07 outubro, 2025

O que restará sob os escombros de Gaza?

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O que restará sob os escombros de Gaza?

Hoje, 7 de outubro de 2025, completam-se dois anos do genocídio em Gaza. Dois anos de ataques constantes, sistemáticos e criminosos contra um povo cercado, mas não vencido. Dois anos que se somam a décadas de resistência e sofrimento. Em 1948, quando a ONU reconheceu o Estado de Israel e dividiu a Palestina entre árabes e judeus, marcou o que os palestinos chamam de Nakba, palavra árabe que significa catástrofe, desastre.

Passaram-se 77 anos, e a catástrofe segue em curso. O cerco, o deslocamento forçado, a limpeza étnica, as prisões arbitrárias, torturas e as demolições sistemáticas. O bloqueio imposto a Gaza desde 2007 transformou a região em uma prisão a céu aberto — e, desde 2023, tornou-se um campo de extermínio televisionado, assistido em tempo real, comentado, compartilhado, mas não interrompido. O que mais é preciso para cessar essas violações?

O Brasil de Fato acompanha essa cobertura desde o início, com o compromisso de nomear o que tantos tentam suavizar. Chamamos de genocídio porque é o que é. Enquanto a mídia comercial e ocidental insiste em justificar o indefensável, relativizar as mortes palestinas, dramatizar as israelenses e, sobretudo, omitir as causas, nós reafirmamos nossa escolha por um jornalismo comprometido com a verdade e com os povos do mundo.

Mais um ano de cobertura, e não há celebração. Mais um ano de violações, fome e desespero. Mais um ano também de resistência, de Flotilhas que insistem em romper o bloqueio, como a mais recente, interceptada e sequestrada em águas internacionais — médicos, jornalistas, ativistas e toneladas de ajuda humanitária impedidos de chegar a um povo. Mais um ano de vetos vergonhosos, como o dado pelos Estados Unidos na ONU, impedindo novamente uma resolução que exige cessar-fogo imediato. É de dilacerar o coração — de quem o tem.

O mundo vê. As explosões em Gaza são ouvidas, filmadas, transmitidas. O que falta não é informação. É vontade política, compromisso ético e humano. As imagens percorrem as telas — crianças famintas, corpos sob escombros, hospitais colapsados — e ainda há quem se recuse a chamar de crime o que é evidente.

Como alguém pode não se sensibilizar? Não se importar? Justificar tamanha barbárie? Tudo se resume às narrativas — as mesmas que sustentam ocupações, naturalizam massacres e apagam povos ao longo de séculos. E é contra essas narrativas que o jornalismo deve se opor.

O que restará sob os escombros de Gaza? Além dos corpos desaparecidos, carteiras escolares partidas ao meio; estetoscópios que um dia salvaram vidas; ferramentas que ergueram lares; brinquedos, roupas de bailarinas e fantasias infantis; câmeras de jornalistas — milhões de sonhos e futuros interrompidos. E comprometidos por essa dura realidade de perder pais, filhas, amigos, companheiros e companheiras.

Quando os sonhos morrem, que sentimentos ocupam seu lugar? Raiva. Indignação. Um desejo profundo de justiça. Esperar que a história termine quando o último prédio for demolido é não compreender o que move a luta palestina. Porque sob os escombros há raízes, e raízes não se extinguem — se espalham.

E oscilando entre uma realidade brutal e o otimismo na luta dos povos, afirmo: sob os escombros, resta o povo. Resta a dignidade que nenhum míssil consegue destruir. Resta a solidariedade internacional, que não será silenciada. Resta a responsabilidade de não calar. Resta o dever de nomear o crime e de escolher um lado — o da vida. O da luta. O da mudança.

Gaza não está só. Assim como Cuba, como Venezuela, como todos os povos que enfrentam bloqueios, sabotagens e invasões, Gaza é parte do todo. Faz parte de um mundo em disputa. E nós estamos na arena.

Sob os escombros, nascerão novas sementes. E quando o sol romper novamente o horizonte sobre Gaza, haverá de nascer um novo tempo — porque nenhum império dura para sempre, e nenhum povo resiste sozinho. Não será fácil, nem indolor. Mas seguimos juntos. Enquanto Brasil de Fato e enquanto humanos, que não fecham os olhos para a barbárie. Apoie nosso trabalho e venha conosco nesta luta.

Porque enquanto houver luta, haverá Palestina. Enquanto houver vida, haverá esperança. Do rio ao mar, a Palestina será livre.


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Nina Fideles

06 outubro, 2025

Jamais houve tantas guerras no mundo, segundo o Relatório anual da UAB

O relatório do Centro de Pesquisa para uma Cultura de Paz da Universidade Autônoma de Barcelona destaca um aumento generalizado de tensões internacionais e guerras no mundo inteiro, com um número crescente de mortes e violações generalizadas de direitos humanos. No entanto, há vislumbres de paz nos quais a comunidade internacional deve investir. A preocupação, contudo, envolve a mudança militarista da União Europeia e seu plano de rearmamento de € 800 bilhões

O relatório anual sobre conflitos, direitos humanos e oportunidades para a paz, feito pelo Centro de Pesquisa para uma Cultura de Paz da Universidade Autônoma de Barcelona, ​​​​registra um aumento sem precedentes de guerras globais nos últimos 12 anos. O documento, baseado em dados divulgados pelas principais agências e organizações internacionais, analisa o estado global dos conflitos armados, tensões sociopolíticas e iniciativas de construção da paz, destacando tendências, riscos e oportunidades para a paz no futuro. Em 2024, o número de conflitos armados aumentou para 37, em comparação com 36 em 2023. A maioria dos conflitos concentra-se na África (17), seguida pela Ásia e Pacífico (10), Oriente Médio (6), Europa (2) e América (2). Dois contextos degeneraram de crise sociopolítica para conflito armado devido ao alto número de vítimas e tiroteios: Haiti e Papua Ocidental, enquanto a Guerra do Sinai, no Egito, deixou de ser considerada como tal.

Aumento de violência e mortes
Cinquenta e sete por cento dos conflitos armados foram de alta intensidade, resultando em graves perdas humanas e impactos na segurança. Além disso, 60% dos conflitos apresentaram aumento da violência em comparação aos anos anteriores. As principais causas incluem a rejeição do sistema político, econômico ou social do Estado (73%), questões de identidade e demandas por autogoverno (59%) e controle de recursos e territórios (46%).

Mulheres na mira
O relatório também destaca os graves impactos de gênero nos conflitos. Em 2024, 79% dos conflitos de alta intensidade ocorreram em países com baixos níveis de igualdade de gênero. Além disso, os casos de violência sexual relacionada a conflitos aumentaram 50% em 2023, com mulheres e meninas representando 95% das vítimas.

Tensões sociopolíticas
As crises sociopolíticas aumentaram, atingindo 116 casos em 2024, com a maioria na África (38) e na Ásia e Pacífico (31). Trinta e oito por cento dessas crises se agravaram em relação a 2023, enquanto apenas 21% apresentaram redução nas tensões. As principais causas incluem oposição às políticas governamentais (77%), questões de identidade (30%) e controle de recursos e territórios (35%).

A paz é possível
Apesar da situação crítica, o relatório identifica cinco oportunidades para a paz: as negociações entre a República Democrática do Congo e Ruanda, a transição política em Bangladesh, o diálogo sobre autonomia em Bougainville, o processo de paz entre a Turquia e o PKK e a esperança de uma nova era pós-Assad na Síria. No entanto, quatro cenários de risco também emergem: a guerra civil no Sudão, as tensões entre a Índia e o Paquistão, o confronto entre a China e Taiwan e a militarização da União Europeia

A Europa em risco
A União Europeia e seus Estados-membros lançaram um plano de rearmamento massivo – observa o Relatório – com um compromisso financeiro superior a € 800 bilhões ao longo de quatro anos. O plano europeu parece priorizar o setor militar principal para lidar com as atuais tensões geopolíticas, em detrimento de vias não militares para a própria segurança. O Plano surge na sequência do aumento dos gastos militares globais e da pressão da Otan por maiores compromissos financeiros dos Estados-membros. Não por último, o Relatório destaca a capacidade da indústria de armamentos de influenciar o poder político como um dos fatores que impulsionam a Europa rumo ao rearmamento.

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03 outubro, 2025

Celebra-se nesse sábado, 4 de outubro, São Francisco de Assis.

Francisco era jovem rico, alegre e sonhador, mas após experiências de doença, guerra e oração, sentiu-se chamado por Cristo a abandonar tudo e viver em pobreza radical.

Reuniu irmãos para viver o Evangelho em simplicidade, fraternidade e serviço, dessa experiência nasceu a Ordem dos Frades Menores (franciscanos). Via a natureza como reflexo da bondade de Deus, chamava o sol de “irmão” e a lua de “irmã”, vendo todas as criaturas como parte de uma mesma família. Pregava reconciliação, respeito às diferenças e confiança total na Providência Divina. Nos últimos anos de vida, recebeu as marcas da paixão de Cristo em seu corpo. Sua oração-poema expressa a alegria de reconhecer Deus em todas as coisas (Cântico das Criaturas).

Morreu em 1226 e foi canonizado apenas dois anos depois, em 1228. Sua festa litúrgica é celebrada em 4 de outubro.

São Francisco de Assis nos ensina que a verdadeira riqueza não está em possuir, mas em partilhar; não em dominar, mas em servir. Ele descobriu Deus no rosto dos pobres, no canto dos pássaros, na luz do sol e até na dor transformada em amor. Sua vida simples foi um evangelho vivo: amar a todos como irmãs e irmãos, cuidar da criação como dom de Deus.

Que o exemplo de Francisco nos inspire a viver com mais simplicidade, paz e fraternidade, reconhecendo em cada pessoa e em cada criatura um reflexo do amor divino.




Porta-voz da Unicef em Gaza: Vi uma sala de hospital cheia de crianças baleadas por quadricópteros

Em uma entrevista televisiva, James Elder denunciou que recém-nascidos estão nos corredores dos hospitais, compartilhando o pouco oxigênio de que os médicos em Gaza ainda dispõem.

A informação é publicada por El Salto, 02-10-2025.

Em uma entrevista publicada pelo portal Zeteo, o porta-voz da agência das Nações Unidas para a Infância, James Elder, defendeu os esforços da Flotilha Global Sumud para chegar a Israel. Para Gaza e para as agências que atuam no terreno, “obter ajuda diretamente é um divisor de águas”, afirmou, lembrando que o comboio de barcos transporta alimentos, medicamentos e outros itens como incubadoras, oxigênio e kits de higiene. Elder denunciou que o sequestro da Flotilha “fala repetidas vezes dos esforços deliberados” de Israel para impedir a entrada de alimentos em Gaza.

Elder relatou sua experiência no Hospital al-Aqsa, onde esteve em “uma sala cheia de crianças, quatro ou cinco delas, todas atingidas por disparos de quadricópteros”. Nos últimos meses, foi denunciado o uso desses drones como “ferramentas de intimidação psicológica, vigilância e assassinato direto”.

O porta-voz da Unicef esteve seis vezes na Faixa de Gaza desde 7 de outubro de 2023 e destacou, na entrevista, como a fome que devasta Gaza não tem relação com problemas de logística: “é política”.

“Tudo o que os palestinos precisam está a poucos quilômetros”, denunciou o porta-voz. “As pessoas comem em bons restaurantes a 32 ou 48 quilômetros daqui. Esta fome foi totalmente provocada.” Elder contou ter visto “uma dúzia, quinze recém-nascidos nos corredores”, bebês que necessitam de oxigênio e incubadoras, mas não têm acesso a esses recursos devido ao bloqueio israelense. Ele detalhou que o corpo médico é obrigado a fazer com que esses bebês compartilhem oxigênio. Em toda Gaza, restam apenas 14 hospitais, todos completamente sobrecarregados e afetados pela quase total falta de suprimentos.

Segundo a Unicef, 151 crianças perderam a vida na Faixa de Gaza em decorrência da desnutrição aguda, a maioria delas em 2025. A própria agência lembrou nesta semana que a crise de desnutrição em Gaza atingiu “níveis catastróficos, com toda a população infantil menor de cinco anos — mais de 320 mil crianças — em risco de sofrer desnutrição aguda”.

Fonte: IHU


02 outubro, 2025

O plebiscito popular teve força na aprovação da isenção e redução do imposto de renda!

O Plebiscito Popular, até o dia 1º de outubro de 2025,  reuniu 1,5 milhão de votos em apoio a pautas consideradas centrais para a valorização da classe trabalhadora e vai até o dia 12 de outubro.

No dia primeiro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, no Palácio do Planalto, o resultado parcial do Plebiscito Popular, iniciativa das organizações: Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, Jubileu Sul Brasil (JSB), Comissão Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Movimento Brasil Popular.

A aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe R$ 5 mil, com desconto para quem ganha até R$ 7,3 mil por mês, por unanimidade pela Câmara dos Deputados, no dia 1º de outubro de 2025, não foi por um consenso óbvio, sabemos, nem todos parlamentares atuam em favor do povo, o processo foi marcado por tentativas de desfigurar o projeto para beneficiar os mais ricos, motim bolsonarista que paralisou os trabalhos na Câmara e chantagens da direita em troca de anistia para os golpistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas também teve mobilização popular. Quando pessoas se unem em torno de uma causa comum, criam algo maior do que si mesmas. Quando a população se organiza, ela faz tremer estruturas aparentemente inabaláveis. A mobilização popular é memória, presente e futuro — é a certeza de que o poder real não reside apenas nas instituições, mas na capacidade do povo de se unir e agir.

O plebiscito popular teve força na aprovação da isenção e redução do imposto de renda.

Aprovado isenção do Imposto de Renda para quem ganham até R$ 5 mil reais

Mais um marco na história do Povo Brasileiro!

A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 493 votos favoráveis, o Projeto de Lei (PL) 1087/2025, que isenta de pagamento do Imposto de Renda trabalhadores formais que ganham até R$ 5 mil reais, e reduz progressivamente a alíquota para quem ganha até R$ 7.350.

O projeto é de autoria do Executivo (Lula), ainda terá que ser aprovada no Senado, antes da sanção pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para entrar em vigor.

Segundo o governo, com a aprovação da proposta, serão beneficiados com a isenção mais de 26,6 milhões de contribuintes, em 2026.

O presidente Lula comemorou a decisão: “Quem acompanha sabe que, neste país, nem reajuste da tabela do Imposto de Renda saía. Este é um primeiro passo extraordinário, uma conquista. É o primeiro sinal de justiça tributária que se faz no Brasil”.

Em referência à participação popular, Lula destacou: “Não é apenas o sonho de conquistar algo a mais para o povo trabalhador, mas sim garantir que a conquista seja resultado da mobilização da população, para que todos saibam o que está em jogo.”

01 outubro, 2025

Cidade de Maringá-Pr tem reajuste no IPTU – 30% mais caro

Foram 16 votos a favor e 6 contra projeto encaminhado pela administração.

A Câmara Municipal da cidade de Maringá-PR aprovou, em primeira discussão, na terça-feira (30), o projeto de lei do Executivo que promove alterações no cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Na prática, a redução de descontos sugerida pela Prefeitura, somada ao reajuste de 5,3% nos tributos municipais, fará com que o valor do imposto eleve em 30,3% em 2026, na comparação com 2025.

Votaram a favor ao aumento do IPTU:
Akemi Nishimori (PSD), Angelo Salgueiro (Podemos), Bravin Junior (PP), Diogo Altamir (PSDB), Guilherme Machado (PL), Jeremias (PL), Lemuel (PDT), Luiz Neto (Agir), Majo (PP), Maninho (Republicanos), Mario Hossokawa (PP), Odair Fogueteiro (PP), Pastor Sandro (União), Sidnei Telles (Podemos), Uilian da Farmácia (União), Willian Gentil (PP).

Votaram contra ao aumento do IPTU:
Daniel Malvezzi (Novo), Professor Pacífico (Novo), Mário Verri (PT), Professora Ana Lúcia (PDT), Giselli Bianchini (PP), Ítalo Maroneze (PDT).

Ausentes: Flávio Mantovani (PSD).

Papa Leão XIV escolhe tema do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais

O tema escolhido foi: “Preservar vozes e rostos humanos”.

O Dicastério para a Comunicação divulgou o tema escolhido pelo Papa Leão XIV para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais 2026: “Preservar vozes e rostos humanos”. Segundo o comunicado, “nos ecossistemas comunicativos de hoje, a tecnologia influencia as interações de maneira nunca antes conhecida – desde os algoritmos que selecionam conteúdo nos feeds de notícias até à inteligência artificial que redige inteiros textos e conversas”.

Garantir que a humanidade continue sendo o agente orientador das novas tecnologias

“A humanidade hoje tem possibilidades impensáveis há apenas alguns anos. Contudo, embora essas ferramentas ofereçam eficiência e alcance, elas não podem substituir as capacidades unicamente humanas de empatia, ética e responsabilidade moral. A comunicação pública exige julgamento humano, não apenas esquemas de dados. O desafio é garantir que a humanidade continue sendo o agente orientador”, ressalta o documento emitido pelo Dicastério Vaticano.

O comunicado ressalta que o futuro da comunicação deve garantir que as máquinas sejam ferramentas a serviço e conexão da vida humana, e não forças que corroem a voz humana. “Temos grandes oportunidades. Ao mesmo tempo, os riscos são reais. A inteligência artificial pode gerar conteúdos envolventes, mas enganosos, manipulativos e prejudiciais, replicar preconceitos e estereótipos presentes nos dados de treinamento, e amplificar a desinformação ao simular vozes e rostos humanos”, alertam.

A dependência excessiva da IA enfraquece o pensamento crítico e as habilidades criativas

“Também pode invadir a privacidade e a intimidade das pessoas sem o seu consentimento. Uma dependência excessiva da IA enfraquece o pensamento crítico e as habilidades criativas, enquanto o controle monopolista desses sistemas levanta preocupações sobre a centralização do poder e as desigualdades”, advertem.

De acordo com o documento da Santa Sé, torna-se cada vez mais urgente introduzir a alfabetização mediática nos sistemas educacionais, ou até mesmo a alfabetização no campo da IA. “Como católicos, podemos e devemos dar a nossa contribuição, para que as pessoas – especialmente os jovens – adquiram a capacidade de pensar criticamente e cresçam na liberdade de espírito”, conclui o texto. (EPC).

Fonte: Gaudium Press

30 setembro, 2025

Lula na ONU, povo na rua: o exercício da soberania

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Lula na ONU, povo na rua: o exercício da soberania


Em matéria de demonstração de soberania e força popular, a última semana nos entregou dois episódios de muita importância: Lula na ONU e o povo nas ruas.

O domingo de atos massivos nas principais cidades do Brasil contra a anistia aos golpistas, a PEC da Blindagem e pela soberania reafirmaram a capacidade da esquerda de ocupar as ruas e recuperar a bandeira nacional para o campo popular.

Se o tamanho dos atos será capaz de barrar o avanço das pautas da extrema direita no congresso, ainda é cedo para dizer. A rejeição unânime da PEC da Blindagem no Senado e as mudanças envolvendo a anistia na Câmara já dão sinais de desgaste dos ultradireitistas e a esquerda parece crescer com esses tropeços da direita, movimento debatido no episódio do podcast Três por Quatro desta semana.

Fato é que as marchas também foram um recado claro aos Estados Unidos e contra as ameaças externas.

Em Nova York, no púlpito da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula não decepcionou: fez um discurso “histórico e irretocável”, como classificou o historiador Miguel Stédile no último episódio do podcast O Estrangeiro.

O presidente chamou os ataques contra a economia brasileira de “injustificáveis” e disse que “ingerência contra assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente”.

Lula ainda falou sobre a condenação de Jair Bolsonaro, dizendo que foi “um recado a todos os candidatos a autocratas”. E, mesmo sem precisar mencionar diretamente Donald Trump ou os EUA, rebateu as ameaças imperialistas e deu o recado: “Nossa soberania é inegociável”.

Mal havia voltado para a sua cadeira, Lula ouviu Trump contar o breve encontro que tiveram, lançando afagos ao petista e revelando uma "química" entre eles. Entre absurdos e mentiras, o republicano disse que abraçou o petista minutos antes de subirem à tribuna e que ambos “concordamos em nos reunir na próxima semana”.

O que se desenha agora, diante da possibilidade de uma reunião, é a decisão que deverá tomar o governo brasileiro para tentar evitar uma arapuca "gringa", ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao diálogo.

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Lucas Estanislau
Coordenador de jornalismo

Dinamismo, mobilidade e juventudes

Cadernos IHU ideias
ISSN 1679-0316 (impresso) | ISSN 2448-0304 (on-line)
Ano 23 | nº 380 | vol. 23 | 2025

Dinamismo, mobilidade e juventudes
Por Rosemary Fernandes da Costa.

O tema da migração nos coloca diante de uma grande crise humanitária. As causas desta emergência são quase sempre frutos de uma decisão involuntária e vêm sendo analisadas na bibliografia voltada a este Rosemary Fernandes da Costa tema. Entre tantas, podemos citar as altas taxas de desemprego e subemprego, o trabalho escravo, a privação da liberdade individual, o crescimento da violência, a exclusão do próprio território nacional, a ausência dos mínimos direitos para a vida digna, o aumento da população de vulneráveis, fragilizados pelos preconceitos e violências dirigidos às suas etnias, gêneros, religiões. Contudo, também nos cabe o discernimento ético para as respostas que vêm sendo oferecidas ou impostas a essa condição em sua complexidade. A perspectiva da hospitalidade, do acolhimento, do resgate da humanidade comprometida seria uma das respostas éticas possíveis. Mas, infelizmente, os grandes fluxos migratórios vêm recebendo tratamentos antagônicos a qualquer resposta minimamente moral.

A reflexão detém o olhar o fenômeno mediados por duas dimensões:

As relações de alteridade e a busca por uma cidadania do mundo, trabalhado em quatro etapas:

A primeira enfoca as relações intersubjetivas, o que as constitui e como podemos observar as relações de alteridade, suas reações, temores e estratégias.

A segunda volta-se ao tema da fronteira, ainda no campo inter-relacional, observando o que caracteriza a fronteira como condição de identidade e pertença, mas também como fenômeno gestado pelo processo de globalização. 

A terceira tem como foco um campo vivencial. Nela, dirigiremos nosso olhar epistemológico para as juventudes em suas muitas intersecções e elaboração das identidades múltiplas. Aí, nos encontraremos com algumas das estratégias construídas neste campo inter-relacional, plural, desafiador, mas não paralisante, de ações de cidadania. 

A última etapa aponta para possibilidades sociais, econômicas, políticas, a fim de repensarmos os conceitos Rosemary Fernandes da Costa de fronteira na direção de uma cosmovisão que nos inspira e convida a resgatar as intersubjetividades e interdependências que constituem os humanos e não humanos, com a dimensão do Bem Viver dos povos originários.

Leia na íntegra, clique AQUI



26 setembro, 2025

Velozes e furiosos 13

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Velozes e furiosos 13

Olá, numa reviravolta digna de filme de ação, o governo foi do inferno ao céu em uma semana.

.O mundo capota. A história começou com a aprovação da PEC da Blindagem na Câmara, seguida pela aprovação da urgência do projeto de Anistia. Num esforço desesperado para sentar-se na cadeira de presidente da Câmara, Hugo Motta deu uma vitória para o centrão, outra para o bolsonarismo, e uma facada nas costas do governo, que saiu do Congresso atordoado, dividido e sem saber o que tinha acontecido. A alegria de Motta, porém, durou pouco. Ao passar o trator sem avaliar corretamente a repercussão pública do tema, o que Motta fez foi entregar a pauta da moralidade para a esquerda, que reagiu de imediato e chamou atos para domingo seguinte, conseguindo o raro feito de encher as ruas das principais cidades do país com centenas de milhares de pessoas. Além do número, contou também um contraste simbólico: enquanto os bolsonaristas se orgulhavam de empunhar a bandeira dos Estados Unidos para pedir Anistia para seu chefe, a esquerda exibia uma enorme bandeira brasileira contra a tentativa dos políticos aumentarem seus privilégios. E tudo isso foi antes do discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU. A terça-feira (23) trouxe um estadista preparado para defender os interesses do próprio país e tratar dos principais problemas mundiais, falando em nome da paz e do sul global, criticando o ocidente e a extrema-direita, denunciando o genocídio em Gaza e colocando em pauta o enfrentamento às desigualdades sociais e ao aquecimento global. Lula ainda recebeu um afago de Trump, para desespero de Eduardo Bolsonaro. Enquanto a Assembleia da ONU ainda ocorria em Nova Iorque, em Brasília a CCJ do Senado enterrava a PEC da Blindagem que a Câmara tinha aprovado a toque de caixa. Para completar a reviravolta, dias depois saía da pauta a Anistia e entrava a reforma do Imposto de Renda. Que semana, senhores!

.Abandonai toda esperança? Se o governo foi do inferno ao céu, Hugo Motta, o centrão e os bolsonaristas fizeram o caminho contrário. O erro de cálculo político da PEC da Blindagem não só teve o efeito colateral e acabou com os planos de impunidade parlamentar, como solapou tanto as pretensões de reconciliação entre Hugo Motta e o centrão, que culpa o presidente da Câmara pelo fiasco, como mandou pelos ares o acordo entre eles sobre a Anistia. A tentativa de encerrar o assunto com o chamado PL da Dosimetria não deu certo, com o PT embalado pelas ruas fechando questão contra qualquer revisão de pena, o PL não aceitando nenhuma proposta que não salve a pele de Bolsonaro, e o centrão querendo deixar o assunto vivo apenas para fustigar o governo e o STF. Hugo Motta ainda viu Davi Alcolumbre ocupar o protagonismo que ele sonhava e de ter as portas abertas na relação com o Planalto, que agora estarão mais estreitas para o aprendiz de Arthur Lira. A solução foi mostrar boa-vontade com o governo, retomando o projeto de reforma do Imposto de Renda depois do um incentivo de R$3 bilhões em emendas. Pior que a semana de Hugo Motta só a do bolsonarismo. Em uma semana, o bolsonarismo perdeu o monopólio das ruas e o suposto monopólio da interlocução com Trump, restando apenas o frágil pincel da Anistia. E, considerando que a manobra para tornar Eduardo Bolsonaro líder da minoria não funcionou, que o seu processo de cassação avança, assim como a denúncia da PGR, é mais provável que Eduardo vá fritar hambúrguer nos Estados Unidos do que concorrer à presidência. O seu desalento deve ser o mesmo que sente parte da militância bolsonarista, ausente das ruas e das redes, e que parece ter contagiado Tarcísio de Freitas, outro que calculou mal a estratégia política, e que pode estar prestes a receber a unção que queria, mas já arrependido.

.Você não sabe o quanto eu caminhei. A verdade é que a batalha da popularidade vem sendo travada pelo governo dia após dia desde junho, quando as pesquisas apontaram o pior desempenho. O Planalto agora encontra-se numa situação ligeiramente confortável, com Lula favorito para 2026, mas o jogo não está ganho, como mostra a pesquisa Ipsos-Ipec. Parte do mérito é do próprio governo, mas também pesou o erro dos adversários. O PP e o União, por exemplo, dois partidos com ministérios, mas que sabotaram abertamente o Planalto na votação da Anistia, conseguiram escolher o pior momento para desembarcar do governo, justamente agora que ele está superando a crise. E as trocas nos ministérios do Turismo e dos Esportes serão importantes para acomodar as bases regionais visando os palanques para 2026. As relações internacionais são outra frente de embate. Até agora, o embate de Lula com Trump rendeu frutos. É verdade também que em seu discurso na ONU o presidente brasileiro não cedeu para os Estados Unidos, mas uma possível trégua com Trump poderia ser positiva se revertesse os embargos comerciais e as medidas contra os ministros do Supremo e autoridades brasileiras. O problema é que o preço dessa política de boa vizinhança pode ser alto demais - acesso a minerais raros, favorecimento às big techs e consumo de energia para as IAs - colocando em xeque justamente a pauta mais importante do momento, a defesa da soberania. Outra frente responsável pela recuperação da popularidade é a economia. O dólar está mais baixo, deixando de pressionar a inflação, que permanece controlada, e a taxa de desemprego está baixa, cerca de 5,6%. O problema continua sendo o Banco Central e a taxa de juros, que deprecia o equilíbrio fiscal e obriga o governo a bloquear despesas, mas Lula parece acreditar que o ágio pago para Galípolo este ano será aliviado ano que vem. A ver.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Assim Trump acelera o declínio dos EUA. O desastre da gestão Trump na agricultura, indústria e comércio. No Outras Palavras.

.A rendição da Europa e a resistência do Brasil. O professor José Luís Fiori demonstra como o Brasil venceu onde a Europa fracassou na disputa com os EUA. No Sul 21.

.Financiadores do fascismo. Jamil Chade escreve sobre o financiamento de grupos de extrema-direita pelos bilionários Elon Musk e Robert Shillman.

.Charlie Kirk: Quando a mídia transforma extremista em mártir. Como a mídia brasileira normaliza a extrema-direita quando se recusa a chamar um supremacista facista pelo que ele é. No Intercept.

.Fé, fuzil e política. O retiro evangélico, no Espírito Santo, que transforma adolescentes em “soldados de Cristo” empunhando réplicas de fuzis. No Intercept.

.Punir não basta: “temos de definir para que as Forças Armadas servem”, diz especialista. Para a professora Ana Penido, o julgamento de 11 de setembro é insuficiente para deter a sanha golpista dos militares. Na Agência Pública.

.Sahel: Pátria ou Morte. O Brasil de Fato apresenta um documentário sobre as revoluções populares em Burkina Faso, Níger e Mali que transformaram a política africana nos últimos meses.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

25 setembro, 2025

Ataque na Lei da Ficha Limpa!

A Lei da Ficha Limpa foi uma das iniciativas e uma da maior conquista populares mais marcantes da história do povo brasileiro e nesse ano de 2025 completou 15 anos de vigência.

Nasceu de um projeto de iniciativa popular, encabeçado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), com apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de várias entidades da sociedade civil. Foram recolhidas mais de 1,6 milhão de assinaturas.

Nos dias atuais estamos presenciando ataque na Lei da Ficha Limpa. Primeiro eles aprovaram a PEC da bandidagem, agora querem atacar a Ficha Limpa.

O Senado aprovou na terça-feira (2), com 50 votos favoráveis e 24 contrários, um projeto que altera a lei da Ficha Limpa e muda a contagem do tempo em que uma pessoa fica proibida de se candidatar às eleições, a chamada inelegibilidade.

O que foi aprovado, com informação do Senado Federal

- A proposta unifica o prazo de inelegibilidade para oito anos para os casos previstos na Ficha Limpa, independentemente da situação específica que levou à inelegibilidade.

- O projeto determina que esse prazo comece a contar a partir de marcos como:

--- a decisão que decreta a perda do mandato;

--- a eleição em que ocorreu prática abusiva;

--- a condenação por órgão colegiado;

--- ou a renúncia ao cargo eletivo.

- Há um limite máximo (teto) de 12 anos de inelegibilidade mesmo em casos de múltiplas condenações consecutivas, para evitar acúmulos.

- Para crimes mais graves — como corrupção, lavagem de dinheiro, crimes hediondos etc. — o projeto prevê que só será possível concorrer após o cumprimento da pena (ou seja, o prazo de inelegibilidade fica condicionado).

Agora o texto aguarda sanção presidencial e poderá ser sancionado ou vetado pelo presidente da República. Que o presidente Lula (PT) continue tendo o apoio popular de que precisa para vetar o texto.

A Ficha Limpa é uma das maiores conquistas do povo brasileiro.