27 setembro, 2016

Lava Jato atua de acordo com conjuntura política, afirma cientista político

Para Frederico Almeida, da Unicamp, novas fases da operação estão relacionadas com eleições municipais

Brasil de Fato | São Paulo (SP), 

Juiz Sérgio Moro: recentemente, suas ações foram respaldadas por decisão do TRF / Lula Marques/AGPT

O ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci foi detido pela operação Lava Jato nesta segunda-feira (26). Na semana passada, Guido Mantega, que dirigiu a mesma pasta durante os governos do PT, também teve sua prisão decretada, mas foi liberado no mesmo dia.
A prisão de Palocci foi anunciada um dia antes pelo atual ministro da Justiça do governo não eleito, Alexandre de Moraes, durante uma atividade política com o Movimento Brasil Livre (MBL) em Ribeirão Preto (SP).
Para analisar as motivações Lava Jato, seus limites e seus possíveis efeitos, o Brasil de Fato conversou com Frederico Ribeiro de Almeida, professor de ciência política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que estuda o sistema judiciário brasileiro e suas relações com a política.
Para ele, a operação age de acordo com a conjuntura política e pode trazer resultados indesejáveis para a democracia brasileira.
Confira a íntegra da entrevista abaixo:
Brasil de Fato – Como você avalia a atuação da Lava Jato?
Frederico Almeida — A Lava Jato tem vários aspectos inéditos, mas, ao mesmo tempo, tem coisas típicas da forma como a Justiça criminal opera no país. O que seria mais típico? A grande autonomia e empoderamento institucional do Ministério Público voltado a questões de interesse público de maneira geral e à corrupção, em especial. Isso é uma coisa que vem desde os anos 90, estando relacionada com o desenho institucional estabelecido na Constituição - com muitas atribuições e muita autonomia - e, no caso específico da corrupção, com o surgimento de uma série de legislações específicas sobre o tema.
São mudanças institucionais ocorrendo há bastante tempo que estão culminando no que estamos vendo hoje. Mesmo quando se fala na questão dos abusos, militantes de direitos humanos e pessoas que lidam com a Justiça criminal ordinária, dos pobres, —sejam defensores de acusados, sejam pesquisadores— acusam, há muito tempo, a existência de procedimentos forçados de produção de provas, uma certa tendência do Ministério Público pela punição e, muitas vezes, uma complacência do Judiciário com as teses da acusação.
Condução coercitiva, ações sem mandado, suspeitas em torno da qualidade da prova produzida: tudo isso são coisas denunciadas há muito tempo.
O que tem de novo? No nível em que a Lava Jato opera, ou seja, uma Justiça criminal voltada para os poderosos, em geral, o discurso das garantias, da defesa, do devido devido processo legal sempre foi muito forte e eficaz. O que tem de novo são as teses jurídica sobre a produção de prova, a necessidade de se prender para investigar.
Há uma nova formulação e uma nova postura institucional do Ministério Público, dos juízes, dos tribunais em geral de defender que certos crimes e certas práticas devem ser tratadas de maneiras específicas e diferentes.
O que determinou que a Lava Jato emplacasse?
Essas teses não surgiram ontem. O Ministério Público está tentando emplacar isso faz tempo. O que acontecia é que, quando os poderosos eram outros poderosos, havia uma certa resistência dos tribunais superiores e um certo sucesso dos advogados de defesa em resistir a essa tese. Isso mudou, e tem muito a ver com o ambiente de opinião pública muito favorável à Lava Jato, que coloca qualquer tribunal em uma posição muito desconfortável em barrar a operação ou criticar seus excessos.
Nesse sentido, a operação é muito politizada: ela está focando em alguns réus, em um partido específico, ajustando o tempo de suas operações com o tempo da conjuntura política.
Eles agem quando há uma sensibilidade da opinião pública para agir. E fazem um esforço de mídia —o juiz Sergio Moro sendo premiado, as coletivas de imprensa— no sentido de jogar deliberadamente com a opinião pública para fazer emplacar suas teses fora dos tribunais.
O que representa a decisão do Tribunal Regional Federal apontado que “situações excepcionais exigem medidas excepcionais?
Ali o argumento foi levado ao extremo. Essa decisão do TRF me deixou bastante assustado. Eu nunca trabalhei com a ideia de que existe um Estado de Direito ideal e que, eventualmente, os juízes e a polícia se desviam dele.
O Estado de Direito é uma construção que os operadores do direito fazem quando o aplicam. Tanto nos abusos cometidos contra os pobres e até mesmo na questão da Lava Jato, em nenhum momento, até essa decisão, se falava em excepcionalidade da atuação. Mesmo aquilo que era excessivo e abusivo era feito em uma lógica de tradução para o direito.
O Ministério Público diz: "certos crimes tem que ser provados de maneira diferente". Eles constroem isso como tese jurídica, eles buscam fundamento legal no direito comparado. Eles tentam dar uma nova cara de direito. Quando o policial executa na favela, ele faz um boletim de ocorrência dizendo que a pessoa resistiu. Ele tem que colocar a arbitrariedade dentro de uma lógica jurídica.
O que me assusta muito na decisão é que eles estavam analisando uma conduta específica de Sérgio Moro, o vazamento dos áudios entre Lula e Dilma, que não faziam nem parte do processo, e que ele divulgou com intuito político. O que o TRF está dizendo é que aquilo não é legal, mas que essa ilegalidade é justificada pela exceção da situação. Não há sequer um esforço de colocar na lógica do Estado de Direito algo que a gente pode achar que foge da sua lógica.
Quando se dispensa esse esforço e se diz que o juiz não precisa se ater à lei e pode praticar ilegalidades, o cenário fica muito perigoso. Você tem um juiz que toma medidas com uma motivação política, que ele já deixou claro há muito tempo, que não se coloca como alguém imparcial, que se coloca como parte da acusação e, além de tudo isso, que está dispensado de se restringir à legalidade para agir. A decisão é muito perigosa e muito preocupante. O papel dos tribunais é corrigir os excessos dos juízes de primeira instância.
Você afirma que a Lava Jato age de acordo com a política. Quais elementos da conjuntura influenciaram essa nova onda de prisões?
Tem a ver com duas coisas. [Em primeiro lugar], o momento eleitoral. Embora o PT já tenha entrado na campanha muito enfraquecido, se há de fato, como eu suspeito, um objetivo de tirar o PT do jogo político definitivamente, fazer ações como essas contra Lula, Guido Mantega, Palocci às vésperas das eleições tem um sentido muito claro: demonstrar que o PT era uma grande organização criminosa. Isso afetaria, inclusive, aqueles que estão disputando eleições. 
Há outra questão ligada à conjuntura, que é o fato de que, após a queda do governo Dilma, cobrou-se muito se a Lava Jato iria além do PT. O que me parece é que a Lava Jato sabe que está sob ameaça, sabe que o novo governo já a usou para o que queria e, na verdade, a considera um risco. A Lava Jato pode estar querendo acelerar a etapa PT, para começar logo uma etapa contra o novo governo. Finalizar logo a etapa contra o PT daria legitimidade, força social, para seguir na nova fase.
O problema é que ela está acelerando muito e dando muita brecha para seus críticos, entre os quais há muita gente sinceramente preocupada com nossa democracia —apesar de ter muitos envolvidos que começam a fazer discursos de que é preciso conter os abusos. Mas é difícil ela ter força tendo aberto tanto espaço para críticas, eventualmente contando com menos apoio da opinião pública quando os alvos não forem o PT e podendo ter decisões revertidas.
O ministro Gilmar Mendes, que ficou calado em outras situações de abuso, inclusive no vazamento dos áudios de Lula e Dilma, já tem falado que é preciso ter calma e conter os abusos. Já começa a surgir dentro do Supremo esse discurso. 
Mas uma das marcas da Lava Jato não é focar no PT, como você mesmo colocou?
Todos os estudos sobre o recrutamento dessas carreiras, [sobre] o que eles pensam —pesquisas de opinião feitas com juízes e procuradores—, [apontam para o fato de que eles] têm uma visão muito negativa dos políticos e da política, e vêem a si próprios como as únicas pessoas capazes de promover justiça e direito no Brasil.
[Essa visão] Não é necessariamente conservadora, mas é autoritária, porque nega a importância da participação cidadã, dos partidos políticos e do sistema representativo. Ela quer promover mudanças, é progressista nesse sentido, mas é autoritária, um pouco como foi o tenentismo. 
Quando se olha os discursos deles, eles anunciam esse tipo de operação como [tentativa] de subverter o sistema político. Eles identificam que a corrupção é estrutural, e a saída não é pegar casos isolados, mas fazer uma ação abrangente o suficiente para derrubar os esquemas de corrupção.
Eu acredito sinceramente que eles queiram ir atrás de outros partidos. A questão é que eles acreditam que precisam, em primeiro lugar, coibir os esquemas de corrupção que estão ativos no momento, no poder. A segunda questão é que eles dependem da opinião pública apoiando. Se eles forem procurar, nesse momento, esquemas envolvendo na época do segundo governo Fernando Henrique, isso vai se perder na opinião pública.
A seletividade tem a ver com uma ideia de etapas, o que não é menos ruim. A questão é saber se eles vão ter fôlego para cumprir a próxima etapa. 
Eles são politicamente ingênuos?
Tem uma certa ingenuidade relacionada com uma confiança muito grande no seu próprio poder e em sua superioridade ética em relação aos políticos. É uma coisa muito voluntarista e muito salvacionista, no sentido de "nós somos mais puros e preparados, sabemos o que é bom".
Apesar de achar que a Lava Jato é uma engrenagem central do golpe que nós sofremos agora, eu não acho que é uma ação coordenada pelos golpistas. A Lava Jato se aproveitou de um clima de oposição política e social a um governo e avançou sobre ele. Setores de oposição a esse governo usaram a Lava Jato também para impulsionar seus próprios interesses.
É só lembrar que a maior parte dos discursos sobre o impeachment falava em corrupção, sendo que não há nenhuma denúncia de corrupção contra Dilma e o impeachment não tratava disso. Quando essa confluência de interesses se quebra, é preciso saber se, isoladamente, os interesses têm força para se manter, dos dois lados. 
Mas e os casos que levantam em relação a Aécio, a questão de que Eike Batista quis entregar uma lista de propina a tucanos?
Quando eu acho que eles estão pensando além do PT, não acho que eles querem ir contra todos. Eu acho que o PSDB está muito blindando nessa história. Isso eu não tenho dúvida. Ela [a Operação Lava Jato] quer ir no PMDB. 
Talvez pela própria estratégia que eles criaram de atacar quem está no poder. Pode ser decorrência da forma como eles elegem como prioridade. De qualquer forma, há esta blindagem. Pode ser ideológica, mas pode ser também pela forma como eles constroem a estratégia. 
Quais são os efeitos da operação sobre o sistema político brasileiro então?
É um efeito muito ruim. Eu não tenho dúvidas que a corrupção é estrutural e parte do sistema político, mas atacar o problema de uma maneira judicial e criminal não resolve a origem do problema. 
Quando eles se colocam como a solução do problema, fazendo uma grande operação e levando para o Congresso medidas de combate à corrupção que só reforçam essa lógica de Justiça e polícia, sem lidar com financiamento de campanha, com transparência de contas, com a relação entre representantes e representados, eles não atacam os problemas estruturais da corrupção.
O maior problema é apostar em uma deslegitimação do sistema político sem compreender, ou fingindo não compreender, que a política só pode se renovar pela própria política. Não vão ser eles, juristas não eleitos, que vão reestruturar o sistema político. O problema colocar tudo abaixo, sem que o próprio sistema político tenha tempo e condição de se refazer. No extremo, eles vão colocar tudo abaixo mesmo, e aí se abre espaço para os aventureiros políticos, um salvacionista messiânico, que pode ser qualquer coisa, o que pode ser terrível e deve nos preocupar muito.
Ou então, eles não vão colocar tudo abaixo, que é o mais provável, e o sistema político vai se reerguer com base nos que ficaram aí. Não necessariamente o sistema político que vai se reerguer vai ser melhor. A única coisa que a Lava Jato não está fazendo é mexer nas causas estruturais da corrupção.
Edição: Camila Rodrigues da Silva

26 setembro, 2016

O candidato Humberto participará do fórum



Cargos de confiança nos serviços públicos, Trânsito e Lixo.

O candidato Humberto participará do fórum.

Humberto nesses anos como vereador teve uma postura ética e uma grande preocupação com iniciativas sobre a pauta do fórum com os candidatos à prefeitura de Maringá que a Arquidiocese realizará nesta terça-feira, às 19h30 no auditório Dona Guilhermina.

Seu plano de governo apresenta de forma possível de ser executada, proposta para esses três itens do fórum.

Arquidiocese realizará Fórum com os candidatos à prefeitura de Maringá


Com o objetivo de contribuir com o debate das questões sociais, a Arquidiocese de Maringá, por meio do Conselho Arquidiocesano de Leigos e Leigas, irá promover o Fórum com os candidatos à prefeitura de Maringá na próxima terça-feira (27) às 19h30 no auditório Dona Guilhermina.

Antecipadamente, a Igreja repassou aos candidatos, três pautas (abaixo) para que os candidatos se manifestem sobre. Os assuntos escolhidos pelo Conselho de Leigos e Leigas da Arquidiocese de Maringá foram: Cargos de confiança nos serviços públicos, Trânsito e Lixo.

A seguir, todas as regras do evento:

Início pontualmente às 19h30

Não será permitida a participação do candidato à vice em caso de ausência do candidato a prefeito.

O evento será gravado pela WebTV da Arquidiocese de Maringá e disponibilizado no site da Arquidiocese, em seu canal do YouTube, em no máximo 24 horas após a realização do mesmo. http://arquidiocesedemaringa.org.br/

A capacidade do auditório Dona Guilhermina é de 400 pessoas. Não haverá ingressos para o acesso do público. Quem chegar primeiro, entra. Não será permita a entrada de pessoas com objetos que identifiquem os candidatos ou suas coligações, assim como de pessoas com objetos sonoros.

A Arquidiocese de Maringá apresenta antecipadamente, aos candidatos, por meio de suas assessorias – e dá publicidade antecipada –  uma lista com trêsreivindicações elaboradas por lideranças e o clero, com o objetivo de contribuir com o desenvolvimento sustentável, com base nos valores cristãos. As reivindicações são fundamentadas na Doutrina Social da Igreja Católica. http://migre.me/v1VyV

A lista com as três reivindicações será lida no início do evento. Na sequência, será feito o sorteio para que o primeiro candidato sorteado use a palavra para suas considerações sobre a pauta da Arquidiocese.

A cada fala, será sorteado o próximo a falar. Cada candidato terá sete minutos para suas considerações. Não haverá tempo extra, em hipótese alguma.

Não será permitido que os candidatos citem outros candidatos, pois não será debate. Portanto, não haverá direito de resposta. Caso um dos candidatos faça referência a outro candidato, o mediador irá intervir.

A fala de cada candidato deve ser feita exclusivamente sob as três pautas da Arquidiocese. Caso isso não ocorra, o mediador tomará a palavra e pedirá que o candidato se atente às propostas da Arquidiocese.

Após a primeira parte do evento, será realizada a rodada de considerações finais, sendo que cada candidato terádois minutos para tal. Será feito o sorteio para que o primeiro candidato sorteado use a palavra para suas considerações finais. A cada fala, será sorteado o próximo a falar.

Não haverá formação de mesa no palco para os candidatos. O candidato sorteado a falar sairá do local reservado junto à plateia e irá se dirigir ao púlpito.

Será permitida a filmagem e fotografia por parte das assessorias dos candidatos. No entanto, salienta-se que cada coligação faça uso das imagens com o devido bom senso.
Orienta-se que não se use as imagens do evento com o intuito de dar falsa conotação de apoio da Igreja para com qualquer que seja a candidatura.

Seguem as três pautas da Arquidiocese de Maringá:

Cargos de confiança nos serviços públicos
No serviço público, a contratação de mão de obra de servidores não concursados deve ser feita com extrema cautela e parcimônia. Esta modalidade é legítima, mas quando é feita de forma excessiva, pode desestimular o servidor público concursado, que muitas vezes se vê preterido na carreira.

De forma desordenada, a contratação de “cargos de confiança” (CCs) também pode impactar negativamente na execução dos serviços, pois, muitas vezes, o servidor lotado como cargo de confiança não possui qualificação específica para o desempenho da função, e quando a possui, devida a forma de contratação sem seleção, não é possível avaliar a qualificação do servidor.

Há casos explícitos em que os servidores em cargo confiança acabam exercendo “partidariamente” uma função pública, contrariando, assim, princípios básicos que regulam os serviços públicos, inclusive os Princípios da Eficiência, do Interesse Público, da Moralidade, entre outros. O problema não é a modalidade, mas sim o seu uso indevido e abusivo.

Questiona-se: Qual será a postura do candidato acerca do preenchimento de cargos na administração?  Caso eleito, irá diminuir, manter ou aumentar a quantidade atual de cargos de confiança?

Desenvolvimento Urbano – Trânsito
A Igreja é perita em humanidade. A vida humana é o nosso grande foco, como Igreja. Em Maringá, o trânsito tem tirado a vida de muita gente. As estatísticas são alarmantes. Uma das formas de aperfeiçoar as políticas públicas com relação ao trânsito é por meio do Conselho das Cidades.

Porém, na última Conferência Regional das Cidades realizada em Maringá neste ano de 2016, uma das situações amplamente discutidas foi a de que Maringá não dispõe do Conselho das Cidades.
A finalidade do Conselho das Cidades é formular e propor diretrizes para o desenvolvimento urbano e metropolitano, de forma integrada ao desenvolvimento regional, com participação social e integração das políticas fundiária, de habitação, saneamento ambiental, trânsito, transporte e mobilidade urbana.

Questiona-se: Caso eleito qual será a postura do candidato acerca da política de desenvolvimento urbano de forma a garantir a efetiva participação da sociedade em geral na elaboração dos programas de desenvolvimento local e regional, priorizando o interesse público?

Meio ambiente – Lixo
Em sua encíclica LAUDATO SI, o Papa Francisco afirma que, muitas vezes, os impedimentos para o desenvolvimento sustentável são resultados de ações políticas ineficientes. Na Laudato Si, que ficou conhecida como a Encíclica Verde, Francisco diz que “as atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas. Precisamos de nova solidariedade universal”.

Em Maringá, ainda hoje a população padece com a falta de soluções para o grave  problema dos resíduos sólidos. O inadequado tratamento do lixo é questão que impacta negativamente o meio ambiente, tornando-se, inclusive, um problema de saúde pública.

Atualmente encontra-se em tramitação na Câmara, lei de iniciativa daquela casa, a partir de requerimento feito pela Arquidiocese de Maringá, que determina ao Município a elaboração do Plano de Gerencialmente de Resíduos Sólidos Urbanos.

Questiona-se: Caso eleito qual será a postura do candidato acerca da imediata elaboração, com a participação efetiva da sociedade civil organizada, do Plano Municipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos como forma de delimitar-se um cronograma para a resolução do problema do lixo, que abarque os seguintes pontos: redução na produção do lixo (educação ambiental), coleta seletiva, compostagem, reciclagem (sistema de cooperativas de catadores) e a reutilização?

Fonte: site da Arquidiocese de Maringá

23 setembro, 2016

Seminário Nacional sobre realidades juvenis “Estamos pelas praças e somos milhões”


Seminário Nacional sobre realidades juvenis “Estamos pelas praças e somos milhões”


O Seminário acontecerá nos dias 18, 19 e 20 de novembro de 2016 no Centro Social Marista, em Itaquera, na cidade de São Paulo/SP. Objetiva a participação de jovens e adultos/as da Pastoral da Juventude do Brasil inteiro, além de lideranças de outras pastorais e movimentos, bem como de pesquisadores/as e gestores/as de diferentes instituições.
Por meio desta, gostaríamos de convidá-las e convidá-los para participarem do Seminário, estendendo o mesmo também às lideranças de sua pastoral, organização ou movimento.
Sabemos que “pensar juventudes” sempre é algo que provoca a saída de um lugar cômodo, e de romper com o senso comum que insistem em reforçar estereótipos equivocados atribuídos à juventude, olhando-a como desinteressada, apolítica e individualista, e que concebe o/a jovem como um problema social. Isso faz com que os reais problemas sociais não sejam reconhecidos como sintomas dessa sociedade, marcada por relações sociais de desigualdade, exclusão, opressão e exploração. Ao pensar as realidades juvenis, é preciso também (re)conhecer as suas atuais formas de organização, mais horizontais, autogestionárias, alternativas.
Ao mesmo tempo em que urge se ampliar o leque da discussão em torno das realidades, também se identifica, a partir das situações juvenis, qual o público específico que carece de ser atendido e quais serão as ações mais estratégicas e eficazes que precisam ser assumidas, direcionando-as. Para tal, também se deve identificar e combater os meios que são usados como ferramentas de promoção da violência. Essa discussão precisa sensibilizar as diferentes lideranças e atores sociais, políticos e pastorais para que o enfrentamento às diferentes formas de violência e ao genocídio seja assumido de fato por todos os setores da sociedade civil e também pelo Poder Público.
INFORMAÇÕES:
– Quando: 18 a 20 de novembro de 2016
– Local: Centro Social Marista (Itaquera, São Paulo/SP)
– Inscrições abertas no link: https://goo.gl/qPjZlG
– Contribuição: R$ 50,00 (gastos com material e lanches) 

Vagas limitadas! 

Contatos:
Email: seminariojuventudes@pj.org.br
Telefone: (49) 9969.3680 (tim)
Fonte: texto enviado ao blog

22 setembro, 2016

Semana Mundial pela Paz na Palestina e Israel

 A Semana Mundial pela Paz na Palestina e Israel é um evento oficial do Conselho Mundial de Igrejas e que acontece anualmente. Neste ano, será entre os dias 20 e 27 de setembro e está sendo organizada pelo Fórum Ecumênico da Palestina e Israel, conselho consultivo do CMI sobre as questões referentes ao conflito israelo-palestino.
 
A Semana tem três focos de atuação prioritários:
 
1) Oração – Enquanto atividade conjunta que pode ser realizada por pequenos grupos, comunidades religiosas ou tornar-se mesmo parte do calendário de igrejas e outras instituições religiosas maiores. Para auxiliar nesta tarefa é elaborada anualmente uma proposta litúrgica (clique aqui para baixar).
 
2) Educação – Estas atividades visam fomentar o debate e aprofundar conhecimentos e abordagens críticas sobre a questão palestina e israelense, sobretudo reconhecendo o sofrimento humano profundo que a ocupação ilegal israelense dos territórios palestinos ocasiona. Atividades de educação visam gerar consciência e reconhecer também a nossa parcela de contribuição para este conflito que nos parece tão distante.
 
3) Ação – Não só na reflexão teórica e na oração deve permanecer nossa solidariedade. A luta por paz e justiça é ativa e sugere criativamente iniciativas que proporcionam engajamento e uma resposta proativa daquelas pessoas que se identificam e engajam na peregrinação por justiça e paz.
 
O tema da semana será o muro da separação construído por Israel. Trata-se de um dos maiores e mais longos muros do mundo e é considerado ilegal pela Corte Internacional de Justiça desde 2004. Este muro adentra território palestino, rouba terras e recursos naturais valiosos, humilha e segrega famílias e comunidades. É um sinal do fracasso da nossa civilização em construir um convívio de paz e tolerância entre os povos.


Fonte: http://www.conic.org.br

21 setembro, 2016

Dia Internacional da PAZ


Dia Internacional da PAZ
A verdadeira paz só será alcançada quando cada uma e cada um conseguir gerar paz dentro de si e para todas as suas relações.
Atitude é fundamental. No Dia Internacional da Paz, assim como em todos os outros dias podemos fazer pouco. Mas o pouco de cada um torna-se muito para a humanidade.
O Dia Internacional da Paz é celebrado anualmente em todo o mundo do dia 21 de Setembro. A Assembléia Geral consagrou este dia ao fortalecimento dos ideais de paz, no seio das nações e entre os povos das várias nações.
O Dia Internacional da Paz foi estabelecido em 1981, através da resolução 36/67da Assembleia Geral das Nações Unidas. A data deste dia internacional foi escolhida de modo a coincidir com a sessão de abertura da Assembléia Geral.
Ao proclamar o Dia Mundial da Paz, as Nações Unidas levaram em conta a finalidade precípua para a qual foram constituídas – a coexistência pacífica entre nações soberanas, num mundo de equilíbrio e respeito mútuo entre os Estados nacionais, independentemente das dimensões territoriais, da pujança econômica e do poderio de cada país.

19 setembro, 2016

Violência matou 891 índios em treze anos no Brasil, diz relatório do Cimi

Brasília (DF) – O relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”, divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), apontou que uma média de 68 índios são assassinados por ano no país. De 2003 a 2015 foram registradas 891 homicídios contra os índios brasileiros, sendo que na maioria dos casos a autoria é desconhecida, portanto, são crimes na impunidade.

Só no ano de 2015, segundo o relatório, foram mortos 137 indígenas no Brasil, um a menos do que o registrado em 2014, quando morreram 138 pessoas. Apesar dos números esse dados não representam a realidade.

A antropóloga Lúcia Helena Rangel, coordenadora do relatório, explicou que as informações do documento foram coletadas pelas equipes de trabalho do Cimi e principalmente da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde. Os dados do governo, porém, foram obtidos por meio de ações jurídicas, com base no direito constitucional de acesso às informações públicas (Lei 12.527/2011). Também estão defasados.  “Acesso cada vez mais difícil, pois eles enrolam para evitar a divulgação”, destacou Rangel.

“Estes dados, no entanto, não permitem uma análise mais aprofundada, visto que não foram apresentadas pela Sesai informações detalhadas das ocorrências, tais como faixa etária das vítimas, localidade, povo, etc.  A fragilidade destes dados dificulta uma clara percepção da autoria dos homicídios, se eles tiveram como pano de fundo a disputa pela terra ou, nesse sentido, se são consequência do fato dos indígenas não estarem vivendo em seus territórios tradicionais”, diz o relatório.

O estado do Mato Grosso do Sul, mais uma vez, aparece como líder das mortes no relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”. No período de treze anos foram 426 assassinatos, o que representa 47% do total, com uma média de 32 índios mortos por ano.

Em 2015 foram 36 mortes no Mato Grosso do Sul. É uma média de três homicídios a cada mês do ano, sendo que 38% ocorreram em Dourados e 8% em Caarapó, no sudoeste do estado.

Segundo informações do Dsei do Mato Grosso do Sul, 94% das 36 vítimas de homicídio eram do sexo masculino e 6% do sexo feminino.

Foi em Caarapó que em 14 de junho deste ano foi assassinato o indígena Guarani Kaiowá Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, de 26 anos. Ele foi morto a tiros durante um ataque de fazendeiros na fazenda Yvu, município de Caarapó, região retomada pelos índios no mês de junho. Cinco fazendeiros estão presos por determinação da Justiça Federal sob acusação de envolvimento na morte do indígena, conforme investigação da Polícia Federal.

Ainda não há uma estatística preliminar dos casos de violência em 2016, mas o secretário-executivo do Cimi, Cleber Buzatto, destacou que foram registrados 35 ataques contra os índios Guarani-Kaiowá só no Mato Grosso do Sul, no período de aproximadamente um ano, entre 2015 e 2016.
 
A omissão do poder público 

O Cimi lançou o relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil” na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. O evento contou com as participações do padre Ernanne Pinheiro, secretário-executivo do Centro de Formação, Fé e Política, representando a CNBB, e do vice-presidente do Cimi, Roberto Liebgott. Ele frisou que o ano de 2015 foi marcado por aspectos recorrentes: “A omissão do poder público em relação à assistência aos índios, às demarcações de territórios tradicionais, as perversidades e práticas de tortura e ainda a devastação do meio ambiente”, disse Liebgott.

Ele afirmou que, desde 2012, há uma tendência explícita do governo federal de não demarcar as terras dos índios. “Por esse motivo, eles [os indígenas] vivem em condições de refugiados de guerra, acampados às margens de estradas, em situações estimuladas especialmente por setores do agronegócio”, afirmou Roberto Liebgott.

"Na esteira da tramitação da PEC 215 e de outras proposições legislativas anti-indígenas, parlamentares da bancada ruralista e dirigentes de sindicatos rurais patronais e de associações de produtores de commodities agrícolas espalharam o ódio e o terror contra os povos e as suas comunidades”, diz texto do relatório.
    
Integrando a mesa do evento que lançou o relatório em Brasília, Elson Canteiro, líder Guarani-Kaiowá, chorou durante a exposição do vídeo de dois minutos que retratou consequências do massacre em que morreu Clodiodi, em 14 de junho, em Caarapó. Ele próprio foi um sobrevivente do ataque. Ele explicou por que os índios têm retomado as terras tradicionais. “A retomada não é apenas da terra, mas dos alimentos tradicionais, de nossa cultura, do nosso estado de bem viver. Nossa organização também é garantida por lei e é isso que fazemos”, disse.

Em entrevista exclusiva à agência Amazônia Real, Kunumi Jeroky Iteva Mitan Mogaraivy, pai do indígena Clodiodi de Souza, falou sobre a morte de seu filho. Para ele, revolver a memória não tem sido fácil para a família do agente de saúde assassinado.
 
“Perder um filho é um pesadelo de olhos abertos”, diz. Kunumi tem o rosto abatido, que revela os três meses da morte de Clodiodi, em 14 de junho. “Se eu estivesse aqui aquele dia teria salvado a vida do meu filho”, revela.
  
Clodiodi morreu durante o ataque a fazenda Yvu, que é incrustada na Terra Indígena Dourados-Amambaipeguá 1. Um dia antes, os índios Guarani Kaiowá tinham retomado a posse da área, reconhecida como território tradicional um mês antes, em 12 de maio, pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

Segundo a investigação, os agentes da Polícia Federal em Dourados estiveram na fazenda Yvu, no dia 13 de junho, e foram notificados da retomada da área pelos fazendeiros, que queriam a expulsão dos índios da fazenda. Sem mandado de reintegração de posse, os policiais retornaram a Dourados.

Conforme relatório do Ministério Público Federal em Dourados, os cinco fazendeiros que foram presos e mais 200 ou 300 pessoas ainda não identificadas, munidas de armas de fogo e rojões, organizaram-se para expulsar os índios à força do local em 14 de junho. De acordo com testemunhas, foram mais de 40 caminhonetes que cercaram os índios, com auxílio de uma pá-carregadeira, e começaram a disparar contra a comunidade. De um grupo de 40 a 50 índios, oito ficaram feridos e um veio a óbito [Clodiodi]”, diz o órgão.

Entre os feridos estava um irmão de Clodiodi, Jesus de Souza.  O pai Kunumi Jeroky Iteva Mitan Mogaraivy relembra com tristeza desse dia:

“Não tenho mais mãe, pai, irmãos, irmãs. Só minha esposa. Jesus ainda está doente. Quase o perdemos também. E aquelas pessoas que mataram meu filho? Eles têm dinheiro no banco, tem roça. Se você tem sono, dorme uma noite e o sono passa. E eu? Eu fico acordado com a minha mulher, pensando: Quando meu filho vai voltar para mim?”, indagou.

Kunumi se diz angustiado com tantas agressões a seu povo. “Se o meu filho chegasse aqui hoje, eu o pegava e diria: Vamos embora. Mas a minha família está enterrada no Kunumi agora. Clodiodi e Denilson Pindorakã são as chaves dessa terra”, lamenta. Ele se refere ao sobrinho, um garoto de 15 anos, que saíra para pescar quando foi encontrado morto em uma estrada vicinal que separa a aldeia onde morava de fazendas do agronegócio, em Caarapó, em fevereiro de 2013. À época, um fazendeiro assumiu a participação no crime, mas não foi preso.

Marçal Tupã-Y foi assassinado em 1983. Nos anos 1970 era ele que realizava assembleias nas aldeias, convocando os parentes para a luta. “Nós temos que ser malcriados”, dizia. Em telegrama, cobrando Justiça ao governo, Darcy Ribeiro disse que a imagem do estado estava emporcalhada se ficasse impune “o assassinato do mais alto intelectual de Mato Grosso do Sul”. Era assim que o antropólogo se referia ao guerreiro Kaiowá.

Simeão Vilhalva, também citado por Kunumi Jeguakai, foi assassinado em agosto de 2015. O crime é um dos destaques do relatório sobre a violência do Cimi, e foi cometido depois que fazendeiros e políticos promoveram um ato público na região do município de Antônio João, convocando a população a se rebelar contra a comunidade Ñhanderu Marangatu. Na ocasião, um bebê foi ferido, atingido por uma bala de borracha. “O decreto de homologação desta área foi assinado há mais de dez anos, mas ela ainda permanece sob a posse dos não-índios”, ressalta o documento. “Simeão tombou. Marçal tombou”, diz Kunumi Jeguakai, uma das lideranças que também sofrem ameaças de morte, citando também a morte de Marçal ocorrida há 30 anos.

Segundo o Cimi, a principal causa da violência são os conflitos por terra e a omissão do governo brasileiro em relação à demarcação dos territórios tradicionais indígenas.

“Vivemos grande violação de nossos direitos”, afirma Kunumi Jeguakai. “Somos como um pássaro numa gaiola. A reserva [áreas provisórias concedidas pelo governo] não nos dá condições para nossa vida, e por isso lutamos por nossos territórios tradicionais. O agronegócio se beneficia de uma terra manchada pelo sangue do povo Guarani Kaiowá. Não aceitamos mais viver dessa forma. Eu também sou ameaçado de morte. Mas, se morrer, renascerei na memória do meu povo, e meu sangue será semente de liberdade. Não sofremos confrontos com fazendeiros, sofremos massacres”, enfatiza o líder indígena.

Na época em que Simeão foi morto, o Cimi denunciou que já havia “um verdadeiro estado paramilitar no Mato Grosso do Sul”. O relatório divulgado nesta quinta-feira acentua que, em 2015, foi realizado pelo menos uma dezena de ataques paramilitares contra várias comunidades, desferidos por milícias comandadas por fazendeiros em que ficaram feridos, inclusive, crianças e idosos.

O documento do Cimi também registrou que Mato Grosso do Sul lidera em tentativas de homicídio, com 12, em 31 registradas no país. O estado está ainda em primeiro lugar nos homicídios culposos (considerados sem intenção de matar). Foram cinco, em 18 acontecidos no Brasil – a maioria por atropelamento.

Kunumi Poty Verá Dyju, um dos feridos que sobreviveram ao massacre do dia 14 de junho, lamenta o histórico de barbárie: “Muitos tombaram e não viram sua terra de volta. A gente espera ver realizado o nosso sonho. Ter a nossa liberdade, o nosso espaço de convivência. A natureza não volta mais. Com o desmatamento, não tem mais caça, não tem mais pesca. Perdemos esse companheiro de luta, que também era agente de saúde e cuidava do nosso povo. Clodiodi está junto com a gente nesta luta. O pessoal deita em cima do túmulo dele. Ama-o. Vamos continuar lutando.”

Além dos dados da Sesai, a estatística do próprio Conselho Indigenista Missionário (Cimi) registrou no ano de 2015 outros 52 casos de violência contra indígenas, que resultaram em 54 assassinatos.

Veja os casos nos estados do Acre (1, etnia Kaxinawá), Amapá (3, etnias Galibi e Karipuna), Amazonas (4, etnias Apurinã, Mura e Tikuna), Bahia (5, etnias Tumbalalá e Tupinambá), Maranhão (3, etnias Guajajara, Ka’apor e Timbira), Mato Grosso do Sul (20, etnias Guarani-Kaiowá e Guarani-Nhandeva), Minas Gerais (1, etnia Pataxó), Pará (2, etnias Arapium e Munduruku), Paraná (5, etnias Guarani e Kaingang), Pernambuco (1, etnia Xukuru), Rondônia (1, etnia Oro Waram (Oro Wari)), Roraima (etnia Yanomami 1) Santa Catarina (1, etnia Kaingang) e Tocantins (6, etnias Apinajé, Karajá, Krahô e Xerente). Estes dados foram levantados a partir de informações das equipes que atuam nos onze regionais do Cimi e de diversos meios de comunicação.

Desses 54 assassinatos apontados pelo Cimi, oito foram de índios do sexo feminino com idades entre 9 e 82 anos. Uma criança do sexo feminino, de 9 anos, está entre as vítimas. As outras 46 pessoas, do sexo masculino, tinham idade entre 2 e 75 anos.

Do total de vítimas, incluindo homens e mulheres, nove eram menores, e tinham idade entre 2 e 17 anos. “Pelo menos quinze mortes ocorreram em decorrência de brigas e/ou consumo de álcool. Em cinco casos, observou-se que as mortes ocorreram, diretamente, em virtude de conflito fundiário. Predominou nos assassinatos o uso de armas brancas, com 21 casos, e armas de fogo, com quinze ocorrências”, diz o relatório.
 
*Por Ana Mendes e Cristina Ávila, especial para a Amazônia Real.

Fonte: http://amazoniareal.com.br

Não tinham alma. Não havia provas. Mas, por convicção, a escravidão se fez [Douglas Belchior]

Diziam que meu povo não tinha alma.

Não havia provas. Mas, por convicção, a escravidão se fez. Quase 400 anos!

Não havia provas mas havia convicção de que o Brasil seria tomado por comunistas, comedores de criancinhas. Resultado: duas ditaduras. A última durou quase 30 anos.

Sem provas e por convicção, o genocídio é promovido: Chacina do Carandiru, Candelária, Vigário Geral, Eldorado dos Carajás, Crimes de Maio de 2006 e tantos outros.

Sem provas, mas por convicção, 111 tiros num carro e o assassinato de 5 jovens negros; um tiro de fuzil seguido de arrastamento no asfalto, de Cláudia Ferreira no Rio de Janeiro; O espancamento e a morte de Luana dos Reis no interior de São Paulo. Sem provas e por convicção se deu também a chacina do Cabula, em Salvador.

Pela mais pura convicção e sem nenhuma prova, Rafael Braga continua preso.

Por convicção a polícia continua esculachando, desrespeitando cidadãos em suas abordagens em cada esquina de quebradas, periferias e favelas desse país. Quando não somem com corpos; Quando não assassinam sobretudo a juventude e as crianças negras país afora.

Sem provas, mas por convicção, depuseram uma presidenta eleita pelo voto direto.

Não podemos permitir que sem provas e por pura convicção a política se faça, como tem acontecido no Brasil. Sabemos que a convicção que não requer prova, é uma convicção de classe, uma convicção ideológica, política e a serviço das elites atrasadas desse país. Trata-se de uma convicção de explícito traço fascista, racista e autoritário.

Não podemos permitir que essa prática se dê contra quem quer que seja. Práticas autoritárias contra pessoas famosas, empoderadas ou lideranças políticas do campo progressista quase sempre servem para endossar, justificar, naturalizar e aprofundar ainda mais a violência e a negação de direitos na base da pirâmide, entre os trabalhadores pobres, moradores de periferias, negras e negros, jovens e crianças em todo o país.

Sem provas, apenas por convicção reacionária, nós não vamos permitir. Não vamos aceitar. Ao contrário, deste lado de cá há sim convicção. Mas há provas!

Provas de nossa resistência, de nossa ancestralidade, da resiliência de um povo que, apesar do massacre imposto desde a invasão europeia, se reinventa, se organiza e luta.

Nós vamos reagir, afinal, com a licença de Albert Camus: “A violência não é patrimônio dos exploradores. Os explorados, os pobres, os oprimidos também podem emprega-la!”

Vamos enfrentar o fascismo nas ruas, no judiciário, na política e nas urnas!

Fonte: http://negrobelchior.cartacapital.com.br

Papa Francisco convida o mundo para rezar pela paz

Papa Francisco convida o mundo para rezar pela paz nessa terça-feira, dia em que estará em Assis para encontro de oração pela paz


“Convido as paróquias, as associações eclesiais e os fiéis individuais de todo o mundo a viverem esse dia como um dia de oração pela paz. Hoje, mais do que nunca, precisamos de paz nesta guerra que está por toda a parte no mundo. Rezemos pela paz! A exemplo de São Francisco, homem de fraternidade e de mansidão, todos somos chamados a oferecer ao mundo um forte testemunho do nosso compromisso comum pela paz e a reconciliação entre os povos. Assim, na terça-feira, todos unidos em oração: cada um tome um tempo, aquele que puder, para rezar pela paz. Todo o mundo unido".

16 setembro, 2016

Cidades baixam salários dos vereadores e maioria desiste de disputar reeleição


Em três municípios do Paraná que passaram a pagar apenas o salário mínimo a parlamentares, menos da metade deles vai disputar nova vaga nas Câmaras. 

A partir de 2017, os vereadores de três cidades do Paraná passarão a receber subsídio equivalente a um salário mínimo. O efeito mais evidente desta redução foi a queda no número de parlamentares dispostos a tentar a reeleição. Menos da metade dos atuais vereadores de Mauá da Serra, Santo Antônio da Platina e São Mateus do Sul disputam na eleição deste ano uma cadeira no legislativo municipal. Em 2012, essa taxa foi de 63%. 

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15 setembro, 2016

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher


Preconceito mata – e muito – no Brasil. A discriminação por cor, gênero e orientação sexual ainda é um problema endêmico do país com dados que proporcionam um panorama triste.

por Gabriela Loureiro

O preconceito de cor, escancarado na semana passada com três casos relacionados à televisão, é tão sério que reduziu a expectativa de vida do brasileiro negro. A possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que um branco, segundo uma pesquisa divulgada em 2013 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Pelo levantamento, a expectativa de vida de um homem brasileiro negro é menos que a metade a de um branco.

Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher

Ser mulher também é perigoso. Somente em dois anos, entre 2009 e 2011, quase 17.000 mulheres morreram por conflitos de gênero, o chamado feminicídio, que acontece pelo fato de ser mulher. Ou seja, 5.664 mulheres são assassinadas de forma violentada por ano ou 15 a cada 90 minutos. Os dados também são da Ipea.
O relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB) de 2013-2014 também mostrou como a intolerância a homossexuais mata. Mais especificamente, um gay é morto a cada 28 horas no país. Foram documentados 312 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil em 2013. O Brasil continua sendo o campeão mundial de crimes homo-transfóbicos: segundo agências internacionais, 40% dos assassinatos de transexuais e travestis no ano passado foram cometidos aqui.

Com base em pesquisas do Mapa da Violência, do Ipea e do GGB, o Brasil Post fez um ranking dos estados mais perigosos para ser uma mulher, um negro ou um homossexual. Confira o resultado nas listas com os números absolutos discriminados abaixo:

Os 10 estados mais perigosos para ser negro no Brasil

Alagaoas
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 80,5
Espírito Santo
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 65
Paraíba
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 60,5
Pará
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 55,1
Pernambuco
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 54,6
Distrito Federal
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 52,8
Bahia
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 47,3
Goiás
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 42,8
Amapá
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 41,1
Rio de Janeiro
Taxa de homicídio (número de mortes para cada 100 mil negros) – 41,0


Os 10 piores estados do Brasil para ser mulher
Espírito Santo
Taxa de feminicídio– 11,24 por 100 mil mulheres
Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher
Bahia
Taxa de feminicídio – 9,08 por 100 mil mulheres
Alagoas
Taxa de feminicídio – 8,84 por 100 mil mulheres
Roraima
Taxa de feminicídio – 8,51 por por 100 mil mulheres
Pernambuco
Taxa de feminicídio – 7,81 por 100 mil mulheres
Goiás
Taxa de feminicídio – 7,57 por 100 mil mulheres
Rondônia
Taxa de feminicídio – 7,42 por 100 mil mulheres
Paraíba
Taxa de feminicídio: 6,99 por 100 mil mulheres
Mato Grosso
Taxa de feminicídio – 6,95 por 100 mil mulheres
Pará
Taxa de feminicídio – 6,75 por 100 mil mulheres

 
Os 10 estados mais perigosos para ser gay no Brasil
Pernambuco
34 homicídios em 2013
São Paulo
29 homicídios em 2013
Minas Gerais
25 homicídios em 2013.
Bahia
21 homicídios em 2013
Rio de Janeiro
20 homicídios em 2013
Paraíba
18 homicídios em 2013
Mato Grosso
16 homicídios em 2013
Paraná
15 homicídios em 2013
Rio Grande do Norte
15 homicídios em 2013
Alagoas
14 homicídios em 2013
Fonte: CEBI