19 dezembro, 2025

Quem merece ficar preso no Brasil?


O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato (19/12/2025)

Quem merece ficar preso no Brasil?

A questão da Justiça brasileira é curiosa e, com frequência, um pouco confusa. Nos últimos meses, a palavra dosimetria passou a fazer parte do cotidiano da população, mesmo que pessoas sejam presas há décadas. Aparentemente, o tema da redução da pena de alguém condenado por cometer um crime só é interessante dependendo da pessoa.

Este ano, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso por ter participado — ou até organizado — de uma tentativa de golpe de Estado. Não foi pela ineficiência e deboche enquanto milhares de brasileiros morriam na pandemia de covid-19. Tampouco por sua associação com milícias, rachadinha ou roubo de joias. Foi porque ele produziu provas de que planejava matar o presidente Lula, o vice Alckmin e até ministros do Supremo Tribunal Federal.

O que, para muitos, significa que a justiça finalmente foi feita, para outros, é motivo de escândalo e drama. Tudo para reduzir os 27 anos e três meses que Bolsonaro deve ficar preso. E ele até poderia reduzir este tempo lendo alguns livros específicos, mas não, o meio encontrado por seus aliados é o de um projeto de lei.

Para o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, o PL da dosimetria é “uma forma de anistia” e “um convite aos cidadãos brasileiros que queiram fazer um golpe de Estado”. Para ele, “uma redução da pena do Bolsonaro significa dizer que a porta do inferno está aberta” e deixa uma brecha para “outras possibilidades de golpe”, já que futuros golpistas poderiam ficar “no máximo, presos dois, três anos, não mais que isso”.

Já juristas ouvidos pelo Brasil de Fato analisam que essa aprovação pode ter um efeito massivo, beneficiando outros criminosos. Eles apontam que, ao mexer em normas gerais de aplicação e progressão de pena, o texto criou um efeito colateral inesperado: a possível libertação e o benefício de milhares de condenados por crimes comuns.

A população também não concorda: no último domingo (14), milhares foram às ruas de todo o país, unindo-se a políticos e artistas contra os “inimigos do povo”, ou seja, o Congresso Nacional que aprovou o projeto de lei na madrugada do dia 10. Votaram a favor da matéria 291 deputados federais. Contra, 148.

Em seguida, Davi Alcolumbre enviou o PL à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para apreciação, cujo relator foi o senador Espiridião Amim. Na CCJ, o texto também foi aprovado, com 17 votos favoráveis e 7 contrários.

Foi neste momento, inclusive, que o relator incluiu uma emenda proposta pelo senador Sergio Moro que limita o alcance do projeto aos golpistas do 8 de janeiro e retira crimes comuns dessa redução das penas. Ou seja: realmente existe uma agenda nesta pauta, não é um assunto de interesse geral dos brasileiros.

Chegando ao Senado, o texto foi aprovado por 48 a favor a 25 contrários e o próximo passo é a sanção presidencial. O presidente Lula, por sua vez, após evitar o assunto diretamente, finalmente afirmou que vai vetar o PL quando o projeto chegar até ele, e que não houve acordo com o governo para aprovação.

Não houve acordo, mas houve “falha de comunicação”. Essa foi a justificativa para o atrito entre o senador Jaques Wagner (BA) e a cúpula do PT, em uma situação que também envolveu a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Então, mesmo o momento da votação foi, novamente, confuso.

Ainda assim, além da perspectiva de veto do presidente, quatro bancadas partidárias da Câmara ingressaram com mandado de segurança junto ao STF pedindo a suspensão da tramitação do PL da Dosimetria, que contestado diretamente no STF caso seja sancionado.

O cientista político Pedro Arruda acredita que a aprovação por parte do Senado se enquadra em uma “tentativa de demonstração de força do campo conservador no Brasil”, para “enfraquecer e fustigar” o governo Lula, como uma maneira de se preparar para as eleições presidenciais de 2026.

As forças que governam o país se digladiam de forma institucional, e a população só observa. Na verdade, não. A população observa, sim, mas sai às ruas, grita, se expressa, e faz acontecer para impedir o que é considerado abuso, manipulação, injustiça.

Enquanto Brasil de Fato, cabe a nós seguirmos informando essa população sobre os desdobramentos de projetos de lei como o da dosimetria, para que cada um possa formar sua opinião e lutar pelo que realmente importa, que é a pauta do povo. Se você está conosco, apoie o nosso trabalho doando pelo pix: doe@brasildefato.com.br (Centro Popular de Mídias Cpmidias).

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Rafaella Coury
Coordenadora de redes sociais

18 dezembro, 2025

Rio Bonito do Iguaçu-Paraná - A vida pode renascer dos escombros


Esse será o chão da missão!

Por isso é importante, não levemos respostas prontas, mas o Evangelho vivido em gestos simples: presença, escuta, cuidado e esperança.


Rio Bonito do Iguaçu-Paraná - A vida pode renascer dos escombros

Passados pouco mais de um mês da destruição causada pelo tornado, o sentimento que habita Rio Bonito do Iguaçu é profundo e contraditório. É um misto de dor, medo, cansaço, mas também de solidariedade, fé e resistência.

A dor ainda é muito presente. As imagens das casas destelhadas, dos móveis perdidos, das lavouras destruídas e dos sonhos interrompidos continuam vivas na memória das famílias. Muitos ainda acordam assustados com o barulho do vento mais forte, pois o trauma não se apaga com a reconstrução material. Há um luto silencioso: não apenas pelo que foi perdido, mas pela sensação de segurança que o tornado levou junto.

O medo permanece. Medo de que aconteça de novo, medo das chuvas, medo do futuro. Para muitas famílias, o tornado não foi apenas um fenômeno natural, mas uma experiência que abalou a confiança na vida cotidiana. O céu, antes sinal de esperança para quem vive da terra, passou a ser também motivo de apreensão.

Junto disso, cresce o cansaço emocional. Após a comoção inicial e a ajuda emergencial, vem a fase mais difícil: lidar com a burocracia, com a lentidão da reconstrução, com a escassez de recursos e com a sensação de que a solidariedade externa diminui com o tempo, enquanto os problemas permanecem.

Mas, no meio de tudo isso, floresce algo muito forte: a solidariedade. Vizinhos que ajudam vizinhos, comunidades que se organizam, igrejas, associações e movimentos populares que partilham o pouco que têm. O sofrimento aproximou as pessoas. Onde o vento derrubou paredes, o povo levantou pontes de cuidado e partilha.

A fé também se tornou um abrigo. Muitos encontram força na oração, nas celebrações simples, na Palavra partilhada, na certeza de que Deus caminha com os que sofrem. Não uma fé ingênua, mas uma fé que chora, questiona e, ainda assim, insiste em acreditar que a vida pode renascer dos escombros.

Por fim, há a resistência e a esperança teimosa. Um mês depois, Rio Bonito do Iguaçu não é mais o mesmo — mas seu povo também não é. Há feridas abertas, sim, porém há também uma consciência mais forte de que ninguém se salva sozinho. A reconstrução é lenta, desigual e dolorosa, mas cada telha recolocada, cada roça replantada, cada abraço solidário é um ato de esperança.

O sentimento que permanece é claro: o povo está ferido, mas não derrotado. Entre lágrimas e coragem, Rio Bonito do Iguaçu segue caminhando, reconstruindo não apenas casas, mas a dignidade, a confiança e a vida em comunidade.

Eu, Lucimar Moreira Bueno

Arquidiocese de Maringá - CEBs: Presença Solidária em Rio Bonito do Iguaçu

CEBs: Presença Solidária em Rio Bonito do Iguaçu

A missão revela o rosto de uma Igreja em saída: organizada no amor, enviada com fé, sustentada na solidariedade e comprometida com a vida.

A Arquidiocese de Maringá, por meio das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), envia 16 missionários a Rio Bonito do Iguaçu. Eles se unirão aos demais missionários do Paraná na ação “Missão Natal da Esperança”, promovida pelas CEBs do Regional Sul 2 da CNBB. O evento realizar-se-á no próximo final de semana, dias 20 e 21 de dezembro, com o tema: "CEBs, fortalecendo a caminhada sinodal no cuidado com a casa comum" e o lema: "Caminhavam juntos, partilhavam o pão e perseveravam nas orações e no Bem Viver" (cf. At 2,42) — uma iniciativa em parceria com a Cáritas da Diocese de Guarapuava.

Nossos representantes vão em nome do Povo de Deus, levando as alegrias, as dores, as lutas e as esperanças de nossas comunidades. Como no tempo dos primeiros cristãos, a comunidade reza, abençoa e confia, sabendo que o Espírito Santo precede os passos daqueles que se colocam em missão. Não levam respostas prontas, mas o Evangelho vivido em gestos simples: presença, escuta, cuidado e esperança.

Que Nossa Senhora da Glória acompanhe nossos representantes e a Missão Natal da Esperança em Rio Bonito do Iguaçu. Sob a intercessão de Nossa Senhora do Rocio e com as bênçãos do Menino Jesus de Nazaré.

Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora das CEBs na Arquidiocese de Maringá

17 dezembro, 2025

IA não pode ocupar o lugar da participação!

 

IA não pode ocupar o lugar da participação!

Jesus andou com o povo, sentou-se à mesa, escutou as dores, partilhou o pão e chamou cada pessoa pelo nome, não enviou somente os doze, mas setenta e dois discípulas/os conforme o capítulo 10 do Evangelho de Lucas, quase a totalidade dos que o seguiam naquele tempo. Assim, nos ensinou que o conhecimento que liberta nasce da convivência, do serviço partilhado e da solidariedade.

Hoje a Inteligência artificial (IA), com apenas uma palavra, ela transforma essa palavra em texto para diversos objetivos, orações, reflexões, enfim, ela é realidade e deve ser usada como instrumento de apoio ao conhecimento, más não deve ser substituta daquilo que é essencialmente humano, daquilo que é a essencial dos primeiros cristãos, essência presente principalmente nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Ela pode organizar informações, ampliar o acesso ao saber e facilitar processos, mas não pode ocupar o lugar da participação, da partilha e do trabalho humano, que são espaços de encontro, escuta, criatividade e responsabilidade.

A tecnologia pode gerar isolamento, autossuficiência, dependência e até exclusão se deixar-se envolver e ficar no esquecimento que o conhecimento verdadeiro nasce do diálogo, da experiência vivida, do trabalho coletivo e do compromisso com a realidade, especialmente numa perspectiva comunitária e social, como a das CEBs, da educação popular ou da ação pastoral.

As lideranças, agentes de pastorais, cada pessoa precisa com consciência compreender que a IA só faz sentido quando: fortalece a participação, e não a passividade; estimula a partilha, e não o individualismo; valoriza o trabalho humano, e não o descarta; serve à vida e à justiça, e não ao lucro ou ao controle.

O Reino de Deus se constrói com gente, com presença, com mãos que se estendem e corações que partilham. A tecnologia deve estar a serviço do ser humano, e nunca o contrário. Por isso, somos chamados a usar a IA com consciência e responsabilidade, porque é na relação entre as pessoas que a vida acontece.

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Eu, Lucimar Moreira Bueno

16 dezembro, 2025

A Missão é uma só — e é de todo o povo de Deus!


A Missão é uma só — e é de todo o povo de Deus!

A missão nunca é improviso. Ela nasce do discernimento, cresce na organização e se realiza na comunhão. Organizar a missão é sinal de amor e cuidado: com quem vai, com quem fica e com aquelas e aqueles que serão alcançados.

Nas CEBs aprendemos que missão não começa longe, começa na comunidade. Começa quando a gente se reúne, escuta a Palavra, olha a realidade e pergunta: o que Deus espera de nós hoje? Por isso, a missão precisa de organização. Organizar é partilhar tarefas, valorizar os dons de cada pessoa e planejar juntos. Onde há organização comunitária, o povo caminha com mais força.

Quem vai em missão não vai por conta própria, vai em nome do povo de Deus. Vai levando as alegrias, as dores, as lutas e as esperanças da comunidade. Como nos primeiros cristãos, a comunidade reza, abençoa e confia, sabendo que o Espírito Santo precede os passos dos que se colocam em missão. Não levam respostas prontas, mas o Evangelho vivido em gestos simples: presença, escuta, cuidado e esperança. Quem vai descobre que também é evangelizado, pois a missão transforma tanto quem recebe quanto quem anuncia.

Mas missão não é só de quem vai, a missão também é sustentada pela solidariedade dos que ficam. Ficar é resistir, sustentar, cuidar. É manter viva a comunidade, rezar pelos missionários, partilhar o pouco que se tem, acompanhar as famílias, defender a vida ameaçada. Quem fica também fica em missão, sustenta o caminho, porque a missão é do povo de Deus em caminhada, lembrando que a missão é obra de todos, ainda que em tarefas diferentes.

Assim, a missão revela o rosto de uma Igreja em saída: organizada no amor, enviada com fé, sustentada na solidariedade e comprometida com a vida. Todos participam, cada um a seu modo, porque a missão é uma só — e é de todo o povo de Deus.

Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora das CEBs na Arquidiocese de Maringá

12 dezembro, 2025

Mulheres dependentes de álcool terão assistência especializada no SUS

O presidente Lula sancionou, segunda-feira (8), a lei 15.281/2025, que cria estratégias de assistência multiprofissional e interdisciplinar às mulheres usuárias e dependentes de álcool, em especial às gestantes e às puérperas no Sistema Único de Saúde. A nova norma altera a lei 11.343/2006, também chamada de Lei de Drogas.

Pesquisa apresenta aumento do consumo alcoólico entre mulheres
O tratamento específico se mostra importante porque as mulheres apresentam tendência a maiores riscos de desenvolver problemas de saúde relacionados ao álcool, como doenças hepáticas, câncer, doenças cardiovasculares e danos neurológicos. Além disso, as mulheres enfrentam estigmas e barreiras ao buscar tratamento, como o medo de julgamento social, a falta de serviços especializados na rede de assistência, além da sobrecarga de responsabilidades familiares.

De acordo com o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2006-2023, do Ministério da Saúde, o aumento na ingestão de bebidas alcoólicas entre o público feminino passou de 7,7% em 2006 para 15,2% em 2023, com maior impacto entre as mulheres jovens e negras. A pesquisa foi realizada com adultos das 26 capitais dos estados e DF. A frequência de consumo abusivo de bebidas alcoólicas considera a ingestão de quatro ou mais doses, para mulheres, ou de cinco ou mais doses, para homens, em uma mesma ocasião, pelo menos uma vez nos últimos 30 dias.

Segundo a Agência Senado, apenas uma em cada 18 mulheres com diagnóstico de uso de substâncias psicoativas está em tratamento, enquanto que entre os homens a relação é de um a cada sete, de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

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Altera a Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006, para dispor sobre a criação de estratégia de saúde direcionada às mulheres alcoolistas.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º O art. 23 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único:

“Art. 23. .........................................................................................................

Parágrafo único. Será criada estratégia específica de assistência multiprofissional e interdisciplinar às mulheres usuárias e dependentes de álcool, em especial às gestantes e às puérperas, em consonância com os princípios da universalidade e da integralidade e com o disposto nos incisos I, II, III, IV, IX e X do caput do art. 22 desta Lei.” (NR)

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 5 de dezembro de 2025; 204º da Independência e 137º da República.

09 dezembro, 2025

Novas regras para obtenção de CNH

A resolução, aprovado por unanimidade na semana passada, simplifica etapas, retira a obrigatoriedade de passar por autoescola para fazer a prova de direção, amplia formas de preparação do candidato e reduz em até 80% o custo total da carteira de motorista. Durante o evento, também foi lançada a nova versão do aplicativo da CNH.

O texto prevê curso teórico gratuito e digital, flexibilização de aulas práticas e abertura para instrutores credenciados pelos departamentos de trânsito (Detrans). A abertura do processo pode ser feita pelo site do Ministério dos Transportes ou pela Carteira Digital de Trânsito (CDT).

Já o aplicativo vai viabilizar a obtenção da CNH sem necessidade de passar por uma autoescola, disponibilizando o material para que os pretendentes a condutor estudem as regras de trânsito. Quem quiser ainda poderá fazer aulas teóricas e práticas em uma autoescola.

Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) indicam que 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação enquanto 30 milhões têm idade para ter a CNH, mas não possuem o documento principalmente por não conseguirem arcar com os custos, que podem chegar a R$ 5 mil.

Veja as principais mudanças:

Abertura do processo

- Poderá ser feita pelo site do Ministério dos Transportes ou pelo aplicativo da Carteira Digital de Trânsito (CDT).
- Aulas teóricas
- O Ministério dos Transportes irá disponibilizar todo o conteúdo teórico online gratuitamente.
- Quem preferir poderá estudar presencialmente em autoescolas ou instituições credenciadas.

Aulas práticas

- A exigência de aulas práticas passará das atuais 20 horas-aula para duas horas.
- O candidato poderá escolher entre: autoescolas tradicionais, instrutores autônomos credenciados pelos Detrans ou preparações personalizadas.
- Será permitido uso de carro próprio para as aulas práticas

Provas

- Mesmo sem a obrigatoriedade das aulas, o condutor ainda é obrigado a fazer as provas teórica e prática para obter a CNH.
- Outras etapas obrigatórias como coleta biométrica e exame médico devem ser feitas presencialmente no Detran.

Instrutores

- Os instrutores autônomos serão autorizados e fiscalizados pelos órgãos estaduais, com critérios padronizados nacionalmente.
- A identificação e o controle serão integrados à Carteira Digital de Trânsito.

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08 dezembro, 2025

Um triângulo nada amoroso

O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato" (05/12/2025)

Um triângulo nada amoroso


Olá, não convide o Planalto, o STF e o Congresso para a mesma festa de fim de ano.

.Instituições funcionando. Até poucos dias atrás, os senadores eram os adultos da casa que consertavam a lambança feita pelas crianças da Câmara. Mas, depois que Lula indicou Jorge Messias à vaga de ministro do Supremo, a situação mudou. Davi Alcolumbre aproveitou que o governo escanteou Rodrigo Pacheco para retaliar, retomando pautas-bomba no Senado que poderiam custar cerca de R$100 bilhões no orçamento. Mas o jogo nas relações entre Planalto, Senado e STF é mais complexo e vai além das desavenças pessoais. Parte da resistência à indicação de Messias, que era Advogado-Geral da União, se deve ao fato de que ele fazia dobradinha com Flávio Dino para fiscalizar com maior rigor as emendas parlamentares. Mas, curiosamente, apesar da resistência de membros do centrão e bolsonaristas no Congresso, quem apoia o indicado de Lula nos bastidores é parte da bancada evangélica, assim como os ministros André Mendonça e Kássio Nunes Marques dentro do STF, enquanto Flávio Dino e Gilmar Mendes preferem manter neutralidade. Assim, na queda de braços entre Lula e Alcolumbre, a solução foi adiar a sabatina de Jorge Messias, contando que os ânimos se acalmem. O problema é que o próprio STF causou rebuliço com a decisão de Gilmar Mendes que pode blindar a Corte ao decidir que a única instituição competente para solicitar a destituição de um membro do Supremo é a PGR. Em resposta, o Senado protestou e a Câmara aproveitou para retomar projetos que limitam decisões monocráticas no Supremo. Se, por um lado, o novo embate tira o foco do conflito entre Planalto e Senado, por outro, dá de bandeja justamente os argumentos que a direita no Congresso precisava para reavivar o ranço contra o STF, o que pode respingar na sabatina de Jorge Messias. Já o governo, interpretou a nova crise como uma oportunidade de posicionar-se como mediador e reconstruir os laços com o Senado, o que explica que, ainda que tardiamente, a AGU tenha se manifestado contra a decisão de Gilmar, assim como o próprio Jorge Messias, num claro afago aos senadores. Mas é preciso acompanhar para ver qual será o desfecho dessa nova queda de braços entre STF e Congresso.

.Última rodada. No jogo de escaramuças entre o Congresso e o Planalto até aqui, os parlamentares venceram ao impor o PL da Devastação, mas também na aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias. No primeiro caso, a derrota era esperada e, no segundo, obrigou o governo a falar o único idioma que os parlamentares entendem: liberar emendas. Mesmo com a reclamação de Lula, o acordo prevê que o governo pague 65% das emendas parlamentares antes do início do período eleitoral em julho do próximo ano, destravando a votação da LDO que estava engavetada há cinco meses. Até emendas dos foragidos Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem quase foram incluídas. O pior é que Lula já percebeu que vai ter que se envolver mais vezes nas articulações com o Congresso se quiser que a pauta do governo seja cumprida nos poucos dias que restam antes do fim do ano legislativo. A próxima prioridade, como o próprio presidente apontou, são os temas da segurança. Lula quer terminar o ano com a aprovação da PEC Segurança, ainda que o relator Mendonça Filho (União-PE) seja um conhecido adversário do Planalto. Já no Senado, mesmo com o PL Anti Facção em melhores mãos, com a relatoria de Alessandro Vieira (MDB-SE), as previsões também não são otimistas, já que ele precisaria voltar para a Câmara e agora inclui a proposta de um tributo sobre casas de apostas, donas de um lobby poderoso no Congresso. O governo ainda espera aprovar o PL do Devedor Contumaz para encerrar a pauta econômica do ano e deixar para 2026 a disputa pela escala 6 x 1, cuja comissão especial para a PEC na Câmara propôs… deixar como está.

.Sem direção. Por trás do belicismo de Davi Alcolumbre há mais do que a contrariedade com a indicação de Jorge Messias. Ao liderar o descontentamento de parlamentares com o governo e o STF - e em ambos os casos, por causa das emendas - o presidente do Senado também quer ocupar um lugar que está vazio, o da direção do centrão e do bolsonarismo no Congresso. O escândalo do Banco Master atingiu diretamente os dois líderes formais da direita, Ciro Nogueira e Antônio Rueda que, obviamente, sumiram dos holofotes da política. Ao bater de frente com Lula, Alcolumbre sinaliza para os colegas que pode ser o presidente do grande Sindicato de Parlamentares que virou o Congresso, assumindo as pautas de interesse da categoria. E se assumir o posto, aumenta seu poder de barganha caso decida se reconciliar com o governo ali na frente. Os bolsonaristas podem ser atraídos por este movimento, porque também seguem sem direção no parlamento, incapazes de esboçar uma reação à prisão do chefe. No caso dos partidários do ex-capitão condenado, a crise ultrapassa o Congresso. O episódio em que Michelle Bolsonaro desfez a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará não apenas a colocou de fato na disputa pelo espólio com os enteados, como também escancarou outras divisões internas que o PL têm sofrido nos estados. A posição também ungiu Michelle como uma defensora do bolsonarismo raiz e a disputa foi vencida quando a sua posição foi validada pelo próprio Jair, credenciando-a como porta-voz de confiança do detento. O seu protagonismo pode ser uma solução para a chapa presidencial da extrema-direita, mesmo como vice e, por enquanto, sem o peso das trapalhadas dos filhos de Bolsonaro. Mas pode não ser suficiente para resolver a falta de direção e de unidade do próprio PL. A prova de que a crise pode ser mais profunda é o inferno astral pelo qual passa outra estrela da extrema-direita, Nikolas Ferreira, que amargou uma semana de derrotas políticas e, acostumado a atacar, se viu obrigado a usar suas redes para se defender.

.Saldo em conta. A verdade é que nem todos os problemas do governo são culpa do centrão. As próprias contradições internas explicam porque as vitórias e derrotas se sucedem, o que se reflete nas pesquisas de opinião: depois da euforia de outubro, com o aumento da popularidade e o tom nacionalista, veio a ressaca de novembro, com estagnação ou leve redução da popularidade. Parte das dificuldades vêm das relações internacionais. Uma nova conversa entre Lula e Trump reacendeu as esperanças do Planalto de que Washington atenue ainda mais o tarifaço sobre produtos brasileiros. O problema é que, ainda que não seja explícito, o preço da relação amigável é uma posição mais tímida do Brasil em relação à agressão norte-americana à Venezuela, que visa justamente estrangular os governos de centro-esquerda que ainda restam no continente. Enquanto isso, no Mercosul, Lula aproveita para reafirmar a liderança do Brasil e levar os méritos pela assinatura do acordo com a União Européia. Na economia interna, o governo não vai mal. A expectativa é que a economia brasileira cresça acima de 2% este ano. É um resultado singelo, ruim se comparado aos 3,4% do ano passado, mas bom perto do desempenho da última década. A notícia boa é que, mesmo acima da meta, a inflação está controlada e, em alguns setores está em redução, como no caso dos alimentos, o que afeta positivamente o bolso dos mais pobres. Pode-se ainda comemorar a redução da pobreza e da pobreza extrema, que deve continuar caindo com a ajuda da isenção do IR para as rendas mais baixas a partir de 2026. O problema é que a economia desacelerou no terceiro trimestre e, para o ano que vem, as projeções de crescimento do PIB caem para 1,6%. Ou seja, se a política de juros do Banco Central não mudar, a economia pode ser asfixiada.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.O Brasil e o sistema-mundo. Em entrevista ao Phenomenal World, Fernando Haddad fala sobre os limites e possibilidades de enfrentamento ao neoliberalismo no Brasil.

.A facção 'evangélica' que emerge como terceira força do crime organizado do Brasil. Facção em ascensão no Rio de Janeiro, o Terceiro Comando Puro (TCP) mobiliza a identidade religiosa. Na BBC.

.O comércio de minerais críticos: a rota ilegal que conecta a Amazônia à China. No InfoAmazônia, a rede de contrabando que inclui empresas, guerrilhas e governos da região.

.Resistir, verbo imperativo no Assentamento Irmã Dorothy Stang. Na cidade de Anapu (PA), os assentados lutam para enfrentar a seca e construir a agrofloresta. No Joio e o Trigo.

.Descobrimos o preço da Embrapa para Nestlé, Bayer e empresários do agro na COP 30: R$18 milhões. Este foi o valor dos patrocínios recebidos pela Embrapa durante o evento em Belém.

.A repórter que desnudou o ChatGPT. No Outras Palavras, Karen Hao mostra como as empresas de tecnologia atuam como verdadeiros impérios contemporâneos.

.Eliana Sousa: segurança pública e trauma. Educadora que atua na Maré discute o impacto psicológico da violência nas comunidades periféricas. No Podcast da Revista Gama.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

03 dezembro, 2025

Província Eclesiástica de Maringá, acolherá a sexta edição do Sulão das CEBs

A Província Eclesiástica de Maringá, acolherá a sexta edição do Sulão das CEBs.

Será na Cidade de Maringá – Arquidiocese de Maringá.


A grande região (Sulão) compreende os Regionais: Sul I (SP), Sul II (PR), Sul III (RS) e Sul IV (SC) da CNBB.

O Sulão das CEBs é um momento de encontro, partilha, formação e celebração dos quatro estados da grande região Sulão para reafirmar a identidade das CEBs e projetar os caminhos diante da conjuntura eclesial e social.

- O primeiro Sulão aconteceu em Registro, em 2003, com o tema “CEBs e ecologia: Comunidades Eclesiais Ecológicas de Base.

- O segundo sulão das CEBs aconteceu em Outubro de 2011, em Londrina, Arquidiocese de Londrina – Paraná, reunindo 250 pessoas, com o tema “CEBs: Justiça e profecia no campo e na cidade”.

- O terceiro encontro aconteceu em Setembro de 2015, em Fraiburgo, Diocese de Caçador, Santa Catarina, com a presença de 500 pessoas, com o tema “CEBs e Contestado: terra, questão urbana e resistência”.

- A quarta edição aconteceu em novembro de 2019, em Canoas, Arquidiocese de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, reunindo 400 pessoas, com o tema: “CEBs: Igreja da Base na perspectiva do Papa Francisco”.

- O quinto Sulão aconteceu em 2025, em Indaiatuba/SP, Mosteiro de Itaici, Arquidiocese de Campinas, com a participação de 210 pessoas, com o tema “CEBs: 50 anos de caminhada intereclesial da Igreja povo de Deus” e o lema: “Proclamai o ano da graça do Senhor!” (cf Lc 4,19).