14 março, 2017

Comunicado Arquidiocese de Maringá

Solidários às manifestações que serão realizadas nessa quarta-feira (15), em relação às mais variadas reivindicações, dentre elas a reforma previdenciária, as secretarias paroquiais da Arquidiocese de Maringá deverão permanecer fechadas até às 12h.

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

A maldade das pessoas me dá medo!

Uma menina, Sara, perguntou ao Papa do que ele tem medo, acrescentando que ela tem medo das bruxas. “Mas as bruxas não existem e não são assustadoras”, respondeu Francisco. “Fazem talvez 3 ou 4 coisas (rituais de magia, etc), mas isso são bobagens. As bruxas não têm nenhum poder. São uma mentira”. “Assusta-me – continuou ele – quando uma pessoa é má. A maldade das pessoas me dá medo. Quando uma pessoa escolhe ser má, pode fazer muito mal. E me assusta, quando, na paróquia ou no Vaticano há a fofoca”. Vocês - continuou o Papa – ouviram na televisão o que os terroristas fazem? Jogam uma bomba e fogem. A fofoca é assim. Jogar uma bomba e fugir".

"Destrói tudo. E, especialmente, o seu coração. Se é capaz de lançar a bomba, o seu coração torna-se corrupto: nunca as fofocas. Morder a língua antes de dizê-las. Vai doer, mas não vai fazer mal aos outros. Assusta-me a capacidade de destruição que tem o falar mal do outro. Isso é ser bruxa, ser um terrorista”. 

Papa Francisco

Rezem por todas as jovens e os jovens vítimas de violência!

“Rezo também e peço a todos vocês que rezem comigo por todas as jovens e os jovens vítimas de violências, de maus-tratos, de exploração e de guerras. Esta é uma chaga, este é um grito escondido que deve ser ouvido por todos nós e que não podemos continuar a fazer de conta de não vê-lo e de não escutá-lo”.
Papa Francisco

09 março, 2017

Entrevista com o Papa Francisco

Die Zeit: O número de sacerdotes diminuiu. Cada vez menos fiéis, e cada vez menos padres e muita coisa para fazer.

Papa Francisco: “É um grande problema. Na Suíça é pior, não? Muitas paróquias estão nas mãos de mulheres dedicadas que nos domingos conduzem as orações. É um problema a falta de vocações. É um problema que a Igreja deve resolver, procurar como resolver isso”.

Die Zeit: Como?

Papa Francisco: “Acredito que em primeiro lugar esteja o pedido que Senhor nos faz para rezar. A oração. Depois, o trabalho com os jovens que são os grandes descartados na sociedade moderna, pois não têm trabalho em vários países. Para as vocações também tem um problema.”

Die Zeit: Qual?

Papa Francisco: "O problema da natalidade".

Die Zeit: Na Alemanha é baixa, mas não mais do que, por exemplo, na Itália.

Papa Francisco: "Se não há crianças, não haverá sacerdotes. Acredito que este é um problema grave que devemos enfrentar no próximo Sínodo sobre os jovens, mas não é um problema de proselitismo, não. Não se obtém vocações com o proselitismo".
O Papa destacou que em relação à vocação, é importante fazer uma seleção. “Hoje, temos muitos jovens que depois arruínam a Igreja, porque não são sacerdotes por vocação. O problema das vocações é um problema grave”, destacou.
Sobre a crise de fé, o Papa respondeu que não é possível crescer sem crises. “Na vida humana acontece o mesmo. O crescimento biológico sempre é uma crise, não? A crise de uma criança que se torna adulta. Com a fé é o mesmo. Quando Jesus sente aquela segurança de Pedro que me faz pensar a muitos fundamentalistas católicos, quando Jesus sente isso, o que lhe diz? Você irá me renegar três vezes! E Pedro renegou Jesus. A crise faz parte da vida de fé. Uma fé que não entra em crise para crescer, permanece infantil.”

Die Zeit: Como se volta à fé?

Papa Francisco: “A fé é um dom. É doada”.

Die Zeit: Volta sozinha?

Papa Francisco: “Eu peço e Ele responde. Às vezes temos de esperar numa crise. A fé não se compra”.

Die Zeit: O senhor acredita que o ser humano por natureza seja bom, ou é bom e mal?

Papa Francisco: “O homem é imagem de Deus. O homem é bom, mas também o homem é fraco, foi tentado e se feriu. É uma bondade ferida”.

Die Zeit: Mas pode tornar-se mau?

Papa Francisco: “A maldade é outra coisa, mais feia, mais feia. Na Bíblia, a narração mítica do Gênesis. Adão não foi mau: foi fraco, foi tentado pelo diabo. Ao invés disto, a primeira maldade é a do filho, de Caim: não é por fraqueza ou por... É por ciúmes, por inveja, por desejo de poder... é a maldade das guerras. É a maldade que hoje encontramos na pessoa que mata: mata o outro. Para mim esta é a maldade, porque é quem fabrica as armas”.
(...)

Die Zeit: Mas quais são os limites da oração?

Papa Francisco: “Rezar pelas coisas boas. Por exemplo: “Ajuda-me a ter o dinheiro necessário para acabar o mês com minha família, que não me falte...”: isto é justo. Mas “ajuda-me a ter muito dinheiro para ter muito poder”, isto não é correto. Pode-se pedir, mas.... Porque se está pedindo algo que vai pelo caminho da mundanidade, o poder do mundo. Jesus falou tanto, no final da Ceia, com os discípulos e disse que rezou por eles ao Pai. E o que pediu ao Pai? Não para tirá-los do mundo, mas para protegê-los do espírito do mundo. O espírito do mundo é aquilo que não devemos pedir; as coisas que são do espírito do mundo: o espírito da soberba, do poder para dominar... isto não é... Se deve pedir coisas que constroem o mundo, que criam fraternidade e que tragam a paz, que deem coisas boas; mas “ajuda-me a matar a minha mulher”, não pode”.

Die Zeit: O mafioso faz o sinal da cruz antes de matar...

Papa Francisco: “Sim, sim. Isto é uma doença. É uma doença religiosa, sim, e usa a religião, também fazem isto os mafiosos da América Latina. Se dizem cristãos e para resolver os problemas pagam um matador de aluguel, e depois vão à Igreja”.

Die Zeit: Ao ouvir estas coisas o senhor se embrabece?

Papa Francisco: “Sim, um pouco. Mas fico brabo quando a Igreja, a Santa Madre Igreja, minha mãe, a minha Esposa, não dá um testemunho de fidelidade ao Evangelho. Isto me faz mal”.

Die Zeit: Ainda faz mal para o senhor? Neste momento, em todo o mundo, existe esta enorme preocupação que a coesão da sociedade não funcione mais. Temos uma onda de populismo, no geral de direita; temos fortes movimentos que ameaçam a democracia... Neste contexto, qual deve ser o comportamento de um cristão?

Papa Francisco: “Sim... Para mim, a palavra populismo é equivocada, porque na América Latina tem um outro significado. Fiquei confuso, porque não entendia bem. Mas pense o senhor que no ano 1933, após a queda da República de Weimar: a Alemanha estava desesperada, a crise econômica de 30 era... e um jovem disse “eu posso, eu posso, eu posso!”, mas... e se chamava Adolf, e isto acabou assim, não? Conseguiu convencer o povo de que ele podia. Por trás dos populismos sempre existe um messianismo, sempre. É também uma justificativa: preservamos a identidade do povo”.

Die Zeit: Um messianismo na falta de outro verdadeiro testemunho...

Papa Francisco: “...de um verdadeiro testemunho. Talvez, não?”.

Die Zeit: Por que faltam os grandes modelos políticos?

Papa Francisco: “Quando os grandes do pós-guerra imaginaram a unidade europeia – pense em Schuman, Adenauer – imaginaram uma coisa não populista: imaginaram uma fraternidade de toda a Europa, do Atlântico aos Urais. E estes são os grandes líderes – os grandes líderes – que são capazes de levar em frente o bem do país em estarem eles no centro. Sem serem messias. O populismo é ruim, e no final acaba mal, como nos mostra o século passado”.

Die Zeit: O senhor vê a situação de hoje semelhante aos anos 30, do século passado? Pois o senhor usa até mesmo a palavra da terceira guerra mundial que estamos vivendo...
Papa Francisco: “Sim, sim. Isto é óbvio. Porque realmente está assim”.

Die Zeit: Em que sentido?

Papa Francisco: “Mas...todo o mundo está em guerra, mas, pense na África”.

Die Zeit: Mas são conflitos menores...

Papa Francisco: “Por isto digo: a terceira guerra mundial em pedaços. Pense na Ucrânia, que está na Europa; pense na Ásia, pense no drama de Sindshar no Iraque, na pobre gente que foi expulsa... Mas por que falo em guerra? Isto se faz com as armas modernas e existe toda uma estrutura de fabricantes de armas que ajuda isto. É uma guerra. Mas – isto o sublinho – não quero dizer que esta situação seja a mesma de 33, não! Este é um exemplo que dei para explicar o populismo”.

Die Zeit: Mas o senhor está preocupado, neste momento, com a onda de populismo em todo o mundo?

Papa Francisco: “Ao menos na Europa sim. Um pouco. E o que penso sobre a Europa é isto que não quero dizer a mais e nem a menos do que eu disse nos três discursos (sobre) a Europa: os dois discursos em Estrasburgo e o terceiro quando recebi o Karlspreis, em Aachen, sim, que o recebi aqui, e havia tantos Chefes de governo, alguns de Estado, que vieram. Não gosto de receber honorificências: esta é a única que recebi porque insistiram. Disseram: “A Europa tem necessidade que o senhor nos diga alguma coisa”, e eu aceitei; mas os três antes de mim - Juncker, Martin Schutz e também o Prefeito de Aachen - disseram coisas mais duras do que eu, mais fortes, mas enérgicas”.

Die Zeit: O então Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, falava da crise dos migrantes e refugiados, chamando-a de “desafio epocal”. Os valores da Europa sendo questionados, é urgente lutar pela Europa...

Papa Francisco: “Sim, foram também corajosos, hein!”

Die Zeit: O senhor não se sente pressionado pelas expectativas que as pessoas de hoje tem por “homens-exemplo”, como é o seu caso?

Papa Francisco: “Mas, eu não me sinto um homem excepcional. Eu sinto que exageram com as expectativas, não fazendo justiça. Eu não digo que sou um pobre, não; mas sou um homem comum que faz aquilo que pode, mas comum. Assim me sinto. E quando alguém diz: “Não, o senhor, o senhor é...”, isto não me faz bem”.

Die Zeit: O senhor diz isto, mesmo com o risco de desiludir muitos na Cúria que têm necessidade de um pai impecável?

Papa Francisco: “Não existe um pai, existe somente um... Todos os pais são pecadores – graças a Deus – porque isto também nos encoraja a ir em frente e dar a vida, nesta época de orfandade, onde existe necessidade de paternidade. E eu sou um pecador, sou limitado. Mas não se esqueça que a idealização de uma pessoa é uma forma sutil de agressão, é um caminho para agredir sutilmente uma pessoa. E quando me idealizam, me sinto agredido”.

(...)

Die Zeit: Os ataque contra o senhor que provêm do Vaticano, lhe fazem mal pessoalmente?

Papa Francisco: “Não. Sobre isto eu farei uma confissão sincera. Desde o momento que fui eleito Papa não perdi a paz. Entendo que meu modo de agir não agrada a alguns, também justifico isto: existem tantos modos de pensar; é também lícito, é também humano e também uma riqueza”.

Die Zeit: É uma riqueza os cartazes que apareceram em Roma, acusando o senhor de não ser misericordioso? O L’Osservatore Romano falso onde o senhor responde “sim e não”, é uma riqueza, na sua opinião?

Papa Francisco: “O L’Osservatore Romano falso, não; mas o ‘romanaccio’ que havia naqueles cartazes, era belíssimo! Era um ‘romanaccio’, culto. Aquilo não foi escrito por alguém da rua!”.

Die Zeit: Mas foi escrito por alguém daqui?

Papa Francisco: “Não: alguém culto (risos). Mas aquele ‘romanaccio’ era belíssimo!”.

Die Zeit: É interessante que o senhor consiga rir a respeito disto...

Papa Francisco: “Mas sim! Eu, uma das coisas que rezo todos os dias com a oração de São Thomas Morus (Tomás More): peço o senso de humor. E o Senhor não me tirou a paz e me dá muito senso de humor. Não cheguei ainda a rir como o maravilhoso Padre Peter Hans Kolvenbach, por 25 anos Geral dos Jesuítas. Ele tinha um senso de humor, mas sempre construtivo e positivo, não?!”.

(...)

Die Zeit: Existe uma história muito complicada, mas que poderia ser reduzida. Na Ordem de Malta existe um Grão Chanceler, Albrecht von Boeselager. Foi acusado de não ter impedido a distribuição de preservativos em um projeto de ajuda em Myanmar. Acabou sendo demitido por um amigo do Cardeal Burke. O senhor rescindiu esta demissão.

Papa Francisco: “Não, com a Ordem de Malta havia problemas, que ele talvez não tenha conseguido administrar, pois ele não era o único protagonista ali; e eu não tirei dele o título de Patrono da Ordem de malta: ele continua a ser Patrono de Malta. Mas ali havia necessidade de organizar a Ordem e por isto nomeei um delegado capaz de organizar, com um carisma que não tem o Cardeal Burle”.

Die Zeit: O senhor foi convidado pela Igreja Católica alemã, pela Igreja Protestante alemã, pelo Presidente da República alemã, para ir à Alemanha no Ano de Lutero, possivelmente este ano. O senhor irá?

Papa Francisco: “Também a Chanceler convidou-me. Este ano será difícil, porque existem tantas viagens. Estudando, sim; mas com os luteranos quis antecipar esta questão e ir a Lund, na Suécia, no ano passado, para comemorar o início da comemoração dos 500 anos, e depois os 50 anos da fundação união católico-protestante, luterana. Existe uma agenda muito difícil este ano, para mim”.

Die Zeit: Quem sabe existam países mais importantes, neste momento, como a Rússia a China...

Papa Francisco: “Na Rússia não posso ir porque deveria ir também à Ucrânia. O importante seria ir no Sudão do Sul – coisa que não acredito possa fazer – estava em programa ir nos dois Congos: com Kabila as coisas não estão bem, acredito que não possa ir: mas irei sim, à Índia, Bangladesh, seguramente, Colômbia, depois um dia em Portugal, em Fátima, e depois acredito que há uma outra viagem em estudo, ao Egito. Parece que o calendário está cheio, não?”.

Die Zeit: Já que para a Alemanha não este ano. Em 2018, quem sabe?

Papa Francisco: “Não sei; não pensei ainda. Não foi programado”.

(...)

Die Zeit: Mas o senhor entende bem ao alemão, não?

Papa Francisco: “Se falado lentamente, consigo, porque “ohne Übung habe ich es verlernt” (sem exercício, perdi um pouco). Desculpe-me se não correspondi às suas expectativas”.

Die Zeit: Estão mais do que superadas as expectativas.

Papa Francisco: “Reze por mim”.

(MJ/JE)

Fonte: radiovaticana

08 março, 2017

Em Genebra, Pastoral Carcerária detalha violações de direitos nas prisões do Brasil

“Tortura em tempos de encarceramento em massa”


Informações divulgadas fazem parte do relatório “Tortura em tempos de encarceramento em massa”
Representada por seu assessor jurídico, o advogado Paulo Cesar Malvezzi Filho, a Pastoral Carcerária Nacional (PCr) participou nesta sexta-feira, 3 de março, de um evento em Genebra, na Suíça, que discutiu a realidade do sistema carcerário brasileiro.

“De Norte a Sul do país, é possível afirmar que a marca do sistema prisional brasileiro é a violação sistemática dos direitos dos presos, combinada com o crescimento vertiginoso do número de pessoas presas”, disse Paulo Malvezzi, no início de sua exposição sobre a temática, quando também lembrou que com um aumento médio de 7% no número de presos anualmente e com mais de 620 mil encarcerados, o Brasil ocupa “a nada honrosa quarta colocação entre os países que mais encarceram no mundo”.
O propósito do evento, que também contou com representantes de outras organizações brasileiras, como a Conectas Direitos Humanos e a Justiça Global, foi debater as torturas que ocorrem nas prisões. O relatório “Tortura em tempos de encarceramento em massa”, lançado em 2016 pela Pastoral, analisou 105 denúncias de tortura nas prisões.
O debate aconteceu paralelamente à reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU. “A grande importância desse evento é poder prover informações diretas sobre o sistema prisional brasileiro para a imprensa internacional, órgãos das Nações Unidas e países que vêm se engajando internacionalmente no esforço de combate à tortura. Também é uma grande oportunidade para criar laços internacionais e articular uma ampla rede de luta contra o encarceramento em massa”, afirmou Paulo Malvezzi.  

Violência Institucional

O assessor jurídico da Pastoral Carcerária lembrou do trabalho realizado pelos milhares de agentes da PCr em todo o Brasil, que levam não apenas conforto espiritual aos presos, “mas também vão para defender a dignidade dessas pessoas em todas as suas múltiplas dimensões”. Paulo Malvezzi denunciou, no entanto, que embora a assistência religiosa seja um direito do preso no Brasil, “há relatos de graves restrições ilegais aos serviços prestados por representantes religiosos, não apenas da Igreja Católica, mas de diversas religiões”, com muitas restrições de acesso aos locais onde há privação de liberdade.
Também segundo Paulo, num contexto em que apenas 13% dos presos participa de alguma atividade educativa, somente 20% realiza alguma forma de trabalho, o atendimento médico é extremamente precário e há superlotação e insalubridade nas prisões, “não é surpresa, portanto, que a taxa de mortalidade no sistema prisional seja três vezes maior que no restante do país”. 
“A tortura neste ambiente não é apenas uma prática corriqueira, mas se converteu na própria essência do modelo de aprisionamento brasileiro, no encadeamento de ...clique AQUI e continue lendo.

Dia Internacional da Mulher

O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as desigualdades, discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado.

8 de março: Bênção das Mulheres

   


·         Que o Deus de Eva te ensine a discernir entre o bem e o mal.
·         Que o Deus de Agar te console e a todas as mulheres que se sentem sozinhas no deserto da vida.
·         Que o Deus de Miriam te faça instrumento de libertação.
·         Que o Deus de Débora te conceda a audácia e a coragem de lutar pela justiça
·         Que o Deus de Ester te conceda fortaleza para enfrentar os poderosos em favor do povo exilado.
·         Que o Deus de Maria de Nazaré abra teu coração para que possas receber com alegria a semente Daquele que vive para sempre.
·         Que Jesus, que falou à Samaritana tudo o que ela tinha feito, te faça evangelizadora do teu povo.
·         Jesus, que curou a mulher encurvada, te libere juntamente com todas as mulheres oprimidas pelas tradições religiosas e culturais.
·         Jesus, que deixou ungir a cabeça por uma mulher, te conceda ser profetiza para reconhece-lo como Senhor e Messias.
·         Jesus, o amigo de Maria Madalena, te envie e, como sua apóstola, possas anunciar a mensagem de libertação a todos os povos.
·         Que o Espírito te consagre para que, em Jesus Cristo, possas anunciar Boas-Notícias aos pobres e a liberdade aos presos.
·         Em nome de Deus que é, que era e que sempre será conosco e com seu povo. Amém.
Fonte: Subsídio retirado da publicação Palavra na Vida 205, Mulheres dando à luz a nós mesmas! Encontros para o Dia Internacional da Mulher (páginas 15, 16 e 20).
Autoras: Jane Dwyer e Tea Frigerio.

Fonte: CEBI

  

“Para entender uma mulher é necessário antes sonhá-la”

 “Para entender uma mulher é necessário antes sonhá-la

Por:  Papa Francisco


"A mulher é a harmonia, é a poesia, é a beleza."

A solidão do homem, o sonho, porque não se entende uma mulher sem sonhá-la antes, e o terceiro, o destino dos dois: ser “uma só carne”.

“A mulher traz harmonia à Criação”

“Sem a mulher não há harmonia no mundo”

“Este é o grande dom de Deus: nos deu a mulher. No Evangelho, ouvimos do que é capaz uma mulher, hein? Aquela é corajosa! Foi adiante com coragem. Mas é algo mais: a mulher é a harmonia, é a poesia, é a beleza. Sem ela o mundo não seria bonito, não seria harmônico.”


“Quando não há mulher, falta a harmonia. Nós dizemos, falando: mas esta é uma sociedade com uma forte atitude masculina, e isto, não? Falta a mulher. ‘Sim, sim: a mulher é para lavar a louça, para fazer…’ Não, não, não: a mulher é para trazer harmonia. Sem a mulher não há harmonia. Não são iguais, não são um superior ao outro: não. Só que o homem não traz harmonia: é ela. É ela que traz a harmonia, que nos ensina a acariciar, a amar com ternura e que faz do mundo uma coisa bela”.

07 março, 2017

Sobre as sessões noturnas na Câmara de Maringá

Comentário de meu amigo Humberto Jose Henrique


Vi que hoje será realizada a última sessão noturna das 19 horas na Câmara de Maringá. Não vou comentar sobre a posição de cada vereador, pois cada um deve ter seus motivos para votar a favor ou contra, isso o eleitor deve analisar, só acho que faltou um maior debate com a sociedade.
Pessoalmente sou contra essa mudança, acredito que mesmo com a fraca participação das pessoas nas sessões, essa foi uma conquista da sociedade maringaense, pois no meu entendimento devemos dar a oportunidade de participação, principalmente para aqueles que trabalham durante o dia e poderiam ter a possibilidade de quando quiserem la comparecer.
Acredito que o Legislativo precisa criar mecanismos cada vez mais eficazes de aproximação com a comunidade e não o oposto.
Quando vereador entendia que uma das sessões deveriam ser utilizadas também para o debate de temas importantes para a cidade juntamente com a comunidade, e não somente para discussão das matérias em pauta infelizmente não conseguimos implantar isso.
Um dos argumentos para mudar o horário foi o de que ninguém participa, ou só participa quando tem algum tema polêmico, ou seja, em vez de mudar o horário poderia se pensar em torna-lo mais atraente a participação da sociedade.
Acredito que os Vereadores poderiam rever essa decisão, deixando uma sessão as 9:30 para atendimento da imprensa e também para a transmissão ao vivo pela TV Câmara, e na sessão das 19 horas além de discutir os projetos através de uma pauta mais enxuta poderia se criar o FALA COMUNIDADE, onde as entidades organizadas, associações de moradores, conselhos municipais, enfim, todos e todas que de uma forma ou outra debatem a cidade pudessem se manifestar. A democracia se controe assim, para o povo e com o povo.

Poesia da Libertação: A Paz inquieta! [Pedro Casaldaliga]



Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta
Que denuncia a PAZ dos cemitérios
E a PAZ dos lucros fartos.
Dá-nos a PAZ que luta pela PAZ!
A PAZ que nos sacode
Com a urgência do Reino.
A PAZ que nos invade,
Com o vento do Espírito,
A rotina e o medo,
O sossego das praias
E a oração de refúgio.
PAZ das armas rotas
Na derrota das armas.
A PAZ do pão da fome de justiça,
A PAZ da liberdade conquistada,
A PAZ que se faz “nossa”
Sem cercas nem fronteiras,
Que é tanto “Shalom” como “Salam”,
Perdão, retorno, abraço…
Dá-nos a tua PAZ,
Essa PAZ marginal que soletra em Belém
E agoniza na Cruz
E triunfa na Páscoa.
Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta,
Que não nos deixa em PAZ!
Fonte: Poesia publicada no blog teologialibertacao.wordpress.com na ocasião do aniversário de 88 anos de Dom Pedro Casaldaliga, poeta e profeta da América Latina, 17 de fevereiro de 2016.

“Aposentadoria fica, Temer sai” será grito das mulheres no dia 08 de março


O 8 de março no Brasil e no mundo inteiro é a principal data do calendário feminista. Foi proposto em 1910 como Dia Internacional da Mulher Trabalhadora pelo Direito ao Voto em uma conferência de mulheres socialistas. Naquele período ainda sem uma data fixa.

História de luta

Há 100 anos, em 1917, no 8 de março (23 de fevereiro no calendário gregoriano) quando se em vários países do mundo se realizavam ações como parte dessa data, as mulheres russas deram início a uma greve e com ela o início de revolução Russa.
É como parte dessa trajetória de luta que estaremos nas ruas de todo o país, juntas com mulheres de todo o mundo, seguindo nossas ações para mudar a vida das mulheres para mudar o mundo. Isto, porque consideramos como nosso objetivo maior a igualdade em uma sociedade sem exploração de classe, sem racismo, sem opressão das mulheres, com respeito à diversidade da sexualidade e em harmonia com a natureza.

Marcha de Mulheres 2017

No Brasil nossa prioridade será a luta contra a reforma da previdência, por uma vida sem violência e que garanta a autonomia e a vida das mulheres.
Essa ação se articula com nossa luta contra o golpe e pela recuperação da democracia e de um projeto que avance na construção da igualdade em nosso país.
As mobilizações do 8 de março marcarão o início de nossa jornada de luta que seguirá com a greve da educação em 15 de março onde estaremos todas construindo uma grande paralisação nacional.
8 de março é organizado pelo movimento de mulheres, uma data em que como parte desse processo de auto-organização as manifestações são organizadas e dirigias pelas mulheres. Isso se expressa também no fato que, nesse dia, as vozes que ecoam nos discursos, nos jograis, nas músicas, nos gritos de luta e as mãos que dão o ritmo das batucadas são das mulheres. Mas ao mesmo tempo é parte e constrói uma luta que é do conjunto da classe trabalhadora e todos os setores oprimidos e marginalizados.
As ações das mulheres serão a expressão da diversidade e vozes feministas em nosso país:
  • Mulheres negras em resistência desde a escravidão colonial mas também construtoras e defensoras da vida da cultura, das práticas de solidariedade, da música, da poesia, da memória.
  • Das mulheres jovens que se insurgem irreverentes a todas expressões de opressão, que constroem no cotidiano experiências que buscam a igualdade com seus pares, como nas ocupações da escola e tantas outras.
  • Das mulheres camponesas, rurais, das aguas e das florestas, que resistem do mercado sobre seus territórios, suas vidas e seus corpos. E que nessa resistência constroem alternativas e elaboram propostas de outro modelo para a sociedade
  • As mulheres das cidades, sejam as que lutam nos sindicatos, as que estão nas periferias nos movimentos de moradia, na luta contra o genocídio da juventude negra, contra a violência e militarização de seus territórios, que denunciam e lutam contra o tráfico de mulheres, as máfias da prostituição e tantas outras lutas.
  • As deficientes que nos ensinam que o direito a autonomia para todas exige outra forma de organizar os espaços, outro modelo de mobilidade urbana, outras formas de comunicação e outras vez tantas outras lutas.
É como parte dessa grande jornada de lutas e mudanças que nesse 8 de março nossa voz ecoará por todos os cantos: Aposentadoria Fica, Temer sai! Diretas Já!
Fonte: Por Nalu Faria, coordenadora da SOF Sempreviva Organização Feminista e militante da Marcha Mundial das Mulheres, publicado em www.sof.org.br, 02/03/2017.

Confira a programação da celebração dos 60 anos da Arquidiocese de Maringá



Data: domingo, 12 de março de 2017
Local: Arena coberta do Parque de Exposições de Maringá.
Concentração: 13h30.

Das 14h50 às 15h20: Padre Zezinho (Palestra).
Das 15h30 às 16h entrada dos padroeiros de todas as paróquias da Arquidiocese de Maringá.
16h: Início da Santa Missa presidida por dom João Braz de Aviz – Cardeal Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica;
- Concelebrantes:
-        D. Giovanni D’Aniello – Núncio Apostólico no Brasil
-        D. Anuar Battisti – Arcebispo Metropolitano de Maringá;
-        D. Murilo Sebastião Ramos Krieger – Arcebispo Metropolitano de São Salvador da Bahia;
-        Senhores Arcebispos e Bispos do Regional Sul II da CNBB;
-        Presbíteros e Diáconos da Arquidiocese de Maringá;

Encerramento por volta das 18h.

Entrada e estacionamento gratuitos.  

Estacionamento geral: Entrada para carros Portão 1 da Avenida Guaiapó.
Entrada para ônibus: Portão 2 da Avenida Guaiapó.

Fonte: site da Arquidiocese de Maringá

03 março, 2017

O verdadeiro jejum é ajudar os outros!

“Não é este o jejum que escolhi: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, e romper todo tipo de sujeição? Não consiste talvez em dividir o pão com o faminto, deixar entrar em casa os pobres, os sem-teto, vestir o que está nu sem transcurar os próprios parentes? Pensemos nestas palavras, pensemos em nosso coração, como nós jejuamos, rezamos, damos esmolas. Nos ajudará também a pensar: o que sente um homem depois de um jantar, que custou 200 euros, por exemplo, e volta para casa, vê um faminto, não olha para ele e continua caminhando? Nos fará bem pensar nisso.”
Papa Francisco

01 março, 2017

CF2017: "Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida"


CEBs DO CEARÁ PROMOVE O CARNAVAL DA VIDA

É festa de Deus é festa do povo. Nesse ritmo de alegria,as comunidades do interior do Ceará promoveram nessa semana o encontro da vida. “VIDA EM COMUNIDADE”, colocando em prática o proverbio africano expressado por Dom Moacyr Grechi, na celebração de abertura do 11º INTERECLEISIAL (2009), “gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares não importantes, consegue mudanças extraordinárias”.

Assim a comunidade Arapuá (patrono São Francisco), na paróquia São Vicente Ferrer – Lavras da Mangabeira, Diocese de Crato, mais ou menos quinhentos quilômetros (500) de Fortaleza realiza à alegria de viver a vida. Promoveu um encontro com outras comunidades próxima para viver a fraternidade. Se fizeram presentes as comunidades de Maniçoba, Poço, Curralinho e Mocotó. Vivendo a experiência prática da proposta “Rede de Comunidades”.

O carnaval foi tempo de partilha, formação e mística. Nesse primeiro momento de carnaval (segunda – 27) aconteceu aprofundamento sobre a CF – 2017, “FRATERNIDADE: BIOMAS BRASILEIROS E DEFESA DA VIDA”. Tendo como primeiro momento conhecer os objetivos da Campanha, onde cada comunidade foi convidada a assumir os propósitos desses objetivos gerais e específicos.Tomar para si, a responsabilidade de cuidar do Bioma Caatinga.


As comunidades responderão o agir da Campanha, primeiro: conhecer o bioma onde vive, quais os problemas existentes, como aproveitar os dons criados por Deus e “cuidar da criação”. Cada comunidade promoverá já essa semana encontros de oração e abertura oficial da Campanha da Fraternidade 2017, com Vias Sacras e encontros de reflexão nas famílias.

O êxodo quaresmal é o caminho no qual a própria esperança se forma

O êxodo quaresmal é o caminho no qual a própria esperança se forma. É um caminho dificultoso, como é justo que seja, mas um caminho pleno de esperança. Como o percorrido por Maria, que em meio ás trevas da Paixão e Morte de seu Filho, continuou a crer em sua ressurreição, na vitória do amor de Deus”. 

Papa Francisco

Quarta-feira de Cinzas – Quaresma e Campanha da Fraternidade 2017

 Tem início hoje o tempo da quaresma com a quarta-feira de cinzas e em toda a Igreja do Brasil a Campanha da Fraternidade (CF) que traz como tema "Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida" e o lema cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15). A campanha alerta para o cuidado da Casa Comum, de modo especial dos biomas brasileiros. 

Na missa de quarta-feira de cinzas e durante o período da quaresma Jesus nos apresenta um programa de vida: oração, perdão, amor, jejum, caridade fraterna, penitência. Um convite para que cada pessoa faça - ver-julgar-agir de si mesma. Com a imposição das cinzas sobre a cabeça o apelo de Jesus: “convertei-vos e crede no Evangelho!”.

A Campanha da Fraternidade é realizada anualmente pela Igreja Católica, sempre no período da Quaresma. Seu objetivo é despertar a solidariedade dos seus fiéis e da sociedade em relação a um problema concreto que envolve a sociedade brasileira, buscando caminhos e solução. A cada ano é escolhido um tema, que define a realidade concreta a ser transformada, e um lema, que explicita em que direção se busca a transformação. A campanha é coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 

24 fevereiro, 2017

Triste....

Triste...

Uma liderança de minha paróquia, em um CPC de uma de nossas CEBs reagiu diante de uma proposta missionária apresentada para a CEB, dizendo mais ou menos assim:

- Não há necessidade de ficarmos indo até as pessoas, elas sabem que somos lideranças, e quando precisarem com certeza irá bater em nossas portas.

Que eu saiba não é orientação da paróquia.
Que eu saiba não é orientação da Arquidiocese de Maringá

Falou com autoridade, não sei de onde ela incorporou tal autoridade.

Eu acredito, que a  Igreja de Jesus Cristo é aquela que leva as seguidoras e seguidores de Jesus a irem ao encontro das pessoas, a exemplo de Jesus, que andava pelos povoados, nas casas, por onde pudessem fazer-se próximo para acolher e amar.

Papa Francisco insiste em nos ensinar que é triste o pastor que abre a porta da Igreja e fica ali, esperando.

O papa também nos ensina que para seguir Jesus é preciso trocar o sofá por um par de sapatos que ajude a caminhar, para ir ao encontro.


Trieste...

Anistia Internacional: livre direito à manifestação sofre retrocesso com Temer


Durante o segundo mandato de Dilma Rousseff, manifestantes vestidos de verde e amarelo praticamente não saíam das ruas, protestando contra seu governo. Foi só Michel Temer assumir que o livre direito à manifestação sofreu um grave retrocesso, segundo aponta o relatório da Anistia Internacional sobre 2016, divulgado hoje. Sob Temer, segundo a Anistia, houve “excessivo e desnecessário” uso da força em vários estados para dispersar manifestações contra o governo e a proposta de emenda constitucional (PEC 241/55) que restringe os gastos públicos.
“Estudantes ocuparam pacificamente cerca de mil escolas públicas no país para questionar a reforma da educação e os cortes de investimento propostos pelo governo. Em junho, na cidade do Rio de Janeiro, a polícia usou força excessiva e desnecessária para acabar com o protesto de estudantes no prédio da Secretaria de Educação”, diz o relatório, que aponta “políticas de ódio” como causadoras de um “revés histórico” nos direitos humanos em todo o continente americano.
“Estamos enfrentando um dos ataques mais estruturados contra os direitos humanos nas últimas décadas”, disse Erika Guevara-Rosas, diretora para as Américas da Anistia Internacional. “A retórica de ódio e anti-direitos permeou o discurso e as ações da maioria dos líderes políticos da região, colocando a segurança e a vida de milhões de pessoas em perigo. Partindo dos índices alarmantes de violência por parte das forças de segurança, até a crescente onda de ataques contra defensores dos direitos humanos, e a falta de medidas para deter a crise de refugiados, as Américas enfrentam um dos seus piores momentos quando se trata de direitos humanos e justiça.”

Democracia?

Além do ataque ao livre direito de manifestação, o relatório da Anistia Internacional mostra um retrocesso nos Direitos Humanos generalizado após a chegada de Temer ao governo. “O que vimos em 2016 foi o desmantelamento de estruturas institucionais e programas que garantiam a proteção a direitos previamente conquistados, além da omissão do Estado em relação a temas críticos, como a segurança pública”, afirmou a diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck. “Nenhuma crise pode ser usada como justificativa para a perda de direitos.”
Em 2016, ataques, ameaças e assassinatos de defensores de direitos humanos aumentaram em comparação a 2015, quando Dilma Rousseff ocupava a presidência. De acordo com o relatório, pelo menos 47 defensores foram mortos entre janeiro e setembro no Brasil, incluindo pequenos agricultores, camponeses, trabalhadores rurais, indígenas e quilombolas, pescadores e ribeirinhos, em sua luta pelo acesso à terras e recursos naturais.
A Anistia mostrou preocupação de que o retrocesso nos direitos humanos se aprofunde ainda mais, com o anúncio, pelo governo Temer, de diversas medidas e propostas que podem ter impacto sobre os direitos humanos, inclusive a PEC que limita os gastos governamentais durante os próximos vinte anos, e que pode ter efeitos negativos nos investimentos em educação, saúde e outras áreas.
“No Congresso, várias propostas que prejudicariam os direitos das mulheres, povos indígenas, crianças, e lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais (LGBTI) estavam em discussão. Em setembro, uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou mudanças no Estatuto da Família para definir família como a união entre um homem e uma mulher”, criticou o relatório.
Veja a seguir os principais alvos das críticas da Anistia Internacional ao Brasil:

SEGURANÇA PÚBLICA:

As taxas de homicídio e a violência armada continuaram altas no país todo. Segundo as estimativas, o número de vítimas de homicídios em 2015 era de 58 mil. 70% das vítimas morreram atingidas por arma de fogo. A maioria das vítimas é masculina, jovem e negra. As autoridades falharam em propor um plano para abordar a situação. Em setembro, o governo federal autorizou o envio das Forças Armadas para o Rio Grande do Norte para dar apoio à polícia, após vários dias de ataques de grupos criminosos a ônibus e prédios públicos. Pelo menos 85 pessoas foram detidas sob a alegação de terem participado dos ataques. Em 18 de novembro, sete homens foram mortos a tiros em Imperatriz no Maranhão, depois que um policial militar foi alvo de uma tentativa de roubo e agressão quando estava fora de serviço.

JOGOS OLÍMPICOS 2016:

As autoridades e organizadores dos Jogos Olímpicos 2016 não implantaram as medidas necessárias para evitar violações de direitos humanos pelas forças de segurança antes e durante o evento esportivo. Isso levou à repetição das violações já testemunhadas em outros grandes eventos esportivos realizados na cidade do Rio de Janeiro (os Jogos PanAmericanos em 2007 e a Copa do Mundo em 2014). Dezenas de milhares de militares e agentes de segurança foram deslocados para o Rio de Janeiro. O número de pessoas mortas pela polícia na cidade do Rio de Janeiro imediatamente antes dos Jogos, entre abril e junho, aumentou 103% em relação ao mesmo período de 2015. Os moradores relataram horas de tiroteios intensos e abusos contra os direitos humanos, como buscas domiciliares ilegais, ameaças e agressões físicas. A polícia admitiu ter matado pelo menos 12 pessoas durante os Jogos na cidade do Rio de Janeiro. Durante o trajeto da tocha olímpica por todo o país, protestos pacíficos em Angra dos Reis e Duque de Caxias, no Estado do Rio de Janeiro, foram reprimidos com uso excessivo e desnecessário da força pela polícia. Balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo foram usados indiscriminadamente contra manifestantes pacíficos e pessoas que passavam pelo local, inclusive crianças.

EXECUÇÕES EXTRAJUDICIAIS:

Os homicídios pela polícia continuaram numerosos e, em alguns estados, aumentaram. No estado do Rio de Janeiro, 811 pessoas foram mortas pela polícia entre janeiro e novembro. Houve relatos de diversas operações policiais que resultaram em mortes, a maioria delas em favelas. A maioria dos homicídios cometidos por policiais continuaram impunes.

CONDIÇÕES PRISIONAIS:

As prisões continuaram extremamente superlotadas, com relatos de tortura e outros maus-tratos. De acordo com o Ministério da Justiça, até o fim de 2015 o sistema prisional tinha uma população de mais de 620 mil pessoas, embora a capacidade total seja de aproximadamente 370 mil. Rebeliões de presos ocorreram pelo país. Em outubro, dez homens foram decapitados ou queimados vivos em Roraima, e oito morreram asfixiados numa cela durante um incêndio numa penitenciária em Rondônia. Em 8 de março, o Relator Especial da ONU para tortura relatou, entre outras coisas, as péssimas condições de vida e a ocorrência frequente de tortura e outros maus-tratos de presos por policiais e carcereiros no Brasil. Em setembro, um tribunal anulou o julgamento e as sentenças de 74 policiais pelo massacre no presídio de Carandiru em 1992, quando 111 homens foram mortos por policiais.

LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO:

O ano foi marcado por protestos majoritariamente pacíficos pelo país, sobre assuntos como o processo de impeachment, a reforma educacional, violência contra as mulheres, impactos negativos dos Jogos Olímpicos de 2016 e a redução de gastos públicos com saúde e educação. Com frequência, a resposta da polícia era violenta, com uso excessivo e desnecessário de força.

DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS:

Os processos de demarcação e titulação dos territórios de povos indígenas continuaram a progredir muito lentamente, apesar do prazo para isso ter terminado há 23 anos. Uma emenda constitucional (PEC 215) que permite aos legisladores bloquear as demarcações — vetando, assim, os direitos dos povos indígenas previstos pela Constituição e pelo direito internacional — 86 Anistia Internacional Informe 2016/17 está em discussão no Congresso. Houve tentativas de bloquer a demarcação de terras, em alguns casos, por grandes fazendeiros.

VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES E MENINAS:

Em maio, com o afastamento de Dilma, o governo federal interino extinguiu o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos e o reduziu a uma secretaria, parte do Ministério da Justiça, o que causou uma redução significativa dos recursos e programas dedicados a salvaguardar os direitos das mulheres e meninas. Uma série de estudos durante o ano mostrou que a violência letal contra mulheres aumentou 24% durante a década anterior e confirmou que o Brasil é um dos piores países da América Latina para se nascer menina.

Fonte: Cynara Menezes, www.socialistamorena.com.br.