24 dezembro, 2019
21 dezembro, 2019
Oração da Campanha da Fraternidade 2002
Pai de todos os povos,
Queremos rezar pelos nossos irmãos indígenas,
Que lutam pela realização de seus sonhos.
Animados pelo vosso Espírito,
Consigam construir a terra sem males,
Que revela a busca do vosso reino.
Queremos também pedir por nós,
Para que nos convertamos,
Sejamos solidários com os povos indígenas,
Aprendamos com seus sonhos
E nos inspiremos em sua caminhada
Rumo à terra sem males.
Que possamos compreender
Que é possível a terra sem males,
Onde aconteça a plena libertação,
E a restauração da justiça,
De modo que possamos todos viver em fraternidade,
E haja a valorização de todos os povos.
Ó Pai, isso vos pedimos
Com a Virgem de Guadalupe,
Padroeira da América,
Por Jesus Cristo, que nos congrega num só povo
E alimenta nossas esperanças.
Amém.
UM NATAL INDÍGENA – Carta às Comunidades
UM NATAL INDÍGENA – Carta às Comunidades
Amadas irmãs e amados irmãos das comunidades católicas
do Brasil,
Diante da situação dramática que vivem povos indígenas de
nosso país, chegando ao limite de assassinatos neste tempo do Advento, e em
sintonia com o pronunciamento de D. Walmor Oliveira de Azevedo, Presidente da
CNBB, divulgado no dia 18 de dezembro de 2019 (veja em
https://youtu.be/95POVhKulf8), gostaríamos de sugerir um gesto de solidariedade
com nossos irmãos das comunidades indígenas neste tempo litúrgico no qual
adoramos o
Senhor que nasce em uma manjedoura. O Papa Francisco nos
convidou a olhar para o Presépio como um SINAL ADMIRÁVEL. Inspirados pelo Deus
que nasce nos meio dos pobres, como pobre, possamos estar juntos/as daqueles/as
que neste momento da história estão na manjedoura sem nenhuma proteção.
Convidamos as comunidades eclesiais, paróquias, pastorais,
movimentos e organismos eclesiais, ordens e congregações religiosas a inserir,
se possível já na liturgia do 4° domingo do Advento, ou nas do Natal, ou no dia
em que celebramos a Paz Universal, segundo o costume e a realidade de cada
grupo ou local, este gesto de compromisso com a defesa da dignidade da vida
ameaçada de descendentes de quem primeiro habitou nosso território.
Algumas sugestões:
– Colocar nos presépios algo que possa simbolizar os povos
indígenas, fazer uma oração e um canto em memória indígena (pode ser a oração
da Campanha da Fraternidade de 2002 – Fraternidade e Povos Indígenas, que teve
como lema “Por uma terra sem males”);
– Rezar pela Paz nos territórios indígenas nas celebrações,
vigílias e caminhadas pela paz que serão realizadas no dia 01/01/2020, usando
velas, roupas brancas e a oração da CF 2002 nestas celebrações;
– Na medida do possível, projetar o pronunciamento de D.
Walmor nestas ocasiões e/ou dar ampla divulgação ao mesmo, inclusive nos meios
de comunicação católicos;
– Um exemplo inspirador vem do Regional Nordeste 2: no 4º
domingo do Advento será celebrado o 39º Natal das Comunidades, reunindo 3
dioceses do Agreste de Pernambuco (Garanhuns, Floresta e Caruaru). Na ocasião
será passado o vídeo do presidente da CNBB, e na Celebração Eucarística a
situação dos indígenas será lembrada no Ato Penitencial, nas Preces e a Oração
e pela Paz;
– Nos locais onde há comunidades indígenas, convidar algum/a
deles a para relatar a situação que enfrentam nas celebrações;
– Convidar as famílias a acender velas na frente ou na
janela das casas em uma noite determinada.
São apenas alguns exemplos. Peçamos que Espírito Santo que
tudo move e renova suscite a criatividade e o empenho das equipes de liturgia e
demais grupos para que possamos estar em sintonia com as indicações do Sínodo
Pan-Amazônico.
Assinam:
Conselho Nacional de Leigos e Leigas do Brasil
Coordenação da Ampliada Nacional das CEBs do Brasil
Pastoral da Juventude
Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB) –
Regional Piauí
Juventude Franciscana (JUFRA) do Brasil
Ateliê 15
Instituto Catarinense de Juventude
Iser Assessoria
Pastoral Operária
Movimento Católico Global pelo Clima
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM): paróquias da Zona
Leste de São Paulo
Articulação Brasileira pela Economia de Francisco
Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade-AFES
Católicos/as contra o Fascismo
Ordem Franciscana Secular (OFS) do Brasil
Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação dos Frades
Franciscanos Capuchinhos do Brasil
OBS.: convidamos a todos/as os/as que quiserem somarem no
esforço de distribuir e assinar esta sugestão.
Fonte: Site das CEBs do Braisl
20 dezembro, 2019
É preciso socorrer e salvar
“É preciso socorrer e salvar
porque somos todos responsáveis pela vida no nosso próximo,
e o Senhor nos cobrará no momento do juízo final”.
(Papa Francisco)
Papa aos refugiados: "A nossa inércia é pecado!”
“É preciso socorrer e salvar porque somos todos responsáveis
pela vida no nosso próximo, e o Senhor nos cobrará no momento do juízo final”.
Palavras do Papa Francisco no encontro desta quinta-feira (19) com os
refugiados vindos por meio de corredores humanitários das regiões de guerra.
Na manhã desta quinta-feira (19) o Papa Francisco encontrou
um grupo de refugiados que chegou recentemente da Ilha de Lesbos, na Grécia por
meio dos corredores humanitários. Em Lesbos agrupam-se os migrantes vindos de
vários países em guerra, principalmente do Oriente Médio. Na ocasião o Papa
posicionou uma cruz no acesso do Palácio Apostólico do Pátio do Belvedere que
recorda os migrantes e refugiados.
Migrantes: implacável compromisso da Igreja
Francisco iniciou seu discurso mostrando um colete salva-vidas que lhe fora
entregue por uma equipe de resgate: “Este colete – disse – pertencia a uma
menina que morreu afogada no Mediterrâneo. Eu repassei aos dois subsecretários
da Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento
Humano Integral dizendo-lhes: ‘Esta é a missão de vocês!’. Isso representa o
implacável compromisso da Igreja em salvar as vidas dos migrantes, para poder acolhê-los,
protegê-los, promovê-los e integrá-los”.
Depois de recordar das muitas vidas humanas perdidas na
travessia do Mediterrâneo para tentar encontrar nova vida na Europa, Francisco
disse que as mortes foram causadas pela injustiça.
“Sim, porque é a injustiça que obriga muitos migrantes a
deixar suas terras. É a injustiça que os obriga a atravessar desertos e a
sofrerem abusos e torturas em campos de detenção. É a injustiça que os leva e
os faz morrer no mar”
A cruz com o colete
Ao apresentar a cruz, o Papa explicou que o colete está
“vestindo” a cruz de resina para exprimir a experiência espiritual que ele
percebeu nas equipes de resgate. E recordou que “na tradição cristã a cruz é
símbolo de sofrimento e de sacrifício, mas também de redenção e de salvação”.
Depois explicou:
“Decidi expor este colete salva-vidas 'crucificado' nesta
cruz para que nos recordemos que devemos ter os olhos abertos… o coração
aberto, para recordar a todos o compromisso imprescindível de salvar toda a
vida humana, um dever moral que une os que crêem e os que não crêem”
em seguida o Papa Francisco exorta:
“Como podemos ficar indiferente diante de tantos abusos e
violências à vítimas inocentes, deixando-as à mercê de traficantes sem
escrúpulos. Como podemos ‘seguir adiante, pelo outro lado’, como o sacerdote e
o levita da parábola do Bom Samaritano, tornando-nos assim cúmplices de suas
mortes. A nossa ignávia é pecado!”
Agradecimento aos não indiferentes
E o Papa fez um agradecimento: “Agradeço ao Senhor por todos
os que decidiram não ficar indiferentes e se empenham em socorrer um
desventurado no caminho para Jericó, sem fazer perguntas sobre como ou porque
tenha acabado nesta situação”.
Por fim afirmou que para buscar soluções é preciso
“denunciar e perseguir os traficantes que exploram e maltratam os migrantes,
sem temor de revelar conivências e cumplicidades com as instituições. É preciso
colocar de lado os interesses econômicos e pôr no centro a pessoa, cuja vida e
dignidade são preciosas aos olhos de Deus”.
Concluindo o Papa disse:
“É preciso socorrer e salvar porque somos todos responsáveis
pela vida no nosso próximo, e o Senhor nos cobrará no momento do juízo final”
Jane Nogara - Cidade do Vaticano
Fonte: Vatican News
“Deixemos a mãe descansar”: conheça o presépio que comoveu o coração do Papa
Que pai ou mãe não se
identifica com a imagem?
O Papa Francisco disse que, em seu aniversário, em 17 de
dezembro, ele viu uma imagem de um presépio diferente, chamada de “Deixemos a
mãe descansar”. Na representação, que está circulando nas mídias sociais, Maria
dorme enquanto José segura o Menino Jesus.
O Papa disse que a imagem mostra “a ternura de uma família,
de um casamento”:
“Quantos de vocês têm que dividir a noite entre marido e
mulher pelo menino ou menina que chora, chora e chora”, refletiu.
Esta é, precisamente, a mensagem do presépio, explicou o
Papa, acrescentando:
“E também podemos convidar a Sagrada Família para o nosso
lar, onde há alegrias e preocupações, onde todos os dias acordamos, comemos e
dormimos perto de nossos entes queridos. O presépio é um evangelho doméstico.”
Tradição dos
presépios
Este ano, Francisco enfatizou a importância de manter a
tradição dos presépios. Ele viajou para Greccio, onde São Francisco criou o
primeiro presépio vivo e lançou uma carta apostólica que fala sobre o
simbolismo e o propósito das representações do nascimento de Jesus.
O pontífice também visitou uma exibição de 100 presépios de
todo o mundo, que acontece no Vaticano.
Em uma Audiência Geral, ele lembrou que o presépio é uma
maneira “simples, mas eficaz” de preparar nossos corações para o nascimento de
Jesus.
“De fato, o presépio é como um evangelho vivo (Carta
Apostólica Admirabile signum, 1). Traz o Evangelho para os lugares onde se
vive: para as casas, escolas, os locais de trabalho e de reunião, hospitais,
asilos, prisões e praças.
E lá, onde moramos, isso nos lembra algo essencial: que Deus
não permaneceu invisível no céu, mas veio à Terra, tornou-se homem, criança.
Montar o presépio é celebrar a proximidade de Deus. Deus
sempre esteve perto de Seu povo, mas quando Ele encarnou e nasceu, Ele estava
muito próximo, muito próximo.
Montar o presépio é redescobrir que Deus é real, concreto,
vivo e respira. (…)
Algumas imagens retratam a Criança de braços abertos para
nos dizer que Deus veio abraçar nossa humanidade.
Por isso, é bom estar na frente da manjedoura e ali confiar
nossa vida ao Senhor, conversar com Ele sobre as pessoas e situações com as
quais nos preocupamos, fazer um balanço do ano que está chegando ao fim,
compartilhar com Ele as nossas expectativas e preocupações.”
As palavras do Papa nos lembram a importância de parar um
pouco para refletir. Somente se deixarmos o barulho do mundo fora de nossas
casas, nos abriremos para ouvir Deus, que fala em silêncio.
Espero, então, que, ao montarmos o presépio, encontremos uma
oportunidade de convidar Jesus para a nossa vida. É como abrir a porta e dizer:
“Jesus, entre!”. É preciso tornar tangível essa proximidade, este convite a
Jesus para entrar em nossas vidas. Porque se Ele habita em nossas vidas, a vida
renasce. E se a vida renasce, é realmente Natal.
Feliz Natal a todos!
Fonte: Portal Aleteia
José, o homem do Advento
“Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia
mandado e aceitou sua esposa”
"Como a Maria, Deus também diz a José: “Não
tenhas medo de receber Maria como tua esposa”. Há homens que são importantes
não pelo que fazem, mas pelo que são no coração. Há homens que são grandes não
por suas grandes ideias, mas por acolher a lógica de Deus, que quebra toda
lógica humana. José foi o homem humilde de um povoado como carpinteiro; mas
José foi grande por ser o “homem da fé”
Estamos já no centro do mistério da Encarnação. Os relatos
“da infância de Jesus” (Mt e Lc), não são crônicas de acontecimentos, não são
“história” no sentido que hoje damos à palavra. São “teologia narrativa”.
O relato do evangelho deste domingo nos revela que Deus
dirige a história. Para isso se serve de pessoas eleitas. Cada vez que há um
acontecimento importante na história da salvação, ali aparece um homem ou uma
mulher como mediadores da obra de Deus ou transmissores de sua vontade.
O acontecimento mais importante da história da salvação é o
Nascimento do Filho de Deus. Para “fazer-se homem”, Deus precisava de uma
família. O nome de José está profundamente ligado ao mistério de Jesus. E se o
anjo é um sinal de que Deus se faz presente na vida de uma pessoa para
comunicar-lhe algum de seus desígnios, Deus mesmo se fez presente a José, por
meio de seu anjo. Segundo o evangelho de Mateus, José é a pessoa a quem
primeiro lhe é revelado o mistério que sua esposa guardava em seu ventre.
Quantas coisas acontecem envolvidas pela noite e pelo
mistério! Enquanto o agricultor dorme, na noite rompe-se a casca e cresce a
semente lançada na escura terra, acompanhada de renovadas expectativas e
esperança. Tudo começa na noite: na noite dos pensamentos, dos corações, das
intenções, das esperas, dos encontros. Eis o mistério, eis a noite! A noite, a
nossa noite, é habitada por Aquele que vem. Até na noite da desolação, na
solidão, no deserto, é possível encontrá-Lo.
Contemplando a noite de José, nosso coração se alarga até o
assombro, nossos braços se abrem para a acolhida, nossos olhos se aquecem ao
reconhecer Àquele que vem e na brisa pronuncia o nosso nome. Nas sombras da
vida Ele se faz encontrar, na solidão revela sua presença, na fragilidade
mostra seu rosto.
O mistério da Encarnação de Jesus, sem dúvida, significou
também “a paixão vivida por José, esposo de Maria”. Momentos de angústia, de
dúvida; momentos de obscuridade em seu coração; momentos de pura fé na palavra
de Deus.
José, assim como Maria, vai além da lógica e das condições
humanas; também ele termina se apresentando como “o servo do Senhor”, dizendo
em seu coração: “faça-se em mim segundo tua palavra”.
Como a Maria, Deus também diz a José: “Não tenhas medo de
receber Maria como tua esposa”. Há homens que são importantes não pelo que
fazem, mas pelo que são no coração. Há homens que são grandes não por suas
grandes ideias, mas por acolher a lógica de Deus, que quebra toda lógica
humana. José foi o homem humilde de um povoado como carpinteiro; mas José foi
grande por ser o “homem da fé”.
É preciso recuperar o sentido da surpresa, que é a atmosfera
própria do tempo do Advento; é preciso recordar que a visão bíblica da
história, dirige-se para uma meta surpreendente. Para isso, faz-se necessário
despertar novamente a capacidade de maravilhar-se.
José era um pobre noivo, pertencente a uma nação oprimida e
a uma categoria social esquecida, mas conservava límpidos os olhos do espírito,
prontos para perceber a maravilha que estava acontecendo na sua vida e na vida
de Maria. Nele, devemos recobrar o sentido da expectativa, da novidade, da
coragem.
Deus é encontrado, não na estrada suntuosa do domínio e do
triunfo, mas na estrada do desapego, da doação, do despojamento e da
fragilidade. Para entrar em sintonia com sua Vontade e deixar-se conduzir pelo
seu Anjo, não é preciso estar coberto de títulos honoríficos, nem envolto pelo
manto de obras realizadas; é preciso, isto sim, ser como José, sem títulos e
sem riquezas, mas justo e humano, como o seu Filho que “não veio para ser
servido, mas para servir, e para dar a sua vida”.
Como costuma acontecer com todas aquelas pessoas às quais
lhes são confiadas missões importantes, José é um homem discreto. Sua presença
é silenciosa. Na relação de José com Jesus, poderíamos aplicar a ele estas
palavras: “é preciso que ele (Jesus) cresça e que eu diminua” (Jo 3,30).
Não podemos entender a presença de José em função de si
mesmo, mas a serviço de Jesus e de seu mistério. Saber estar em função de outro
não é fácil, mas é um dos modos mais belos de amar. O silêncio de José não tem
nada de ingênuo. É o silêncio daquele que escuta atentamente para assim poder
servir melhor.
José, “homem justo”: para alguns o têrmo é sinônimo de “delicadeza
ou piedade”, para outros significa “respeito, reverência” em relação ao
mistério de Maria; para outros ainda, é um título jurídico, ou seja, “obediente
à lei”. Sabemos que o “Justo” por
excelência é Deus, fiel à Aliança e que, com constância, continua seu projeto
salvífico, apesar das rupturas provocadas pela infidelidade humana.
O “homem justo” é aquele que, como Abraão, na fé acolhe o
plano de Deus e com Ele colabora. José é “justo” porque adere ao misterioso
desígnio de Deus, é justo porque confia em Deus, arrisca com Deus, ainda que os
contornos do Seu Plano permaneçam obscuros e, em certos aspectos,
incompreensíveis.
José e “justo” porque se ajusta ao modo de agir
surpreendente de Deus. É “justo” porque se abre para o infinito, inspirando-se
em Deus mesmo, o Justo; à justiça exterior, farisaica, ele opõe a justiça da fé
e do coração. Portanto, o termo justo quer indicar a abertura e a adesão à ação
suprema de Deus.
Nesse sentido, José se coloca na linha das grandes figuras
da história da salvação. Sua vida é um exemplo de silenciosa dedicação ao
Reino.
Este José é hoje o homem do Advento, e nos alegramos que ele
tenha se mantido firme e mudado seus critérios para estar a serviço da Vida.
Também nós somos “josés”, neste domingo final de Advento. Também nós, algumas
vezes, nos encontramos em momentos de obscuridade, marcados por dúvidas e
crises, pensando em fugir, abandonar a missão. É normal que, ao adentrar-nos em
nosso próprio mistério, nos encontremos com nossos medos e preocupações, nossas
feridas e tristezas, nossa mediocridade e incoerência.
Mas Deus quer atuar em nós e através de nós; Ele sempre
conta conosco para uma nobre missão.
Não devemos nos inquietar, mas permanecer no silêncio. A
presença amistosa, que está no mais íntimo de nós, irá nos pacificando,
libertando e sanando. “Esta experiência do coração é a única com a qual se pode
compreender a mensagem de fé do Natal: Deus se fez homem” (Karl Rahner).
Este mistério último da vida é um mistério de bondade, de
perdão e salvação, que está em nós: dentro de todos e cada um de nós. Se o
acolhemos em silêncio, conheceremos a alegria do Natal.
Na vida, há muitos momentos nos quais só cabe o silêncio, em
vez do alvoroço, só cabe a serenidade, em vez da precipitação; cabe a nós
renunciar aos nossos próprios critérios e esperar que Deus fale.
Isso pede de nós confiança total, muitas vezes sem
compreender nem conhecer o “por quê e o como”; o decisivo é “deixar-nos fa-zer”
por Deus, deixar-nos conduzir por Aquele que, a partir do mais profundo de nós
mesmos, abre um horizonte de sentido e de surpresas. Aprendamos de José a abrir
nosso interior e deixar-nos surpreender por Deus.
Texto bíblico: Mt 1,18-24
Na oração: Durante a
oração devemos nos deter particularmente na figura de José. Ele teve seus
pensamentos próprios, suas preocupações e suas provações, suas perguntas
dilacerantes e suas dúvidas angustiantes.
Mas Deus nunca deixa de atuar no meio das nossas noites,
dúvidas, provações. Ele conhece nossos pensamentos e temores. E, no momento
certo, nos liberta dos nossos medos e
nos dá a conhecer sua Vontade.
- Recordar momentos de dúvidas, incertezas, desolações...,
mas que lhe ajudaram a amadurecer na fé e na adesão ao projeto de Deus.
Pe. Adroaldo Palaoro sj
Fonte: Centro Loyola
18 dezembro, 2019
17 dezembro, 2019
Cinco programas educativos que devem ser extintos com o fim da TV Escola
Governo encerra contrato com a responsável pelo canal, e
futuro do canal para 2020 é incerto
A TV Escola foi despejada do prédio do Ministério da
Educação (MEC) em Brasília (DF), na última sexta-feira (13), após o
encerramento do contrato do governo com a Associação de Comunicação Educativa
Roquette Pinto (Acerp), responsável pelo canal. Com o fim do vínculo, o futuro
da TV Escola é incerto.
Em nota, o MEC confirmou o encerramento do contrato, mas não
deixou claro o motivo do rompimento nem do despejo.
Nesta segunda (16), o presidente Jair Bolsonaro deu uma
pista, afirmando que a TV Escola "deseduca" e que "ninguém
assiste".
Se o término do canal for confirmado, diversos programas de
cunho educativo, como o “Sua escola, nossa escola - Alfabetização”, também
deverão ser extintos.
Confira alguns dos programas mais assistidos do canal que
poderão ter a exibição interrompida:
Futura Profissão
A série mostra como é o mercado de trabalho e como deve ser
o futuro de diversas carreiras técnicas e tecnológicas.
A produção do programa visita diferentes cidades do brasil,
mostrando a atuação dos trabalhadores na extração de minério até a criação de
vestuário e design de calçados.
Cada episódio é dedicado a uma profissão e também traz o
relato de estudantes, que aspiram exercer aqueles ofícios, dentro da sala de
aula.
Meu país, nosso mundo
O programa mostra como adolescentes, ao redor do mundo,
lidam com os problemas ambientais.
Cada episódio retrata a vida de um jovem comprometido com a
promoção do cuidado com o meio ambiente. Episódios de países como Uruguai,
Brasil, México, Equador e Paraguai estão disponíveis no site da TV Escola.
No território brasileiro, o programa contou como Daynara, de
Abaetetuba, do Pará, mobiliza a sua comunidade para resgatar um projeto que
produz energia a partir do caroço do açaí, mas que está desativado desde 2015.
Em Horizonte, no Ceará, a partir do teatro, jovens levam consciência ambiental
para a população. No litoral sul de São Paulo, em Cananéia, um grupo de
adolescentes viaja por ilhas e municípios para falar sobre a importância da
preservação do boto cinza, considerado um patrimônio local. Também em São
Paulo, na cidade de Guarulhos, três jovens recolhem óleo de cozinha para evitar
a degradação do Rio Cabuçu.
Sua escola, nossa escola - Alfabetização
A série traz a experiência de alfabetização em seis escolas,
em turmas da primeira série, por quatro partes do Brasil: duas no Sudeste, uma
no Norte, uma no Centro-Oeste e duas no Nordeste.
De acordo com a descrição do programa no site da TV Escola,
“mais do que servir de exemplo, elas [essas escolas] são estímulos para que
outras escolas busquem também construir seu próprio caminho, com criatividade,
critica e consciência pedagógica, formando desde hoje os cidadãos de amanhã.”
Um dos episódios trata da Escola Municipal Santa Rita, em
Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. O problema em questão é o isolamento da
unidade dos grandes centros urbanos. Isso se traduz em experiências
extra-escolares limitadas. A partir dessa situação, o programa mostra projetos
voltados para a área de comunicação, com o objetivo de integrar os alunos da
zona rural a experiências da cidade, e vice-versa.
Destino: Educação - Escolas inovadoras
A série exibe iniciativas educacionais transformadoras em
doze instituições de ensino espalhadas pelo mundo. Um dos episódios de maior
sucesso mostra a experiência exitosa da Riverside School, em Ahmedabad, na
Índia. Essa escola trabalha com os seus 400 alunos uma ideia inusitada: todos
são super heróis. Do ensino infantil ao médio, os adolescentes e crianças
aprendem a ser donos de suas próprias histórias e capazes de mudar o mundo.
Desde que entram na escola, são incentivados a seguir quatro instruções em suas
atividades: sentir, imaginar, fazer e compartilhar.
O que é para você?
Nesse programa, crianças e adolescentes ressignificam
palavras que fazem parte do cotidiano, como leitura, trabalho, música,
liberdade e amor. Dali, saem as mais diversas definições a partir de suas experiências.
Em um dos capítulos, os estudantes ressignificam a palavra
“deficiência” e explicam quais são as dificuldades enfrentadas por pessoas
portadoras de necessidades especiais. Eles também sugerem como a sociedade pode
ajudar essas pessoas a superar os desafios do cotidiano.
* Com informações de Erick Gimenes e texto de Caroline
Oliveira
Edição: Daniel Giovanaz
Brasil de Fato | São Paulo (SP),16 de Dezembro de 2019 às
18:09
15 dezembro, 2019
Nesse momento a ternura de Deus!
Nesse momento, ao chegar para celebrar, com antecedência para ir ficando com intimidade com o nosso Deus, de olhos fechado sinto tocar minha costa, ao olhar uma senhorinha, ela sorriu e deu- me um abraço. O abraço materno de nosso Deus. Esse momento mais terno tornou-se, enquanto estava narrando esse momento, a ministra da Eucaristia Ermelinda Delnero Delnero, aproximou-se e disse, vim lhe dar um abraço.
8º Nordestão das CEBs
8º Nordestão das CEBs
Iguatu 16 a 19 de julho de 2020
TEMA: CEBs do Nordeste: uma igreja em saída na busca do bem
viver
LEMA: Vejam! Eu vou criar um novo céu e uma nova terra.
OBJETIVO GERAL: Contribuir para o fortalecimento das CEBs no
compromisso do Bem Viver
EXPLICAÇÃO DO CARTAZ
O cartaz do 8º Nordestão das CEBs, que acontecerá em julho
de 2020, na diocese de Iguatu, Ceará, evoca os sentimentos do Papa Francisco
para uma Igreja em saída, expressando assim a proposta do Evangelho de Jesus de
Nazaré, que convoca todas as pessoas à prática do Bem Viver.
O sol e a água fertilizam a terra produzindo a
sustentabilidade da vida em todos os contextos de sua existência, representada
aqui nas 5 palmeiras, árvore típica do Ceará, como também no resistente
mandacaru, nas casas simples de periferias e nos prédios que simbolizam a
cultura Urbana. São arquétipos - imagens primordiais - da cultura nordestina,
que motivam a fé e a esperança do povo na "criação do novo céu e da nova
terra", extraindo o sentido de que "tudo está interligado nesta casa
comum".
Deus se faz pessoa humana em Jesus e a sua imagem escrevendo
na areia relembra a promessa do "novo céu e da nova terra" que se
repete no gesto que calou violência dos que queriam apedrejar uma pecadora. Ele
reafirma, claramente, nos tempos atuais, que "o novo céu e a nova
terra" se constroem com misericórdia e com a Justiça do "novo homem e
da nova mulher".
O lavrador e o índio, portando as ferramentas de arar a
"nova terra", mostram que a luta por diretos deve ser pacifica,
revitalizada sempre no tempo presente, contando com a vida pulsante e
protagonista das juventudes, infalivelmente inseridas nos processos de
ressignificação da sociedade e do mundo.
A mulher negra, força da humanidade no seu mais profundo
sentido. É o Deus Mãe, que carrega em seu ventre todas as cores e raças e o
anseio de Justiça aos que sofrem. Tal qual a jovem Maria de Nazaré, gravida da
salvação do mundo, vencendo os estigmas da sociedade culturalmente agressiva.
Neste sentido, Nossa Senhora, para o povo nordestino,
representada na imagem da mulher, é indissociável do projeto de Deus, é aquela
que melhor apresenta o Bem Viver, traduzindo as verdades da fé contida na
palavra santa: " Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações
dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de
bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos..."
A Bíblia aberta é uma das imagens que mais explicita a fé
nordestina, principalmente nas comunidades eclesiais de base. O Evangelho
mostra que o "Bem viver" consiste na construção de uma sociedade que
se paute nos valores da Justiça, da fraternidade, da partilha, da solidariedade
e da paz, para que não haja pessoas excluídas, sendo maltratadas e mortas pela
ambição do poder.
13 dezembro, 2019
Será que Deu faz-me experimentar a provação?
Natal!
Em Jesus a certeza que Deus escuta nossas dores, nosso
gritos.
Será que Deu faz-me experimentar a provação?
Aproxima o Natal, apenas 12 dias. Todos os natais que já
celebrei, minha santa mãezinha era a articuladora. Ir à missa e reunir a família.
Incansável, eu ficava doida com ela, na véspera, dia 24, trabalhava o dia
inteiro para preparar coisas gostosas, deixar tudo limpo para em seguida, unir
todos e o que ela tinha deixado limpo e organizado, em poucos segundos virava
uma bagunça. E era assim. Era bom, muito mais do que eu imaginava.
Não sei como celebrarei o natal nesse ano. Minha mãezinha um
mês e treze dias foi para junto do meu irmão, seu filho que dois anos e quatro
meses o nosso Deus também o levou. Fizeram sua páscoa, más a separação dói, e
muito.
Não só a separação pela páscoa deles, más desde o início de
2017 até o momento, dificuldades e situação difícil e outras injusta. Fica a
pergunta, será que Deu faz-me experimentar a provação?
Provação ou não, minha fé não perdi. Nesse tempo de espera
para o natal a certeza que a mensagem de Jesus permanece válida para quem
sofrem conflitos de qualquer tipo. São tantos os tipos de conflitos e
sofrimentos presentes no mundo, tanta violência que destroem propostas e ações
que visam á paz.
Em Jesus a certeza que Deus escuta nossas dores, nosso
gritos. Natal, nascimento de Jesus, é a certeza do amor de Deus por nós, pelos
que sofrem, pelos pobres, oprimidos, abandonados e por tantas outras e tantos
outros que são solidários e também pelos pecadores. O amor de Deus por nós é
tanto que não pôde permanecer em Si mesmo, mas teve de sair de Si mesmo e vir
ter conosco. Essa certeza me mantém viva e forte, mesmo em minhas fraquezas.
“A paz como caminho de esperança” é o tema da mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz
“A paz como caminho de esperança” é o tema da mensagem do
Papa para o Dia Mundial da Paz
“A paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e
conversão ecológica” é o tema da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial
da Paz de 2020, celebrado em 1º de janeiro.
O texto foi divulgado quinta-feira (12/12) e traz como
referências principais dois eventos que marcaram o Vaticano este ano: o Sínodo
dos Bispos para a Amazônia, realizado em outubro, e a viagem do Santo Padre ao
Japão, no final de novembro.
“A esperança é a virtude que nos coloca a caminho, dá asas
para continuar, mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis”, escreve o
Pontífice. Entre esses obstáculos, o Papa cita as guerras e os conflitos que
continuam ocorrendo, que marcam a humanidade na alma. Toda guerra, reforça, é
um fratricídio.
Conheça a íntegra da mensagem
MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA A CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA PAZ
1º DE JANEIRO DE 2020
A PAZ COMO CAMINHO DE ESPERANÇA: DIÁLOGO, RECONCILIAÇÃO E
CONVERSÃO ECOLÓGICA
1. A paz, caminho de esperança face aos obstáculos e
provações
A paz é um bem precioso, objeto da nossa esperança; por ela
aspira toda a humanidade. Depor esperança na paz é um comportamento humano que
alberga uma tal tensão existencial, que o momento presente, às vezes até
custoso, «pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar
seguros dessa meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do
caminho».[1] Assim, a esperança é a virtude que nos coloca a caminho, dá asas
para continuar, mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis.
A nossa comunidade humana traz, na memória e na carne, os
sinais das guerras e conflitos que têm vindo a suceder-se, com crescente
capacidade destruidora, afetando especialmente os mais pobres e frágeis. Há
nações inteiras que não conseguem libertar-se das cadeias de exploração e
corrupção que alimentam ódios e violências. A muitos homens e mulheres,
crianças e idosos, ainda hoje se nega a dignidade, a integridade física, a liberdade
– incluindo a liberdade religiosa –, a solidariedade comunitária, a esperança
no futuro. Inúmeras vítimas inocentes carregam sobre si o tormento da
humilhação e da exclusão, do luto e da injustiça, se não mesmo os traumas
resultantes da opressão sistemática contra o seu povo e os seus entes queridos.
As terríveis provações dos conflitos civis e dos conflitos
internacionais, agravadas muitas vezes por violências desalmadas, marcam
prolongadamente o corpo e a alma da humanidade. Na realidade, toda a guerra se
revela um fratricídio que destrói o próprio projeto de fraternidade, inscrito
na vocação da família humana.
Sabemos que, muitas vezes, a guerra começa pelo facto de não
se suportar a diversidade do outro, que fomenta o desejo de posse e a vontade
de domínio. Nasce, no coração do homem, a partir do egoísmo e do orgulho, do
ódio que induz a destruir, a dar uma imagem negativa do outro, a excluí-lo e
cancelá-lo. A guerra nutre-se com a perversão das relações, com as ambições
hegemónicas, os abusos de poder, com o medo do outro e a diferença vista como
obstáculo; e simultaneamente alimenta tudo isso.
Como fiz notar durante a recente viagem ao Japão, é
paradoxal que «o nosso mundo viva a dicotomia perversa de querer defender e
garantir a estabilidade e a paz com base numa falsa segurança sustentada por
uma mentalidade de medo e desconfiança, que acaba por envenenar as relações
entre os povos e impedir a possibilidade de qualquer diálogo. A paz e a
estabilidade internacional são incompatíveis com qualquer tentativa de as
construir sobre o medo de mútua destruição ou sobre uma ameaça de aniquilação
total. São possíveis só a partir duma ética global de solidariedade e
cooperação ao serviço dum futuro modelado pela interdependência e a
corresponsabilidade na família humana inteira de hoje e de amanhã».[2]
Toda a situação de ameaça alimenta a desconfiança e a
retirada para dentro da própria condição. Desconfiança e medo aumentam a
fragilidade das relações e o risco de violência, num círculo vicioso que nunca
poderá levar a uma relação de paz. Neste sentido, a própria dissuasão nuclear
só pode criar uma segurança ilusória.
Por isso, não podemos pretender manter a estabilidade no
mundo através do medo da aniquilação, num equilíbrio muito instável, pendente
sobre o abismo nuclear e fechado dentro dos muros da indiferença, onde se tomam
decisões socioeconómicas que abrem a estrada para os dramas do descarte do
homem e da criação, em vez de nos guardarmos uns aos outros.[3] Então como
construir um caminho de paz e mútuo reconhecimento? Como romper a lógica
morbosa da ameaça e do medo? Como quebrar a dinâmica de desconfiança atualmente
prevalecente?
Devemos procurar uma fraternidade real, baseada na origem
comum de Deus e vivida no diálogo e na confiança mútua. O desejo de paz está
profundamente inscrito no coração do homem e não devemos resignar-nos com nada
de menos.
2. A paz, caminho de escuta baseado na memória,
solidariedade e fraternidade
Os sobreviventes aos bombardeamentos atómicos de Hiroxima e
Nagasáqui – denominados os hibakusha – contam-se entre aqueles que, hoje,
mantêm viva a chama da consciência coletiva, testemunhando às sucessivas
gerações o horror daquilo que aconteceu em agosto de 1945 e os sofrimentos
indescritíveis que se seguiram até aos dias de hoje. Assim, o seu testemunho
aviva e preserva a memória das vítimas, para que a consciência humana se torne
cada vez mais forte contra toda a vontade de domínio e destruição. «Não podemos
permitir que as atuais e as novas gerações percam a memória do que aconteceu,
aquela memória que é garantia e estímulo para construir um futuro mais justo e
fraterno».[4]
Como eles, há muitos, em todas as partes do mundo, que
oferecem às gerações futuras o serviço imprescindível da memória, que deve ser
preservada não apenas para evitar que se voltem a cometer os mesmos erros ou se
reproponham os esquemas ilusórios do passado, mas também para que a memória,
fruto da experiência, constitua a raiz e sugira a vereda para as opções de paz
presentes e futuras.
Mais ainda, a memória é o horizonte da esperança: muitas
vezes, na escuridão das guerras e dos conflitos, a lembrança mesmo dum pequeno
gesto de solidariedade recebida pode inspirar opções corajosas e até heroicas,
pode colocar em movimento novas energias e reacender nova esperança nos
indivíduos e nas comunidades.
Abrir e traçar um caminho de paz é um desafio muito complexo,
pois os interesses em jogo, nas relações entre pessoas, comunidades e nações,
são múltiplos e contraditórios. É preciso, antes de mais nada, fazer apelo à
consciência moral e à vontade pessoal e política. Com efeito, a paz alcança-se
no mais fundo do coração humano, e a vontade política deve ser incessantemente
revigorada para abrir novos processos que reconciliem e unam pessoas e
comunidades.
O mundo não precisa de palavras vazias, mas de testemunhas
convictas, artesãos da paz abertos ao diálogo sem exclusões nem manipulações.
De facto, só se pode chegar verdadeiramente à paz quando houver um convicto
diálogo de homens e mulheres que buscam a verdade mais além das ideologias e
das diferentes opiniões. A paz é uma construção que «deve estar constantemente
a ser edificada»,[5] um caminho que percorremos juntos procurando sempre o bem
comum e comprometendo-nos a manter a palavra dada e a respeitar o direito. Na
escuta mútua, podem crescer também o conhecimento e a estima do outro, até ao
ponto de reconhecer no inimigo o rosto dum irmão.
Por conseguinte, o processo de paz é um empenho que se
prolonga no tempo. É um trabalho paciente de busca da verdade e da justiça, que
honra a memória das vítimas e abre, passo a passo, para uma esperança comum,
mais forte que a vingança. Num Estado de direito, a democracia pode ser um
paradigma significativo deste processo, se estiver baseada na justiça e no
compromisso de tutelar os direitos de cada um, especialmente se vulnerável ou
marginalizado, na busca contínua da verdade.[6] Trata-se duma construção social
em contínua elaboração, para a qual cada um presta responsavelmente a própria
contribuição, a todos os níveis da comunidade local, nacional e mundial.
Como assinalava o Papa São Paulo VI, «a dupla aspiração – à
igualdade e à participação – procura promover um tipo de sociedade democrática.
(...). Isto, de per si, já diz bem qual a importância de uma educação para a
vida em sociedade, em que, para além da informação sobre os direitos de cada
um, seja recordado também o seu necessário correlativo: o reconhecimento dos
deveres de cada um em relação aos outros. O sentido e a prática do dever são,
por sua vez, condicionados pelo domínio de si mesmo, pela aceitação das
responsabilidades e das limitações impostas ao exercício da liberdade do
indivíduo ou do grupo».[7]
Pelo contrário, a fratura entre os membros duma sociedade, o
aumento das desigualdades sociais e a recusa de empregar os meios para um
desenvolvimento humano integral colocam em perigo a prossecução do bem comum.
Inversamente, o trabalho paciente, baseado na força da palavra e da verdade,
pode despertar nas pessoas a capacidade de compaixão e solidariedade criativa.
Na nossa experiência cristã, fazemos constantemente memória
de Cristo, que deu a sua vida pela nossa reconciliação (cf. Rm 5, 6-11). A
Igreja participa plenamente na busca duma ordem justa, continuando a servir o
bem comum e a alimentar a esperança da paz, através da transmissão dos valores
cristãos, do ensinamento moral e das obras sociais e educacionais.
3. A paz, caminho de reconciliação na comunhão fraterna
A Bíblia, particularmente através da palavra dos profetas,
chama as consciências e os povos à aliança de Deus com a humanidade. Trata-se
de abandonar o desejo de dominar os outros e aprender a olhar-se mutuamente
como pessoas, como filhos de Deus, como irmãos. O outro nunca há de ser
circunscrito àquilo que pôde ter dito ou feito, mas deve ser considerado pela
promessa que traz em si mesmo. Somente escolhendo a senda do respeito é que
será possível romper a espiral da vingança e empreender o caminho da esperança.
Guia-nos a passagem do Evangelho que reproduz o seguinte
diálogo entre Pedro e Jesus: «“Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes
lhe deverei perdoar? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Não te digo até sete
vezes, mas até setenta vezes sete”» (Mt 18, 21-22). Este caminho de
reconciliação convida-nos a encontrar no mais fundo do nosso coração a força do
perdão e a capacidade de nos reconhecermos como irmãos e irmãs. Aprender a
viver no perdão aumenta a nossa capacidade de nos tornarmos mulheres e homens
de paz.
O que é verdade em relação à paz na esfera social, é
verdadeiro também no campo político e económico, pois a questão da paz permeia
todas as dimensões da vida comunitária: nunca haverá paz verdadeira, se não
formos capazes de construir um sistema económico mais justo. Como escreveu
Bento XVI, «a vitória sobre o subdesenvolvimento exige que se atue não só sobre
a melhoria das transações fundadas sobre o intercâmbio, nem apenas sobre as
transferências das estruturas assistenciais de natureza pública, mas sobretudo
sobre a progressiva abertura, em contexto mundial, para formas de atividade
económica caraterizadas por quotas de gratuidade e de comunhão».[8]
4. A paz, caminho de conversão ecológica
«Se às vezes uma má compreensão dos nossos princípios nos
levou a justificar o abuso da natureza, ou o domínio despótico do ser humano
sobre a criação, ou as guerras, a injustiça e a violência, nós, crentes,
podemos reconhecer que então fomos infiéis ao tesouro de sabedoria que devíamos
guardar».[9]
Vendo as consequências da nossa hostilidade contra os
outros, da falta de respeito pela casa comum e da exploração abusiva dos
recursos naturais – considerados como instrumentos úteis apenas para o lucro de
hoje, sem respeito pelas comunidades locais, pelo bem comum e pela natureza –,
precisamos duma conversão ecológica.
O Sínodo recente sobre a Amazónia impele-nos a dirigir, de
forma renovada, o apelo em prol duma relação pacífica entre as comunidades e a
terra, entre o presente e a memória, entre as experiências e as esperanças.
Este caminho de reconciliação inclui também escuta e
contemplação do mundo que nos foi dado por Deus, para fazermos dele a nossa
casa comum. De facto, os recursos naturais, as numerosas formas de vida e a
própria Terra foram-nos confiados para ser «cultivados e guardados» (cf. Gn 2,
15) também para as gerações futuras, com a participação responsável e diligente
de cada um. Além disso, temos necessidade duma mudança nas convicções e na
perspetiva, que nos abra mais ao encontro com o outro e à receção do dom da
criação, que reflete a beleza e a sabedoria do seu Artífice.
De modo particular brotam daqui motivações profundas e um
novo modo de habitar na casa comum, de convivermos uns e outros com as próprias
diversidades, de celebrar e respeitar a vida recebida e partilhada, de nos
preocuparmos com condições e modelos de sociedade que favoreçam o desabrochar e
a permanência da vida no futuro, de desenvolver o bem comum de toda a família
humana.
Por conseguinte a conversão ecológica, a que apelamos,
leva-nos a uma nova perspetiva sobre a vida, considerando a generosidade do
Criador que nos deu a Terra e nos chama à jubilosa sobriedade da partilha. Esta
conversão deve ser entendida de maneira integral, como uma transformação das
relações que mantemos com as nossas irmãs e irmãos, com os outros seres vivos,
com a criação na sua riquíssima variedade, com o Criador que é origem de toda a
vida. Para o cristão, uma tal conversão exige «deixar emergir, nas relações com
o mundo que o rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus».[10]
5. Obtém-se tanto quanto se espera[11]
O caminho da reconciliação requer paciência e confiança. Não
se obtém a paz, se não a esperamos.
Trata-se, antes de mais nada, de acreditar na possibilidade
da paz, de crer que o outro tem a mesma necessidade de paz que nós. Nisto,
pode-nos inspirar o amor de Deus por cada um de nós, amor libertador,
ilimitado, gratuito, incansável.
O medo é, frequentemente, fonte de conflito. Por isso, é
importante ir além dos nossos temores humanos, reconhecendo-nos filhos
necessitados diante d’Aquele que nos ama e espera por nós, como o Pai do filho
pródigo (cf. Lc 15, 11-24). A cultura do encontro entre irmãos e irmãs rompe
com a cultura da ameaça. Torna cada encontro uma possibilidade e um dom do amor
generoso de Deus. Faz-nos de guia para ultrapassarmos os limites dos nossos
horizontes estreitos, procurando sempre viver a fraternidade universal, como
filhos do único Pai celeste.
Para os discípulos de Cristo, este caminho é apoiado também
pelo sacramento da Reconciliação, concedido pelo Senhor para a remissão dos
pecados dos batizados. Este sacramento da Igreja, que renova as pessoas e as
comunidades, convida a manter o olhar fixo em Jesus, que reconciliou «todas as
coisas, pacificando pelo sangue da sua cruz, tanto as que estão na terra como
as que estão no céu» (Col 1, 20); e pede para depor toda a violência nos
pensamentos, nas palavras e nas obras quer para com o próximo quer para com a
criação.
A graça de Deus Pai oferece-se como amor sem condições.
Recebido o seu perdão, em Cristo, podemos colocar-nos a caminho para ir
oferecê-lo aos homens e mulheres do nosso tempo. Dia após dia, o Espírito Santo
sugere-nos atitudes e palavras para nos tornarmos artesãos de justiça e de paz.
Que o Deus da paz nos abençoe e venha em nossa ajuda.
Que Maria, Mãe do Príncipe da paz e Mãe de todos os povos da
terra, nos acompanhe e apoie, passo a passo, no caminho da reconciliação.
E que toda a pessoa que vem a este mundo possa conhecer uma
existência de paz e desenvolver plenamente a promessa de amor e vida que traz
em si.
Vaticano, 8 de dezembro de 2019.
[Franciscus]
[1] Bento XVI, Carta enc. Spe salvi, 30 de novembro de 2007,
1.
[2] Discurso sobre as armas nucleares, Nagasáqui – Parque
«Atomic Bomb Hypocenter», 24 de novembro de 2019.
[3] Cf. Francisco, Homilia em Lampedusa, 8 de julho de 2013.
[4] Francisco, Discurso sobre a Paz, Hiroxima – Memorial da
Paz, 24 de novembro de 2019.
[5] Conc.
Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 78.
[6] Cf. Bento XVI, Discurso aos dirigentes e membros das
Associações Cristãs dos Trabalhadores Italianos (ACLI), 27 de janeiro de 2006.
[7] Carta ap. Octogesima adveniens, 14 de maio de 1971, 24.
[8] Carta enc. Caritas in veritate, 29 de junho de 2009, 39.
[9] Francisco, Carta enc. Laudato si’, 24 de maio de 2015,
200.
[10] Ibid., 217.
[11] Cf. São João da Cruz, Noite Escura, II, 21, 8.
12 dezembro, 2019
MORENA DE GUADALUPE (D. Pedro Casaldáliga / Pedro Tierra / Martin Coplas)
Hoje, 12/12, celebramos Nossa Senhora de Guadalupe, Maria das Americas.
Que ela interceda para que sejamos capazes de ouvir e atender o clamor dos fracos e oprimidos. Morena de Guadalupe, rogai por seus filhos e filhas.
Namastê.
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