Na América, o Brasil lidera o ranking de população mais afetada e na África estão no topo da lista o Quênia e a Etiópia.

24 novembro, 2015

Partilhando um pensamento

Partilhando um pensamento

Famílias em nossas paróquias sofrendo com dependentes químicos, sofrendo por ter um filho preso porque roubou para saciar o vício.

O desafio de uma igreja missionária, que deve ir ao encontro do outro, de quem sofre, de quem precisa. De quem não se sente mais inserido.

Em nossas paróquias, pelas ruas de nossas CEBs começam ficar visível o sofrimento e a dor de famílias com dependentes químicos, famílias que tem um filho preso porque roubou. Roubou para poder saciar o vício.

Entre essas famílias, aquelas participativa, e por talvez “vergonha” começam a afastar-se.

Uma vez li um relato de uma mãe onde dizia:
"Meu filho trocou até as bonecas das filhas por crack" 
"É muito triste para uma mãe ter de recolher o corpo de um filho, mas, apesar da dor, sinto alívio."

Isso é muito triste.

Eu vejo que, como o vício se instala rápido, as famílias não têm tempo nem forças para digerir o problema e passam a agir por impulso.

Especialistas acreditam que, para vencer a dependência, não apenas o usuário, mas a família precisa de recuperação.

Para a sociedade não existe “ex-bandido”, dessa forma a isolação de familiares de presos é muito comum, como se a pena se estendesse a eles.

A vergonha pelo crime de alguém de sua família ou o medo do preconceito faz com que se isolam.

Esses dias conversando com o Pe. Dirceu Alves do Nascimento, comentei que na CEB que coordeno tem duas famílias vivendo essa situação e que as pessoas da comunidade tem procurado e perguntado:

 “Lucia o que vamos fazer para ajudar, as famílias estão sofrendo, doe ver o sofrimento...”

Acredito ser importante “um grupo na paróquia” para “VER – DESCOBRIR” o rosto e o grito de quem pede compaixão - de quem precisa da presença amiga e missionária da paróquia.

E aí convocar CPPs extraordinários para uma partilha. Ver – Julgar -  Agir – Rever – Celebrar.

Após essa partilha, as/os coordenadores de CEBs com ajuda das/os coord. das pastorais e movimentos paroquial, que moram em determinada CEB levar para CPCs extraordinários aberto a mais pessoas.

Assim penso,
Precisamos de momentos assim.



Padre católico cede capela para evangélicos realizarem cultos em Mariana MG

O Padre da Igreja Católica disponibilizou uma paróquia para que os irmãos da PIB – Primeira Igreja Batista de Mariana-MG possam cultuar a Deus.

A reportagem é de André Santos, publicada por Portal Padom, 21-11-2015.

Diante da tragédia, muitos moradores perderam tudo o que tinha, e precisaram se alocar e iniciar uma nova vida. 

De acordo com o Bispo Josep Rossello, a Primeira Igreja Batista foi atingida pela lama do desastre, e o templo da igreja foi totalmente destruído com a tragédia. Porém um ato inusitado por parte de um padre de Mariana fez em meio ao caos, pessoas acreditarem que é possível vivermos em um mundo onde o amor e a solidariedade possam falar mais alto do que a divisão da religião.

O Padre da Igreja Católica disponibilizou uma paróquia para que os irmãos da PIB – Primeira Igreja Batista de Mariana-MG possam cultuar a Deus.

De acordo com o padre, nesse momento de tristeza e dor, a missão como cristãos e filhos do mesmo Deus, é acolhermos uns aos outros como Cristo fez.

O gesto fez que católicos e evangélicos se unissem no momento de solidariedade, e os cultos tem sido motivo de alegria entre ambos os grupos, e até mesmo o padre tem participado dos cultos da Igreja Batista.

Tem sido uma bênção relata um fiel da Batista, temos sentido verdadeiramente o amor de Deus nos unir nesses últimos dias.

20 novembro, 2015

20 de novembro dia da Consciência Negra


Segundo Ruth Ignácio, socióloga da PUCRS, a Sociologia, ter um saber sociológico é ser capaz de entender o mundo sendo crítico. "Ser crítico é ter critérios, "Ser revoltado: de re-voltar, voltar novamente para entender o que aconteceu e ser radical: voltar à raiz". É um pensar sociológico, que independe de uma formação universitária ou acadêmica, é da vida, é do fazer, é da experiência das pessoas.

Portanto, não se pode refletir sobre a Consciência Negra se, não uma aproximação profunda com a raiz da história das negras e dos negros no Brasil.

Quando se criam os movimentos negros, as associações negras ou quando se incentivam a vivência nas comunidades quilombolas, se resgata a vida e a história negra no Brasil.

É voltar no tempo, às raízes, ao começo. Isso tem uma importância incalculável, porque é um rompimento com aquilo que conhecemos dos negros a partir da ótica branca, é ser realista com a história verdadeira e por isso é lembrada como caminho de libertação.

Para Hugo Fragoso, frade franciscano, OFM, nossa história, de maneira quase exclusiva, foi escrita não pelos índios e negros, mas pelos seus conquistadores. Isso explica o porque que a história é uma matéria obrigatória na escola. Não tem como entender quem somos se não for conhecendo a história.

Foram 400 anos de humilhação e negação da identidade e da cultura negra. A escravidão no Brasil ainda precisa ser muito estudada.

19 novembro, 2015

Palavras do Papa Francisco



Palavras do Papa Francisco 

“Mas também hoje, Jesus chora. Porque nós preferimos o caminho das guerras, o caminho do ódio, o caminho das inimizades. Estamos próximos ao Natal: teremos luzes, festas, árvores luminosas e presépio. Tudo falso: o mundo continua fazendo guerras. O mundo não entendeu o caminho da paz.” 

"Nos fará bem também a nós pedir a graça das lágrimas, por este mundo que não reconhece o caminho da paz. Quem vive para fazer a guerra, com o cinismo de dizer para não fazê-la. Peçamos a conversão do coração. Precisamente às portas deste Jubileu da Misericórdia, que o nosso júbilo, a nossa alegria sejam a graça que o mundo reencontre a capacidade de chorar pelos seus crimes, por aquilo que faz com as guerras".

17 novembro, 2015

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Mais uma vez a bola está com Dilma

"A presidente tem resistido bravamente a propostas que, no fundo, buscam desmontar o estado de bem-estar social construído desde a Constituição de 1988", escreve Luis Nassif, jornalista, em artigo publicado por Jornal GGN.

Graças exclusivamente ao amadurecimento institucional, o país começa a voltar para a normalidade política.

Agora, ocorre uma confluência de fatores estabilizadores.

Do lado da oposição, a desmoralização do golpismo de fancaria do PSDB de Aécio NevesCarlos Sampaio e Aloisio Nunes.

Outro fator de estabilização é a Lei de Direito de Resposta aprovada pelo Congresso e sancionada por Dilma. Ela deverá conter os exageros de uma imprensa que parece ter perdido totalmente o rumo em sua aposta inconsequente no pior.

Leia na íntegra o artigo aqui

16 novembro, 2015

Em nossas Paróquias quantas pessoas chegam/passam por nós no decorrer de um ano?

Partilhando um pensamento

Quantas pessoas chegam/passam por nós no decorrer de um ano em nossas paróquias?

- Através do sacramento do batismo, pais e/ou padrinhos
- Para uma orientação espiritual
- Para o sacramento da unção dos enfermos para um ente querido
- Para uma exéquia
- Para pedir uma ajuda
- Para pedir uma informação

Muitos dessas chegam/passam por nós só nesses momentos.

Em nossas CEBs, quantas famílias recebem a visita amiga da Mãe peregrina?

Na última reunião da coordenação das CEBs em minha paróquia vimos que muitas dessas, só recebem a visita, não tem uma participação ativa, nem dos grupos de reflexão participam.

Mais o importante é que, num certo momento ou através da visita amiga da Mãe Peregrina, elas chegam até nós. Nos procura.

Vejo nessas pessoas um chão fértil para um pensar missionário que nos leve a não deixar apenas passarem, mas ficarem com a gente.

A doutrina social da Igreja e a luta contra a corrupção

"Combater até o fim o câncer da corrupção e o veneno da ilegalidade" foi o sonoro pedido do papa Francisco a todos em seu discurso aos fiéis na praça da catedral de Prato, na Itália.
A palavra corrupção vem do latim “corruptio”, por sua vez derivado de “rumpere”, romper, quebrar. Quem corrompe ou é corrompido rompe um equilíbrio natural, uma integridade moral, uma harmonia vital. Hoje, o termo corrupção é geralmente associado à política e às instituições em suas diversas articulações, mas o estilo de vida que rompe a justiça e a confiança também se espalha por muitos contextos particulares e comunitários. Suas raízes estão no interior do indivíduo, prontas para se ramificar com força toda vez que se perde a relação pessoal com a verdade de Deus ou, no caso dos não crentes, quando se desvaloriza a retidão objetiva da própria natureza ontológica.

A corrupção é conscientemente "alicerçada" em tudo o que engana o homem em seus anseios de prestígio e poder, mas também em todo ato externo cotidiano que tende a definir suas relações e funções oficiais ou privadas. Chama a atenção, assim, observa dom Giampaolo Crepaldi, a rara ocorrência desta palavra no Magistério Pontifício, especialmente com o sentido que lhe atribuem as ciências sociais e as diversas pesquisas empíricas.

No entanto, o mesmo dom Crepaldi, ex-secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz, escreve: "Não faríamos um trabalho útil se nos propuséssemos a buscar neste ou naquele lugar do Magistério social uma referência mais ou menos explícita ao fenômeno da corrupção". No entanto, o fenômeno é abordado na Sollicitudo rei socialis, na Centesimus annus, no Compêndio da Doutrina Social da Igreja (DSI). Dom Crepaldi exorta os que confiam na guia diária da DSI a encontrarem a referência certa para evitar a guilhotina de corrupção e para serem construtores reais de uma sociedade do amor e da justiça, num contexto em que o homem não "rompa" o equilíbrio e a harmonia que o Senhor criou para a realização de cada pessoa.

O arcebispo de Trieste escreve: "Devemos buscar na doutrina social da Igreja os critérios para abordar o problema, as coordenadas de princípios e valores que nos permitem iluminar o fenômeno, explicá-lo não só a partir dos seus dados empíricos, que é tarefa da pesquisa social, mas na sua conotação ético-social e ético-política, prospectando possíveis caminhos para uma luta eficaz contra a corrupção. Para esta luta, precisamos conhecer o fenômeno em toda a sua complexa fenomenologia empírica, mas também, e mais importante ainda, dentro de um quadro de natureza ética suficientemente orgânico".
Dom Crepaldi nos dá quatro critérios úteis para combater a imoralidade. Ele a vê como um fenômeno mundial e imaterial, como um mal que acarreta custos para a comunidade.

As Sagradas Escrituras não usam muito o termo “corrupção” para falar do fenômeno, mas, direta ou indiretamente, aborda a degeneração do comportamento humano que "rompe" os princípios estabelecidos pelo Senhor para a boa convivência entre os homens.

No Livro dos Reis (1,21), ao falar da "Vinha de Nebot", a prepotência de Jezabel, mulher de Acabe, rei da Samaria, nada mais é que a representação da arrogância que geralmente brota em certos contextos institucionais, ofuscando o trabalho positivo dos outros e nutrindo a sensação de corrupção difusa, portadora de desconfiança em uma sociedade doente. Naboth, que possuía uma vinha perto do palácio real, não hesitou em rejeitar a proposta de compra pelo rei, por se tratar de herança dos pais. Acabe acusou o golpe da rejeição, mas sua esposa lhe propôs ações "corruptoras" junto aos anciãos do reino solicitando falsos testemunhos, que acusassem Nebot, perante o povo, de ter blasfemado contra Deus e contra o rei. O apedrejamento inevitável ocorreu fora da cidade, permitindo que o soberano, graças à pérfida esposa, se apropriasse da vinha tão desejada.

O castigo divino que se seguirá reflete os atos históricos de corrupção, promovidos pela rainha, aprovados pelo rei, oficializados pelos anciãos e pelas falsas testemunhas. Um quadro antigo, mas, infelizmente, muito atual, que só através da verdade do Evangelho, fonte principal de diretrizes sociais e políticas da Doutrina Social da Igreja, pode ser mudado para o progresso e bem-estar social de todo homem.


Fonte: Zenit