08 maio, 2019

Mensagem da CNBB ao Povo Brasileiro


O Episcopado brasileiro, reunido em sua 57ª Assembleia Geral, de 1º a 10 de maio, em Aparecida (SP) emitiu hoje a “Mensagem da CNBB ao povo brasileiro”. No documento, os bispos alertam que a opção por um liberalismo exacerbado e perverso, que desidrata o Estado quase ao ponto de eliminá-lo, ignorando as políticas sociais de vital importância para a maioria da população, favorece o aumento das desigualdades e a concentração de renda em níveis intoleráveis, tornando os ricos mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres.

O documento chama a atenção para os graves problemas vividos pelos brasileiros como o crescente desemprego, “outra chaga social, ao ultrapassar o patamar de 13 milhões de brasileiros, somados aos 28 milhões de subutilizados, segundo dados do IBGE, mostra que as medidas tomadas para combatê-lo, até agora, foram ineficazes. Além disto, é necessário preservar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”.

A violência, conforme aponta a mensagem, atinge níveis insuportáveis. “Aos nossos ouvidos de pastores chega o choro das mães que enterram seus filhos jovens assassinados, das famílias que perdem seus entes queridos e de todas as vítimas de um sistema que instrumentaliza e desumaniza as pessoas, dominadas pela indiferença. O feminicídio, o submundo das prisões e a criminalização daqueles que defendem os direitos humanos reclamam vigorosas ações em favor da vida e da dignidade humana”, diz o texto.

Segundo o documento, “o verdadeiro discípulo de Jesus terá sempre no amor, no diálogo e na reconciliação a via eficaz para responder à violência e à falta de segurança, inspirado no mandamento “Não matarás” e não em projetos que flexibilizem a posse e o porte de armas”.

Sobre as necessárias reformas política, tributária e da previdência, os bispos afirmam, na mensagem, que elas só se legitimam se feitas em vista do bem comum e com participação popular de forma a atender, em primeiro lugar, os pobres. “O Brasil que queremos emergirá do comprometimento de todos os brasileiros com os valores que têm o Evangelho como fonte da vida, da justiça e do amor”, afirma o texto.


Veja, abaixo, a mensagem na íntegra



 MENSAGEM DA CNBB AO POVO BRASILEIRO

“Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5)

Suplicando a assistência do Espírito Santo, na comunhão e na unidade, nós, Bispos do Brasil, reunidos na 57ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, no Santuário Nacional, em Aparecida-SP, de 1 a 10 de maio de 2019, dirigimos nossa mensagem ao povo brasileiro, tomados pela ternura de pastores que amam e cuidam do rebanho. Desejamos que as alegrias pascais, vividas tão intensamente neste tempo, renovem, no coração e na mente de todos, a fé em Jesus Cristo Crucificado-Ressuscitado, razão de nossa esperança e certeza de nossa vitória sobre tudo que nos aflige.

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20)

Enche-nos de esperançosa alegria constatar o esforço de nossas comunidades e inúmeras pessoas de boa vontade em testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo, comprometidas com a vivência do amor, a prática da justiça e o serviço aos que mais necessitam. São incontáveis os sinais do Reino de Deus entre nós a partir da ação solidária e fraterna, muitas vezes anônima, dos que consomem sua vida na transformação da sociedade e na construção da civilização do amor. Por essa razão, a esperança e a alegria, frutos da ressurreição de Cristo, hão de ser a identidade de todos os cristãos. Afinal, quando deixamos que o Senhor nos tire de nossa comodidade e mude a nossa vida, podemos cumprir o que ordena São Paulo: ‘Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!’ (Fl 4,4) (cf. Papa Francisco, Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, 122).

“No mundo tereis aflições, mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

Longe de nos alienar, a alegria e a esperança pascais abrem nossos olhos para enxergarmos, com o olhar do Ressuscitado, os sinais de morte que ameaçam os filhos e filhas de Deus, especialmente, os mais vulneráveis. Estas situações são um apelo a que não nos conformemos com este mundo, mas o transformemos (cf. Rm 12,2), empenhando nossas forças na superação do que se opõe ao Reino de justiça e de paz inaugurado por Jesus.

A crise ética, política, econômica e cultural tem se aprofundado cada vez mais no Brasil. A opção por um liberalismo exacerbado e perverso, que desidrata o Estado quase ao ponto de eliminá-lo, ignorando as políticas sociais de vital importância para a maioria da população, favorece o aumento das desigualdades e a concentração de renda em níveis intoleráveis, tornando os ricos mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres, conforme já lembrava o Papa João Paulo II na Conferência de Puebla (1979). Nesse contexto e inspirados na Campanha da Fraternidade deste ano, urge reafirmar a necessidade de políticas públicas que assegurem a participação, a cidadania e o bem comum. Cuidado especial merece a educação, gravemente ameaçada com corte de verbas, retirada de disciplinas necessárias à formação humana e desconsideração da importância das pesquisas.

A corrupção, classificada pelo Papa Francisco como um “câncer social” profundamente radicada em inúmeras estruturas do país, é uma das causas da pobreza e da exclusão social na medida em que desvia recursos que poderiam se destinar ao investimento na educação, na saúde e na assistência social, caminho de superação da atual crise. A eficácia do combate à corrupção passa também por uma mudança de mentalidade que leve a pessoa compreender que seu valor não está no ter, mas no ser e que sua vida se mede não por sua capacidade de consumir, mas de partilhar.

O crescente desemprego, outra chaga social, ao ultrapassar o patamar de 13 milhões de brasileiros, somados aos 28 milhões de subutilizados, segundo dados do IBGE, mostra que as medidas tomadas para combatê-lo, até agora, foram ineficazes. Além disto, é necessário preservar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. O desenvolvimento que se busca tem, no trabalho digno, um caminho seguro desde que se respeite a primazia da pessoa sobre o mercado e do trabalho sobre o capital, como ensina a Doutrina Social da Igreja. Assim, “a dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política econômica, mas às vezes parecem somente apêndices adicionados de fora para completar um discurso político sem perspectivas nem programas de verdadeiro desenvolvimento integral” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 203).

A violência também atinge níveis insuportáveis. Aos nossos ouvidos de pastores chega o choro das mães que enterram seus filhos jovens assassinados, das famílias que perdem seus entes queridos e de todas as vítimas de um sistema que instrumentaliza e desumaniza as pessoas, dominadas pela indiferença. O feminicídio, o submundo das prisões e a criminalização daqueles que defendem os direitos humanos reclamam vigorosas ações em favor da vida e da dignidade humana. O verdadeiro discípulo de Jesus terá sempre no amor, no diálogo e na reconciliação a via eficaz para responder à violência e à falta de segurança, inspirado no mandamento “Não matarás” e não em projetos que flexibilizem a posse e o porte de armas.

Precisamos ser uma nação de irmãos e irmãs, eliminando qualquer tipo de discriminação, preconceito e ódio. Somos responsáveis uns pelos outros. Assim, quando os povos originários não são respeitados em seus direitos e costumes, neles o Cristo é desrespeitado: “Todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes mais pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer” (Mt 25,45). É grave a ameaça aos direitos dos povos indígenas assegurados na Constituição de 1988. O poder político e econômico não pode se sobrepor a esses direitos sob o risco de violação da Constituição.

A mercantilização das terras indígenas e quilombolas nasce do desejo desenfreado de quem ambiciona acumular riquezas. Nesse contexto, tanto as atividades mineradoras e madeireiras quanto o agronegócio precisam rever seus conceitos de progresso, crescimento e desenvolvimento. Uma economia que coloca o lucro acima da pessoa, que produz exclusão e desigualdade social, é uma economia que mata, como nos alerta o Papa Francisco (EG 53). São emblemático exemplo disso os crimes ocorridos em Mariana e Brumadinho com o rompimento das barragens de rejeitos de minérios.

As necessárias reformas política, tributária e da previdência só se legitimam se feitas em vista do bem comum e com participação popular de forma a atender, em primeiro lugar, os pobres, “juízes da vida democrática de uma nação” (Exigências éticas da ordem democrática, CNBB – n. 72). Nenhuma reforma será eticamente aceitável se lesar os mais pobres. Daí a importância de se constituírem em autênticas sentinelas do povo as Igrejas, os movimentos sociais, as organizações populares e demais instituições e grupos comprometidos com a defesa dos direitos humanos e do Estado Democrático de Direito. Instâncias que possibilitam o exercício da democracia participativa como os Conselhos paritários devem ser incentivadas e valorizadas e não extintas como estabelece o decreto 9.759/2019.

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça” (Mt 6,33)

O Brasil que queremos emergirá do comprometimento de todos os brasileiros com os valores que têm o Evangelho como fonte da vida, da justiça e do amor. Queremos uma sociedade cujo desenvolvimento promova a democracia, preze conjuntamente a liberdade e a igualdade, respeite as diferenças, incentive a participação dos jovens, valorize os idosos, ame e sirva os pobres e excluídos, acolha os migrantes, promova e defenda a vida em todas as suas formas e expressões, incluído o respeito à natureza, na perspectiva de uma ecologia humana e integral.

As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, que aprovamos nesta 57ª Assembleia da CNBB, e o Sínodo para a Pan-Amazônia, a se realizar em Roma, em outubro deste ano, ajudem no compromisso que todos temos com a construção de uma sociedade desenvolvida, justa e fraterna. Lembramos que “o desenvolvimento tem necessidade de cristãos com os braços levantados para Deus em atitude de oração, cristãos movidos pela consciência de que o amor cheio de verdade – caritas in veritate -, do qual procede o desenvolvimento autêntico, não o produzimos nós, mas nos é dado” (Bento XVI, Caritas in veritate, 79). O caminho é longo e exigente, contudo, não nos esqueçamos de que “Deus nos dá a força de lutar e sofrer por amor do bem comum, porque Ele é o nosso Tudo, a nossa esperança maior” (Bento XVI, Caritas in veritate, 78).

A Virgem Maria, mãe do Ressuscitado, nos alcance a perseverança no caminho do amor, da justiça e da paz.

Aparecida-SP,  7 de maio de 2019.



Fonte: CNBB

07 maio, 2019

Pssiiiuuu...Hoje é o dia do Silêncio – 07 de maio

Vivemos em uma época de muita agitação, ruídos, poluição sonora, muito barulho. 

Dificilmente nessa vida moderna temos a possibilidade de desfrutar do silêncio.
Tem pessoa que nem conseguem ficar em silêncio chegam até deixar tv ou rádio ligados.
Infelizmente o ser humano está afastando de seu ambiente natural, que era composto principalmente dos sons da natureza.
O silêncio é a ausência de barulho, sons, vozes e ruídos conforme o dicionário.
O silêncio é o eco reflexivo interior, na definição do poeta. “O exercício do silêncio é tão importante quanto a prática da palavra”, diria um filósofo inglês.
Que possamos aprender a exercitar e aproveitar o silêncio, como forma de compreensão interna e externa. Que possamos aprender a usar o silêncio para refletir.

Fotógrafo flagra furão voando de carona em pica-pau

Homem que fez registro acredita que mamífero atacou pássaro, que decolou no susto, levando consigo o passageiro inusitado.

Imagem foi feita em um parque de Londres pelo fotógrafo amador Martin Le-May (Foto: Martin Le-May/BBC)


Homem que fez registro acredita que mamífero atacou pássaro, que decolou no susto, levando consigo o passageiro inusitado.

Esta foto flagra o momento em que um furão pega carona no voo de um pica-pau. A imagem foi feita num parque em Londres pelo fotógrafo amador Martin Le-May.

Ele acredita que o mamífero atacou o pássaro, que decolou no susto, levando consigo o passageiro.

"O pica-pau estava saltitando estranhamente como se estivesse pisando numa superfície quente... O pássaro voou sobre nós e um pouco em nossa direção; de repente, ficou óbvio que ele tinha um pequeno mamífero ns costas e que essa era uma luta pela vida", disse Le-May.

A dupla aterrissou a cerca de 25m do fotógrafo, que disse ter temido pelo pica-pau.

Mas a sua presença pode ter distraído o mamífero predador, que desapareceu na vegetação. O pássaro escapou com vida.


Fonte: BBC

Homenagem ao dia das Mães - Setor Família - Arquidiocese de Maringá


Novas diretrizes da Igreja no Brasil 2019-2023 são aprovadas pelo episcopado

Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o próximo quadriênio (2019 a 2023)  

Não conheço o teor das  Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o próximo quadriênio (2019 a 2023), aprovada nesse  dia 6 de maio pelos participantes da 57ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP), más no texto de sua apresentação que trás comunidades eclesiais missionárias vejo nelas as nossas Comunidades Eclesiais de Base as CEBs, que como opção de organização eclesial, são realidade na América Latina a 50 anos, que não sei se está contemplada no teor das Diretrizes.

As CEBs são e sempre foram missionárias, sempre enfrentando desconfianças, acusações infundadas, associações indevidas, detrações,… . Mas graças a ela temos uma Igreja tão presente na vida das pessoas, nos seus sofrimentos e angústias, missionária tendo como protagonista dessa missão gente  simples ou não, que se colocam a serviço e se abre a vivência comunitária e fraterna e que se colocam a lado dos pobres e marginalizados, tudo isso discretamente, quase que no anonimato, mas eficaz, envolvida no espírito e na metodologia de Jesus Cristo.

Segue abaixo texto sobre Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o próximo quadriênio (2019 a 2023)  


Novas diretrizes da Igreja no Brasil 2019-2023 são aprovadas pelo episcopado

As Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o próximo quadriênio (2019 a 2023), após intenso processo de debate e acréscimos dos bispos, foram aprovadas na manhã deste dia 6 de maio pelos participantes da 57ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP).

O padre Manoel de Oliveira Filho, membro da Comissão do Texto Central sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2019-2023) falou ao portal da CNBB sobre o caminho que as novas diretrizes propõem à Igreja no Brasil.

Segundo ele, o central nas Novas Diretrizes é mais uma vez um novo chamado de retorno às fontes para olhar a experiência das comunidades primitivas e inspirados por elas formar, no hoje da história e na realidade urbana, comunidades eclesiais missionárias.

“Que essas comunidades eclesiais missionárias tenham jeito de casa, de acolhida, não uma coisa estática de paredes simplesmente, ou da estrutura física. Mas, acima de tudo as diretrizes falam de um jeito de ser, de uma postura que lembre, evoque a ideia da casa que acolhe, que é espaço de ternura e misericórdia”, disse.

Os quatro pilares – Padre Manoel reforça que a casa é onde as pessoas são identificadas pelo nome, pelo jeito, onde têm história. Na proposta das diretrizes, lembrou o religioso, a casa é sustentada por quatro pilares essenciais: a) Palavra de Deus e a iniciação à vida cristã; O pilar do Pão que é a casa sustentada pela liturgia e sobre a espiritualidade; o pilar da Caridade que é a casa sustentada sobre o acolhimento fraterno e sobre o cuidado com as pessoas, especialmente os mais frágeis e excluídos e invisíveis; o pilar da Missão porque é impossível fazer uma experiência profunda com Deus na comunidade eclesial que não leve, inevitavelmente, à vida missionária.

A realidade urbana, fragmentada, carregada de luz e de sombras, mas também cheia de potencialidades, é definida pelo padre muito mais do que um lugar social geográfico mas como uma mentalidade e cultura. “Nesta realidade a Igreja é convidada a ser presença. Como casa. Como comunidade eclesial missionária”, reafirmou.

A diretrizes, segundo ele, apontam para um rumo muito bonito, porque partem de uma perspectiva de encontro com Deus e com os irmãos, numa dinâmica de acolhida, de portas abertas, de ir ao encontro, de espera e acolhida ativa para formar as comunidades.

As Igrejas e comunidades são convidadas, segundo o que propõe as novas diretrizes, a serem luzeiros no meio do mundo. O religioso afirmou que as comunidades podem estar em qualquer lugar: no condomínio, numa praça, no trabalho. “Mas também nas paróquias, comunidades, nos colégios católicos, nas obras sociais”, disse.

“As novas diretrizes apontam para rumos e horizontes muito bonitos de avanço, de comprometimento apostólico e de comprometimento profético-transformador”, destacou.

Segundo ele, a profecia não se dá apenas pela denúncia, embora seja fundamental hoje mais do que nunca, mas também pelo anúncio de um jeito novo de ser e de viver. “Os rumos são os mais bonitos, basta a gente entrar nesta história e caminho”, disse.

Após a assembleia, o religioso aponta que todas as instâncias, as pastorais e organismos, e as Igrejas particulares, toda vida eclesial precisam entrar mesmo neste rumo, na direção apontadas pelas Diretrizes. “Seguir este caminho, acreditar no projeto e proposta. Vamos todos precisar, como todo a vida de Igreja, fazer um caminho de conversão, ler estudar, colocar na mente e descer para o coração para transformar em realidade”, disse.

A CNBB apresenta diretrizes mais gerais, não apresenta um plano; Após a assembleia, segundo padre Manoel, o plano deve ser feito por cada instância da Igreja nas diferentes realidades. “Se a gente acredita no projeto vamos encontrar um caminho para que ele se torne real”, concluiu.

Fonte: CNBB

O presidente e os dois vice-presidentes da CNBB foram eleitos nesta segunda-feira

O presidente e os dois vice-presidentes da CNBB foram eleitos nesta segunda-feira
O arcebispo de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo, foi eleito e-presidente da CNBB na manhã desta segunda-feira, 6 de maio. Na parte da tarde, foram eleitos os dois vice-presidentes, uma novidade do novo estatuto da Conferência. Anteriormente, apenas um bispo ocupava a vice-presidência da entidade. Os dois vice-presidentes são: dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e dom Mário Antonio Silva, bispo de Roraima.
Como manda o Estatuto da CNBB, o até então presidente, cardeal sergio da Rocha, perguntou aos eleitos se aceitavam os encargos. Dom Walmor disse:“Aceito com humildade, aceito com temor e aceito à luz da fé”. Dom Jaime Spengler disse: “Com temor e tremor, acolho“. E dom Mário disse a dom Sergio e à assembleia aceitar a indicação e a confiança dos irmãos bispos em nome da Amazônia e do povo brasileiro.
Dados biográficos
Dom Walmor Oliveira de Azevedo nasceu em 26 de abril de 1954, dom Walmor é natural de Côcos (BA). É o primeiro baiano a estar à frente da CNBB. É doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, Itália) e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico (Roma, Itália).
Em sua trajetória de formação, cursou Filosofia no Seminário Arquidiocesano Santo Antônio (1972-1973), em Juiz de Fora (MG), e na Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras (1974-1975), em São João Del-Rei (MG). De 1974 a 1977, cursou Teologia no Seminário Arquidiocesano Santo Antônio, em Juiz de Fora. Em 9 de setembro de 1977 foi ordenado sacerdote, incardinando-se na arquidiocese de Juiz de Fora.
Foi pároco da paróquia Nossa Senhora da Conceição de Benfica (1986-1995) e da paróquia do Bom Pastor (1996-1998); coordenador da Região Pastoral Nossa Senhora de Lourdes (1988-1989); coordenador arquidiocesano da Pastoral Vocacional (1978-1984) e reitor do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio (1989-1997). No campo acadêmico, lecionou nas disciplinas Ciências Bíblicas, Teologia e Lógica II; coordenou os cursos de Filosofia e Teologia. Em Belo Horizonte, foi professor da PUC-Minas (1986-1990). Também lecionou no mestrado em Teologia da PUC-Rio (1992, 1994 e 1995).
Dom Walmor Oliveira de Azevedo foi nomeado bispo auxiliar de Salvador (BA) pelo Papa São João Paulo II, no dia 21 de janeiro de 1998. Sua ordenação episcopal foi no dia 10 de maio do mesmo ano. Em 2004, foi nomeado arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG), iniciando o ministério em 26 de março daquele ano. Em outubro de 2008, dom Walmor foi escolhido para ser um dos quatro representantes do Brasil na XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada em Roma.
Em 1999, dom Walmor foi secretário do Regional Nordeste 3 e membro da Comissão Episcopal de Doutrina da CNBB. A mesma Comissão que, já com o nome de Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé, presidiu entre 2003 e 2011, ou seja, por dois mandatos. É membro da Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano, desde 2009. O arcebispo de Belo Horizonte também exerceu a presidência do Regional Leste II da CNBB – Minas Gerais e Espírito Santo.
Em fevereiro de 2014, foi nomeado pelo Papa Francisco membro da Congregação para as Igrejas Orientais. Desde 2010, o arcebispo é referencial para os fiéis católicos de Rito Oriental residentes no Brasil e desprovidos de ordinário do próprio rito.
Com mais de 15 livros publicados, dom Walmor é membro da Academia Mineira de Letras, Cidadão Honorário de Minas Gerais e dos municípios de Caeté e Ribeirão das Neves. O novo presidente da CNBB também foi agraciado com a Comenda Dom Luciano Mendes de Almeida, da Faculdade Arquidiocesana de Mariana, e com o título de Doutor Honoris Causa, da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (2012).
Dom Jaime Spengler é natural de Gaspar, em Santa Catarina, o vice-presidente eleito nasceu em 6 de setembro de 1960. Ingressou na Ordem dos Frades Menores em 20 de janeiro de 1982, pela admissão no Noviciado na cidade de Rodeio (SC). Estudou Filosofia no Instituto Filosófico São Boaventura, em Campo Largo (PR) e Teologia no Instituto Teológico Franciscano, em Petrópolis (RJ), concluindo-o no Instituto Teológico de Jerusalém em Israel. Foi ordenado sacerdote em 17 de novembro de 1990, na sua cidade natal.
O arcebispo também tem doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Antonianum, de Roma, e atuou dentro da Ordem dos Frades Menores em diversas missões e cidades do país até 2010, quando foi nomeado em novembro do mesmo ano pelo papa Bento XVI como bispo titular de Patara e auxiliar de Porto Alegre (RS).
No ano seguinte, em fevereiro de 2011, o bispo foi ordenado na paróquia São Pedro Apóstolo, na sua cidade natal, Gaspar, pelo Núncio Apostólico no Brasil, na ocasião, dom Lorenzo Baldisseri. Em 18 de setembro de 2013, o papa Francisco nomeou dom Jaime Spengler como novo arcebispo de Porto Alegre.
Em março de 2014, o papa Francisco nomeou dom Jaime Spengler como membro da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. Em abril de 2015, na 53ª Assembleia Geral da CNBB, foi eleito presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, para a gestão 2015-2019. Na ocasião, recebeu 205 votos de um total de 283 votantes, superando a maioria absoluta requerida no segundo escrutínio, que era de 143 votos. Também em 2015, o arcebispo foi eleito presidente do regional Sul 3 da CNBB, que corresponde ao Estado do Rio Grande do Sul, para a gestão 2015-2019.
Dom Mário Antônio da Silva nasceu em Itararé (SP), em 17 de outubro de 1966, dom Mário Antônio da Silva estudou Filosofia e Teologia no Seminário Maior Divino Mestre, da diocese de Jacarezinho. Possui mestrado em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, na Itália.
No ano de 1991, foi ordenado padre em Sengés, no estado do Paraná, por dom Conrado Walter. Era chanceler da diocese de Jacarezinho quando foi nomeado bispo auxiliar de Manaus no dia 9 de junho de 2010.
Sua ordenação ocorreu na Catedral de Jacarezinho em 20 de agosto de 2010, em celebração presidida por dom Mauro Aparecido dos Santos, arcebispo de Cascavel. A missa de acolhida na arquidiocese de Manaus aconteceu no dia 12 de setembro de 2010, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição.
Em 2015, foi eleito durante a 53ª Assembleia Geral da CNBB como presidente do regional Norte 1, que compreende o Estado de Roraima e o norte do Amazonas, para o quadriênio de 2015-2019. Também é referencial da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB. Em junho de 2016, foi nomeado pelo papa Francisco como bispo de Roraima, tomando posse em setembro do mesmo ano. Escolheu como lema episcopal “Testemunhar e Servir”.
Fonte: CNBB

06 maio, 2019

Nada mais próximo do espírito e da metodologia de Jesus do que as Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs.


Acreditamos que não há nada mais próximo do espírito e da metodologia de Jesus do que as Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs.

A Saúde das CEBs e a Saúde nas CEBs
Ezequiel capítulo 37 e 47
Marcos 6: 31-44

Esse o tema escolhido pela Região Pastoral Paranacity e Ezequiel e Marcos a Palavra escolhida por nós para desenvolver o tema.

O livro do Profeta Ezequiel é lindo, reavive a esperança e reafirma que o nosso Deus está ciente de Seu povo onde quer que estejam.

Profeta no espaço do exílio. O livro de Ezequiel foi escrito durante o cativeiro de Ezequiel na Babilônia. Ezequiel era sacerdote. Ele profetizou de 593 a 571 a.C.

O Profeta Ezequiel viu além das tragédias de sua época, um tempo futuro de renovação quando o Senhor reuniria seu povo, daria a eles um “coração novo” e um “espírito novo”

O Senhor colocou-me num vale onde só existia morte, uma situação de desespero, nenhuma articulação, totalmente morta.
Esses ossos vão retornar a vida?
O Senhor é quem sabe.
Então profetiza sobre eles.

Isso é provocador...

A profecia é a palavra de Deus. Palavra eficaz, más que precisa de acolhida e abertura do povo.  Acolhida primeiro pelo profeta.  O profeta é porta voz da ação de nosso Deus.

“nossos ossos estão secos, nossa esperança está morta; estamos perdidos!”

Totalmente sem esperança, com certeza o profeta Ezequiel estava trazendo toda essa situação para Deus.

Como fazer para reavivar a esperança do povo?
É o Senhor que sabe, o profeta tem a missão de gritar, prefetizar e acreditar, e aí o nosso Deus age e Ele é capaz de trazer novamente a vida.

Ao ouvir a palavra, os ossos secos se deixam invadir pelo espírito que vai tomando conta deles.
Acreditar na Palavra de Deus é abrir-se a ação de Deus em nós.

Acreditamos que não há nada mais próximo do espírito e da metodologia de Jesus do que as Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs.

É claro a opção de Jesus: havia uma multidão, Jesus pregava em montanha, praia, nas casas e constituiu pequeno grupo em volta dele para organizar.

Na multiplicação dos pães primeiro revela o sentimento de Jesus, sente compaixão e ensina o povo. Organiza a multidão em grupos, manda ver quantos pães tem. Organizados partilha e todos são saciados.

Em Ezequiel 47, “Depois disto me fez voltar à porta da casa, e eis que saíam águas por debaixo do umbral da casa...”.
“...E será que toda a criatura vivente que passar por onde quer que entrarem estes rios viverá...”

Mostra o quanto estamos ligados ao “Tronco” e enquanto permanecermos ligado por onde passarmos vamos levando vida.

Gerar vida e sustentabilidade, esse é o grande desafio, o nosso Deus sempre fala que vai dar condições, cabe a nos profetizar.

Enquanto grupos, acreditamos, vemos os sinais de Deus e é Ele que é capaz de dar vida.

Formação oferecia pelas CEBs na Região Patoral Paranacity - 05/05/2019
Arquidiocese de Maringá














03 maio, 2019

Carta de meu amigo "mendigo de Deus" Celso Pinto Carias aos bispos reunidos na 57ª Assembleia Geral da CNBB

QUEM CONCORDAR PODE COMPARTILHAR E, SE POSSÍVEL, CHEGAR A ALGUM BISPO CATÓLICO CONHECIDO.Uso este caminho de comunicação por conta da rapidez e por não considerar que o texto tenha algo que não possa ser compartilhado com qualquer pessoa. Dom Esmeraldo Farias, Dom João Justino, Dom Luciano Bergamin, Dom Francesco Biasin, Dom Severino Clasen, Dom Zanoni Demettino CastroMarcus Barbosa Guimarães, Fernando Altemeyer Junior, Marilza Schuina, Sônia Oliveira.


Segua a baixo,  uma carta que meu amigo  "mendigo de Deus" Celso Pinto Carias, escreveu aos bispos reunidos na 57ª Assembleia Geral da CNBB.  

AOS MEUS IRMÃOS BISPOS DO BRASIL
Duque de Caxias, 03 de maio de 2019.


Festa de São Felipe e São Tiago.
Teologicamente, Cristo é a misericórdia de Deus.
Pastoralmente, a Igreja sem misericórdia não é a
Igreja de Jesus” (Frei Neylor José Tonin)

Com tremor e temor escrevo esta carta. Mas o batismo oferecido por meus pais ratificado no sacramento da Confirmação, e toda a minha trajetória na qual fui apresentado ao CAMINHO de Jesus Cristo, leva-me a dirigir estas palavras neste momento histórico do Brasil e do mundo.
Irmãos bispos. Permitam-me dirigir umas palavras aos senhores reunidos na 57ª Assembleia Geral da CNBB. Sou Celso Pinto Carias, 57, casado, dois filhos. Alguns bispos me conhecem. Embora tenha doutorado em teologia, costumo me apresentar como “mendigo de Deus”, expressão que encontrei em livro de Bruno Forte. Acredito que papel do teólogo/a é estar como um “pedinte” junto a Deus para ajudar a encontrar caminhos de fidelidade ao Reino de Deus. Sou da Baixada Fluminense, e trabalho no setor de Cultura Religiosa no Departamento de Teologia da PUC-Rio. Além disso, sou assessor da Ampliada Nacional das CEBs e do Setor CEBs da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB.

Mais do que os livros, embora eles sejam muito importantes, a vida tem me oferecido um aprendizado que às vezes me traz muita angústia. Como gostaria de ver a Igreja de Cristo respondendo aos desafios de encontrar as “sementes do verbo” onde muita gente imagina que lá elas não estejam, e como diz o Papa Francisco, sobretudo nas periferias. Por isso, escrevi uma carta ao Papa Francisco, sem usar intermediário, assim não sei se ele lerá, pedindo apenas um abraço virtual e dizendo para ele o quanto agradeço a Deus pelo seu papado. Pela sensibilidade teológica e pastoral que faz ele nos orientar na direção de um grande diálogo com o mundo de hoje, como fizeram muitos cristãos santos e santas do passado. E isto não desmerece em nada o ministério dos papas anteriores.

Vivemos, como ouvi de meu grande amigo bispo, Dom Mauro Morelli, há uns vinte anos, uma crise civilizatória. Hoje podemos afirmar que esta crise se aprofundou. Assim, somos vítimas de uma enorme confusão, de absurdos que estão elevando “o amor ao saber” a um conjunto de afirmações vazias e sem sentido. Como dá tristeza ver e ouvir cristãos fazendo coro as estes absurdos. Não posso me arrogar ao direito de ser um cristão exemplar, mas, por favor, meus irmãos, como acatar afirmações que aceitam uma compreensão de “Direitos Humanos” que desvaloriza a dignidade fundamental da pessoa humana, que sendo seguidores de um torturado defendem a tortura? Costumo dizer aos meus alunos que quem começou a história dos direitos humanos foi Jesus de Nazaré, ele disse ao homem: “Vem para o meio” (Mc 3,1-6), não foi Kant e nem a ONU.

Precisamos fazer ecoar o desejo de ser uma “Igreja em saída” que vá ao encontro dos seres humanos com compaixão, com misericórdia, acolhendo como fez o nosso mestre Jesus Cristo, que olhava com tristeza e indignação (Mc 3,5) o silêncio de lideranças religiosas que deveriam defender a vida daquele homem que a lei religiosa considerava impuro por ter uma “mão defeituosa”. Sei que não preciso lembrar isto aos meus irmãos bispos, mas quanta tristeza por ver cristãos e cristãs que não colocam o AMOR acima da lei. Que defendem a violência como caminho de paz, que estimulam o ódio aos que são diferentes, que não possuem fundamento para fazer críticas ao sistema político repedindo jargões ultrapassados, que distribuem mentiras pelas mídias sociais, que podem inclusive ser racista e achar normal, enfim, que não conseguem conversar sem humilhar e ofender o outro.

Perdoem-me meus irmãos bispos, mas está difícil ver canais de televisão de inspiração católica sendo completamente parcial, seja politicamente, seja pastoralmente. Sabemos que a Igreja Católica tem uma grande riqueza litúrgica, pastoral, espiritual, etc. E, muitas vezes, assistimos mensagens que encobrem tal riqueza, e pior, até podem fazer coro as mentiras. Como ultrapassar os desafios da cultura urbana, como será enfrentado na Assembleia, sem levar em consideração a complexidade desta cultura? As CEBs, por exemplo, ainda que fragilizadas, levantaram esta questão com profundidade, e continuamos ver setores rejeitando o que o magistério eclesial até o momento nunca rejeitou.

Por fim, sem saber se a esta altura este desabafo adiantará alguma coisa, se chegará aos meus irmãos, estaremos rezando para que neste momento histórico possamos ter diretrizes pastorais e uma nova presidência capaz de ir ao encontro dos “sinais dos tempos” como o nosso querido Francisco está nos mostrando. Um grande e fraterno abraço. Que a luz da PÁSCOA, cujo momento litúrgico nos estimula, possa continuar a guiar a Igreja de Cristo.

Celso Pinto Carias, “mendigo de Deus”.  

Quem tem medo da filosofia?

"Com uma frequência inusitada, os que detêm as rédeas do poder costumam temer o pensamento especulativo, pois ele tende a desvendar as artimanhas e maquinações que separam a minoria rica e poderosa de uma maioria à qual é negado o acesso ao conhecimento", escreve Alfredo J. Gonçalves, padre carlista e assessor das Pastorais Sociais.


Eis o artigo. 

Não é de agora que a filosofia (bem como a sociologia e a história, no conjunto das ciências sociais e humanas) incomoda “os donos do poder”, para usar o título da obra de Raymundo Faoro. Tomemos duas definições clássicas do conceito de filosofia. A primeira é atribuída ao filósofo grego Pitágoras (século VI a.C.): “amor pela sabedoria, experimentado apenas pelo ser humano consciente de sua própria ignorância”. A segunda tem origem igualmente num filósofo grego, Platão (século IV a.C.), sendo transmitida por sua escola, o platonismo: “investigação da dimensão essencial e ontológica do mundo real, ultrapassando a opinião irrefletida do senso comum que se mantém cativa da realidade empírica e das aparências sensíveis”.
Convém sublinhar, entre outros, dois aspectos relevantes dessas definições primordiais. De acordo com Pitágoras, a filosofia pressupõe o reconhecimento “consciente de sua própria ignorância”. Em outros termos, no confronto com os segredos e mistérios do universo, da natureza e do ser humano, este último mantém-se aberto ao espanto e à novidade de uma contínua descoberta. Ciente de sua pequenez e suas limitações, coloca-se numa posição de permanente aprendizagem. Faz da vida e das relações com as pessoas e as coisas uma verdadeira escola. Já para o platonismo, a filosofia ultrapassa “a opinião irrefletida do senso comum”. De fato, nada é mais enganoso do que as aparências. A partir delas, o senso comum costumo julgar, aplaudindo ou condenando segundo aquilo que pode ver, tocar, medir, controlar, contabilizar, manipular. Agindo dessa forma, escapam-lhe as dimensões invisíveis, desconhecidas e incomensuráveis, as quais, em boa parte dos casos, são as que acabam por determinar atitudes e comportamentos.
Tanto no desconhecimento da “própria ignorância”, quanto na “opinião irrefletida do senso comum”, encontramos uma postura de arrogância, prepotência e auto-suficiência. Postura que está a um passo do autoritarismo e da tirania. Vê-se isso no julgamento e eliminação do filósofo Sócrates (século IV a.C.) e, mais tarde, nas hostilidades e condenação do filósofo italiano Galileu Galilei (também físico, matemático e astrônomo), que viveu entre os séculos XVI e XVII, o qual terá um papel relevante para a revolução da ciência moderna. Com uma frequência inusitada, os que detêm as rédeas do poder costumam temer o pensamento especulativo, pois ele tende a desvendar as artimanhas e maquinações que separam a minoria rica e poderosa de uma maioria à qual é negado o acesso ao conhecimento.
Saber é poder! Mas o é sobretudo na modernidade ou pós-modernidade, devido à revolução na área da ciência e tecnologia, das comunicações e da informática. Porém, saber é também um questionamento dinâmico e dialético ao uso do conhecimento e do poder. Os princípios e proposições da filosofia, da sociologia e da história, em particular, interpelam constantemente o status quo, mantido a todo custo pelo regime de plantão. Na era medieval, para se ter uma ideia, um conluio entre o poder político feudal e o poder religioso da Inquisição – aliança entre trono e altar ou entre cruz e espada – levaram muitas pessoas ao desterro, à prisão ou à fogueira. Daí a caça às bruxas, aos hereges e aos loucos! Em meio a estes últimos, não poucos eram justamente conhecedores profundos que legaram grandes descobertas à humanidade, sendo o caso mais emblemático a condenação à morte do também filósofo Giordano Bruno.
Privilegiar o conhecimento básico ou profissional, de resultados aparentemente imediatos, em detrimento de uma reflexão complexiva sobre a cultura, a sociedade e a história, equivale a adotar os princípios de um novo utilitarismo. Toma-se o caminho curto da preparação para a produção e o mercado, esquecendo que é precisamente o caminho longo da ciência, da pesquisa e da dúvida reflexiva que abre horizontes inovadores, não somente no campo da teoria, mas também no terreno da prática. O dia-a-dia da sociedade depende de um bom casamento entre teoria e prática. Uma complementa, ilumina, interpela e enriquece reciprocamente a outra.
Fonte: IHU