Segue um texto, escrevi para uma reflexão:
Eleições 2026: à luz do Evangelho, que projeto de sociedade queremos?
Jesus não nos deixou uma lista de candidatas e candidatos, nem indicou partidos. Mas nos mostrou, por suas palavras e atitudes, um caminho para construir relações humanas segundo o projeto de Deus: colocando no centro a vida, a dignidade humana, a justiça, a fraternidade e o cuidado com as pessoas mais vulnerabilizadas.
Ao anunciar sua missão, Jesus proclama:
“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou para anunciar a Boa-Nova aos pobres...” (Lc 4,18).
Diante das Eleições 2026, essa Palavra nos provoca a olhar para a realidade do nosso povo e perguntar: que projeto de sociedade queremos construir?
Não basta conhecer promessas de campanha. É importante conhecer propostas, trajetórias e compromissos concretos. Precisamos perguntar: quais candidaturas apresentam caminhos para enfrentar a pobreza, a fome, a exclusão e a violência? O que propõem para a saúde, a educação, a moradia, o trabalho, a renda e o acesso aos direitos? Como compreendem a democracia, a participação popular, as políticas públicas e o cuidado com a Casa Comum?
A escolha eleitoral, para quem vive a fé cristã, pode ser também um exercício de responsabilidade cidadã. Não se trata de uma atuação partidária da Igreja, mas de uma presença cidadã e profética na sociedade, comprometida com o bem comum e com a dignidade de todas e todos.
Por isso, talvez a pergunta não seja: Qual candidata ou candidato é de Jesus? Essa resposta não cabe a nós dar em nome de Jesus.
A pergunta que podemos fazer é outra:
Quais critérios do Evangelho devem orientar nossas escolhas?
Jesus nos ensina a reconhecer sua presença nas pessoas que têm fome, sede, estão sem moradia, doentes, excluídas ou necessitadas de cuidado (cf. Mt 25,31-46). Isso nos desafia a olhar para as propostas políticas a partir da vida concreta das pessoas, especialmente daquelas que mais sofrem.
E a responsabilidade não termina no dia da votação. Participar da democracia também significa acompanhar as pessoas eleitas, fiscalizar, cobrar compromissos, participar dos espaços públicos, fortalecer a organização popular e contribuir para a construção de políticas públicas que promovam a vida e o bem comum.
Nas Eleições 2026, somos chamadas e chamados a escolher com liberdade, consciência e responsabilidade. O Evangelho não nos entrega nomes; oferece-nos critérios. E nos convida a colocar a vida, a dignidade humana, a justiça, os pobres, o bem comum e a Casa Comum no centro das nossas escolhas.

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