14 agosto, 2018

Catequese III: O grande sonho de Deus - Papa Francisco



Catequese III: O grande sonho de Deus - Papa Francisco

“Não sabeis que eu devo ocupar-me das coisas que é de meu Pai?” (Lc 2,49): Na realidade, por trás dessas palavras um tanto enigmáticas, o mistério de Sua Filiação é obscurecida e, nela, a descendência de cada homem, porque todo filho do homem, mesmo antes de ser tecido no ventre materno, antes mesmo de ser desejado pelos pais (e quantas vezes não desejado porque chegou fora dos programas humanos), sempre foi cobiçado pelo coração de Deus.

Cidade do Vaticano

A nós, portanto, que acreditamo, o Noivo sempre nos parece Belo. Belo é Deus, Verbo de Deus; Belo no útero da Virgem, onde não perdeu a divindade e assumiu a humanidade; Belo é o Verbo nascido criança, porque enquanto era criança, enquanto sugava o leite, enquanto era carregado nos braços, os céus falaram, os anjos cantavam louvores, a estrela dirigia o caminho dos magos, Ele era adorado no presépio, comida para os mansos. É Belo, portanto, no céu, Belo na terra; Belo no seio, Belo nos braços dos pais: Belo nos milagres, Belo nos suplícios; Belo em convidar para a vida, Belo em não cuidar da morte, Belo ao abandonar a vida e Belo ao retomá-la; Belo na cruz, Belo no sepulcro, Belo no céu. Ouçam o cântico com inteligência, e a fraqueza da carne não distrai os vossos olhos do esplendor da sua beleza. Suprema e verdadeira beleza é a justiça; Não o verás Belo, se o considerar injusto; Se portanto é justo, portanto é Belo. (S. Agostinho, Esposizioni sui Salmi, 44, 3)

“Não sabeis que eu devo ocupar-me das coisas que é de meu Pai?” (Lc 2,49): são as únicas palavras que os Evangelhos nos transmitem de Jesus aos 12 anos. Nenhuma outra exclamação ou afirmação ou apenas uma palavra dEle naquela idade. Certamente, estamos diante de uma expressão bastante complexa que, a primeira vista, quase perceberia uma falta de respeito de Jesus com José e Maria, quase surpreso e indignado, quase surpreso e indignado porque os Seus deveriam saber o motivo da sua permanência no templo de Deus sem dar qualquer aviso.

Na realidade, por trás dessas palavras um tanto enigmáticas, o mistério de Sua Filiação é obscurecida e, nela, a descendência de cada homem, porque todo filho do homem, mesmo antes de ser tecido no ventre materno, antes mesmo de ser desejado pelos pais (e quantas vezes não desejado porque chegou fora dos programas humanos), sempre foi cobiçado pelo coração de Deus.

Assim, o Papa Francisco afirma com determinação: «Cada criança, que se forma dentro de sua mãe, é um projeto eterno de Deus Pai e do seu amor eterno: “Antes de te haver formado no ventre materno, Eu já te conhecia; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei” (Jr 1, 5). Cada criança está no coração de Deus desde sempre e, no momento em que é concebida, realiza-se o sonho eterno do Criador. Pensemos quanto vale o embrião, desde que é concebido! É preciso contemplá-lo com este olhar amoroso do Pai, que vê para além de toda a aparência.» (Al 168).

Não somente Jesus, enquanto Filho de Deus, é chamado a ocupar-se das coisas de Seu Pai, mas cada filho, nunca sendo propriedade de seus pais, pertence ao Pai Celestial, que sempre teve um sonho muito grande e surpreendente a ultrapassar a imaginação e as expectativas de seus pais terrenos. A questão fundamental, portanto, é esta: qual é o sonho de Deus em cada homem? O que Ele realmente sonha para que cada um de Seus filhos, possam tornar sua vida excelente e extraordinária?

Com extraordinário imediatismo e profundidade, São João Paulo II responde a esta pergunta: «O homem não pode viver sem amor. Ele continua a ser um ser incompreensível para si mesmo, sua vida não tem sentido, se o amor não lhe é revelado, se ele não se encontra com o amor, se não o experimenta e não o torna, se não participa fortemente» (Redemptor hominis10).

Se fala justamente da revelação do amor, do encontro com o amor, da experiência e também da participação do amor, para significar que mais do que um movimento interior da alma ou um ato de doar-se, o amor revelado, encontrado, experimentado e participado é uma Pessoa concreta, uma Pessoa viva, é o próprio Cristo quem «revelando o mistério do Pai e do seu amor também revela plenamente o homem a si mesmo e mostra-lhe a sua altíssima vocação» (Gaudium et spes 22).

Deus não tem um sonho de amor abstrato ou idílico sobre cada um de nós. No Filho, Naquele que, para espanto de José e Maria, responde que deve ocupar-se das coisas de Seu Pai, o verdadeiro e concreto caminho do amor é revelado. E o amor tem sua própria linguagem específica, tem sua expressão original, tem sua própria maneira de se tornar carne. Qual? A nupcial!

É por isso que o Papa Bento XVI afirma que somente «O matrimônio baseado em um amor exclusivo e definitivo torna-se o ícone do relacionamento de Deus com seu povo e vice-versa: o modo de amar de Deus torna-se a medida do amor humano» (Deus caritas est 11).

Na verdade, existe um «vasto campo semântico da palavra «amor»: fala-se de amor da pátria, amor à profissão, amor entre amigos, amor ao trabalho, amor entre pais e filhos, entre irmãos e familiares, amor ao próximo e amor a Deus. Em toda esta gama de significados, porém, o amor entre o homem e a mulher, no qual concorrem indivisivelmente corpo e alma e se abre ao ser humano uma promessa de felicidade que parece irresistível, sobressai como arquétipo de amor por excelência, de tal modo que, comparados com ele, à primeira vista todos os outros tipos de amor se ofuscam» (Deus caritas est 2).

É o amor nupcial entre homem e mulher que revela a excelência do amor de Deus realizado em Cristo. É uma linguagem que esconde um Mistério verdadeiramente Grande. Pensar apenas que Deus assumiu tal amor para revelar o Seu coração à humanidade é afirmar uma parte da verdade do mistério.

Certamente, lendo toda a Escritura, especialmente os livros proféticos, vemos com frequência com que Deus usa a linguagem nupcial para expressar e revelar a Sua relação única com o povo eleito de Israel. No entanto, antes disso, não apenas cronologicamente, mas também e acima de tudo teologicamente, no mistério divino uma verdade muito maior é obscurecida: Deus não assume o amor nupcial para revelar-se, mas o amor nupcial sempre foi a revelação original do rosto de Deus.

«O casal que ama e gera a vida é a verdadeira «escultura» viva (não a de pedra ou de ouro, que o Decálogo proíbe), capaz de manifestar Deus criador e salvador. […] Sob esta luz, a relação fecunda do casal torna-se uma imagem para descobrir e descrever o mistério de Deus, fundamental na visão cristã da Trindade que, em Deus, contempla o Pai, o Filho e o Espírito de amor. O Deus Trindade é comunhão de amor; e a família, o seu reflexo vivente. […] Este aspecto trinitário do casal encontra uma nova representação na teologia paulina» (Al 11).

Quando o apóstolo Paulo escreve em sua Carta aos Efésios: «Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. Este mistério é grande – eu digo isto com referência a Cristo e à Igreja!» (Ef 5,31-32), ele afirma que na criação de Adão e Eva, em sua criação para formar uma só carne, Deus sempre pensou no Grande Mistério em referência a Cristo e à Igreja.

Desde a fundação do mundo, mesmo antes de moldar Adão e tirar uma costela de seu lado e cobri-la com carne para criar Eva, Deus olhou para Seu grande sonho, para o Grande Mistério de Cristo e da Igreja, que hoje nos foi revelado no Filho. Por este motivo, o Papa Francisco afirma com convicção que «querer formar uma família é ter a coragem de fazer parte do sonho de Deus, a coragem de sonhar com Ele, a coragem de construir com Ele, a coragem de unir-se a Ele nesta história» (Al 321).

Tal Mistério Grande não é um ideal ou uma verdade, mas é um evento real com uma forma concreta, a cruz, que ninguém jamais esperou e que, de forma sempre nova e criativa, é continuamente representada na nossa história. Como? Onde? Quando?

«Os esposos são, portanto, o chamado permanente para a Igreja do que aconteceu sobre a Cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, do qual o sacramento os torna partícipes» (Fc 13 retomou em Al 72).

Tudo isso desmonte o conhecimento generalizado e consciência do Sacramento do Matrimônio enquanto algo superficial e distorcido: isso não pode ser entendido e vivido como «uma convenção social, um rito vazio ou o mero sinal externo dum compromisso. O sacramento é um dom para a santificação e a salvação dos esposos, porque «a sua pertença recíproca é a representação real, através do sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja» (Al 72).

Uma vez que estamos falando sobre o Grande Mistério de que palavras humanas nunca poderiam expressar plenamente a profundidade, a amplitude, a altura e a grandeza, o Papa Francisco com uma linguagem mais imediata escreve que «O sacramento não é uma “coisa” nem uma “força”, mas o próprio Cristo, na realidade, “vem ao encontro dos esposos cristãos com o sacramento do matrimônio. Fica com eles, dá-lhes a coragem de O seguirem, tomando sobre si a sua cruz, de se levantarem depois das quedas, de se perdoarem mutuamente, de levarem o fardo um do outro”. O matrimônio cristão é um sinal que não só indica quanto Cristo amou a sua Igreja na Aliança selada na Cruz, mas torna presente esse amor na comunhão dos esposos» (Al 73).

O mesmo e idêntico amor de Cristo dado na cruz para a Igreja é o mesmo amor dos cônjuges e vice-versa. Isso cria uma equação extraordinária que faz tremer somente ao pensar nisso. Os esposos, em virtude da graça do Sacramento do Matrimônio, amam-se divinamente, eles se amam por Deus. Onde Deus alcançou o ápice do Seu amor? «Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito» (Jo 13,18).

Os esposos realizam e mostram ao mundo inteiro a loucura desse amor divino. Como o Papa Francisco afirma, «toda a vida em comum dos esposos, toda a rede de relações que hão de tecer entre si, com os seus filhos e com o mundo, estará impregnada e robustecida pela graça do sacramento que brota do mistério da Encarnação e da Páscoa, onde Deus exprimiu todo o seu amor pela humanidade e Se uniu intimamente com ela. Os esposos nunca estarão sós, com as suas próprias forças, a enfrentar os desafios que surgem. São chamados a responder ao dom de Deus com o seu esforço, a sua criatividade, a sua perseverança e a sua luta diária, mas sempre poderão invocar o Espírito Santo que consagrou a sua união, para que a graça recebida se manifeste sem cessar em cada nova situação» (Al 74).

Certamente o amor deles é um «signo imperfeito de amor entre Cristo e a Igreja» (Al 72), e «a analogia entre marido e mulher […] uma analogia imperfeita» (Al 73), porque o Matrimônio, mesmo o mais bem-sucedido, o mais realizado e o mais santo, não pode e nunca deve ser a realização de uma pessoa.

A causa de tantos sofrimentos familiares é exatamente isso: o pensamento generalizado e comum de que o próprio Matrimônio seja a conquista da tão desejada meta final. Não é o amor nupcial com o próprio cônjuge que nos faz realizar a felicidade humana, e não porque não existe um cônjuge que não tenha limites, dificuldades ou fragilidade e, portanto, não seja capaz de responder às grandes expectativas de amor que uma pessoa possa ter.

O Matrimônio nunca é o fim, mas «nas alegrias do seu amor e da sua vida familiar, Ele dá-lhes, já neste mundo, um antegozo do festim das núpcias do Cordeiro» (Al 73). Os esposos são, portanto, destinados não ao matrimônio terreno, mas ao eterno: as núpcias de Cristo Esposo com a Igreja, Sua Esposa.

Ao perder essa orientação fundamental, a aliança matrimonial em si perde seu significado e sua própria solidez. É o eterno que dá gosto e verdadeiro sabor ao humano, mas sem essa referência tudo se torna insípido e desorientador, causando crises conjugais e familiares generalizadas que hoje não poupam mais ninguém.

O Matrimônio é apenas o aperitivo da felicidade, mas não a própria felicidade. Você quer felicidade? Não tente construir a casa eterna no Matrimônio para encontrá-la. É a verdadeira porta de acesso ao sentimento que conduz a alegria plena, mas parar na porta equivale a nunca participar do eterno banquete nupcial eterno.

Urge, portanto, uma verdadeira e necessária proclamação do Evangelho de Jesus Cristo às 5 famílias, mostrando como «Na encarnação, Ele assume o amor humano, purifica-o, leva-o à plenitude e dá aos esposos, com o seu Espírito, a capacidade de o viver, impregnando toda a sua vida com a fé, a esperança e a caridade. Assim, os cônjuges são de certo modo consagrados e, por meio duma graça própria, edificam o Corpo de Cristo e constituem uma igreja doméstica» (Al 67).

Aqui não se trata de cuidar da dimensão religiosa ou espiritual das famílias, mas de fazê-las experimentar a extraordinária obra redentora que Cristo realiza em nossa humanidade: sem Ele o amor humano nunca existiria e perderia a sua originária beleza.

A comunidade eclesial, portanto, deve necessariamente utilizar o melhor de suas energias para as famílias, porque, se é verdade que «O bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja» (Al 31), da mesma forma «a Igreja, para compreender plenamente o seu mistério, olha para a família cristã, que o manifesta de forma genuína» (Al 67).

Na família, o Grande Mistério de Cristo e da Igreja está em jogo. Em outras palavras, ao salvar a família não só a Igreja se realiza, mas Deus mostra o Seu Rosto ao mundo na carne humana das relações familiares, cumprindo assim o seu grande sonho para a humanidade.

Em Família

Para refletir

1. O Grande Sonho que Deus tem para o homem tem alguma relação com o sonho que o homem tem para si?

2. O Matrimônio não é a felicidade, mas apenas o aperitivo da felicidade. Que consequências concretas essa afirmação tem na vida conjugal e familiar?

Prática

1. «Toda a vida em comum dos cônjuges, toda a rede de relações que tecerão entre eles, com seus filhos e com o mundo, será impregnada e fortalecida pela graça do sacramento que decorre do mistério da Encarnação e da Páscoa, em que Deus expressou todo o seu amor pela humanidade e intimamente unido a ela. Eles nunca estarão sozinhos com a força deles para enfrentar os desafios que surgem. Eles são chamados a responder ao dom de Deus com seu compromisso, criatividade, resistência e luta diária, mas sempre podem invocar o Espírito Santo que consagrou sua união, para que a graça recebida se manifesta novamente em cada nova situação» (Al 72). De que forma o Espírito Santo opera na vossa vida conjugal e familiar?

2. Amar-se de Deus. Amar-se ao divino. Amar-se como Cristo amou a Igreja dando Sua vida na Cruz. Como tudo isso pode ser realizado?

Na Igreja

Para Refletir  

1. Por que a proclamação do Evangelho do matrimônio e da família tem dificuldade de entrar na pastoral da Igreja?

2. Na família está em jogo o Grande Mistério de Cristo e da Igreja. O que isso significa?

Prática

1. «A Igreja, para entender completamente o seu mistério, olha para a família cristã, que a manifesta de forma genuína» (Al 67). Como é possível realizar tudo isso?

2. Se verdadeiramente «o bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja» (Al 31), como deveria trabalhar a pastoral da Igreja?)

2. Se verdadeiramente «o bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja» (Al 31), como deveria trabalhar a pastoral da Igreja?)


Fonte: Vatican News

Oração

Senhor, como estou longe da simplicidade e da humildade que recomendas aos teus discípulos! Gosto de mandar, de submeter os outros à minha vontade, de ser o primeiro. Toma-me nos teus braços, no teu Coração, para que aprenda a ser como as crianças na minha relação Contigo e com os meus irmãos. Que eu saiba abandonar-me, entregar-me confiantemente a Ti; que eu saiba colocar-me no meu lugar, para servir com simplicidade e com amor os meus irmãos. Amém.

Fonte: Dehonianos

13 agosto, 2018

Não basta não fazer o mal


"Não basta não fazer o mal"

"É bom não fazer o mal, mas é mal não fazer o bem. Eu não faço mal a ninguém". E acredita-se ser um santo. Não. Ok, mas você faz o bem? Quantas pessoas não fazem o mal, mas nem mesmo o bem, e sua vida acaba na indiferença, na apatia, na tibiez. Essa atitude é contrária ao Evangelho...".


Papa Francisco

10 agosto, 2018

Cartilha de Orientação Política

Clique AQUI e acesse slide elaborado pelo Conselho Arquidiocesano de Leigas e Leigos de Maringá da “Cartilha de Orientação Política da CNBB 2018”.

“Uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – comporta sempre um desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela”. (Papa Francisco)

Os cristãos e as eleições 2018
“Alegres por causa da esperança”. (Rm 12,12)

O BOM POLÍTICO
- Assume a política como serviço ao bem comum;
- Vive a política como diálogo
- Proposta política de coerência
- Tem conduta ética
- Defende a Vida a qualquer momento
- Defende a Democracia e participação popular
- Coração e mente abertos
- Promove a Justiça Social e a defesa dos direitos humanos
- É humano e popular, sem ser populista
- Sensibilidade ecológica e bom administrador

Cresce o nº de mulheres vítimas de homicídio no Brasil; dados de feminicídio são subnotificados

São 4.473 homicídios dolosos em 2017, um aumento de 6,5% em relação a 2016. Isso significa que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil. Falta de padronização e de registros atrapalham monitoramento de feminicídios no país.

A informação é publicada G1 em 07/03/2018


Doze mulheres são assassinadas todos os dias, em média, no Brasil. É o que mostra um levantamento feito pelo G1 considerando os dados oficiais dos estados relativos a 2017. São 4.473 homicídios dolosos, sendo 946 feminicídios, ou seja, casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero.

Trata-se de um aumento de 6,5% em relação a 2016, quando foram registrados 4.201 homicídios (sendo 812 feminicídios). Isso sem contar o fato de alguns estados ainda não terem fechado os dados do ano passado, o que pode aumentar ainda mais a estatística.Doze mulheres são assassinadas todos os dias, em média, no Brasil. É o que mostra um levantamento feito pelo G1 considerando os dados oficiais dos estados relativos a 2017. São 4.473 homicídios dolosos, sendo 946 feminicídios, ou seja, casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero.


Trata-se de um aumento de 6,5% em relação a 2016, quando foram registrados 4.201 homicídios (sendo 812 feminicídios). Isso sem contar o fato de alguns estados ainda não terem fechado os dados do ano passado, o que pode aumentar ainda mais a estatística.

Maringá faz coleta para a Igreja em Guajará-Mirim

A coleta da missa de Nossa Senhora da Glória, que será celebrada dia 15 de agosto às 17h na Praça da Catedral de Maringá, será revertida em favor da missão na Diocese de Guajará-Mirim, em Rondônia.

 Maringá e Guajará-Mirim mantêm uma parceria no projeto “Igrejas-irmãs”, criado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com o objetivo de “partilhar a fé, os dons da graça, as experiências pastorais, pessoas e recursos financeiros como gestos de caridade cristã para com as Igrejas da Amazônia e outras também necessitadas”.

Além da coleta do Dia da Padroeira, no final de semana dos dias 18 e 19 de agosto a coleta de todas as missas das paróquias da Arquidiocese de Maringá será destinada à missão de Guajará-Mirim.

Atualmente a Arquidiocese de Maringá mantém dois padres em Guajará-Mirim: Padre Claudemir Ricardo da Silva e padre Obelino Silva de Almeida. 

“É uma região de muitas dificuldades financeiras, materiais e também precisamos muito de missionários. 

O território da diocese é muito grande o que dificulta a presença do padre nas comunidades ribeirinhas”, explica padre Claudemir. 


Fonte: Site da Arquidiocese de Maringá


Veja em vídeo, trabalho dos missionários na fronteira com a Bolívia https://bit.ly/2KG0w1j

 


09 agosto, 2018

Leia o documento “Austeridade e Retrocesso – Impactos da política fiscal no Brasil”, escrito em linguagem acessível e didática


Estudo escancara retrocesso social com a emenda do teto de gastos

Leia o documento “Austeridade e Retrocesso – Impactos da política fiscal no Brasil”, escrito em linguagem acessível e didática.

Acesse aqui

Estudo escancara retrocesso social com a emenda do teto de gastos


Lançado nesse dia 7 de agosto em audiência pública no Senado, na Comissão de Direitos Humanos, o documento tem 66 páginas de linguagem didática e acessível. O trabalho é apoiado por diversas instituições, dentre elas o Brasil Debate, e está disponível para download gratuito.

A reportagem foi publicada por Brasil Debate, 07-08-2018.


Lançado nesse dia 7 de agosto em audiência pública no Senado, na Comissão de Direitos Humanos, o documento “Austeridade e Retrocesso – Impactos da política fiscal no Brasil”, escrito em linguagem acessível e didática, é resultado de um esforço coletivo que envolveu diversos pesquisadores e instituições[1] e a criação de um fórum permanente de discussão: o “Observatório da Austeridade Econômica no Brasil”. Uma boa parte de seu conteúdo faz uso direto do livro “ECONOMIA PARA POUCOS: Impactos sociais da Austeridade e Alternativas para o Brasil”, publicado pela editora Autonomia Literária, que traz um maior detalhamento das ideias apresentadas no documento. Você acessa a íntegra aqui: DOC AUSTERIDADE_doc3-_L9 .
O estudo traz um diagnóstico dos impactos das políticas de cortes em diversas áreas, demonstrando os efeitos extremamente negativos das políticas de austeridade praticadas no Brasil. Analisam-se os impactos dos cortes que já ocorreram e os possíveis efeitos do teto de gastos (Emenda Constitucional 95) em áreas como seguridade social, saúde, educação básica, educação superior, meio ambiente, cultura, segurança, moradia, agricultura familiar, reforma agrária e direitos humanos, destacando os seus efeitos perversos que mantêm as fontes de desigualdade em termos de gênero e raça.
Uma das contribuições do documento é mostrar a relação intrínseca entre o orçamento público e a garantias dos direitos sociais, assim como o impacto distributivo da política fiscal no Brasil.
Em cada área, apresentamos as consequências que já podem ser percebidas e as previsões para os próximos anos de vigência do teto declinante de gastos, que irá impor uma série de novos cortes em áreas prioritárias e essenciais para garantir um desenvolvimento inclusivo e mais justo.
Parte dos impactos que estão descritos no documento já aparecem nas notícias de jornais que corroboram esse quadro. Talvez um dos resultados mais tristes seja o aumento da mortalidade infantil, após 26 anos[2] de queda consecutiva. Um estudo da Fiocruz aponta que o teto declinante de gastos que afeta programas como o Bolsa Família e Estratégia de Saúde da Família pode ter impacto direto ainda maior na mortalidade de milhares de menores de até 5 anos até 2030[3].
O aumento da mortalidade infantil está diretamente relacionado a outros dados extremamente alarmantes, como o aumento da extrema pobreza[4], a escassez de investimentos em saneamento básico e a piora no atendimento à saúde da população diante dos cortes de gastos[5]. Os cortes afetaram a oferta e a cobertura de vacinas[6], afetaram a qualidade do atendimento dos hospitais[7] e interromperam o programa de atenção básica, o Mais Médicos[8].
Além disso, os cortes afetaram diretamente a educação pública, tanto básica[9] quanto superior[10]. O atraso no repasse a creches[11] ameaça crianças menores de 4 anos. A área de pesquisa das universidades foi diretamente afetada[12]. A notícia mais recente, de corte de bolsas para 2019[13], caso os limites orçamentário forem mantidos, já foi discutido no documento que mostra uma queda na concessão de bolsas nos últimos anos.
Para as famílias brasileiras, um dos maiores problemas é o forte aumento do desemprego[14], em boa parte decorrente do efeito recessivo das políticas de austeridade econômica. Sendo assim, cada vez mais famílias dependem das transferências do governo[15] como sendo a principal fonte de renda, tanto as previdenciárias quanto as assistências, que também são ameaçadas pelas políticas de corte permanente de gastos.
A queda de renda tem afetado diretamente o padrão de consumo das famílias, reduzindo o consumo de comida, remédio[16], fraldas[17], gás[18], aluguel[19], entre outros. Quem não consegue comprar botijão tem improvisado com uso de álcool e fogão a lenha. Esses efeitos são ainda mais fortes nas mulheres[20].
A consequência imediata foi o aumento da população de rua[21] e a sensação de insegurança[22] nas grandes capitais brasileiras em meio a essa grande crise social.
O futuro não deveria e não deve ser assim. A austeridade fiscal, longe de uma necessidade técnica, é uma opção política-ideológica apoiada em discursos falaciosos sem sustentação empírica. É preciso rediscutir, repensar e reverter essas políticas que deterioram o bem-estar da população brasileira assim como o seu acesso a direitos sociais. Esse documento busca contribuir para essa tarefa. E, ao fazer isso, mostra que a solução não pode ser parcial: é preciso repensar um novo modelo de desenvolvimento que tenha como base a redução das desigualdades.
Para ler o documento na íntegra: DOC AUSTERIDADE_doc3-_L9
Notas
[1] São 18 instituições que apoiam o documento: FES, BRASIL DEBATE, CAMPANHA DIREITOS VALEM MAIS, GT DE MACRO DA SEP, GT ECONOMIA – PROJETO BRASIL POPULAR, Plataforma DHESCA, ABRES, CEBES, PLATAFORMA POLÍTICA SOCIAL, POEMA, IJF, INESC, CAMPANHA NACIONAL PELO DIREITO À EDUCAÇÃO, INSTITUTO CULTURA E DEMOCRACIA, INSTITUTO TRICONTINENTAL, ANFIP, EDITORA AUTONOMIA LITERÁRIA e PEABIRU.
[5]https://www.sul21.com.br/areazero/2018/07/saude-e-um-valor-social-nao-uma-mercadoria-diz-professor-em-debate-sobre-crise-do-sus/
[6] https://m.oglobo.globo.com/sociedade/saude/queda-na-cobertura-vacinal-acende-alerta-para-volta-de-doencas-do-passado-22861011
[7] https://oglobo.globo.com/rio/falta-de-pagamento-das-os-faz-atendimento-de-hospitais-piorar-22889268
[8] https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/07/alexandre-padilha-cinco-anos-do-mais-medicos-uma-revolucao-interrompida.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb
[13]https://g1.globo.com/educacao/noticia/2018/08/02/quase-200-mil-podem-ficar-sem-bolsa-se-orcamento-de-2019-sofrer-corte-diz-conselho-da-capes.ghtml
[19] https://oglobo.globo.com/economia/na-crise-todo-mundo-se-aperta-lares-reunem-mais-moradores-22627644

08 agosto, 2018

Meditação à beira de um poema - Adelia Prado


Podei a roseira no momento certo
e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar biblicamente
pela hora das coisas.

Quando abri a janela, vi-a,
como nunca a vira
constelada,
os botões,

Alguns já com rosa- pálido
espiando entre as sépalas,
jóias vivas em pencas.

Minha dor nas costas,
meu desaponto com os limites do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizam-se
diante do recorrente milagre.

maravilhosas faziam-se
as cíclicas perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.

Só porque é setembro

Reflexão Evangelho de Mateus 15,21-28

"No seguimento de Jesus, que se deixou tocar pelo grito da mulher siro-fenícia, "escutar Deus onde a vida clama" é convocação do Espírito que sopra onde e como quer." 

Jesus nas suas andanças pela sua terra natal, ele também fez uma coisa ainda mais difícil. Ele ultrapassou fronteiras humanas, fronteiras de raça, religião e preconceito.

A história de Cananéia, narrada no evangelho de hoje está cheia de detalhes que podemos refletir.

A região de Tiro
Tiro é uma cidade com ambição de domínio e com grande poder. Desde sua origem até o período romano, havia uma luta do povo fenício sobre as terras da Galileia. Tiro pode ser considerada uma cidade rica e economicamente estável. Mas, ao lado desta realidade, também há pobreza. O diálogo acontece entre os pagãos e os judeus.

Jesus anda em território pagão, perto de Tiro e Sidom. Nesse lugar é normal encontrar-se uma mulher "cananeia". Ela mora numa região de pagãos. Eles não são semitas, não são israelita nem seguem a religião judaica. Mas ela chama Jesus de "Filho de Davi", que é o título messiânico israelita por excelência. Podemos pensar que ela está tão profundamente angustiada que se humilha até invocar o Messias dos israelitas. "E partindo dali foi para a Região de Tiro…" (7,24a).

A mulher identificada é designada como Cananeia. Podemos pensar que ela esta tão profundamente angustiada que se humilha até invocar o Messias dos israelitas. Seu amor de mãe pela sua filha a leva a quebrar as possíveis fronteiras da sua tradição e das brigas dos povos na procura da saúde de sua filha.

A insistência da Mulher e as reações de Jesus e dos discípulos
Mateus descreve com muito mais detalhes o gradativo clamor da mulher e as diferentes reações de Jesus e dos discípulos. O grito da mulher pede a compaixão de Jesus reconhecido como Filho de Davi. Ao seu clamor que expressa a solidariedade entre mãe e filha, Jesus fica em silêncio e nada responde (Mt 15, 23). Será indiferença ou presença silenciosa e reflexiva? O silêncio também faz parte da aproximação para um verdadeiro encontro, quando as diferenças são muito grandes.

Os discípulos ficam bravos com a mulher. Querem afastar o grito porque ele incomoda: "Despede-a, porque vem gritando atrás de nós" (Mt 15,23). Eles querem que Jesus mande-a embora para que não os incomode mais. Jesus parece pensar em voz alta e Mateus coloca em sua boca a mentalidade dos judeus da época, através de uma compreensão exclusivista da missão: "Eu não fui enviado senão para as ovelhas perdidas de Israel" (Mt 15, 24). Diante da insistência do grito da mulher, a resposta de Jesus é muito dura e difícil de entender. Para isso, é preciso entrar em sua atitude pedagógica, destinada aos discípulos e também à mulher.

Ele insiste no seu messianismo israelita: "Não fui enviado senão às ovelhas perdidas de Israel" (Mt 15,24). E era verdade mesmo: Jesus foi mandado a um povo pequeno, para realizar uma esperança limitada nos seus termos – ele é o Messias de Israel.
Jesus não a rejeita, mas a provoca para uma maior confiança. Ele vai pedir que ela transgrida as fronteiras de suas próprias ideias. As fronteiras que tinham marcado dentro do seu coração e de seus conceitos.

A mulher volta a insistir. Seu grito agora é acompanhado por um gesto de aproximação maior. Prostrando-se de joelhos implora: "Senhor, ajuda-me" (v. 25). "Não fica bem tirar o pão dos filhos para atirá-lo aos cachorrinhos" (Mt 15, 26). Os judeus se consideravam filhos de Deus e diziam que os estrangeiros não eram dignos da bênção divina.

A mulher pagã ajudou Jesus a compreender que ele era enviado de Deus não só para os judeus, mas para toda pessoa humana de todas as culturas e tempos; o que é uma alusão à profecia do Servo de Javé (Is 49, 1-6). A mulher assumiu sua condição de "cachorrinho" com grande esperança; não aceitou as condições que a deixavam excluída da vida, mas quebrou as fronteiras que a discriminavam.

Jesus ficou admirado com os valores que encontrou nos pagãos e compreendeu que Deus já estava entre eles como Deus vivo e libertador: aquele que ouve o clamor e desce para libertar (cf. Ex3, 7ss.). O evangelho de Mateus faz esse caminho progressivo e muito diferente do envio de discípulos apenas para as "ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt 10, 6), e conclui: "Ide e fazei com que todos os povos sejam meus discípulos" (Mt 28, 19). O encontro de transformação e libertação só aconteceu quando Jesus "desce" ao nível humano, tornando-se aprendiz e discípulo da mulher estrangeira, excluída. E confirma sua cidadania teológica: "Mulher, grande é tua fé! Seja feito como queres!" (Mt 15, 28).

Como ela, nós somos convidados a ir lá onde a vida clama e sofre discriminação; ali onde as pessoas sofrem a separação da vida social e cultural.

Sendo a mensagem de hoje a universalidade da salvação, devemos perguntar:

– Não concebemos essa universalidade à maneira do Antigo Testamento, esperando os outros aderirem ao nosso sistema? Deixamos pelos menos algumas "migalhas" para aqueles e aquelas que não são cristãos?

– Somos capazes de reconhecer a realidade crítica fora do nosso ambiente católico institucional?

No seguimento de Jesus, que se deixou tocar pelo grito da mulher siro-fenícia, "escutar Deus onde a vida clama" é convocação do Espírito que sopra onde e como quer. 

Precisamos ter nossos corações abertos e atentos aos múltiples clamores da vida que aparece ao nosso redor.

Fonte: CEBI

Mateus 15,21-28


Naquele tempo:
21Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia.
22Eis que uma mulher cananéia, vindo daquela região,
pôs-se a gritar:
'Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim:
minha filha está cruelmente atormentada por um
demônio!'
23Mas, Jesus não lhe respondeu palavra alguma.
Então seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram:
'Manda embora essa mulher,
pois ela vem gritando atrás de nós.'
24Jesus respondeu: 'Eu fui enviado somente
às ovelhas perdidas da casa de Israel.'
25Mas, a mulher, aproximando-se,
prostrou-se diante de Jesus, e começou a implorar:
'Senhor, socorre-me!'
26Jesus lhe disse: 'Não fica bem tirar o pão dos filhos
para jogá-lo aos cachorrinhos.'
27A mulher insistiu: 'É verdade, Senhor;
mas os cachorrinhos também comem
as migalhas que caem da mesa de seus donos!'
28Diante disso, Jesus lhe disse:
'Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!'
E desde aquele momento sua filha ficou curada.
Palavra da Salvação.

06 agosto, 2018

Identidade e Organização das CEBs à Luz da Igreja em Saída - Papa Francisco


Ampliada das CEBs Regional Sul II (Paraná)
Identidade e Organização das CEBs à Luz da Igreja em Saída - Papa Francisco

Participaram aproximadamente 70 pessoas, coordenadores, assessores e animadores das Comunidades Eclesiais de Base.

O Regional é composto por 18 dioceses e 14 estiveram representadas: Londrina, Cornélio Procópio, Jacarezinho, Apucarana, Maringá, Umuarama, Paranavaí, Campo Mourão, Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu, Palmas/Francisco Beltrão, Curitiba e São José dos Pinhais.

A reunião aconteceu nos dias 04 e 05 de agosto de 2018, na Diocese de Apucarana.










04 agosto, 2018

Ampliada das CEBs do Regional Sul 2 (Paraná)

Nesse momento a caminho de Arapongas.
Ampliada das CEBs do Regional Sul 2 (Paraná).
Hoje dia 04 seminário de Formação:
“A identidade e organização das CEBs a partir da Iigreja do papa Francisco"
Assessoria de Pe. Benedito Ferraro
Assessor Nacional das CEBs
Dias 04 e 05 de Agosto de 2018.