15 outubro, 2015

E se o “egoísmo humano” for um mito interesseiro?

Novas pesquisas sugerem: nossa espécie é majoritariamente colaborativa, altruísta e solidária. Ideia da ganância coletiva pode ser projeção ideológica dos que concentram poder e capital.

O artigo é de George Monbiot, jornalista e ambientalista inglês, publicado por Outras Palavras, 14-10-2015.  A tradução é de Inês Castilho.

Eis o artigo.

Você se debate contra os sinais de indiferença e egoísmo humanos? Sente-se oprimido pela sensação de que, enquanto se preocupa com o mundo, ao contrário de muitos outros? Julga que a indiferença de pessoas iguais a você está esvaziando o que resta da civilização e da vida na Terra? Se assim é, você não está sozinho. Mas também não está certo.

Um Estudo da Fundação Causa Comum a ser publicado em novembro, revela duas descobertas transformadoras. Aprimeira é que a grande maioria das 1000 pessoas pesquisadas – 74% – identifican-se mais fortemente com valores altruístas do que com valores egoístas. Significa que estão mais interessadas em gentileza, honestidade, perdão e justiça do que em dinheiro, fama, status e poder. A segunda é que uma maioria semelhante – 78% – acredita que os outros são mais egoístas do que realmente são. Ou seja, cometemos um terrível erro sobre o comportamento das outras pessoas.

A revelação de que a característica humana dominante é, digamos, a humanidade, não é surpresa para quem acompanhou o recente desenvolvimento das ciências sociais e do comportamento. As pessoas, sugerem essas descobertas, são basica e intrinsecamente boa gente.

Um artigo de revisão  no jornal Fronteiras em Psicologia (Frontiers in Psychology) afirma que nosso comportamento em relação a membros de nossa espécie que não são nossos parentes é “espetacularmente incomum, comparado ao de outros animais”. Enquanto chimpanzés aceitam partilhar comida com membros do seu próprio grupo, embora geralmente só depois de importunados por pedidos agressivos, com estranhos eles tendem a reagir violentamente. Chimpanzés, observam os autores, comportam-se mais como o Homo economicus da mitologia neoliberal do que as pessoas.

Os humanos são, ao contrário, ultrassociais. Possuem uma elevada capacidade de empatia, sensibilidade sem paralelos para as necessidades do outro, um nível incomparável de preocupação com o bem-estar deste e capacidade de criar normas morais que generalizam e fazem valer essas tendências.

Esses traços emergem tão cedo em nossas vidas que parecem inatos. Ou seja, parece que evoluímos para nos tornarmos assim. Por volta dos 14 meses, as crianças começam a ajudar umas às outras — por exemplo pegando coisas para aquelas que não as conseguem alcançar. Quando chegam aos dois anos, passam a compartilhar objetos que valorizam. Aos três, começam a protestar contra a violação das normas morais por outras pessoas.

Um texto fascinante do jornal Infância (Infancy) revela que isso não tem nada a ver com recompensa. Crianças de três a cinco anos mostram-se menos propensas a ajudar alguém pela segunda vez se foram recompensadas ao fazê-lo pela primeira vez. Ou seja, recompensas externas parecem minar o desejo intrínseco de ajudar. (Pais, economistas e governos, anotem, por favor.)

O estudo descobriu também que crianças dessa idade estão mais inclinadas a ajudar pessoas que percebem estar sofrendo, e que desejam ver tal pessoa amparada, seja ou não por elas próprias. Isso sugere que são motivadas por um interesse genuíno no bem-estar da outra pessoa, ao invés do desejo de posar de benevolentes.

Por que razão? Como a árdua lógica da evolução produziria tais resultados? A questão é objeto de debates acalorados. Uma escola de pensamento defende que altruísmo é a resposta lógica à vida em pequenos grupos de parentes próximos, e a evolução, distraída, não foi capaz de perceber que agora vivemos em grandes grupos, a maioria composta por estrangeiros. Uma outra argumenta que grandes grupos, com grande número de altruístas, irão superar grandes grupos com grande número de egoístas. Uma terceira hipótese insiste em que a tendência à colaboração melhora a  sobrevivência de cada um, independentemente do grupo em que se encontre. Qualquer que seja o mecanismo, o resultado é motivo para celebrar.

Se é assim, por que conservamos uma visão tão sombria da natureza humana? Em parte, talvez, por razões históricas. Filósofos, de Hobbes a RousseauMalthus a Schopenhauer, cujo entendimento da evolução humana limitava-se aoLivro de Gênesis, produziram relatos persuasivos, influentes e catastroficamente equivocados sobre o “estado de natureza” (nossas características inatas, ancestrais). Suas especulações sobre esse assunto deveriam há muito ter sido colocadas numa prateleira alta, etiquetada de “curiosidades históricas”. Mas de alguma forma elas ainda parecem exercer controle sobre nossas mentes.

Outro problema é que – quase por definição – muitos daqueles que dominam a vida pública têm fixação incomum em fama, dinheiro e poder. Seu extremo autocentramento faz deles uma pequena minoria. Mas, como estão em todo lugar, achamos que são representativos da humanidade.

A mídia idolatra riqueza e poder, e às vezes lança ataques furiosos contra pessoas que se comportam altruisticamente. Vale atentar para o espaço dado, nos jornais e TVs, a pessoas que falam e escrevem como se fossem psicopatas.

As consequências desse pessimismo indevido sobre a natureza humana são notáveis. Como revelam as entrevistas e a pesquisa da Common Cause Foundation, os que têm visão mais sombria da humanidade são os que tendem a votar menos. Por que razão o fariam, raciocinam, se todos os outros votam apenas segundo seus próprios interesses egoístas? De modo interessante, e que pode alarmar pessoas da minha sensibilidade política, também descobriram que as pessoas de ideias libertárias tendem a ter uma visão das outras pessoas mais sombria que a dos conservadores. Você quer que as ideias de transformação social avancem? Se é assim espalhe a notícia de que as pessoas, em sua grande maioria, são bem-intencionadas.

A misantropia abre campo para a minoria gananciosa, e alucinada pelo poder, que tende a dominar nossos sistemas políticos. Se soubéssemos quanto são anormais, estaríamos mais inclinados a rejeitá-los e buscar líderes melhores. Isso contribui para o perigo real que enfrentamos: não um egoísmo generalizado, mas uma passividade generalizada. Bilhões de pessoas decentes balançam suas cabeças enquanto o mundo pega fogo, imobilizadas pela convicção de que ninguém mais quer saber de nada.

Você não está só. O mundo está com você, ainda que não tenha encontrado sua voz.

1% da população mundial concentra metade de toda a riqueza do planeta

Desigualdade aumentou desde da crise de 2008 e chega ao ápice em 2015. 
2015 será lembrado como o primeiro ano da série histórica no qual a riqueza de 1% da população mundial alcançou a metade do valor total de ativos. Em outras palavras: 1% da população mundial, aqueles que têm um patrimônio avaliado em 760.000 dólares (2,96 milhões de reais), possuem tanto dinheiro líquido e investido quanto o 99% restante da população mundial.
A reportagem é de Ignacio Fariza e publicada por El País, 14-10-2015.
Essa enorme disparidade entre privilegiados e o resto da Humanidade, longe de diminuir, continua aumentando desde o início da Grande Recessão, em 2008. A estatística do Credit Suisse, uma das mais confiáveis, deixa somente uma leitura possível: os ricos sairão da crise sendo mais ricos, tanto em termos absolutos como relativos, e os pobres, relativamente mais pobres.
No Brasil, a renda média doméstica triplicou entre 2000 e 2014, aumentando de 8.000 dólares por adulto para 23.400, segundo o relatório. A desigualdade, no entanto, ainda persiste no país, que possui um padrão educativo desproporcional, e ainda a presença de um setor formal e outro informal da economia, aponta o relatório.


Em O Preço da Desigualdade, um dos últimos livros de Joseph E. Stiglitz, o Nobel de Economia utilizou uma poderosa imagem da Oxfam para ilustrar a dimensão do problema da desigualdade no mundo: um ônibus que por ventura transporta 85 dos maiores multimilionários mundiais contém tanta riqueza quanto a metade mais pobre da população mundial.
Hoje, essa impactante imagem, plenamente em voga, ganha a companhia de outras que deixam latente a crescente desigualdade entre os privilegiados e o resto do mundo: um de cada 100 habitantes do mundo tem tanto quanto os 99 restantes; 0,7% da população mundial monopoliza 45,2% da riqueza total e os 10% mais ricos têm 88% dos ativos totais, segundo a nova edição do estudo anual de riqueza publicado na segunda-feira pelo banco suíço Credit Suisse, feito com dados do patrimônio de 4,8 bilhões de adultos de mais de 200 países.
O que causou esse novo aumento da disparidade? A entidade financeira aponta a melhora dos mercados financeiros: a riqueza dos mais ricos é mais sensível às subidas de preço de ações de empresas e outros ativos financeiros que a do restante da população. No último ano, os índices de referência dos mercados das principais bolsas europeias e norte-americanas, o Eurotoxx 50 e o S&P 500, subiram mais de 10%.
Outro dado dá base à tese do aumento da desigualdade: ainda que o número dos muito ricos (aqueles que têm um patrimônio igual ou superior aos 50 milhões de dólares [195 milhões de reais]) tenha perdido aproximadamente 800 pessoas desde 2014 por conta da força da moeda norte-americana frente ao resto das grandes divisas, o número de ultrarricos (aqueles que têm 500 milhões de dólares [1,95 bilhão de reais]) ou mais aumentou “ligeiramente”, segundo o Credit Suisse, para quase 124.000 pessoas. Nem sequer o ajuste pela taxa de câmbio é capaz de neutralizar o aumento. Por país, quase a metade dos muitos ricos vive nos EUA (59.000 pessoas), 10.000 deles vivem na China e 5.400 vivem no Reino Unido.
Com esses dados, não é de se estranhar a satisfação mostrada na segunda-feira pelo responsável pela Gestão de Patrimônios do Credit Suisse para a Europa, o Oriente Médio e a África, Michael O’Sullivan: seu negócio não deixou de crescer desde o estouro da maior crise desde a Segunda Guerra Mundial. “Nossa indústria está em pleno crescimento, a riqueza seguirá com sua trajetória de subida”. Suas previsões não podem ser mais eloquentes. O número de pessoas com um patrimônio superior a um milhão de dólares (3,9 milhões de reais) crescerá 46% nos próximos cinco anos, até chegar aos 49 milhões de indivíduos.
Toda a riqueza mundial em seu conjunto, por outro lado, crescerá até 2020 um robusto, mas inferior, índice de 39%. NaEspanha, o número de pessoas com patrimônio superior a um milhão de dólares (3,90 milhões de reais) chegou em 2015 a 360.000 pessoas, 21% a menos do que no mesmo período em 2014. A Espanha é o nono país que mais perdeu milionários no último exercício. Da mesma forma que o restante da zona do euro, a evolução é distorcida pela fragilidade do euro frente à moeda norte-americana.

12 outubro, 2015

Paróquia Nossa Senhora da Liberdade - Arquidiocese de Maringá

Fotos da missa em ação de graças a Nossa Senhora Aparecida da Paróquia Nossa Senhora da Liberdade - Arquidiocese de Maringá, que tem como pároco Pe. Dirceu Alves do Nascimento.






08 outubro, 2015

O grito do Papa: “Não à rigidez; Deus quer misericórdia”



O grito do Papa: “Não à rigidez; Deus quer misericórdia” 

Ultimas palavras do querido Papa Francisco antes de iniciar o Sínodo sobre a família. Inspirado no rebelde profeta Jonas.
Poderia ser mais claro e explicito o seu recado?

Rezemos que prevaleça a misericória. 

O grito do Papa: “Não à rigidez; Deus quer misericórdia”
O coração duro é o verdadeiro perigo para o ser humano, porque não deixa entrar a misericórdia de Deus. O destaque é do Papa Francisco e feito durante a homilia na missa matutina na Capela da Casa Santa Marta, antes de se  dirigir, segundo indicou a Rádio Vaticano, à aula  nova do Sínodo, onde acontece a assembleia geral dos bispos sobre o tema da família. 

A reportagem é de Domenico Agasso Jr e publicada por Vatican Insider, 06-10-2015. A tradução é de André Langer.

O Pontífice pediu para não obstaculizar a misericórdia do Senhor, considerando mais importantes as próprias ideias ou uma lista de mandamentos que devem ser seguidos. Disse-o referindo-se ao profeta Jonas, que resiste à vontade de Deus, mas que depois aprende que deve obedecer.


Francisco baseou sua homilia na primeira leitura do dia, do livro de Jonas, e destacou que a cidade de Nínive converte-se graças à sua pregação: “Realmente faz um milagre, porque neste caso ele deixou sua teimosia de lado e obedeceu à vontade de Deus, e fez aquilo que o Senhor lhe havia pedido”. 


Nínive converte-se e por este motivo Jonas, homem “não dócil ao Espírito de Deus, se enfurece: sentiu um enorme desgosto e foi desdenhado”. E vai além, chegando inclusive a se queixar de Deus.


O Papa explicou que a história de Jonas e Nínive articula-se em três pontos: o primeiro é “a resistência à missão que o Senhor lhe confia”; o segundo é “a obediência, e quando se obedece, milagres acontecem. A obediência à vontade de Deus, e Nínive se converte”. O terceiro, “a resistência à misericórdia de Deus”.


Francisco prosseguiu refletindo sobre a dureza dos corações. “‘Senhor, não era justamente isso que eu dizia quando estava ainda em minha terra? Porque Tu és um Deus misericordioso e piedoso’, e eu fiz todo o trabalho de pregar, cumpri bem meu dever, e Tu os perdoas? É o coração com aquela dureza que não deixa entrar a misericórdia de Deus. É mais importante a minha pregação, são mais importantes os meus pensamentos, é mais importante a lista de mandamentos que devo observar, tudo, exceto a misericórdia de Deus”. 


E esta situação, “este drama”, o próprio Jesus o viveu “com os doutores da Lei, que não entendiam porque ele não permitiu que a mulher adúltera fosse apedrejada, como ele fazia refeições junto com os publicanos e os pecadores: eles não entendiam. Não entendiam a misericórdia. ‘Tu és misericordioso e piedoso’”.


Mas o Salmo do dia sugere esperar “o Senhor, porque com o Senhor está a misericórdia, e grande é com Ele a redenção”.

O Papa acentuou: “Onde está o Senhor está a misericórdia. E Santo Ambrósio acrescentava: ‘E onde há rigidez ali estão seus ministros’. A teimosia que desafia a missão, que desafia a  misericórdia”. 

Assim, enquanto nos aproximamos do Ano da Misericórdia, recordou o Papa, “rezemos ao Senhor para que nos faça entender como é seu coração, o que significa ‘misericórdia’, o que quer dizer quando Ele diz: ‘Quero misericórdia e não sacrifício!’”


07 outubro, 2015

Catedral de Maringá é eleita a 5ª igreja mais bonita da América do Sul


Carla Guedes, O Diário

A Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, em Maringá, foi eleita a quinta igreja mais bonita da América do Sul, segundo ranking do site de viagens About Travel. 

A catedral de Maringá é a segunda representante do Brasil na lista das mais belas igrejas da América do Sul. O ranking é liderado pela Catedral da Sé, em São Paulo.

O About Travel descreve a catedral de Maringá como a mais alta igreja da América do Sul e “um dos mais dramáticos exemplos de igreja de construção moderna” do continente. A construção da catedral de Maringá, de acordo com a arquidiocese, começou em julho de 1959. A obra foi concluída em 10 de maio de 1972.

Segundo o About Travel, as mais interessantes igrejas do último século foram construídas na América do Sul.  Confira a lista das sete mais belas:

1ª Catedral da Sé – São Paulo/Brasil
2ª Basílica do Voto Nacional – Quito – Equador
3ª Catedral de Salta – Argentina
4ª Santuário de Las Lajas – Colômbia
5ª Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória – Maringá/Brasil
6ª Catedral de Lima – Peru
7ª Igreja de Isluga – Chile

Fonte: O Diário
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Conflitos e perseguição provocaram êxodo de 60 milhões


No mundo todo há 60 milhões de pessoas que são atualmente refugiadas, solicitantes de asilo ou deslocadas dentro de seus próprios países devido a conflitos armados e perseguições: foi o que disse nesta segunda-feira o chefe da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), António Guterres.

Conflitos antigos continuam sem solução e 15 novos explodiram nos últimos cinco anos, e o volume de pessoas que foram repatriadas em 2014, - 126 mil - foi o mais baixo das últimas três décadas.

Em consequência de conflitos, o número de pessoas deslocadas em nível mundial quadruplicou no período 2010-2014, passando de 11 mil para 42.500 por dia, alertou Guterres na inauguração do 66º comitê executivo da Acnur.

Só a grande crise causada pelas interconexões entre os conflitos do Iraque e da Síria empurraram 15 milhões de pessoas para o êxodo, sem esquecer que os enfrentamentos na África continuam a forçar centenas de milhares de pessoas a abandonarem seus lares.

Os últimos dados da Acnur indicam que nos últimos 12 meses 500 mil pessoas fugiram do Sudão do Sul, 190 mil do Burundi e 300 mil da Líbia.

O Iêmen, por sua vez, também se transformou em um foco de saída de refugiados. 1,1 milhão de pessoas fugiram nos últimos 12 meses por causa do conflito interno neste país.

As vagas oferecidas para a realocação de refugiados representam uma fração mínima do que é necessário para o volume de refugiados em nível mundial. Guterres explicou que em 2014 100 mil pessoas foram realocadas, 15% do necessário.

Em sua última participação como alto comissário diante de um comitê executivo da Acnur - ele deixará o cargo no fim deste ano, Guterres ressaltou que, para solucionar a atual crise de refugiados na Europa, é fundamental "uma relação positiva entre Ocidente e os mundos muçulmanos".

Ele assinalou que a rejeição aos refugiados muçulmanos por causa de sua religião é "a melhor propaganda que os grupos extremistas precisam para atrair novos seguidores jovens para o terrorismo".

Setores políticos influentes em vários países europeus pediram para só receberem refugiados cristãos.

"Uma Europa que defenda seus valores fundadores, de tolerância e de abertura, recebendo refugiados de todas as religiões, debilitará os argumentos de grupos extremistas", destacou Guterres.

Ele sustentou que é urgente resistir à islamofobia e reduzir a atração que as ideologias extremistas podem ter entre os jovens.

O alto comissário disse que "se, por um lado, a solidariedade de muitos europeus que prestam socorro e até acolhem em suas casas refugiados que chegam aos seus países é comovente; por outro, é chocante a hostilidade que aqueles que fogem da guerra encontram em lugares onde pensaram que teriam certezas". (SP-EFE)

Fonte: Rádio Vaticano

04 outubro, 2015

Fui votar - eleição para Conselheiro Tutelar

Acabei de chegar, fui votar.
Hoje esta ocorrendo em todos os municípios do Brasil eleição para Conselheiro Tutelar.
Locais de votação em Maringá/Paraná: http://goo.gl/A9wRjH
Horário da votação: Das 8h às 17h.
Quem pode votar?
- Pessoas maiores de 16 anos com título de eleitor.
O que é preciso?
- Documento com foto e título de eleitor.
- O voto pode ser feito até às 17H00 de hoje, domingo.
O que é o Conselho Tutelar?
O Conselho Tutelar foi criado conjuntamente ao Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, instituído pela Lei 8.069 no dia 13 de julho de 1990.
É o órgão municipal responsável por zelar pelos direitos da criança e do adolescente. Formado por membros eleitos pela comunidade para mandato de quatro anos, possui autonomia funcional, ou seja, não é subordinado a qualquer outro órgão estatal.
A quantidade de conselhos varia de acordo com a necessidade de cada município, mas é obrigatória a existência de, pelo menos, um Conselho Tutelar por cidade, constituído por cinco membros. Em Maringá são dois.
Segundo consta no artigo 136 do ECA, são atribuições do Conselho Tutelar e, consequentemente, do Conselheiro Tutelar, atender não só as crianças e adolescentes, como também atender e aconselhar pais ou responsáveis.
O Conselho Tutelar deve ser acionado sempre que se perceba abuso ou situações de risco contra a criança ou o adolescente, como por exemplo, em casos de violência física, sexual ou emocional.
Cabe ao Conselho Tutelar aplicar medidas que zelem pela proteção dos direitos da criança e do adolescente. Para informações completas das atribuições do Conselho Tutelar, acesse o ECA completo em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm.
Apesar de muitas pessoas acharem o contrário, o Conselho Tutelar não tem competência para aplicar medidas judiciais, ou seja, ele não é jurisdicional e não pode julgar nenhum caso.
É um órgão ‘zelador’ dos direitos da criança e do adolescente. Não é função do Conselho Tutelar, por exemplo, fazer busca e apreensão de crianças ou adolescentes, expedir autorização para viagens ou desfiles ou determinar a guarda legal da criança.
O Conselheiro Tutelar deve sempre ouvir e entender as situações que lhe são apresentadas por aquele que procura o Conselho Tutelar. Somente após a análise das situações específicas de cada caso é que o conselheiro deve aplicar as medidas necessárias à proteção dos direitos da criança e do adolescente.
Portanto, o interessado deve buscar os poderes necessários para execução dessas medidas, ou seja, poder público, famílias e sociedade.
O processo de escolha dos conselheiros tutelares deve ser conduzido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Para ser conselheiro tutelar é necessário ter 21 anos completos ou mais, morar na cidade onde se localiza o Conselho Tutelar e ser de reconhecida idoneidade moral.
Outros requisitos podem e devem ser elaborados pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. É indispensável que o processo de escolha do conselheiro tutelar busque pessoas com um perfil adequado ao desenvolvimento da função, ou seja, alguém com disposição para o trabalho, aptidão para a causa pública, e que já tenha trabalhado com crianças e adolescentes.
É imprescindível que o conselheiro tutelar seja capaz de manter diálogo com pais ou responsáveis legais, comunidade, poder judiciário e executivo e com as crianças e adolescentes. Para isso é de extrema importância que os eleitos para a função de conselheiro tutelar sejam pessoas comunicativas, competentes e com capacidade para mediar conflitos.

29 setembro, 2015

Entrevista com o filósofo americano Michael Sandel


A entrevista é de André de Oliveira, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 27-09-2015.

Professor por mais de duas décadas, na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, do curso Justiça, que nos últimos anos passou a ser transmitido também pela internet e já atraiu mais de 15 mil alunos no mundo. Nas aulas, ele aborda situações e temas do cotidiano para discutir conceitos de ética, moral e justiça à luz do pensamento de filósofos como Aristóteles, John Locke, Immanuel Kant, John Stuart Mill e John Rawls.

Agora, Sandel traz suas aulas para o Brasil, em uma parceria entre Harvard, Insper, o Estado e edX (site de cursos online das maiores universidades do mundo). Com duração de 12 semanas, o curso foi especificamente pensando para questões e realidades vividas no cotidiano brasileiro e será transmitido em plataforma online e interativa, com legendas em português. De passagem por São Paulo, o filósofo concedeu esta entrevista.

Eis a entrevista.

O senhor acredita que acabar com a desigualdade é uma questão de justiça?

Sim. Hoje, um dos principais desafios para se ter uma sociedade mais justa é aprender a lidar com o abismo entre ricos e pobres. Isso porque, nos últimos anos, a desigualdade só aumentou na maior parte dos países. No Brasil, vocês tiveram sucesso em reduzir a pobreza, mas é importante distinguir desigualdade de pobreza. Ou almejamos uma sociedade menos desigual ou teremos uma comunidade injusta. E existem inúmeras políticas que podem reduzir a desigualdade. Uma delas, que tem sido usada por aqui, são as ações afirmativas do governo na educação. Existem duas razões para ajudar pessoas que vêm de extratos desfavorecidos da sociedade. A primeira é dar oportunidades iguais para quem está em patamares de desvantagem socioeconômica. A segunda é criar um ambiente educacional melhor para todos. Ter estudantes de diferentes origens étnicas, econômicas e sociais em uma mesma sala de aula cria um ambiente de aprendizagem que ajuda a todos. Isso porque uma parte do que deveríamos estar ensinando em nossas universidades é um tipo de educação cidadã que ajude a cultivar cidadãos democratas capazes de entender, ouvir e discutir com os outros. As ações afirmativas são um belo exemplo de como se reduz a desigualdade, mas, é bom lembrar, sozinhas, elas não são capazes de mudar a sociedade.

Em meio a crise econômica e política do Brasil, o que vemos nas ruas muitas vezes é muita discussão e pouco debate de ideias.

Esse é um momento crítico para o Brasil, mas eu acredito que toda crise também apresenta uma oportunidade de aprofundar a democracia. Eu acho que o ativismo, expresso em protestos, é saudável. Este é um caminho para expressar sua voz. Outro é no dia da eleição. Mas acima desses dois existe o exercício cotidiano da democracia. Ela necessita que os cidadãos debatam através da mídia, de organizações civis, mas que a conversa não vire uma gritaria, uma discussão sem respeito mútuo. Na democracia, devemos nos engajar com o outro, mesmo quando não concordamos com ele, porque só assim é possível tentar encontrar o princípio fundamental de onde está o desentendimento, tenha ele nascido a partir de uma questão sobre transporte urbano, saúde ou taxação de renda. Só assim é possível deixar as coisas claras e evoluir.

Encontrar esse ponto de equilíbrio pode ser difícil quando algumas questões, como a corrupção, muitas vezes são vistas como uma primazia de determinados grupos. O que fazer?

No caso da corrupção, por exemplo, é necessário enxergá-la não apenas como uma questão legal, mas como um tema de ética e cultura democrática. Nós costumamos dizer que a corrupção é sempre o problema de outra pessoa, outro partido político ou de pessoas em cargos altos da Petrobrás, mas ela está na nossa vida cotidiana. Nesse momento, eu respeito e admiro a independência do sistema Judiciário brasileiro, que está fazendo algo sério sobre esse tema. Aliás, a liberdade com que o Judiciário tem trabalhado também revela a maturidade da democracia brasileira. Agora é importante valorizar isso, mas sem deixar de trabalhar com a noção de que a corrupção é algo a ser resolvido em longo termo, algo que depende de uma nova educação cidadã, só encontrável na convivência diária com o outro, com o diferente. Este é o caminho para a corrupção se transformar, gradualmente, em integridade.

O Supremo Tribunal Federal proibiu doações de empresas a partidos e políticos. O senhor acredita que essa é uma boa forma de se combater a corrupção política?

Eu acredito que esse dinheiro distorce a democracia, porque dá muito poder aos mais ricos e faz com que os cidadãos comuns acreditem que é impossível ter suas vozes minimamente representadas na vida democrática. Muitas democracias vivem esse dilema quando o assunto são as doações em campanhas eleitorais. Os EUA vivem uma versão extrema disso, em que empresas e pessoas muito ricas influenciam campanhas diretamente. É importante que haja uma limitação da quantidade de dinheiro que pode ser doado. Nós tínhamos algumas restrições modestas, mas, infelizmente, nossa Suprema Corte, ao contrário do que está acontecendo no Brasil, as derrubou. Idealmente, deveria existir alguma combinação entre um fundo de dinheiro público para campanhas e pequenas contribuições de pessoas físicas. Isso acabaria com essa distorção que, muitas vezes, também é fonte de corrupção.

O senhor fala bastante de resolver a desigualdade por meio de uma “nova educação cidadã”, na qual a convivência com o diferente é fundamental. É possível imaginar uma comunidade saudável em que não há convivência em espaços públicos, em que tudo se dá no âmbito privado, do carro para o trabalho, do trabalho para o carro?

Essa é uma questão fundamental, porque é impossível ter uma democracia sadia sem espaços públicos, onde cidadãos, de todas as origens, possam interagir. Parques, bibliotecas, museus. Tudo isso é necessário para que haja uma cultura democrática forte. Se as pessoas viverem seus cotidianos apenas em espaços privados, elas terão poucas oportunidades de encontrar quem é diferente delas. Uma das consequências mais terríveis da desigualdade, do abismo entre ricos e pobres, é que as pessoas vivem separadas, distantes. Desse modo, corre-se o risco de que as pessoas deixem de enxergar a democracia como um projeto comum, que visa ao bem comum. Só convivendo com pessoas de diferentes origens étnicas, sociais e econômicas é possível apender a cultivar a democracia.

O senhor disse que a desigualdade aumentou no mundo. Essa separação, essa falta de convivência, também aumentou?

Sem dúvida. E quem perde com isso é a democracia. Eu tenho um conceito que expressa bem essa separação. Eu chamo isso de “camarotização” da vida. Quando jovem, antes de existirem setores VIP, eu era um fã de beisebol e ia em todos os jogos torcer pelo time local. Nessa época, existiam alguns assentos mais caros, mas não existia uma diferença grande entre preços. Por isso, ir a um estádio era uma experiência de mistura cívica, era um exercício de cidadania, onde rico e pobre sentavam lado a lado, onde, para ir ao banheiro, todo mundo usava a mesma fila. Sem privilégios. Se chovia, todo mundo ficava molhado. Acredito que algo semelhante à “camarotização” tenha acontecido nas novas arenas de futebol que substituíram os antigos estádios brasileiros, como o Maracanã. No caso americano, isso ocorreu durante os anos 1980 e 1990. O camarote é o símbolo máximo da mudança pela qual nossa sociedade passou e está passando. E, talvez, por ser tão simbólico, esse seja um dos principais desafios das nossas modernas democracias: criar espaços em que as pessoas possam conviver sem privilégios.

23 setembro, 2015

Chegou a Primavera


P R I M A V E R A


Chegou a Primavera
Trouxe luz e cor
Que coisa tão bela
Trouxe-nos uma flor!

A primavera é uma das quatro estações do ano. Ela ocorre após o inverno e antes do verão. No hemisfério sul, onde está localizado o Brasil, a primavera tem início em 23 de setembro e termina no dia 21 de dezembro.

É uma época em que ocorre o florescimento de várias espécies de plantas. Portanto, é um período em que a natureza fica bela.
A função deste florescimento é o início da época de reprodução de muitas espécies
de árvores e plantas.


21 setembro, 2015

Dia da Árvore


Uma árvore... Uma sombra... flores... insetos, pássaros, ninhos... e ai se formam diversos ciclos... natureza, vida...

No Brasil, o Dia da Árvore é comemorado em 21 de setembro, em função da véspera da primavera. É nesta estação que as árvores ficam repletas de folhas verdes e, em muitas delas, surgem lindas flores. 

Importância das árvores:

- Melhoram a qualidade do ar, principalmente nas grandes cidades, pois diminuem a poluição;

- Servem de moradia para diversas espécies de pássaros;

- As árvores frutíferas fornecem alimentos para os seres humanos e diversas espécies animais;

- Proporcionam sombra e favorecem a redução da temperatura em praças, parques e etc;

- Melhoram a umidade do ar, importante nos dias secos;

- Evitam a erosão do solo;

- As árvores deixam as paisagens rural e urbana muito mais belas.

Objetivos da data

- Conscientizar as pessoas sobre a importância das árvores para o meio ambiente e melhoria da qualidade de vida;

- Criar uma cultura de preservação ambiental, combatendo a exploração ilegal das árvores presentes nas florestas e nas cidades;

- Desenvolver projetos de plantio de mudas de árvore, visando aumentar a arborização, principalmente nos grandes centros urbanos.