09 junho, 2020

OMS garante: pessoas sem sintomas estão transmitindo o vírus

"Para a agência de Saúde, não existem dúvidas: pessoas assintomáticas também transmitem o coronavírus"

A OMS nega que tenha dado qualquer sinal de que esteja defendendo para a possibilidade de uma abertura mais rápida das economias e que estudos tenham concluído de forma definitiva que pessoas sem sintomas não repassam o covoronavírus. 

Para a agência de Saúde, não existem dúvidas: pessoas assintomáticas também transmitem o coronavírus. O que não se sabe é qual a proporção dessas pessoas que, de fato, tem a capacidade de contaminar outras. Ontem, a chefe da unidade de doenças emergentes da OMS, Maria Van Kerkhove, afirmou que algumas pesquisas indicam que pacientes assintomáticos têm poucas chances de transmitir a covid-19. 

Ela, porém, citou apenas um estudo de pequeno porte. Imediatamente, milícias digitais do governo iniciaram uma campanha para indicar que tal declaração significaria o fim das quarentenas.... Veja mais AQUI

Carta aberta. A paz no mundo não pode prescindir de um pedido de desculpas às mulheres das pelas hierarquias eclesiásticas

"Se a Igreja Católica teme um cisma dentro dela - devido às manobras esquálidas urdidas pelo conservadorismo - também deveria se questionar sobre a possibilidade de um cisma por parte das mulheres. Até agora, na Itália, teve as características de um movimento silencioso, embora crescente. Por enquanto não somos defensoras de rupturas, mas nossa sede de justiça importa a alguém?".
A carta é de vários autores, publicada por Fine Settimana, 06-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a carta.

1. Introdução

A carta que segue deveria ter sido enviada à imprensa em 8 de março deste ano (2020). Não foi possível fazê-lo pelas razões a todos/as conhecidas. As assinaturas na parte inferior da carta, que serviam como apresentação para o lançamento da coleta de assinaturas, abrangem uma variedade de posições. Esse é um fato relevante; destaca que a "questão" que levantamos não se limita ao mundo católico. Ela traz uma questão transversal. As representações do feminino elaboradas e dispensadas pela Igreja Católica, de fato, têm efeitos performativos não apenas sobre os católicos/as, mas se estendem a latitudes muito mais amplas. A fenomenologia com a qual a Igreja Católica Romana se relaciona com as mulheres é determinante no plano da economia dos bens simbólicos, uma economia transversal e generalizada, baseada em uma estrutura patriarcal e em uma ideologia androcêntrica. As outras instituições/comunidades religiosas acabam sendo (em variado grau), todas afetadas. Durante o período transcorrido, tivemos a oportunidade de conversar com muitas mulheres que em origem não eram signatárias. A troca renovada de ideias foi muito proveitosa, fortaleceu o compartilhamento do texto da carta e a decisão de divulgá-la, permitindo também desfazer algumas questões que queremos explicitar aqui.
1. Esse é um aviso, não uma lamúria vitimista. Nesse documento está escrito que não haverá paz sem uma profunda conversão do clero em relação à iniquidade com a qual ele agiu em relação às mulheres. Com isso, a carta instituía a evidência de um fato que em nossa liberdade afirmamos. Se a igreja não enfrentar esse nó de maneira teológica, operacional e coerente, não silenciaremos sobre o perseverar na sinceridade e na falta de credibilidade. Se a Igreja Católica teme um cisma dentro dela - devido às manobras esquálidas urdidas pelo conservadorismo - também deveria se questionar sobre a possibilidade de um cisma por parte das mulheres. Até agora, na Itália, teve as características de um movimento silencioso, embora crescente. Por enquanto não somos defensoras de rupturas, mas nossa sede de justiça importa a alguém?
2. A lista de frases injuriosas que nos foram reservadas (seção mínima de um "patrimônio” ilimitado) designa um passado que pesa e não passa; cuja memória não deve ser apagada nem ignorada virando a página. Acreditamos que somente a partir da assunção responsável dessas afirmações, os representantes do poder clerical masculino possam tomar consciência dessa triste "arqueologia" que os moldou. Se as frases não são mais citadas, não por isso os sintomas causados por elas desapareceram - como bem sabe qualquer pessoa que conheça os rudimentos da psicanálise. Para despotenciá-las devem ser assumidas e processadas. Somente repercorrendo a origem e o caminho do mysterium iniquitatis será possível alcançar uma autêntica praxe redimida, visível em seus efeitos, a comportamentos que, no autênticos sentir e agir, deem prova de não temer as mulheres e compreender o valor e o poder espiritual desse recíproco "estar diante", expresso em Gênesis 2,18. A carta não é uma mônada sem relações. Para nós, é uma "pedra angular" (Sl. 118) e, ao mesmo tempo, uma semente de mostarda (Mc 4,31), da qual gostaríamos que nascesse um questionamento, um confronto, um relacionamento, um devir que não podemos prever. Entre as próximas etapas, pensamos em um encontro, no qual se poderá participar e construir juntos, compartilhando a sede de justiça e a alegria do Ruah!
3. Carta aberta.
Não foram mulheres ateias, anticlericais ou agnósticas que promoveram e assinaram este texto; mas mulheres de fé, mulheres que orientaram sua consciência para uma espiritualidade simples e ao mesmo tempo abertas ao sopro do Ruah, mulheres sedentas de verdade e justiça, em busca de horizontes de fé cada vez mais profundos e dilatados, mulheres que acreditam e praticam - na humildade, mas também na coragem do testemunho - a sororidade e a irmandade humanas das quais Jesus foi testemunha clarividente. É à questão da presença de mulheres na Igreja que queremos nos referir: não é absolutamente um pedido de compartilhamento de poder, de cooptação para dentro no atual sistema clerical, mas é, em vez disso, a questão de assumir nos fatos da centralidade das relações, à qual remete o enunciado fundador: "Homem e mulher os criou".
As relações entre mulheres e homens na Igreja estão doentes há muito tempo, porque estão imbuídas de estereótipos engessados sobre as mulheres: visões degradantes, que deformam sua imagem negando a integridade. A partir de tais premissas, o desvalor do feminino é a lógica consequência. E não venham nos responder que a Igreja venera Maria, que seria superior a todos os apóstolos e, portanto, com ela venera todas as mulheres; porque é a pessoa encarnada que deve ser respeitada, as mulheres em carne e osso, e não sua transfiguração imaginária. Do quanto "a exaltação ideal da mulher tenha servido para cobrir sua insignificância histórica", fizemos - infelizmente - uma milenária experiência. O Evangelho falava outra língua: a do discipulado de iguais, para usar a famosa expressão do teólogo Schüssler-Fiorenza; a mensagem do evangelho é um testemunho de liberdade para mulheres e homens. As Jornadas Mundiais da Paz foram instituídas na Igreja Católica - e nós as apoiamos. Almeja-se a paz, mas, ao mesmo tempo, reconhece-se a contradição de um mundo que prega a paz, porém invocando-a com base em relações falsas, imbuídos de suspeitas/ desconfianças mútuas. Mas há uma contradição ainda mais originária. Por que não se compreende que a primeira raiz de uma relação de submissão, o primeiro núcleo fundador de relações de dominação, reside nas relações mulher/homem?
Não haverá paz sem essa consciência e sem uma conversão profunda. Portanto, chegou a hora de retornar à mensagem do Evangelho e para que a Igreja repare seus erros históricos. Tomamos nota dos primeiros passos realizados: em 1992, João Paulo II reabilitou Galileu Galilei, reconhecendo que "foi um erro condenar Galileu ... [que] sofreu muito - não podemos esconder - por homens e organismos da Igreja". No "dia do perdão" do Jubileu do ano 2000, o papa pediu perdão pelos erros cometidos com os tribunais da Inquisição; naquela ocasião mencionou as mulheres, mas foi apenas um aceno irrelevante: "rezamos pelas mulheres muitas vezes humilhadas e marginalizadas". Em 2018, o Papa Francisco pediu desculpas pelo comportamento da Igreja em relação às vítimas de padres pedófilos: "Algumas vítimas acabaram tirando a própria vida. Essas mortes pesam tanto no meu coração quanto na consciência de toda a Igreja".
Todas essas tomadas de posição são etapas louváveis. Ainda mais esta última, que não se limitou a ser um ato genérico de contrição, mas tornou-se operacional no reconhecimento do direito das vítimas e dos tribunais estatais, de restaurar a justiça condenando os culpados e compensando as vítimas. Precisamente como mulheres de fé, acreditamos que chegou a hora, agora, de a hierarquia da Igreja Católica peça desculpa às mulheres, dos séculos passados e dos dias atuais. Ela nunca negou ou se distanciou das afirmações injuriosas dos Padres da Igreja, Apologistas cristãos ou Santos, frases que atestam esse teor: "Você não sabe, mulher, que você também é Eva? Neste mundo, ainda vige a condenação de Deus contra o seu sexo; também deve permanecer a condição de acusada [...] Você é a porta do diabo! Você enganou o único a quem o diabo não foi capaz de ludibriar! Você destruiu a imagem de Deus, o homem! Por causa do que você fez, o Filho de Deus teve que morrer! " (Tertuliano, De Cultu Feminarum, I, 1-2). “Quanto a mim, acredito que as relações sexuais devem ser radicalmente evitadas. Penso que nada degrade o espírito do homem tanto quanto as carícias de uma mulher e as relações corporais que fazem parte do matrimônio" (Agostino, Soliloquia I, 10,17).
4. "A esposa será salva se gerar filhos que permanecerão virgens, se o que ela perdeu for recuperado em seus descendentes e se a queda e a corrupção da raiz forem compensadas pela flor e pelo fruto" (Jerônimo, Adversus Jovinianum 1, 27; PLXXIII, 260). “O homem nasceu da mulher! Não há nada mais abjeto” (São Bernardo, Sermo in Feria IV ° Hebdamodae Sanctae, 6, SBO V, 60). "Em relação à natureza particular, a fêmea é um ser defeituoso e deficiente. [...] De fato, a virtude ativa contida na semente do homem tende a produzir uma semente perfeita, semelhante a si mesmo do sexo masculino. O fato de que possa derivar uma mulher pode depender da fraqueza da virtude ativa ou da disposição da matéria"(São Tomás, Summa Theologica I, 92, I, ad I).
Não podemos deixar de mencionar o que expoentes oficiais da Igreja escreveram, disseram e realizaram contra as chamadas bruxas. Um florilégio de retórica misógina é o Malleus Maleficarum (em 1484, o Papa Inocente VIII emitiu a Bula Summis Desiderantes Affectibus, com o qual dava mandato a dois inquisidores alemães para redigir um Corpus de sentenças para combater a bruxaria). Relatamos a seguinte passagem da obra, porque não deve ser deixada na sombra:
“Mas como nestes tempos esta perfídia se encontra com mais frequência entre as mulheres do que entre os homens, podemos agregar, ao que foi dito o seguinte: que como são mais débeis de mente e de corpo, não é de se estranhar que caiam em maior medida sob o feitiço da bruxaria.... de fato, parecem ser de natureza diferente daquela dos homens ...; a razão natural é mais carnal que o homem, como fica claro analisando suas muitas abominações carnais. E devemos apontar o defeito na formação da primeira mulher, que foi formada de uma costela curva, isto é, a costela do peito, que se encontra encurvada, por assim dizer, em direção contrária à do homem. E devido a este defeito é um animal imperfeito, sempre engana.... no caso da primeira mulher, que tinha pouca fé; pois quando a serpente perguntou por que não comiam de todas as árvores do Paraíso, já em sua resposta mostrava que duvidava, e que tinha pouca fé na palavra de Deus. E tudo isso é mostrado pela etimologia da palavra; pois Femina provem de  e Menos, considerando que é muito débil para manter e conservar a fé.... Embora tenha sido o diabo que induziu Eva a pecar, foi Eva que seduziu Adão, e já que o pecado de Eva não teria nos levado à morte de alma e corpo, se não tivesse seguido a culpa de Adão, induzida por Eva e não pelo diabo, portanto a mulher é mais amarga que a morte”. Esses são apenas fragmentos de um sistema simbólico e de uma economia teológica kyriarcal muito maior e mais difundida, um sistema tão poderoso e de ação profunda que para decifrá-lo exigiria um volume inteiro - e talvez não fosse suficiente.
5. Sobre pronunciamentos dessa natureza não deveria haver sinais de conversão? Não seria por esse gesto que se abririam as condições de possibilidade de uma convivência baseada no reconhecimento mútuo de igual dignidade? "Nelson Mandela e Desmond Tutu nos ensinaram com os processos sobre a verdade, a justiça e a reconciliação na África do Sul: é a admissão de violência cometida por quem a exerceu que deixa as vítimas livres e permite que falem e recomecem a viver". (1 Letizia Tomassone, Violenza e giustizia di genere nelle chiese protestanti, in Paola Cavallari (ed), Non solo reato anche peccato. Religioni e violenza contro le donne, Effatà, 2019)
No contexto dessa economia teológica kyeriarcal, sintetizamos brevemente algumas violações graves das quais o clero masculino se manchou (com a cumplicidade às vezes de mulheres consagradas) contra o sexo feminino: durante séculos, excluiu a mulher do reconhecimento de ser imagem de Deus, pois a imago Dei era atributo reservado exclusivamente para o homem. Estruturou através dos séculos uma visão cultural da mulher que prejudicou seriamente as relações entre homens e mulheres, legitimando com o carisma do sagrado (que é um projeto divino, foi dito por séculos) as relações de dominação e submissão que caracterizaram as culturas patriarcais. Muitas vezes usou e explorou o trabalho das mulheres consagradas como trabalho escravo, sem reconhecimento econômico e social. Exerceu (não sabemos quanto, porque tudo está coberto pelo sigilo) abusos espirituais, de consciência e sexuais.
Contribuiu, com a demonização do corpo feminino e a construção da imagem da "mulher tentadora", para legitimar a visão de que as mulheres são as responsáveis pelas atitudes de assédio/abuso de homens. Quis controlar em detalhes a sexualidade e o corpo feminino, ignorando a esfera do desejo sexual feminino e nunca colocando em discussão as formas de autorreferenciais e não interativas da sexualidade masculina. Não tomou uma distância radical do consumo da pornografia e da prostituição, através de um profundo questionamento da sexualidade masculina.
Ainda não implementou uma reforma séria da liturgia, da linguagem pastoral e catequética, que reconheça a subjetividade das mulheres. Não alertou as traduções dos textos sagrados impregnadas de preconceito patriarcal.
Perpetua uma visão desequilibrada da relação homem / mulher através da exclusão das mulheres não só de ministérios, mas também de todos os órgãos de decisão dentro da Igreja.
O reconhecimento de tais frases injuriosas seria um primeiro passo, especialmente se não fosse uma simples declaração de princípio, mas fosse acompanhada de ações concretas e um começo de colaboração com as mulheres comprometidas em colocar uma barragem, por meio da geração de uma nova visão cultural, ao dramático fenômeno de violência contra as mulheres e aos feminicídios.
Esta carta com as assinaturas de quem a assina será enviada ao Presidente da Conferência Episcopal. E, em seguida, à imprensa e aos sites.
As mulheres que, embora não sejam crentes, acreditam que o simbólico religioso tenha sido e continue sendo determinante na construção de relações injustas entre os sexos são calorosamente convidadas a se juntarem a nós. Agradecemos a todas.
Para comunicações e adesões, podem escrever para cavallaripaola1@gmail.com.
Primeiras signatárias:
Paola Cavallari – Observatório inter-religioso sobre violência contra as mulheres – OIVD
Carla Galetto – Grupos de mulheres Comunidade de Base – CdB Doranna Lupi – Grupos de mulheres Comunidade de base – CdB
Paola Morini – Observatório inter-religioso sobre violência contra as mulheres – OIVD

31 de março de 2020.
Fonte: IHU

06 junho, 2020

NOTA DE ESCLARECIMENTO

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Sobre a reportagem “Por verbas, TVs católicas oferecem a Bolsonaro apoio ao governo”, com a manchete na primeira página “Ala da Igreja Católica oferece a Bolsonaro apoio em troca de verba”, do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO em 06.06.20, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, juntamente com a SIGNIS Brasil e a Rede Católica de Rádio (RCR), associações que reúnem as TVs de inspiração católica e as rádios católicas no Brasil, esclarecem que não organizaram e não tiveram qualquer envolvimento com a reunião entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, representantes de algumas emissoras de TV de inspiração católica e alguns parlamentares, e nem ao menos foram informadas sobre tal encontro.

Informamos que as emissoras intituladas “de inspiração católica” possuem naturezas diferentes. Algumas são geridas por associações e organizações religiosas, outra por grupo empresarial particular, enquanto outras estão juridicamente vinculadas a dioceses no Brasil. Elas seguem seus próprios estatutos e princípios editoriais. Contudo, nenhuma delas e nenhum de seus membros representa a Igreja Católica, nem fala em seu nome e nem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que tem feito todo o esforço, para que todas as emissoras assumam claramente as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.

Recebemos com estranheza e indignação a notícia sobre a oferta de apoio ao governo por parte de emissoras de TV em troca de verbas e solução de problemas afeitos à comunicação. A Igreja Católica não faz barganhas. Ela estabelece relações institucionais com agentes públicos e os poderes constituídos pautada pelos valores do Evangelho e nos valores democráticos, republicanos, éticos e morais.

Não aprovamos iniciativas como essa, que dificultam a unidade necessária à Igreja, no cumprimento de sua missão evangelizadora, “que é tornar o Reino de Deus presente no mundo” (Papa Francisco, EG, 176), considerando todas as dimensões da vida humana e da Casa Comum. É urgente, sim, nestes tempos difíceis em que vivemos, agravados seriamente pela pandemia do novo coronavírus, que já retirou a vida de dezenas de milhares de pessoas e ainda tirará muito mais, que trabalhemos verdadeiramente em comunhão, sempre abertos ao diálogo.

Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB
SIGNIS Brasil
RCR

05 junho, 2020

Prece

Rezemos juntos “(...) para que aqueles que sofrem encontrem caminhos de vida, deixando-se tocar pelo Coração de Jesus.” (Papa Francisco)

Quanto mais perto estivermos do Coração de Jesus

“O discípulo a quem Jesus mais amava, aquele que conhecia melhor o coração de Jesus, recostado junto a Ele (Jo 13, 23) também foi o primeiro a reconhecer Jesus ressuscitado às margens do lago da Galileia (Jo 21, 7). Quanto mais próximo alguém estiver do Coração de Jesus, mais perceberá suas alegrias e sofrimentos pelos homens, mulheres e crianças deste mundo; e reconhecerá Sua presença hoje como ontem, atuando no mundo. Quanto mais perto estivermos do Coração de Jesus, menos indiferentes seremos ao que nos cerca, desejando nos comprometer com Jesus Cristo neste mundo, a serviço de sua missão de compaixão.” (Papa Francisco)

Ipatinga e mais 13 cidades pedem socorro por falta de leitos de UTI



Municípios vão cobrar ao Governo de Minas o envio de respiradores e profissionais de saúde; aumento de casos e mortes preocupa prefeitos.

Ipatinga tem cerca de 260 mil habitantes e apenas 27 leitos de UTI, que atendem também as cidades vizinhas. A ocupação está, atualmente, em 93%. Em caso de lotação, as demandas vão para uma lista de regulação, controlada pelo SUS Fácil, responsável por transferir os pacientes que precisarem de internação para o município mais perto que estiver disponível. 

Leia a matéria de Luíza Lanza publicado por R7. Clique AQUI

04 junho, 2020

Carta-denúncia Mineração e pandemia: essencial é a vida!



A população brasileira vem acompanhando o crescimento alarmante do número de casos de coronavírus no país e os reflexos da pandemia na dinâmica social, no sistema de saúde e no aprofundamento da crise econômica. Embora o contexto seja de caos social, com destaque para o sofrimento enfrentado por mais de 31 mil famílias que perderam seus entes, o setor minerário brasileiro segue sua marcha de exploração dos/as trabalhadores/as e da natureza.

Apoiadas pelo Governo Bolsonaro – que incluiu a mineração como “atividade essencial” por meio da publicação do Decreto nº 10.329/2020 – as empresas de mineração não paralisaram suas atividades, mesmo diante da recomendação expressa da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos especialistas no tema de que a prioridade neste momento é garantir o isolamento social. Desta forma, em plena crise sanitária, milhares de famílias de funcionários/as do setor e das populações localizadas nos arredores das minas estão sendo expostas a grave risco de contaminação. Tratar a atividade mineral como essencial, em meio a uma pandemia, retirando o direito ao isolamento social de trabalhadores e trabalhadoras, impondo que estes se aglomerem, é irresponsável.

Por outro lado, as mineradoras vêm apostando em ações de mídia e de propaganda para tentar criar uma imagem de que se importam com a saúde da população e que têm “responsabilidade social”. Esta imagem que as empresas buscam passar para a sociedade esconde o que de fato significa a continuidade das atividades minerárias no país: aumento das taxas de lucros das empresas e ameaça à vida de milhares de pessoas. Enquanto divulgam cartazes e vídeos com supostas iniciativas sociais, mantém trabalhadores/as e comunidades sob o medo constante de contaminarem-se pelo coronavírus.

Na Bahia, a situação não é diferente. Circulação de funcionários, explosões, realização de pesquisas em novas áreas, desmatamento da vegetação nativa, avanço sobre territórios de comunidades tradicionais e outras diversas ações seguem sendo realizadas, devido à manutenção do funcionamento dos empreendimentos de mineração espalhados nos municípios do estado, a exemplo da Mineração Caraíba S/A, em Curaçá, Juazeiro e Jaguarari; e da Mineradora Galvani, em Campo Alegre de Lourdes.

As duas empresas acima citadas têm dado continuidade às atividades durante o período da pandemia. Ao analisar os dados sobre a contaminação do coronavírus, verifica-se, por exemplo, que dois dos municípios onde estão instaladas encontram-se com altos índices de contaminação: segundo informações da Prefeitura de Campo Alegre de Lourdes, em 02/06/2020, existiam 27 casos confirmados, 88 notificações e 01 óbito. Na mesma data, o cenário em Curaçá era de 32 casos confirmados (Boletim epidemiológico nº 70 da SESAB) e 43 em investigação (informação veiculada pela Prefeitura), de um total de 223 notificações (informação veiculada pela Prefeitura). Destes casos, diversos aparentam ter relação com as atividades de mineração. Por outro lado, sabe-se que não há estrutura no Sistema Único de Saúde nestes locais que consiga absorver a explosão do número de pessoas contaminadas.

Preocupadas com este contexto, especialmente no momento em que se aproxima o pico de contaminação, as organizações abaixo listadas, compondo a Articulação em Defesa da Vida no Enfrentamento ao modelo mineral do Norte da Bahia, vêm por meio desta carta denunciar a situação e exigir que os poderes públicos adotem medidas para garantir os direitos dos/as trabalhadores/as do setor minerário, sobretudo o direito ao isolamento social com manutenção integral de seus salários, bem como de toda a população que sofre com risco de contaminação em função dos fatos já expostos, seja na cidade ou no campo. Destaca-se ainda a necessidade de que sejam realizadas ações de proteção dos povos e comunidades tradicionais que estão sob ameaça de contaminação em função das atividades minerárias, de modo que os moradores, muitos incluídos em grupos de risco, tenham a sua integridade preservada e que, em última instância, seja defendido o jeito tradicional de viver destes grupos!

Nada mais se espera que o compromisso com a vida e com a saúde da população e, nas palavras do Papa Francisco na Encíclica Laudato Si, que possamos cuidar da “nossa casa comum”, defendendo a natureza para as atuais e próximas gerações, lembrando sempre que “tudo está estreitamente interligado no mundo” e que “o meio ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos”!

Assinam este documento:

Articulação Estadual das Comunidades Tradicionais de Fundos e Fechos de Pasto;

Articulação e Coordenação Paroquial da Juventude – ACPJ;

Articulação Sindical da Borda do Lago de Sobradinho;

Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia – AATR;

Cáritas Brasileira Regional NE 3;

Coletivo Carrapicho Virtual;

Central das Associações Integradas de Uauá – Cachiu;

Central de Fundo e Fecho de Pasto, Senhor do Bonfim;

Coletivo de Jovens da região CUC (Canudos, Uaua e Curaçá);

Comissão Pastoral da Terra – CPT;

Conselho Indigenista Missionário – Cimi;

Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP;

Cooperativa de Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá – COOPERCUC;

Fórum das entidades populares de Campo Alegre de Lourdes;

Fórum das entidades populares de Curaçá;

Instituto Popular Memorial de Canudos – IPMC;

Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – IRPAA;

Instituto Social Antônio Conselheiro, UAUÁ – ISAC;

Movimento Pela Soberania Popular na Mineração – MAM;

Movimento dos trabalhadores rurais sem Terra – MST;

Paróquia Bom Jesus da Boa Morte, Curaçá;

Pastoral Operária;

Serviço de Assistência Socioambiental no Campo e Cidade – Sajuc;

Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais – Sasop.

"O respirar dos adormecidos é um ruído que inquieta. Como se neles soasse uma outra alma. "


"O respirar dos adormecidos é um ruído que inquieta. Como se neles soasse uma outra alma. "

(Terra Sonâmbula, de Mia Couto)

Promoção em prol a Casa de Nazaré


A Casa de Nazaré, entidade de acolhida e recuperação de mulheres em situação de dependência química está iniciando uma campanha de caldo de mandioca.



Há três modos de adquirir:

1. Retirando no local
2. Delivery (+ R$ 5,00)
3. Comprando nas saídas das missas na Paróquia São Mateus (sábado e domingo à noite).

É necessário reservar previamente - fone: 3028 6232 ou 99925 0933 - caso for retirar na Casa de Nazaré ou pedir delivery.

Endereço da Casa, pra quem for retirar no local:
Rua Rio Samambaia, 1691 - Conj. Hab. Inocente Vila Nova Júnior, Maringá - PR

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Casa de Nazaré

Atendimento Espiritual
Padre Genivaldo Ubinge

PÚBLICO ALVO
Dependentes de substancias psicoativas do sexo feminino a partir dos 16 anos, inclusive gestantes.

FINALIDADE
Proporcionar um tratamento qualificado para mulheres usuárias de substancias psicoativos do Município de Maringá e Região, garantindo a permanência até o final do tratamento (período de nove meses).

OBJETIVO GERAL
A Casa de Nazaré tem por objetivo apoiar mulheres que fazem uso indevido de substancias psicoativo, visando à reintegração dos mesmos ao convívio social e familiar.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Elevar a auto-estima e a participação na vida social promovendo, a partir das palestras e oficinas, a autonomia de cada residente;

Proporcionar o desenvolvimento pessoal através da arte, cultura e atividades que possam despertar aptidão empreendedora;

Encaminhar as famílias das residentes para grupos de apoio (AMOR EXIGENTE).

Proporcionar palestras informativas (grupo de convivência) e espirituais, promovendo a prevenção de uso e abuso de substancias psicoativas.

Desenvolver trabalho com equipe interdisciplinar com vistas ao reconhecimento do atendido como um ser integral, estabelecendo espaço de interlocução e de intervenção com profissionais de diferentes áreas.

METODOLOGIA:
A entidade busca uma prática que não produz modelos de Instituições de confinamento, e sim um equipamento social dotado de recursos humanos e materiais que propiciam acolhimento, convivência, atividades pedagógica, ocupacionais, recreativas, atendimento psicológico, odontológicos, médico e espiritual, visando o desenvolvimento humano, integral e social e dos direitos de cidadania das residentes e de suas famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade, exclusão e risco social.

O processo de tratamento é respaldado a partir da terapia, orientado pelo tripé ORAÇÃO-TRABALHO-DISCIPLINA e estudo dos 12 passos. A ORAÇÂO é à base do programa, por meio dela buscam-se levar a presença de Deus a todas as internas, em um ambiente de muita paz, fé e confiança na nova vida que está por vir. O TRABALHO apóia e impulsiona o êxito do processo de recuperação das internas, todos os serviços da Casa de Nazaré são realizados pelas internas e supervisionados pela equipe responsável, consistindo em uma terapia ocupacional. A disciplina norteia todas as atividades, com o intuito de atingir grandes resultados, é necessário seguir normas e princípios que possam sustentar a terapia. Na busca pela paz, as internas também recebem, semanalmente, atendimento psicossocial, evangelização e aprendem a fazer trabalhos manuais.

Bolsonaro veta destinação de R$ 8,6 bilhões de fundo extinto para ações contra coronavírus

O presidente Jair Bolsonaro vetou o uso do saldo remanescente do Fundo de Reservas Monetárias, de cerca de R$ 8,6 bilhões, para o combate ao novo coronavírus. A decisão foi publicada na edição desta quarta-feira (3) do "Diário Oficial da União".

A destinação do dinheiro tinha sido aprovada em maio pelo Congresso Nacional durante a análise de medida provisória editada por Bolsonaro e que extinguiu o fundo.

Ao justificar o veto, Bolsonaro argumentou que a ... Continue lendo AQUI

A estratégia “Bíblia e fuzil”. Assim, Trump desafia os protestos

Bíblia e fuzil. Foi o próprio presidente Trump quem esclareceu que essa será sua estratégia para enfrentar os protestos deflagrados nos Estados Unidos e, acima de tudo, usá-la em chave eleitoral para a reeleição em novembro. Ele fez isso na segunda-feira à noite, anunciando sua intenção de mobilizar o exército para esmagar manifestantes que violam a lei e deixando-se fotografar em frente à Igreja de São João com a sagrada Escritura nas mãos. A bispa daquela igreja episcopal, Mariann Budde, denunciou "o uso político da religião, antitético ao ensino de Jesus".
A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Stampa, 03-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.
O mesmo foi feito pelo arcebispo católico de Washington, o negro Gregory, porque ontem o presidente foi ao Santuário Nacional São João Paulo II, e não falta quem tema a militarização ditatorial da América.
Os protestos continuaram ontem, mudando o epicentro: mais tranquila Minneapolis, onde a autópsia de George Floyd conduzida pela família confirmou o homicídio por asfixia; mais agitadas WashingtonLousivilleLos AngelesSt. LouisLas Vegas e Nova York, submetidas à ação de saqueadores.
De fato, Trump imediatamente se aproveitou disso, acusando o...continue lendo AQUI

No coração da Amazônia brasileira, a Covid-19 mata sem causar notícias

“Mais um luto. Carlinhos está morto. Perdemos um filho da terra. Um professor. Era o pilar da nossa escola. Uma referência para todos”. O grito de dor da aldeia de Sapotal, na região brasileira do Alto Solimões, chega via WhatsApp: nas últimas semanas, oito pessoas foram atingidas pela Covid. Três eram idosos, dois professores.
A reportagem é de Lucia Capuzzi, publicada por Avvenire, 03-06-2020. A tradução é de Luísa Rabolini.
“Os números dos mortos não são números, são histórias de vida. Vidas cuja perda tem um enorme impacto nas comunidades. Deveríamos parar e pensar no que representa para eles verem seus idosos morrerem, guardiões do saber ancestral. E os professores, que custou tanto sacrifício formar e representam a ponte entre a cultura tradicional e os valores”, afirmam María Eugenia Lloris Aguado, missionária da Fraternidade do Divino Verbo e Raimunda Paixão, leiga e índia. Ambas fazem parte da equipe itinerante, uma das poucas instituições a visitar as pequenas aldeias indígenas espalhadas ao longo do curso do "Grande Rio". O rio Amazonas percorre os 7.500 quilômetros quadrados da Pan-amazônia, o "coração do mundo", como uma artéria vital. A pandemia, no entanto, a transformou na "estrada do contágio".
Leia na íntegra a reportagem AQUI

03 junho, 2020

Estar nas ruas é um sentido de sobrevivência das pessoas negras, no Brasil e no mundo



Estar nas ruas é um sentido de sobrevivência das pessoas negras, no Brasil e no mundo

Quando a polícia chega para matar estamos praticamente mortos, fisicamente eliminados, emocionalmente sequelados. Já não podemos respirar há muito tempo

Homem com máscara passa por graffiti de Marcos Costa, o Spray Cabuloso, na entrada da favela Solar de Unhão em Salvador, Bahia, em 15 de abril.ANTONELLO VENERI / AFP

Fonte: El País

02 junho, 2020

O que é fascismo?

O que é fascismo?
O fascismo foi um movimento político que surgiu na Itália sob a liderança de Benito Mussolini, que assumiu o poder desse país a partir de 1922 com a Marcha sobre Roma.

fascismo é entendido por cientistas políticos e historiadores como a forma radical da expressão do espectro político da direita conservadora. No entanto, é importante dizer que nem toda política praticada pela direita conservadora é extremista como o fascismo. Essa ideia também vale para o espectro político da esquerda, uma vez que nem toda política praticada por ela é radicalizada como o que foi visto pelo stalinismo, o regime totalitário liderado por Josef Stalin, entre 1927 e 1953, na União Soviética.

Afinal, o que é fascismo?

fascismo é um conceito que gera muito debate por sua complexidade, já que é um movimento político que se adapta a diferentes circunstâncias e apropria-se de ideais de diferentes ideologias. De toda forma, o fascismo, enquanto movimento político e social, possui uma retórica populista que explora assuntos como a corrupção endêmica da nação, crises na economia ou “declínio dos valores tradicionais e morais” da sociedade. Além disso, defende que mudanças radicais no status quo (expressão em latim para referir-se ao “estado atual das coisas”) devem acontecer.

Uma vez que ocupa espaços de poder, o fascismo transforma-se em um regime extremamente autoritário, baseado na exclusão social, portanto, hierárquico e bastante elitista. O termo “fascismo” pode ser usado para referir-se:
1. Ao fascismo surgido na Itália e liderado por Benito Mussolini.
2. À expressão extrema do fascismo sob a ideologia nazista, desenvolvida por Adolf Hitler.
3. Aos regimes que surgiram durante o período entre a Primeira Guerra Mundial e a Segunda inspirados ideologicamente no fascismo italiano, como foram os casos do salazarismo, em Portugal, do franquismo, na Espanha, do movimento Ustasha, na Croácia etc.

Características do fascismo
O fascismo clássico, forma como o fascismo italiano é conhecido entre os historiadores, possuía algumas características:
1. Implantação de um sistema unipartidário ou monopartidário, no qual apenas o próprio partido fascista tinha direito à atuação no sistema político nacional;
2. Culto ao chefe/líder como forma de colocá-lo como a única pessoa capaz de guiar a nação ao seu destino;
3. Desprezo pelos valores liberais, nos quais estão inclusas as liberdades individuais e a democracia representativa;
4. Desprezo por valores coletivistas, como o socialismo, comunismo e anarquismo;
5. Desejo de expansão imperialista baseada na ideia de domínio de povos mais fracos;
6. Vitimização de determinados grupos da sociedade ou de um povo com o objetivo de iniciar uma perseguição contra aqueles que eram vistos como “inimigos do povo”;
7. Uso da retórica contra os métodos políticos tradicionais afirmando que estes eran incapazes de combater as crises e de levar a nação à prosperidade;
8. Exaltação dos “valores tradicionais” em detrimento de valores considerados “modernos”;
9. Mobilização das massas;
10. Controle total do Estado fascista sobre assuntos relacionados à economia, política e cultura.

O que foi o fascismo italiano?
A expressão “fascismo” foi cunhada pelo italiano Benito Mussolini (1883-1945), que criou, em 1919, uma organização chamada Fasci Italiani di Combattimento. O termo “fasci”, que significa feixe, faz referência ao feixe de hastes de madeira com um machado no centro – símbolo da unidade do poder político na Roma Antiga.
Mussolini começou sua carreira política em um núcleo socialista italiano. O vínculo de Mussolini com o socialismo italiano foi interrompido em 1914 quando publicou em jornal socialista um artigo defendendo a participação da Itália na Primeira Guerra Mundial. Esse rompimento aconteceu porque os socialistas italianos eram radicalmente contra a entrada do país na guerra.

Mussolini, então, alinhou seu discurso político com o viés nacionalista italiano. Entre 1919 e 1920, o fortalecimento político de movimentos de orientação socialista levou classes conservadoras na Itália a alinharem-se com o fascismo italiano. O fascimo ganhou muita força nas regiões rurais do centro da Itália.
Nesse contexto, a partir da organização Fasci Italiani di Combattimento, surgiu o Partido Nacional Fascista. O grande objetivo era tomar o poder da Itália tanto por via eleitoral quanto por meio de atos violentos contra opositores. O uso da violência pelos fascistas, inclusive, chegou a ser elogiado por determinadas classes da sociedade italiana que viam a agressividade como uma forma de enfraquecer os socialistas.
Mussolini chegou ao poder em 1922 após membros do Partido Nacional Fascista realizarem a chamada Marcha sobre Roma. Essa marcha aconteceu no dia 28 de outubro de 1922. Nela, fascistas de toda a Itália marcharam em direção a Roma, capital do país, para pressionar o então rei, Vitor Emanuel III, a empossar Mussolini como seu chefe de Estado (ou primeiro-ministro). Muitos fascistas contaram com apoio governamental para chegarem à capital italiana.
O resultado da Marcha sobre Roma foi que o rei destituiu o primeiro-ministro empossado e convocou Benito Mussolini a formar a base do novo governo, agora sob o controle dos fascistas. Monarquistas e conservadores da direita comemoraram a posse de Mussolini, liberais aceitaram a situação, e socialistas opuseram-se, no entanto, não tiveram forças para controlar o crescimento do fascismo. Com o tempo, Mussolini conseguiu controlar todo o Estado italiano.
O Partido Nacional Fascista planejou um modelo de Estado forte, no qual o poder executivo fosse centralizado e a figura do líder, o duce (em italiano), incontestável. O culto à personalidade de Mussolini tornou-se uma das principais características do fascismo italiano. Essa veneração do chefe de Estado também se espalhou para outros países da Europa e para outros continentes nessa época.
Dessa inspiração, surgiram os movimentos que são conhecidos entre os historiadores (e já citados neste texto) como “fascismo espanhol”, no caso de Francisco Franco; “fascismo português”, no caso de Francisco Oliveira Salazar; e “fascismo alemão”, no caso do nazismo de Adolf Hitler.

Neofascimo
Atualmente, utiliza-se o termo “neofascista” como referência a regimes políticos que possuem características semelhantes às dos fascismos tradicionais (italiano, alemão, espanhol, português, etc), mas que possuem certas diferenças ideológicas. Essas diferenciações são decorrentes do contexto de desenvolvimento do neofascismo, que é completamente diferente do contexto dos fascismos do período entreguerras. O elo, portanto, é a aproximação ideológica entre o fascismo clássico e os neofascismos.
São características do “neofascismo”:
1. Chauvinismo: patriotismo exagerado que, muitas vezes, assume posturas violentas e xenófobas.
2. Desprezo pela democracia liberal: apesar disso, o neofascismo não constrói regimes extremamente fechados e totalitários como no caso do fascismo italiano. No neofascismo, podem ser construídos regimes com ar democrático, com eleições, inclusive. No entanto, a ação autoritária e doutrinadora do regime visa a manipular as massas como forma de atender aos interesses fascistas.
3. Medidas antipovo: a ideia de “inimigo externo” do fascismo transformou-se em “inimigo interno” no neofascismo. Assim, grupos internos podem ser encarados como inimigos, e medidas contra eles são tomadas como forma de combater-se a oposição política e o debate de ideias.

Resumo
fascismo foi um movimento que surgiu na Itália na década de 1910 e alcançou o poder desse país na década de 1920, mais precisamente em 1922. A ascensão do fascismo na Itália está diretamente relacionada com a crise econômica que o país viveu. Além disso, tem relação com a frustração italiana com a Primeira Guerra Mundial e com o temor da expansão do socialismo no país.
O líder do fascismo italiano foi Benito Mussolini, político que iniciou sua carreira em movimentos socialistas, mas que, ao longo da década de 1910, foi alinhando seu discurso a pautas nacionalistas que agradavam e aproximavam-no do conservadorismo italiano. Sua popularização foi decorrente do uso da violência para reprimir grupos socialistas.
O termo “fascismo” pode ser usado para referir-se, especificamente, ao fascismo italiano, mas historiadores estendem seu uso para outros regimes daquela época, como o nazismo alemão, a Ustasha croata, o franquismo espanhol, etc. Atualmente, também há utilização do termo “neofascismo” para referir-se a movimentos políticos hodiernos que possuem aproximações ideológicas com o fascismo.
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*Crédito da imagem: Everett Historical / Shutterstock
**Crédito da imagem: withGod / Shutterstock
***Crédito da imagem: Olga Popova / Shutterstock


Por Daniel Neves Silva (Historiador)
      Cláudio Fernandes (Mestre em História)

Fonte: Brasil Escola