Segue um texto que escrevi para uma reflexão.
O sentimento de pertença leva no cotidiano do dia a dia nas CEBs a experimentar e a fortalecer-se pela espiritualidade de comunhão.
O sentimento de pertencimento a uma Comunidade Eclesial de Base!
Nossa vida é feita de relações. O pertencimento nos leva à aproximação e ao caminhar juntas e juntos. Pertencer a uma Comunidade é permitir-se aproximar da outra e do outro, “na proposta de reconhecer a outra e o outro, de curar as feridas, de construir pontes, de estreitar laços e de nos ajudarmos a carregar as cargas umas e uns dos outros” (EG 67).
O agir nas comunidades acontece no caminhar juntas e juntos de mulheres e homens, de todas as idades, que, no mesmo lugar onde vivem, são movidas e movidos pelos valores do Evangelho e pela espiritualidade cristã, que é o seguimento de Jesus Cristo.
Ao sentir-se pertencente a uma comunidade, nasce a certeza: sou parte desta porção da Igreja que constitui esta Comunidade Eclesial de Base; aqui está o primeiro ambiente da minha missão.
Sentir-se pertencente a uma comunidade é importante porque possibilita reconhecer as condições de vida, atuar a partir da realidade e valorizar os saberes do povo. Assim, fortalece-se um caminhar conjunto, marcado pelo reconhecimento mútuo, pela valorização da própria capacidade e pela certeza de que ninguém caminha sozinha ou sozinho.
A relação da pessoa com a Comunidade acontece por meio dos laços de pertencimento, que a levam a reconhecer na CEB o ambiente de sua missão de batizada e batizado. Nesse processo, ela vai descobrindo o desejo e a disponibilidade de colocar-se em missão. Com isso, criam-se laços afetivos e fortalece-se o sentimento de pertencer, de cuidar, de envolver-se e de inserir-se na vida da comunidade.
O Conselho Pastoral da Comunidade (CPC) e as demais lideranças precisam compreender o valor do pertencimento e fazer com que a comunidade seja um espaço acolhedor, capaz de levar as pessoas a sentirem-se pertencentes. Para pertencer, é preciso fazer uma escolha e desejar caminhar juntas e juntos, mas a Comunidade também precisa oferecer as condições para que esse pertencimento aconteça. Para isso, deve acolher todas e todos: membros das pastorais, movimentos, organismos, serviços e todas as pessoas que fazem parte dessa porção da Igreja que forma a comunidade.
Feita a escolha e havendo acolhida, é na comunidade, por meio da comunidade e em nome da comunidade que as pessoas exercem sua missão de cristãs e cristãos batizados. Colocam-se a serviço como catequistas, missionárias e missionários indo a casa das famílias, participantes ou coordenadoras e coordenadores dos grupos de reflexão, agentes da liturgia, ministras e ministros de enfermas e enfermos, pessoas da acolhida e da ação social. Enfim, colaboram na organização e no desenvolvimento da missão evangelizadora da Comunidade Eclesial de Base, tanto ad intra quanto ad extra.
O sentimento de pertença leva, no cotidiano da vida das CEBs, à experiência e ao fortalecimento da espiritualidade de comunhão, expressão do mistério da Trindade. Nela, restabelece-se a comunhão com Deus e entre as pessoas, com a diversidade de carismas e dons presentes na Comunidade Eclesial de Base.
A espiritualidade de comunhão conduz o agir das CEBs, porque é dela que brotam as relações entre as pessoas e a comunidade onde vivem e atuam. É ela que inspira a partilhar e assumir “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias das mulheres e dos homens de hoje, sobretudo das pessoas pobres e de todas aquelas que sofrem” (cf. Gaudium et Spes, 1).
As CEBs são o ambiente privilegiado de atuação do laicato, movido pela espiritualidade de comunhão, que as leva a serem casas de acolhida, capazes de criar espaço, reconhecer o bem presente na outra e no outro, acolher, amar e integrar todas e todos na vida da comunidade.
“Quem disse que não somos nada e que não temos nada para oferecer? Repare as nossas mãos abertas, trazendo as ofertas do nosso viver.” (Ofertório do Povo, Zé Vicente).
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Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora das CEBs na Arquidiocese de Maringá e membra da coordenação das CEBs do Regional Sul II
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