16 abril, 2020

As minhas respostas, em forma epistolar. Artigo de Andrea Grillo


Monsenhor Markus Graulich, subsecretário do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, escreveu uma série de objeções, bastante rudes e apressadas, contra a Carta sobre o estado de exceção litúrgica. Trata-se de um texto eminentemente jurídico, que mostra, no entanto, não atender nem seu significado nem o escopo da Carta Aberta e das questões que a justificam. O texto pode ser lido aqui.
O artigo é de Andrea Grillo, teólogo italiano e professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, publicado por Come Se Non, 13-04-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo. 

Prezado P. Graulich

Permita-me abordá-lo de forma quase confidencial, como a um religioso salesiano, mesmo que seja raro no mundo da autoridade eclesial. Será ainda mais estranho se alguém teve a paciência de ler a Carta Aberta e sua réplica muito superficial. Por esse motivo, não quero fugir do gênero da "refutação", que V.Sa. me impôs, mas desejo tentar entender o ponto de vista que o senhor expressou, como meu e nosso interlocutor. O senhor escreveu como advogado. Com as melhores armas de um bom advogado. Infelizmente, porém, essas são "armas formais", que permanecem na superfície dos problemas. O senhor nunca entra em nenhuma questão substancial e resolve tudo - ou pelo menos, como veremos, quase tudo - no plano do direito. Parece-me que dessa maneira algo importante não funcione.
Vamos em ordem. Explicarei apenas os pontos que considero mais problemáticos e me permitirei fazê-lo pelo menos com a mesma franqueza que o senhor considerou usar em suas objeções.
a) Antes de tudo, o senhor tenta desqualificar e liquidar a carta no contexto de "polêmicas" sucessivas à Summorum Pontificum. Digamos, entre os atos de insubordinação. Isso, no entanto, não desqualifica, mas qualifica a carta. É exatamente assim. Aquela lex, que o senhor parece tornar absoluta, é apenas um Motu Proprio que, não em sua origem, mas já depois de poucos meses após sua entrada em vigor, produziu frutos que conflitam com o Concílio Vaticano II e com a Reforma Litúrgica realizada depois dele. Como pode um jurista com responsabilidades de governo não levar em conta que as leis, todas as leis, podem ter problemas e causar outros? Que a lex condita não é o "último horizonte que o olhar exclui", mas também deve ser considerada em relação aos fatos e às "lex condenda", de que todo bom jurista deve sempre considerar? Não acredito revelar nada de novo a um canonista experiente. No entanto, o senhor parece trabalhar apenas dentro do horizonte estreito de um "direito positivo", marcado por uma excepcionalidade da qual o senhor não parece estar ciente.
b) Em segundo lugar, o senhor se permite dizer que a carta contém ideias falsas (até erros) e, de qualquer forma, expressa falta de conhecimento e uma leitura ideológica do conteúdo da SP. Acredito que um jurista deveria estar acostumado a medir palavras. Porque se o senhor diz que os 180 signatários - entre os quais estão os principais especialistas alemães, franceses, estadunidenses, espanhóis, etc. - dizem coisas falsas, mas depois não consegue explicar adequadamente o conteúdo do documento que pretende defender, a situação vai mal. Eu digo isso justamente falando a um canonista. Porque o jurista, que lê SP, deve fazer, como todos, um ato de grande humildade e entender que não é repetindo uma formulinha normativa que pode resolver um grande problema. Se o senhor quiser se safar com as formulinhas, misturando-as com insultos contra 180 teólogos, deve saber que não é assim que se enfrentam os problemas institucionais. Lembre-se de que por profissão, já há anos, aprendi a não ter medo dessas técnicas de prepotentes desprovidos de argumentos. Então, se quiser, vamos enfrentar a coisa séria e verdadeira. O que nós não teríamos entendido? Que se deveria falar de "duas formas do mesmo rito romano", e não de "dois ritos"? Esse seria o problema? Mas o senhor, mons. Graulich, pode dizer que tem certeza de que realmente sabe do que está falando? Alguma vez já se fez a pergunta - sistemática, não jurídica - se é suficiente repetir um artigo de SP para estar em paz com a própria consciência? Já se perguntou o que significa a frase "duas formas do mesmo rito"? Vou tentar explicar, com as poucas ferramentas que tenho à minha disposição.
c) A questão é séria, mas também é simples. Havia um rito de 1962, que João XXIII considerava provisório até o Concílio e, depois veio efetivamente o próprio Concílio e a reforma que ele auspiciou daquele rito romano de 1962, que assim se tornou o rito romano de 1970, aprovado por Paulo VI. É claro que se trata do mesmo rito romano, em uma forma anterior e em uma forma posterior. Há plena continuidade do rito, mas é evidente que não há continuidade nas formas. O Concílio solicitou que as formas mudassem para a continuidade do rito. Até agora tudo está claro? Eu quero ser ainda mais claro. Andrea Grillo e Markus Graulich, em 1970, quando o rito reformado entrou em vigor, tinham uma forma, mas hoje, em 2020, eles têm outra. Há plena continuidade nas pessoas: o senhor é sempre Markus e eu sempre sou Andrea. Mas outro era o senhor e era eu em 1970, e outro sou eu e é o senhor hoje. Seria muito estranho que nos pedissem hoje para ser como éramos em 1970, correr e pular como sabíamos fazer tão bem na época ou ler pouco ou nada como estávamos acostumados. Porque a continuidade da pessoa comporta a descontinuidade das formas. É assim que acontece com tudo que vive, mesmo para o rito romano, que tem duas formas diferentes "em tempos diferentes" de sua história. Mas se duas formas diferentes do mesmo rito são tornadas contemporâneas, elas não são mais duas formas do mesmo rito, mas se tornam "dois ritos diferentes". Que não podem estar de acordo. Como se pedissem ao senhor que fosse, contemporaneamente, justamente hoje, uma criança de 1970 e um adulto de 2020. Aquelas duas formas, na continuidade histórica da mesma pessoa, nunca se dão de forma contemporânea. Nunca se pode viver assim. E nenhuma lei, nenhuma afirmação, nenhuma invocação e nenhuma decisão jamais poderão impor que as coisas sejam assim. O que é branco não é preto, mesmo que um papa o decida. O branco permanece branco: um bom jurista nunca deveria esquecer essa verdade elementar.
d) Então, como vê, no coração de SP existe um problema sistemático do tamanho de uma casa. Esse problema é a chave para interpretar a Carta Aberta. Mas o senhor não consegue ver isso. Se um advogado não reconhece essa evidência, se pensa em se agarrar nos espelhos de um enunciado normativo, perde o objeto da discussão e entra no túnel das ficções. Veja bem, Padre, isso não significa, de maneira alguma, negar que SP seja uma lei ainda vigente, que com as modificações normativas desses anos as competências no âmbito litúrgico, limitadas ao rito extraordinário, tenham passado primeiro a Ecclesia Dei e agora à CdF. Se o senhor ler atentamente a carta, sem pular as linhas, verá que isso não é absolutamente negado, como o senhor afirma que nós estejamos dizendo. Mas aqui está o ponto. O senhor, como muitos canonistas costumam fazer, identifica uma lei com o bem. Mas nem sempre é o caso. Existem leis que não é oportuno serem aplicadas. Por quê? Aqui está outro aspecto que falta em sua leitura. Logo no início, o senhor diz que na carta se pede a transferência das competências da CdF para a CdC. Mas se ler atentamente, verá que o ponto decisivo não é o que o senhor diz. Em primeiro lugar é preciso restituir a autoridade sobre a liturgia a quem a possui primeiro, ou seja, ao bispo diocesano de sua diocese. Nem as Congregações nem o Papa estão imediatamente em jogo aqui. Os bispos não podem ser ignorados. E fico surpreso que um jurista não tenha clara essa nativa autoridade episcopal sobre a liturgia. Nessas coisas, o canonista deveria sempre repetir, como um dever inevitável: ai de quem chama de mal o bem e o bem de mal. Chamar de “enriquecimento” a ruptura da comunhão eclesial permanece um jogo de palavras que manifesta uma grave subestimação da autoridade episcopal e da verdade da liturgia. E tente se perguntar: se o canonista não falar essas coisas, quem as deveria falar na Igreja? Por que os liturgistas devem fazer o trabalho que o senhor deveria fazer?
e) Veja bem, no final, o senhor dá dois saltos mortais muito perigosas, com os quais poderia quebrar o pescoço. O primeiro é: do direito, o senhor passa repentinamente para o fato. Todo o seu castelo de normas excepcionais, no momento em que quer defendê-lo na substância, o reduz a um fato. Nós, digo nós os liturgistas, negaríamos o fato e, como tais, seríamos altamente censuráveis. Mas qual seria o fato? O senhor alude ao dado de fato da possibilidade de "assistir em todo lugar" a uma missa em rito extraordinário. Uau! Que fato incrível! O senhor, no entanto, no momento em que alega o único fato em sua opinião decisivo, comete uma imprudência, uma imprudência grave, porque acelera demais na argumentação e, assim, alega mal o seu fato. O senhor diz "assistir ao rito extraordinário". Muito mal. Escolheu justamente o termo mais infeliz. Então eu vou lhe dizer uma coisa. Sabia que eu "tal fato" o considero impossível? O senhor ficará assombrado, talvez até incomodado, mas "assistir a uma missa em rito extraordinário" é justamente o que a SC 48 proíbe a todos os católicos, ao senhor e a mim. Também o proíbe aos juristas. E o faz desde 1963. Sei que o senhor não tem o hábito de levar a sério os textos constitucionais e dá mais valor aos minúsculos decretos das Congregações. E sei muito bem que é justamente o seu trabalho - uma pequena deformação profissional, como todos nós temos - que lhe faz ler as coisas de maneira imprecisa. Mas justamente o "fato" que o senhor pretende alegar lhe digo que, proceduralmente, não é admissível. Sim, é inadmissível. Sinto muito, no plano do procedimento não posso conceder-lhe isso. Mas, veja bem, não sou eu quem sou tão severo. É o Concílio Vaticano II, que não quer "espectadores mudos" das liturgias eucarísticas. E que precisamente por essa razão decisiva, pediu e exigiu que a Igreja fizesse a reforma do rito de 1962. Aquele rito que agora o senhor se afoba em considerar intocável "in aeternum", o Concílio pede que seja alterado profundamente e irreversivelmente. E talvez justamente esse bendito texto conciliar, de sua parte, e digo isso a sério sem nenhuma ironia, precisaria de uma atenta revisão.
f) Por fim, e em conclusão, o senhor não resiste a opor ao seu suposto "fato" aos "pretensos liturgistas " que não gostariam de reconhecê-lo. Com seus fatos inadmissíveis, o senhor gostaria de silenciar os liturgistas. Que, ao contrário, falam e não se assustam com formalismos vazios. Entre esses liturgistas, digo-lhe: com base no Concílio Vaticano II, o estado de exceção introduzido por SP, com as mais nobres intenções de pacificação há 13 anos, gerou e continua gerando laceração e confusão. Um número considerável de liturgistas, com um senso de responsabilidade, pede formalmente: que se coloque um fim nessa condição distorcida. Que se restitua autoridade litúrgica nas dioceses individuais aos Bispos diocesanos, conforme prescrito pelo Concílio e pela grande tradição eclesial, juntamente com a Congregação para o Culto Divino. Que se saia do "estado de exceção litúrgica" que infelizmente altera de modo grave a normal vida litúrgica da Igreja.
Prezado padre Graulich, tente considerar a questão por esse ponto de vista. É diferente do seu, mas não é nem falso nem errôneo. Simplesmente olhe as coisas por uma perspectiva diferente daquela de um gabinete da cúria. Se o senhor também tentar fazer isso, toda a res lhe parecerá muito diferente: como dizia um grande jurista romano: rem tene, verba sequentur (Conheça o assunto, as palavras virão depois).

Fonte: IHU

15 abril, 2020

Poema - "No meio do ódio, descobri que havia, dentro de mim, um amor invencível."

“No meio do ódio, descobri que havia, dentro de mim, um amor invencível. No meio das lágrimas, descobri que havia, dentro de mim, um sorriso invencível. No meio do caos, descobri que havia, dentro de mim, uma calma invencível. E, finalmente descobri, no meio de um inverno, que havia dentro de mim, um verão invencível. E isso faz-me feliz. Porque isso diz-me que não importa a força com que o mundo se atira contra mim, pois dentro de mim, há algo mais forte - algo melhor, empurrando de volta.” (Albert Camus)

OBS.: Conheci o texto via vídeo do Professor Renato Casagrande

Favela de São Paulo vira exemplo em ações contra o coronavírus



A comunidade de Paraisópolis se organizou para tentar saber com rapidez quem tem sintomas da doença, quem precisa de ajuda e qual a situação na casa de cada família.

Uma das maiores favelas de São Paulo virou exemplo em ações que podem conter o avanço do novo coronavírus. Paraisópolis tem a população de uma cidade no espaço de uma comunidade. São cerca de 100 mil pessoas espremidas em casas e barracos ligados por vielas.

Leia e veja o vídeo AQUI

Covid-19: Miguel Nicolelis busca voluntários de Exatas para projeto



Pandemia de Coronavírus é o maior e mais decisivo desafio da ciência brasileira!”

Foi com essa frase que o neurocientista e pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis definiu, em sua conta no Twitter, o momento que estamos vivendo agora.

E, para encontras respostas para as milhares de perguntas que temos em aberto, ele está criando o primeiro Instituto de Pesquisa Virtual da história brasileira, que pretende reunir milhares de pesquisadores de diversas áreas para trabalhar em prol de descobertas valiosas contra a COVID-19.

Projeto Mandacaru | Comitê Científico de Combate ao Coronavírus
Se você é estudante de graduação, pós-graduação, mestre, doutor, PhD, professor das áreas de Matemática, Física, Estatística, Engenharias (especialmente de Produção), Computação, Ciência de Dados ou é médico, pode candidatar-se para ser voluntário no Projeto Mandacaru | Comitê Científico de Combate ao Coronavírus (CCCC).

“Vamos ter banco de dados georeferenciado gigantesco e vamos precisar de análises em tempo real para orientar em decisões logísticas e de identificação de regiões alto risco! […] Podemos usar registros de sismógrafos para avaliar eficácia campanha de distanciamento social”, explica ele ao falar um pouco de todo trabalho que terão pela frente.

Ficou interessado? Para se candidatar, mande seu currículo para o e-mail nicolelis@isd.org.br.


14 abril, 2020

CNBB e Cáritas Brasileira lançam Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil no domingo de Páscoa



CNBB e Cáritas Brasileira lançam Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil no domingo de Páscoa

A partir deste domingo, 12 de abril, domingo de Páscoa, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dá início a Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil, uma ação nacional que tem como lema ‘É tempo de cuidar’ para estimular a solidariedade, a começar pela arrecadação de alimentos, produtos de higiene e limpeza. Além de incentiva a ajuda material às pessoas, também quer promover o cuidado no campo religioso, humano e emocional. Assim, a CNBB se une a diversas campanhas e projetos de solidariedade que já estão em curso pelo país.

O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, destaca que neste momento em que o país vive, a solidariedade é o selo de autenticidade da vida dos verdadeiros cristãos, o indispensável compromisso cidadão, a tarefa primeira dos governantes, a conversão dos ricos, a nova compreensão para inaugurar o tempo novo que está sendo exigido de todos, o único novo caminho para a paz e para o equilíbrio que o planeta precisa urgentemente, a única prática política, o novo jeito de ser humanidade.

“Solidariedade é a praça de encontro de todos, iguais, para respeitar a dignidade humana, superar os vergonhosos cenários de pobreza e exclusão, a trilha única dos lúcidos e servidores em busca do reencontro de uma ordem nova, social, política e econômica, fazendo valer a vida como dom e compromisso de cada um! Seja solidário, é inteligente, é desenvolvimento integral, é o selo de autenticidade da fé professada, é a nova cidadania”, afirmou

Por causa da pandemia do novo coronavírus, grande parcela da população brasileira, como as pessoas em situação de rua, migrantes e refugiados, as que vivem em moradias precárias, além dos desempregados e trabalhadores informais, que neste momento têm suas fontes de renda fortemente afetadas, estão enfrentando uma realidade de extrema vulnerabilidade.

E é com espírito de fraternidade que a Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil quer que se multipliquem os gestos solidários nas comunidades, nos setores da indústria e do comércio e nas famílias para que essas pessoas possam ser cuidadas e que possam cuidas de suas famílias.

A Cáritas Brasileira, organismo da CNBB, está atuando para orientar arquidioceses, dioceses, paróquias e comunidades a respeito dos protocolos de segurança para que as doações sejam recebidas e entregues de maneira adequada às pessoas e famílias necessitadas, neste momento de risco de contaminação pelo coronavírus.

“Estamos vivendo um tempo muito difícil no Brasil e no mundo, um momento de sofrimento. A Cáritas tem como objetivo valorizar e resgatar a vida. É com esse sentimento que  participamos da Ação Solidária Emergencial ‘É tempo de cuidar’”, afirma o diretor executivo da Cáritas Brasileira, Carlos Humberto Campos.

A Ação Solidária Emergencial contará ainda com uma mobilização nas redes sociais com o slogan “É tempo de cuidar”. Em sintonia com a proposta da Campanha da Fraternidade 2020, a iniciativa mantém a inspiração bíblica do evangelho de São Lucas 10, 33-34: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”.

A mobilização convoca ainda que as pessoas gravem vídeos de 15 segundos ou façam fotos das ações realizadas de forma comunitária ou individual e postem nos stories do Facebook e Instagram marcando a CNBB (@CNBBnacional) e a Cáritas Brasileira (@CaritasBrasileira) e colocando a hashtag #TempodeCuidar.

O material com as orientações sobre a organização da Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil está disponíve aqui.

Fonte: CNBB

12 abril, 2020

Pandemia de coronavírus


Brasil soma 1.124 mortes por coronavírus e supera marca de 20.000 casos.
Conforme dados divulgados sábado (11).

Feliz Páscoa


11 abril, 2020

Presença do Ressuscitado - Feliz Páscoa

Presença do Ressuscitado 

"Muito maior que a morte é a vida.
Um poeta sem orgulho é um homem de dores,
muito mais é de alegrias.
A seu cripto modo anuncia,
às vezes, quase inaudível
em delicado código:
‘Cuidado, entre as gretas do muro
está nascendo a erva...’
Que a fonte da vida é Deus
há infinitas maneiras de entender.”

( Adélia Prado)

Memória da Sepultura do Senhor


11 de abril Sábado Santo
Memória da Sepultura do Senhor
Celebração em família

"Amou-nos até o fim, amou-nos até o fim. Amou-nos, amou-nos até o fim!"

Nesse sábado, à espera da ressurreição, nos unamos a Maria, a Mãe das Dores, e a ela  confiemos nossas famílias e todos os que sofrem no mundo, entregando a ela nossas angústias e esperanças.

“À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas, em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém.”



Hino às Sete Dores da Santíssima Virgem


Maria que sofre aos pés da Cruz
Diante da Cruz, Maria permaneceu em silêncio. Contemplar Maria aos pés da cruz nos dá a certeza de que na vida humana o sofrimento é passagem necessária.


Enfrentar todas as provações com fé, esperança e amor

“enfrentar todas as provações com fé, esperança e amor, na certeza de que o Pai sempre ouve os seus filhos que clamam a Ele e os salva”. (Papa Francisco)

Brasil ultrapassa mil mortes por covid-19; 19,6 mil estão infectados


O Ministério da Saúde divulgou dia (10) os números atualizados do novo coronavírus.
De acordo com a pasta, o número de infectados, no momento, é de 19.638. O que representa aumento de 1.781 casos em relação ao balanço divulgado ontem (9). Além disso, o número de mortes superou hoje os mil casos. Até o momento, foram registradas 1.056 mortes pela doença. A taxa de letalidade do vírus no Brasil é de 5,4%.

Fontes dos dados Agência Brasil

10 abril, 2020

Feliz Páscoa!


Paixão do Senhor


10 de abril Sexta Feira da Paixão do Senhor
Paixão do Senhor
Celebração em família
“Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.”
"Amou-nos até o fim, amou-nos até o fim. 
Amou-nos, amou-nos até o fim!"




Do coração aberto do Crucifixo


Do coração aberto do Crucifixo, o amor de Deus chega a cada um de nós. Deixemos que seu olhar repouse sobre nós. Entenderemos que não estamos sozinhos, mas somos amados, porque o Senhor não nos abandona e nunca se esquece de nós.” (Papa Francisco)

O único, o único que nos justifica


“O único, o único que nos justifica; o único que nos faz renascer de novo é Jesus Cristo. Nenhum outro. E por isto não se deve pagar nada, porque a justificação – o fazer-se justos – é gratuita. E esta é a grandeza do amor de Jesus: dá a vida gratuitamente para nos fazer santos, para nos renovar, para nos perdoar. E isto é o cerne deste Tríduo Pascal”. (Papa Francisco)

Desprezado e rejeitado!




Por Carlos Orsi

A irracionalidade e o oportunismo que vêm sustentando muito do “hype” em torno do uso da cloroquina/hidroxicloroquina (CQ/HCQ), com ou sem a ajuda do antibiótico azitromicina (AZ), no tratamento de pacientes de COVID-19 parecem estar, finalmente, sendo expostos pelo que são — ainda que muito mais devagar do que deveriam, se formos levar a tão propalada preocupação com o bem-estar dos pacientes a sério.

A paisagem pintada pelas mídias – sociais e outras – a respeito do assunto é um torvelinho de contradições e histórias mal contadas: enquanto o Ministério da Saúde se propõe a disponibilizar a cloroquina  “como terapia adjuvante no tratamento de formas graves, em pacientes hospitalizados” (Nota Informativa 05/2020), um grupo privado de medicina passa a fornecer o fármaco a pacientes ao primeiro sinal de febre, e até mesmo via motoboy.

Aumentando ainda mais a confusão, o virologista da USP Paulo Zanotto apareceu em um vídeo do YouTube sugerindo que a combinação de HCQ e azitromicina, entre outros efeitos, atuaria na mitocôndria das células humanas, bloqueando a produção de energia, o que impediria a captura dessa energia pelo vírus e a subsequente multiplicação do invasor.

Pondo de lado o fato de que uma combinação de fármacos capaz de impedir a produção de energia pela célula simplesmente mata a célula — o que talvez seja desejável num tratamento oncológico, mas não num antiviral — o mecanismo proposto é tão esdrúxulo, do ponto de vista biológico, que ombreia com a ideia defendida por outro professor da USP, o falecido Gilberto Chierice, de que o câncer é causado por mudanças no pH celular, e não por mutação genética.

Em meio a isso tudo, a desinformação impera: há quem fale em centenas pacientes recuperados “graças” à CQ, HCQ ou HCQ/AZ em São Paulo, mas ninguém apresenta dados. E sem dados, a atribuição da cura a esses fármacos se reduz a bravata.

É difícil não ver oportunismo na bravata. Estima-se, afinal, que a taxa de recuperação das pessoas que contraem o vírus — mesmo entre as que requerem hospitalização — é  de mais de 90%. Sem controles adequados, atribuir parte desses 90% à HCQ faz tanto sentido quanto atribuir a cura de um caso qualquer de câncer à fosfoetanolamina, tão cara a Chierice, ou a cura de um resfriado à vitamina C.

O mérito, que por justiça deveria caber ao tratamento convencional, acaba, por ingenuidade ou má-fé, sendo atribuído à nova fórmula.

A ampliação do uso para quem está no início da doença, ou mesmo para aqueles que apresentam sintomas semelhantes, mas não chegaram a ser testados — que podem ter uma alergia, uma gripe ou um resfriado, não o vírus SARS-CoV-2 —, só fará aumentar ainda mais a ilusão de efeito: num cenário hipotético de disseminação ampla da CQ/HCQ, milhares de pessoas que se recuperariam naturalmente da COVID-19, ou que nem sequer chegaram a contrair o vírus, passarão a atribuir suas “curas”, reais ou imaginadas, ao remédio.
  
Estudos atacados

Mas, entre contradições e bravatas, alguns fatos concretos insistem em aparecer. No fim da semana passada, o artigo científico que pôs a combinação cloroquina/azitromicina no mapa viu-se sob ataque, até mesmo, dos responsáveis pelo periódico que o publicou. Depois de ter sido impiedosamente demolido nas críticas pré e pós-publicação, o trabalho do grupo francês de Didier Raoult tornou-se alvo de uma nota de preocupação emitida pela própria sociedade científica que mantém o International Journal of Antimicrobial Agents. O estudo “não atende aos padrões esperados de qualidade” científica, diz a crítica.

Enquanto isso, um estudo chinês com 62 pacientes, que teria encontrado as primeiras evidências concretas de benefício da HCQ contra a COVID-19, derrete sob o escrutínio da comunidade científica. Descobriu-se, por exemplo, que os autores mudaram as condições do teste no meio do caminho: a versão registrada junto ao governo chinês previa um estudo com 300 pacientes, para verificar redução na carga viral, uma métrica objetiva.

O que veio apresentado no artigo foi um trabalho com 62 pacientes e baseado em métricas menos “duras”, como tempo de recuperação, duração da febre e da tosse.  Uma explicação comum para esse tipo de desvio de rota é que o estudo original encaminhava-se para um resultado negativo, e os autores “pescaram” o que puderam para salvar a publicação.

Além disso, o grupo de pacientes que recebeu a HCQ incluiu um número maior de pessoas que já havia entrado no estudo com tosse e febre — o que sugere que a melhora mais rápida, vista nesse grupo, pode ser atribuída à evolução natural da doença, e não ao medicamento.

Nesta terça-feira, dia 7, a Folha de S. Paulo publicou entrevista com o infectologista Marcus Lacerda, que coordena um estudo controlado da HCQ, e que não está encontrando diferença significativa entre as taxas de sobrevivência de pacientes que receberam o fármaco e os que ficaram restritos ao tratamento convencional. Lacerda chama ainda atenção para o dado de que a dose mais alta testada mostrou-se tóxica.

 Vampirismo

O protocolo para uso precoce da combinação HCQ/AZ, proposto por Zanotto e também pela médica Nise Yamaguchi, é inspirado no que o médico americano Vladimir Zelenko diz ter posto em prática numa comunidade judaica de Nova York. “Diz ter praticado”, porque, assim como Zanotto, Zelenko não apresenta dados, apenas bravatas via YouTube. Como bem resume o serviço Estadão Verifica, do jornal O Estado de S. Paulo, “não há evidências de que essa pesquisa tenha realmente sido realizada, a não ser a palavra do próprio médico”.

O uso precoce, é bom repetir, representa um modo perfeito de gerar falsos positivos e multiplicar “casos de sucesso” espúrios: se mais de 90% dos diagnosticados se recuperam por conta própria ou com base nos cuidados médicos usuais, o acréscimo, sem controles adequados, de novas drogas constitui prática de vampirismo epistêmico — o novo tratamento, mesmo se for inócuo ou, até, prejudicial, suga para si as glórias do sucesso que, na verdade, cabem à natureza ou às demais medidas curativas adotadas.

 Carlos Orsi é jornalista e editor-chefe da Revista Questão de Ciência

Fonte: Revista Questão de Ciência

A “Nova Teologia Política” – Teologia Pública que se intromete nos conflitos concretos e que dá ao grito dos pobres uma memória. Entrevista especial com Paulo Suess


A “nova Teologia Política”, universalmente contextualizada, é teologia pública que se intromete nos conflitos concretos e que dá ao grito dos pobres uma memória e no abandono do crucificado e dos crucificados a perspectiva de uma correção possível e, talvez, o início de uma interrupção, sem suspender a irritação da pergunta de Jó: “Até quando?” Tempo não é passagem pela sala de espera da história, devidamente tranquilizado por uma esperança que aguarda o essencial depois. No tempo do grito há canção e na eucaristia celebramos morte e ressurreição “enquanto esperamos a vossa vinda”, enquanto celebramos uma festa de espera que tenta antecipar a Sua vinda e radicaliza sua encarnação, enquanto o sofrimento ainda não é consumado. Pode ser que a destruição da natureza seja o prelúdio da destruição apocalíptica da humanidade. Contudo, ainda não é consumado. O Apocalipse não é uma mensagem catastrófica definitiva. É uma advertência. Alzheimer pode ser não só uma doença degenerativa, mas paradigmática da nossa civilização. Confira a íntegra da entrevista AQUI


09 abril, 2020

Fazemos memória também de Jesus quando lavamos os pés das irmãs e dos irmãos.


09 de abril  Quinta-Feira da Semana Santa
Memória da Última Ceia
Celebração em família
Fazemos memória também de Jesus quando lavamos os pés das irmãs e dos irmãos.
"Amou-nos até o fim, amou-nos até o fim. 
Amou-nos, amou-nos até o fim!"