04 janeiro, 2018

Paulo Apóstolo e a evangelização no mundo urbano - Por Tea Frigerio


Introdução

O ambiente nos forma. Foi assim com Paulo! Ele é pessoa de cidade: nasce em Tarso, forma-se em Jerusalém, passa sua vida sob o domínio de Roma, Damasco é fundamental na sua vida. Antioquia é sua comunidade de referência e onde começa sua missão de apóstolo; toda sua vida missionária se desenvolve nas cidades greco-romanas. Sua missão o levará às cidades da Ásia Menor e Grécia. É nessa itinerância que se declarará cidadão romano (At 22,25-29). Declaração que lhe merecerá terminar seus dias em Roma, capital do Império (At 28,16.30-31).




A cidade forma Paulo

As cidades formaram Paulo, nelas nasceu e se tornou homem adulto. Em Tarso, com o leite materno, bebeu à fonte do judaísmo da diáspora, no qual a fidelidade à lei judaica se colorava de filosofia e poesia grega; em Jerusalém, bebe à fonte do judaísmo rabínico fiel ao Deus da vida na formatação da Lei. Damasco o põe em xeque: o Deus que vê e ouve o clamor de seu povo, que se encarnou na história em Jesus de Nazaré, o crucificado e ressuscitado, vive na comunidade e se identifica com os crucificados da história.

A comunidade cristã multicultural de Antioquia o acolhe e envia às cidades onde urge anunciar a boa-nova de Jesus, o Cristo. Cidadão romano, conhece por dentro a estrutura opressora e excludente do Império e das cidades greco-romanas. Conhece sua força de irradiação e nelas vê o povo marginalizado e escravizado, então ousa abrir trilhas que saem do traçado, fiel ao Deus que ouve o clamor do povo, enxertando-se em Jesus de Nazaré, o Cristo, e anunciando a boa-nova da liberdade, igualdade e solidariedade.

“Eu vi, ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7) é a memória fundadora da fé israelita. Palavras evocativas do olho-d’água que deságua num rio que percorre toda a experiência do povo de Israel, dos profetas, de Jesus, de Paulo, das primeiras comunidades e que papa Francisco retoma hoje, indicando-nos o chão onde afundar nossas raízes, a seiva da qual beber.

Esta memória fundadora nascida na experiência do êxodo, mantida viva pelos profetas, deságua em Jesus Cristo. Jesus, fiel a ela, anunciou a boa-nova do Reino no mundo judaico, na Palestina, numa cultura onde predominava o pensamento rural; essa memória realiza-se no tempo e na história por meio daqueles e daquelas que se põem no caminho do discipulado. Entre eles se destaca Paulo, que experimenta seu chamado em continuidade à vocação profética e a vive anunciando a boa-notícia de Jesus no mundo greco-romano, eminentemente mundo da cultura de cidade.

Como Paulo se enxertou na utopia de Jesus de Nazaré?

Jesus passou 30 anos de sua vida em Nazaré, vila próxima das cidades de Cafarnaum e Séforis, compartilhando a vida do povo. Na Galileia, percebeu que a estrutura de dominação do império romano e a estrutura religiosa do judaísmo formal oficial haviam desintegrado e quebrado as relações da “casa”, as antigas relações de solidariedade no meio do povo. A memória histórica do êxodo, dos profetas, dos anawim, dos pobres, de Javé, que desce e caminha na história do povo, levou-o a deslocar-se da vila de Nazaré e percorrer os caminhos da Galileia, da Samaria, da Judeia, para reconstruir as relações da “casa”.

Desde o ventre da mãe, Jesus coloca-se a caminho, entra nas casas, senta à mesa e transforma e reconstrói as relações: econômicas, políticas, sociais, de classe, de gênero, étnicas, religiosas. Reconstruir a casa é apressar a vinda do reino de Deus ao meio dos pobres, os excluídos da história. Os discípulos de Emaús são o ícone das primeiras comunidades: caminho, casa, mesa, missão; neles vislumbramos a semente das CEBs.

O Movimento de Jesus é a continuidade desta utopia: reconstruir as relações na casa. Os pequenos “quadros” nos Atos dos Apóstolos (At 2,42-47; 4,32-35; 5,12-16) nos falam desta utopia, dos primeiros passos, das experiências ousadas, com seus acertos e desacertos, daqueles conhecidos como “os do Caminho”. Somente em Antioquia, capital da província romana da Síria, uma Roma em miniatura, é que terão sua identidade reconhecida e serão chamados de “cristãos”. É nesta comunidade eclética e circular que Paulo é acolhido e escolhido para fazer parte da equipe missionária (At 13,1ss).

No caminho de Damasco, Paulo penetra no mistério que lhe é revelado: “Quem és?” “Eu sou Jesus, a quem persegues”. Jesus, o crucificado, está vivo e identifica-se com a comunidade que Paulo persegue (At 9,5ss). Este compreende que o movimento do Caminho é continuidade, concretização histórica da memória profética de Javé libertador, da utopia de Jesus de Nazaré: reconstruir a “casa”. E, em sua itinerância, vai viver isso, vai fazer sua esta utopia, abrindo picadas, ousando inculturar.

Enxertando no mundo greco-romano a boa-nova da “casa”, torna-se “ekklesia”. A sua Nazaré será a periferia das cidades, o mundo do trabalho manual; sua opção é identificar-se com os últimos, como Jesus de Nazaré. Deste lugar social, anunciará o evangelho, que é de Deus, a boa notícia de Jesus, o Cristo (1Ts 2,1-7). Convoca a constituir a “ekklesia na casa de…”, alternativas à ekklesia das cidades. Em 1Cor 1,26-31, delineia o retrato dessa ekklesia alternativa: “entre vós não há muitos sábios… poderosos…, mas Deus escolheu o que não é para confundir o que é…”, retrato expresso magistralmente na profissão batismal de Gl 3,28: “Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus”.

A ekklesia era a assembleia da cidade onde as relações eram piramidais e marcadas pelo estatuto de cidadão, garantido pelo “status” de posse de bens, de nome, de saber; o poder era controlado por uma elite restrita, excluindo cidadãos não residentes, artesãos, trabalhadores manuais, mulheres e, naturalmente, os escravos. Na ekklesia, assembleia das comunidades, as relações são transformadas, são alternativas, vive-se a circularidade dos bens, do poder, do saber, dos afetos: ser cristão é ser membro do corpo de Cristo, comprometido em fazer circular a vida (1Cor 12,12ss), não se amoldar à lógica do mundo (Rm 12,2), proclamar a cidadania da liberdade, da igualdade, da solidariedade (Gl 5,1).

Comunidades na cidade

Missão é tarefa fundamental da Igreja: define-se em saída, enviada. Missão é a dimensão da Igreja que se abre para além de si mesma a fim de ser fermento no meio de outras culturas e religiões.

Paulo adota o sistema de itinerância e de apoio das casas, mas não quer depender das pessoas. Cria espécies de cooperativas de trabalhadores. Como ele era fabricante de tendas, reunia os tecelões e aí, trabalhando, pregava o evangelho: ou, se preferirmos, pregando o evangelho, trabalhava.

A cidade olha para o mundo, para a humanidade, para o transcendente, para a religião, com uma ótica totalmente diferente daquela do mundo rural. Paulo, marcado pelas cidades que o formaram, vive sua vocação numa continuidade profética, mas sua linguagem e suas opções se inserem no movimento apocalíptico com a finalidade de criar um universo de pensamento alternativo ao pensamento ideológico massificante romano. A profecia nasceu do lado do povo que se sentia responsável pela história. No momento em que o povo faz a experiência de ser uma pequena etnia em meios aos impérios “globalizados”, experimentando que a história foge ao seu controle, escapa de suas mãos, quando tudo parece perdido, a profecia renasce na apocalíptica. Não nasce do lado do poder, mas do lado de quem sofre na história e se sente perdido nela. Não nasce do lado de quem se sente dono dos destinos das nações e dos povos, mas do lado dos pequenos, que são privados de qualquer poder e são oprimidos por quem domina a história. Profecia e apocalíptica são expressão da fé em Javé, aquele que era, é e vem.

A fé apocalíptica anima a permanecer, a resistir na luta criando pensamentos e práticas alternativas. A fé em Deus, que continua sendo o Senhor da história, proporcionava aos que resistiam capacidade de ler a história. Com esta fé aparentemente irreal, sem fundamento, visionária, eles souberam resistir aos poderes que os ameaçavam, perseguiam e marginalizavam.

Quando a comunidade cristã surge no meio de um poder tão abrangente, nasce justamente como um grito de esperança. De uma esperança que é “escândalo” e “loucura” (1Cor 1,21-25), porque não corresponde à racionalidade do poder, mas surge como experiência da cruz. É uma racionalidade incompreensível para os poderes deste mundo (1Cor 2,2-8).

Que esperança tinha a comunidade cristã nascente de sobreviver, de impor sua existência, sua fé? “… para anunciar o evangelho sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a cruz de Cristo…”  (1Cor 1,7b-31).

Ao escrever isto, Paulo manifesta uma consciência lúcida: o que são? O que valem os da comunidade de Corinto na organização da pólis, na estrutura massificante do Império? Eles são um nada, seja numericamente, seja qualitativamente; eles não têm nenhum poder. Crer nas comunidades era “loucura” e “escândalo”. Mas é nesse universo ideológico radicalmente diferente que Paulo aposta.

Para os cristãos de Tessalônica e seus irmãos da região, que sentido tinham suas lutas, padecimentos, mortes? A eles Paulo escreve: “Empenhai a vossa honra em levar uma vida tranquila, ocupai-vos dos vossos negócios e trabalhai com as vossas mãos, conforme as nossas diretrizes. Assim levareis uma vida honrada aos olhos de fora e não tereis necessidade de ninguém” (1Ts 4,10–5,11).

Palavras que fogem à ideologia imperante e por isso se colocam em outro universo ideológico com a finalidade de alimentar a utopia, através da esperança. Esperança se transforma em identidade: “nós que cremos”. O universo ideológico, a fé alternativa, gera reconhecimento, união, força para resistir aos de “fora”, que proclamam uma “paz, segurança”, ilusória.

Quem é “crente”? Qual é a identidade que querem manter? No mundo que despreza o trabalho manual, o povo da roça, e só preza os sábios, os espirituais, os cidadãos, Paulo estimula os tessalonicenses a viver orientados por outros valores, outras estruturas, outras utopias.

São esses pensamentos, reflexões, perguntas que fazem nossa cabeça fervilhar.

Fervilhar como a cabeça de Paulo devia fervilhar, ao escrever a carta aos Gálatas. Como devia fervilhar quando lhe relataram as divisões presentes na comunidade de Corinto. Como devia fervilhar ao olhar a atitude passiva dos cristãos de Tessalônica que esperavam a volta iminente de Jesus, o Senhor. Como devia fervilhar para encontrar as palavras certas para escrever a Filemon. Como devia fervilhar diante da escravidão e exclusão, marcas registradas do império romano. Como devia fervilhar quando deu voz ao gemido da criação cativa. Como devia fervilhar ao refletir a respeito da experiência de liberdade que vivia após o acontecimento de Damasco. Como devia fervilhar ao se interrogar sobre os passos a serem dados para que outros, outras, pudessem viver essa experiência tornando-se igreja, assembleia, casa, comunidade, espaço de relações alternativas.

Talvez o que nos falta hoje é justamente nos deixar desafiar, deixar borbulhar perguntas, deixar a cabeça fervilhar, nos permitir sair do traçado. Como Paulo ousou sair do traçado.

A novidade cristã

Sair do traçado é o que Paulo fez. Sair do traçado judaico. Sair do traçado de cidadão romano. Sair do traçado dos critérios apostólicos. Sair do traçado e abrir picada, abrir caminho novo. Sair do traçado e deixar-se guiar pela força da Palavra, pela força do Espírito, pela força dos acontecimentos.

Sair do traçado e, com seu anúncio, provocar experiências humanas e comunitárias inéditas para seu tempo. Num mundo onde tudo falava de escravidão, Paulo, com ousadia, anuncia o evangelho da liberdade: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1.13). Em face da escravidão, que tornava as pessoas ferramentas animadas, a elas devolve dignidade e exige uma nova relação, “não mais como escravo, mas como irmão amado” (Fm 16). Diante da estrutura escravagista, patriarcal, que relegava cada pessoa a uma categoria social, numa pirâmide estratificada e imutável, ele ousa propor relações de amor e solidariedade (1Ts 4,9-10). À escravidão religiosa que amarrava a práticas exteriores, que erguia muros de separação, que tornava a experiência espiritual uma prisão, ele contrapõe a relação filial (Rm 8,15). Ao patriarcado que fazia das mulheres cidadãs de segunda categoria, considerando-as menores e mantendo-as sob a jurisdição do “pai de família”, do marido, ele escreve: “A mulher não dispõe de seu corpo; mas é o marido quem dispõe. Do mesmo modo, o marido não dispõe de seu corpo; mas é a mulher quem dispõe” (1Cor 7,4). Ele as apresenta, portanto, como suas colaboradoras, reconhece sua autoridade e direito de profetizar (Rm 16,1ss; 1Cor 11,5a).

Paulo ousa falar de liberdade, pois a experiência que ele estava vivendo era de profunda liberdade (1Cor 9,1.19). Experiência de liberdade que o torna capaz de ler seu momento histórico, que lhe faz intuir e traçar o caminho: criar uma linguagem, um pensar, uma ideologia, um crer alternativo ao sistema vigente; que o torna ousado, capaz de traduzir a boa notícia nascida num mundo rural para o mundo da cidade; capaz de inculturar a boa-nova do Reino, enraizada na religião judaica, num mundo pluricultural e plurirreligioso; capaz de colocar em xeque a circuncisão; capaz de fazer sentar à mesma mesa judeus e gregos.

Experiência de liberdade que marcou seu caminho missionário, que o tornou ousado na escolha dos itinerários, que o tornou destemido, sem medo de ser abandonado, criticado, combatido, acusado, que o tornou capaz de amar profundamente seu povo de origem, até largá-lo e voltar-se para outro povo, a fim apontar e seguir os caminhos do Espírito.

Liberdade, palavra badalada em todos os tempos. Em nosso tempo, essa palavra se colore de direitos pessoais e cidadania. Valores que são faces da mesma moeda, mas, na cidade, frequentemente se tornam conflituosos. Quanto mais cresce a consciência da dignidade do ser humano e seus direitos, mais aumenta o valor de cada pessoa; proporcionalmente, parecem fortalecer-se as estruturas e os mecanismos que negam na prática os valores democráticos e os direitos que as lutas conquistaram.

A liberdade, a caridade, o poder-serviço questionam as estruturas do mal. Não podemos fugir do poder: o poder é, nós somos poder. Não há como escapar: viver é poder. A questão está ligada ao exercício do poder: com autoritarismo ou participação; concentrando ou partilhando; dominando ou servindo; impondo ou buscando consenso. O serviço é o jeito cristão de exercer o poder: “Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2,5).

Ao falar de liberdade, de dignidade, de poder, estamos tocando o coração da pessoa humana; estamos tocando a convivência humana, convivência que hoje se expressa prioritariamente no mundo urbano.

Afirmar isso é provocar perguntas, questionamentos: Por que em nossas igrejas temos tanto medo de viver experiências de cidadania? Por que nossas igrejas falam tanto de democracia, mas têm medo das experiências de partilha de poder? Por que, em nossas igrejas, há competição pelo poder, e não pelo serviço? Assumir isso é assumir que a boa notícia do Reino tem dimensão política que nos compromete nas mudanças históricas. Aponta-nos o lugar social de onde o novo deve brotar. Indica aqueles que devem ser os protagonistas do processo.

A cidade, no processo migratório que expulsou a população do campo, tornou-se “terra prometida”. Terra que nunca foi ocupada, porque nela a maioria vive à margem, e não só geograficamente. Isso interroga e desafia. As CEBs conseguirão, através de sua fé e prática, tornar a cidade espaço habitável? Conseguirão criar espaços alternativos, “casa” para os que não têm casa? Conseguirão oferecer espaço de inclusão, direitos e cidadania? Conseguirão superar a tentação de fechamento e aceitar parcerias, conviver com o diferente e somar na rede que se articula em favor da vida?

Que é loucura? Que é escândalo?

A boa-nova de Jesus, inculturada pela experiência paulina nas cidades gregas, torna-se a boa-nova da cidadania, boa-nova da liberdade, da solidariedade, da igualdade, da inclusão. Mas, para seguir este caminho, temos de olhar a cruz.

Cruz é um discurso complicado: fala de opressão, escravidão, dominação. Cruz é realidade negativa. Então por que a cruz, realidade negativa, tornou-se boa notícia? O fundamento desta transformação revela-se na cruz de Cristo. Em Jesus de Nazaré, a cruz torna-se boa notícia.

As comunidades na periferia do mundo greco-romano acolhem os crucificados e as crucificadas pelas estruturas. Acolhendo, vão ensaiando relações novas, abrindo espaços alternativos em face do sistema da sinagoga e das cidades greco-romanas. Em face do sistema da sinagoga, porque não obedecem às “normas”, porque negam o controle da Lei, porque obedecem ao Espírito, e não à carne, porque fazem ruir os muros de separação. Em face do sistema greco-romano, porque fogem do clientelismo, da “casa” regida por pessoa de renome que desfrutava do poder de conferir aos de sua convivência maior brilho e prestígio. Fogem do “apadrinhamento”, baseado no dinheiro, que sustentava a dependência e a estratificação social.

A cruz revela o totalmente diferente: aponta o caminho que convida a assumir a vida como cruz a ser resgatada. Assumir a vida como cruz não significa passividade, resignação, e sim empenho para eliminar as cruzes criadas pelos sistemas globalizantes e excludentes. Jesus não garante fazer as coisas em nosso lugar; garante ficar conosco: Eu sou aquele que sou, Emanuel, Jesus, o Cristo.

O que Paulo conclui, ao olhar o Cristo crucificado?

a) “Os fracos no mundo” são a verdadeira força no mundo. Força real do mundo, pois, com seu trabalho, sustentam o mundo (1Cor 1,26ss).
b) “Sabedoria” é palavra na vida. Quem tem a autêntica sabedoria? Quem tem vida autêntica? Lá embaixo, nos porões da humanidade, há um pulular de vida. Então lá onde a vida é pisada, lá a palavra fala mais forte (1Cor 1,29s).
O que Paulo percebe, ao olhar para
as comunidades dos crucificados?
a) “Os povos podem unir-se”: caiu o muro de separação que apartava os judeus dos gentios; eles estão sentados ao redor da mesma mesa, partindo o mesmo pão, sonhando as mesmas utopias (Ef 2,14).
b) “As pessoas convivem”: a estratificação social é quebrada pelas relações novas entre homem e mulher, entre escravo e livre, entre judeu e grego (Gl 3,28). Quando os cristãos comem em mesas separadas, é um escândalo (1Cor 11,17ss; Gl 2,11-14).
c) “O poder se torna serviço, torna-se entrega”: a experiência da fraqueza elimina as atitudes de imposição e alimenta atitudes de entrega amorosa, de serviço no oferecimento da própria vida. O centro não é mais o eu, mas o irmão, a irmã (1Cor 2,1-5).
O que Paulo vislumbra, olhando para as comunidades que congregam os fracos da história?

“Espaço alternativo, experiência nova de dignidade humana.” Vislumbra que é na cruz que se revela a ressurreição. Os crucificados são a revelação mais forte de Deus, pois a comunidade, construindo-se a partir dos excluídos, fala do poder de vida, de ressurreição. Ao ensaiar novas relações, a comunidade pode afirmar: “A morte foi absorvida na vitória. Morte, onde está tua vitória? Morte, onde está teu aguilhão? Graças se rendam a Deus, que nos dá vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (1Cor 15,54-56).

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Bibliografia

TAMEZ, Elza. Contra toda condenação: a justificação pela fé, partindo dos excluídos. São Paulo: Paulus, 1995.

Texto-Base do 14º Intereclesial – CEBs e os desafios do mundo urbano. Disponível em: .Acesso em: 10 jul. 2017.

Texto reflexão para Assembleia do CEBI. Disponível em: . Acesso em: 24 jul. 2017.

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Tea Frigerio

Tea Frigerio é Missionária de Maria – Xaveriana. Vive em Belém do Pará, é assessora do CEBI e assessora nacional das CEBs. Mestre em Ciência da Religião pela Universidade Gregoriana, Roma; mestre em assessoria bíblica pela Universidade EST, São Leopoldo. 

Para refletir


“Para falar de esperança a quem está desesperado, é preciso compartilhar o seu desespero; para enxugar as lágrimas do rosto de quem sofre, é preciso unir o nosso pranto ao seu. Só assim podem as nossas palavras ser realmente capazes de dar um pouco de esperança”.

Papa Francisco

Oração


Senhor Jesus, ensina-me a ser teu discípulo, a procurar onde moras a permanecer aí Contigo. Os teus apóstolos mostram-me quão importante é estar Contigo, permanecer em Ti. Tu mesmo ensinas ao rezar: «Tu em Mim e Eu neles…» (cf. Jo 17). Essa é a tua habitação! Mas para habitar Contigo é preciso seguir-Te. Seguir-Te é já habitar Contigo, é o caminho para a habitação definitiva. Habitar Contigo na pobreza e na humildade, habitar Contigo na justiça, habitar Contigo na misericórdia… Senhor Jesus, quero habitar Contigo, permanecer em Ti, não só na oração, mas também em todas as outras actividades do meu dia. Quero permanecer em Ti onde quer que te encontres: na alegria ou no sofrimento, no trabalho ou na inactividade. Quero permanecer em ti em cada momento, porque em Ti encontro o amor, a alegria e a paz. Amém.

Fonte: Dehonianos

03 janeiro, 2018

14ºIntereclesial de CEBs: TUDO ESTÁ PREPARADO. VENHAM PARA A FESTA! Dom Geremias Steinmetz

14º Intereclesial de CEBs acontecerá entre os dias 23 a 27 de janeiro de 2018, terá aproximadamente 3300 participantes de todo o Brasil. Mais ou menos Cerca de 100 indígenas - duas delegações Internacionais.



O texto que segue é de Dom Geremias Steinmetz, publicado no site das CEBs do Brasil, 02/01/2018.

Segue texto:

“Que os desafios no mundo urbano não sejam motivos de desânimos, mas de unidade e luta por justiça e igualdade.” Dom Geremias Steinmetz

Já está muito perto o esperado 14º Intereclesial de CEBs. As reflexões sobre as “CEBs e os desafios no mundo urbano” vão tomando corpo pouco a pouco. O lema “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7) já ilumina a vida e a espiritualidade de milhares de pessoas que, esperamos, cresça ainda mais.

A Arquidiocese de Londrina espera a todos com alegria e satisfação. As comunidades , com suas famílias acolhedoras esperam ansiosamente a chegada de todos. As muitas Equipes de Trabalho se preparam há vários meses para que tudo aconteça dentro do previsto e da necessidade de tão majestoso encontro.  O Secretariado pensou em tudo com muito carinho. Está tudo preparado!

Quero, também eu, dar-lhes as boas- vindas. É uma enorme alegria acolher a todos e todas  aqui em Londrina, cidades e comunidades vizinhas. Desejo que a vossa preparação também seja intensa e que a realização do 14º Intereclesial consiga corresponder à enorme expectativa que foi criada ao redor dele.

Aqui as Santas Missões Populares com seus retiros, Semanas Missionárias, celebrações de abertura e encerramento, prepararam a todos para darmos o melhor. As muitas reuniões de planejamento se esforçaram por dar o justo tom a cada detalhe. Agora esperamos no silêncio e na torcida para que todos cheguem bem e felizes e se sintam “em casa” entre nós. No abraço que lhes daremos na chegada queremos lembrar o abraço que Deus continua dando em seu povo para animá-lo na luta. Aproveitamos para desejar um Feliz e Santo Natal e o ano de 2018 próspero com as mais reais esperanças.

Sejam todos bem vindos!
                                                                                             

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo Anfitrião do Intereclesial

01 janeiro, 2018

Genivaldo Ubinge - Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)







Genivaldo Ubinge - Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

Visita a a Diocese de Guajará-Mirim em Rondônia, “Igreja Irmã” da Arquidiocese de Maringá, dentro do projeto “Igrejas Irmãs”, da CNBB.












29 dezembro, 2017


Oraçao


Senhor Jesus, a tua vida escondida, e confundida com a da gente comum, é para nós um exemplo de simplicidade e de pobreza. Como qualquer primogénito do teu povo, quiseste ser apresentado ao templo e oferecido a Deus, para cumprires a Lei. Fizeste-te reconhecer como Salvador universal por Simeão, um homem justo e aberto à novidade do Espírito. É aos simples e aos humildes que Te costumas revelar, e não aos sábios e orgulhosos.

Nós Te pedimos que, apesar da nossa miséria e da nossa incapacidade em nos darmos conta da passagem do teu Espírito na nossa vida, nos dês a graça de Te reconhecermos como nossa luz e como luz do mundo.

Nós Te louvamos e bendizemos, com o velho Simeão, pela realização das tuas promessas. Ajuda-nos a viver tudo quanto nos ensinaste, especialmente o amor fraterno. E que toda a nossa vida seja oblação ao Pai, em favor da humanidade, pela qual Tu próprio Te ofereceste. Amém.

Fonte: Dehonianos

Dom Helder, patrono brasileiro dos direitos humanos



Dom Helder, patrono brasileiro dos direitos humanos

Ícone da resistência contra a ditadura militar, falecido em 1999, Dom Helder foi um dos expoentes católicos daquela época na luta em benefício de melhores condições de vida para os mais pobres.

Cristiane Murray – Cidade do Vaticano

Dom Helder Câmara é Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos. A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, quarta-feira (27/12), o Projeto de Lei 7230/14 e o texto foi publicado no Diário Oficial da União. A matéria segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em caráter conclusivo.

Motivação

O patrono de determinada categoria ou ramo da ciência e do conhecimento é aquele cuja atuação serve de paradigma e inspiração a seus pares.

Ícone da resistência contra a ditadura militar enquanto arcebispo de Olinda e Recife, falecido em 1999, Dom Helder foi um dos expoentes católicos daquela época que lutou em benefício de melhores condições de vida para os mais pobres.  

Trajetória

Na  década de 50, fundou obras sociais como a Cruzada São Sebastião, cujo objetivo era atender aos moradores das favelas, e o Banco da Providência, que organizava doações e microcrédito para as famílias de baixa renda.

Dom Helder exerceu ainda funções na Secretaria de Educação do Rio de Janeiro e no Conselho Nacional de Educação. Foi também um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e por sua trajetória, reconhecida internacionalmente, foi o único brasileiro cotado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz.

Em seus mais de 20 livros publicados – boa parte traduzida para outros idiomas –, Dom Helder defendeu ainda o seu ideal de “não-violência” e a necessidade de profundas reformas por um Brasil menos desigual. 

Pagou um alto preço por sua atuação em favor dos pobres 

O combate às violações de direitos humanos custou ao arcebispo uma perda pessoal: em 1969, o assessor de Dom Hélder, o Padre Henrique, foi preso e torturado até a morte pelos militares.

O local onde Dom Helder passou os últimos anos de vida, nos fundos da Igreja de Nossa Senhora da Assunção das Fronteiras, no Recife, foi transformado em museu. No Memorial Dom Helder Câmara, estão expostos objetos como livros, quadros, roupas e móveis de uso pessoal do arcebispo. 

O processo de beatificação de Dom Helder começou em maio de 2015 e se encontra na fase diocesana, na qual uma série de documentos, escritos de sua autoria e apanhados históricos são analisados.  Em seguida, tramita para o Vaticano, onde será nomeado um relator. 

Fonte: Vatican News

28 dezembro, 2017

Oração


"Senhor Jesus, que por nós Te fizeste homem, que por nós morreste e ressuscitaste, Tu és o nosso único advogado junto do Pai quando pecamos e nos afastamos de Ti. Muitas vezes quebramos a Aliança contigo, e outras tantas a restabeleceste, sem Te cansar, manifestando a riqueza da tua bondade e do teu perdão. Não deixes de ser o nosso defensor. Sê também o defensor da nossa humanidade que massacra tantos inocentes, crianças, jovens, adultos e idosos, homens e mulheres.

Tu, que experimentaste a situação dos refugiados, tem compaixão dos milhões de homens e mulheres que, ainda nos nossos dias, têm que abandonar as suas terras, os seus países, para escaparam às diferentes formas de perseguição, às guerras, aos massacres, aos genocídios.

Pela tua Incarnação, pela tua Morte e Ressurreição, concede ao nosso mundo a graça de encontrar o caminho da justiça e da paz. Amém."

Fonte: Dehonianos

Salmo - Sl 123(124),2-3.4-5.7b-8 (R. 7a)


R. Nossa alma como um pássaro escapou
do laço que lhe armara o caçador.

2Se o Senhor não estivesse ao nosso lado, *
quando os homens investiram contra nós, 
3com certeza nos teriam devorado *
no furor de sua ira contra nós.R.


4Então as águas nos teriam submergido, *
a correnteza nos teria arrastado,
5e então, por sobre nós teriam passado *
essas águas sempre mais impetuosas.R.

7bO laço arrebentou-se de repente, *
e assim nós conseguimos libertar-nos.
8O nosso auxílio está no nome do Senhor, *
do Senhor que fez o céu e fez a terra!R.

27 dezembro, 2017

“O neoliberalismo é uma perversão da economia dominante”. Artigo de Dani Rodrick

“Os neoliberais certamente não estão errados quando argumentam que esses ideais preciosos são mais propensos a ser alcançados em uma economia vibrante, forte e em expansão. No entanto, eles se enganam quando pensam que existe uma receita única e universal para melhorar o desempenho econômico, à qual eles teriam acesso. O erro fatal do neoliberalismo é que ele se engana sobre o que é a economia em si. Este deve ser rejeitado em seus próprios termos pela simples e boa razão de que é uma economia ruim”. A reflexão é de Dani Rodrik, professor de economia política internacional naEscola de Governo John F. Kennedy na Universidade de Harvard, em artigo publicado por Alternatives Économiques, 12-12-2017. A tradução é de André Langer.


Eis o artigo.

Mesmo os críticos mais contumazes reconhecem: é difícil definir o neoliberalismo. Em geral, este termo sugere uma preferência pelos mercados e não pelo Estado, pelos incentivos econômicos, em vez das normas culturais, e pelas empresas privadas em detrimento da ação coletiva. De Augusto Pinochet a Margaret Thatcher ou Ronald Reagan, dos democratas estadunidenses ao novo Partido Trabalhista britânico, da abertura econômica chinesa até a reforma do Estado-providência na Suécia, a palavra tem sido usada para descrever uma grande variedade de situações.

Assim, a palavra “neoliberalismo” é usada como um coringa que qualifica qualquer coisa relativa à desregulamentação, à liberalização, à privatização ou à austeridade fiscal. Hoje, ele é rotineiramente difamado e equiparado a todas as ideias e práticas que contribuíram para o aumento da insegurança econômica e das desigualdades, o que nos levou à perda de nossos valores e de nossos ideais políticos e, finalmente, precipitou o surgimento de movimentos populistas.

Onde estão os neoliberais?

Aparentemente, nós vivemos na era do neoliberalismo. Mas quem são, no final das contas, os seguidores e os disseminadores dessa corrente de pensamento – os próprios neoliberais? Curiosamente, teríamos que voltar quase ao início dos anos 1980 para encontrar alguém que tenha abraçado explicitamente o neoliberalismo. Em 1982, Charles Peters – que durante muitos anos dirigiu a revista política Washington Monthly – publicou um “Manifesto Neoliberal”, que constitui ainda hoje, passados 35 anos, uma leitura interessante, pois o neoliberalismo que ele descreve tem pouca semelhança com o alvo de escárnio de hoje. De acordo com Peters, os políticos que encarnam o movimento neoliberal não seriam semelhantes a Thatcher ou Reagan, mas liberais – no sentido estadunidense da palavra – que, após se decepcionarem com os sindicatos e a onipresença dos governos centrais, abandonaram seus preconceitos contra os mercados.

O uso do termo “neoliberal” explodiu na década de 1990, quando foi associado a dois fenômenos, nenhum dos quais foi mencionado no artigo de Peters. O primeiro deles é a desregulamentação financeira, que culminaria na crise financeira de 2008 e na ainda atormentada fragilidade da zona do euro. O segundo fenômeno é a mundialização econômica, que se acelerou graças à livre circulação de capitais e a um novo e mais ambicioso tipo de acordos comerciais. A financeirização e a globalização tornaram-se as manifestações mais visíveis do neoliberalismo no mundo de hoje.

Entre ciência e ideologia

O fato de que o neoliberalismo é um conceito escorregadio e maleável e que não dispõe de um lobby explícito de defensores, não significa que seja insignificante ou irreal. Quem pode, com efeito, contestar que o mundo não experimentou uma mudança decisiva em relação aos mercados desde a década de 1980? Ou o fato de que os políticos de centro-esquerda – os democratas nos Estados Unidos, os socialistas e os social-democratas na Europa – abraçaram com entusiasmo alguns dos credos centrais do thatcherismo ou do reaganismo, como a desregulamentação, a privatização, a liberalização financeira ou a iniciativa privada? Grande parte das nossas discussões políticas contemporâneas está imbuída de princípios baseados no conceito de homo œconomicus, um ser humano perfeitamente racional que procura maximizar o interesse próprio e que constitui um elemento central de muitas teorias econômicas.

Mas a elasticidade do termo “neoliberalismo” também significa que as críticas que são direcionadas a essa corrente econômica erram muitas vezes o alvo. Não há nada de errado nos mercados, na iniciativa ou na empresa privada quando esses princípios são aplicados adequadamente. As conquistas econômicas mais importantes do nosso tempo também resultaram do uso judicioso desses últimos. E ao esquivar o neoliberalismo, corremos o risco de privar-nos de algumas de suas ideias úteis.

O verdadeiro problema é que a economia mainstream cai muito facilmente na ideologia, restringindo as escolhas que parece oferecer-nos e fornecendo soluções de “cortador de biscoitos”. Uma compreensão adequada dos fenômenos econômicos que fundamentam o neoliberalismo nos permitiria identificar a ideologia e rejeitá-la quando se disfarçasse de ciência econômica. Finalmente – e isso certamente é o mais importante –, isso nos ajudaria a enriquecer a imaginação institucional que precisamos desesperadamente para reconstruir o capitalismo do século XXI.

Experiência de pensamento

Nós pensamos, de modo geral, o neoliberalismo como a soma de princípios chaves da ciência econômica dominante. Para poder estudar estes princípios sem ideologia, considere uma experiência de pensamento.

Suponhamos que um economista bem conhecido e muito respeitado desembarca pela primeira vez em um país, sobre o qual não sabe nada. Ele é convocado para participar de um encontro com os líderes políticos do país em questão. “Nosso país está com sérios problemas”, disseram-lhe então. “A economia está estagnada, o investimento é baixo e não há perspectivas de crescimento à vista”. Os líderes se voltam para ele, cheios de esperança: “Diga-nos qual é o caminho para que a nossa economia volte a crescer”.

O economista reconhece sua ignorância e explica que seu pouco conhecimento sobre a economia do país o impede de fazer qualquer recomendação. Ele precisaria estudar a história da economia, analisar dados estatísticos e viajar pelo país antes de poder dizer qualquer coisa.

Mas seus anfitriões insistem: “Nós entendemos sua reticência, e gostaríamos que tivesse tido tempo para tudo isso”, dizem eles. “Mas a economia não é uma ciência, e você não é um dos seus praticantes mais proeminentes? Mesmo que você não conheça muito bem a nossa economia, certamente há algumas teorias gerais e algumas diretrizes que nos ajudariam a orientar as nossas políticas econômicas e as reformas que queremos implementar”.

O economista encontra-se num impasse. Por um lado, ele não quer imitar esses gurus econômicos que há muito criticou por venderem seus conselhos políticos favoritos. Mas ele se sente desafiado por esta questão. Existem verdades universais na economia? Ele pode dizer algo válido (e possivelmente útil)?

Que princípios?

Então ele começa a sua exposição. A eficiência com que os recursos de uma economia são alocados é um determinante crucial do desempenho dessa economia, diz ele. A eficiência exige, por sua vez, alinhar os incentivos domésticos e das empresas com os custos e os benefícios sociais. Os incentivos aos empresários, investidores e produtores são particularmente importantes para o crescimento econômico. O crescimento precisa de um sistema bem-sucedido de direitos de propriedade e execução de contratos capaz de garantir que os investidores mantenham os retornos de seus investimentos. Finalmente, a economia deve estar aberta a ideias e inovações do resto do mundo.

Mas um período de instabilidade macroeconômica pode descarrilar a economia, prossegue o nosso economista visitante. Os governos devem, portanto, conduzir uma política monetária rigorosa, o que significa restringir o crescimento da liquidez ao aumento da procura monetária nominal até um nível razoável de inflação. Eles devem garantir a sustentabilidade das finanças públicas, de modo que a dívida pública não exceda a renda nacional. E devem realizar uma regulamentação prudencial dos bancos e outras instituições financeiras para evitar que o sistema financeiro como um todo se aproxime de riscos excessivos.

Na sequência, o economista aborda um tema que lhe é caro: “A economia não se restringe apenas à eficiência e ao crescimento”, acrescenta. Os princípios econômicos também incluem questões de política social e de equidade. A economia tem, certamente, pouco a dizer sobre o nível de redistribuição que uma sociedade deve buscar. Mas defende que a base tributária deve ser a mais ampla possível e que os programas sociais devem ser concebidos de forma a não encorajar os trabalhadores a abandonarem o mercado de trabalho.

No momento em que o economista termina sua apresentação, parece que ele estabeleceu uma verdadeira agenda neoliberal. Um ouvinte crítico, da plateia, reconhecerá uma série de “palavras-chave”: eficiência, incentivos, direitos de propriedade, política monetária saudável, prudência fiscal e financeira. No entanto, os princípios universais que o economista acabou de descrever são muito vagamente definidos: eles presumem uma economia capitalista – em que as decisões de investimento são feitas por agentes e corporações privadas – mas não muito além disso. Na realidade, eles admitem – e até mesmo requerem – uma incrível variedade de arranjos institucionais.

Então, o economista acabou de fazer uma análise neoliberal? Nós nos enganaríamos acreditando nisso; nosso erro consistiria em associar cada termo abstrato – incentivos, direitos de propriedade, política monetária sólida – com uma contrapartida institucional predeterminada. E nisso reside a reivindicação central e o principal erro do neoliberalismo: a crença de que os princípios econômicos de primeira ordem correspondem a um único conjunto de políticas, próximo de uma agenda ao estilo de Thatcher ou de Reagan.

Tomemos os direitos de propriedade. Eles são importantes porque permitem a distribuição dos retornos sobre os investimentos. Um sistema ideal conferiria os direitos de propriedade àqueles que fariam o melhor uso possível de seus ativos, e ofereceria, ao contrário, uma proteção contra aqueles que correm o risco de se apropriar de todos os benefícios. Assim, os direitos de propriedade são benéficos quando protegem os inovadores de passageiros clandestinos, mas são prejudiciais quando os protegem da concorrência. Dependendo do contexto, um regime jurídico que fornece os incentivos adequados pode ser bastante diferente do regime padrão de direitos de propriedade privada ao estilo estadunidense.

“Neoliberalismo” ao estilo chinês?

Isso pode parecer um parêntese semântico sem nenhum interesse prático. Mas o espetacular sucesso econômico da China deve-se em grande parte ao seu processo institucional que desafia toda a ortodoxia. A China voltou-se para os mercados, mas não copiou as práticas ocidentais de direitos de propriedade. As reformas realizadas no país produziram incentivos baseados no mercado através de uma série de novos arranjos institucionais mais adaptados ao contexto local.

Ao invés de passar diretamente da propriedade estatal para a propriedade privada, por exemplo, o que teria sido limitado em todos os casos pela fraqueza das instituições, o país passou a se apoiar sobre formas mistas de propriedade. Isso provou fornecer aos empresários direitos de propriedade mais eficazes. O Township and Village Enterprises (Programa de Empresas de Municípios e de Aldeias), que liderou o crescimento chinês na década de 1980, era de propriedade coletiva e controlado pelos governos locais. Embora essas empresas pertencessem ao Estado, os empresários receberam a proteção contra o risco de expropriação de que precisavam. Os governos locais estavam diretamente interessados nos lucros das empresas e, portanto, não tinham motivos para matar essas galinhas de ovos de ouro.

China usou uma variedade dessas inovações; cada uma traduzindo os princípios econômicos de primeira classe para arranjos institucionais incomuns. As reformas chinesas ajudaram a proteger o setor público chinês da concorrência global ao estabelecer zonas em que as empresas estrangeiras poderiam seguir regras diferentes do resto da economia. Em vista desses desvios dos padrões ortodoxos, qualificar as reformas chinesas como neoliberais – como alguns críticos estão inclinados a fazer – distorce a realidade em vez de esclarecê-la. Se nós quiséssemos chamar isso de neoliberalismo, certamente deveríamos ser mais indulgentes com as ideias que subjazem à mais espetacular redução da pobreza na história.

Alguns podem retorquir dizendo que as inovações institucionais chinesas são puramente transitórias: o país, talvez, tenha que convergir para um modelo de instituições ocidentais para apoiar o seu crescimento econômico. Mas essa maneira de pensar negligencia a diversidade dos arranjos capitalistas que ainda prevalecem nas economias avançadas, apesar da relativa homogeneidade de nossos discursos políticos.

Um roteiro vazio

O que são, afinal, as instituições ocidentais? O peso do setor público varia muito nos países da OCDE, de um terço do PIB na Coreia do Sul para quase 60% na Finlândia. Na Islândia, 86% dos trabalhadores são membros de uma organização sindical, em comparação com apenas 16% na Suíça. Nos Estados Unidos, as empresas podem demitir trabalhadores quase à vontade, enquanto a legislação trabalhista francesa sempre impôs aos empregadores várias etapas preliminares. Os mercados de ações representam hoje quase uma vez e meia o PIB dos Estados Unidos, ao passo que na Alemanha, sua importância é três vezes menor, cerca de 50% do PIB.

A ideia de que qualquer um desses modelos de tributação, de direito do trabalho ou de organização financeira pode ser intrinsecamente superior aos demais é desmentida pela alternância de períodos de prosperidade e recessão experimentados por essas economias desenvolvidas em décadas recentes. Os Estados Unidos passaram por vários períodos de turbulências em que suas instituições econômicas foram julgadas inferiores às da AlemanhaJapãoChina e hoje, provavelmente, da Alemanha novamente. Certamente, níveis comparáveis de riqueza e produtividade podem ser alcançados através de modelos muito diferentes de capitalismo. Poderíamos até dar um passo adiante: todos esses modelos ainda estão longe de esgotar o campo do que poderia ser possível e desejável no futuro.

O economista em visita da nossa experiência de pensamento conhece todos esses exemplos, ele sabe que os princípios que enunciou precisam ser alimentados por soluções institucionais antes de se tornarem operacionais. Direitos de propriedade? Sim, mas como? Política monetária sólida? Sim, mas como? Talvez seja mais fácil criticar esta lista de princípios por seu vazio do que denunciá-la como um programa neoliberal.

Mesmo assim, esses princípios não são inteiramente desprovidos de conteúdo. A Chinae, de um modo geral, todos os países que conseguiram se desenvolver rapidamente, demonstram a utilidade desses princípios uma vez adaptados ao contexto local. Por outro lado, muitas economias se voltaram contra os líderes políticos que tentaram violar esses princípios. Não precisamos ir muito longe – basta olhar para os nossos regimes populistas da América Latina ou para os regimes comunistas da Europa Orientalpara apreciar a relevância de uma política monetária sólida, de uma sustentabilidade fiscal e de incentivos privados.

Certamente, a economia não pode ser reduzida a uma lista de princípios abstratos, em grande parte do senso comum. Grande parte do trabalho dos economistas consiste em desenvolver modelos estilizados de como funcionam as economias reais e, em seguida, confrontar esses modelos com a realidade. Os economistas, portanto, tendem a descrever seu trabalho como um aperfeiçoamento progressivo de sua compreensão do mundo: seus modelos devem se tornar cada vez mais eficientes à medida que são testados e revisados. Na realidade, os progressos na economia acontecem de forma diferente.

Um modelo, mas qual modelo?

Os economistas estudam uma realidade social que é totalmente diferente do universo físico dos cientistas naturais. Ela é inteiramente criada pelo homem, altamente maleável e opera de acordo com regras que variam ao longo do tempo e do espaço. A economia não avança, portanto, pela escolha do modelo certo ou da teoria certa para responder às questões que se podem fazer, mas melhorando a nossa compreensão da diversidade de relações causais. O neoliberalismo e seus remédios habituais – sempre mais mercados, sempre menos Estado – são de fato uma perversão da economia dominante. Os bons economistas sabem que a resposta correta para qualquer questão em economia é: “depende”.

Um aumento do salário mínimo é prejudicial ao emprego? Sim, se o mercado de trabalho é competitivo e os empregadores não têm controle sobre os salários que devem pagar para atrais os trabalhadores; mas não o contrário. A liberalização do comércio incentiva o crescimento econômico? Sim, se melhorar a rentabilidade das indústrias onde a maior parte da inovação e investimento ocorre; mas não o contrário. Um aumento nas despesas públicas melhora o emprego? Sim, se não há tensões na economia e os salários não aumentam; mas não o contrário. Uma situação de monopólio afeta a inovação? Sim e não: dependendo de uma série de condições do mercado.

Na economia, os novos modelos raramente suplantam os antigos. Os modelos do mercado concorrencial que remontam a Adam Smith foram modificados ao longo do tempo pela inclusão – mais ou menos cronologicamente – de questões de monopólio, de externalidades, de economias de escala, de incompletudes e de assimetria de informações, de comportamento irracional dos agentes e muitos outros aspectos do mundo real. No entanto, os modelos antigos permaneceram úteis. Para entender o funcionamento dos mercados, é necessário visualizá-los através de diferentes prismas em diferentes momentos.

Um bom economista é um bom cartógrafo

Talvez a analogia mais apropriada para essa situação seja encontrada nos mapas. Assim como os modelos econômicos, os mapas são representações altamente estilizadas da realidade. Eles são úteis precisamente porque abstraem muitos detalhes do mundo real que poderiam dificultar a compreensão. Mapas em grande escala realistas seriam artefatos irremediavelmente impraticáveis, como descreveu Jorge Luis Borges em uma breve história que continua a ser a melhor e mais sucinta explicação do método científico. Mas essa abstração também implica que precisamos de mapas diferentes dependendo das nossas necessidades de viagem. Se, por exemplo, eu ando de bicicleta, preciso de um mapa que indica as trilhas para bicicletas. Se eu decido ir a pé, escolho um mapa que mostra as trilhas para caminhadas. Se uma nova linha de metrô for construída, eu certamente preciso de um novo mapa do metrô, sem precisar descartar todos os mapas antigos que eu tenho.

Os economistas são excelentes na elaboração de mapas, mas não são bons o suficiente para escolher o que é o mais adequado para a tarefa em questão. Quando são confrontados com questões de política econômica – como aquelas a que o economista que visita esse país desconhecido teve que enfrentar –, muitos economistas recorrem a modelos de referência que privilegiam o “laissez-faire”. As respostas automáticas e a arrogância substituem a riqueza das discussões que podem ocorrer em um seminário. John Maynard Keynes definiu a economia como “a ciência que pensa em termos de modelos combinada com a arte de escolher os modelos relevantes para o mundo contemporâneo”. Os economistas normalmente têm dificuldades com a parte “artística” da disciplina.

Eu também ilustrei isso com uma parábola: um jornalista telefona para um professor de economia para perguntar-lhe se, do seu ponto de vista, o livre comércio é uma coisa boa. O professor responde com entusiasmo a ele afirmativamente. Fazendo-se passar por estudante, o jornalista participa, em seguida, do seminário de economia internacional ministrado pelo mesmo professor em uma universidade. Ele faz a mesma pergunta: “O livre comércio é benéfico?” Desta vez, o professor parece envergonhado: “O que você quer dizer com ‘benéfico’? E benéfico para quem?”, pergunta-lhe.

O professor mergulha, então, em uma exaustiva explicação, para finalmente concluir com um balanço muito mais matizado: “Se a longa lista de premissas que eu acabo de fazer for satisfatória e assumindo que podemos tributar os beneficiários para compensar os perdedores, então o livre comércio pode potencialmente melhorar o bem-estar de todos”. Se estiver bem humorado, o professor pode até acrescentar que o impacto do livre comércio sobre o crescimento a longo prazo de uma economia não é fácil de determinar e que depende também de uma série de condições.

Os guardiões das joias

O professor que o jornalista descobriu durante este seminário é, portanto, bem diferente daquele com quem ele pôde conversar por telefone. No primeiro encontro, ele estava muito confiante e não tinha reservas sobre a política a ser adotada. Só haveria um modelo a ter em conta, pelo menos no debate público; uma única resposta correta, independentemente do contexto. Curiosamente, o professor acredita que os conhecimentos que ele transmite aos seus alunos não são adequados – são inclusive perigosos – para o público em geral. Por quê?

Os fundamentos de tal comportamento estão profundamente ancorados na sociologia e na cultura da profissão de economista. Mas uma das principais razões reside na ânsia deste último de apresentar as joias da coroa da profissão como sendo irrepreensíveis – a eficiência dos mercados, a mão invisível, as vantagens comparativas – para protegê-las dos ataques de bárbaros guiados pelo seu interesse pessoal, nomeadamente os protecionistas. Infelizmente, esses economistas tendem a ignorar os bárbaros do lado contrário: os financistas e as multinacionais, cujos motivos não são mais puros e que estão tão prontos quanto os protecionistas para sequestrar essas ideias para seu próprio benefício.

Por conseguinte, a contribuição dos economistas para o debate público é, muitas vezes, tendenciosa em uma direção: a favor de mais comércio, mais finanças e menos governo. É por esta razão que os economistas desenvolveram uma reputação de defensores incondicionais do neoliberalismo, mesmo que a economia dominante esteja longe de ser um hino à glória do laissez-faire. Os economistas que dão rédeas soltas ao seu entusiasmo pelos mercados liberalizados não estão sendo de fato muito fiéis à sua própria disciplina.

Repensando a mundialização

Como, então, podemos pensar na mundialização se quisermos liberá-la das garras das práticas neoliberais? Devemos começar pela compreensão do potencial positivo dos mercados globalizados. O acesso aos mercados internacionais de bens, de tecnologias e de capital tem desempenhado um papel importante em praticamente todos os milagres econômicos do nosso tempo. A China é o lembrete mais recente e poderoso desta verdade histórica; mas não é o único caso. Antes da China, milagres semelhantes ocorreram na Coreia do SulTaiwanJapão e vários países não-asiáticos, como as Ilhas Maurício. Todos esses países abraçaram a mundialização em vez de virarem as costas para ela, e eles se beneficiaram generosamente.

Os defensores da ordem econômica existente sempre acabam invocando esses exemplos quando a mundialização é questionada. O que eles esquecem de dizer, no entanto, é que a maioria desses países se juntou à economia mundial violando restrições neoliberais. A Coreia do Sul e Taiwan, por exemplo, subsidiaram fortemente seus exportadores, respectivamente, através do sistema financeiro e concedendo-lhes vantagens fiscais. E, em geral, todos esses países levantaram a maior parte de suas barreiras à importação muito depois do seu crescimento econômico ter decolado.

Mas nenhum – com a única exceção do Chile de Pinochet na década de 1980 – seguiu a recomendação neoliberal de uma rápida abertura às importações. A experiência neoliberal do Chile produziu a pior crise econômica da América Latina. Embora as circunstâncias sejam diferentes de país para país, em todos os casos os governos desempenharam um papel ativo na reestruturação de suas economias e protegendo-as de um ambiente externo altamente volátil. As políticas industriais, as restrições aos fluxos de capital e os controles cambiais – tudo proibido pela cartilha neoliberal – tornaram-se comuns.

Por outro lado, os países que se limitaram ao modelo de mundialização neoliberal ficaram muito desapontados. O México fornece um exemplo particularmente triste. Após uma série de crises macroeconômicas em meados da década de 1990, o Méxicoadotou políticas macroeconômicas ortodoxas, liberalizou fortemente a sua economia, desregulou o seu sistema financeiro, reduziu drasticamente suas barreiras à importação e assinou o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA). Essas políticas permitiram alguma estabilidade macroeconômica e um aumento significativo no comércio externo e no investimento interno. Mas, onde mais importa – a produtividade geral e o crescimento econômico –, o experimento foi um fracasso. Desde que o México empreendeu essas reformas, sua produtividade geral estagnou e sua economia tem sido contraproducente, mesmo diante dos padrões relativamente pouco exigentes da América Latina.

Não existe um plano único

Estes resultados não são surpreendentes do ponto de vista de uma abordagem econômica lógica. No entanto, há ainda uma outra manifestação da necessidade de que as políticas econômicas sejam ajustadas às deficiências enfrentadas por cada mercado e adaptadas às especificidades nacionais de cada país. Não existe nenhum plano que seja adequado para todos os lugares e de maneira indiferente.

Como atesta o Manifesto de Peters (1982), a definição de neoliberalismo evoluiu consideravelmente ao longo do tempo, ao mesmo tempo em que a conotação do termo tornou-se cada vez mais radical em sua relação com a desregulamentação, a financeirização ou a mundialização. Mas há um fio comum que liga as diferentes versões do neoliberalismo: a importância atribuída ao crescimento econômico. Em 1982, Petersescreveu que essa ênfase era justificada por causa do papel vital que o crescimento desempenha na consecução de todos os nossos objetivos sociais e políticos – comunidade, democracia e prosperidade. O empreendedorismo, o investimento privado e a remoção de todos os obstáculos (como por exemplo, uma excessiva regulamentação) que impedem o caminho são todos instrumentos necessários para o crescimento econômico. Se um manifesto neoliberal semelhante fosse escrito hoje, provavelmente avançaria no mesmo ponto.

No entanto, os críticos do neoliberalismo muitas vezes apontam que essa ênfase no crescimento degrada e sacrifica outros importantes valores sociais e políticos, como a igualdade, a inclusão social, a deliberação democrática ou a justiça. Valores cuja realização é, no entanto, essencial e que, em certos contextos, são mais importantes do que os outros. No entanto, nem sempre podem ser alcançados por meio de políticas econômicas tecnocráticas; a política tem um papel central a desempenhar.

Os neoliberais certamente não estão errados quando argumentam que esses ideais preciosos são mais propensos a ser alcançados em uma economia vibrante, forte e em expansão. No entanto, eles se enganam quando pensam que existe uma receita única e universal para melhorar o desempenho econômico, à qual eles teriam acesso. O erro fatal do neoliberalismo é que ele se engana sobre o que é a economia em si. Este deve ser rejeitado em seus próprios termos pela simples e boa razão de que é uma economia ruim.

Fonte: IHU