08 dezembro, 2025

Um triângulo nada amoroso

O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato" (05/12/2025)

Um triângulo nada amoroso


Olá, não convide o Planalto, o STF e o Congresso para a mesma festa de fim de ano.

.Instituições funcionando. Até poucos dias atrás, os senadores eram os adultos da casa que consertavam a lambança feita pelas crianças da Câmara. Mas, depois que Lula indicou Jorge Messias à vaga de ministro do Supremo, a situação mudou. Davi Alcolumbre aproveitou que o governo escanteou Rodrigo Pacheco para retaliar, retomando pautas-bomba no Senado que poderiam custar cerca de R$100 bilhões no orçamento. Mas o jogo nas relações entre Planalto, Senado e STF é mais complexo e vai além das desavenças pessoais. Parte da resistência à indicação de Messias, que era Advogado-Geral da União, se deve ao fato de que ele fazia dobradinha com Flávio Dino para fiscalizar com maior rigor as emendas parlamentares. Mas, curiosamente, apesar da resistência de membros do centrão e bolsonaristas no Congresso, quem apoia o indicado de Lula nos bastidores é parte da bancada evangélica, assim como os ministros André Mendonça e Kássio Nunes Marques dentro do STF, enquanto Flávio Dino e Gilmar Mendes preferem manter neutralidade. Assim, na queda de braços entre Lula e Alcolumbre, a solução foi adiar a sabatina de Jorge Messias, contando que os ânimos se acalmem. O problema é que o próprio STF causou rebuliço com a decisão de Gilmar Mendes que pode blindar a Corte ao decidir que a única instituição competente para solicitar a destituição de um membro do Supremo é a PGR. Em resposta, o Senado protestou e a Câmara aproveitou para retomar projetos que limitam decisões monocráticas no Supremo. Se, por um lado, o novo embate tira o foco do conflito entre Planalto e Senado, por outro, dá de bandeja justamente os argumentos que a direita no Congresso precisava para reavivar o ranço contra o STF, o que pode respingar na sabatina de Jorge Messias. Já o governo, interpretou a nova crise como uma oportunidade de posicionar-se como mediador e reconstruir os laços com o Senado, o que explica que, ainda que tardiamente, a AGU tenha se manifestado contra a decisão de Gilmar, assim como o próprio Jorge Messias, num claro afago aos senadores. Mas é preciso acompanhar para ver qual será o desfecho dessa nova queda de braços entre STF e Congresso.

.Última rodada. No jogo de escaramuças entre o Congresso e o Planalto até aqui, os parlamentares venceram ao impor o PL da Devastação, mas também na aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias. No primeiro caso, a derrota era esperada e, no segundo, obrigou o governo a falar o único idioma que os parlamentares entendem: liberar emendas. Mesmo com a reclamação de Lula, o acordo prevê que o governo pague 65% das emendas parlamentares antes do início do período eleitoral em julho do próximo ano, destravando a votação da LDO que estava engavetada há cinco meses. Até emendas dos foragidos Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem quase foram incluídas. O pior é que Lula já percebeu que vai ter que se envolver mais vezes nas articulações com o Congresso se quiser que a pauta do governo seja cumprida nos poucos dias que restam antes do fim do ano legislativo. A próxima prioridade, como o próprio presidente apontou, são os temas da segurança. Lula quer terminar o ano com a aprovação da PEC Segurança, ainda que o relator Mendonça Filho (União-PE) seja um conhecido adversário do Planalto. Já no Senado, mesmo com o PL Anti Facção em melhores mãos, com a relatoria de Alessandro Vieira (MDB-SE), as previsões também não são otimistas, já que ele precisaria voltar para a Câmara e agora inclui a proposta de um tributo sobre casas de apostas, donas de um lobby poderoso no Congresso. O governo ainda espera aprovar o PL do Devedor Contumaz para encerrar a pauta econômica do ano e deixar para 2026 a disputa pela escala 6 x 1, cuja comissão especial para a PEC na Câmara propôs… deixar como está.

.Sem direção. Por trás do belicismo de Davi Alcolumbre há mais do que a contrariedade com a indicação de Jorge Messias. Ao liderar o descontentamento de parlamentares com o governo e o STF - e em ambos os casos, por causa das emendas - o presidente do Senado também quer ocupar um lugar que está vazio, o da direção do centrão e do bolsonarismo no Congresso. O escândalo do Banco Master atingiu diretamente os dois líderes formais da direita, Ciro Nogueira e Antônio Rueda que, obviamente, sumiram dos holofotes da política. Ao bater de frente com Lula, Alcolumbre sinaliza para os colegas que pode ser o presidente do grande Sindicato de Parlamentares que virou o Congresso, assumindo as pautas de interesse da categoria. E se assumir o posto, aumenta seu poder de barganha caso decida se reconciliar com o governo ali na frente. Os bolsonaristas podem ser atraídos por este movimento, porque também seguem sem direção no parlamento, incapazes de esboçar uma reação à prisão do chefe. No caso dos partidários do ex-capitão condenado, a crise ultrapassa o Congresso. O episódio em que Michelle Bolsonaro desfez a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará não apenas a colocou de fato na disputa pelo espólio com os enteados, como também escancarou outras divisões internas que o PL têm sofrido nos estados. A posição também ungiu Michelle como uma defensora do bolsonarismo raiz e a disputa foi vencida quando a sua posição foi validada pelo próprio Jair, credenciando-a como porta-voz de confiança do detento. O seu protagonismo pode ser uma solução para a chapa presidencial da extrema-direita, mesmo como vice e, por enquanto, sem o peso das trapalhadas dos filhos de Bolsonaro. Mas pode não ser suficiente para resolver a falta de direção e de unidade do próprio PL. A prova de que a crise pode ser mais profunda é o inferno astral pelo qual passa outra estrela da extrema-direita, Nikolas Ferreira, que amargou uma semana de derrotas políticas e, acostumado a atacar, se viu obrigado a usar suas redes para se defender.

.Saldo em conta. A verdade é que nem todos os problemas do governo são culpa do centrão. As próprias contradições internas explicam porque as vitórias e derrotas se sucedem, o que se reflete nas pesquisas de opinião: depois da euforia de outubro, com o aumento da popularidade e o tom nacionalista, veio a ressaca de novembro, com estagnação ou leve redução da popularidade. Parte das dificuldades vêm das relações internacionais. Uma nova conversa entre Lula e Trump reacendeu as esperanças do Planalto de que Washington atenue ainda mais o tarifaço sobre produtos brasileiros. O problema é que, ainda que não seja explícito, o preço da relação amigável é uma posição mais tímida do Brasil em relação à agressão norte-americana à Venezuela, que visa justamente estrangular os governos de centro-esquerda que ainda restam no continente. Enquanto isso, no Mercosul, Lula aproveita para reafirmar a liderança do Brasil e levar os méritos pela assinatura do acordo com a União Européia. Na economia interna, o governo não vai mal. A expectativa é que a economia brasileira cresça acima de 2% este ano. É um resultado singelo, ruim se comparado aos 3,4% do ano passado, mas bom perto do desempenho da última década. A notícia boa é que, mesmo acima da meta, a inflação está controlada e, em alguns setores está em redução, como no caso dos alimentos, o que afeta positivamente o bolso dos mais pobres. Pode-se ainda comemorar a redução da pobreza e da pobreza extrema, que deve continuar caindo com a ajuda da isenção do IR para as rendas mais baixas a partir de 2026. O problema é que a economia desacelerou no terceiro trimestre e, para o ano que vem, as projeções de crescimento do PIB caem para 1,6%. Ou seja, se a política de juros do Banco Central não mudar, a economia pode ser asfixiada.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.O Brasil e o sistema-mundo. Em entrevista ao Phenomenal World, Fernando Haddad fala sobre os limites e possibilidades de enfrentamento ao neoliberalismo no Brasil.

.A facção 'evangélica' que emerge como terceira força do crime organizado do Brasil. Facção em ascensão no Rio de Janeiro, o Terceiro Comando Puro (TCP) mobiliza a identidade religiosa. Na BBC.

.O comércio de minerais críticos: a rota ilegal que conecta a Amazônia à China. No InfoAmazônia, a rede de contrabando que inclui empresas, guerrilhas e governos da região.

.Resistir, verbo imperativo no Assentamento Irmã Dorothy Stang. Na cidade de Anapu (PA), os assentados lutam para enfrentar a seca e construir a agrofloresta. No Joio e o Trigo.

.Descobrimos o preço da Embrapa para Nestlé, Bayer e empresários do agro na COP 30: R$18 milhões. Este foi o valor dos patrocínios recebidos pela Embrapa durante o evento em Belém.

.A repórter que desnudou o ChatGPT. No Outras Palavras, Karen Hao mostra como as empresas de tecnologia atuam como verdadeiros impérios contemporâneos.

.Eliana Sousa: segurança pública e trauma. Educadora que atua na Maré discute o impacto psicológico da violência nas comunidades periféricas. No Podcast da Revista Gama.

----------------------------------
Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

03 dezembro, 2025

Província Eclesiástica de Maringá, acolherá a sexta edição do Sulão das CEBs

A Província Eclesiástica de Maringá, acolherá a sexta edição do Sulão das CEBs.

Será na Cidade de Maringá – Arquidiocese de Maringá.


A grande região (Sulão) compreende os Regionais: Sul I (SP), Sul II (PR), Sul III (RS) e Sul IV (SC) da CNBB.

O Sulão das CEBs é um momento de encontro, partilha, formação e celebração dos quatro estados da grande região Sulão para reafirmar a identidade das CEBs e projetar os caminhos diante da conjuntura eclesial e social.

- O primeiro Sulão aconteceu em Registro, em 2003, com o tema “CEBs e ecologia: Comunidades Eclesiais Ecológicas de Base.

- O segundo sulão das CEBs aconteceu em Outubro de 2011, em Londrina, Arquidiocese de Londrina – Paraná, reunindo 250 pessoas, com o tema “CEBs: Justiça e profecia no campo e na cidade”.

- O terceiro encontro aconteceu em Setembro de 2015, em Fraiburgo, Diocese de Caçador, Santa Catarina, com a presença de 500 pessoas, com o tema “CEBs e Contestado: terra, questão urbana e resistência”.

- A quarta edição aconteceu em novembro de 2019, em Canoas, Arquidiocese de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, reunindo 400 pessoas, com o tema: “CEBs: Igreja da Base na perspectiva do Papa Francisco”.

- O quinto Sulão aconteceu em 2025, em Indaiatuba/SP, Mosteiro de Itaici, Arquidiocese de Campinas, com a participação de 210 pessoas, com o tema “CEBs: 50 anos de caminhada intereclesial da Igreja povo de Deus” e o lema: “Proclamai o ano da graça do Senhor!” (cf Lc 4,19).

29 novembro, 2025

Flamengo é tetra

O Flamengo conquistou o tetra da Libertadores, venceu a final de 2025 contra Palmeiras, por 1 a 0, com gol de cabeça de Danilo.


Ampliada das CEBs Regional Sul II (Paraná)

Em Curitiba
Ampliada das CEBs Regional Sul II (Paraná)
29 e 30 novembronde 2025

● TEMA: CEBs, fortalecendo a caminhada Sinodal no cuidado com a Casa Comum

● LEMA: “Caminhavam juntos, partilhavam o Pão e perseveravam nas orações e no Bem Viver” (cf.At2,42)


28 novembro, 2025

Finalmente o Brasil puniu o golpismo


O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato (28/11/2025)


Esta semana premiou o Brasil com um fato inédito e que já entrou para a história: a prisão de militares, generais de alta patente e de um ex-presidente da República por atentarem contra a democracia.

Com o fim da ação penal sobre o núcleo crucial da trama golpista, o ministro relator do caso, Alexandre de Moraes, determinou o início do cumprimento de pena dos oito condenados por fazerem parte de uma organização criminosa que tramou mais um golpe de Estado.

Não demorou muito para as prisões começarem a acontecer. Os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira foram presos pelo próprio Exército e levados ao Comando Militar do Planalto, em Brasília (DF). Almir Garnier, almirante, a uma estação da Marinha. Braga Netto continuou onde estava, no comando da 1ª Divisão de Exército, no Rio de Janeiro (RJ).

Entre os civis do grupo, Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, foi passar uma temporada na Papuda. Já Alexandre Ramagem fugiu para os Estados Unidos, e a PF já está providenciando seu pedido de extradição.

Finalmente, Jair Bolsonaro, o chefe da quadrilha, permaneceu onde estava desde sábado (22), quando foi preso preventivamente pela Polícia Federal por tentar violar a tornozeleira eletrônica. Mas essa é outra história.

Após a audiência de custódia, todas as prisões foram mantidas e confirmadas em plenário virtual pelos ministros da Primeira Turma por unanimidade. É o fim.

Para um país que viveu 21 anos de sombras sob um regime militar assassino, a prisão, pela primeira vez na história, de altos funcionários militares, que traíram seu mandato constitucional em nome de um projeto de poder e atentaram contra a democracia brasileira, será dedicada sempre aos que tombaram pelo caminho, como Rubens Paiva e Vladimir Herzog, e aos que resistiram com bravura e coragem inimagináveis para viver hoje esse momento histórico.

A montanha pariu um rato e o general agora finge demência

Meti um ferro quente”, disse o capitão, ao ser flagrado com as calças curtas, prestes a fugir. “Curiosidade”, completou com voz sóbria, incomum ao tom histriônico do paciente. E detalhe: sem soluçar.

Após recuperar um pouco de juízo, contou para a PF que estava sob efeito de remédios, mas a história não colou; Bolsonaro terá agora que cumprir os 27 anos e três meses de prisão, para os quais foi condenado.

De outro lado, famoso por não ter papas na língua e por dizer o que pensa, o general Augusto Heleno revelou que tem a Doença de Alzheimer, um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta pela deterioração cognitiva e da memória.

Longe de ser algo incomum para senhores de idade avançada, o que chamou a atenção foi a revelação de que o diagnóstico teria sido confirmado em 2018, antes mesmo de virar o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de Bolsonaro.

Do outro lado, foi na quarta-feira (26), durante cerimônia no Palácio Planalto para sancionar a lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR), que Lula falou pela primeira vez sobre as prisões dos condenados pela tentativa de golpe.

“Esse país deu uma lição de democracia ao mundo”, disse. “Democracia não é privilégio de ninguém, é um direito de 215 milhões de brasileiros. Portanto, eu estou feliz, não pela prisão de ninguém, e sim porque esse país demonstrou que está maduro para exercer a democracia na sua mais alta plenitude.”

Enquanto isso, as peças do xadrez da direita se movimentam para definir quem herdará o capital político do capitão que, embora desgastado, mantém meia dúzia de gatos-pingados na porta da Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

“Este é um momento em que a direita está em uma crise hegemônica. Aquele que era o polo, que orientava, ainda que de maneira errática, porque Jair Bolsonaro nunca foi um estrategista, nunca foi alguém com trânsito entre os outros parlamentares”, analisou a cientista política e professora da UFRJ Mayra Goulart em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Este foi mais um momento em que a programação do BdF demonstrou estar totalmente atenta à justiça finalmente sendo feita. Não tem feriado emendado ou horário que nos pare. Se você confia no nosso trabalho e quer demonstrar seu apoio, doe.


------------------------------------------
Leonardo Fernandes
Repórter do Brasil de Fato

26 novembro, 2025

Bolsonaro ficará preso na Superintendência da PF

Na terça-feira (25/11/2025), o ministro Alexandre de Moraes determinou que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro comece a cumprir a pena de 27 anos e três meses imposta pela condenação na trama golpista — na sede da PF em Brasília, onde ele já estava preso preventivamente.


Bolsonaro foi condenado por:
- organização criminosa armada;
- tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- golpe de Estado;
- dano qualificado por violência e grave ameaça; e
- deterioração de patrimônio tombado.


25 novembro, 2025

Papa Leão XIV destaca o valor da unidade cristã, em nova Carta Apostólica - “In unitate fidei”

 

Carta Apostólica - “In unitate fidei”

A Carta Apostólica “In unitate fidei”, do Papa Leão XIV, foi apresentada aos fiéis, nesse domingo, 23 de novembro, celebração pelos 1700 anos do Concílio de Niceia. O texto destaca a centralidade do Credo, o valor da unidade cristã, o diálogo e a acolhida entre os cristãos e prepara espiritualmente o Pontífice para a sua Viagem Apostólica à Turquia, que ocorre nesta semana.

O documento é dividido em doze pontos, e visa, segundo o Santo Padre, “encorajar toda a Igreja a renovar seu entusiasmo pela profissão de fé”. A Carta também destaca “a herança espiritual e doutrinal deixada pelo Concílio de 325, evento decisivo na formulação do Credo professado por todas as tradições cristãs”.

Na unidade da fé

No início de sua Carta, o Papa Leão XIV recorda que “na unidade da fé, proclamada desde os primórdios da Igreja, os cristãos são chamados a caminhar em concórdia, guardando e transmitindo com amor e alegria o dom recebido”.

Para o Pontífice, é “coincidência providencial que a Igreja comemore também o aniversário do primeiro Concílio Ecumênico. O núcleo da fé cristã — a divindade do Filho — permanece atual e necessário para os tempos marcados por guerras, incertezas e sofrimento humano. E ao lembrar que, em cada domingo, a Igreja proclama o Credo Niceno-Constantinopolitano, profissão de fé que une todos os cristãos”, o Santo Padre sublinha ainda que diante das provações, medos e preocupações “a fé nos dá esperança”.

Diálogo entre os cristãos

Em outro trecho da Carta, o Papa Leão XIV destaca a importância da ampla atenção ao diálogo entre os cristãos: “Realmente, o que nos une é muito mais do que o que nos divide! Em um mundo ferido por conflitos, a comunidade cristã pode tornar-se sinal de paz e instrumento de reconciliação, contribuindo de forma decisiva para um compromisso mundial pela paz”.

A restauração da unidade nos enriquece

O Pontífice ainda sublinha que “o ecumenismo não busca um retorno a situações prévias às divisões, nem a mera aceitação do status atual das Igrejas. Trata-se, ao contrário, de um caminho de reconciliação, escuta, acolhimento e intercâmbio de dons espirituais. A restauração da unidade, não nos torna mais pobres; ao contrário, nos enriquece”.

Oração ao Espírito Santo

Ao fim do documento, o Papa Leão XIV concluiu com uma oração ao Espírito Santo, suplicando para que Ele acompanhe e guie os cristãos neste caminho pela unidade, o caminho da unidade cristã.

Clique aqui e leia a Carta Apostólica “In unitate fidei” na íntegra.


2ª Marcha das Mulheres Negras

Hoje dia 25, mulheres de diversas partes do país, ocupam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para a 2ª Marcha das Mulheres Negras, com o tema “por Reparação e Bem Viver”.


As mulheres negras do Brasil marcharam contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver.

A luta das mulheres negras por direitos é antiga, coletiva e contínua. Desde os tempos de escravização, foram líderes das revoltas, fundadoras de quilombos e defensoras da liberdade.

São mulheres quilombolas, ribeirinhas, do campo, urbanas, periféricas, acadêmicas, artistas, trabalhadoras, meninas, mães, jovens e anciãs. Sua força vem da coletividade, do poder das nossas redes e da resistência ancestral. Elas são as sociedades anônimas guerreiras brasileiras que não aceitam mais o cancelamento e a negação de direitos.

22 novembro, 2025

Preso ex-presidente Jair Bolsonaro


Nesse sábado, 22 de novembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decretou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro. O pedido partiu da Polícia Federal, com apoio da Procuradoria-Geral da República.

Bolsonaro teria violado a tornozeleira eletrônica (monitoramento) por volta de 0h08 do dia 22/11, o que foi interpretado como possível tentativa de fuga.

Outro fator da prisão preventiva foi por conta da convocação de vigília, neste sábado (22), nas proximidades da residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, que segundo Moraes, poderia causar tumulto e até mesmo facilitar "eventual tentativa de fuga".

Segundo informaram as autoridades, a detenção deste sábado tem caráter de medida cautelar e não se trata do início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses pela qual o ex-presidente de extrema direita foi condenado no julgamento da trama golpista.

21 novembro, 2025

Governo marca COP30 com maior avanço nas demarcações em quase 20 anos

Na conferência da ONU sobre mudanças climáticas que deve ter a maior participação dos povos originários da história, a COP30, o governo resolveu anunciar avanços nas demarcações de 38 Terras Indígenas (TIs). O evento internacional começou no dia 10/11 e vai até sexta (21/11), em Belém (PA).

O conjunto de medidas relacionadas aos territórios indígenas soma quase 7 milhões de hectares, extensão maior que a do estado da Paraíba, beneficiando mais de 40 grupos espalhados por todas as regiões do país.

Ao todo, quatro TIs foram homologadas; outras dez foram declaradas pelo Ministério da Justiça; seis áreas tiveram seus limites identificados; e sete tiveram grupos técnicos de identificação criados (saiba como é o processo de demarcação). Foram instituídas ainda dez Reservas Indígenas (RIs) e divulgada a renovação da portaria de restrição de uso e ingresso de uma área de povos isolados, procedimentos um pouco diferentes dos mais usuais (veja a lista mais abaixo).

Desde o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência (2007-2010), não se alcançava um patamar de demarcações parecido. O ritmo caiu muito nos últimos 20 anos, desabando no governo de Michel Temer, até os procedimentos serem suspensos definitivamente na gestão de Jair Bolsonaro. Eles foram retomados lentamente neste terceiro mandato de Lula (veja tabela).

As medidas podem ser consideradas históricas também por serem tomadas na primeira conferência internacional do clima realizada na Amazônia, com expressiva participação dos povos originários; e em razão dos seguidos ataques aos seus direitos sobretudo no Congresso e das violências cometidas em seus territórios nos últimos anos – a exemplo do assassinato do líder indígena Vicente Vilhalva, no Mato Grosso do Sul, no último fim de semana.

A importância dos anúncios foi reforçada pela ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, em cerimônia realizada nesta terça (18/11), no Pavilhão Brasil, da Zona Verde da COP30. “Nós vamos terminar a COP30 [...] com esse reconhecimento da demarcação das Terras Indígenas como a medida mais eficaz para enfrentar a crise climática”, defendeu.

Continue lendo, clique aqui
_________________________________________________ 

Fogo, dinheiro e traição

O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato (21/11/2025)

Fogo, dinheiro e traição

Olá, o título é de novela mexicana, mas é apenas a tragédia da política brasileira.

.Não era amor. Todo mundo sabe que o casamento entre o governo e o centrão era movido por interesses. No caso do PL Anti Facção, o presidente da Câmara, Hugo Motta, se mostrou disposto a ceder às investidas da direita. Num gesto de traição ao Planalto, Motta entregou a relatoria para Guilherme Derrite (PP-SP) que, em poucos dias, fez circular seis versões diferentes do projeto, causando confusão e desconfiança na capacidade do Estado de enfrentar seriamente o crime organizado, e desagradando tanto o governo quanto parte da oposição. Aliás, a atuação sofrível de Derrite prova que a direita sabe menos de política de segurança pública do que diz por aí. Se, por um lado, o enquadramento como terrorismo foi enterrado por pressão do Planalto, por outro, foi criada uma parafernália conceitual nova, a “organização criminosa ultraviolenta”, substituindo o consolidado termo “facção criminosa”. Mas, o que é pior, mesmo depois de muita pressão da base governista, a Polícia Federal saiu enfraquecida. O único ponto consensual parece ter sido o aumento das penas a membros de facções. Trocando em miúdos, o Planalto saiu derrotado, mas, depois de tanta bagunça, Hugo Motta tampouco pode se considerar vencedor. O presidente da Câmara ainda conseguiu criar um atrito com o STF, ao conceder autorização e suporte técnico para que o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) votasse desde o exterior, apesar do Supremo ter proibido sua saída do país. Na prática, a Câmara foi usada como palanque para a oposição bater no governo e as principais digitais são dos governadores Tarcísio de Freitas (PL-SP), Ronaldo Caiado (União-GO) e Cláudio Castro (PL-RJ). Em compensação, o trabalho sério ficará, mais uma vez, a cargo do Senado, onde o governo contará com Alessandro Vieira (MDB-SE) como relator e Randolfe Rodrigues (PT-AP) na articulação política para corrigir o PL Anti Facção. O problema é que desta vez, provavelmente o governo não poderá contar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, magoado com a indicação de Jorge Messias à vaga de ministro do Supremo em lugar de Rodrigo Pacheco, preferido de Alcolumbre.

.Facção Centrão. O Banco Master não é apenas a maior intervenção da história do sistema financeiro nacional - o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) poderá arcar com um valor três vezes maior do que a quebra do Bamerindus - mas o fio de um complexo novelo que vai desde o PCC até figuras influentes da política, especialmente no centrão. Segundo as investigações da Polícia Federal, várias das operações fantasmas do banco, usadas para maquiar o caixa, foram feitas com instituições financeiras públicas ou fundos de pensão por pressão de políticos influentes. As investigações continuam e as operações da PF devem ter mais uma fase, mas a lista dos políticos que devem estar insones têm nomes bastante óbvios. Começando por Ciro Nogueira, todo poderoso do PP e do centrão, que se envolveu diretamente na fracassada tentativa de forçar a compra do Master pelo BRB. Nogueira também tentou apresentar um projeto que ampliava a cobertura do FGC, beneficiando diretamente o banco, tanto que era conhecida no Senado como “emenda Master”. Obviamente, o governador do Distrito Federal e pré-candidato a senador, Ibaneis Rocha (MDB), que comandou a operação indefensável de fazer um banco público comprar uma instituição suspeita e sem liquidez. Ainda o Governador do Rio, Cláudio Castro, que colocou quase R$1 bilhão do Rio Previdência no banco. E, por fim, o deputado Claudio Cajado (PP), também relator da PEC da Bandidagem, que pediu publicamente a cabeça dos diretores do BC que impediram a compra mafiosa. Mas a lista dos amigos de Daniel Vorcaro, presidente preso do Master, é mais longa e inclui Antônio Rueda, presidente do União Brasil; Hugo Motta, que convidou Vorcaro para a festa de comemoração de sua eleição à presidência da Câmara; o deputado federal Isnaldo Bulhões (MDB-AL), que esteve no seleto e ostentador camarote do Master na Sapucaí. As relações se espalham pelo poder Judiciário e inclui até mesmo figuras do PT baiano. Por isso, é improvável que vá adiante o pedido de uma CPI protocolado por PSOL, PSB e PT, mas apenas a continuidade das investigações da PF e a possibilidade de uma delação premiada de Vorcaro já são suficientes para deixar Brasília em estado de alerta permanente.

.Churrasco da floresta. Na reta final da COP 30, o governo brasileiro não esperava que a melhor notícia do período viesse de Donald Trump, com a retirada da tarifa extra de 40% que incidia sobre produtos brasileiros. Mas, em se tratando de Trump, o Brasil pisa em ovos, especialmente num cenário em que a tensão escala na Venezuela, enquanto a extrema-direita trumpista vai galgando mais espaço nos países vizinhos, como na recente eleição no Chile. Quanto à COP, sem contar o fracasso simbólico que veio com um incêndio, ela chega ao fim sem entregar nada muito concreto além de recomendações e procedimentos e, principalmente, recusando o mapa de abandono dos combustíveis fósseis, numa prova de que os governos não estão a fim de discutir a catástrofe climática. Mas, como balcão de negócios, ela foi um sucesso. Que o diga o agronegócio, que comemorou com um grande churrasco, incluindo um fazendeiro conhecido pelos conflitos agrários na região e por ameaçar jornalistas e a missionária Dorothy Stang. Aliás, o clima estava tão bom para a turma dos ruralistas que o Ministério da Agricultura nem se incomodou em anunciar, em plena COP, a liberação de 30 novos agrotóxicos, incluindo substâncias proibidas na União Europeia. Por outro lado, essa foi também a COP da Cúpula dos Povos, com a mobilização de milhares de pessoas e organizações em paralelo à COP oficial e com manifestações que arrancaram, pelo menos, a demarcação de duas terras para o povo Munduruku depois da mobilização dos indígenas.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Uma espiã a bordo. Como Israel infiltrou a flotilha para Gaza. Conheça Alice, a sabotadora sueca infiltrada na Freedom Flotilla a serviço do Mossad. Na editora Âyiné.

.A migração como negócio: o complexo industrial por trás da xenofobia do governo Trump. A Revista Ópera mostra como prisões e centros de detenções de imigrantes enriquecem o setor privado nos Estados Unidos.

.A radicalização das direitas chilenas. Xenofobia, negacionismo e defesa de Pinochet unem a direita nas eleições chilenas. Na Jacobina.

.Argentina, um dominium norte-americano? N’A Terra é Redonda, José Luís Fiori mostra como a dependência financeira se tornou o elo da subserviência argentina.

.Agro fica com 73% da verba federal para adaptação ao clima no Brasil. O maior emissor de gases do efeito estufa também é o maior beneficiado pelos recursos destinados à preservação. No ClimaInfo.

.’Uma dor insuportável’. O Intercept denuncia a impunidade no caso do assassinato do indigenista da Funai, Maxciel Pereira dos Santos, em 2019.

.Exposição recupera história esquecida de viagem de artistas brasileiros a Angola. Músicos, produtores, cineastas e jornalistas participaram da missão em solidariedade ao povo angolano cinco anos após a independência. No Jornal da USP.

___________________________________________________________
Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.