08 outubro, 2019

O possível lado bom de um cisma católico - Celso Pinto Carias



Por Celso Pinto Carias
  
Primeiramente: de forma alguma estaremos aqui defendendo um cisma. Por melhores consequências que ele traga, sempre produz dor. E quem sofre mais é o povo. No entanto, neste contexto de crise civilizatória em que estamos imersos, a confusão está tão generalizada que ele poderia ter um resultado positivo. Depois, não vivemos mais em um mundo monolítico e sim em uma realidade plural. E a crise da modernidade não indica que a sua superação será a construção de uma única cultura, mesmo que alguns saudosistas ultraconservadores sonhem com isso.

Talvez a grande maioria das pessoas que professam o cristianismo não saiba o que é um cisma. A palavra quer dizer divisão de um grupo. Tem sido usada há muito tempo no âmbito do cristianismo. Aconteceram alguns cismas ao longo da história cristã. Os mais significativos se desdobraram no aparecimento da Igreja Ortodoxa (1054), do Protestantismo (século XVI – 16) e a Igreja Anglicana (também século XVI – 16). Pode-se afirmar que a questão de fundo de toda e qualquer divisão no cristianismo passou por uma questão de poder. As questões religiosas eram um pretexto.

E hoje, estamos de novo em uma crise do poder. Crise que também afeta a Igreja Católica. Nestes dias o Papa Francisco chegou tocar no assunto cisma. Em viagem para três países africanos (10/09/2019), perguntado por jornalistas no avião disse: “Rezo para que não haja cisma, mas não tenho medo”. Sim, por que temer? Não seria o primeiro e nem último. Porém, poderia trazer unidade de proposito para todas as pessoas que na Igreja Católica acreditam que os sinais do Reino de Deus precisam ser realizados aqui e agora. Sinais e não realização definitiva. Por conta dos fiscais de plantão, os que tornam a Igreja uma alfandega, como já disse Francisco, precisamos explicar tudo. “Olha, não estamos falando de um reino definitivo aqui na terra, não estamos deixando de lado a dimensão escatológica da fé cristã… Olha a opção preferencial pelos pobres, não excluí quem não é pobre, olha, olha, olha…”.

Há um grupo minoritário, mas extremamente poderoso, pois tem ajuda dos poderosos do mundo, bilionários, que financiam, direta ou indiretamente, os ataques ao Papa Francisco. O Cardeal Burke não pode deixar de ser mencionado. Mas ele não é o principal problema. Na crise atual, o poder dominador concentrado no grande capital, não é capaz de tentar superar os problemas com a partilha. Continua estruturado no esquema de concentração. Monta uma série de justificativas para afirmar que o pleno desenvolvimento garantirá a vida digna para os pobres. Promessa feita há dois séculos. Enquanto isso, os ricos ficam cada vez mais ricos e a miséria não resolvida. Então, é preciso achar culpados. Os culpados, na lógica deles, é sempre a vítima.

Sabemos que as religiões podem ser usadas pela lógica de um poder dominador. Isso é fato. Não compartilhamos de críticas destrutivas da religião, mas como ela tem um forte componente humano, é indiscutível que ela pode ser instrumentalizada. Somos seres sociais e em sociedade tudo pode ser utilizado para manter poderes que se veem ameaçados pela lógica da partilha.

Ora, como cristão católico assumo o caráter divino da Igreja. Porém, não reconhecer a realidade humana que perpassa sua estrutura seria como colocar “uma luz debaixo da mesa” (Mt 5,15). Os escândalos, de vários tipos, estão aí para comprovar. E o Papa Francisco tem usado imagens fortes para demonstrar que não está disposto a fazer uma ação na qual se esconda os problemas. Chegou a dizer, nas vésperas do Natal de 2014, que existem 15 doenças na Cúria Romana. Assumir esta realidade não diminui a Igreja, ao contrário, ela ganha credibilidade, confiabilidade. Dentro da Igreja Católica, quem tem se oposto ao Papa Francisco pode ser aquele que tem algo a esconder, que tem algo a perder do ponto de vista moral ou material.

Olhando a história dos cismas se verifica com facilidade que por trás de disputas teológicas quase sempre se esconde  uma questão de poder. O teológico poderia ser resolvido com debates e aprofundamentos, como em tantas outras vezes aconteceu, mas pode ganhar proporções cismáticas quando interessa a um grupo de poder em determinado. Pode-se exemplificar com o caso da Reforma Protestante. Tanto que a Igreja Católica reconheceu, em documento (Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação da Federação Luterana Mundial e da Igreja Católica, assinado em 31 de outubro de 1999), que luteranos e católicos tem a mesma doutrina da justificação. Mas antes disso quanto sofrimento se deu. Era interessante para os príncipes alemães incrementar as disputas. Basta ler bons livros de história para comprovar com facilidade. Ou pelo menos assistir um filme feito por luteranos alemães (Lutero) no qual se percebe as crises que o próprio Lutero sofreu por ver seus protestos serem utilizados indevidamente. O filme é extremamente interessante porque justamente foi feito por luteranos.

Contudo, apesar do sofrimento, a Igreja Católica se viu obrigada a fazer uma reforma e que trouxe bons frutos, cujo marco foi o Concílio de Trento. Sem Lutero, que foi um grande teólogo, quanto tempo a Igreja demoraria em corrigir o rumo?

Hoje, como dito, vivemos uma grande confusão. Os desavisados ou utilizados pelo poder dominador, podem fazer coro a este grupo minoritário e fazer com que se tome uma decisão drástica. Os filhos das trevas são espertos. Por isso, é preciso dar todo apoio ao Papa Francisco. Ele não pode se sentir sozinho.

Tenta-se o diálogo, procura-se a conciliação, busca-se com todas as forças uma lógica de perdão. Porém, os grupos de poder quando atingidos são incansáveis e levam muita gente boa com eles. Neste momento, por exemplo, em que se realiza o Sínodo para a Amazônia, temos buscado, com nossos parcos meios eletrônicos, a informar o que de fato está acontecendo, mas que dificuldade.

Eles parecem que querem nos forçar a fazer o cisma. Temos apanhado muito nas últimas décadas, mas temos resistido, pois amamos a Igreja. Agora, o contrário não pode ser dito na mesma proporção. Quem não aceitou o Concílio Vaticano II? Quem tem procurado fazer interpretações que colocam a eclesiologia do Concílio debaixo do tapete na perspectiva de Igreja como Povo de Deus? Quem tem perseguido de modo incansável a teólogos e teólogas que, bem fundamentados, procuram servir a Igreja na perspectiva do diálogo com a cultura moderna como nos recomendou a Gaudium et Spes? Somos incapazes de erro? Obviamente que não. Porém, estamos dispostos ao diálogo, à correção fraterna, se de forma evangélica nos procuram corrigir.

O modus operante dos grupos de poder não é o diálogo. É o autoritarismo e a mentira. Quantos têm dito por aí, incluindo padres e bispos, que Leonardo Boff foi excomungado sem mostrar documento algum no qual isto seja dito? Quantos não se utilizam da boa fé do povo para manter seus privilégios de uma vida de luxo e riqueza? Não queriam a canonização de Dom Oscar Romero, pois diziam que ele agiu como político e não como bispo. Não compreendem que como disse o Papa Pio XII, e que foi repetido por São Paulo VI e agora por Francisco, que a política é forma mais nobre de exercer a caridade. Agora precisam suportar São Oscar Romero na ladainha.

Portanto, o possível lado bom de um cisma na Igreja Católica hoje, seria o reconhecimento desses grupos de poder que eles estão certos e que continuassem o seu caminho, deixando que o Concílio Vaticano II seja aprofundado. Mas porque não fazem? Presumimos que avaliem os custos morais e econômicos. E então, preferem, usando até meios espúrios, tentar nos empurrar para fora. Demonizam palavras e conceitos sem nenhum pudor, pois sabem que o povo acredita neles e não vão procurar verificar a veracidade. E hoje, com as mídias digitais, nem se fala. Tenho visto parentes e amigos muito próximos, simplesmente divulgarem informações completamente inverídicas, as tais fake news.

Eles podem dizer: “Mas vocês nunca criticaram o Papa João Paulo II ou Papa Bento XVI?”. Sim, houve críticas, e até exageros de alguns. Mas a maioria sempre respeitosa, e raramente usando os meios de comunicação social. Hoje o Papa Francisco é até xingado, e não por descrentes, mas por católicos. Em uma determinada arquidiocese do Brasil um grupo de católicos, sim católicos, chegou a colocar um outdoor com a seguinte frase: “tirem o PT do altar”. Se quiséssemos usar da mesma lógica se poderia dizer: “tirem o PSL do altar”, “tirem a pena de morte do altar”, “tirem o massacre dos pobres do altar”, “tirem a vontade de destruir a natureza do altar”, e por aí vai.

Não queremos, em hipótese alguma, um cisma. MAS NÃO TEMOS MEDO DELE. É preciso ter coragem de ir a publico para defender o Papa Francisco. Temos ouvido um silêncio ensurdecedor de muitos.  Agora, por exemplo, quantas dioceses levantaram a voz, não para rezar para que não aconteçam possíveis heresias no Sínodo, para proclamar a comunhão com o Papa? Quantos meios de comunicação de inspiração católica têm buscado com veemência esclarecer de que se trata o Sínodo? Enfim, neste dia 06 de outubro, que possamos nos inspirar no Evangelho: “Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17,10).

Ser pobre no Brasil!


Ser pobre no Brasil! 


“Ser pobre no Brasil não é nem ser quem não tem nada. Eu acho que os ricos são mais pobres que a gente, porque eles não fazem nada para ajudar. Acho eles mais pobres do que esses mendigos que moram debaixo da ponte porque estes, pelo menos, têm liberdade de falar a verdade. O governante não. Ele fica só iludindo o povo e não faz nada para ajudar nem para resolver os problemas. Olhe a saúde como está, entende? Isso que é pobreza: você chegar ao hospital e não ter médico. Você ir ao posto e não ter médico. E o governante ainda tem a coragem de dizer que a saúde está boa! A gente que não tem uma condição boa. Nós, para ele, somos pobres; mas, para nós, eles que são pobres, não é? De sentimento e de coração.”

(ORELINA NUNES, 36 ANOS Catadora de materiais recicláveis (Coorpefé))

07 outubro, 2019

O silêncio dos homens | Documentário completo




“O Silêncio dos Homens”

A obra provoca reflexão sobre o modelo de masculino que se impõe sobre meninos e homens e como isso acaba por silenciá-los

Muito bom. Vejam o vídeo

A fonte do texto que segue Carta Capital

A obra provoca reflexão sobre o modelo de masculino que se impõe sobre meninos e homens e como isso acaba por silenciá-los
A iniciativa Papo de Homem, plataforma que produz conteúdo crítico sobre masculinidade, lançou o documentário “O Silêncio dos Homens”. A obra tem o objetivo de provocar reflexão sobre o modelo de masculino que se impõe sobre meninos e homens e como isso acaba por silenciá-los ao longo da vida.


A obra provoca reflexão sobre o modelo de masculino que se impõe sobre meninos e homens e como isso acaba por silenciá-los
A iniciativa Papo de Homem, plataforma que produz conteúdo crítico sobre masculinidade, lançou o documentário “O Silêncio dos Homens”. A obra tem o objetivo de provocar reflexão sobre o modelo de masculino que se impõe sobre meninos e homens e como isso acaba por silenciá-los ao longo da vida.


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“Silêncio aqui tem sentido amplo. É emocional, verbal, social, tanto individual como coletivo. Estamos falando de uma rigidez psicológica, que se torna um vulcão quando associada aos “mandamentos da masculinidade”: ser bem-sucedido profissionalmente, não agir de modos que pareçam femininos, não levar desaforo pra casa, dar em cima das mulheres sempre que possível, não expressar emoções, dentre outros”, escreveu um dos idealizadores do projeto, Guilherme Nascimento Valadares.

O filme é fruto de uma pesquisa que envolveu mais de 40 mil pessoas e dá continuidade a pesquisas feitas pela Papo de Homem. “Em 2016 lançamos o nosso primeiro documentário com pesquisa, que escutou mais de 20.000 pessoas. Ele nos mostrou que 7 em cada 10 homens não falam sobre seus maiores medos e dúvidas com os amigos. Já notávamos o mesmo fenômeno em nossas rodas de conversa há mais de 10 anos. E, à medida em que nos aprofundamos no estudo sobre masculinidades, observamos como esse silêncio está na raiz de vários outros problemas: violência doméstica, ausência de mulheres em posições de poder na política e economia, assédio, altíssimas taxas de suicídio, homicídio, mortes no trabalho e encarceramento entre os próprios homens… a lista é longa”, explica Valadares.

Para Refletir


Homilia do Papa Francisco da Missa de abertura do Sínodo




Homilia do Papa Francisco da Missa de abertura do Sínodo

"O fogo de Deus é calor que atrai e congrega em unidade. Alimenta-se com a partilha, não com os lucros. Pelo contrário, o fogo devorador alastra quando se quer fazer triunfar apenas as próprias ideias, formar o próprio grupo, queimar as diferenças para homogeneizar tudo e todos."
HOMILIA DO SANTO PADRE
Eucaristia do XXVII Domingo do Tempo Comum
concelebrada com os novos Cardeais na Abertura da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Panamazônia

 (Basílica de São Pedro, 6 de outubro de 2019)

O apóstolo Paulo, o maior missionário da história da Igreja, ajuda-nos a «fazer Sínodo», a «caminhar juntos»; parece dirigido a nós, Pastores ao serviço do povo de Deus, aquilo que escreve a Timóteo.

Começa dizendo: «Recomendo-te que reacendas o dom de Deus que se encontra em ti, pela imposição das minhas mãos» (2 Tm 1, 6). Somos bispos, porque recebemos um dom de Deus. Não assinamos um acordo; colocaram-nos, não um contrato de trabalho nas mãos, mas mãos sobre a cabeça, para sermos, por nossa vez, mãos levantadas que intercedem junto do Senhor e mãos estendidas para os irmãos. Recebemos um dom, para sermos dons. Um dom não se compra, não se troca nem se vende: recebe-se e dá-se de prenda. Se nos apropriarmos dele, se nos colocarmos a nós no centro e não deixarmos no centro o dom, passamos de Pastores a funcionários: fazemos do dom uma função, e desaparece a gratuidade; assim acabamos por nos servir a nós mesmos, servindo-nos da Igreja. Ao passo que a nossa vida, dom recebido, é para servir. No-lo recorda o Evangelho, que fala de «servos inúteis» (Lc 17, 10); expressão esta, que pode querer dizer também «servos sem fins lucrativos». Por outras palavras, não trabalhamos para obter lucro, um ganho nosso, mas, sabendo que gratuitamente recebemos, gratuitamente damos (cf. Mt 10, 8). Colocamos toda a nossa alegria em servir, porque fomos servidos por Deus: fez-Se nosso servo. Queridos irmãos, sintamo-nos chamados aqui para servir, colocando no centro o dom de Deus.

Para sermos fiéis a esta chamada, à nossa missão, São Paulo lembra-nos que o dom deve ser reaceso. O verbo usado é fascinante: reacender, no original, significa literalmente «dar vida a uma fogueira» [anazopurein]. O dom que recebemos é um fogo, é amor ardente a Deus e aos irmãos. O fogo não se alimenta sozinho; morre se não for mantido vivo, apaga-se se a cinza o cobrir. Se tudo continua igual, se os nossos dias são pautados pelo «sempre se fez assim», então o dom desaparece, sufocado pelas cinzas dos medos e pela preocupação de defender o status quo. Mas «a Igreja não pode de modo algum limitar-se a uma pastoral de “manutenção” para aqueles que já conhecem o Evangelho de Cristo. O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial» (Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Verbum Domini, 95). Porque a Igreja está sempre em caminho, sempre em saída; nunca fechada em si mesma. Jesus veio trazer à terra, não a brisa da tarde, mas o fogo.

O fogo que reacende o dom é o Espírito Santo, dador dos dons. Por isso, São Paulo continua: «Guarda, pelo Espírito Santo que habita em nós, o precioso bem que te foi confiado» (2 Tm 1, 14). E antes escrevera: «Deus não nos concedeu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de prudência» (1, 7). Não um espírito de timidez, mas de prudência. Alguém pode pensar que a prudência seja a virtude «alfândega», que, para não errar, faz parar tudo. Mas não! A prudência é virtude cristã, é virtude de vida; mais, é a virtude do governo. E Deus deu-nos este espírito de prudência. Em oposição à timidez, Paulo coloca a prudência. Que é, então, esta prudência do Espírito? Como ensina o Catecismo, a prudência «não se confunde com a timidez ou o medo», mas «é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de o atingir» (n. 1806). A prudência não é indecisão, não é um comportamento defensivo. É a virtude do Pastor que, para servir com sabedoria, sabe discernir, sensível à novidade do Espírito. Então, reacender o dom no fogo do Espírito é o oposto de deixar as coisas correr sem se fazer nada. E ser fiéis à novidade do Espírito é uma graça que devemos pedir na oração. Ele, que faz novas todas as coisas, nos dê a sua prudência audaciosa; inspire o nosso Sínodo a renovar os caminhos para a Igreja na Amazónia, para que não se apague o fogo da missão.

O fogo de Deus, como no episódio da sarça ardente, arde mas não consome (cf. Ex 3, 2). É fogo de amor que ilumina, aquece e dá vida; não fogo que alastra e devora. Quando sem amor nem respeito se devoram povos e culturas, não é o fogo de Deus, mas do mundo. Contudo quantas vezes o dom de Deus foi, não oferecido, mas imposto! Quantas vezes houve colonização em vez de evangelização! Deus nos preserve da ganância dos novos colonialismos. O fogo ateado por interesses que destroem, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é o do Evangelho. O fogo de Deus é calor que atrai e congrega em unidade. Alimenta-se com a partilha, não com os lucros. Pelo contrário, o fogo devorador alastra quando se quer fazer triunfar apenas as próprias ideias, formar o próprio grupo, queimar as diferenças para homogeneizar tudo e todos.

Reacender o dom; receber a prudência audaciosa do Espírito, fiéis à sua novidade; São Paulo faz uma última exortação: «Não te envergonhes de dar testemunho (…), mas compartilha o meu sofrimento pelo Evangelho, apoiado na força de Deus» (2 Tm 1, 8). Pede para testemunhar o Evangelho, sofrer pelo Evangelho; numa palavra: viver para o Evangelho. O anúncio do Evangelho é o critério primeiro para a vida da Igreja: é a sua missão, a sua identidade. Mais adiante, Paulo escreve: «Estou pronto para oferecer-me como sacrifício» (4, 6). Anunciar o Evangelho é viver a oferta, é testemunhar radicalmente, é fazer-se tudo por todos (cf. 1 Cor 9, 22), é amar até ao martírio. Agradeço a Deus por haver no Colégio Cardinalício alguns irmãos Cardeais mártires, que provaram, na vida, a cruz do martírio. De facto, como assinala o Apóstolo, serve-se o Evangelho, não com a força do mundo, mas simplesmente com a força de Deus: permanecendo sempre no amor humilde, acreditando que a única maneira de possuir verdadeiramente a vida é perdê-la por amor.

Queridos irmãos, olhemos juntos para Jesus Crucificado, para o seu coração aberto por nós. Comecemos dali, porque dali brotou o dom que nos gerou; dali foi derramado o Espírito que renova (cf. Jo 19, 30). Dali, sentimo-nos chamados, todos e cada um, a dar a vida. Muitos irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes pesadas e aguardam pela consolação libertadora do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. Muitos irmãos e irmãs gastaram a sua vida na Amazônia. Permiti que repita as palavras do nosso amado Cardeal Hummes: quando fores àquelas pequenas cidades da Amazônia, vai aos cemitérios procurar o túmulo dos missionários. Um gesto da Igreja por aqueles que gastaram a vida na Amazônia. E depois, com um pouco de astúcia, disse ao Papa: «Não se esqueça deles. Merecem ser canonizados». Por eles, pelos que agora estão a dar a vida, pelos outros que lá gastaram a própria vida, com eles, caminhemos juntos.


05 outubro, 2019

#As CEBs na Arquidiocese de Maringá

CEBs Batizados e enviados, a Igreja de Cristo em missão no mundo. "A quem eu te enviar, irás" (Jr 1,7)

Cada CEB é uma casa comum, ela deve estar a serviço dela, de cuidados com a casa comum. A prioridade da CEB é ela mesma. Evangelizar e cuidar de toda Criação Divina que a ela pertence. Deve fazer acontecer sociedade do bem viver. Uma vivência comunitária sem diferença de poder, coletiva, integra, universal e aberta.

E reconstruir duas alianças:
- A aliança que Deus fez com Noé
- A aliança que Deus fez com Abraão


Reconstruir a aliança que Deus fez com Noé, uma aliança de cuidado ecológico, cuidado para com toda a criação. Para superar o dilúvio, Noé vive a plena comunhão. E reconstruir a aliança de fé que Deus fez com Abraão.



#As CEBs na Arquidiocese de Maringá

Desde sua chegada a Maringá, em 1957, Dom Jaime Luiz Coelho, primeiro bispo e posteriormente primeiro arcebispo da Arquidiocese de Maringá, mostrou-se inquieto diante da realidade que encontrou: uma cidade em rápida expansão, com apenas duas paróquias, enquanto os bairros cresciam e se povoavam continuamente. A grande questão era como fazer a Igreja chegar aos lares, às praças, às ruas e às vilas. Esse contexto histórico é apresentado por Orivaldo Robles em sua obra A História da Igreja Católica em Maringá – A Igreja que brotou da mata (ROBLES, 2007).

A partir de 1971, Dom Jaime confiou a responsabilidade da Pastoral dos Bairros ao recém-ordenado padre Valério Odorizzi, com a colaboração das comunidades religiosas e de lideranças leigas.

Esse trabalho tinha como objetivo apoiar os párocos na implantação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) em suas paróquias. A Pastoral dos Bairros tornou-se um instrumento concreto para favorecer esse processo. Com a elaboração do 1º Plano de Pastoral Orgânica dos Bairros da Cidade de Maringá, em 1974, a implantação das CEBs foi se consolidando. Como afirma Orivaldo Robles, “a Igreja de Maringá caminhou, desde o início dos anos 70 até 1996, pela senda das CEBs como forma de viver a fé, incorporando as novas situações que a realidade ia suscitando” (ROBLES, 2007, p. 247-248).

A partir de 2005, os registros e relatos da assessoria e da coordenação arquidiocesana das CEBs permitem acompanhar a continuidade dessa caminhada, marcada por iniciativas de retomada, formação, articulação e fortalecimento das comunidades.

Em 2005, iniciou-se um processo de retomada da caminhada das CEBs, marcado pela realização do 1º Encontrão Arquidiocesano das CEBs, no mês de outubro, com o tema “Com firmeza e com carinho, para retomar o caminho”. O encontro foi encerrado com um show do cantor e compositor Zé Vicente.

Em 2008, as CEBs foram assumidas como primeira prioridade no 22º Plano de Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Maringá.

O subsídio arquidiocesano Marco Referencial: Caminhos para uma Igreja em Saída, em consonância com o projeto “Igreja em saída – Comunidades em estado permanente de missão”, do 24º Plano de Ação Evangelizadora, propõe que a coordenadora ou o coordenador de cada CEB, ou outra pessoa por ela ou ele indicada e confirmada pelo pároco, seja membro efetivo do COMIPA. O objetivo é que a ação missionária tenha como ponto de partida as CEBs, compreendidas como comunidades vivas, dinâmicas e permanentes.

Ao longo dos anos, a assessoria e a coordenação arquidiocesana das CEBs têm promovido diversas iniciativas, entre elas a formação anual nas oito regiões pastorais. Na data em que se celebra o martírio de São Oscar Romero, as CEBs realizam a Celebração dos Mártires da Caminhada, em memória de Dom Romero. Em 2018, foi criada a Escola de Formadores e Articuladores das CEBs, fortalecendo a formação de lideranças. Além disso, os Encontrões Arquidiocesanos continuam sendo importantes espaços de comunhão, formação e animação missionária.

Relação dos Encontrões Arquidiocesanos das CEBs

1º Encontrão – 22/10/2005
Tema: “Com firmeza e com carinho, para retomar o caminho”

2º Encontrão – 23/09/2007
Tema: “Celebrando a vida com carinho e ternura”

3º Encontrão – 12/09/2010
Tema: “CEBs: redes de relações fraternas”

4º Encontrão – 15/09/2013
Tema: “Fé, vida e missão neste chão”

5º Encontrão – 23/08/2015
Tema: “CEBs: o rosto humano de Deus”

6º Encontrão – 01/10/2017
Tema: “CEBs e os desafios do mundo urbano”

7º Encontrão – 29/09/2019
Tema: “CEBs: batizados e enviados – A Igreja de Cristo em missão no mundo”


Nota sobre as fontes

A fundamentação histórica dos primeiros anos da caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) na Arquidiocese de Maringá tem como principal referência a obra de Orivaldo Robles, A História da Igreja Católica em Maringá – A Igreja que brotou da mata (2007). Os acontecimentos e iniciativas posteriores, especialmente a partir de 2005, foram registrados e organizados a partir de registros e relatos da assessoria e da coordenação arquidiocesana das CEBs, que acompanham e animam essa caminhada.


O Trem - Símbolo dos Intereclesiais Nacional das CEBs

Em 1975 acontece o primeiro intereclesial, em vitória, do Espírito Santo. Vitória e Belo Horizonte tem o maior trem de passageiros do Brasil, que liga as duas capitais. Essas duas capitais são simbolizadas pelo trem de passageiros, único meio de transporte barato, simples e popular que o povo tinha.

A imagem do trem tem a ver também com essa idéia de coisa do povo, coisa simples, coisa dos pobres, onde todo mundo pode entrar, levando sua carga, levando sua bagagem, levando seus mantimentos, porque o trem sempre foi isso, um meio de transporte barato do povo

E a CEBs simbolizam isso, lugar dos pobres que podem entrar com sua bagagem, sua cultura, sua história, com tudo aquilo que é, quer ser e precisa ser e pode ser para de fato ser Igreja dos Pobres.

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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

04 outubro, 2019

O Sínodo para a Pan-Amazônia


Sínodo: o que é importante saber?
Vatican News – 01/10/2019
Entenda também com o Padre Fabio Siqueira, que explicou um pouco sobre o que é um
Sínodo, e a sua importância. Veja também como a Igreja pede que seja a postura de um

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2019-10/sinodo-da-amazonia.html

Papa irá consagrar Sínodo a São Francisco de Assis
Vatican News-01/10/2019
E depois, naturalmente, dois dias antes da abertura do Sínodo para a Amazônia, com a
Santa Missa celebrada na Basílica de São Pedro no ...

https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-10/papa-francisco-sinodo-amazonia-cpnsagracao-sao-francisco.html

Antes do Sínodo, bispo católico prega 'não' à mineração e grandes obras na
Amazônia
Terra – 01/10/2019
D. Evaristo Spengler cobrou, durante audiência na Câmara dos Deputados, a 'suspensão
imediata da implementação de megaprojetos que agridem o bioma da região'

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/cidades/antes-do-sinodo-bispo-catolico-prega-nao-a-mineracao-e-grandes-obras-na-amazonia,a96fdc2f82d9dcd9ab9a25776db7bb179tszp8u7.html

Centro de SP recebe ato em apoio ao Sínodo da Amazônia
Terra- 01/10/2019

Os cardeais brasileiros Odilo Scherer e Cláudio Hummes participaram nesta segunda-
feira (30) de um ato ecumênico na Catedral da Sé, em ...

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/centro-de-sp-recebe-ato-em-apoio-ao-sinodo-da-amazonia,e166060ea1ecd00a08bcb9efeaf1b770hndzzh4f.html

Dom Pedro Brito: Sínodo Pan-Amazônico já é uma realidade, é impossível
retroceder Vatican News – 30/09/2019
O Sínodo Pan-Amazônico “já faz parte do nosso universo, já faz parte da nossa
reflexão, já ganhou o nosso coração”, diz o arcebispo de Palmas, acrescentando

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2019-09/dom-pedro-brito-arquidiocese-palmas-sinodo-amazonico-realidade.html

O fim do celibato, a revolução católica que se inicia na Amazônia
EL PAÍS Brasil-30/09/2019
O sínodo, no qual o Pontífice e os bispos da Amazônia também discutirão como
proteger as populações nativas e esse riquíssimo conjunto de

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/28/politica/1569686623_240843.html

Sínodo é resistência pela proteção à Amazônia e povos indígenas, diz bispo de São
Gabriel da Cachoeira
Arial-27/09/2019
Para sua fala durante o Sínodo, Dom Edson Damian elencou dois temas: a inculturação
e a Igreja Índia Amazônica, propondo que as ...

https://amazoniareal.com.br/sinodo-e-resistencia-pela-protecao-a-amazonia-e-povos-indigenas-diz-bispo-de-sao-gabriel-da-cachoeira/

“Vocês serão minhas testemunhas” (At 1, 8)

"Amazônia ventre bendito
Terra sagrada
Amerindia flor 
Sustento da tua gente
Tuas matas
Berço divino de amor."




02 outubro, 2019

30 setembro, 2019

Obrigada. Alegria, animação e criatividade marcam o Sétimo Encontrão Arquidiocesano das CEBs!

Foi lindo, profético e celebrativo. A presença visível de Cristo a renovar e reanimar o Povo de Deus, para a ação missionária evangelizadora profética do Evangelho.


O povo, sujeito do Sétimo Encontrão Arquidiocesano das CEBs eram de longe e de perto, tinham um sorriso e sorriso lindo. 



O dia 29 de setembro de 2019 ficará marcado na história da Arquidiocese de Maringá, como o dia em que, na cidade de Maringá- Paraná, no Ginásio Chico Neto, ali estava a Igreja simples, alegre, criativa e profética.

As Regiões pastorais com ousadia e criatividade refazendo história, mostrando que não tem medo de por a mão na massa e na massa remexer, dando gosto e confirmando, que as CEBs é toda ministerial e missionária, o espaço para quem saber e fazer justiça, viver o amor, e que é semente da transformação para uma nova sociedade.

Bonita a presença do arcebispo Anuar Battisti, padres, religiosas, diáconos, seminaristas, criançadas, jovens, homens e mulheres, que lá estavam e envolvidos cantaram, dançaram, envolveram revelando a face das CEBs acolhedora e envolvente.

Forte o momento do envio para o Mês Missionário Extraordinário convocado pelo Papa Francisco. Padre Genivaldo Ubinge, assessor das CEBs, convidou a coordenação das CEBs, do COMIDI, de cada Comunidade, dos Grupos de Reflexão, pastorais, movimentos, catequistas, participantes dos grupos de reflexão. Encheu-se a quadra de esporte, linda e significativa a presença das Leigas e dos Leigos na história e na vida de nossa Igreja.

A condição de Leiga e de Leigo confere uma dignidade e uma missão, que brota do próprio fato de ser batizado. Somos discípulas-missionárias e discípulos-missionários, somos Leigas e somos Leigos evangelizados e evangelizadores.

Uma senhora, recém chegada para morar em Maringá, relatou ao Arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti, “primeira vez que participei de um encontro assim. Muita coisa nesse encontro aprendeu.”

Agrademos a administração municipal através da Secretaria Municipal de Esporte e Laser, pelo apoio e colaboração.

Agradecemos a todos da Coordenação Arquidiocesana das CEBs, aos articuladores das CEBs, os envolvidos e parabenizamos pela lindas e ricas apresentações. Agradecemos ao COMIDI pela parceria e ao grupo de canto da paróquia Nossa Senhora das Graças, da cidade de Sarandi pela cantoria e a todas e todos diretamente ou indiretamente envolvidos.

A todas e a todos que lá estiveram presente, obrigada, que bom que juntos construímos esse lindo momento. Com a graça de Deus, em 2021 estaremos juntos novamente no Oitavo Encontrão Arquidiocesano das CEBs.

Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora das CEBs na Arquidiocese de Maringá

7º Encontrão Arquidiocesano das CEBs