05 setembro, 2017

Memória do Grito dos Excluidos

"Saber rir de si mesmo, isso nos dá alegria"

“A cultura em que vivemos é muito egoísta, tem uma dose muito grande de narcisismo. 

O narcisismo produz tristeza, porque significa maquiar a alma todos os dias. É a doença do espelho. Quebrem os espelhos, ....

O espelho engana. Olhem para fora, para os demais, fujam dessa cultura que vivemos, que é consumista e narcisista. E se quiserem olhar para o espelho, olhem para rir de si mesmos. Saber rir de si mesmo, isso nos dá alegria.”

Papa Francisco

04 setembro, 2017

Carta do 11º Encontrão de CEBs de Crateús – 2017


CARTA DO 11º ENCONTRÃO DAS CEBs – DIOCESE DE CRATEÚS

Queridas irmãs e queridos irmãos,

Nossos corações estão vibrando de alegria e, por isso, nos dirigimos a vocês, para partilhar um pouco do que foi o grande encontro de todas as CEBs de nossa Diocese. 

A participação de 735 pessoas, vindas das 14 Paróquias e da Área Pastoral de Sucesso, além de pessoas amigas que vieram de outros cantos, fortaleceu a nossa rede de comunidades e todos nós ficamos revigorados e animados para tocar adiante a nossa Caminhada. Os encontros, desde o da Paróquia até o diocesano, foram momentos de estreitar os laços campo e cidade, de perceber melhor os desafios do mundo urbanizado e de indicar formas de superação, na direção de outro mundo possível, sinal e anúncio do Reino.

Relendo a parábola do bom Samaritano (Lc 10,25-37), vemos que ela ressoa forte, nos dias de hoje: somos nós o homem assaltado, roubado, ferido e jogado à beira da estrada. 
Mas como o samaritano, nós temos assumido a missão de curar e levantar quem está caído, cuidando da vida ameaçada, solidarizando-nos com quem sofre, por não ter acesso à terra e à água, onde morar, trabalhar.

Estamos cientes de que (e por que) alguns se apoderaram de nossa história, de nossas raízes, de nossa língua, de nossas terras; roubaram nossos direitos, negaram nossa identidade, expulsaram-nos para as periferias das cidades e invadiram o campo; seduziram-nos para adotarmos um estilo de vida que nos nega e nos destrói, por dentro. O dragão que queria devorar o Menino do Apocalipse (Ap 12) é o mesmo que continua querendo devorar os pobres e as organizações populares, nos impedindo viver com dignidade. Temos nos esforçado, portanto, para crescer na consciência e na cidadania.

De outro lado, damo-nos conta que não conseguiram roubar de nós a comunidade, a nossa fé e a nossa esperança. Somos como a caatinga que perde a folhagem para resistir e guarda sementes, escondidas no chão, anos a fio, esperando o tempo bom para nascer.

 Alegra-nos ver que são muitos os sinais de resistência e de superação:

- Anunciamos o evangelho da alegria, buscamos uma vida simples e, estamos, sempre, com o pé na estrada, ao encontro das pessoas excluídas de nossa sociedade;   
      
- Alimentamos o sonho de um mundo novo (em nossas celebrações, festas...), de uma nova Política e de cidadãos comprometidos com a Política, para alcançar Liberdade, Justiça e a Igualdade;

- Ensaiamos, a partir do nosso lugar, um jeito novo de organizar a vida, de cuidar da criação de Deus e da saúde de todas as pessoas, de fazer a educação, de refazer a vida nas cidades, tornando-as mais humanas; reapropriamo-nos de tecnologias antigas e aprendemos a usar tecnologias modernas a nosso favor;   

- Acreditamos na presença do Espírito em nosso meio a guiar-nos e, por isso, valorizamos e apoiamos as pessoas e iniciativas em favor da vida.

Temos consciência de que a missão continua e que ela é de todos/as; precisamos, portanto, continuar avançando na compreensão e superação dos desafios do mundo urbanizado. Confiemos no sopro do Espírito que nos move, na certeza de que o Amanhã vai chegar!


Crateús, 3 de setembro de 2017.





Uma abençoada e fraterna semana a todas e a todos!


"Senhor, ensine-nos a contemplá-lo
 na beleza da criação 
e desperte a nossa gratidão 
e o nosso sentido de responsabilidade."

Papa Francisco

O Vídeo do Papa 09-2017 – Paróquias a serviço da missão – Setembro de 2017

O Vídeo do Papa: oração do mês de setembro ‘pelas paróquias’

Que as paróquias não sejam escritórios, mas lugares de transmissão da fé e testemunho da caridade.

“As paróquias têm de estar em contato com os lares, com a vida das pessoas, com a vida do povo.
Devem ser casas onde a porta esteja sempre aberta para ir ao encontro dos demais.
E é importante que a saída ofereça uma clara proposta de fé.
Trata-se de abrir as portas e deixar que Jesus saia com toda a alegria de sua mensagem.

Peçamos por nossas paróquias, para que não sejam escritórios, mas que, animadas pelo espírito missionário, sejam lugares de transmissão da fé e testemunho da caridade”.




01 setembro, 2017

Um lindo e abençoado final de semana a todas e a todos!

Um lindo e abençoado final de semana a todas e a todos!

"Podes cortar todas as flores 
mas não podes impedir 
a Primavera de aparecer."

Pablo Neruda

Chamar o Mal pelo nome

É preciso denunciar o que existe de diabólico, no Brasil e no mundo




O diabo é, na tradição cristã, a significativa encarnação do mal. Há variadas interpretações, religiosas e científicas, antigas e modernas, de como se dá a existência deste mal encarnado.

Muitas vezes ela é reduzida à imagem de uma entidade, representada de muitas formas, a depender da cultura e do clima social. Por isso as imagens variam de um homem vermelho, com tridente e rabo, a um galã elegante e sedutor, e são fonte de medo, de narrativas orais, teatrais ou cinematográficas, motivo de piadas ou de fantasia do Carnaval.

Recomendamos o livros Satanás e os demônios na Bíblia, de Ildo Bohn Gass.

Na teologia cristã, o diabo é, porém, muito mais do que uma entidade. Compreender isto é ir à origem do termo:

o grego diabolos, o hebraico, Satan, “aquele que divide“, “provocador de confusão, discórdia”. Nesse sentido, enquanto Deus, o Criador, age para unir, harmonizar, trazer paz, o diabo trabalha na oposição: divide, confunde, traz violência. Mais do que uma entidade, diabolos é uma postura, um caráter.

Descartadas aqui as possíveis discussões teológicas, importa, neste espaço, pensar como o significado de diabolos pode nos ajudar a refletir sobre as divisões e a falta de paz do nosso tempo presente. Expressões do muito o que temos visto, ouvido e vivido na próxima esquina ou em uma das telas que nos levam a tantos lugares.

É fato que temos de superar os binarismos certo-errado, legal-ilegal, bem-mal, entre outros. Em nome da vida, da paz e da justiça, precisamos, porém, chamar o mal pelo nome e denunciar o diabólico em curso.

É diabólico que Donald Trump, com poder sobre todo o arsenal bélico atômico dos Estados Unidos, faça uso de um discurso populista de incitação a uma cruzada militar contra não brancos e não cristãos no exterior, e acabe estimulando-a no seu próprio país.

É diabólico que as ações de grupos terroristas, que também o são, sejam usadas para se negar refúgio às massas de seres humanos sem nada que sofrem tanto os efeitos de abusos governamentais quanto de uma globalização econômica inumana.

É diabólico tratar as mudanças climáticas provocadas por este mesmo processo econômico devastador como um “devaneio de ecologistas”, enquanto Ilhas do Pacífico desaparecem, submersas por conta de erosão e aumento do nível do mar, desequilibrando o ambiente e desalojando populações inteiras.

É diabólico um governo que toma o poder para “devolver a dignidade ao Brasil” se revelar espúrio e ainda trabalhar para o capital financeiro conquistar espaços antes limitados e lucrar mais.

É diabólico que este governo e seus aliados usem de recursos públicos para negociar barreiras a investigações sobre si e restrinjam direitos de trabalhadores, reduzam ou extingam projetos que garantem o fundamental à população.

É diabólico propagar midiaticamente no Brasil que “a justiça é para todos”, quando juízes nas diferentes instâncias arbitram com base em compromissos familiares, políticos ou financeiros.

É diabólico que homens e mulheres de baixa renda e escolaridade sigam encarcerados de forma degradante, em unidades superlotadas deste mesmo país, sem as mínimas condições estruturais, tendo milhares deles já cumprido suas penas.

É diabólico decretar a pena de morte a jovens das periferias do Brasil pelo simples fato de terem a pele negra, assim como manifestar indiferença ou apoio a este extermínio.

Diabólicos são ainda a ganância, a extorsão, a propagação da mentira para sustentar o poder, linchamentos morais, racismo, xenofobismo, sexismo, homofobismo, aversão à religião do outro, campanhas para candidatos que encarnam tudo o que até aqui foi descrito.

Age diabolicamente quem promove e apoia estas ações. Nesse sentido, são diabólicas as grandes mídias, que negam ao público informação ampla e responsável, e tomam partido do poder inumano, incitando a confusão e promovendo ódio e negação do diálogo.

Estão também incluídas neste grupo, de forma contraditória, até mesmo lideranças religiosas que se apresentam como agentes de Deus e combatentes do Diabo nos espaços políticos e midiáticos. Já alertava Jesus de Nazaré: “Pelos frutos os conhecereis“. E os frutos que tais lideranças produzem na política, nas mídias, nas ruas, são divisão e confusão.

Mas sempre há chance de exorcizar o diabo: expeli-lo do processo. Por isso há que se ter esperança da presença de cidadãos e grupos, religiosos ou não, que atuam pela superação das ações diabólicas.

Há muita gente fazendo exorcismo com a produção de espaços de paz e diálogo, no oferecimento de fontes alternativas de informação, no chamado à paz com justiça. Esses indivíduos e grupos são, boa parte das vezes, invisíveis, por conta dos processos midiáticos diabólicos. A despeito disto eles/as estão por aí, como fermento na massa, tentando juntar e não dividir. Tentando in-formar (dar forma/dar liga) e não de-formar.  Não vou dar nome ao Bem desta vez. Fica o “trabalho de casa”, para quem ler este texto, de fazer o exercício de identificar quem são e se somar a elas.


Fonte: Texto de Magali do Nascimento Cunha, Jornalista, doutora em Ciências da Comunicação, professora e pesquisadora em mídia, religião e cultura da Universidade Metodista de São Paulo. É colaboradora do Conselho Mundial de Igrejas. Publicado no blog Diálogos da Fé, de Carta Capital, 31/08/2017.

Fonte: site do CEBI

Síntese do Texto Base do14º Intereclesial: CEBs e os Desafios no Mundo Urbano

“Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7)




            Breve síntese do Texto Base que tem servido de estudo para o 14º Intereclesial a ser realizado em janeiro de 2018 em Londrina/PR, Brasil.

            Como se afirma na própria introdução do Texto Base (TB), escrito por muitas mãos, não se encontra no texto todas as possibilidades de reflexão em torno da questão urbana, mas oferece um caminho no qual se pode começar um aprofundamento. Uma síntese tem um caráter ainda mais limitado.

            De qualquer forma, podemos enfrentar o desafio urbano de modo diferente, mas não podemos deixar de enfrentar tal desafio se queremos, de fato, continuar a propor o Caminho de Jesus Cristo para o mundo de hoje.


VER


           O grande ícone da urbanidade sempre foi a cidade. E hoje, mais do que em qualquer outra época continua sendo. A cidade se configura por um espaço físico e pelas pessoas, com suas respectivas identidades, que constituem um território. Ao mesmo tempo, cada cidade é única. Chegamos a um grau de complexidade no qual o mundo urbano ultrapassa o espaço geográfico das cidades.

            Neste contexto, no Brasil, e praticamente no mundo, chegamos a uma taxa de urbanização em torno de 84%. Um crescimento que se deu em apenas algumas décadas. Tal crescimento trouxe no seu bojo uma enorme diversidade e, ao mesmo tempo, a possibilidade de muita exclusão social. Assim, o eixo fundamental do TB é o direito à cidade, no sentido de que todos os habitantes possam ser incluídos no seu planejamento e construção, sem discriminações e privilégios.

            A vivência religiosa não poderia deixar de ser influenciada por este processo de urbanização. No caso específico da Igreja Católica as Paróquias e Comunidades tem sofrido o impacto de tal dinâmica. As CEBs (Comunidade Eclesiais de Base) igualmente. Assim, torna-se fundamental pensar e viver a experiência de fé dentro de uma realidade de pluralismo religioso.

            A história brasileira do processo de urbanização, semelhante em outras partes do mundo, foi a transformação das cidades em mercadoria. A receita neoliberal abandonou as periferiais, e tem empurrado ainda mais as populações mais pobres para longe dos benefícios sociais, culturais e econômicos dos grandes centros e das grandes metrópoles. A marca ideológica profunda que caracteriza a urbanização, mesmo nos chamados governos progressistas, é o social-desenvolvimentismo, que coloca no centro o mercado e não as pessoas.


JULGAR



 Diante do desafio urbano como a Palavra de Deus e a tradição cristã podem se posicionar?
            A Ampliada Nacional das CEBs do Brasil (Fórum de articulação nacional) foi lá no livro de Êxodo e lembrou que Deus nunca abandona o seu Povo: “Eu vi…, eu ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7)

            Porém, para aproximar mais a reflexão de nossa realidade, o TB se inspirou no Apóstolo Paulo como o grande exemplo da escuta de Deus aos clamores de uma realidade de cidade. E fecha a reflexão recordando que Paulo, e hoje a Igreja, sobretudo com o que o Papa Francisco, tem nos orientado, estão em sintonia com o Caminho de Jesus Cristo: Aquele que saiu do interior (Galileia) e foi para a grande cidade (Jerusalém).

            Deus habita a cidade. Esta frase do Papa Francisco, dita ainda enquanto Cardeal Bergoglio em 2010 norteia todo o Julgar.

            E é muito interessante perceber como Paulo, formado pela cidade, reconhece Deus onde justamente se imagina que Ele não possa estar. Deus pode ser encontrado no caminho, na casa e na mesa. A Igreja (ekklesia) só tem sentido se é a casa que acolhe aqueles e aquelas que o império não reconhece. Assim Paulo faz uma profunda crítica ao modelo de cidade de então, mas não com o profetismo tradicional, que já não falava mais para um povo cansado de tanta dor e sofrimento, mas com uma profecia apocalíptica. A fé apocalíptica anima a resistir na luta, criando pensamento e práticas alternativas.

            Então, o que Paulo faz é recordar o Caminho de Jesus Cristo. Caminho que o próprio Deus escolheu fazer no humano Jesus de Nazaré, convocando-nos a se converter para uma lógica de inclusão, como está tão bem demonstrado quando Jesus cura o homem da mão seca no dia de sábado (Mc 3,1-6). “Vem para o meio”, diz Jesus. Vem que reconhecerei sua dignidade humana, ainda que nesta sala, não o reconheçam. O cuidado e a defesa da vida vai ser a característica central da BOA NOVA DE JESUS CRISTO.

            O TB vai recordar que a Igreja se manteve fiel ao Caminho de Jesus quando foi capaz de apontar para a necessidade de incluir a todos e todas em uma sociedade justa e fraterna. Somente assim é possível ver sinais do Reino de Deus na história humana.

            Finalmente é lembrado o já famoso “três T” de Francisco.  O Papa nos lembra de que o mundo de hoje não pode ser justo se não houver Terra, Trabalho e Teto digno para todos. E mesmo sendo uma síntese, vale a pena reproduzir uma parte do seu discurso em uma favela africana, em 2015, em Nairobi:

Neste sentido, proponho que se retome a ideia duma respeitosa integração urbana. Nem erradicação nem paternalismo, nem indiferença nem mero confinamento. Precisamos de cidades integradas e para todos. Precisamos ir além da mera proclamação de direitos que, na prática, não são respeitados, e promover ações sistemáticas que melhorem o habitat popular e projetar novas urbanizações de qualidade para acolher as futuras gerações. A dívida social, a dívida ambiental para com os pobres das cidades paga-se tornando efetivo o direito sagrado dos «três T»: terra, teto e trabalho. Isto não é filantropia, é um dever moral de todos.

AGIR




          Diante dos desafios no mundo urbano, o TB aponta 10 situações nas quais devemos estar atentos e atentas para fazer sinais do Reino, sempre na direção de uma lógica de inclusão, o que em termos políticos significa buscar políticas públicas: as questões relativas a moradia; a mobilidade urbana; a violência, ao meio ambiente e sustentabilidade; trabalho; saúde, educação; arte, cultura, esporte e lazer; tecnologias de informação e comunicação; afetividade e sexualidade.

            E evidentemente, cada CEB, integrada a uma rede de comunidades, em comunhão com a Igreja, deve sustentar a vida espiritual dos seus membros para que todos e todas possam manter viva a esperança de outro mundo possível. Possam encontrar força e consolo para viver os desafios do mundo urbano, o que não é nada fácil. Porém, a esperança de um mundo melhor deve estar sempre presente na vida cristã.

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Celso Pinto Carias (assessor da Ampliada Nacional das CEBs do Brasil e do Setor CEBs da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB).


O artigo acima é parte da 4ª Edição do Jornal A Caminho Leia na integra:

 http://www.cebsdobrasil.com.br/2017/08/27/a-caminho-edicao-04-agosto-de-2017cc/


Mês da Bíblia


30 agosto, 2017

Meu irmão, você continua dando segurança e paz!

Meu irmão,  você continua dando segurança e paz!

Há 12 dias o nosso Deus levou meu irmão para junto Dele.

Sempre estivemos juntos ate morávamos na mesa data, construímos juntos com tanta dificuldades nossas casas, um sobrado, eu com meus pais no térreo ele e sua família em cima, pensando em cuidar de nossos pais e sermos companhia um para o outro.

Em todos os momentos, principalmente na enfermidade de minha mãe,  a presença dele me dava segurança e paz.

Presente todos os dias, atencioso e cuidadoso.

Partilhávamos alegrias, preocupações, trabalhos, cuidados com nossos pais e familiares, as dificuldades e as responsabilidades financeiras.

Confesso que hoje diante dos compromissos que assumimos e que preciso levar a frente sinto-me um tanto quanto perdida.

Más engraçado, embora um vazio grande no peito, sinto a presença dele transmitindo aquela segurança e paz que transmitia quando aqui vivo entre nós.

Isso leva a certeza de quanto nosso Deus é pai.

Na foto, meus pais, ele e eu, no dia das mães deste ano de 2017.

"uma dinâmica fundamental da vida cristã"

"Recordar-se de Jesus, do fogo de amor com o qual um dia concebemos a nossa vida como um projeto de bem e reavivar com esta chama a nossa esperança".

Papa Francisco

Mateus 23,27-32

Naquele tempo, disse Jesus: 

27Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! 
Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, 
mas por dentro estão cheios de ossos de mortos 
e de toda podridão! 

28Assim também vós: 
por fora, pareceis justos diante dos outros, 
mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça. 

29Aí de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! 
Vós construís sepulcros para os profetas 
e enfeitais os túmulos dos justos, 

30e dizeis: 'Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, 
não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas'. 

31Com isso, confessais que sois filhos 
daqueles que mataram os profetas. 

32Completai, pois, a medida de vossos pais!'

Palavra da Salvação.

29 agosto, 2017

Fora Temer, Amazônia Fica!


Senhor, sede uma rocha protetora para mim!


"Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude!
Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo."


Sl 70(71), 5-6ab

28 agosto, 2017

"Cada um de nós é uma pequena pedra da construção da Igreja"

"Cada um de nós é uma pequena pedra da construção da Igreja"

“Todavia, nenhuma pedra pequena é inútil, antes pelo contrário, nas mãos de Jesus a menor pedra se torna preciosa, porque Ele a recolhe, a guarda com grande ternura, a trabalha com o seu Espírito, e a coloca no seu lugar certo, que Ele desde sempre pensou e onde pode ser mais útil para toda a construção. Cada um de nós é uma pequena pedra, mas nas mãos de Jesus participa da construção da Igreja”.

Papa Francisco

Uma linda e abençoada semana a todas e a todos!

Uma linda e abençoada semana a todas e a todos!
O Senhor ama seu povo de verdade.
Com danças glorifiquem o seu nome, 
toquem harpa e tambor em sua honra! 
Porque, de fato, o Senhor ama seu povo 
e coroa com vitória os seus humildes.

Sl 149, 3-4.

23 agosto, 2017

Meu irmão, que saudades!

No sábado, dia 19, faleceu meu irmão.

Ele estava bem com saúde, do nada um mal estar e veio a falecer.

Como dói meu Deus, como dói.
Como dói também ver a dor de minha mãe e do meu pai.

Obrigada a todas e a todos pelo carinho!
Que o nosso Deus os abençoe.

Meu irmão cumpriu sua missão aqui na terra e o nosso Deus o acolheu em seus braços.

Oração:
"Senhor, Tu és a minha esperança. Dá-me um coração confiante, um coração disponível para acolher a tua misericórdia, a tua força, o teu Espírito, que é o único capaz de renovar a face da terra. Com simplicidade e humildade, ofereço-te o meu ser, o meu coração, as minhas forças. Mas ofereço-te também a minha fraqueza, a minha falta de meios, com total disponibilidade para acolher a tua graça, e assim realizar a missão que me confias. Amém."

Fonte: Dehonianos

18 agosto, 2017

Carta de um jovem católico: da Renovação Carismática à descoberta da Teologia da Libertação

Jovens participam de uma romaria durante o I Encontro Nacional de Juventudes e Espiritualidade Libertadora


Dener Ricardo tem apenas 25 anos. Escreveu-me uma carta em tom pessoal, um relato pungente de sua trajetória na Igreja, da Renovação Carismática Católica e a rotina de adorações até a adesão à tradição da trajetória da Igreja latino-americana, à Teologia da Libertação –e à liderança do Papa Francisco.

No final do texto, uma convocação, um questionamento: “Vamos aspirar a uma Igreja simples, profética, que denuncia as injustiças contra os pobres e não se alia aos poderosos desta terra.”

Um jovem que torna verdade a profecia de Isaías no Segundo Canto do Servo Sofredor: “De minha boca fez uma espada cortante, abrigou-me na sombra da sua mão; fez de mim uma seta afiada, escondeu-me na sua aljava.” (Is 49, 2)

Uma carta-provocação, às vésperas do II Encontro Nacional de Juventudes e Espiritualidade Libertadora, que acontecerá entre 7 e 10 de setembro em Poá (SP).

Os ouvidos da Igreja estão se abrindo para a voz dos jovens que desejam o retorno à originalidade das primeiras comunidades cristãs? Os olhos da Igreja estão se abrindo para a luz que carregam os jovens? Já passa da hora.

[Mauro Lopes]

A íntegra da carta de Dener:

“Sou de São José do Rio Preto (SP), tenho 25 anos. Minha família sempre foi católica, mas, antes dos meus 14 anos, eu não praticava muito a religião: ia à Missa, fazia algumas poucas orações e só. Muito pouco me importava a dimensão comunitária da fé. Aos 15 anos me apresentaram a Renovação Carismática Católica (RCC). Adotei este tipo de espiritualidade com muito entusiasmo: participava ativamente dos grupos de orações e eventos da RCC. Tinha um apreço muito grande pela Canção Nova e outras emissoras de TV deste segmento. Durante três anos, a minha espiritualidade foi moldada neste contexto…até que algo começou a mudar.

Já na faculdade, passei a questionar o porquê de muitos irmãos (ãs) nada possuírem para comer ou viver com um patamar mínimo de dignidade, ao passo que uma minoria acumula rios de dinheiro. Comecei a me questionar, dentro da fé católica, se isso poderia ser justo. Mas nos grupos da RCC não encontrei nenhum tipo de resposta: pouco ou nada se falava sobre os pobres e seus mais diversos sofrimentos, quase nunca se incentivavam ações concretas para pelo menos aliviar as tribulações daqueles mais necessitados.

Em três anos de Renovação Carismática, NUNCA, repito, NUNCA houve um pregador sequer que tivesse pautado sua pregação em Mateus 25, 31-46 ou nos documentos sociais da Igreja, que eu sequer sabia que existiam. Muitas e muitas pregações, a massacrante maioria, era pautada num discurso extremamente moralizante, bem do tipo pode ou não pode, um discurso bélico e apologético. O resultado em minha espiritualidade você já pode imaginar: o meu cristianismo tinha pouco de Evangelho. Gostava de cruzadas religiosas, tinha aversão ao ecumenismo, a ponto de até recusar uma oração comum, com dois irmãos protestantes que faziam um trabalho de visita a um hospital onde eu estava internado. Discutia áspera e frequentemente com pessoas dos Testemunhas de Jeová que vinham à minha porta. Era moralista e algumas vezes gostava de julgar quem não pensava como eu. Graças a esse moralismo exacerbado deixei de viver muita coisa boa e saudável próprias do tempo de juventude.

Em um dado momento desta trajetória minha consciência começou cutucar se estas minhas atitudes eram mesmo alinhadas ao Evangelho de Nosso Senhor. Isso se somou aos questionamentos que eu fazia sobre a disparidade entre ricos e pobres. Um dia, fui apresentado à Teologia da Libertação e à Doutrina Social da Igreja. Comecei a ler os textos do padre Gustavo Gutierrez, frei Leonardo Boff, padre Jon Sobrino, Dom Helder Câmara, Dom Paulo Evaristo Arns, as ideias de São Vicente de Paulo e Beato Antonio Frederico Ozanam, entre outros. Por meio destes cheguei aos documentos que compõem o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, bem como aos ensinamentos do Concílio Vaticano II e do CELAM.

O ponto culminante veio com o pontificado do Papa Francisco. Entrei de cabeça. Uma Igreja pobre para os pobres, uma Igreja misericordiosa, solidária, fraterna, de portas abertas e que denuncia profeticamente a injustiça social decorrente de um sistema que coloca o dinheiro no centro de tudo. Esse encontro me fez muito bem. Comecei a entender que Cristo se identifica nos pobres e sofredores do mundo e, dentro dos meus limites, comecei a dar início a pequenas ações concretas: visitar asilos, levar alimentos a instituições que atendem os pobres, inteirar-me da politica brasileira para ver o que eu podia fazer para cobrar dos governantes uma atenção privilegiada aos mais necessitados.

Neste caminho identifiquei-me com a Pastoral do Povo da Rua, onde hoje atuo com grande alegria. Confesso: Não há dinheiro no mundo que pague o trabalho junto e a favor dos pobres; ver o sorriso no rosto de um morador de rua quando encontra sorriso e amizade é algo excepcional. Passei aos poucos de uma espiritualidade pesada, intimista, preconceituosa e truncada para uma espiritualidade de partilha, comunhão, solidariedade e acolhimento. Hoje sou muito mais feliz com minha espiritualidade.

Ah, não poderia esquecer: comecei ganhar alguns rótulos de pessoas da ala conservadora da Igreja: herege, comunista, falso católico, entre outros. Confesso que fiquei um pouco chateado. Mas, se viver uma Igreja acolhedora, misericordiosa e que assume a opção preferencial pelos pobres é sinônimo de heresia, então sou um “herege”.

O caminho que se abriu permitiu-me participar melhor da Santa Missa, fazer minhas orações cotidianas e viver os sacramentos, entender que na vida nem tudo é preto no branco, por isso se faz importante o discernimento que é um dom do Espirito Santo… Minha relação com a Igreja ganhou em qualidade. Comecei a descobrir no Evangelho que Jesus sempre se colocava ao lado dos que sofriam e eram excluídos da sociedade daquela época. Provavelmente, foram estas escolhas que o levaram à cruz. JESUS ERA UM REVOLUCIONÁRIO e digo isso sem medo. De conservador ele não tinha absolutamente nada. Comecei a ver que o verdadeiro profetismo é denunciar os esquemas injustos e o acúmulo de riquezas, como fizeram os profetas do Antigo Testamento.

Contudo, não me engano: reconheço que tenho muito a melhorar como ser humano, tenho muito a converter dentro de mim, tenho muito o que aprender, para assim melhor me doar ao próximo. Peço que você reze por mim!

Por fim, se você publicar mesmo esta carta, gostaria de fazer um apelo a todos os leigos (as) e presbíteros que venham a ler esse depoimento: com palavras e atitudes vamos fazendo uma Igreja pobre, com os pobres e dos pobres. Vamos aspirar a uma Igreja simples, profética, que denuncia as injustiças contra os pobres e não se alia aos poderosos desta terra. Assim era no inicio do cristianismo e é assim que verdadeiramente iremos seguir os passos do Deus que se fez pobre, para nos enriquecer com sua pobreza.

Viva o Papa Francisco e que Deus o conceda longa vida, com muita saúde, conduzindo a Igreja pelas veredas da simplicidade do Evangelho!

Servo de Deus, Dom Helder Câmara e  Bem Aventurado Dom Oscar Romero, roguem por nós e especialmente pelos marginalizados, a quem devotaram as vossas vidas!

Dener Ricardo”

Fonte: Blog do Mauro Lopes
Publicado em 17 DE AGOSTO DE 2017 POR MAURO LOPES

Seminário de Assessores de CEBs do Nordeste!


17 agosto, 2017

Maria, ao trazer Jesus traz a nós uma alegria nova cheia de significado!

“Nos traz uma nova capacidade de atravessar com fé os momentos mais dolorosos e difíceis; nos traz a capacidade de misericórdia para perdoar-nos, compreender-nos, apoiarmo-nos uns aos outros”.

Papa Francisco