25 maio, 2018

Um Deus sem atrativos

Deus pode ser uma descoberta inesperada, uma grande surpresa.    




O artigo é de José Antonio Pagola, colaboração de Magda Mello- CEBs Leste II, publicado por CEBs do Brasil, 29-07/2017.


Jesus procurava comunicar às pessoas a Sua experiência de Deus e do Seu grande projeto de fazer um mundo mais digno e feliz para todos. Nem sempre conseguia despertar o Seu entusiasmo. Estavam demasiado acostumados a ouvir falar de um Deus apenas preocupado com a Lei, o cumprimento do sábado ou os sacrifícios do Templo.Jesus contou-lhes duas pequenas parábolas para sacudir a sua indiferença. Queria despertar neles o desejo de Deus. Queria-lhes fazer ver que encontrar-se com o que Ele chamava “Reino de Deus” era algo muito mais maior que o que viviam aos sábados nas suas sinagogas: Deus pode ser uma descoberta inesperada, uma grande surpresa.

Nas duas parábolas a estrutura é a mesma. No primeiro relato, um lavrador «encontra» um tesouro escondido no campo… Cheio de alegria, «vende tudo o que tem» e compra o campo. No segundo relato, um comerciante de perolas finas «encontra» uma perola de grande valor… Sem qualquer dúvida, «vende tudo o que tem» e compra a perola.

Algo assim acontece com o «Reino de Deus» escondido em Jesus, a Sua mensagem e a Sua atuação. Esse Deus resulta tão atrativo, inesperado e surpreendente que quem o encontra, sente-se tocado no mais fundo do seu ser. Já nada pode ser como antes.

Pela primeira vez, começamos a sentir que Deus nos atrai de verdade. Não pode haver nada maior para alentar e orientar a existência. O “Reino de Deus” muda a nossa forma de ver as coisas. Começamos a acreditar em Deus de forma diferente. Agora sabemos por que viver e para quê.

A nossa religião falta-lhe o “atrativo de Deus”. Muitos cristãos relacionam-se com Ele por obrigação, por medo, por costume, por dever…, mas não porque se sintam atraídos por Ele. Mais tarde ou mais cedo podem acabar por abandonar essa religião.

A muitos cristãos foi-lhes apresentada uma imagem tão deformada de Deus e da relação que podemos viver com Ele, que a experiência religiosa lhes resulta inaceitável e inclusive insuportável. Não poucas pessoas estão a abandonar agora mesmo Deus porque não podem viver já por mais tempo num clima religioso insano, impregnado de culpas, ameaças, proibições ou castigos.

Cada domingo, milhares e milhares de presbíteros e bispos pregam o Evangelho, comentando as parábolas de Jesus e os Seus gestos de bondade a milhões e milhões de crentes. Que experiência de Deus se comunica? Que imagem se transmite do Pai e do Seu Reino? Atraímos os corações para o Deus revelado em Jesus? Afastamo-los do Seu mistério de Bondade?

“VENHA A NÓS O TEU REINO”


O Reino de Deus é, sobretudo, uma boa notícia para os pobres e os maltratados injustamente.  Deus não pode reinar, a não ser fazendo justiça àqueles a quem ninguém a faz, nem sequer os reis da terra. Só Deus pode garantir a defesa dos fracos.

Para Jesus, a vinda do REINO DE DEUS é tudo:

– é o núcleo central de sua mensagem,

– a convicção mais profunda,

– o objetivo de toda sua atuação,

– a paixão de sua vida.

Não é de estranhar que, ao ensinar a seus discípulos a rezar, brote-lhe este desejo do fundo do seu ser: “Pai, venha o teu Reino”. Esta terminologia monárquica pode parecer-nos hoje um pouco estranha. Podemos talvez até entendê-la mal. Mas, se quisermos entender o Pai-nosso, devemos aprofundar-nos nesta expressão.


1. EVITAR IDEIAS ERRÔNEAS

a)  Não devemos identificar O REINO DE DEUS com o CÉU, lugar de recompensa e gozo com Deus. Jesus não está pensando num Reinado de Deus que se realiza na outra vida, além da morte. O Reinado de Deus é algo que está em marcha e acontece agora. É certo que a plenitude do Reino se dará no final, mas o crescimento do Reino de Deus, a acolhida, a entrada no Reino devem acontecer agora. Por isso, ao dizer “venha a nós o teu Reino” não estamos pedindo para ir ao céu. Estamos almejando que o Reino de Deus se torne realidade em nós, que chegue sua justiça, que se imponha no mundo seu Senhorio.

b)  Também não devemos entender o Reino de Deus como algo interior que se realiza por meio da graça na alma dos crentes, mas como um processo destinado a transformar a vida inteira. (Lc 17,21: “O Reino de Deus já está entre vós”)[1] Naturalmente, a conversão ao Reino de Deus implica uma vida inteira, mas o chamado a “entrar no Reino” não é um convite para intensificar a vida espiritual, mas para tomar uma decisão que compromete toda a pessoa. Por isso, quando dizemos “venha a nós o teu Reino” não pedimos que Deus reine interiormente nos corações, mas que transforme a realidade inteira do mundo e a vida material, espiritual e social dos seres humanos, para que seja mais conforme com os desígnios de Deus nosso Pai. [2]

c) Também não devemos confundir o Reino de Deus com a Igreja, como se o Reino de Deus só se realiza dentro da instituição eclesiástica e crescesse e se desenvolvesse na medida em que esta cresce e se desenvolve. A Igreja está a serviço do Reino de Deus e trata de anunciá-lo e promovê-lo, pois é “sacramento” ou sinal da presença de Deus entre os seres humanos, inaugurada por Cristo e em Cristo. Mas o Reino de Deus não se identifica com as fronteiras da Igreja visível; Deus reina onde reina seu amor e sua justiça. Por isso, quando dizemos “venha a nós o teu Reino”, não pedimos que cresça e se estenda a Igreja, mas que o Reino de Deus chegue ao mundo inteiro e também a Igreja.


2. A UTOPIA DO REINO DE DEUS

Quando se organizou em Israel a monarquia, nem por isso Deus deixou de ser o soberano do povo, o autêntico Rei de Israel. Por isso Ele era aclamado com hinos como este:

“A ti, Javé, pertencem a grandeza, o poder, o esplendor, a majestade e a glória, pois tudo o que existe no céu e na terra pertence a ti. Teu é o Reino, e a ti cabe elevar-se como soberano acima de tudo. A riqueza e a glória vêm de ti. E tu governas todas as coisas. Em tua mão está a força e o vigor. Em tua mão está o poder de engrandecer e fortificar todas as coisas.” (1Cr 29,11-12) Os reis de Israel estavam subordinados a Deus e deviam cumprir sua vontade.

Por isso não é de estranhar que, ao comprovar que os reis também não atuavam com justiça e bondade, despertasse no povo a esperança de que Deus mesmo enviaria, um dia, seu “Ungido”, ou Messias [3] descendente de Davi, para que instaurasse o verdadeiro “Reinado de Deus”, tornando realidade uma utopia tão antiga como o coração humano: o desaparecimento do mal, da injustiça, e da opressão, da dor e da morte.

O “Reino de Deus“ trará consigo a verdadeira justiça e a paz, a salvação e a felicidade. Então desaparecerão o pecado  as injustiças e se promoverá a libertação e a dignidade de todos. É o que anuncia o Livro da consolação  da profecia de Isaías “Como são belos sobre os montes,  os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa notícia, que anuncia a salvação,  que diz a Sião: «Seu Deus reina».” (Is 52,7)

O Reino de Deus é, sobretudo, uma boa notícia para os pobres e os maltratados injustamente.  Deus não pode reinar, a não ser fazendo justiça àqueles a quem ninguém a faz, nem sequer os reis da terra. Só Deus pode garantir a defesa dos fracos: “Nesse dia, os surdos ouvirão as palavras do livro; e os olhos do cego, libertos da escuridão e das trevas, tornarão a ver. Os pobres voltarão a se alegrar com Javé, e os indigentes da terra ficarão felizes com o Santo de Israel. 

Pois não haverá mais ditador, e aquele que zombava de todos desaparecerá; e todos os que tramam o mal serão eliminados: os que acusam alguém no processo, os que no tribunal fazem armadilha para o juiz e, por um nada, arruínam o justo.” (Is 29, 18-21)   Assim canta o salmista:

“Porque ele liberta o indigente que clama e o pobre que não tem protetor.

Ele tem compaixão do fraco e do indigente, e salva a vida dos indigentes.

Ele os redime da astúcia e da violência, porque o sangue deles é precioso aos seus olhos.” (Sl 72/71, 12-14)

Assim, pois, o desejo de que venha o “Reino de Deus“ resume o anelo de que chegue uma nova ordem ao mundo que só Deus pode introduzir. Só Ele pode impor na humanidade a justiça verdadeira. Só Ele pode trazer ao mundo a paz e a salvação. Só Ele pode destruir o pecado e eliminar a iniquidade.

3. O REINO DE DEUS ESTÁ CHEGANDO


oda a atuação de Jesus se concentra na vinda deste Reino de Deus. Jesus vive convencido de que com ele, com sua mensagem e sua atuação, o Reino de Deus começa a tornar-se realidade. Deus já está chegando. O Reino de Deus começa a abrir caminho entre os seres humanos. A vida está sendo trabalhada pela força salvadora de Deus. Esta é a grande notícia que obriga a todos nós a mudar. Assim resume o Evangelista São Marcos a mensagem central de Jesus:

«O tempo já se cumpriu, e  o  Reino de Deus está próximo.  Convertam-se e creiam no Evangelho (Boa Nova).» (Mc 1,15) [4] Esse Reinado de Deus não chega com a espetacularidade que muitos contemporâneos de Jesus esperavam, mas de maneira humilde, simples e quase oculta. O Messias, o Enviado de Deus não vem instaurar um reino poderoso, de caráter político. Seu modo de tornar presente o Reino de Deus é introduzir justiça, verdade, saúde e perdão na vida  dos  seres  humanos. «… Porque   o Filho do Homem   não   veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos.» (Mc 10,45) Por isso, esse Reinado de Deus é como uma “semente” que foi semeada no mundo para ir crescendo (Mc 4,26-32), como um punhado de “fermento” que foi introduzido na história humana para ir transformando-a (Mt 13,33).  A força salvífica de Deus já está atuando, mas é: como um “tesouro escondido” que ainda deve ser descoberto (Mt 13,44) ou como uma “pérola preciosa” pela qual se arrisca tudo (Mt 13,45).

Á primeira vista, tudo isto sobre o “Reino de Deus” pode parecer ainda algo insignificante, como um pequeno “grão de mostarda” (Mc 4,31) inclusive pode parecer que vai fracassar, pois a semente pode ter diversas sortes segundo a acolhida ou a resistência que vai encontrar ao cair em diferentes terrenos (Mc 4,3-9). Mas Jesus convida seus seguidores a descobrir, no mais profundo da história humana, a força humilde, mas poderosa, de Deus que já conduz o mundo para sua salvação: “A vós foi dado o mistério do Reino de Deus“ (Mc 4,11).

O próprio Jesus, com sua atuação sanadora e sua luta contra o mal e a dor, oferece sinais de que o Reinado de Deus está chegando: «os cegos recuperam a vista,  os paralíticos andam,  os leprosos são purificados,  os surdos ouvem,  os mortos ressuscitam e  aos pobres é anunciada a Boa Notícia.» (Mt 11,5).


Se Jesus vai expulsando o mal e fazendo mais sã a vida dos humanos, mais libertada e feliz, isto indica que Deus está vencendo o mal com o bem e está implantando seu Reino:  “Mas se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, “Mas se pelo dedo de Deus que expulso os demônios”(Lc 11,20))   então o Reino de Deus chegou até vós” (Mt 12,28).

A chegada do Reino de Deus é a melhor notícia que se podia escutar no mundo, pois aquele que quer reinar entre os homens não é um ditador, mas um Deus-Pai, Abba, que busca só uma coisa, que é o bem e a felicidade de todos. Se Deus reina, reinará na humanidade a fraternidade, a comunhão e a amizade. Acolher a Deus como único Absoluto não leva à injustiça, à opressão ou à mútua destruição. Ao contrário, é a única coisa que pode levar a humanidade à convivência fraterna e à justiça para todos.

Segundo Jesus, os primeiros que vão escutar o Evangelho(=Boa Nova) do Reino são os pobres: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lc 4,18). Os primeiros beneficiados com a chegada do Reino de Deus são os indefesos, as vítimas dos poderosos, os marginalizados, os que não tem lugar na sociedade nem no coração dos outros.
Não que estes sejam melhores do que ninguém para merecer o Reino de Deus de forma privilegiada. A única razão é que são pobres e estão necessitados de justiça e amor. Por isso é bom para eles que se imponha o Reinado de Deus e sua justiça.  Se Deus reina no mundo, nessa mesma medida já não reinarão os poderosos sobre os fracos, os ricos não abusarão dos pobres, os homens não dominarão as mulheres, os povos do Primeiro Mundo não explorarão os do Terceiro Mundo.

Por outro lado, se reinam Deus e a sua justiça, já não reinarão na humanidade, como senhores absolutos, o dinheiro, a força, as armas, o bem estar e o poder. Não se poderá dar a nenhum César o que é de Deus (cf. Lc 20,25). Não se poderá servir ao mesmo tempo a Deus e ao dinheiro (cf. Lc 16,13)

4. ENTRAR NO REINO

O Reino de Deus está em processo. “Já está aqui, mas ainda não chegou a sua plenitude. Foi semeado na terra, e deve ir crescendo aos poucos. Seus começos são humildes, quase insignificantes, mas está destinado a ter um alcance universal. O bem já atua no mundo, mas ainda não venceu totalmente o mal. O Reino é um dom que recebemos, mas também é uma promessa que esperamos ver realizada”[5]. Daí o nosso anseio: “Venha o teu Reino” : que a “semente” continue crescendo, que o “fermento” continue levedando, que o começado em Cristo continue a desenvolver-se. Fazer do íntimo este pedido só é possível quando se está disposto a entrar na dinâmica do Reino. Se desejamos o Reino, temos de seguir o convite de Jesus:

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e    todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo” (Mt 6,33).

Entrar no Reino de Deus exige adotar uma atitude de “crianças” que acolhe o Pai, Abba, pois “o Reino dos Céus é dos que são como elas” (Mt 19,14)[6]. Exige também viver com o espírito das bem-aventuranças, pois “deles é o Reino de Deus“ (Lc 6,20).

Mas, além disso, o anseio pelo Reino de Deus impele e compromete a trabalhar para que esse Reino de Deus seja acolhido. Isto significa trabalhar por um mundo mais fraterno e solidário, construir relações mais humanas, instaurar a paz e promover a reconciliação, reagir contra as injustiças, manter sempre viva a esperança em Deus, sem cair no pessimismo ou no desespero, pedir ardentemente a vinda do Reino. Seguindo a Jesus, também nós somos chamados a realizar gestos libertadores, criadores de vida, que podem ser percebidos como boa notícia pelos que sofrem: “Pelo caminho, proclamai que está próximo o Reino de Deus.

Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, dai também de graça!” (Mt 10,7-8). Os gestos podem ser diversos: oferecer esperança aos que não podem esperar nada desta sociedade, acolher aqueles que não encontram lugar nem acolhida em parte alguma, defender aqueles que não podem defender-se diante dos poderosos, fazer justiça aos que são mal tratados injustamente, dar vez e voz aos que são esquecidos e marginalizados, oferecer perdão e possibilidade de reabilitação aos culpáveis… Onde se vive e trabalha com este espírito, está chegando o Reino de Deus.  Quem anseia pelo Reino não perde a esperança nem esquece a ação de graças:  “Nós te damos graças, Senhor Deus todo-poderoso, aquele que é e que era,  porque assumiste o teu grande poder e entraste na posse do Reino” (Ap 11,17).

Embora não vejamos realizado seu Reino tal como desejamos, nós sabemos que Deus orienta tudo para a salvação final.     Deus é “Aquele que É, que Era e que Vem” (Ap 1,4).

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NOTAS:

[1] A ideia  de um  Reino de Deus  no interior das pessoas  provém, sobretudo,  da interpretação  que  muitos  fizeram  de   Lc 17,21:    “[…….] o Reino de Deus já está dentre de vós”. A exegese atual entende: “O Reino de Deus já está entre vós”. Devemos optar pelo Reino que não é um acontecimento puramente externo.

[2] Marcos define o REINO DE DEUS assim: “vivermos em paz uns com os outros.” (Cf. Mc 9,50)  É o desejo de Deus, a Sua vontade. Marcos usa REINO DE DEUS 14 vezes:    Mc 1, 15;    4,11.26.30;  9,1.47;  10,14.15.23.24.25;  12,34; 14,25; 15,43

[3] O meu “UNGIDO” (Sl 2,2) no original hebraico corresponde a “MESSIAS” sendo o prometido por Deus para ser o Rei que salvaria o seu povo. Na tradução literal para o grego ficou “CRISTO”.

[4] A palavra EVANGELHO (em grego) é traduzida como BOA NOTÍCIA ou BOA NOVA.

[5] Cf. (BORRELL, A. Op.cit.,p.46)

[6] Mateus fala do “Reino dos Céus“, mas é para designar o “Reino de Deus“, evitando usar explicitamente o nome divino.

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Texto extraído do Livro: “PAI-NOSSO – Orar com o Espírito de Jesus” de JOSÉ ANTONIO PAGOLA, Ed Vozes – 2012

*José Antonio Pagola cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. Foi professor de Cristologia na Faculdade Teológica do Norte da Espanha (Vitoria). É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Há sete anos se dedica exclusivamente a pesquisar e tornar conhecida a pessoa de Jesus.

24 maio, 2018

NÃO ao aumento do combustível e NÃO a privatização da Petrobras!


NÃO ao aumento do combustível e NÃO a  privatização da Petrobras!

O Governo precisa sim diminuir os preços dos combustíveis e atender as reivindicações dos trabalhadores caminhoneiros.

É preciso reagir,  o preço do combustível está cada vez mais caro e pesado para as/os consumidores.

Não podemos nos calar diante de uma orientação política do setor petrolífero. 

Vamos dizer NÃO,  não somente contra o reajuste dos combustíveis, mas NÃO contra a privatização da Petrobras.

Direito à Greve

A Doutrina Social da Igreja Católica reconhece a legitimidade da greve quando se apresenta como “recurso inevitável, senão mesmo necessário”, tendo em vista um “benefício proporcionado”, como se pode ler no Catecismo da Igreja.

Precisamos apoiar este movimento dos caminhoneiros. Somar força.

Congresso do Povo Seminário Municipal - Maringá-PR

Todas e todos podem participar do Congresso do Povo.

É um importante momento de formação popular que tem o objetivo de contribuir na formação do povo brasileiro, para que a população compreenda que sem mobilização e organização da sociedade não será possível conquistar, manter e ampliar os direitos e que quanto mais desmobilizada a sociedade estiver, mais fácil será retroceder as conquistas.

 O Seminário Municipal de Maringá, preparativo ao Congresso do Povo será realizado neste sábado (26), a partir das 8 horas, no Centro Comunitário Alvorada. 

Os participantes do seminário trabalharão em quatro grupos de estudos: 
Assistência Social, Saúde e Segurança Pública; 
Educação, Cultura, Esporte e Lazer;
Direitos Humanos e Cidadania; 
Meio Ambiente e Moradia.

Da etapa municipal são decididas as diretrizes da etapa regional do Congresso do Povo, que também acontece em Maringá, no dia 2 de junho, na Casa da Cultura do Jardim Alvorada. 

Privatização e preço do combustível: o que entender da greve dos caminhoneiros

"O problema do aumento do preço do combustível reside na atual lógica privatista"


Fonte da Foto Internete

O artigo é de  Juliane Furno, publicado por Brasil de Fato, 23/05/2018 

Um grande protesto de caminheiros rompeu nas principais rodovias do país no dia 21 desse mês e está mobilizando discussões Brasil afora. O motivo do protesto são as sistemáticas altas no preço do combustível nos postos de gasolina, principalmente o Diesel, que, no acúmulo de 12 meses, teve um aumento de 12% ao consumidor.

O movimento dos caminheiros autônomos reivindica que alíquota do PIS/Pasep e o Cofins seja zerada e que haja a isenção do imposto que incide sobre combustíveis, o CIDE. 

A categoria reivindica que tais mudanças ocorram sobre o Diesel, o principal combustível utilizado nos fretes e demais transporte de mercadorias. 

Ocorre que o preço do combustível está cada vez mais caro e pesado no bolso do consumidor por uma orientação política do setor petrolífero, e pouco tem a ver com a quantidade incidente de impostos. 

Essa política de isenção de impostos para o Diesel, em última instância, significa transferir recursos públicos para subsidiar o preço final do combustível. 

Isso tudo tem um custo fiscal para o Estado e para a sociedade brasileira. Aliás, esses impostos (PIS/Pasep e Cofins) fazem parte de conjunto de impostos que são necessários às políticas sociais utilizadas amplamente pela população.

O verdadeiro problema do aumento do preço do combustível reside, na verdade, na atual lógica privatista e entreguista que tem sido levada adiante pela gestão de Pedro Parente na presidência da Petrobras.

Em 2016 a direção da estatal instituiu uma nova política de preços do combustível, que passou a ser ditado pela variação da cotação do petróleo no mercado internacional, o que ocorre em dólar. Antes disso, a política interna de preço se relacionava com os custos das operações até a chegada do combustível ao posto, ou com a política econômica mais geral do governo, que poderia congelar o preço da gasolina (como fez Dilma Rousseff entre 2013 e 2014) para não impactar a inflação e garantir a continuidade do crescimento.

Ou seja, com o alinhamento do preço dos combustíveis aos parâmetros internacionais, o Estado perde a possibilidade de executar uma política que se relacione com nossas necessidades de desenvolvimento nacional.

Essa nova política de preços se relaciona com outra medida, sistematizada no documento do PMDB “Uma Ponte para o Futuro”.  Lá está previsto, entre outras coisas, a venda do controle de parte das refinarias brasileiras. 

Assim, mais uma vez perdemos a possibilidade de ditar o preço doméstico do combustível. Isso porque – com a venda do refino – a Petrobras vai deixando de ser uma empresa integrada, com um alinha de produção que vai desde o poço petrolífero até o posto de distribuição. 

Em resumo, a problemática atual do descontrole do preço do diesel está muito mais ligada à política de privatização do refino, e da nova política de preços, do que ao excesso de “impostos”. 

Está em jogo nessa política não somente prejuízos ao bolso dos trabalhadores e impactos na inflação, mas, principalmente, está em jogo a perda da nossa soberania nacional envolvida na nossa capacidade interna de controlar as variáveis do nosso desenvolvimento nacional. 

Edição: Simone Freire

Papa: explorar o trabalhador é pecado mortal

Dedicando a missa na Casa Santa Marta ao “nobre povo chinês”, que hoje festeja Nossa Senhora de Sheshan, Francisco exorta a tomar distância das riquezas que seduzem e escravizam.


Tomar distância das riquezas, porque estas nos foram oferecidas por Deus para doá-las aos outros. A este tema o Papa Francisco dedicou a missa celebrada na manhã de quinta-feira (24/04) na Casa Santa Marta.

Na memória de Nossa Senhora Auxiliadora, o Pontífice celebrou a missa na intenção do “nobre povo chinês”, que festeja a Virgem de Sheshan em Xangai.

Riqueza apodrecida

O Papa se inspirou Leitura de São Tiago apóstolo, que fala do salário não pago aos trabalhadores e o seu clamor que chega aos ouvidos do Senhor. Francisco destaca que Tiago usa expressões contundentes para falar aos ricos, sem meias palavras, condenando a “riqueza apodrecida”, como fez Jesus:

“Ai de vós ricos!”, é o primeiro ataque depois das Bem-aventuranças na versão de Lucas. “Ai de vós ricos!”. Se alguém fizer uma pregação assim, no dia seguinte nos jornais aparece: “Aquele padre é comunista!”. Mas a pobreza está no centro do Evangelho. A pregação sobre a pobreza está no centro da pregação de Jesus: “Bem-aventurados os pobres” é a primeira das Bem-aventuranças. E a carteira de identidade com a qual Jesus se apresenta quando volta ao seu vilarejo, a Nazaré, na sinagoga, é: “O Espírito está sobre mim, fui enviado para anunciar o Evangelho, a Boa Nova aos pobres, o alegre anúncio aos pobres”. Mas na história sempre tivemos esta fraqueza de tentar tirar esta pregação sobre a pobreza, acreditando se tratar de algo social, político. Não! É Evangelho puro, é Evangelho puro.

Dois senhores

Francisco convidou a refletir sobre o porquê de uma pregação assim “tão dura”. A razão está no fato de que “as riquezas são uma idolatria”, são capazes de “seduzir”. O próprio Jesus, explicou o Papa, disse que “não se pode servir a dois senhores: ou você serve a Deus ou às riquezas”: dá, portanto, uma “categoria de ‘senhor’ às riquezas, isto é, a riqueza “o pega e não o larga e vai contra o primeiro mandamento”, amar a Deus com todo o coração.

As riquezas vão também contra o segundo mandamento, porque destroem a relação harmoniosa “entre nós homens”, “estragamos a vida”, “estragamos a alma”. O Papa recordou a Parábola do rico - que pensava na “boa vida”, nas festas, nas roupas luxuosas – e do mendicante Lázaro, “que não tinha nada”.

Tiago sindicalista

As riquezas, reiterou, “nos levam embora a harmonia com os irmãos, o amor ao próximo, nos fazem egoístas”. Tiago reivindica o salário dos trabalhadores que cultivaram a terra dos ricos e não foram pagos: “alguém poderia confundir o apóstolo Tiago com um sindicalista”, afirmou Francisco. E na verdade, acrescentou, o apóstolo “fala sob a inspiração do Espírito Santo”. Parece uma coisa dos nossos dias, disse o Papa:

Também aqui, na Itália, para salvar os grandes capitais deixam as pessoas sem trabalho. Vai contra o segundo mandamento e quem faz isto: “Ai de vós!”. Não eu, Jesus. Ai de vocês que exploram as pessoas, que exploram o trabalho, que pagam de maneira informal, que não pagam a contribuição para a aposentadoria, que não dão férias. Ai de vós! Fazer “economias”, fraudar o que se deve pagar, o salário, é pecado, é pecado. “Não, padre, eu vou à missa todos os domingos e participo daquela associação católica e sou muito católico e faço a novena disso…”. Mas você não paga? Essa injustiça é pecado mortal. Você não está nas graças de Deus. Não sou eu que estou dizendo, é Jesus, é o apóstolo Tiago. Por isso as riquezas nos afastam do segundo mandamento, do amor ao próximo.

Rezar pelos ricos

As riquezas, portanto, têm uma capacidade que nos tornar “escravos”: por isso Francisco exorta a “fazer um pouco mais de oração e um pouco mais de penitência” não pelos pobres, mas pelos ricos.

Você não é livre diante das riquezas. Você para ser livre diante das riquezas deve tomar distância e rezar para o Senhor. Se o Senhor lhe deu riquezas é para distribui-las aos outros, para fazer em seu nome tantas coisas boas para os outros. Mas as riquezas têm esta capacidade de nos seduzir e nesta sedução nós caímos, somos escravos das riquezas.

Giada Aquilino – Cidade do Vaticano


Fonte: Vatican News

23 maio, 2018

Oração

"Senhor, abre o meu coração para que possa receber toda a tua alegria e comunicá-la ao mundo. Perdoa-me a presunção com que, por vezes, realizo obras em teu nome. Tenho a boca, as mãos, o coração e a mente cheios de Ti, mas os meus sentimentos levam-me a procurar interesses e resultados egoístas. Não permitas que os tente justificar, porque, só Tu os podes justificar pela tua morte na cruz. Que a minha única riqueza seja ver a pobreza dos outros, para ir em sua ajuda. E que a minha pobreza seja colmatada pela riqueza que os outros têm para me dar. Amém."]

Fonte: Dehonianos

Papa: com o Sacramento da Crisma ser sal e luz do mundo


O Pontífice deu início a um novo ciclo de catequeses, desta vez dedicado ao Sacramento da Confirmação.

Apesar do mau tempo, milhares de fiéis participaram com o Papa Francisco da Audiência Geral desta quarta-feira (23/05).



Na Praça S. Pedro, os peregrinos ouviram o Pontífice iniciar um novo ciclo de catequeses, desta vez dedicado ao sacramento da Crisma, também chamado Confirmação, quando os fiéis recebem o dom do Espírito Santo.

Sal e luz do mundo

Aos seus discípulos, Jesus confiou uma grande missão: ser sal da terra e luz do mundo. “São imagens que nos levam a pensar no nosso comportamento, porque seja a carência, seja o excesso de sal comprometem o alimento, assim como a falta ou excesso de luz impedem de ver”, disse o Papa, acrescentando que somente o Espírito de Cristo nos dá o sabor e a luz que clareia o mundo.

Este dom é recebido justamente no Sacramento da Confirmação. “Confirmação porque confirma o Batismo e reforça a sua graça; assim também “Crisma” porque recebemos o Espírito mediante a unção com o “crisma” – óleo consagrado pelo Bispo – termo que remete a “Cristo”, o Ungido pelo Espírito.

Nada podemos sem o Espírito Santo

Renascer para a vida divina no Batismo é o primeiro passo, explicou o Papa, depois é preciso se comportar como filhos de Deus, ou seja, conformar-se ao Cristo que atua na santa Igreja.

“Sem a força do Espírito Santo não podemos fazer nada. Assim como toda a vida de Jesus foi animada pelo Espírito, assim também a vida da Igreja e de cada seu membro está sob a guia do mesmo Espírito.”

LEIA TABÉM

23/05/2018

Audiência Geral de 23 de maio

A carteira de identidade de Cristo

Francisco ressaltou o modo com o qual Jesus se apresenta na sinagoga de Nazaré, a sua a carteira de identidade, isto é, Ungido pelo Espírito. «O Espírito do Senhor está sobre mim; por isso me consagrou com a unção e me enviou a levar aos pobres o alegre anúncio » (Lc 4,18).

O “Respiro” do Cristo Ressuscitado enche de vida os pulmões da Igreja. Pentecostes é para a Igreja aquilo que para Cristo foi a unção do Espírito recebida no Jordão, isto é, o impulso missionário a viver a vida pela santificação dos homens, a glória de Deus.

Deixar-se guiar pelo Espírito

No momento de fazer a unção, explicou ainda Francisco, o bispo diz estas palavras: “Receba o Espírito Santo que lhe foi confiado como dom”.

“É o grande dom de Deus”, finalizou o Pontífice. “Todos nós temos o Espírito dentro, o Espírito está no nosso coração, na nossa alma. E o Espírito nos guia para que nos tornemos sal e luz na medida certa aos homens. O testemunho cristão consiste em fazer somente e tudo aquilo que o Espírito de Cristo nos pede, concedendo-nos a graça de o realizar.”


Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano

Fonte: Vatican News

22 maio, 2018

Oração

"Ó Jesus, na provação, Te tornaste sacerdote misericordioso. Ajuda-me a acolher as minhas próprias provações como momentos de educação salutar, e como motivos de alegria, porque me unem a Ti. Ajuda-me a acolher e a entender as palavras de Pedro: «exultais de alegria, se bem que, por algum tempo, tenhais de andar aflitos por diversas provações» (1 Pe 1, 6), bem como as de Paulo: «Estou cheio de consolação e transbordo de alegria no meio de todas as nossas tribulações» (2 Cor 7, 4). Que jamais me desoriente nas dificuldades e que, fixando o olhar em Ti, encontre, para elas, uma saída inspirada no teu amor por mim e no meu amor por Ti. Amém."

Fonte: Dehonianos

21 maio, 2018

Na alegria de ser sua madrinha lhe dou o livro “Alice no País das Maravilhas

Na foto a minha direita minha sobrinha e afilhada de Batismo Paula
 a esquerda a Karla sobrinha e afilhada da Crisma


Minha querida afilhada Karla Heloisa Costa Bueno

Na alegria de ter sido escolhida por você para ser sua madrinha do Sacramento da Crisma, lhe dei o livro “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll e a crônica “Para Maria das Graças” de Paulo Mendes Campos.

Por que lhe dei o livro “Alice no País das Maravilhas”, para usá-lo como um manual de sobrevivência para esse mundo lindo e maluco que vivemos.

A história é amalucada, mas nosso dia a dia muitas vezes também pode ser louco, não é mesmo?

Karla Heloisa, o segredo do bem viver está em encontrar um sentido para a vida, para não corrermos o risco de ficarmos malucas/os.

Paulo Mendes Campos lembra a Maria da Graça que haverá momentos em que nos sentimos tão pequenos que podemos tomar camundongos por rinocerontes, como fez Alice quando diminuiu de tamanho e ficou pequenina como um inseto.

Sabe minha querida Karla Heloisa, podemos passar por momentos nos sentindo tão diminuídos que exageramos os nossos problemas. Tu já deve ter ouvido “tempestade em copo d’água”. Mas pode acontecer.

Ao ler a crônica, tu verás que para o cronista, os instantes em que nos apequenamos e aumentamos o real tamanho das dificuldades, ocorrem quando nos sentimos tristes e deprimidos. Campos alerta que temos de ficar muito atentos se isso ocorrer. É quando podemos nos afogar em nossas próprias lágrimas – do mesmo modo que quase acontece com Alice, quando ela diminui de tamanho e tem de atravessar a nado o lago de lágrimas que a própria personagem havia chorado enquanto estava gigante.

Más é preciso nos vigiar sempre, tomo a liberdade de avançar na metáfora de Campos, para dizer que precisamos nos atentar aos momentos em que nos sentimos grandes, mais fortes que os outros, mais importantes, autossuficientes – como se tivéssemos comido o mesmo bolo que torna Alice uma gigante, isso não é bom, nada bom.

Lembre sempre como uma lição para sua vida, Alice, após cair na toca do coelho, teve de sorver a bebida que a torna nanica para passar pelo pequeno portão de entrada do País das Maravilhas. Nós, às vezes, também precisamos descer do pedestal que nos coloca acima das pessoas e sermos humildes para poder abrir a porta do mundo de nossos sonhos. Isso é lindo.

O livro “Alice no País das Maravilhas” vem como uma auto-ajuda talvez, aliviando a visão sobre o mundo, e os que nos cerca no entendimento sobre a vida vivida por um personagem.

Karla Heloisa, às vezes é preciso não levar a vida tão a sério. Alice no país das Maravilhas apresenta momentos mágicos, e no mundo real você Karla Heloisa pode encontrar formas também para escapar, ou resolver algo que lhe tire as dúvidas, que lhe mostre um caminho.

Veja só, a lição que nos da o ratinho quando conta sobre sua trajetória, de que todos nós temos problemas, que daria para escrever um livro, com tanta coisa que nos acontece, momentos tristes e alegres.

O texto mexe muito com relação o que apreendemos no dia a dia, coisas inexplicáveis, são sensações de momentos aprendidos, do que a vida é capaz de mostramos em simples gestos.

Parece loucura Karla Heloisa, somos como uma máquina complicada que produz durante a vida toda uma quantidade imensa de camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem-disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nosso domínio disfarçado de camundongo. Sabe qual é o grande desafio, minha afilhada, é nunca perder o bom humor.

Sabe minha afilhada, às vezes podemos nos abandonar de tal forma ao sofrimento, com tal complacência, que podemos ter medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um largo, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas".

A verdade Karla Heloisa, é que somos camundongos pequenos e ao mesmo tempo grandes, conforme enxergamos a vida.

Espero que leia à crônica “Para Maria das Graças” de Paulo Mendes Campos, depois de ter lido a crônica leia o livro “Alice no País das Maravilhas”, que iluminado pelo Espírito Santo, lhe servirá como orientação para sua vida.

E não esqueça, não sou apenas sua tia e madrinha, sou sua amiga, talvez tu nem saiba, mas sua verdadeira amiga.
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A celebração do Sacramento foi no dia 18 de maio de 2018, na Paróquia São Mateus Apóstolo de Maringá.

Fotos do Sacramento da Crisma da Karla Heloisa Costa Bueno

Recebi a graça de ser por ela escolhida para ser sua madrinha.




Ser Madrinha
Ser Madrinha é ser mãe segundo nosso Deus.
Um acompanhar sincero. Estar sempre por perto. Um cuidar da sua relação com Jesus. Compartilhar alegrias e tristezas, erros e acertos, as não conquistas e as conquistas. Compartilhar a fé. 
Também né Karla passear juntas, ir as missas, curtir momentos juntas.
É...
Isso é ser Madrinha para mim, espero que para tu também, aí sim, vai ser muito bom.

Sacramento da Crisma 
É é o Sacramento da responsabilidade, pois recebemos o Espírito Santo, os dons: 
Sabedoria - Entendimento - Conselho - Fortaleza - Conhecimento - Piedade e Temor de Deus.

Gálatas, 5, 22-23, resume de forma desafiadora o fruto que o Espírito Santo produz em nossas vidas. Os frutos são:
Amor - Alegria - Paz - Paciência - Bondade – Benevolência - Fé - Mansidão e Domínio de Si.

Fotos do Sacramento da Crisma da Karla Heloisa Costa Bueno




















"Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai."

Paróquia São Mateus Apóstolo de Maringá


18 maio, 2018

Repúdio ao ‘pacote do veneno’, que pode reduzir o controle sobre agrotóxicos

Nada menos do que 1.850 agrotóxicos estão registrados no país. E, contado apenas o período 2015-2017, foram importados para o Brasil 14 venenos agrícolas extremamente tóxicos e altamente perigosos ao meio ambiente.


por Nilto Tatto e Patrus Ananias*

Gigantescas multinacionais faturam 10 bilhões de dólares por ano vendendo agrotóxicos no Brasil. Em 15 anos o faturamento delas cresceu quase 400%

A associação dos interesses do agronegócio aos da indústria de agrotóxicos vem, há alguns anos, envenenando cada vez mais o Brasil. Às custas da saúde e, portanto, da vida de brasileiras e brasileiros, tem multiplicado a fortuna dos fabricantes de morte.

Gigantescas multinacionais faturam 10 bilhões de dólares por ano vendendo agrotóxicos no Brasil. Em menos de 15 anos, o faturamento delas aqui cresceu quase 400%, enquanto a quantidade de veneno vendida aumentou 188%.

Nada menos do que 1.850 agrotóxicos estão registrados no país. E, contado apenas o período 2015-2017, foram importados para o Brasil 14 venenos agrícolas extremamente tóxicos e altamente perigosos ao meio ambiente.

Esses dados ficam ainda longe de expor o cenário tenebroso em que se dão o comércio e o uso de agrotóxicos. Parte desse cenário aparece em auditoria da Secretaria de Controle Externo da Agricultura e do Meio Ambiente, do Tribunal de Contas da União. Ao avaliar as estruturas do governo federal para atender acordos firmados junto às Nações Unidas, a auditoria deparou-se com o que chamou de “desafios” relacionados à presença de agrotóxicos no país.

Os auditores identificaram contrabando e uso de agrotóxicos ilegais; importação de produtos não permitidos no país; aplicação do veneno em culturas para as quais o produto não foi registrado; intoxicação aguda e crônica da população; irregularidades na presença de resíduos de agrotóxicos em água para o consumo humano e nos alimentos; falta de informação ao consumidor sobre a presença de agrotóxicos nos alimentos; e imposição, aos trabalhadores agrícolas, da exigência de uso de agrotóxicos para obtenção de crédito rural.

O cenário já é muito grave. Mas, atenção: tudo isso vai piorar, caso a Câmara dos Deputados aprove as propostas que buscam afrouxar ainda mais o controle do Poder Público sobre o comércio e o uso de agrotóxicos.

A liberalização da produção, da comercialização e da distribuição de venenos agrícolas está sob exame de uma Comissão Especial que votará nos próximos dias, sob patrocínio da bancada do agronegócio – ou, neste caso, de uma bancada da morte -, um substitutivo do deputado Luiz Nishimori (PR/PR) a projeto de lei do senador Blairo Maggi, hoje ministro da Agricultura. Já aprovado pelo Senado, o projeto de Maggi, assim como o substitutivo, vem despertando críticas rigorosas. E será votado sem que a comissão tenha ouvido nenhuma entidade, órgão ou instituição contrária às propostas.

O coordenador da 4ª Câmara do Ministério Público Federal, subprocurador-geral da República Nívio de Freitas Silva Filho, denuncia que o projeto 6.299/2002 viola seis artigos da Constituição e submete à política agrícola o direito à saúde, ao meio ambiente e a defesa do consumidor.

A presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Elisabetta Recine,
pediu à Comissão Especial que rejeite o projeto porque ele “viola diversos direitos, especialmente o Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável”. Lembrou que o Consea defende a redução do uso dos agrotóxicos em função dos diversos impactos diretos e indiretos na saúde humana, tais como vários tipos de câncer, mutação genética, autismo e má formação fetal”.

A Fiocruz emitiu nota em que afirma que o “Pacote do Veneno” negligencia a promoção da saúde e a proteção da vida. “As alterações propostas representam um retrocesso que põe em risco a população, em especial grupos populacionais vulnerabilizados, como mulheres grávidas, crianças e trabalhadores envolvidos em atividades produtivas que dependem da produção ou uso de agrotóxicos.

O Ibama, também em nota, lembra que “o Brasil, desde 2008, é o maior mercado de agrotóxicos do mundo” e que as mudanças em debate na Câmara produzirão “importantes impactos negativos na saúde da população e no comércio agrícola, uma vez que introduzirão no país agrotóxicos hoje proibidos e até banidos em países importadores de alimentos do Brasil.”

A Anvisa e o Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, do Ministério da Saúde, também já se manifestaram contra as propostas de liberalização do controle de agrotóxicos. De acordo com o departamento, elas apresentam fragilidades, incoerências e inconsistências, “negligenciando aspectos relacionados à segurança, saúde e bem-estar dos cidadãos e pela proteção ao meio ambiente.

A Secretaria Nacional de Meio Ambiente e a Secretaria Nacional Agrária do PT reafirmarão nesta segunda-feira, 14, no seminário sobre “Desenvolvimento Rural Sustentável” que realizarão em Brasília, seu repúdio e sua determinação de resistir às propostas em tramitação no Legislativo e a qualquer política pública que favoreça o envenenamento do povo brasileiro. Vamos debater e formular, para inserir no plano de governo do PT, propostas que favoreçam a vida.


Texto de Nilto Tatto (PT-SP), secretário Nacional de Meio Ambiente do partido; Patrus Ananias (PT-MG), secretário Nacional Agrário do partido. Publicado por Carta Capital, 11/05/2018.

Foto de capa: Fernando Frazão/Agência Brasil