06 março, 2018

Retirada de crianças Guarani e Kaiowá de suas famílias é denunciada na ONU


Na manhã dessa segunda-feira, dia 05, durante sessão regular Conselho de Direitos Humanos da ONU, representante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi)chamou a atenção para políticas genocidas que afrontam os direitos específicos, costumes e organização social Guarani e Kaiowá.

A reportagem é de Guilherme Cavalli, publicada por Conselho Indigenista Missionário - Cimi, 05-03-2018.

A retirada de crianças Guarani e Kaiowá das aldeias no Mato Grosso do Sul (MS) foi denunciada durante a 37º sessão regular do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre os direitos da criança. Em carta, representante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) chamou a atenção para a situação dramática das crianças indígenas, violentadas por políticas genocidas que afrontam os direitos específicos, costumes e organização social do povo.

“Contra os Guarani Kaiowá, observa-se uma dupla violação, uma vez que sob o argumento da indigência, crianças indígenas têm sido retiradas forçosamente de seus pais e colocadas em abrigos públicos. As crianças indígenas representam 60% das crianças internadas”, noticiou o Cimi em sessão que ocorre em Genebra, Suíça.

“O racismo institucional, a falta de demarcação das terras e de políticas públicas afirmativas impossibilitam o retorno destas crianças ao seu povo. Recentemente, um Juiz em Dourados, autorizou a adoção destas crianças por não-indígenas, violando gravemente seus direitos étnico-identitários”, completou a nota.

Nos últimos 5 anos, ao menos 3.360 crianças indígenas, menores de 5 anos, morreram no Brasil, segundo levantamento do Relatório de Violência Contra Povos Indígenas no Brasil. A falta de políticas públicas efetivas perpassa a maioria das causas: pneumonia, gastroenterite infecciosa tratável e desnutrição grave. “Mais de 2.000 famílias, de cujos membros 60% são crianças, sobrevivem sob barracos de lona sem acesso à água, saúde, educação e alimentação adequada o que revela um ambiente de ausência do Estado e de crise humanitária”, apresentou a nota ao expressar a realidade indígena do Mato Grosso do Sul.

Em carta divulgada em outubro, Aty Guasu evidenciou os abusos do poder público na retirada das crianças de suas famílias. Segundo a organização, a forma como são feitas as intervenções pelos “órgãos de proteção” desrespeita o modo de vida física e cultural do povo Guarani e Kaiowá, e são fundamentadas em “conceitos e interpretações racistas, preconceituosas, primárias, ignorantes à diversidade dos povos indígenas”. Tais ações, segundo o conselho, afrontam os direitos específicos, costumes e organização social do povo.

Em relatório divulgado recentemente, a Fundação Nacional do Índio (Funais) do MS evidenciou o racismo institucional presente nos espaços do Estado que retira as crianças. “ […] fica também explícito em conceitos equivocados e preconceitos que impactam negativamente na forma como são conduzidas as abordagens, as avaliações, os acolhimentos, as reinserções e as adoções de crianças indígenas no MS, num crescente de violação do direito à convivência familiar e comunitária dessas crianças e jovens junto a seu povo. ”

Leia a carta na íntegra:

Conselho de direitos humanos
37º Sessão regular do Conselho de Direitos Humanos
26 fevereiro a 23 março 2018
Reunião anual de dia inteiro sobre os Direitos da criança

Sr. Presidente

No contexto em que este Conselho, estuda a situação das crianças submetidas à crise humanitária, queremos apresentar informações acerca da realidade das crianças indígenas no Brasil.

Nos últimos 5 anos, ao menos 3.360 crianças indígenas, menores de 5 anos, morreram no Brasil. Entre as causas principais estão: pneumonia, gastroenterite infecciosa tratável; morte por falta de assistência e desnutrição grave. [1]

A situação das crianças Guarani e Kaiowá, no estado do Mato Grosso do Sul, é dramática, haja vista a violência que as submete, juntamente com seus familiares. A Reserva indígena de Dourados, por exemplo, registra taxas de homicídio de 87,69 por 100/mil (anexo), expondo e vitimando crianças à crimes hediondos, além de sujeita-las a ataques de milícias armadas, como em 2016 [2]. Diante da falta de terras, altas taxas de desnutrição tornam 45 mil pessoas dependente de cestas de alimentos do governo. Mais de 2.000 famílias, de cujos membros 60% são crianças, sobrevivem sob barracos de lona sem acesso à água, saúde, educação e alimentação adequada o que revela um ambiente de ausência do Estado e de crise humanitária.

Contra os Guarani Kaiowá, observa-se uma dupla violação, uma vez que sob o argumento da indigência, crianças indígenas têm sido retiradas forçosamente de seus pais e colocadas em abrigos públicos. As crianças indígenas representam 60% das crianças internadas. [3] O racismo institucional, a falta de demarcação das terras e de políticas públicas afirmativas impossibilitam o retorno destas crianças ao seu povo. Recentemente, um Juiz em Dourados, autorizou a adoção destas crianças por não-indígenas, violando gravemente seus direitos étnico-identitários.

A lei brasileira (13.431/17) mencionada no informe da distinta representante especial do Secretário Geral sobre violência contra crianças, é uma conquista importante. Porém, cabe ressaltar sua carência frente a interculturalidade indígena, podendo, em alguma medida inclusive, reafirmar a sobreposição de violações frente o específico das populações indígenas.

Muito obrigado!

Conselho Indigenista Missionário – Cimi

Anexo

Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, entre os anos de 2005 e 2015 foi registrada uma média anual de 53.507(cinquenta e três mil, quinhentos e sete) homicídios – o que equivale a uma taxa média nacional de 30,4 homicídios por 100 mil habitantes [4].

A seu turno, o Estado de Mato Grosso do Sul, entre os anos de 2005 e 2015, registrou uma média anual de aproximadamente 675 (seiscentos e setenta e cinco) homicídios e uma taxa média de 27,71 homicídios a cada grupo de 100 mil habitantes – valor bem abaixo da média nacional [5].

Além disso, o Estado de Mato Grosso do Sul registra índices decrescentes de homicídios. Entre os anos de 2005 e 2015 a variação foi de –14,2% enquanto que no Brasil, no mesmo período, a variação foi crescente de 10,6%.

O mesmo panorama não foi verificado com relação aos indígenas residentes no Estado de Mato Grosso do Sul. Para eles, entre os anos de 2003 e 2016 registrou-se, pelo menos, 444 homicídios, uma média anual de aproximadamente 31,71, o que corresponde a uma taxa 43,26 homicídios por 100 mil habitantes.

Os Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul somam cerca de 46 mil pessoas e mais de 80% desta população sobrevive em 8 pequenas reservas. Considerando a tabela acima, e em que pese, 90% dos homicídios ocorreram junto a este povo, contabilizando pelo menos, 401 mortes nos últimos 14 anos, é possível estimar uma taxa de homicídio de 62,26 por 100 mil pessoas. Honduras, país classificado pela Organização Mundial da Saúde [6] com a maior taxa de homicídio do mundo, possuí 85,7 por 100 mil, seguido por El Salvador (63,2) e Venezuela (51,7), já o Brasil ocupa a nona posição com 30,4 mortes por 100 mil. Em outras palavras, se o povo Guarani e Kaiowá representassem um país, estariam em 2º colocado em quantidade de homicídios no mundo e ainda, o dobro das atuais taxas brasileiras.

Considerando somente o Polo Base de Dourados – que compreende os municípios de Dourados, Maracaju, Douradina e Rio Brilhante – entre os anos de 2012 e 2016 foi registrada uma média anual de 13 homicídios, o que corresponde a uma taxa média de 87,69 homicídios a cada grupo de 100 mil habitantes. [7] Comparando os dados disponíveis referentes a um mesmo período (2012 a 2014), temos o seguinte quadro:



Notas

[1]Foram consultadas as mesmas fontes antes citadas e considerado o quantitativo de 73.295 indígenas no Estado de Mato Grosso do Sul (IBGE/2010) e 14.824 indígenas no Polo Base de Dourados (SIASI/2013).

[1] Dados Relatórios de Violência contra os Povos indígenas do Conselho Indigenista Missionário – Cimi. Acesse em: https://www.cimi.org.br/observatorio-da-violencia/edicoes-anteriores

[2] Confira: Menino de 12 anos é ferido em confronto por terra http://www.douradosagora.com.br/noticias/policial/menino-de-12-anos-e-ferido-em-confronto-por-terra

[3] Confira: Racismo institucional: justificando pobreza, Estado retira crianças de suas famílias Guarani e Kaiowá https://www.cimi.org.br/2018/03/racismo-institucional-justificando-pobreza-estado-retira-criancas-de-suas-familias-guarani-e-kaiowa/

[4]“Atlas da Violência 2017”. Média calculada a partir dos dados constantes das páginas 12-13. http://www.ipea.gov.br/portal/images/170602_atlas_da_violencia_2017.pdf

[5]“ Idem, página 13.

[6] World health statistics 2017: monitoring health for the SDGs, Sustainable Development Goals http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/255336/1/9789241565486-eng.pdf?ua=1

[7]Considerou-se o quantitativo de 14.824 indígenas no Polo-Base de Dourados – dado retratado no SIASI 2013 – disponível em . Acessado aos 1º.09.2017.

05 março, 2018

1ª Celebração dos Mártires em honra a São Oscar Romero

Celebrar o martírio de Oscar Romero

Vigília dos Mártires - Arquidiocese de Maringá

'Não tenham medo’ é assim que o nosso Deus manifesta, com esse profético convite e Jesus Ressuscitado repete a frase todas as vezes em que aparece a suas discípulas e aos seus discípulos.


Vigília dos Mártires

"Não tenha medo" 

Convidamos todo o Povo de Deus da Arquidiocese de Maringá  

Dia 24 de março
19h30m
Paróquia São Mateus Apóstolo 

'Não tenham medo’ é assim que o nosso Deus manifesta, com esse profético convite e Jesus Ressuscitado repete a frase todas as vezes em que aparece a suas discípulas e aos seus discípulos.

Um convite que ajuda a enfrentar momentos sombrios, difíceis, de perseguição, na certeza que o nosso Deus está sempre ao lado de cada um de nós....isso é lindo.

Imaginemos a vida de um mártir, os momentos antes do próprio martírio.  São muito os mártires da caminhada, mulheres e homens de todos os tempos.

Vamos nesse dia celebrar a memória de Dom Oscar Romero, dos mártires da caminhada, assumindo um compromisso atualizado com as causas pelas quais elas e eles deram a vida, para fortalecer nossa consciência crítica, nossa união ecumênica e nossa esperança pascal.

Celebração dos Mártires agora faz parte da programação anual da Arquidiocese de Maringá

Tem por objetivo fazer memória aquelas e aqueles que deram a vida pela causa do Reino, que morreram lutando com fé e esperança no Deus da vida. Foram profetas, santas e santos e mártires que profetizaram sem medo, lutaram pela justiça do povo oprimido e marginalizado, pela igualdade e liberdade, pela inclusão social, pelo direito a terra, cuidado com a casa comum, moradia, pão, partilha da Palavra de Deus e a Eucaristia.

Construída pelas Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs, a Celebração do Mártires será celebrada no dia 24 de março de cada ano, dia do martírio de Dom Oscar Romero. O local será itinerante, conforme manifestação em acolher pelas regiões Pastoral.

Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora Leiga das CEBs na Arquidiocese de Maringá

Oração


"Senhor Jesus, ensina-me, mais uma vez, que a liberdade verdadeira, e a felicidade duradoira, consistem na vivência do amor, que se faz dom generoso e incondicional, que se faz obediência humilde e alegre. Infunde em mim a tua força, o teu santo Espírito, para que cumpra a Lei Antiga e Nova, não em atitude de escravo, mas de filho, em atitude de homem verdadeiramente livre. Assim, a vontade do Pai tornar-se-é para mim, como foi para Ti, alimento saboroso que me fará progredir na liberdade e na felicidade. Ajuda-me a ser livre e fazer livremente aquilo para que me criaste, para que jamais volte a cair na escravidão e na infelicidade. Não se faça o que eu quero, mas o que o Pai quer de mim. Amém."

Fonte: Dehonianos

02 março, 2018

Fim do Bolsa Verde deixa mais de 50 mil pessoas em situação de extrema pobreza desamparadas

O Bolsa Verde é um programa de transferência de renda para famílias em situação de extrema pobreza que vivem em áreas de relevância para a conservação ambiental. Funciona como um incentivo às comunidades para que continuem usando, de forma sustentável, os territórios onde vivem.

Esse benefício, criado no âmbito do plano Programa Brasil Sem Miséria, é destinado àqueles que desenvolvem atividades de uso sustentável dos recursos naturais em Reservas Extrativistas, Florestas Nacionais, Reservas de Desenvolvimento Sustentável federais e Assentamentos Ambientalmente Diferenciados da Reforma Agrária. Também podem ser inclusos no Programa territórios ocupados por ribeirinhos, extrativistas, populações indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais, além de outras áreas rurais definidas por ato do Poder Executivo. O Programa representa um passo importante na direção de reconhecer e compensar comunidades tradicionais e agricultores familiares pelos serviços ambientais que prestam à sociedade.

O Bolsa Verde - instituído pela Lei nº 12.512, de 14 de outubro de 2011, e regulamentado pelo Decreto nº 7.572 , de 28 de setembro de 2011 – possui como objetivos:

1) incentivar a conservação dos ecossistemas (manutenção e uso sustentável), 
2) promover a cidadania e melhoria das condições de vida, 
3) elevar a renda da população em situação de extrema pobreza que exerça atividades de conservação dos recursos naturais no meio rural, e
4) incentivar a participação dos beneficiários em ações de capacitação ambiental, social, técnica e profissional.

Abaixo uma reportagem de Maurício Angelo, publicada por Amazônia Inesc, 23-02-2018.



Fim do Bolsa Verde deixa mais de 50 mil pessoas em situação de extrema pobreza desamparadas 

Diversos movimentos caminham para agravar ainda mais a brutal diferença existente entre a realidade brasileira do topo e da base da pirâmide. É o caso do fim do Bolsa Verde, extinto definitivamente pelo governo Michel Temer em 2018 após já ter sido drasticamente reduzido em 2017. Com isso, aproximadamente 50 mil pessoas em situação de extrema pobreza deixam de receber R$ 300 a cada três meses. Sim, convém repetir: R$ 100 reais por mês para cada família que, com isso, assumia também o compromisso de preservar o ambiente em que vivem, caso de assentamentos, reservas extrativistas e área ribeirinha.

O corte radical do programa em um contexto de recrudescimento da pobreza e extrema pobreza, de desmonte de outras políticas públicas, e ainda mais com a drenagem de recursos para “Reservas de Contingência”, denota um quadro angustiante de desrespeito à população mais vulnerável – em especial na Amazônia, seu principal foco geográfico – e que tanto contribui para preservar a floresta. O fim do Bolsa Verde faz parte de um quadro maior de corte no orçamento e “fake orçamento” do Ministério do Meio Ambiente de R$ 422 milhões que condenam políticas públicas socioambientais à míngua e à extinção.

Do outro lado da pirâmide social, um juiz federal debocha do país ao defender o seu “direito” de recorrer à justiça para pedir auxílio moradia duplo – para ele e para a esposa, que também é juíza e moram juntos – e o juiz encarregado de analisar o pedido se declara impedido porque está requerendo a mesmíssima coisa. E então somos lembrados que o Brasil gasta, em média, R$ 1 bilhão por ano apenas com auxílio moradia para membros judiciário e Ministério Público.

01 março, 2018

Papa: "acompanhar doentes terminais na difícil provação do fim da vida"


Em mensagem a participantes de congresso sobre curas paliativas, Francisco reflete sobre o momento em que o ser humano se confronta com 'um limite insuperável, que pode suscitar rebelião e angústia'.

Cidade do Vaticano

A Pontifícia Academia para a Vida está organizando nos dias 28/02 e 01/03, em Roma, o congresso internacional “Tratamentos paliativos: em todos os lugares e para todos. Tratamentos paliativos em todas as regiões, para todas as religiões e crenças”.

Será também apresentado oficialmente o Projeto PAL-Life para a difusão global de terapias paliativas. O objetivo principal do congresso é promover o diálogo e a cooperação entre os diferentes atores envolvidos no exercício e na difusão dos tratamentos paliativos e tutelar a dignidade da pessoa doente, assumindo a sua vulnerabilidade.

Aberto pelo Presidente da Academia, arcebispo Vincenzo Paglia, o evento recebeu uma mensagem do Papa Francisco, enviada pelo Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin.

O ser humano e o momento da morte

Os temas tratados, escreve, dizem respeito aos momentos conclusivos de nossa vida terrena, quando o ser humano se confronta com um limite insuperável, que pode suscitar rebelião e angústia.

Os tratamentos paliativos demonstram, no âmbito da medicina, a consciência de que este limite não deve ser apenas combatido e adiado, mas também reconhecido e aceito. “E isto significa não abandonar as pessoas doentes, mas estar próximos delas e acompanhá-las na difícil provação no fim da vida”.

Encontro e comunhão, acompanhamento e família 

Francisco afirma que “quando todos os recursos do ‘fazer’ parecem se acabar, emerge o aspecto mais importante nas relações humanas, que é o ‘ser’: ser próximos e acolhedores, compartilhando também a sensação de impotência de quem chega ao ponto extremo da vida".

“ Neste momento, o limite pode mudar de significado: deixa de ser separação e solidão para ser ocasião de encontro e comunhão ”

A mensagem sublinha ainda as dimensões do acompanhamento espiritual, da oração e da família neste percurso: “Nas fases finais da vida, a rede familiar, por mais frágil e desagregada, constitui sempre um elemento fundamental”.

Os progressos e a oportunidade da terapia da dor

O Papa ressalta outro tema atual: a terapia da dor, ou seja, a legitimidade de administrar analgésicos para aliviar sofrimentos diante da morte iminente, mesmo que possam encurtar a vida do paciente.

O emprego destes procedimentos – adverte o Papa – requer sempre um atento discernimento e muita prudência, pois a sedação profunda anula a dimensão comunicativa, o que é crucial no acompanhamento das terapias paliativas. Portanto – recomenda – deve ser usada em casos extremos.

Enfim, Francisco afirma que a complexidade e a delicadeza dos temas impõem uma reflexão profunda e neste sentido, elogia a participação de representantes de diferentes religiões e culturas no congresso, em um esforço comum de aprendizagem e engajamento.


Fonte: Vatican News

Oração


"Senhor Jesus, que sendo rico Te fizeste pobre por nosso amor, para nos tornar participantes da tua riqueza, dá-nos um coração de pobre que confie apenas em Ti e saiba ser solidário com todos os lázaros desta pobre humanidade. Que jamais caiamos na tentação de cortar relações com eles nesta vida terrena, para que possamos tê-Ias, com eles e Contigo, na vida eterna.
Durante esta Quaresma, queremos colocar-nos entre os pobres e pecadores, não para sermos coniventes e cúmplices no pecado, mas para sentirmos verdadeira necessidade da tua graça, e caminharmos para Ti certos de que seremos libertados das nossas culpas. Confiamos em Ti, Senhor, jamais seremos confundidos. Amém."

Fonte: Dehonianos

28 fevereiro, 2018

'Deus é jovem': um livro envolvente e fascinante para todas e todos

 segundo livro do Papa Francisco. 



'Deus é jovem': um livro envolvente e fascinante para todas e todos

O  segundo livro do Papa Francisco. 


Segundo Pe. Joãozinho, tradutor da versão em português para o Brasil o livro abre uma série de pistas concretas para entender e atender o jovem de hoje.

O livro leva entender a cabeça e o coração, as ideias e os sonhos, os perigos e os dramas da nova geração de adolescentes e jovens. 

Livro importante para formadores de opinião, educadores, pais, líderes de comunidade, sacerdotes, pregadores.

Lançamento mundial em 6 línguas

Mais de 20 países irão lançar simultaneamente o segundo livro do Papa Francisco. 

Após ‘O nome de Deus é misericórdia’ (2016), que ultrapassou a cifra de 200.000 exemplares vendidos só no Brasil, o segundo livro do papa ‘Deus é jovem’ será lançado no dia 20 de março. 

Oração


" Obrigado Senhor Jesus, porque, com doçura e firmeza nos conduziste pelo caminho da cruz. Quando nos apontas o Calvário, talvez nos escandalizemos como Pedro, talvez discutamos entre nós sobre quem é o maior, talvez Te apresentemos pedidos de privilégio e de poder. Tem paciência connosco, diz-nos e repete-nos que a verdadeira grandeza está em servir e em dar a vida pelos amigos e inimigos. Como bom pedagogo, conduz-nos pela mão pelas várias etapas, rumo à vida, à alegria eterna. Contigo saberemos passar pelas provações, beber o cálice e aguardar a recompensa que só o Pai nos destina e quer dar. O importante é aprendermos Contigo a amar e a servir até dar a vida para que todos experimentem a graça da para redenção. Amém."

Fonte: Dehonianos

27 fevereiro, 2018

I Encontro de Diálogo com os Movimentos Populares do DF e região metropolitana

Veja o vídeo 
I Encontro de Diálogo com os Movimentos Populares do DF e região metropolitana 

Se não estiver enganada, foi em novembro de 2017.

A Comissão de Justiça e Paz de Brasilia convidou os movimentos populares do Distrito Federal e da região metropolitana, para uma manhã de conversa, com o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB dom Sérgio Rocha, junto secretário geral da CNBB dom Leonardo Steiner.

O encontro foi mediato por Daniel Seidel, membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz.

 

23 fevereiro, 2018

Papa: a Igreja deve abrir-se e não se mumificar

Veja imagens da saudação do Papa Francisco ao Pe. Tolentino, na conclusão dos Exercícios Espirituais de Ariccia.


Ao concluir os Exercícios Espirituais de Quaresma, o Papa Francisco agradeceu ao Padre português José Tolentino de Mendonça pelas meditações propostas nesses cinco dias de retiro. O tema das dez reflexões foi “O elogio da sede”.

Antes de regressar ao Vaticano, o Pontífice se dirigiu ao Pe. Tolentino falando em nome de todos os seus colaboradores presentes em Ariccia, na Casa “Divino Mestre”. Eis as palavras do Papa:

“Padre, gostaria de agradecer, em nome de todos, por este acompanhamento nesses dias, que hoje se prolongarão com o dia de oração e jejum pelo Sudão do Sul, o Congo e também a Síria.

Obrigado, Padre, por nos ter falado da Igreja, por nos ter feito sentir a Igreja, este pequeno rebanho. E também por nos ter advertido a não “diminui-lo” com as nossas mundanidades burocráticas! Obrigado por nos ter recordado que a Igreja não é uma gaiola para o Espírito Santo, que o Espírito voa também fora e trabalha fora. E com as citações e as coisas que o senhor nos disse, nos fez ver como trabalha nos não crentes, nos ‘pagãos’, nas pessoas de outras confissões religiosas: é universal, é o Espírito de Deus, que é para todos. Também hoje existem os “Cornélios”, “centuriões”, “guardiões da prisão de Pedro” que vivem uma busca interior ou sabem também distinguir quando há algo que chama. Obrigado por esta chamada a nos abrir sem medo, sem rigidez, para sermos suaves no Espírito e não nos mumificar nas nossas estruturas que nos fecham. Obrigado, padre. E continue a rezar por nós. Como dizia a mãe superiora às irmãs: “Somos homens!”, pecadores, todos. Obrigado, padre. E que o Senhor o abençoe.”

Fonte: Vatican News

“As pessoas pensam que freiras são bobinhas. Como podem escrever literatura?”


Uma das escritoras mais talentosas da literatura brasileira contemporânea tem 75 anos, é freira missionária e vive fora do eixo cultural mais batido do país. Maria Valéria Rezende (Santos, 1942) não é o que se espera de um “novo nome das letras nacionais” e nem de uma “freira/veterana/escritora juvenil”, como ela mesma conta que já a descreveram por aí. Autora dos premiados romances Quarenta dias, vencedor do Jabuti em 2015, e Outros cantos, que em janeiro recebeu o prêmio Casa das Américas de 2016, Maria Valéria não espera encaixar no que costumam dizer sobre ela. À sua maneira discreta, porém franca e divertida, ela se faz conhecer através de uma escrita inventiva, solta e profunda, sem jamais ser pesada. Descobriu-se escritora – não só de romances, mas de contos, crônicas e de literatura infantojuvenil – aos 60 anos. Eis a primeira surpresa.

A entrevista é de Camila Moraes, publicada por El País, 23-02-2017.


De João Pessoa, onde vive com outras três irmãs de sua congregação, a voz rouca de Maria Valéria ao telefone sobe alguns tons em emoção e volume quando relembra os anos vividos em Cuba. Nessa época, em que era parte de uma rede latino-americana de alfabetização popular, ela tomava café com Gabriel García Márquez e caminhava pelas ruas de Havana com Fidel Castro. “Era interessante, porque não era escritora, nem nada. Eu era uma formiguinha. Mas uma formiguinha que tinha a sorte de estar em lugares interessantes”, diz ao El País.

Este ano, “depois de passar a vida inteira andando pelo mundo” como educadora, Maria Valéria trabalha em seu quarto romance, Carta à rainha louca. O livro aborda histórias de mulheres brasileiras do período colonial, mas para ela fala da realidade “das mulheres brasileiras de sempre”. A freira escritora não planejou, mas ao parecer lança este ano uma obra de veia feminista. Mais uma surpresa para quem tenta encaixá-la nas manchetes dos jornais.

Eis a entrevista.

Quando as pessoas falam de você ao abordar seus livros, elas parecem mais surpresas pelo fato de você ser freira do que escritora e educadora. Por quê?

Acho que maioria tem uma ignorância absoluta em relação às freiras. Imaginam que a pessoa vai ser freira e fica ali toda reprimida, trancada. Mas nós somos leigas, ou seja, não somos membros do clero. Apenas optamos por viver em comunidade e fizemos três votos, que para nós são votos de liberdade: o de castidade, pelo qual você não está preso à família, nem a ninguém, e está disponível para ir aonde for preciso; o de pobreza, que na verdade é um voto de partilha pelo qual você não fica preso a uma carreira profissional, e por fim o voto da obediência, que é uma discussão com a comunidade, uma obediência aos apelos. Passei a minha vida inteira andando pelo mundo. Ainda assim, as pessoas têm aquela ideia de que as freiras são meio bobinhas, meio burrinhas [risos]... Como pode escrever literatura e ainda ganhar prêmio? Inclusive, muitos jornais – tranquilamente, sem me perguntar nada – escrevem que sou “ex-freira”. Porque para eles é inconcebível que uma freira que continua a ser freira tenha o mínimo de inteligência. O fato é que nossa vida é o contrário do que propaga o modelito oficial.

Você faz muitas coisas ao mesmo tempo. Ser freira em algum momento foi um porém para conciliar tantas atividades?

Já tenho 75 anos e, como todo mundo, não sou obrigada a fazer nada. Se continuo a ser freira, é porque continuo a acreditar que o serviço aos outros é a forma melhor de encarnar o evangelho. E vivo atarefada, porque se aparece alguém com um problema, quero logo resolver, ainda que isso seja mais difícil aos 75. Quando escolhi esse caminho, perguntava-se para as adolescentes assim: “Você já resolveu se quer casar ou quer ser freira?”. Eu, que sou a mais velha de seis irmãos, já tinha cuidado de criança a vida toda e, além disso, tinha fé (não só fiz uma opção pragmática)... Eu queria andar pelo mundo, então era muito mais inteligente ser freira missionária. De fato, não me decepcionei nem um pouquinho. Dei três voltas ao mundo sem nunca pagar passagem, porque toda a vida fui chamada para trabalhar aqui e ali.

A Casa das Américas, um coração de cultura latino-americana em Cuba, premiou recentemente seu romance Outros cantos. Que importância tem esse reconhecimento para você?

É um prêmio que me emociona muito, porque convivi com muita gente de lá quando trabalhei em Cuba. Meus laços com a América Latina têm origem na ditadura militar brasileira, quando o pessoal ligado ao movimento da teologia da libertação e às comunidades de bairro da Igreja Católica passou a se dedicar à alfabetização em toda a região. A gente reconstruiu, ao longo dos anos 60 e 70, uma rede de educação popular. Em 1979, quando houve Revolução Sandinista, a primeira grande ação tomada na Nicarágua foi alfabetizar todo o povo. Foi gente de todos os países latino-americanos para lá. Em Cuba, também fizeram uma cruzada de alfabetização no começo da Revolução Cubana. Lá houve um encontro muito interessante, porque a metodologia era outra, já que eles tinham uma ideia completamente diferente da Igreja Católica. Não entendiam como a gente podia ser católico e apoiar uma revolução socialista [risos]... A Casa das Américas, ainda que fosse mais dirigida à Cultura no sentido mais restrito, assumiu um papel natural de interlocutor. Criamos então uma comissão latino-americana, que era formada por uma pessoa da Casa e os educadores da América Latina. Eu coordenava essa equipe, então ia todo ano para lá. Faz 20 anos que não volto a Cuba, por razões variadas. Mas muitos amigos me escreveram quando saiu o prêmio.

O que você mais guarda da sua experiência em Cuba?

Fiquei hospedada um tempo em uma casa oficial do Governo cubano ao lado da casa onde fica o Gabriel García Márquez. Ele gostava de tomar café num quiosque na rua com uma porção de gente, vizinhos etc. Eu ficava lá, junto, batendo papo, contando histórias do interior do Nordeste e coisas assim. O Fidel era uma pessoa interessantíssima também. Tinha uma memória brutal. E um interesse em conversar comigo, porque eu vinha da zona canavieira e ele tinha uma curiosidade de saber como era a vida dos trabalhadores da cana. O que dizem do Fidel não tem nada a ver com o que ele é ao vivo. O problema quando começa a virar mito ­– a favor e contra – é que surgem lendas, e isso atrapalha muito o contato pessoal. Eu, por exemplo, andei com ele no meio da rua, em Havana Velha, sem nenhum aparato

Hoje a relação entre latino-americanos parece ser muito mais fria do que nesse tempo. A que se deve isso, na sua opinião?

Acho que ela vai reaquecer por causa do muro do Trump, né? Ele deve terminar unindo tudo o que está para baixo da fronteira dos Estados Unidos com o México. Naquela época, a aproximação veio muito por causa da resistência às ditaduras e do processo de libertação desses regimes para tentar construir um mundo melhor, mais democrático, de baixo para cima, através dos movimentos populares. Hoje também estamos passando por uma reação, mas não sabemos aonde isso vai parar.

Alguns acontecimentos da sua vida pessoal inspiram sua literatura. De que maneira o que você viveu está nos seus livros?

Não é que inspirem no sentido literal. Eu respirei o mundo inteiro, e isso entrou pelos meus cinco sentidos. Há uma variedade de lembranças, sensações, impressões... e é com isso que eu construo a minha literatura, sem dúvida nenhuma. Porque a minha cabeça nasceu vazia e tudo o que está lá dentro é porque entrou. Não fiz estudos de teoria literária, oficina de escrita criativa, nada disso. Então, o que escrevo só pode vir do que vi, ouvi, senti, cheirei, andei... Minha matéria prima certamente é isso e o que eu li toda a minha vida, uma média de 1.000 páginas por semana. Quando vivia no interior, não tinha nada para fazer de noite, então lia cinco, seis horas por dia. Não tenho preconceitos com literatura, não. Li tudo quanto é best seller. É uma coisa informativa, ajuda a completar o que a gente conhece do mundo.

Seu novo romance, Carta à rainha louca, que já vai avançado, traz histórias de mulheres brasileiras do período colonial. Há por trás dele um olhar feminista, que dialoga com a realidade de hoje?

Ele fala das mulheres brasileiras de sempre. Uma época, fiz muita pesquisa histórica sobre a era colonial no Brasil e no resto da América Latina. Era uma pós-graduação que fiz, e eu tinha muito material que ficou guardado. Tento fazer esse livro com uma linguagem plausível no século XVII e legível no século XXI. Na verdade, desconfio da minha cabeça de século XXI para falar no lugar de uma mulher do século XVIII. Então, a mulher diz uma porção de coisas que seria impossível ela dizer no século XVIII. Mas aí ela rasura. Porque ela diz “eu devo estar louca de estar pensando numa coisa dessas, que eu nunca ouvi ninguém dizer”. Acho que é uma maneira metafórica de dizer que muita coisa é verdade ainda. Não pensei “vou fazer um livro feminista”, mas ele se torna... Demoro muitos anos para escrever um romance. Escrevo três, quatro ao mesmo tempo. Então, o que vai acontecendo enquanto escrevo vai mexendo no meu texto. Mesmo que o texto não se refira diretamente a isso. É o caso desse livro.

Em que medida os prêmios literários são importantes?

Para mim, o Jabuti foi importante. Em parte, por mérito da imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro. Todos fizeram a mesma manchete: “Freira/veterana/escritora juvenil bate/derruba/desbanca/derrota Chico Buarque e Cristóvão Teeza”. Achei deselegante com eles mais do que comigo, porque ficaram repetindo que os caras foram vencidos por uma velhota desconhecida que só escreve livro juvenil e ainda por cima é uma freira. Por outro lado, isso ajudou também a despertar curiosidade. Por causa do Jabuti, 40 dias já vai pela quinta reimpressão. É provável que o prêmio da Casa das Américas também faça muito barulho. Ao menos, agora as manchetes já aparecem com o meu nome e não sai mais que eu bati em alguém. Também recebo muitas mensagens pelo Facebook de pessoas que me dizem que acabaram de ler Outros cantos. Tem que gente que diz: “Estou passando uma fase muito ruim da minha vida e seu livro me deu ânimo”. Coisas assim valem a pena. Nunca quis fazer livro de autoajuda, mas parece que a literatura ajuda.

22 fevereiro, 2018

XXXIII Jornada Mundial da Juventude

“Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus (Lc 1, 30).” Este é o tema da mensagem do Papa Francisco em preparação à XXXIII Jornada Mundial da Juventude, celebrada em nível diocesano no Domingo de Ramos (25 de março).

Segue a mensagem:

Mensagem do Santo Padre Francisco para a XXXIII Jornada Mundial da Juventude
(Domingo de Ramos, 25 de março de 2018)

«Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus» (Lc 1, 30)

Queridos jovens!

A Jornada Mundial da Juventude de 2018 constitui um passo mais na preparação da jornada internacional, que se realizará no Panamá em janeiro de 2019. Esta nova etapa da nossa peregrinação tem lugar no ano em que está convocada a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema: Os jovens, a fé e o discernimento vocacional. É uma feliz coincidência. A atenção, a oração e a reflexão da Igreja concentrar-se-ão sobre vós, jovens, no desejo de perceber e, sobretudo, «acolher» o dom precioso que vós sois para Deus, para a Igreja e para o mundo.

Como já sabeis, para nos acompanhar ao longo deste itinerário, escolhemos o exemplo e a intercessão de Maria, a jovem de Nazaré, que Deus escolheu como Mãe do seu Filho. Ela caminha connosco rumo ao Sínodo e à JMJ do Panamá. No ano passado, guiaram-nos as palavras do seu cântico de louvor – «O Todo-poderoso fez em Mim maravilhas» (Lc 1, 49) –, ensinando-nos a conservar na memória o passado; este ano, procuramos escutar, juntamente com Ela, a voz de Deus que infunde coragem e dá a graça necessária para responder à sua chamada: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus» (Lc 1, 30). São as palavras que o mensageiro de Deus, o arcanjo Gabriel, dirigiu a Maria, jovem simples duma pequena povoação da Galileia.

1. Não temas!

Compreensivelmente, a inesperada aparição do anjo e a sua saudação misteriosa («Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo»: Lc 1, 28) provocaram uma forte turbação em Maria, surpreendida por esta primeira revelação da sua identidade e da sua vocação, que Lhe eram ainda desconhecidas. Maria, como outras personagens da Sagrada Escritura, treme perante o mistério da chamada de Deus, que, dum momento para o outro, a confronta com a imensidão do desígnio divino e Lhe faz sentir toda a sua pequenez de humilde criatura. O anjo, lendo no fundo do coração d’Ela, diz-Lhe: «Não temas»! Deus lê também no nosso íntimo. Conhece bem os desafios que devemos enfrentar na vida, sobretudo quando nos deparamos com as opções fundamentais de que depende o que seremos e faremos neste mundo. É a «perplexidade» que sentimos face às decisões sobre o nosso futuro, o nosso estado de vida, a nossa vocação. Em tais momentos, ficamos turbados e somos assaltados por tantos medos.

E vós, jovens, quais são os medos que tendes? Que é que vos preocupa mais profundamente? Um medo «de fundo», que existe em muitos de vós, é o de não ser amados, bem-queridos, de não ser aceites por aquilo que sois. Hoje, há muitos jovens que, na tentativa de se adequar a padrões frequentemente artificiais e inatingíveis, têm a sensação de dever ser diferentes daquilo que são na realidade. Fazem contínuos «foto-retoques» das imagens próprias, escondendo-se por trás de máscaras e identidades falsas, até chegarem quase a tornar-se eles mesmos um «fake», um falso. Muitos têm a obsessão de receber o maior número possível de apreciações «gosto». E daqui, desta sensação de desajustamento, surgem muitos medos e incertezas. Outros temem não conseguir encontrar uma segurança afetiva e ficar sozinhos. Em muitos, à vista da precariedade do trabalho, entra o medo de não conseguirem encontrar uma conveniente afirmação profissional, de não verem realizados os seus sonhos. Trata-se de medos atualmente muito presentes em inúmeros jovens, tanto crentes como não-crentes. E mesmo aqueles que acolheram o dom da fé e procuram seriamente a sua vocação, por certo não estão isentos de medos. Alguns pensam: talvez Deus me peça ou virá a pedir demais; talvez, ao percorrer a estrada que Ele me aponta, não seja verdadeiramente feliz, ou não esteja à altura do que me pede. Outros interrogam-se: Se seguir o caminho que Deus me indica, quem me garante que conseguirei percorrê-lo até ao fim? Desanimarei? Perderei o entusiasmo? Serei capaz de perseverar a vida inteira?

Nos momentos em que se aglomeram no nosso coração dúvidas e medos, torna-se necessário o discernimento. Este permite-nos pôr ordem na confusão dos nossos pensamentos e sentimentos, para agir de maneira justa e prudente. Neste processo, o primeiro passo para superar os medos é identificá-los claramente, para não acabar desperdiçando tempo e energias a braços com fantasmas sem rosto nem consistência. Por isso, convido-vos, todos, a olhar dentro de vós próprios e a «dar um nome» aos vossos medos. Perguntai-vos: Hoje, na situação concreta que estou a viver, o que é que me angustia, o que é que mais temo? O que é que me bloqueia e impede de avançar? Porque é que não tenho a coragem de abraçar as decisões importantes que deveria tomar? Não tenhais medo de olhar, honestamente, para os vossos medos, reconhecê-los pelo que são e enfrentá-los. A Bíblia não nega o sentimento humano do medo, nem os inúmeros motivos que o podem provocar. Abraão teve medo (cf. Gn 12, 10-11), Jacob teve medo (cf. Gn 31, 31; 32, 8), e de igual modo também Moisés (cf. Ex 2, 14; 17, 4), Pedro (cf. Mt 26, 69-75) e os Apóstolos (cf. Mc 4, 38-40; Mt 26, 56). O próprio Jesus, embora a um nível incomparável, sentiu medo e angústia (cf. Mt 26, 37; Lc 22, 44).

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (Mc 4, 40). Esta advertência de Jesus aos discípulos faz-nos compreender como muitas vezes o obstáculo à fé não é a incredulidade, mas o medo. Neste sentido, o trabalho de discernimento, depois de ter identificado os nossos medos, deve ajudar-nos a superá-los, abrindo-nos à vida e enfrentando serenamente os desafios que ela nos apresenta. De modo particular para nós, cristãos, o medo nunca deve ter a última palavra, mas ser ocasião para realizar um ato de fé em Deus... e também na vida. Isto significa acreditar na bondade fundamental da existência que Deus nos deu, confiar que Ele conduz a um fim bom mesmo através de circunstâncias e vicissitudes muitas vezes misteriosas para nós. Se, em vez disso, alimentarmos os medos, tenderemos a fechar-nos em nós próprios, a barricar-nos para nos defendermos de tudo e de todos, ficando como que paralisados. É preciso reagir! Nunca fechar-se! Na Sagrada Escritura, encontramos 365 vezes a expressão «não temer», nas suas múltiplas variações, como se dissesse que o Senhor nos quer livres do medo todos os dias do ano.

O discernimento torna-se indispensável quando se trata da busca da própria vocação. Pois esta, na maioria das vezes, não aparece logo clara ou completamente evidente, mas vai-se identificando pouco a pouco. O discernimento, que se deve fazer neste caso, não há de ser entendido como um esforço individual de introspeção, cujo objetivo seria conhecer melhor os nossos mecanismos interiores para nos fortalecermos e alcançarmos um certo equilíbrio; porque, então, a pessoa pode tornar-se mais forte, mas permanece em todo o caso fechada no horizonte limitado das suas possibilidades e pontos de vista. Ao contrário, a vocação é uma chamada do Alto e, neste caso, o discernimento consiste sobretudo em abrir-se ao Outro que chama. Portanto, é necessário o silêncio da oração para escutar a voz de Deus que ressoa na consciência. Ele bate à porta dos nossos corações, como fez com Maria, desejoso de estreitar amizade connosco através da oração, falar-nos através da Sagrada Escritura, oferecer-nos a sua misericórdia no sacramento da Reconciliação, tornar-Se um só connosco na Comunhão Eucarística.

Mas é importante também o confronto e o diálogo com os outros, nossos irmãos e irmãs na fé, que têm mais experiência e nos ajudam a ver melhor e a escolher entre as várias opções. O jovem Samuel, quando ouve a voz do Senhor, não a reconhece imediatamente e três vezes foi ter com Eli, o sacerdote idoso, que acaba por lhe sugerir a resposta certa a dar à chamada do Senhor: «Se fores chamado outra vez, responde: “Fala, Senhor; o teu servo escuta”» (1 Sm 3, 9). Nas vossas dúvidas, sabei que podeis contar com a Igreja. Sei que há bons sacerdotes, consagrados e consagrados, fiéis-leigos – muitos deles também jovens –, que vos podem acompanhar como irmãos e irmãs mais velhos na fé; animados pelo Espírito Santo, serão capazes de vos ajudar a decifrar as vossas dúvidas e a ler o desígnio da vossa vocação pessoal. O «outro» é não apenas o guia espiritual, mas também quem nos ajuda a abrir-nos a todas as riquezas infinitas da existência que Deus nos deu. É necessário abrir espaços nas nossas cidades e comunidades para crescer, sonhar, perscrutar novos horizontes! Nunca percais o prazer de gozar do encontro, da amizade, o prazer de sonhar juntos, de caminhar com os outros. Os cristãos autênticos não têm medo de se abrir aos outros, de compartilhar os seus espaços vitais transformando-os em espaços de fraternidade. Não deixeis, queridos jovens, que os fulgores da juventude se apaguem na escuridão duma sala fechada, onde a única janela para olhar o mundo seja a do computador e do smartphone. Abri de par em par as portas da vossa vida! Os vossos espaços e tempos sejam habitados por pessoas concretas, relações profundas, que vos deem a possibilidade de compartilhar experiências autênticas e reais no vosso dia-a-dia.

2. Maria!

«Eu te chamei pelo teu nome» (Is 43, 1). O primeiro motivo para não temer é precisamente o facto de Deus nos chamar pelo nome. O anjo, mensageiro de Deus, chamou Maria pelo nome. Dar nomes é próprio de Deus. Na obra da criação, Ele chama à existência cada criatura com o seu nome. Por trás do nome, há uma identidade, aquilo que é único em cada coisa, em cada pessoa, aquela essência íntima que só Deus conhece profundamente. Depois, esta prerrogativa divina foi partilhada com o homem, a quem Deus concedeu dar um nome aos animais, às aves e até aos próprios filhos (cf. Gn 2, 19-21; 4, 1). Muitas culturas compartilham esta profunda visão bíblica, reconhecendo no nome a revelação do mistério mais profundo duma vida, o significado duma existência.

Quando chama pelo nome uma pessoa, Deus revela-lhe ao mesmo tempo a sua vocação, o seu projeto de santidade e de bem pelo qual essa pessoa será um dom para os outros e se tornará única. E mesmo quando o Senhor quer ampliar os horizontes duma vida, decide dar à pessoa chamada um novo nome, como faz com Simão, chamando-o «Pedro». Daqui veio o uso de adotar um nome novo quando se entra numa Ordem Religiosa, para indicar uma nova identidade e uma nova missão. A chamada divina, enquanto pessoal e única, exige a coragem de nos desvincularmos da pressão homogeneizadora dos lugares-comuns, para que a nossa vida seja verdadeiramente um dom original e irrepetível para Deus, para a Igreja e para os outros.

Assim, queridos jovens, ser chamados pelo nome é um sinal da nossa grande dignidade aos olhos de Deus, da sua predileção por nós. E Deus chama cada um de vós pelo nome. Vós sois o «tu» de Deus, preciosos a seus olhos, dignos de estima e amados (cf. Is43, 4). Acolhei com alegria este diálogo que Deus vos propõe, este apelo que vos dirige, chamando-vos pelo nome.

3. Achaste graça diante de Deus

O motivo principal pelo qual Maria não deve temer é porque achou graça diante de Deus. A palavra «graça» fala-nos de amor gratuito, não devido. Quanto nos encoraja saber que não temos de merecer a proximidade e a ajuda de Deus, apresentando antecipadamente um «currículo excelente», cheio de méritos e sucessos! O anjo diz a Maria que já achou graça diante de Deus; não, que a obterá no futuro. A própria formulação das palavras do anjo faz-nos compreender que a graça divina é ininterrupta, não algo fugaz ou momentâneo, e por isso nunca falhará. E no futuro também haverá sempre a graça de Deus a sustentar-nos, sobretudo nos momentos de prova e escuridão.

A presença contínua da graça divina encoraja-nos a abraçar, com confiança, a nossa vocação, que exige um compromisso de fidelidade que se deve renovar todos os dias. Com efeito, a senda da vocação não está desprovida de cruzes: não só as dúvidas iniciais, mas também as tentações frequentes que se encontram ao longo do caminho. O sentimento de inadequação acompanha o discípulo de Cristo até ao fim, mas ele sabe que é assistido pela graça de Deus.

As palavras do anjo descem sobre os medos humanos, dissolvendo-os com a força da boa nova de que são portadoras: a nossa vida não é pura casualidade nem mera luta pela sobrevivência, mas cada um de nós é uma história amada por Deus. O «ter achado graça» aos olhos d’Ele significa que o Criador entrevê uma beleza única no nosso ser e tem um desígnio magnífico para a nossa existência. Esta consciência, certamente, não resolve todos os problemas nem tira as incertezas da vida, mas tem a força de a transformar em profundidade. O desconhecido, que o amanhã nos reserva, não é uma obscura ameaça a que devemos sobreviver, mas um tempo favorável que nos é dado para viver a unicidade da nossa vocação pessoal e partilhá-la com os nossos irmãos e irmãs na Igreja e no mundo.

4. Coragem no presente

Da certeza de que a graça de Deus está connosco, provém a força para ter coragem no presente: coragem para levar por diante aquilo que Deus nos pede aqui e agora, em cada âmbito da nossa vida; coragem para abraçar a vocação que Deus nos mostra; coragem para viver a nossa fé sem a esconder nem atenuar.

Sim, quando nos abrimos à graça de Deus, o impossível torna-se realidade. «Se Deus está por nós, quem pode estar contra nós?» (Rm 8, 31). A graça de Deus toca o hoje da vossa vida, «agarra-vos» assim como sois, com todos os vossos medos e limites, mas revela também os planos maravilhosos do Senhor! Vós, jovens, precisais de sentir que alguém tem verdadeiramente confiança em vós: sabei que o Papa confia em vós, que a Igreja confia em vós! E vós, confiai na Igreja!

À jovem Maria foi confiada uma tarefa importante, precisamente porque era jovem. Vós, jovens, tendes força, atravessais uma fase da vida em que certamente não faltam as energias. Usai essa força e essas energias para melhorar o mundo, começando pelas realidades mais próximas de vós. Desejo que, na Igreja, vos sejam confiadas responsabilidades importantes, que se tenha a coragem de vos deixar espaço; e vós, preparai-vos para assumir estas responsabilidades.

Convido-vos ainda a contemplar o amor de Maria: um amor solícito, dinâmico, concreto. Um amor cheio de audácia e todo projetado para o dom de Si mesma. Uma Igreja impregnada por estas qualidades marianas será sempre uma Igreja em saída, que ultrapassa os seus limites e confins para fazer transbordar a graça recebida. Se nos deixarmos contagiar pelo exemplo de Maria, viveremos concretamente aquela caridade que nos impele a amar a Deus acima de tudo e de nós mesmos, a amar as pessoas com quem partilhamos a vida diária. E amaremos inclusive quem nos poderia parecer, por si mesmo, pouco amável. É um amor que se torna serviço e dedicação, sobretudo pelos mais fracos e os mais pobres, que transforma os nossos rostos e nos enche de alegria.

Gostaria de concluir com as encantadoras palavras pronunciadas por São Bernardo numa famosa homilia sobre o mistério da Anunciação, palavras que manifestam a expetativa de toda a humanidade pela resposta de Maria: «Ouviste, ó Virgem, que conceberás e darás à luz um filho; ouviste que isso não será por obra de varão, mas por obra do Espírito Santo. O anjo aguarda a resposta; também nós, Senhora, esperamos a tua palavra de misericórdia. A tua breve resposta pode renovar-nos e restituir-nos à vida. Todo o mundo, prostrado a teus pés, espera a tua resposta. Dá depressa, ó Virgem, a tua resposta» (Hom. 4, 8-9: Opera omnia, Edit. Cisterc. 4 (1966), 53-54).

Queridos jovens, o Senhor, a Igreja, o mundo esperam também a vossa resposta à vocação única que cada um tem nesta vida! À medida que se aproxima a JMJ do Panamá, convido-vos a preparar-vos para este nosso encontro com a alegria e o entusiasmo de quem deseja fazer parte duma grande aventura. A JMJ é para os corajosos! Não para jovens que procuram apenas a comodidade, recuando à vista das dificuldades. Aceitais o desafio?

Vaticano, 11 de fevereiro – VI Domingo do Tempo Comum e Memória de Nossa Senhora de Lurdes – de 2018.
 

FRANCISCO

Oração


"Senhor, hoje, quero aprender a apresentar-Te os meus pedidos sem condicionar as tuas respostas, porque sei que só dás coisas boas a quem Te pede. Tu não és um distribuidor automático, que dás necessariamente aquilo que Te é pedido, nem a oração é magia para obter um qualquer efeito pretendido. Quero pedir-Te confiadamente e com perseverança aquilo que julgo importante pata mim, para a Igreja, para o mundo. Mas deixo-te o cuidado de encontrar a melhor solução, de escolheres o dom que me queres fazer. E estou certo que sempre o farás com uma criatividade que em muito ultrapassará os meus pedidos. E, quando me deres o que Te peço, aproveitarei essa graça para crescer na união Contigo, transformando o teu dom em instrumento de progresso espiritual, abrindo-me ao teu amor e ao amor dos irmãos. Amém."

Fonte: Dehonianos

21 fevereiro, 2018

A população mundial por grupos de países: 1950-2100, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

"Na revisão de 2010, a população mundial chegaria a 9,3 bilhões de habitantes em 2050 e de 10,1 bilhões de habitantes em 2100. Na revisão 2017, os números para a população total subiram mais ainda, para 9,8 bilhões em 2050 e 11,2 bilhões em 2100." 



O  artigo é de  José Eustáquio Diniz Alves, publicado por  EcoDebate , 21/02/2018.

A Divisão de População da ONU divulgou, em 21 de junho de 2017, a atualização dos cenários das projeções populacionais para todos os países e regiões. Na revisão de 2010, a população mundial chegaria a 9,3 bilhões de habitantes em 2050 e de 10,1 bilhões de habitantes em 2100. Na revisão 2017, os números para a população total subiram mais ainda, para 9,8 bilhões em 2050 e 11,2 bilhões em 2100.

O motivo da diferença está na redução mais lenta das taxas de fecundidade nos países de renda média (menos desenvolvidos) e baixa (muito menos desenvolvidos). Na revisão de 2010 da UN/ESA, a projeção da população em 2100 dos países desenvolvidos era de 1,33 bilhão, dos países menos desenvolvidos de 6,1 bilhões e dos países muito menos desenvolvidos de 2,7 bilhões. Na revisão 2017, os números passaram para 1,28 bilhão, 3,2 bilhões e 6,7 bilhões, respectivamente, conforme mostra o gráfico acima.

Ou seja, a população dos países desenvolvidos, com 1,26 bilhão de habitantes em 2017, deve ficar praticamente estável até 2100 (mesmo recebendo imigrantes dos países mais pobres). Em compensação, as projeções para os países não desenvolvidos indicam um aumento maior do que o previsto anteriormente. Isto porque as taxas de fecundidade não estão caindo no ritmo projetado anteriormente.

A população mundial em 2017 foi estimada em 7,6 bilhões de habitantes e projetada para 8,6 bilhões em 2030. O mundo terá mais 1 bilhão de habitantes nos próximos 13 anos e praticamente a totalidade deste incremento vai ocorrer nos países menos desenvolvidos (renda média) ou muito menos desenvolvidos (renda baixa).
O gráfico abaixo mostra que a população dos países desenvolvidos representava 32,1% do total em 1950 e deve cair para 11,5% em 2100. O percentual dos países menos desenvolvidos (renda média) deve se manter praticamente estável em torno de 60%. O percentual dos países muito menos desenvolvidos (renda baixa) vai subir de 7,7% do total populacional de 1950 para 28,6% em 2100.


O maior crescimento demográfico do século XXI deve ocorrer no grupo dos países mais pobres. O mundo caminha para uma situação em que os países desenvolvidos vão ter que enfrentar os problemas decorrentes do envelhecimento populacional, enquanto os países pobres, especialmente da África Subsaariana, vão ter que enfrentar os problemas decorrentes da “bolha de jovens” com poucas oportunidades de educação e emprego. A migração poderia ser uma solução parcial, mas dificilmente o fluxo de pessoas conseguirá romper as barreiras da xenofobia e das dificuldades de integração de populações com características econômicas, sociais e culturais tão diversas. A crise migratória do Mediterrâneo deve se agravar ao longo do século.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que existam 225 milhões de mulheres sem acesso aos métodos de regulação da fecundidade. Isto quer dizer que é grande o número de gravidez indesejada, especialmente entre as pessoas mais pobres e mais necessitadas. Nem os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) e nem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) realizaram os devidos esforços para universalizar o acesso à saúde sexual e reprodutiva.

O mundo de hoje, com 7,6 bilhões de habitantes, já tem uma Pegada Ecológica 68% maior do que a biocapacidade da Terra e já ultrapassou 4 das 9 fronteiras planetárias, segundo metodologia do Stockholm Resilience Centre. O aquecimento global e a degradação dos ecossistemas agravam as perspectivas para as próximas décadas. Um acréscimo de quase 4 bilhões de habitantes nos próximos 83 anos vai colocar um grande desafio para a humanidade, que terá de garantir qualidade de vida para toda esta população, sem comprometer ainda mais as condições do meio ambiente e a garantia dos direitos da biodiversidade.

Melhor seria se o mundo tivesse no caminho do decrescimento demoeconômico. Com menos pessoas e menor consumo a Pegada Ecológica poderia ficar em equilíbrio com a biocapacidade do Planeta e a humanidade poderia respeitar as fronteiras planetária e viver harmoniosamente dentro da comunidade biótica, evitando a 6ª extinção em massa das espécies. A Terra seria um lugar melhor com menos gente e mais biodiversidade.

Referências:

UN Population Division (2017). World Population Prospects: The 2017 Revision
https://esa.un.org/unpd/wpp/

Classification of countries by region, income group and subregion of the world
https://esa.un.org/unpd/wpp/General/Files/Definition_of_Regions.pdf

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br