15 maio, 2020

O NOJO


O NOJO
(Eliane Brum)

A menina tem pouco mais de dois anos. Está trancada em casa com os pais há dois meses devido à pandemia de covid-19. Sente falta dos amigos da creche, sente falta da sorveteria, sente falta da rua. Mas este não é o problema da menina. Nem é o problema de seus pais. O problema é que a menina tem medo. E não do vírus. Mas daquele que ela chama de “o homem mau”. Tem dificuldade de dormir, quer ficar agarrada à mãe, acorda assustada à noite. A menina tem pesadelos com “o homem mau”. E, quando desperta, “o homem mau” continua lá.
O “homem mau” é Jair Bolsonaro. De todo o medo daqueles que estão ao seu redor, a menina entendeu que o vírus vai ficar do lado de fora, se permanecerem em casa. Mas o homem mau não tem limites. Ele abusa. Invade. Viola. Mata. Os pais criaram uma história, a de que as árvores cresceram e cobriram o prédio, e assim o homem mau não enxerga a casa deles e, como não enxerga, não pode lhes fazer mal. Ela olha com seus olhos imensos, quer acreditar, mas já compreendeu que nem mesmo as árvores podem protegê-la, até porque descobriu que o homem mau também derruba a floresta. Há um novo vilão, e ele não vem dos contos de fadas ou dos filmes da Pixar.

Como ser uma criança e lidar com um vilão que é real, se nem os adultos parecem saber como se defender dele, se nesse conto da realidade ninguém parece saber como parar o vilão real? Se essa história parece não ter outro final que não seja a morte? A menina ainda não tem recursos para nomear o horror de estar num mundo a mercê de um vilão, e também o horror de perceber que nem seus pais, que nessa idade são quase todo o seu universo, podem protegê-la dele. Então, só balbucia: “o homem mau”, “o homem mau”, “o homem mau”. E não dorme.

Eu escuto muito. É minha profissão escutar muito e escutar pessoas de todas as cores, origens e classes sociais. A criança expõe, com os poucos recursos de que dispõe aos dois anos, um pânico que vai muito além dela e se espalha por todas as faixas etárias. Se o mundo vive um momento especialíssimo, o de uma pandemia global que está matando uma parte da espécie humana, nós, no Brasil, estamos sendo violentados dia após dia pela perversão do homem no poder em meio à expansão exponencial de um vírus que pode nos matar e já começou a matar pessoas que amamos. Tenho escutado gente muito diferente entre si afirmando que passou a ter reações físicas diante da imagem de Bolsonaro. Ou da voz. Ou mesmo se outra pessoa pronuncia o nome do presidente do Brasil.

Também acontece comigo. Comecei a sentir náusea diante de qualquer alusão a Bolsonaro. Não o enjoo de quando como um alimento que me faz mal. Mas o enjoo do asco. Sou possuída pelo nojo. Há mulheres que têm essa reação diante do estuprador, quando por alguma razão são obrigadas a vê-lo novamente. Outras pessoas manifestam reação semelhante no convívio com o sequestrador. Outras na presença do torturador. Bolsonaro é tudo isso. Ele tem nos violentado, sequestrado nossa sanidade, nos ameaçado com sua irresponsabilidade deliberada e também nos torturado todos os dias, usando para isso a máquina do Estado.

Somos um país de reféns, e o sequestrador está matando. Ele mata quando boicota as ações de combate à covid-19. Ele mata quando dissemina mentiras sobre remédios sem comprovação científica de eficácia. Ele mata quando contradiz a ciência. Ele mata quando diz que a covid-19 é um “resfriadinho”. Ele mata quando afirma que “o vírus não é tudo isso”. Ele mata quando forja a falsa oposição entre se proteger da doença e “salvar” a economia. E ele pode estar matando literalmente quando vai às ruas estimular outras pessoas a ir para as ruas, quando espirra e aperta mãos com seus dedos lambuzados de ranho, quando manipula celulares alheios, quando faz selfies com seus seguidores, quando pega crianças no colo. Ele mata e tenta dar um golpe quando faz tudo isso em manifestações golpistas contra a democracia, contra o Congresso e contra o Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro mata quando, diante de milhares de brasileiros mortos por covid-19, ele zomba, tripudia e debocha: “E daí?”. Como diz Emicida, “eleja um assassino e espere um genocídio”.

Está acontecendo agora. Neste momento. É grande a possibilidade de que, no futuro, Bolsonaro seja julgado pelo Tribunal Penal Internacional e seja condenado por crimes contra a humanidade, como aconteceu com outros perversos antes dele. Pelo menos duas denúncias já alcançaram a corte. Mas, quando isso acontecer, será muito tarde. Poderemos estar todos mortos.

O que vamos fazer agora, já? Ou vamos deixar “o homem mau” nos matar a todos? O que, afinal, vamos dizer às crianças que esperam ser protegidas por nós?

Tenho nojo de Bolsonaro. Cada palavra que contorce sua face ao sair da boca é uma palavra violenta. O homem cospe cadáveres. Seus três filhos mais velhos são suas cópias, numeradas, como ele mesmo diz (zeroum, zerodois, zerotrês...), comprovadamente estúpidos como o pai e também perversos, pelo menos um deles claramente rondando a psicopatia. Precisei escrever um livro para compreender como foi possível eleger o pior humano para a presidência do Brasil. E não paro de seguir tentando compreender. Mas, para além de compreender, é preciso impedir. Nossa emergência é barrar Bolsonaro, porque a cada segundo a pilha de cadáveres aumenta. Não são números “os inumeráveis”, são pessoas que alguém amou.

Temos informação, pesquisa e capacidade de interpretação dos fatos para concluir que Bolsonaro não é uma anomalia, no sentido de que só existe ele. Se fosse assim, seria bem mais fácil. Bolsonaro representa uma parcela dos brasileiros. Não teria sido eleito não fosse esse núcleo que se identifica com ele e o reconhece como espelho. Segundo as pesquisas, Bolsonaro é a expressão de quase um terço dos brasileiros, que o apoiam mesmo em sua política de morte —ou provavelmente o apoiam exatamente pela sua política de morte. Teremos que nos debruçar por muito tempo e com muito afinco para compreender como nos tornamos um país capaz de produzir um tipo de humano tão desprezível e tão violento. Já temos bastante material de pesquisa para começar.

Sabemos também que não é apenas o Brasil. O mundo já produzia pessoas capazes de urrar de prazer diante de execuções de outros seres humanos ou diante de pessoas sendo devoradas por animais na arena antes de o Brasil existir. A história é pródiga em mostrar a massa gritando e pedindo mais sangue, mais dor, mais violência. Os horrores do século 20, como o nazismo, tão em evidência no momento, estão bem próximos de nós. Mas era possível desejar que talvez pudéssemos ter chegado ao século 21 com mais capacidade de lidar com nossa humana monstruosidade, mais aptos a nos proteger de personagens como Bolsonaro.

Por uma série de razões, já presentes no fato de termos sido o último país das Américas a abolir a escravidão negra, a sociedade brasileira tem suas deformações particulares para lidar. Como, por exemplo, a que nos faz um dos países campeões em linchamentos. Uma parcela dos brasileiros gosta de derramar o sangue dos outros, goza com a dor dos outros, traveste seu horror pessoal em moralidade. Amarra uma bandeira do Brasil no pescoço e vai defecar pela boca em praça pública, ameaçando todo o já desorganizado e insuficiente combate ao coronavírus e, portanto, condenando os mais desprotegidos à morte. É o pessoal capaz de buzinar na frente de hospitais, onde pessoas agonizam, e trancar ambulâncias no trânsito. Nós os conhecemos, seguidamente eles fazem parte da família.

Nenhum deles, porém, tinha chegado à presidência. Sempre parava no Congresso. E, então, esse limite foi rompido. O limite em que um Bolsonaro deixa de ser o pária do Congresso, o bufão que garantia sua reeleição como deputado mas não tinha nenhuma influência real, para se converter no presidente do Brasil. E mais: no “mito”. Ele assume o poder e, como anunciou que faria, converte o Governo numa máquina de produção de morte.

Sabemos que Bolsonaro não conquistou essa façanha sozinho. Que ele foi apoiado por parte das elites nacionais, em todas as áreas. Muitos já compreenderam o que fizeram e o abandonaram por medo de contaminar sua biografia com o sangue produzido em quantidades cada vez maiores por Bolsonaro. Hoje quase só restaram os piratas do empresariado, os generais com nostalgia de ditadura, os predadores do agronegócio e os evangélicos de mercado. Não é pouco o que ainda restou. Mas é menos do que já foi. Quem ainda tem o que perder, como Sergio Moro —herói decaído, mas não tanto que não tenha esperança de juntar os cacos—, está debandando. Do sangue, afinal, ninguém escapa. E há cada vez mais sangue nesse governo.

Já escrevi bastante sobre isso, antes e depois da eleição. Os artigos estão disponíveis para quem quiser lê-los. Agora, porém, preciso repetir que Bolsonaro está nos matando. É imperativo agir no modo emergência. Lutar contra Bolsonaro já não é apenas lutar por bandeiras essenciais como justiça social, igualdade de raça e de gênero, equidade na distribuição da renda, taxação das grandes fortunas, preservação da Amazônia e de seus povos. Passamos a um estágio muito mais agudo. Lutamos hoje para nos manter vivos, porque Bolsonaro boicota as ações contra o coronavírus. Bolsonaro não é coveiro, categoria corajosa e digna de brasileiros. Bolsonaro é assassino.

Não podemos lidar com um perverso como se o que ele faz fosse do jogo democrático. Nossa pergunta é clara: como vamos impedir Bolsonaro de usar a máquina do Estado para continuar a matar?

Nossos vizinhos temem por suas fronteiras. O Paraguai já constatou que a maioria de seus casos estão vindo do Brasil. No mundo inteiro o Brasil está se tornando um pária dominado por um pária. Brasileiros já são olhados com desconfiança. Governados por um maníaco, vivemos uma explosão no crescimento da contaminação por covid-19 e ninguém quer o vírus voltando a entrar pela sua porta depois de tanto esforço para tentar controlá-lo. O planeta já começa a enxergar uma tarja de risco biológico na nossa testa. É isso, sim, que pode prejudicar a economia por muito mais tempo.

Prestem atenção em quem está morrendo mais. São os negros, são os pobres. São os presos trancados em viveiros de vírus, numa violação de direitos inacreditável até para os padrões medievais do Brasil. Quem está morrendo mais são aqueles que desde a campanha Bolsonaro trata como matáveis —ou como coisas. O vírus mata cada vez mais nas aldeias indígenas e vai se espalhando pela floresta amazônica. Quando os invasores europeus chegaram, os vírus e as bactérias que trouxeram com eles exterminaram 95% da população indígena entre os séculos 16 e 17. Há chance de que o novo coronavírus produza um genocídio dessa dimensão caso não exista um movimento global para impedi-lo.

Bolsonaro já demonstrou que apreciaria se os indígenas desaparecessem ou se tornassem outra coisa. “Humanos como nós”, nas suas palavras. Humanos vendedores e arrendadores de terra, humanos mineradores, humanos plantadores de soja e de cascos de boi, humanos amantes de hidrelétricas, de ferrovias e de rodovias. Humanos que se descolam da natureza e a convertem em mercadoria.

São os povos indígenas que colocam literalmente seus corpos diante da destruição da Amazônia e de outros biomas. Mas parte dos apoiadores de Bolsonaro, que hoje também lideram campanhas de “abertura do comércio” nas cidades amazônicas, tem matado os indígenas (e também camponeses e quilombolas) à bala. O vírus pode completar o extermínio de uma forma muito mais rápida e numa escala muito maior. Basta fazer exatamente o que Bolsonaro está fazendo: nada para protegê-los e tudo para estimular a ruptura das regras sanitárias da Organização Mundial da Saúde; nada para protegê-los e tudo para estimular a invasão de suas terras por garimpeiros e grileiros. O que está em curso é exatamente isso: um genocídio.

E também ecocídio, porque na Amazônia esses entes não andam separados. Como sabemos, os destruidores da floresta não fazem home office. O desmatamento avança aceleradamente, aproveitando a oportunidade da pandemia. Os alertas cresceram 64% em abril, depois de já terem batido recordes no início do ano. Bolsonaro demitiu os chefes de fiscalização do Ibama que estavam tentando impedir o massacre da floresta. Está militarizando tanto a saúde, ao colocar militares em postos importantes do ministério, quanto a proteção do meio ambiente, ao subordinar o Ibama e o ICMBio ao Exército nas ações de fiscalização. Em toda a região, camponeses, ribeirinhos e indígenas denunciam que os caminhões cheios de árvores recém derrubadas não param de atravessar as estradas vindos da floresta. Eles gritam. Mas quem os escuta?

Bolsonaro está transformando (também) a Amazônia num gigantesco cemitério. Ele é tão perverso que usa a pandemia para matar a floresta e tudo o que é vivo. O presidente do Brasil pode se tornar o primeiro vilão da história que, sem poder nuclear, tem grande poder de destruição. Sem floresta amazônica não há como controlar o superaquecimento global. Sem controlar o superaquecimento global o futuro será hostil para a espécie humana. Se a Amazônia chegar ao ponto de não retorno, do qual se aproxima velozmente, seu território poderá se tornar um disseminador de vírus nos próximos anos. Neste momento, por mais que os demais países promovam ações de controle e fechem suas fronteiras, sem conter o novo coronavírus num país com 210 milhões de habitantes será muito difícil controlar a pandemia no planeta.

É disso que se trata. É real. Aqueles que lavam as mãos, como disse o ator Lima Duarte, “o fazem numa bacia de sangue”. Lima Duarte fez essa declaração após o suicídio de seu colega Flávio Migliaccio, que tirou a própria vida dolorosamente decepcionado com o Brasil e com os brasileiros. Eu iria ainda mais adiante que Lima Duarte. Quem segue com Bolsonaro não está apenas lavando as mãos numa bacia de sangue. Está matando junto com ele. Uma das perversidades do perverso é produzir cúmplices. E é isso que Bolsonaro faz. Não é possível testemunhar o que está acontecendo e seguir com o humano monstro sem se tornar o humano monstro. Não haverá sabonete, álcool gel, desinfetante capaz de apagar esse sangue das mãos dos assassinos, estejam eles na Fiesp, no Congresso ou no Theatro Municipal.

O que vamos dizer à criança de dois anos que denuncia a nossa impotência em protegê-la quando ela pede socorro contra “o homem mau”?

Neste momento, seguidores de Bolsonaro se aglomeram em Brasília. Alegam que estão praticando a desobediência civil. Como tudo o que tocam vira mentira, todas as palavras saem estupradas depois de passar por sua boca, o que fazem nada tem a ver com desobediência civil, conceito caro a tantos movimentos que tornaram o mundo mais justo e igualitário. O que exercitam diariamente é a mais vil obediência ao maníaco do Planalto e também aos seus próprios instintos de morte, ao seu gozo por sangue e pela dor dos outros. O que treinam cotidianamente é a obediência ao seu próprio sadismo e desejo de violência que Bolsonaro libertou pelo exemplo e pela impunidade que desfrutou. Tentam encobrir seus piores instintos com a bandeira do Brasil, da qual também se apropriaram como se o país pertencesse apenas a quem mata o Brasil.

Desobediência civil hoje é ficar em casa apesar do maníaco que manda sair. Desobediência civil é cuidar de todos os outros apesar do perverso que diz “e daí?”. Desobediência civil é desobedecer ao projeto de genocida que está no poder. E para isso é necessário usar os instrumentos de nossa cada vez mais ferida democracia para tirá-lo de lá e impedir que continue matando. É isso ou dizer para a criança de dois anos que somos covardes demais para protegê-la e, depois da palavra o gesto, abrir a porta da casa para a morte.

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Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora de Brasil, Construtor de Ruínas: um olhar sobre o país, de Lula a Bolsonaro (Arquipélago). Site: elianebrum.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter, Instagram e Facebook: @brumelianebrum


Mourão – nenhum pais vem causando tanto mal a si mesmo como o brasil

O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, afirmou que vê o país a caminho do caos e que não enxerga outro lugar no mundo que esteja "causando tanto mal a si mesmo como o Brasil', em texto que assina no jornal O Estado de S. Paulo, publicado hoje. Ele culpa outras instituições e defende o governo no artigo. 
Para o general da reserva, a pandemia do novo coronavírus não é só uma questão de saúde, mas já se tornou econômica e "pode vir a ser de segurança", em um momento de "estrago institucional".

"A crise que ela [a covid-19] causou nunca foi, nem poderia ser, questão afeta exclusivamente a um ministério, a um Poder, a um nível de administração ou a uma classe profissional. É política na medida em que afeta toda a sociedade e esta, enquanto politicamente organizada, só pode enfrentá-la pela ação do Estado", escreve ele no artigo. 

Mourão diz que o Brasil enfrenta a pandemia de modo "desordenado", já causando ...continue lendo AQUI

Teich deixa o Ministério da Saúde antes de completar um mês no cargo

O ministro da Saúde, Nelson Teich, deixou o cargo nesta sexta-feira (15), antes de completar um mês à frente da pasta. Em nota, a pasta informou que ele pediu demissão.

Teich tomou posse em 17 de abril. Essa é a segunda saída de um ministro da Saúde em meio à pandemia do coronavírus. Teich havia substituído Luiz Henrique Mandetta.

Assim como Mandetta, Teich também apresentou discordâncias com o presidente Jair Bolsonaro sobre as medidas para combate ao coronavírus.
Nos últimos dias, o presidente e Teich tiveram desentendimentos sobre:

- o uso da cloroquina no tratamento da covid-19 (doença causada pelo vírus). Bolsonaro quer alterar o protocolo do SUS e permitir a aplicação do remédio desde o início do tratamento.

- o decreto de Bolsonaro que ampliou as atividades essenciais no período da pandemia e incluiu salões de beleza, barbearia e academias de ginástica

-detalhes do plano com diretrizes para a saída do isolamento. O presidente defende uma flexibilização mais imediata e mais ampla.

Teich foi chamado para uma reunião no Palácio do Planalto...continue lendo...clique AQUI

Dia Mundial da Família


Prece:

"Hoje é o Dia Mundial da Família: rezemos pelas famílias, para que cresça nelas o Espírito do Senhor, o espírito de amor, de respeito, de liberdade. (Papa Francisco)

14 maio, 2020

Prece


14 de maio: “A nossa fragilidade nos leva à oração e ao jejum”


“Neste momento da história há muitos pontos que são comuns à família humana, porém há um em particular: o sofrimento, que não conhece nacionalidade, religião, etnia”. Entrevista com o estudioso islâmico Cenap Aydin, fundador do Instituto Tevere para o Diálogo Inter-religioso

Neste momento de crise pela pandemia, chegou o momento de se dedicar à contemplação e à reflexão. Dia 14 de maio, será dedicado à oração e ao jejum e à invocação a Deus pela humanidade atingida pela pandemia, com a participação do Papa Francisco. A iniciativa nasceu do Alto Comitê para a Fraternidade Humana, formado por líderes religiosos que se inspiram no documento assinado em Abu Dhabi pelo Papa Francisco e o Grão-Imame de Al-Azhar, Al Tayyeb.

Entrevistamos Denap Aysin, de nacionalidade turca, diretor fundador do Instituto Tevere, Centro de diálogo intercultural e inter-religioso e especialista em islamismo para nos falar desta importante iniciativa.
Recordamos os pedidos de jejum e oração de São João Paulo II

“Esta iniciativa – explica Aydin – não é apenas para as pessoas de fé, mas para todos os seres humanos”. A atitude de Francisco, é uma “atitude muito inspirada. Sempre pediu aos fiéis, e não só aos fiéis, para rezarem principalmente pela paz, convida a todos para sentirem necessidade de paz, paz pelo bem-estar, pelo bem comum”. O dia de oração de 14 de maio cai em pleno Ramadã, o mês sagrado e de jejum para o Islã, um jejum que será de todos. Aydin recorda e não é a primeira vez, do convite de São João Paulo II pela paz na Bósnia massacrada pela guerra nos anos 1993 e 1994. E depois, cita o Angelus de 18 de novembro de 2001, quando o Papa Wojtyla convidava para um dia de jejum e oração, eram os dramáticos meses logo depois do atentado às Torres Gêmeas em Nova York, e também na época era tempo de Ramadã, explica, muçulmanos e católicos foram convidados a fazer um dia de jejum e oração juntos.

O estudioso continua: “Também agora, para o dia 14 de maio, estamos no Ramadã, mas o convite é mais alargado, dirigido a todos. Desta vez fazemos um passo adiante e o papel das religiões é muito claro porque agora os fiéis, mas principalmente os líderes religiosos, testemunham a unidade para que o mundo saiba que as religiões, fazendo parte da família humana, são diretamente envolvidas para encontrar soluções a esta crise e aos muitos problemas que afligem nossa humanidade”.

No Alcorão, Maria enfrenta o jejum da palavra

Para Cenap Aydin neste momento da história há muitos pontos que são comuns à família humana, porém há um em particular: o sofrimento, que não conhece nacionalidade, religião, etnia. As más notícias deste período nos fazem aproximar uns dos outros, nos fazem unir os esforços para uma solução imediata. O diretor do Instituto Tevere conclui seu pensamento dirigindo-se à Maria da história, a Maria deste mês mariano. “No Alcorão, capítulo 19, Maria, Maryam é convidada por Deus, segundo a tradição islâmica a observar o jejum, um jejum muito particular, o da palavra, ficar em silêncio quando nasce Jesus. Maria estava muito preocupada com a resposta que deveria dar ao seu povo, portanto vemos uma Maria, Maryam, que não fala, fica em silêncio, fazendo jejum, em oração, em contemplação, esperando uma resposta de Deus. Hoje, em uma outra situação, podemos recordar desta cena no Alcorão. Redescobrimos a nossa debilidade, descobrimos que somos tão frágeis, porém agora é nossa fragilidade que nos leva a estar reunidos de novo em oração, no jejum, no amor que nos abraça e, através da oração, ao amor de Deus”.

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Francesca Sabatinelli 
Vatican News

#RezemosJuntos neste 14 de maio pelo fim da pandemia

13 maio, 2020

Live debate gestão das emoções em tempos de pandemia




Live debate gestão das emoções em tempos de pandemia

O bate-papo pode ser acompanhado no Instagram do complexo hoteleiro Jurema Águas Quentes

O complexo Jurema Águas Quentes transmite na próxima quinta-feira (14), a live ‘Gestão das emoções em tempos de pandemia’, em parceria com a psicóloga Angelis Bogdanovicz Martins. O público está convidado a participar enviando perguntas pela foto oficial publicada no Instagram @juremaaguasquentes, via direct ou ainda pelos comentários da transmissão no dia 14. A live acontece a partir das 19h.

 O tema foi escolhido por sua importância no atual cenário mundial, em que há uma preocupação com os impactos psicológicos e emocionais da população por conta da pandemia, principalmente devido à imprevisibilidade e ao isolamento social.

 Para Marcos Vileski, diretor Comercial e de Marketing do resort, a iniciativa tem foco no público. “Estamos promovendo conteúdos de acolhimento às pessoas porque é o que fazemos com nossos clientes. Como eles ainda não podem ser acolhidos aqui no resort por conta da pandemia, estamos levando nosso conforto para cada um em suas casas”, afirma.

Sobre a profissional

Angelis Bogdanovicz Martins é psicóloga, personal Executive Coach desde 2009. Possui 14 anos de experiência na área de Recursos Humanos e é autora dos livros ‘Novo Manual de Coaching’, e ‘Coaching no DNA’, de 2019, ambos pela editora SerMais.

 Serviço:
Data: 14/05
Horário: 19h
Tema: ‘Gestão das emoções em tempos de pandemia’
Instagram @juremaaguasquentes.

Notificações de coronavírus aumentam em Maringá após flexibilização do isolamento social, aponta estudo

Devido à subnotificação, pesquisa utiliza casos notificados por se tratarem de dados mais compatíveis com a realidade / Divulgação Agência Brasil



Por Murillo Saldanha - publicado em Maringá Posti, 13 de maio 2020.

Levantamento do Grupo de Estudos e Pesquisa Ambiente, Sociedade e Geotecnologias (Gepag), com apoio da Universidade Estadual de Maringá (UEM), mostrou que a média diária de casos notificados de pessoas que apresentaram sintomas de coronavírus em Maringá aumentou 263% entre 31 de março e 30 de abril.

O aumento de notificações coincide com a publicação de decretos municipais que flexibilizaram o isolamento social e permitiram a retomada de algumas atividades do setor econômico.

No estudo, os pesquisadores levam em consideração o que epidemiologistas têm alertado: as medidas tomadas surtem efeito após duas semana, aproximadamente. Dessa forma, o levantamento não leva em conta a abertura do comércio de rua em 20 de abril ou o decreto que autorizou celebrações religiosas e o funcionamento de shoppings, bares e restaurantes nesta semana.

Segundo a pesquisa, entre os dias 31 de março e 9 de abril, a média diária de casos notificados era de 22. A partir do dia 7 de abril, a prefeitura permitiu funcionamento de oficinas mecânicas e atendimento presencial em clínicas e consultórios médicos. Em 13 de abril, o município liberou o funcionamento de lotéricas e indústrias.

O estudo mostra que, entre os dias 10 e 21 de abril, o incremento médio diário de notificações subiu para 36. Duas semanas após a retomada dos serviços, entre 22 e 30 de abril, a média diária de casos notificados subiu para 80.

Para o professor do departamento de Geografia da UEM e coordenador do estudo, Oseias da Silva Martinuci, o aumento no número de notificações, o que representa a dispersão do vírus, pode estar ligado à flexibilização do isolamento social.

“As medidas adotadas em Maringá tiveram impacto nas notificações de alguma maneira. Mesmo que a situação pareça estar sobre controle, devemos olhar com certa cautela para avaliar se não está chegando em uma situação delicada. Vamos ter que avaliar, daqui há duas semanas, a abertura desses locais fechados com muita circulação de pessoas e fluídos corporais e verificar se a capacidade de circulação do vírus aumenta”, afirma o professor.

Oseias Martinuci explica que a pesquisa utiliza casos notificados por se tratarem de dados mais compatíveis com a realidade. Como apenas os casos graves são testados e algumas pessoas não apresentam sintomas, os números reais da doença são maiores que os casos confirmados. No Brasil, cientistas estimam que o número pode ser 14 vezes maior do que o registro oficial do Ministério da Saúde.

Grupo de geógrafos avaliou a estrutura da rede hospitalar

Na pandemia do novo coronavírus, uma dos principais alertas das autoridades é sobre a taxa de ocupação dos hospitais. No entanto, a estrutura da rede de saúde também é um fator preocupante. Outro levantamento do Grupo de Estudos e Pesquisa Ambiente, Sociedade e Geotecnologias (Gepag), com apoio da UEM, mostrou que 91,7% dos 399 municípios do Paraná não têm UTI.

Segundo o mapeamento, mais da metade das cidades paranaenses, 57%, não têm ventilador mecânico e que 36% não têm leito de nenhuma espécie. Os dados analisados são do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS), do Ministério da Saúde.

Entre as 30 cidades que compõem a Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep), apenas Maringá e Sarandi têm leitos de UTI. A estimativa é que na Amusep existem 2,97 leitos para cada 10 mil habitantes.


Na macrorregião noroeste, que reúne 113 municípios, além de Maringá e Sarandi, apenas outras quatro cidades tem leitos de UTI: Paranavaí, Umuarama, Campo Mourão e Cianorte. O professor da UEM e coordenador da pesquisa, Oseias da Silva Martinuci, destaca que, de acordo com o IBGE, aproximadamente 50% dos municípios considerados remotos estão na macrorregião noroeste.

O professor alerta que podem existir dificuldades no atendimento de casos de coronavírus nas cidades remotas. Ele explica que não se trata apenas da distância em relação aos grandes centros onde se concentram os leitos de UTI, mas que os pacientes podem precisar de atendimento em um momento que a rede hospitalar estiver mais comprometida devido a pandemia.

Por meio do geoprocessamento e da cartografia, os pesquisadores do Gepag monitoram a expansão do coronavírus. Segundo Oseias da Silva Martinuci, os dados levantados no interior do Paraná causam preocupação.

“Comparando com o Estado de São Paulo, a velocidade de difusão do vírus pelos municípios do Paraná está sendo notadamente maior. Na quarta semana, contada a partir do primeiro caso confirmado, o Estado teve quatro vezes mais municípios infectados que o estado de São Paulo. Lá foram 21 casos, enquanto o Paraná teve 84”, afirma Martinuci.

12 maio, 2020

Saudosismo infértil – Por Érica Daiane Mauri


Leiam e façam uma boa reflexão. Excelente texto

Saudosismo infértil – Por Érica Daiane Mauri

É comum ao ser humano, principalmente em períodos de maior adversidade, um saudosismo de tempos mais propícios e menos dolorosos. Entretanto, parece haver neste período de quarentena e restrições um saudosismo inútil.

É frequente nos momentos de celebrações, sejam elas orações, meditações, celebrações da Palavra e mesmo nas celebrações eucarísticas realizadas e transmitidas pelas mídias sociais falas, ações e gestos que expressam a saudade do período pre-pandemia. Muitos são os esforços para retomar minimamente o ambiente vivido pelas nossas comunidades até dias atrás, sejam fotos, mensagens, vídeos, o mesmo espaço litúrgico, congregar os leitores, cantores, MECE, o seminarista... o mais próximo possível do habitual. Se há nestes gestos uma tentativa de expressar cuidado e pastoreio, há também o risco da fuga a um recente passado cada dia mais amalgamado numa perfeição e glória.

A ordinária fala: “Que saudade de ter essa igreja cheia, como é triste celebrar com os bancos vazios”. Reconheçamos que, na nossa realidade eclesial, há muito não temos nossas igrejas cheias, celebrar para vários bancos vazios era habitual para muitos sacerdotes, mas não me recordo de nessas ocasiões lamentarem as ausências em suas celebrações. Ou então: “que saudade do calor humano, logo estaremos juntos novamente”. Quantas de nossas comunidades pre-pandemia tinham seus pastores “junto” a elas? Quantos destes se permitiam dar ou receber “calor humano”? É provável que a fala se refira aos atendimentos com hora marcada na secretaria; às “passadas” nas reuniões e eventos; ao dia da semana para visita aos doentes; às refeições partilhadas com seletos membros da comunidade paroquial atual ou não; aos cumprimentos na porta da igreja... tudo dentro da aceitável conveniência, entretanto estas corriqueiras ações eram realmente suficientes? Bem, é fato que muitas de nossas comunidades careciam daquele que se “aproxima e se põe a caminhar com eles” (cf Lc 24,15), daquele que está disposto a percorrer um caminho e a gastar tempo e “calor” principalmente com os membros que deixam “Jerusalém”. Uma fala recente expressa bem o formato de comunidade que construímos e o qual parece se ter saudade: “logo estaremos novamente unidos para as celebrações da missa e para nossas reuniões”. Tragicamente nisso se sintetiza grande parte de nossa vida em comunidade: missas e reuniões.

Compreendo que de modo repentino todos tivemos nossas rotinas alteradas, e encontrar meios de ser comunidade em meio a esta pandemia é o desafio diário de todos nós. Porém, o maior desafio que se apresenta, aos meus olhos, consiste em encontrar meios de ser comunidade pós-pandemia. O mundo pós-pandemia tem sido a utopia e esperança de muitos e deveria ser também a de nós cristãos. Entretanto, as recorrentes referências a um passado que não era tão ideal assim, mas era o nosso habitual, desvia nosso olhar da realidade e põe nossa atenção e esperança no passado e não no futuro a ser construído desde já. Este saudosismo não tem fertilizado o hoje de nossas comunidades com criatividade e esperança de modo a florir novas comunidades pós-pandêmicas. Que possamos permitir que nossas comunidades descubram em si a ação criativa e fecunda do Espírito Santo, capaz de fazer “novas todas as coisas” (cf Ap 21,5). Que o saudosismo da nossa “rotina comunitária” não seja empecilho para o necessário novo modo de SER COMUNIDADE de hoje e de amanhã.

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Érica Daiane Mauri
Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Maringá (2007). Especialização Lato Sensu em Teologia Bíblica (PUCPR-Maringá). Mestrado em Teologia (PUCPR - Curitiba). Doutoranda em Teologia (PUCPR - Curitiba), sendo integrante do Grupo de Pesquisa Bíblia e Pastoral (PUCPR). Atua como Professora na Escola de Teologia para Cristãos Leigos da Arquidiocese de Maringá; Professora visitante no curso de Especialização em Bíblia e em Catequese da FAVI, realizado em Maringá.

LILIAN - Andar Com Fé (Gilberto Gil) | Quem Canta Reza Duas Vezes (Dia 04)







Gilberto Gil - Andar com

Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Que a fé 'tá na mulher
A fé 'tá na cobra coral
Oh oh
Num pedaço de pão
A fé 'tá na maré
Na lâmina de um punhal
Oh oh
Na luz, na escuridão
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá olêlê
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olálá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Oh menina
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
A fé 'tá na manhã
A fé 'tá no anoitecer
Oh oh
No calor do verão
A fé 'tá viva e sã
A fé também 'tá prá morrer
Oh oh
Triste na solidão
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Oh menina
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olálá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Certo ou errado até
A fé vai onde quer que eu vá
Oh oh
A pé ou de avião
Mesmo a quem não tem fé
A fé costuma acompanhar
Oh oh
Pelo sim, pelo não
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olêlê
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olálá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá (olêlê, vamos lá)
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá (costuma, costuma a fé não costuma
faiá)
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá (costuma, costuma a fé não costuma
faiá)
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá (olêlala)
Andá com fé eu vou que a fé não costuma faiá

“amas, para que o mundo reconheça que eu amo o Pai” (Jo 14,31a)


Hoje é o Dia da Enfermeira e do Enfermeiro


“Hoje é o Dia do Enfermeiro. Ontem enviei uma mensagem. Rezemos hoje pelos enfermeiros e enfermeiras, homens, mulheres, rapazes e moças que têm essa profissão, que é mais que uma profissão, é uma vocação, uma dedicação. Que o Senhor os abençoe. Neste tempo da pandemia deram exemplo de heroísmo e alguns deram a vida. Rezemos pelos enfermeiros e enfermeiras.” (Papa Francisco)

Grande padre Roberto

Grande padre Roberto.
Um dia, nem o conhecia, fui almoçar com o Padre Adacílio Félix de Oliveira e ele estava junto. Ele olhou para mim com carinho e disse mais ou menos assim: 
"Menina bonita, sei tudo o que estas passando, mas não estás sozinha".
Isso é forte em mim até hoje.



(Nato foto, o meu amigo Celso Nino e o Padre Roberto)

11 maio, 2020

Josimo – O Padre negro de sandálias surradas (Documentário Completo)

A história de vida e luta do Padre Josimo virou filme no documentário “Josimo – O Padre negro de sandálias surradas”, realizado pelo Instituto Cultural Padre Josimo em parceria com a Cáritas Brasil. 

SINOPSE

Há certas balas, previstas ou imprevistas, que marcam a história e certas mortes que dão um sentido forte à vida e aos dias que vieram. A vida e morte de Josimo Tavares, o padre Josimo, é uma dessas.

Sua trajetória ajuda a compreender a humanidade ao deixar plantado em solo fértil algo de bom que perpetua para além da partida. Algo de bom, que vive mesmo depois de morto porque, na realidade, não sepode chamar de morto aquele que ainda vive no coração do povo.



09 maio, 2020

Minha Santa Mãezinha lembro quando lhe dei essa boneca e o quanto ficou feliz. No naquele dia nem entendi sua felicidade


Minha Santa Mãezinha
Lembro quando lhe dei essa boneca e o quanto ficou feliz. No naquele dia nem entendi sua felicidade.

Desculpe minha mãezinha, não consigo segurar ás lágrimas, porque vem do coração. Primeiro dia das mães sem sua presença física. Seis meses e nove dias, saudades, o tempo passa tão rápido que parece que foi ontem que foi sua passagem, sua páscoa.
Lembro quando passei no vestibular da UEM, meu Deus, sua felicidade foi muito maior que a minha. Lembro quando coordenei o Primeiro Encontrão das CEBs da Arquidiocese de Maringá e no dia lá estava alegre e orgulhosa por mim, pelo meu “crescimento”. Também lembro quando terminei a faculdade, no dia da colação de grau, o Ginásio de Esporte Chico Neto estava lotado e no meio da multidão dava para ver o brilho de seus olhos de alegria, emoção e orgulho. Lembro quando lhe dei essa boneca e não consegui entender porque ficou tão feliz. São tantas as lembranças... Lembro quando tive que aprender mudar a função, de filha para mãe que iniciou no dia em que sofreu o AVC, final de janeiro de 2017, desse dia até o dia de sua páscoa, primeiro de novembro de 2019 foi um período de acertos e erros em minha função de cuidar de você, período turbulento, com tantas dores e perdas, falecimento de meu irmão, tias e tio. Tu foste uma guerreira minha mãe, não teve uma vida fácil, passou por momentos difíceis acamada sem reclamar e procurando nos fortalecer e alegrar quando podia e os últimos dias no hospital e UTI ficou visível sua santidade. No dia de todas as santas e santos de Deus tu se juntou a eles. Minha Santa Mãezinha, meu eterno amor.

08 maio, 2020

Que nosso Deus abençoe todas as Mães e a minha Santa Mãezinha e as demais Mães que voltaram para Ele a graça da Ressurreição

A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, é bonito.

"As mães são o antídoto mais forte contra o propagar-se do individualismo egoísta. «Indivíduo» quer dizer «que não se pode dividir». As mães, ao contrário, «dividem-se», a partir do momento que hospedam um filho para o dar à luz e fazer crescer. São elas, as mães, que mais odeiam a guerra, que mata os seus filhos.

Muitas vezes pensei naquelas mães quando receberam uma carta:

 «Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…». Pobres mulheres! Como sofre uma mãe! São elas que testemunham a beleza da vida. O arcebispo Oscar Arnulfo Romero dizia que as mães vivem um «martírio materno». Na homilia para o funeral de um sacerdote assassinado pelos esquadrões da morte, ele disse, fazendo eco ao  Concílio Vaticano II: «Todos devemos estar dispostos a morrer pela nossa fé, ainda que o Senhor não nos conceda esta honra… Dar a vida não significa somente ser assassinado; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida quotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dando-o à luz, amamentando-o, fazendo-o crescer e cuidando dele com carinho. É dar a vida. É martírio». Termino aqui a citação. Sim, ser mãe não significa somente colocar um filho no mundo, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, é bonito.

Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral. 

As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: 

nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, está inscrito o valor da fé na vida de um ser humano. É uma mensagem que as mães que acreditam sabem transmitir sem tantas explicações: estas chegarão depois, mas a semente da fé está naqueles primeiros, preciosíssimos momentos. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo. E a Igreja é mãe, com tudo isso, é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe. Não somos órfãos, somos filhos da Igreja, somos filhos de Nossa Senhora e somos filhos das nossas mães.

Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que sois na família e por que o dais à Igreja e ao mundo. E a ti, amada Igreja, obrigado por ser mãe. E a ti, Maria, mãe de Deus, obrigado por nos fazer ver Jesus. E obrigado a todas as mães aqui presentes: saudemo-las com um aplauso!"


Papa Francisco

Carta do Papa Francisco a todos os Fiéis para o Mês de Maio de 2020



Queridos irmãos e irmãs!

Já está próximo o Mês de Maio, no qual o povo de Deus manifesta de forma particularmente intensa o seu amor e devoção à Virgem Maria. Neste mês, é tradição rezar o Terço em casa, com a família; dimensão esta – a doméstica –, que as restrições da pandemia nos «forçaram» a valorizar, inclusive do ponto de vista espiritual.

Por isso, pensei propor-vos a todos que volteis a descobrir a beleza de rezar o Terço em casa, no mês de maio. Podeis fazê-lo juntos ou individualmente: decidi vós de acordo com as situações, valorizando ambas as possibilidades. Seja como for, há um segredo para bem o fazer: a simplicidade; e é fácil encontrar, mesmo na internet, bons esquemas para seguir na sua recitação.

Além disso, ofereço-vos os textos de duas orações a Nossa Senhora, que podereis rezar no fim do Terço; eu mesmo as rezarei no Mês de Maio, unido espiritualmente convosco. Junto-as a esta Carta, para que assim fiquem à disposição de todos.

Queridos irmãos e irmãs, a contemplação do rosto de Cristo, juntamente com o coração de Maria, nossa Mãe, tornar-nos-á ainda mais unidos como família espiritual e ajudar-nos-á a superar esta prova. Eu rezarei por vós, especialmente pelos que mais sofrem, e vós, por favor, rezai por mim. Agradeço-vos e de coração vos abençoo.

Roma, São João de Latrão, na Festa de São Marcos Evangelista, 25 de abril de 2020.

Francisco


 Oração a Maria

Ó Maria,
Vós sempre resplandeceis sobre o nosso caminho
como um sinal de salvação e de esperança.
Confiamo-nos a Vós, Saúde dos Enfermos,
que permanecestes, junto da cruz, associada ao sofrimento de Jesus,
mantendo firme a vossa fé.

Vós, Salvação do Povo Romano,
sabeis do que precisamos
e temos a certeza de que no-lo providenciareis
para que, como em Caná da Galileia,
possa voltar a alegria e a festa
depois desta provação.

Ajudai-nos, Mãe do Divino Amor,
a conformar-nos com a vontade do Pai
e a fazer aquilo que nos disser Jesus,
que assumiu sobre Si as nossas enfermidades
e carregou as nossas dores
para nos levar, através da cruz,
à alegria da ressurreição. Amém.

À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus;
não desprezeis as nossas súplicas na hora da prova
mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.


Oração a Maria

«À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus».

Na dramática situação atual, carregada de sofrimentos e angústias que oprimem o mundo inteiro, recorremos a Vós, Mãe de Deus e nossa Mãe, refugiando-nos sob a vossa proteção.

Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados duma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho.

Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz. Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-Lhe que conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança.

Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando a própria vida para salvar outras vidas. Acompanhai a sua fadiga heroica e dai-lhes força, bondade e saúde.

Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude pastoral e dedicação evangélica.

Virgem Santa, iluminai as mentes dos homens e mulheres de ciência, a fim de encontrarem as soluções justas para vencer este vírus.

Assisti os Responsáveis das nações, para que atuem com sabedoria, solicitude e generosidade, socorrendo aqueles que não têm o necessário para viver, programando soluções sociais e econômicas com clarividência e espírito de solidariedade.

Maria Santíssima tocai as consciências para que as somas enormes usadas para aumentar e aperfeiçoar os armamentos sejam, antes, destinadas a promover estudos adequados para prevenir catástrofes do gênero no futuro.

Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a constância na oração.

Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos filhos atribulados e alcançai-nos a graça que Deus intervenha com a sua mão onipotente para nos libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com serenidade o seu curso normal.

Confiamo-nos a Vós, que resplandeceis sobre o nosso caminho como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. Amém.

07 maio, 2020

E se as mulheres estiverem administrando a crise do coronavírus muito melhor que os homens?

De Donald Trump a Boris Johnson, passando por Jair Bolsonaro, a liderança populista masculina demonstrou que seu estilo personalista não é do que precisamos neste momento.

A reportagem é de Miquel Echarri, publicada por El País, 06-05-2020.



Os primeiros meses de 2020 entrarão para a história como um período em que as lideranças políticas foram realmente postas à prova. Até então, muitas sociedades democráticas estavam instaladas no que Michaela Kerrissey, especialista em gestão de saúde pública da Universidade Harvard, descreve como “uma fase de pensamento mágico”, uma espécie de miragem coletiva: “Nos últimos cinco anos, assistimos a uma proliferação de líderes de competência muito duvidosa que foram escolhidos pelos radicalismo de suas pautas ideológicas e de seus estilos de comunicação”.

Kerrissey se refere a dirigentes “sem capacidade de gestão nem estatura de estadistas”, como o indiano Narendra Modi, o filipino Rodrigo Duterte, o nicaraguense Daniel Ortega e o brasileiro Jair Bolsonaro, mas também “com matizes” ao norte-americano Donald Trump, ao britânico Boris Johnson e ao mexicano Andrés Manuel López Obrador. Para ela, são os representantes de um retorno a “modelos de liderança caduca” como o do “homem providencial”.

Para o jornalista David Robson, autor do tratado de gestão estratégica The Mind Trap (“a armadilha mental”), a crise da covid-19, na hora da verdade, fez “milhões de cidadãos de todo o mundo constatarem com horror que tinham entregado aos loucos a chave do manicômio”. Robson ressalta que é difícil resistir ao feitiço das lideranças providenciais, “porque alguns deles funcionaram ou pareceram funcionar bem no passado”.

É o caso de Winston Churchill, o homem que liderou a Grã-Bretanha na Segunda Guerra Mundial. “Mas Churchill não era um ignorante nem um demagogo e, sobretudo, não era um louco”, argumenta o jornalista, “Não desprezava a evidência racional, não pretendia resolver os problemas com ideias inusitadas”. Kerrissey concorda com Robson, mas alerta que não é o momento de procurar um novo Churchill. Não é sensato nem eficaz tentar reproduzir modelos de liderança que caducaram no final do século XX. Se é para procurar um modelo histórico de liderança em circunstâncias extremas, especialistas como Dennis Perkins propõem o explorador irlandês Ernest Shackleton.


Em sua expedição à Antártida em 1914, ele e sua tripulação de 27 exploradores ficaram presos no gelo e sobreviveram a 634 dias de fome, temperaturas extremas e absoluto isolamento. Um feito formidável que se explica, segundo Perkins, “pelas excepcionais qualidades de liderança sobre um grupo humano exibidas por Shackleton”, um líder “ético e moral”, que se esforçou sobretudo para “combater o medo e a ansiedade, nunca renunciar ao pensamento racional, conservar o otimismo, construir uma cultura da tenacidade, da criatividade e da iniciativa e tratar seus colegas com respeito, afeto e empatia”.

Arjen Boin, cientista político da Universidade de Leiden (Países Baixos), tinha muito presente o exemplo de Shackleton quando escreveu The Politics of Crisis Management (“as políticas da gestão de crise”). Publicado em 2005 e centrado em grande parte na resposta política a situações como o furacão Katrina, o tratado de Boin parte de uma tese que ultimamente soa mais atual do que nunca: “Uma liderança eficaz em condições extremas consiste tanto em agir corretamente no terreno como em desenvolver uma narrativa convincente que seja assumida pelo conjunto da população e permita, portanto, tomar decisões difíceis e adotar medidas traumáticas sem que gerem uma resistência excessiva”.

Boin insiste em que esse relato deve ser, além de coerente, “honesto”. Não se pode “edulcorar a verdade” nem optar por uma linha de comunicação ambígua, que gere dúvidas entre a população e dificulte a criação de consensos. Na opinião de Robson, foi justamente isso que o Governo britânico fez quando declarou sua intenção de permitir contágios maciços entre a população não vulnerável, para desenvolver assim a chamada imunidade de rebanho: “Boris Johnson chegou a afirmar que essa estratégia causaria milhares de mortes, mas que era a que os especialistas recomendavam e a que convinha adotar”, recorda Robson, “mas a reação fez que retificasse muito pouco depois, adotando um modelo de confinamento maciço similar ao italiano, espanhol e francês”.


A outra receita de Boin reivindicada por Robson consiste em “envolver a população dizendo o que se espera dela e como ela pode contribuir de maneira eficaz para a superação da crise”. Neste aspecto, segundo Robson, poucos líderes são tão modelares como a primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern: “Já havia demonstrado isso com seu discurso sobre os atentados de Christchurch [que causaram 50 mortos em março de 2019] e acaba de confirmar agora, com um estilo de comunicação simples, empático e direto, sem ambiguidades nem falsas certezas”.

Para Michaela Kerrissey, o discurso de oito minutos que Ardern apresentou pela televisão em 21 de março “é uma obra-prima da comunicação política em situações de emergência. Fez uso dos níveis de alarme ativados na Nova Zelândia em caso de incêndio, um código com o qual seus cidadãos estão muito familiarizados: quando disse que a crise da covid-19 é um nível de alerta quatro, os neozelandeses entenderam perfeitamente a que estava se referindo e souberam avaliar a nova situação quando esse nível de alarme passou de quatro para dois”.

Para Kerrissey, Ardern construiu uma narrativa sólida sem cair em nenhum dos dois relatos extremos que esta crise gerou, “nem no excesso de otimismo dos que afirmavam sem nenhum fundamento que a epidemia não chegaria aos seus países, nem no discurso de um belicismo desfocado dos que insistem em que esta pandemia é uma guerra e precisa ser encarada como tal”.

Em geral, os dirigentes e estadistas que nesta crise deram exemplos de boa gestão e de liderança moderna e eficaz (mais participativa que providencial, mais Shackleton que Churchill) são mulheres, caso da já mencionada Jacinda Ardern, da norueguesa Erna Solberg, da taiwanesa Tsai Ing-wen, da islandesa Katrín Jakobsdóttir, da dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt e da alemã Angela Merkel, uma veterana que parece estar dando o melhor de si mesmo nas piores circunstâncias, e a quem seus compatriotas já se referem como “a chanceler cientista”.

A imprensa internacional também tem destacado positivamente exemplos de liderança masculina como a do português António Costa, o grego Kyriakos Mitsotakis e o sul-coreano Moon Jae-in. Mas, como sugere David Robson, que sejam sobretudo mulheres as que estão se destacando por sua eficácia e capacidade de gerar amplos consensos “não pode ser uma simples casualidade”, num mundo esmagadoramente regido por homens. Kerrissey observa que “embora seja apressado tirar conclusões, talvez exista um patrão feminino de gestão e comunicação que é particularmente eficaz em casos de emergência”. É preciso estudá-lo.