02 abril, 2015

Comissão de Constituição e Justiça aprova redução da maioridade penal

A Comissão de Constituição e Justiça, aprovou a admissibilidade das propostas que visam a redução da maioridade penal para 16 anos. Foram 42 votos a favor e 17 votos contra. 
Foram contra a redução da maioridade os seguintes partidos: PT, PCdoB, PSOL, PPS e PSB.

01 abril, 2015

A TARDE MAIS TRISTE: COMPANHEIRO BAHIA ASSASSINADO.

Hoje, 31 de março de 2015, a tarde mais triste das ocupações da região da Isidora, em Belo Horizonte e Santa Luzia, MG. Morreu Manoel Ramos, o Bahia, coordenador da Ocupação Vitória e valoroso militante da luta das famílias sem-teto da capital de Minas Gerais e da Região Metropolitana de BH.

Por volta das 15:00h, o Bahia foi assassinado a golpes de machado e facão por oportunistas infiltrados na comunidade Vitória, indivíduos que pretendiam lucrar com a luta de milhares de famílias que lutam aguerridamente por moradia própria, digna e adequada. Bahia tombou no lugar onde sonhou viver, um sonho que não era só dele, mas compartilhado por milhares de famílias que desejam se libertarem do aluguel e da humilhação de sobreviver de favor; um sonho de outras tantas pessoas, dentro ou fora das ocupações, que assumem o compromisso de construir uma cidade onde caibam todos e todas.

Bahia foi morto por se opor à venda de espaços dentro da ocupação, por procurar garantir que aquela comunidade acolhesse apenas aqueles e aquelas que realmente necessitam de teto. Morreu por ser justo e por fazer do princípio da igualdade seu maior estandarte. Foi vítima da cobiça intolerável de poucos, da intransigência dos poderes públicos em construir uma solução justa, pacífica, negociada e rápida para o maior conflito social urbano do Brasil, hoje instalado na Região do Isidora. Foi a ausência de uma política efetiva de Reforma Urbana que fez do Bahia uma vítima, e nos privou a todos da presença deste gigante em coragem e generosidade.

Bahia era há meses vítima de ameaças, por seguir as determinações coletivas que impedem a venda de lotes em áreas ocupadas. Também foi sobrevivente de um atentado contra sua vida executado por PMs, fato que quase o levou à morte, isso por se opor às violações de direitos promovidas por policiais militares contra os moradores da Ocupação Vitória. Bahia nunca se intimidou. Seguiu lutando, denunciando e construindo o futuro de milhares. Um futuro que lhe pertence e que lhe foi negado.

Um pedaço de nós morreu com Bahia, porém aquilo que é vivo em nós se fortalece nesta dor. Não será inútil o sacrifício deste amigo e companheiro. Bahia morreu por defender a justa luta por dignidade, por uma cidade aberta, na qual todos/as e cada um/a possam conviver em plenitude. Diante de um gesto de tanta coragem, não temos o direito de desistir. Devemos levar às últimas consequências o exemplo deste extraordinário ser humano. Devemos lutar, resistir e vencer, coletivamente. 

Se tentaram, pelo medo, impor uma ordem injusta, será pela coragem de moradores/as, apoiadores/as e organizações que prevalecerá a igualdade e a Vitória. Seguiremos combatendo toda e qualquer tentativa de utilização indevida da luta de tantos e tantas.

Cabe aos governos evitar que esta situação se repita, e que de uma vez por todas garanta o direito de todas as famílias sem-teto das ocupações urbanas de Minas Gerais.

Não toleramos mais pagar com sangue a intransigência dos governantes, a insensibilidade do judiciário e os interesses dos empresários.

A tarde mais triste nos desola. Esta noite choramos sobre o corpo de um de nós. Amanhã nos daremos conta que estamos vivos, e que o tributo cobrado pelo que tombou, é a marcha firme dos que vivem. Nos manteremos sempre de pé.

Companheiro Bahia. PRESENTE!

Belo Horizonte, MG, Brasil, 31 de março de 2015.

Assinam essa Nota,
Brigadas Populares;
Comissão Pastoral da Terra (CPT);
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB);
Coordenação das Ocupações Vitória, Esperança e Rosa Leão
e Rede de Apoio.

Beato Oscar Romero, mártir da fé


Beato Oscar Romero, mártir da fé
Pe. Nelito Dornelas
A vida do arcebispo Dom Oscar Romero era pautada pelo Evangelho de Jesus Cristo, comprometida com o Reino de Deus. Por amar o seu povo, preocupou-se com a exclusão social, a discriminação e a violência. Era um homem de profunda oração e santidade, vivendo sua espiritualidade a partir da justiça, da liberdade e da paz. É certamente um modelo a imitar. A vida dele faz refletir profundamente sobre a radicalidade no seguimento a Jesus Cristo que molda todo nosso ser e nos torna testemunhas do Reino de Deus.
Ao presenciar o martírio do padre Rutilio Grande, dom Romero passou a defender com mais veemência os pobres, que eram constantemente atacados e agredidos pelo regime de El Salvador.

“Após dois anos como arcebispo de San Salvador, dom Oscar Romero contabilizou trinta padres a menos – mortos, expelidos ou forçados a fugir da morte”. Dom Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família e postulador da causa para a beatificação de Romero, disse numa coletiva de imprensa no dia 4 de fevereiro no Vaticano: “Os esquadrões da morte mataram dezenas de catequistas das comunidades de base, e muitos fiéis desapareceram destas comunidades”.

Ao tomar conhecimento e presenciar tanta tragédia começou a fazer diferente, agindo com dedicação, comprometendo-se e com imenso amor, buscou construir a unidade e a paz, sem medo de agindo assim, perder a própria vida. E realmente incomodou.

"Fui frequentemente ameaçado de morte. Como cristão, não acredito na morte sem ressurreição: se me matarem, ressuscitarei no povo salvadorenho. Digo isso sem nenhuma ostentação, com a maior humildade. Como pastor, sou obrigado, por mandato divino, a dar a vida por aqueles que amo, que são todos os salvadorenhos, até por aqueles que me assassinarem. O martírio é uma graça de Deus, que não me sinto na situação de merecer, entretanto, se Deus aceitar o sacrifício de minha vida, que meu sangue seja semente de liberdade. Pode escrever: se chegarem a me matar, desde já eu perdoo e benzo aquele que o faça." (Dom Oscar Romero, ao Jornal Excelsior, do México, duas semanas antes de sua morte).
No dia 23 de março do corrente ano, a Igreja Católica celebrou na Catedral de San Salvador, em El Salvador, a cerimônia de beatificação do Arcebispo Oscar Arnufo Romero. Seu martírio já havia sido reconhecido oficialmente pela Igreja Anglicana na Inglaterra e pela Igreja Luterana na Alemanha. Dom Romero foi morto no dia 24 de março de 1980 por um franco-atirador do exército salvadorenho, enquanto celebrava uma missa no Hospital da Divina Providência, na capital, San Salvador. Às 6h da tarde, no momento da consagração, o arcebispo foi atingido no coração. O atirador estava escondido atrás da porta do fundo da capela. Dom Oscar morreu na hora.
“Foi certamente uma grandiosa testemunha da fé, um homem de grandes virtudes cristãs, que se comprometeu pela paz e contra a ditadura, e que foi assassinado durante a celebração da Missa. Portanto, uma morte verdadeiramente credível, de testemunho da fé”.
O processo de sua beatificação teve início por São João Paulo II em 1994. Em 2012 o Papa Bento XVI retomou a causa de sua canonização, e, agora, foi beatificado pelo Papa Francisco.
Desde o início, o processo contou com o apoio do Papa São João Paulo II, que, em 2000, manifestou o desejo de incluir dom Oscar Romero na celebração do Jubileu dos Mártires.
Quando visitou o Brasil, em 2007, o então Papa Bento XVI já havia afirmado crer no martírio de dom Oscar Romero.
Em 2010, o soldado responsável pela morte de dom Oscar Romero, capitão Álvaro Saravia, admitiu que o arcebispo foi assassinado “por ódio à fé”. O seu depoimento contribuiu para dar seguimento ao processo.
Por ter sido reconhecido como mártir, dom Oscar Romero não precisou da comprovação de um milagre para ser beatificado. Essa exigência só será necessária para que seja declarado santo. Os seus restos mortais estão na Catedral de San Salvador.
Beatificar dom Romero é atestar sua santidade, seu compromisso inquebrantável com o Deus de Jesus Cristo, com o evangelho anunciado aos pobres e com a Igreja dos pobres, que ele tanto amou e da qual foi um dos mais ilustres protagonistas.
"Romero é verdadeiramente um mártir da Igreja do Concílio Ecumênico Vaticano II, uma Igreja que é mãe de todos, particularmente dos mais pobres". Assim se referiu a dom Oscar Romero o cardeal dom Vincenzo Paglia.

SÃO ROMERO DE AMÉRICA PASTOR E MÁRTIR
O anjo do Senhor anunciou na véspera...
O coração de El Salvador marcava
24 de março e de agonia
Tu ofertavas o Pão, o Corpo Vivo
o triturado Corpo de teu Povo:
Seu derramado Sangue vitorioso
O sangue "campesino" de teu Povo em massacre
que há de tingir em vinhos e alegria a Aurora conjurada!
E soubeste beber o duplo cálice
do Altar e do Povo,
com uma só mão consagrada ao Serviço.
O anjo do Senhor anunciou na véspera
e o verbo se fez morte, outra vez, em tua morte.
Como se faz morte, cada dia, na carne desnuda de teu Povo.
E se fez vida Nova
Em nossa velha Igreja!
Estamos outra vez em pé de Testemunho,
São Romero de América, pastor e mártir nosso!
Romero de uma Paz quase impossível, nesta Terra em guerra.
Romero em roxa flor morada da Esperança incólume de todo Continente
Romero desta Páscoa latino-americana.
Pobre pastor glorioso,
assassinado a soldo, a dólar, a divisa.

Como Jesus, por ordem de Império.
Pobre pastor glorioso, abandonado
por teus próprios irmãos de Báculo e de Mesa.
(As Cúrias não podiam entender-te:
Nenhuma Sinagoga bem montada pode entender a Cristo)
(de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia MT).

31 março, 2015

‘Invisíveis’, moradores de rua ganham voz em projetos sociais que avançam nas redes sociais em todo o Brasil



“Moro na rua há um tempão. Eu tive uma casa por um tempo, mas aí veio a enchente e eu perdi tudo. Vim pra rua aos 12 anos. Virar adulto na rua é uma experiência terrível que você nunca mais vai querer lembrar. É difícil sair daqui. Eu perdi meus documentos, sem eles você fica de bola parada, fica encostado”.

Por Thiago de Araújo, do Brasil Post  

O relato acima pertence a André, um homem de 44 anos que você provavelmente nunca viu na sua vida, mas que compõe um cenário ignorado pela sociedade brasileira: o dos moradores de rua. A história dele e de tantos outros nascidos no País compõem a página Rio Invisívelprojeto criado para dar visibilidade a quem, diariamente, vive às margens do convívio social

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Como a tese de que “pobres fazem filhos para ter bolsa família” foi derrubada pelo IBGE

A tese defendida pelos eleitores conservadores de que o programa Bolsa Família estimularia o nascimento de filhos entre os mais pobres, em busca de recursos do governo, acaba de cair por terra. Levantamento realizado pelo IBGErevela que foi exatamente junto aos 20% mais pobres do país que se registrou a maior redução no número médio de nascimentos.
Nos últimos dez anos, o número de filhos por família no Brasil caiu 10,7%. Entre os 20% mais pobres, a queda registrada no mesmo período foi 15,7%. A maior redução foi identificada entre os 20% mais pobres que vivem na Região Nordeste: 26,4%.
Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e têm como base as edições de 2003 a 2013 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostra que, em 2003, a média de filhos por família no Brasil era 1,78. Em 2013, o número passou para 1,59. Entre os 20% mais pobres, as médias registradas foram 2,55 e 2,15, respectivamente. Entre os 20% mais pobres do Nordeste, os números passaram de 2,73 para 2,01.
Para a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, os dados derrubam a tese de que a política proposta pelo Programa Bolsa Família estimula as famílias mais pobres do país a aumentar o número de filhos para receber mais benefícios.
“Mesmo a redução no número de filhos por família sendo um fenômeno bastante consolidado no Brasil, as pessoas continuam falando que o número de filhos dos pobres é muito grande. De onde vem essa informação? Não vem de lugar nenhum porque não é informação, é puro preconceito”, disse.
Entre as teses utilizadas pela pasta para explicar a queda estão os pré-requisitos do programa. “O Bolsa Família tem garantido que essas mulheres frequentem as unidades básicas de Saúde. Elas têm que ir ao médico fazer o pré-natal e as crianças têm que ir ao médico até os 6 anos pelo menos uma vez por semestre. A frequência de atendimento leva à melhoria do acesso à informação sobre controle de natalidade e métodos contraceptivos”.
A demógrafa da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE Suzana Cavenaghi acredita que o melhor indicador para se trabalhar a questão da fecundidade no país deve ser o número de filhos por mulher e não por família, já que, nesse último caso, são identificados apenas os filhos que ainda vivem no mesmo domicílio que os pais e não os que já saíram de casa ou os que vivem em outros lares.
Segundo ela, estudos com base no Censo de 2000 a 2010 e que levam em consideração o número de filhos por mulher confirmam o cenário de queda entre a população mais pobre. A hipótese mais provável, segundo ela, é que o acesso a métodos contraceptivos tenha aumentado nos últimos anos, além da alta do salário mínimo e das melhorias nas condições de vida.
“Sabemos de casos de mulheres que, com o dinheiro que recebem do Bolsa Família, compram o anticoncepcional na farmácia, porque no posto elas só recebem uma única cartela”, disse. “É importante que esse tema seja estudado porque, apesar de a fecundidade ter diminuído entre os mais pobres, há o problema de acesso e distribuição de métodos contraceptivos nos municípios. É um problema de política pública que ainda precisa ser resolvido no Brasil”, concluiu.
Fonte: Portal Brasil

Abuso emocional na infância tem efeitos devastadores

O artigo a seguir traz os principais achados de uma pesquisa realizada no Brasil sobre os impactos do abuso emocional na infância. O estudo foi feito com base em um questionário respondido anonimamente por 10.800 pessoas de todo o país. O estudo foi publicado recentemente na revista científica Journal of Psychiatric Research

De acordo com o estudo, basta um pouco de abuso emocional em casa durante a infância (ofensas, humilhações) para que a pessoa deixe de se sentir saudável. As chances de tentativa de suicídio aumentam 17 vezes quando esse tipo de abuso ocorre em um nível grave, o que acontece em cerca de 15% da população. Além do abuso, a negligência emocional (falta de carinho, de amor, valorização) também pode ter efeitos devastadores.

Acesse o conteúdo completo aqui.

Pastoral da Saúde promove Campanha de doação de sangue

A Pastoral da Saúde preparara a campanha nacional “Abril Solidário” com o tema: “Pastoral da Saúde: solidariedade tá na veia”, de 1º a 30 de abril. A iniciativa busca incentivar e orientar a população sobre a doação de sangue. A Campanha quer ajudar os hemocentros que passam por dificuldades em manter os estoques de sangue para atendimentos de emergência.

Arcebispo de Maringá quer construir capela em cima de fossa onde Sacrário foi jogado


“Eu vou lutar pra isso”, disse o arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti, ao comunicar a intenção de construir uma capela no terreno em que está a fossa onde foi encontrado o Sacrário da igreja matriz de Marumbi-PR.

Na tarde de segunda-feira (30) dom Anuar foi à delegacia de Jandaia do Sul-PR visitar os três homens presos que roubaram o Sacrário. Pedro, Paulo e Marcos disseram ao arcebispo que pensavam que “aquele objeto” era um cofre.

O arrombamento à igreja foi realizado na madrugada de sábado para domingo (29). Durante a visita aos homens que cometeram o crime, dom Anuar ofereceu a estrutura da Igreja para que eles pudessem se recuperar nas comunidades terapêuticas ligadas à arquidiocese. Nenhum aceitou, mas disseram estar arrependidos do crime e demonstraram interesse em começar uma nova vida, longe da criminalidade.

A capela que dom Anuar pretende construir em Marumbi terá o nome de capela do Santíssimo Sacramento. “Será um lugar de oração para a comunidade”.

Fonte: site da Arquidiocese de Maringá

Abertas as inscrições para o 2º Encontro Arquidiocesano da Pastoral da Juventude

ARQUIDIOCESE DE MARINGÁ


A Pastoral da Juventude realiza no dia 26 de abril o seu segundo encontro arquidiocesano. A atividade, que recebe o nome de Sintonize, tem o objetivo fortalecer a organização dos grupos de jovens nas comunidades.

A metodologia do encontro utiliza animação, dinâmicas e trabalhos em grupos específicos para os participantes dos grupos, os coordenadores paroquiais e os assessores, os adultos que acompanham os grupos de jovens.

Também podem participar do Sintonize grupos de jovens que ainda não definiram uma identidade e queiram conhecer a proposta de evangelização da Pastoral da Juventude. O mesmo se aplica às paróquias que ainda não possuem assessores para acompanhar a juventude. Adultos que tenham interesse de conhecer este serviço podem participar.

O Sintonize será realizado na paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus, em Sarandi, das 8h às 16h. Outras informações e o formulário de inscrição estão disponíveis no site da pastoral, disponível em www.pjmaringa.com.br.

Neste ano o tema escolhido para o encontro é “Igreja, PJ e Sociedade”. “Vivemos para amar e servir” é o lema. Já a iluminação bíblica foi extraída de João 7, 37-38.

Fonte: site da Arquidiocese de Maringá

27 março, 2015

Redução da maioridade penal vai a votação segunda-feira, diz presidente da CCJ

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado federal Arthur Lira (PP-AL) afirmou nessa quinta-feira, durante sessão da CCJ, que vai colocar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, em pauta como item único em todas as sessões extraordinárias convocadas na próxima semana, até que a admissibilidade do projeto seja votada. A primeira sessão será na próxima segunda-feira (30), às 14h.

Um dos que reivindicou mais discussão foi Alessandro Molon (PT-RJ). Para ele, a audiência pública realizada na última terça-feira (24) não foi suficiente, pois só houve tempo para ouvir dois juristas. Um favorável e um contrário à proposta.

O vice-líder do governo, Silvio Costa (PSC-PE), considera absurda a própria discussão da proposta, que considera inconstitucional. “Perda de tempo é estarmos aqui discutindo um projeto que é claramente inconstitucional. A idade penal é cláusula pétrea. Mudar isso vai contra a dignidade da pessoa humana”, afirmou.

No entanto, grande parte dos deputados da CCJ, provavelmente a maioria, é favorável à medida e quer votá-la. O deputado Vitor Valim (PMDB-CE) protestou contra o que considera “protelações” do processo. “Esses manifestantes que aqui estão não representam a maioria da população brasileira. Esses deputados que impedem a votação estão na contramão do que quer o Brasil”, afirmou.

O potiguar Felipe Maia, dos DEM, igualmente acreditando que a redução da maioridade atende anseios populares, defendeu que a falta de audiência pública não impede de votar a matéria. “Vai chegar o momento em que esse projeto terá de ir ao plenário da Câmara. Se não for debatido e votado aqui, o presidente da Casa [Eduardo Cunha (PMDB-RJ)] vai cumprir o papel dele e atender a vontade do povo de levar o projeto à votação”, ameaçou.

Leia na íntegra a reportagem de Rodrigo Gomes e publicada pela Rede Brasil Atual - RBA

26 março, 2015

Programação da Semana Santa 2015 na Catedral de Maringá

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A Mulher que surpreendeu a tod@s e ungiu Jesus

Marcos 14.3-9: A Mulher que surpreendeu a tod@s e ungiu Jesus [João Bartsch]


O texto em questão é o relato da unção de Jesus em Betânia e é essencialmente relato de uma ação; visto que a mulher não fala uma palavra sequer - só age, faz acontecer. Olhemos mais de perto a ação desta mulher!

O texto não traz maiores informações sobre a mulher. Ela é apresentada de forma anônima. Para o evangelista parece que não é importante a identidade desta mulher e sim a sua ação.
A ação da mulher consistiu numa unção que provocou forte reação por parte dos presentes à ceia. Os presentes indignaram-se com a atitude da mulher de ungir Jesus com perfume. O texto traz que o principal motivo da indignação foi o desperdício nesta ação da mulher. Ela derramou perfume da melhor qualidade sobre a cabeça de Jesus. Esse perfume custava o salário de um ano de trabalho. Porém, suspeita-se que podem ter sido outros motivos que causaram a indignação dos presentes. Pode ter sido porque a mulher invadiu um lugar essencialmente de homens. As mulheres entravam na sala de refeição só para servir a refeição. E esta mulher entra sem falar nada e age! Sua ação causa grande impacto. Mas sabe-se também, que o ato de ungir era amplamente praticado no meio judaico. A unção era muitas vezes uma cortesia da dona da casa para com o visitante. Já a unção na cabeça era essencialmente um ato dos profetas e sacerdotes do povo de Israel. Com este ato proclamava-se a pessoa ungida rei. Neste texto uma mulher, sem pedir permissão, pratica um ato messiânico que era efetuado apenas por homens. Este parece ser o principal motivo da indignação dos presentes na ceia.

Com o ato de unção, a mulher declara, reconhece, testemunha Jesus como o Messias. O Messias, o Salvador que o povo estava esperando. Como sabemos, pelo evangelho, Pedro já havia confessado Jesus como Messias anteriormente. Vê-se que a confissão de Pedro era um tanto frágil, pois à medida que Jesus se confrontava com sua morte e não fugia, Pedro se decepcionava. Pedro queria que Jesus fosse o Messias a sua maneira, não entendia muito bem o caminho de Jesus.

A mulher não age por agir. Sua ação é certeira. Ela faz a coisa certa na hora certa. Jesus reconhece que ela fez o que pode. O que estava ao seu alcance ela fez sem medir esforços. Como vemos, a ação da mulher está baseada em sua fé e em seu discernimento. Ela por força de sua fé faz a leitura do momento e age ali onde achou que deveria agir.

É o final da época da paixão e todos tiveram a oportunidade de refletir sobre o sofrimento e a cruz de Cristo. Cruz, sinal de escândalo e também a maior expressão do amor dele por nós. Hoje neste domingo de Ramos, a partir do relato da ação desta mulher, lembremo-nos de tudo aquilo que fazemos por Jesus hoje em nossas vidas, sem esquecermos de tudo aquilo que deixamos de fazer por ele, que é nosso Senhor e Salvador. Que coisas preciosas temos e que poderíamos colocar a seu serviço? E que ainda não colocamos! Não pensemos unicamente em formas materiais. Há muitas maneiras de diferentes pessoas expressarem o amor e o reconhecimento que têm por Jesus. Podem oferecer a ele parte de seu tempo, dons, conhecimento, etc. Como vimos no texto a mulher fez o que pode!

Agora, por alguns instantes, pensamos sobre o que estamos fazendo e o que mais poderíamos fazer a Jesus!

Como naquela época, também hoje, gestos que transmitem e traduzem amor podem ser, e certamente o serão, alvo de críticas, provocando a indignação de certas pessoas. Todo e qualquer gesto em direção a Jesus, em nossa sociedade onde o acúmulo e o lucro são os valores predominantes, receberão críticas e vaias. Por isso, nosso envolvimento comunitário em nome de Jesus pode ser considerado como “perda” de tempo, e nosso testemunho e estudo da palavra podem ser considerados ingenuidade e alienação.

Porém, não podemos deixar que estas críticas nos façam desistir. A mulher mesmo sendo criticada, fez o que pode naquele momento para enaltecer Jesus, seu Senhor e Salvador. Que também nós, caros irmãos e irmãs, olhando para a cruz de Cristo possamos ver o que estamos fazendo e também o que estamos deixando de fazer. Como Jesus Cristo nos diz: “Em verdade vos digo, cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes”.

18 março, 2015

Arquidiocese de Maringá - 5º Encontrão Arquidiocesano das CEBs

O 5º Encontrão Arquidiocesano das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs, já começa a ser preparado na Arquidiocese de Maringá.

Será um lindo momento!

Já foram escolhido o tema e o lema
Tema: "CEBs: o rosto humano de Deus" 
Lema: "sua ternura abraça toda criatura" (cf. Sl 144(145),9)

Com a metodologia dinâmica das CEBs, o encontrão vai envolver todas e todos que estiverem presentes, vai ser muito lindo.

Data: 23/08/2015
Início: pontualmente às 13h30m
Local: Pavilhão Azul do Parque de Exposições da cidade de Maringá-Pr

Movimentos sociais preparam semana de mobilização pela reforma política

Entidades criticam proposta que defende financiamento privado no Congresso Nacional e pedem que o ministro Gilmar Mendes devolva ao STF o processo
 que proíbe essa prática.

Diversas organizações saíram às ruas, na última sexta-feira, para se manifestar diante do atual cenário político brasileiro.
Os protestos levantaram bandeiras em defesa da Petrobras e criticaram as tentativas de retirada de direitos trabalhistas.
Outra pauta era o combate à corrupção. Na avaliação das organizações, esse combate pode se dar por meio de uma reforma política.
Entre os dias 20 e 29 de março, organizações que se articulam em torno de um projeto de lei de iniciativa popular para uma reforma política farão uma nova semana de mobilização para coleta de assinaturas.
São quatro elementos centrais do projeto de lei popular: fim do financiamento empresarial privado de campanhas eleitorais e de partidos políticos, fortalecimento da votação em programas partidários, paridade de sexo em eleições e fortalecimento da democracia direta.
Propostas de lei relativas ao tema sempre circularam pelo Congresso, mas nenhuma delas avançou.
A reforma política passou a ser debatida com mais força pela sociedade civil a partir das manifestações de junho de 2013. 
As organizações que propõem o projeto de lei popular se articularam em torno deste tema em agosto daquele ano.
Elas formaram a “Coalizão por uma Reforma Política Democrática e Eleições Limpas”.
Em paralelo, foi organizada uma campanha em prol da convocação de uma Constituinte exclusiva e soberana para a reforma do sistema político.
A proposta foi debatida intensamente nos meses seguintes, culminando em um plebiscito popular realizado de 1º a 7 de setembro de 2014.
Sete milhões e meio de pessoas votaram a favor da ideia da Constituinte.
Também em 2013, a Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB, deu entrada no Supremo Tribunal Federal, o STF, a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade apontando a ilegalidade do financiamento de campanhas eleitorais por empresas.
Se aprovada, favoravelmente, isso implicaria na proibição desse tipo de financiamento.
Até agora, vários ministros já haviam votado no tema e o placar atual é de 6 a 1 em favor da inconstitucionalidade.
Como são onze os ministros, a questão já estaria definida.
Mas em abril do ano passado, o ministro Gilmar Mendes pediu vistas ao processo e ainda não o devolveu ao Supremo.
Com isso, até hoje a votação não terminou.
Movimentos sociais organizaram uma campanha com um abaixo assinado virtual, pedindo que o ministro devolva o processo.
Fonte: brasil de fato (da Radioagência Brasil de Fato, Simone Freire)

Como desmontar o ódio social - Leonardo Boff

Deve-se mudar não apenas a música mas também a letra. 
Em outras palavras, importa 
pensar mais no Brasil como nação e menos nos partidos. 
Estes devem dar centralidade
 ao bem geral e unir forças ao redor de alguns valores e princípios 
fundamentais, buscando convergências na diversidade, 
em função de um projeto-Brasil viável e que torne menos perversa a 
desigualdade, outro nome, para a injustiça social.


Estamos constatando que vigora atualmente muito ódio e raiva na sociedade, seja pela situação geral de insatisfação que perpassa a humanidade, mergulhada numa profunda crise civilizacional, sem que ninguém nos possa dizer como seria a sua superação e para onde este voo cego nos poderia conduzir. O inconsciente coletivo detecta este mal-estar como já antes Freud o descrevera em seu famoso texto O mal estar na cultura (1929-1930) e que, de alguma forma, previa os sinais de uma nova guerra mundial.
O nosso mal-estar é singular e se deriva das várias vitórias do PT com suas políticas de inclusão social que beneficiaram 36 milhões de pessoas e elevaram 44 milhões à classe média. Os privilegiados históricos, a classe alta e também a classe média se assustaram com um pouco de igualdade conseguida pelos do andar de baixo.  O fato é que, por um lado vigora uma concentração espantosa de renda e, por outro, uma desigualdade social que se conta entre as maiores do mundo. Essa desigualdade, segundo Marcio Pochmann no segundo volume de seu Atlas da Exclusão social no Brasil (Cortez 2014) diminuiu significativamente nos últimos dez anos mas é ainda muito profunda, fator permanente de desestabilização social.
Como notou bem o economista e bom analista social, do partido do PSDB, Luiz Carlos Bresser Pereira, o que foi assumido em sua coluna dominical (8/3) por Verissimo, tal fato fez surgir um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos a um partido e a um presidente; não é preocupação ou medo; é ódio; a luta de classes voltou com força; não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita.
Estimo correta esta interpretação que corrobora o que escrevi neste espaço com dois artigos "O que se esconde atrás do ódio ao PT". É a emergência de milhões que eram os zeros econômicos e que começaram ganhar dignidade e espaços de participação social, ocupando os lugares antes exclusivos das classes beneficiadas. Isso provocou raiva e ódio aos pobres, aos nordestinos, aos negros e aos membros da nova classe média.
O problema agora é: como desmontar este ódio? Uma sociedade que deixa esse espírito se alastrar, destrói os laços mínimos de convivência sem os quais ela não se sustenta. Corre o risco de romper o ritmo democrático e instaurar a violência social. Depois das amargas experiências que tivemos de autoritarismo e da penosa conquista da democracia, devemos, por todos os modos, evitar as condições que tornem o caminho da violência, incontrolável ou até irreversível.
Em primeiro lugar, na linha sábia de Bresser Pereira, faz-se urgente um novo pacto social que vá além daquele criado pela constituição de 1988, pacto que reuna empresários, trabalhadores, movimentos sociais, meios de comunicação, partidos e intelectuais  que distribua melhor os ônus da superação da atual crise nacional (que é global) e que, claramente convoque os rentistas e os grandes ricos, geralmente articulados com os capitais transnacionais a darem a sua contribuição.
Deve-se mudar não apenas a música mas também a letra. Em outras palavras, importa pensar mais no Brasil como nação e menos nos partidos. Estes devem dar centralidade ao bem geral e unir forças ao redor de alguns valores e princípios fundamentais, buscando convergências na diversidade, em função de um projeto-Brasil viável e que torne menos perversa a desigualdade, outro nome, para a injustiça social.
Estimo que amadurecemos para esta estratégia do ganha-ganha coletivo e que seremos capazes de evitar o pior e assim não gastar tempo histórico que nos faria ainda mais retardatários face ao processo global de desenvolvimento social e humano na fase planetária da humanidade.
Em segundo lugar, creio na força transformadora do amor como vem expresso na Oração de São Francisco: onde houver ódio que eu leve o amor. O amor aqui é mais que um afeto entre duas pessoas; ele ganha uma feição coletiva e social: o amor a uma causa comum, amor ao povo como um todo, especialmente, àqueles mais penalizados pela vida, amor à nação (precisamos de um sadio nacionalismo), amor como capacidade de escutar as razões do outro, como abertura ao diálogo e à troca.
Se não encontrarmos nem escutarmos o outro, como vamos saber o que pensa e pretende fazer? Ai começamos a imaginar e a projetar visões distorcidas, alimentar preconceitos e destruímos as pontes possíveis que ligam as margens diferentes.
Precisamos dar mais espaço à nossa cordialidade positiva (pois há também a negativa) que nos permite sermos mais generosos, capazes de olhar para frente e para cima e deixar para trás o que ficou para trás e não deixar que o ressentimento alimente a raiva, a raiva o ódio e o ódio, a violência que destrói a convivência e sacrifica vidas.
As igrejas, os caminhos espirituais, os grupos de reflexão e ação, especialmente a mídia e todas as pessoas de boa-vontade podem colaborar no desmonte desta carga negativa. E contamos para isso com a força integradora dos contrários que é o Espírito Criador que perpassa a história e a vida pessoal de cada um.
Texto: Leonardo Boff ( Teólogo, filósofo e autor de: "A oração de São Francisco: uma mensagem de paz para o mundo atual" entre diversos outras publicações)
Fonte: Carta Maior

15 março, 2015

O ''primeiro mandamento'' da vida paroquial “Estar próximo das pessoas”


O ''primeiro mandamento'' da vida paroquial
 “Estar próximo das pessoas”

Falando para o conselho pastoral de uma igreja na periferia leste de Roma, disse Papa Francisco: o ''primeiro mandamento'' da vida paroquial é a
proximidade com as pessoas.

"Estejam perto das pessoas", exortou-os. "Não tenham medo da proximidade. Não tenham medo de fazer carinho: acariciem as pessoas, os doentes, os solitários, mesmo aqueles que merecem o título de "miserável": 
acariciem como Deus nos acaricia".

De fato, disse o papa, o "primeiro mandamento" das paróquias é praticar essa proximidade e evitar dizer às pessoas o que elas devem mudar em suas vidas.

"Se os seus filhos estão com fome e a sociedade não o ajuda a trabalhar, não o ajuda a encontrar trabalho, não o ajuda a se livrar dos vícios ...
você precisa alimentar os seus filhos".

Ele disse ao conselho pastoral que eles devem trabalhar "para que essas situações não se repitam", dizendo, "Vocês trabalham para continuar indo em
frente com as pessoas e dizer-lhes:
'Venha aqui, o que você precisa? Nós vamos ajudá-lo'".

"Para isso, eu recomendo uma coisa para vocês, para ajudar as pessoas", continuou ele. "O primeiro mandamento pastoral é a proximidade.
Estar próximo das pessoas. Proximidade".

10 março, 2015

Revista de uma comunidade carente argentina entrevista o papa


Apresentamos o extraordinário diálogo publicado pela revista Cárcova News

Por ocasião dos dois anos de pontificado do papa Francisco, os jovens de uma favela da periferia da Grande Buenos Aires lhe enviaram uma série de perguntas, pensando em publicar as respostas do papa no jornal da comunidade. E o papa respondeu.

Cárcova News - O senhor fala muito em periferia. É uma palavra que usa muitas vezes. No que o senhor pensa quando fala de periferias? Em nós, nas pessoas da favela?

PAPA FRANCISCO - Quando eu falo de periferia, falo de limites. Normalmente, nós nos movemos em espaços que, de alguma forma, controlamos. Este é o centro. Mas, à medida que vamos saindo do centro, vamos descobrindo mais coisas. E quando olhamos para o centro a partir dessas novas coisas que descobrimos, a partir das nossas novas posições, a partir dessa periferia, vemos que a realidade é diferente. Uma coisa é ver a realidade a partir do centro e outra coisa é vê-la do último lugar ao qual chegamos. Um exemplo. A Europa, vista a partir de Madri no século XVI, era uma coisa, mas quando Magalhães chega ao fim do continente americano e olha para a Europa, ele entende outras coisas. A realidade é vista melhor a partir da periferia do que do centro. Também a realidade de uma pessoa, das periferias existenciais e, inclusive, a realidade do pensamento. Você pode ter um pensamento muito armado, mas, quando se confronta com alguém que está fora desse pensamento, de alguma forma tem que procurar as razões do seu próprio pensar; começa a dialogar, se enriquece a partir da periferia do pensamento do outro.

Cárcova News - O senhor conhece os nossos problemas. As drogas avançam e não são barradas; entram nas favelas e atacam os nossos jovens. Quem deve nos defender? E nós, como podemos nos defender?

PAPA FRANCISCO - É verdade, a droga avança e não é barrada. Há países que já são escravos da droga e isso nos preocupa. O que mais me preocupa é o triunfalismo dos traficantes. Essas pessoas já cantam vitória, venceram, triunfaram. E isto é uma realidade. Há países ou regiões onde tudo está sob o domínio da droga. A respeito da Argentina, posso dizer só isto: há 25 anos, era um lugar de passagem da droga; hoje em dia, é um lugar de consumo. E não tenho certeza, mas acredito que também de fabricação.

Cárcova News - Qual é a coisa mais importante que temos que dar aos nossos filhos?

PAPA FRANCISCO - O pertencimento, o pertencimento a um lar. O pertencimento se dá com amor, com carinho, com tempo, de mãos dadas, escutando-os, brincando com eles, dando a eles o necessário em cada momento para o seu crescimento. Dando a eles, principalmente, espaço para se expressarem. Se você não brinca com o seu filho, o priva da dimensão da gratuidade. Se você não dá espaço para que ele diga o que sente e para que ele possa até discutir com você por sentir-se livre para isso, então você não está deixando que ele cresça. Mas o mais importante é a fé. Dói muito, em mim, quando encontro jovens que não sabem fazer o sinal da cruz. Esses jovens não receberam a coisa mais importante que um pai e uma mãe podem dar a eles: a fé.

Cárcova News - O senhor acha que sempre existe a possibilidade de uma mudança, tanto em situações difíceis, de pessoas que foram muito provadas pela vida, como em situações sociais ou internacionais que são causa de grandes sofrimentos para a população? De onde vem esse otimismo, inclusive quando seria o caso de nos desesperarmos?

PAPA FRANCISCO - Toda pessoa pode mudar, inclusive as muito provadas. Eu conheço gente que estava abandonada ao deus-dará e que hoje está casada, tem o seu lar. Isto não é otimismo; isto é certeza de duas coisas. Primeiro, do homem, da pessoa. A pessoa é imagem de Deus e Deus não despreza a sua imagem, sempre a resgata de alguma forma. E, segundo, da força do Espírito Santo, que vai mudando a consciência. Não é otimismo, é fé na pessoa, porque ela é filha de Deus. Deus não abandona os seus filhos. Eu gosto de repetir que nós, os filhos de Deus, fazemos bobagens o tempo todo, erramos, pecamos, mas, quando pedimos perdão, Ele sempre nos perdoa. Ele não se cansa de perdoar. Somos nós que, quando nos achamos importantes, nos cansamos de pedir perdão.

Cárcova News - Como podemos ficar convictos e constantes na fé? Vivemos altos e baixos; em alguns momentos somos conscientes da presença de Deus, de que Deus é um companheiro de caminho, mas, em outros, nos esquecemos disso e nos comportamos como se Deus não existisse. Podemos conseguir estabilidade numa questão como a da fé?

PAPA FRANCISCO - Sim, há altos e baixos. Em alguns momentos, somos conscientes da presença de Deus, outras vezes nos esquecemos dela. A Bíblia diz: a vida do homem, da pessoa sobre a terra, é um combate. Ou seja, temos que estar em paz e lutando. Preparados para não desfalecer, não baixar a guarda, e, por outro lado, desfrutando de todas as coisas lindas que Deus nos dá na vida. Temos que estar alertas. Não ser derrotistas, não ser pessimistas. Como ser constante na fé? Se você não se negar a senti-la, vai senti-la muito perto, vai encontrá-la no seu coração. Outro dia pode ser que você não sinta nada. Mas a fé está ali, não está? É necessário acostumar-se com o fato de que a fé não é um sentimento. Às vezes, nosso Senhor nos dá a graça de senti-la, mas a fé é mais do que isso. A fé é a minha relação com Jesus Cristo; eu creio que Ele me salvou. Este é o ponto central da fé. Procure os momentos da sua vida em que você estava mal, perdido, frustrado, e observe como Cristo o salvou. Abrace isto; esta é a raiz da sua fé. Quando você se esquece, quando não sente nada, abrace isto, porque essa é a base da sua fé. E sempre com o Evangelho na mão. Leve consigo um Evangelho pequeno, no bolso. Mantenha um Evangelho em casa. É a Palavra de Deus. Nele você alimenta a fé. Afinal, a fé é um presente, não é uma atitude psicológica. E quando lhe dão um presente, você tem que recebê-lo, não é? Receba, então, o presente do Evangelho e leia. Leia e escute a Palavra de Deus.

Cárcova News - A sua vida tem sido intensa, rica. Nós também queremos viver uma vida plena, intensa. Como fazer para não viver inutilmente? E como podemos saber que não vivemos inutilmente?

PAPA FRANCISCO - Bom, eu vivi muito inutilmente, sabiam? Não foi tão intensa e tão rica. Eu sou um pecador como qualquer outro. Acontece que, simplesmente, nosso Senhor quis que as coisas que eu faço sejam públicas, mas quantas vezes há gente que não vemos, e o bem que elas fazem! A intensidade não é diretamente proporcional ao que se vê. A intensidade é vivida por dentro. E é vivida alimentando-se a fé. Como? Fazendo obras de fecundidade, obras de amor pelo bem das pessoas. Talvez o pior pecado contra o amor seja o de renegar uma pessoa. Há uma pessoa que ama você e você a renega fingindo que nem a conhece. Ela ama você e você a renega! Quem mais nos ama é Deus. Renegar a Deus é um dos piores pecados que existem. São Pedro cometeu esse pecado, renegou Jesus Cristo… e foi escolhido papa! Então, o que me resta? Vamos seguir adiante!

Cárcova News - Há pessoas, ao seu redor, que não concordam com o senhor?

PAPA FRANCISCO - Sim, claro.

Cárcova News - Como o senhor se comporta com elas?

PAPA FRANCISCO - Nunca me fez mal escutar as pessoas. Cada vez que as escuto, me faz bem. Nas vezes em que não as escutei é que me dei mal. Porque, mesmo que você não esteja de acordo, elas sempre, sempre vão lhe dar algo ou colocar você numa situação em que é preciso repensar as coisas. E isso enriquece. Esta é a maneira de nos comportarmos com as pessoas das quais discordamos. Agora, se eu não estou de acordo com alguém e paro de cumprimentá-lo, fecho a porta na sua cara ou não o deixo falar, não lhe pergunto nada, é evidente que anulo a mim mesmo. Esta é a riqueza do diálogo. Dialogando, escutando, você se enriquece.

Cárcova News - A moda de hoje empurra os jovens para as relações virtuais. Na favela também acontece isto. Como fazer para que as pessoas saiam do seu mundo de fantasia, como ajudá-las a viver a realidade e as relações verdadeiras?

PAPA FRANCISCO - Eu distinguiria entre o mundo da fantasia e as relações virtuais. Às vezes, as relações virtuais não são de fantasia; são concretas, são de coisas reais, muito concretas. Mas, evidentemente, o desejável é a relação não virtual, ou seja, a relação física, afetiva, a relação no tempo e no contato com as pessoas. E acho que o perigo que nós corremos é o de ter uma capacidade de informação muito grande, de nos movermos virtualmente dentro de toda uma série de coisas que podem nos fazer virar jovens-museu. Um jovem-museu é muito bem informado, mas o que ele faz com tudo o que tem? A maneira de ser fecundo na vida não é acumular informação ou manter apenas comunicações virtuais, mas mudar o concreto da existência. Em suma, isto quer dizer amar. Você pode amar outra pessoa, mas, se não aperta a sua mão, não lhe dá um abraço, não é amor; se você ama alguém para se casar com esse alguém, ou seja, com o desejo de se entregar completamente, mas não o abraça, não lhe dá um beijo, não é verdadeiro amor. O amor virtual não existe. Existe a declaração de amor virtual, mas o verdadeiro amor prevê o contato físico, concreto. Vamos ao essencial da vida. E o essencial é isso. Então, nada de jovens-museu que só estejam informados das coisas virtualmente, e sim jovens que sintam e que, com as próprias mãos, e isto é o concreto, levem a vida adiante. Eu gosto de falar das três linguagens: a linguagem da cabeça, a linguagem do coração e a linguagem das mãos. Tem que haver harmonia entre as três, de tal maneira que você pense o que sente e o que faz, sinta o que pensa e o que faz e faça o que sente e o que pensa. Isto é o concreto. Ficar somente no virtual é como viver numa cabeça sem corpo.

Cárcova News - Há algo que o senhor queira sugerir aos governantes argentinos num ano de eleições?

PAPA FRANCISCO - Primeiro, uma plataforma eleitoral clara. Que cada um diga: se nós formos governo, vamos fazer “isto”. Bem concreto. A plataforma eleitoral é muito sadia e ajuda as pessoas a ver o que cada um pensa. Em eleições de muitos anos atrás, houve um caso importante, com alguns jornalistas espertos. Mais ou menos na mesma hora, eles se encontraram com três candidatos. Não me lembro se eram candidatos a deputados ou a intendentes. E perguntaram a cada um: “O que o senhor pensa sobre tal coisa?”. Cada um deu a sua resposta e um dos jornalistas disse a um deles: “Mas o que o senhor pensa não é a mesma coisa que o seu partido pensa. Veja a plataforma eleitoral do seu partido…”. Às vezes, os próprios candidatos não conhecem a plataforma eleitoral. Um candidato tem que se apresentar à sociedade com uma plataforma eleitoral clara, bem estudada, dizendo explicitamente: “Se eu for eleito deputado, intendente, governador, vou fazer ‘isto’, porque é ‘isto’ o que tem que ser feito”. Segundo, honestidade na apresentação da própria postura. E terceiro, e isso é uma das coisas que nós temos que conseguir, espero que consigamos, uma campanha eleitoral não financiada. Porque nos financiamentos das campanhas eleitorais entram muitos interesses que depois “mandam a fatura”. Então, tem que haver independência em relação a qualquer um que possa financiar uma campanha eleitoral. É um ideal, evidentemente, porque sempre se precisa de dinheiro para a propaganda, para a televisão. Mas, em todo caso, que o financiamento seja público. Deste modo, eu, cidadão, sei que financio este candidato com esta determinada quantidade de dinheiro. Que seja tudo transparente e limpo.

Cárcova News - Quando o senhor vem à Argentina?

PAPA FRANCISCO - Pretendo ir em 2016, mas ainda não há nada certo, porque é preciso combinar com outras viagens, com outros países.

Cárcova News - Ouvimos pela televisão notícias que nos doem, sobre fanáticos que querem matá-lo. O senhor não tem medo? E nós, que o amamos, o que podemos fazer?

PAPA FRANCISCO - Vejam, a vida está nas mãos de Deus. Eu disse a nosso Senhor: cuida de mim. Mas se a tua vontade for que eu morra ou que me façam algo, só te peço um favor: que não me doa. Porque eu sou muito medroso para a dor física...

Fonte: zenit.org