15 março, 2026

Um caminho para uma Paróquia se tornar uma Paróquia de Comunidades Eclesiais de Base

Se uma paróquia da Arquidiocese de Maringá deseja tornar-se uma Paróquia de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), apresentamos, a seguir, alguns passos que consideramos fundamentais para esse processo.

Primeiramente, é necessário acolher a proposta pelo maior número possível de fiéis pertencentes à paróquia, especialmente pelas lideranças. Esse processo pode ser realizado por meio de rodas de conversa, encontros formativos e também nos momentos celebrativos, favorecendo a escuta, o diálogo e o discernimento comunitário.

Após esse movimento de ouvir, partilhar e apresentar a riquíssima contribuição histórica das CEBs para a Igreja, é importante convocar uma assembleia paroquial para que a comunidade possa refletir, discernir e aprovar a proposta de caminhar como uma paróquia de Comunidades Eclesiais de Base. Nessa assembleia, também deve ser constituída uma equipe responsável por dar continuidade ao processo de implantação do projeto.

A partir do mapa geográfico da paróquia, realiza-se a setorização do território. É importante recordar que, quanto menor for geograficamente uma comunidade, maior tende a ser sua dinamicidade e sua capacidade de viver uma Igreja próxima do povo. Um bom referencial é que cada comunidade seja constituída por até 1.000 pessoas.

Depois da setorização, deve-se realizar o mapeamento das lideranças, identificando as pessoas que já exercem algum serviço, aquelas que participam ativamente da vida da Igreja, mesmo sem uma função definida, e também aquelas que são referências humanas e comunitárias em seu território.

É importante, ainda, mapear os grupos de reflexão do material Ninguém Cresce Sozinho já existentes nos setores formados.

Concluído esse mapeamento, deve-se promover um diálogo coletivo e, sempre que possível, também pessoal com essas pessoas, convidando-as a assumir o protagonismo no processo de formação das CEBs no território paroquial.

Outro passo fundamental é trabalhar com todas as pastorais, movimentos, serviços, organismos e grupos existentes na paróquia, ajudando-os a compreender a importância do pertencimento à comunidade onde vivem. As CEBs são o chão da missão do laicato: a missão acontece na comunidade, pela comunidade e em nome da comunidade.

É necessário reafirmar continuamente que a Iniciação à Vida Cristã (IVC) acontece na comunidade. As CEBs são espaços privilegiados onde a IVC cresce, amadurece e floresce.


Quando o setor deixa de ser setor e passa a ser uma comunidade?

O setor torna-se comunidade quando começa a desenvolver uma espiritualidade comunitária própria. Nessa etapa, já existem grupos de reflexão organizados, celebrações frequentes, participação ativa na vida paroquial e iniciativas pastorais que fortalecem a comunhão e a missão.


Quando a comunidade passa a ser reconhecida como CEB?

A comunidade torna-se verdadeiramente uma Comunidade Eclesial de Base quando dá um passo além. Ela deixa de ser apenas um agrupamento territorial e assume plenamente sua identidade eclesial, missionária e transformadora.

Nessa experiência, o povo organiza-se para cuidar da vida da comunidade, da evangelização, da celebração da fé e da solidariedade entre as pessoas.

As comunidades tornam-se espaços onde os moradores se conhecem, partilham suas alegrias e dificuldades, cuidam uns dos outros e assumem corresponsavelmente a missão da Igreja. Além de olhar para sua própria realidade local, mantêm uma profunda comunhão com a paróquia, a Arquidiocese e a sociedade, contribuindo para a transformação social à luz do Evangelho.

A experiência tem demonstrado que a setorização alcança sua maior fecundidade quando gera comunidades vivas e missionárias, e estas, por sua vez, amadurecem como CEBs. É nesse processo que a Igreja se torna mais próxima do povo, fortalece o sentimento de pertença, forma lideranças e promove uma evangelização encarnada na realidade das pessoas.

Assim, a comunidade deixa de ser apenas um lugar onde se participa de atividades religiosas e passa a ser uma verdadeira família de fé, esperança e compromisso com o Reino de Deus.


O compromisso com o Reino de Deus na mística das CEBs

Na mística das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), o compromisso com o Reino de Deus é compreendido como uma experiência de fé que une espiritualidade, vida comunitária e transformação da realidade. O Reino de Deus não é apenas uma promessa futura, mas uma presença que se manifesta na história, especialmente onde há justiça, fraternidade, cuidado com a vida e participação do povo.

Esse compromisso possui duas dimensões inseparáveis: ad intra (voltada para a vida da comunidade) e ad extra (voltada para a missão no mundo).

O compromisso com o Reino de Deus, na mística das CEBs, é a opção concreta por viver e anunciar o projeto de Jesus, construindo comunidades fraternas, participativas e missionárias, que testemunham a fé por meio da solidariedade, da justiça e do cuidado com toda a criação.


A dimensão ad intra

Na dimensão ad intra, o compromisso com o Reino expressa-se no cuidado com a própria comunidade: o cultivo da espiritualidade, a partilha da Palavra, a celebração da vida, a corresponsabilidade, a formação permanente e o protagonismo das pessoas.

A comunidade torna-se espaço de acolhida, escuta, discernimento e fortalecimento da fé, onde cada pessoa é reconhecida como sujeito da missão.


A dimensão ad extra

Na dimensão ad extra, o compromisso com o Reino conduz à presença transformadora da comunidade na sociedade.

As CEBs assumem a missão de cuidar da Casa Comum, reconhecendo que a criação é dom de Deus e responsabilidade de todas e todos. Inspiradas pela Laudato Si', promovem uma ecologia integral, na qual a defesa da natureza está inseparavelmente ligada à defesa dos pobres e da vida.

Esse compromisso também se concretiza na participação nos processos políticos e sociais, buscando superar os déficits que impedem uma vida digna: a pobreza, a fome, a exclusão, a violência, a falta de moradia, saúde, educação, trabalho e acesso aos direitos.

Não se trata de uma atuação partidária, mas de uma presença cidadã e profética, que promove políticas públicas, organização popular, controle social e participação democrática.

Assim, a mística das CEBs integra oração e compromisso, fé e vida, celebração e luta, fazendo da comunidade um sinal do Reino de Deus que floresce na história por meio da comunhão, do cuidado com a criação e da transformação das estruturas que negam a dignidade humana.

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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)