18 novembro, 2022

“Alarga o espaço da tua tenda (Is 54, 2)”

O que segue abaixo sobre o profeta Isaías retirei do documento de Trabalho para Etapa Continental, para a próxima etapa do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade “Alarga o espaço da tua tenda (Is 54, 2)”.


“Alarga o espaço da tua tenda, estende sem medo as lonas que te abrigam, e estica as tuas cordas, fixa bem as tuas estacas” (Is 54,2).

É a um povo que vive a experiência do exílio que o profeta dirige palavras que hoje nos ajudam a pôr em foco aquilo a que o Senhor nos está a chamar através da experiência de uma sinodalidade vivida: “Alarga o espaço da tua tenda, estende sem medo as lonas que te abrigam, e estica as tuas cordas, fixa bem as tuas estacas” (Is 42,2).

A palavra do profeta recorda ao povo no exílio a experiência do êxodo e da travessia do deserto, quando habitava nas tendas, e anuncia a promessa do regresso à terra, sinal de alegria e esperança. Para se preparar, é necessário alargar a tenda, agindo sobre três elementos da sua estrutura. O primeiro são as lonas, que protegem do sol, do vento e da chuva, delineando um espaço de vida e de convivência. É preciso estendê-las, de modo que possam proteger também aqueles que ainda se encontram fora deste espaço, mas que se sentem chamados a entrar. O segundo elemento estrutural da tenda são as cordas, que mantêm juntas as lonas. Devem equilibrar a tensão necessária para evitar que a tenda se debilite com a frouxidão que enfraquece com os movimentos provocados pelo vento. Por isso, se a tenda se alarga, devem aumentar-se para manter a justa tensão. Por fim, o terceiro elemento são as estacas que fixam a estrutura ao solo e asseguram a solidez, mas permanecem capazes de serem movidas quando se deve armar a tenda noutro lugar.

Ouvi hoje estas palavras de Isaías que nos convidam a imaginar a Igreja como uma tenda, ou melhor, como a tenda da reunião, que acompanhava o povo durante o caminho no deserto: é, portanto, chamada a alargar-se, mas também a deslocar-se. No seu centro está o tabernáculo, ou seja, a presença do Senhor. A resistência da tenda é assegurada pela robustez das suas estacas, ou seja, os fundamentos da fé que não mudam, mas podem ser deslocados e colocados em terrenos sempre novos, de modo que a tenda possa acompanhar o povo que caminha na história. Por fim, para não afrouxar, a estrutura da tenda deve manter em equilíbrio as diversas pressões e tensões a que é submetida: uma metáfora que exprime a necessidade do discernimento. É assim que muitas sínteses imaginam a Igreja: uma morada ampla, mas não homogénea, capaz de dar abrigo a todos, mas aberta, que deixa entrar e sair (cf. Jo 10,9), e em movimento para o abraço com o Pai e com todos os outros membros da humanidade.

Alargar a tenda exige acolher outros no seu interior, dando espaço à sua diversidade. Requer, portanto, a disponibilidade para morrer a si mesmos por amor, reencontrando-se na e pela relação com Cristo e com o próximo: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12,24). A fecundidade da Igreja depende da aceitação desta morte, que não é uma aniquilação, mas uma experiência de esvaziamento de si para deixar-se encher de Cristo pelo Espírito Santo e, portanto, um processo através do qual recebemos o dom de relações mais ricas e laços mais profundos com Deus e com os outros. É esta a experiência da graça e da transfiguração. Por esta razão o apóstolo Paulo recomenda: “Tende entre vós os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus. Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo” (Fl 2,5-7). É nesta condição que os membros da Igreja, individualmente e todos em conjunto, se tornarão capazes de cooperar com o Espírito Santo para cumprir a missão dada por Jesus Cristo à sua Igreja: é um ato litúrgico, eucarístico.

Invasões de terras indígenas tiveram novo aumento em 2021, em contexto de violência e ofensiva contra direitos!

Relatório anual do Cimi retrata agravamento das violências contra os povos indígenas no Brasil, com ataques a direitos e desmonte dos órgãos de fiscalização e assistência. 


Conforme publicado no site do CIMI, o ano de 2021 foi marcado pelo aprofundamento e pela dramática intensificação das violências e das violações contra os povos indígenas no Brasil. 

O aumento de invasões e ataques contra comunidades e lideranças indígenas e o acirramento de conflitos refletiram, nos territórios, o ambiente institucional de ofensiva contra os direitos constitucionais dos povos originários. É o que aponta o relatório Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil – dados de 2021, publicação anual do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). 

Em seu terceiro ano, o governo de Jair Bolsonaro manteve a diretriz de paralisação das demarcações de terras indígenas e omissão completa em relação à proteção das terras já demarcadas. Se, do ponto de vista da política indigenista oficial, essa postura representou continuidade em relação aos dois anos anteriores, do ponto de vista dos povos ela representou o agravamento de um cenário que já era violento e estarrecedor. 

Leia na integra clicando AQUI

Para ler e baixar o relatório clique AQUI

Deixemo-nos provocar pelo evangelho de hoje Lc 19,45-48

Oração:

"Senhor Jesus,
tua ação no Templo de Jerusalém, expulsando os vendedores e denunciando os ladrões, valeu como uma purificação da religião de Israel e de toda religião. Temos que tomar cuidado para que a religião não se torne uma fonte de exploração, de enriquecimento e de controle das pessoas por gente poderosa e interesseira. Contigo aprendemos que a religião que praticamos em nossos Templos deve nos ajudar a viver em fraternidade, na comunhão com o Senhor nosso Deus e Pai. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém."

(Fonte: Blog da Meditação da Palavra)

11 novembro, 2022

Deixemo-nos provocar por Paulo Freire!

Paulo Freire, esse incrível!

O que é que o professor Paulo Freire
Lá no Nordeste, entre o Recife e os Angicos
começou a desfazer pra inventar e refazer?
Ele transformou em redondo o que era quadrado
e desenquadrou o que era antes enquadrado.
Ensinou a pensar o ser onde havia o ter
Ele fez virar um círculo o que era uma sala.
E disse do professor que falava-sem-ouvir
que fosse o educador que escuta e depois... fala.

Ele imaginou sermos "nós" o que antes era o "eu",
e pensou como "nosso" o que era “só o meu".
E sendo do povo um igual, um parceiro e amigo,
e vivendo com ele a opressão e a injustiça
em que sofre a gente sofredora e pobre
ele criou uma “Pedagogia do Oprimido”
e pensou uma “Educação Libertadora”

Ele sonhou como partilha o que era posse
E imaginou como um dom o que era o lucro.
Trocou o "bancário" pelo “emancipador”
e soletrou "es-pe-ran-ça", no lugar da "dor".
Ele pensou o "vamos juntas" onde havia o "só você"
e o Eu-com-Você contra o Você-sobre-o-Eu.
Pensou “educação” onde havia “instrução”.

E sonhou a palavra-compartida do diálogo
onde dominava o silêncio do monólogo.

Ele trocou o já-feito pelo se-fazendo.
Do "inacabado" pensou o "aprendizado"
e do sermos-imperfeitos, o aperfeiçoável
de quem sempre pode-ser-além-do-que-já-foi.
E pra quem não crê no que nós podemos ser
e no que juntas e juntos nós podemos fazer
se soubermos viver entre a luta e o sonhável,
Paulo Freire anunciou e gritou para o mundo
Que o caminho da vida é o... "inédito viável".

Letra de Carlos Brandão
Música de Paulo Padilha

10 novembro, 2022

Texto Base 15º Intereclesial das CEBs

Baixe o Texto Base do 15º Intereclesial das CEBs em PDF

Para baixar clique AQUI

Pretendemos que este material sirva para as instituições, os organismos, as ONGs e tantos outros grupos que sonham com um mundo melhor, marcado pela justiça e pela paz, pela fraternidade e pela igualdade, pela acolhida e pelo respeito, pela dignidade das pessoas e pelo cuidado com o meio ambiente, a casa comum. Houve um esforço para ajudar na indicação de caminhos possíveis para a defesa, promoção e valorização de todas as formas de vida.



Por Frei Zeca

Por ocasião do último Intereclesial das Comunidades de Base, realizado em Londrina – PR, Dom Juventino Kestering (in memorian), com os demais bispos e a delegação do nosso Regional Oeste 2, assumiram o compromisso pela realização do 15º Intereclesial das CEBs neste chão de missão que é o Estado de Mato Grosso. O intuito é reanimar e celebrar a vida e missão das Comunidades presentes nas Dioceses do Regional e em todo o imenso Brasil, vivenciando a proposta do Papa Francisco, de uma Igreja em saída, missionária, uma Igreja de comunhão e participação, uma Igreja samaritana, Povo de Deus.

Nesta perspectiva de celebrar a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base em todas as dioceses do Brasil, e animá-las em sua missão, acontecerá de 18 a 22 de julho de 2023, em terras mato-grossenses, na cidade de Rondonópolis – MT, o 15º Intereclesial das CEBs. E neste processo de construção e preparação do grande encontro das Comunidades, a Ampliada Nacional das CEBs elaborou o texto-base, para ajudar na reflexão, na celebração, na busca e construção do mundo novo, onde seja possível o bem viver.

Assim, temos a alegria de apresentar e propor este texto-base para a dinâmica do 15º Intereclesial, que tem como tema central: CEBs – Igreja em Saída, na busca de Vida Plena para todos (as). E como lema: Vejam, eu vou criar novos céus e uma nova terra, inspirado no livro do Profeta Isaías 65,17.

Partindo da metodologia Ver, Julgar e Agir, este subsídio é um instrumento de reflexão e de proposta de indicações práticas para que o Povo de Deus, na experiência de pequenas comunidades, dialogue sobre a realidade atual, tão marcada por alegrias e experiências que geram a vida, mas também por experiências negativas, que ferem a dignidade humana, criando muitas vezes a cultura da morte (ódio, discriminação, descarte, preconceitos, irresponsabilidade com o meio ambiente), e encontre luzes de esperança e de ânimo, para continuar sendo “sal e luz”, “fermento na massa” e gerador de profetas e profetizas da justiça e do bem, da acolhida e da inserção de todos(as) indistintamente, da valorização do outro, da outra e do cuidado com a casa comum.

Além disso, pretendemos que este material sirva para as instituições, os organismos, as ONGs e tantos outros grupos que sonham com um mundo melhor, marcado pela justiça e pela paz, pela fraternidade e pela igualdade, pela acolhida e pelo respeito, pela dignidade das pessoas e pelo cuidado com o meio ambiente, a casa comum. Houve um esforço para ajudar na indicação de caminhos possíveis para a defesa, promoção e valorização de todas as formas de vida.

Desejamos que este texto-base produza no coração e na vida dos homens e mulheres que dele se servirem, frutos de boas obras, sobretudo para com os mais pobres que estão nas periferias sociais e existenciais.

07 novembro, 2022

deixemo-nos provocar pelo nosso Amado Profeta Papa Francisco!

Hoje, 7 de novembro, 311.º dia do ano no calendário gregoriano (312.º em anos bissextos) e faltando 54 para acabar o ano, deixemo-nos provocar pelo nosso Amado Profeta Papa Francisco.

"A cultura do cuidado é o antídoto contra um mundo impregnado de individualismo e enclausurado pela tristeza. Aprendamos a cuidar dos outros, da cidade, da sociedade, da criação, para saborear a alegria da amizade e da gratuidade." (Papa Francisco).

03 novembro, 2022

VIVA A ESPERANÇA - Mutirão de Vozes

A música "Viva a Esperança" (originalmente, "Trovas ao Cristo Libertador"), composição com letra de Dom Pedro Casaldáliga e música de Pe. Cireneu Kuhn, svd, interpretada coletivamente por membros da Irmandade dos Mártires da Caminhada. 

Clipe produzido na celebração de um ano da Passagem do Poeta-Profeta Dom Pedro Casaldáliga!

 

01 novembro, 2022

Padres da Caminhada - Carta ao presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva

Carta ao presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva

Estimado amigo Lula,

“Erguei-vos e levantai vossa cabeça, pois se aproxima vossa libertação” (Lc 21,28)

A frase dita por Jesus a suas discípulas e a seus discípulos, antes de entrar em Jerusalém para sua Páscoa, tornou-se uma realidade para as brasileiras e os brasileiros na noite do domingo passado: a libertação de anos de discurso de ódio, de fake news, de espíritos armados está próxima!

Ainda ecoa em nossas mentes e nossos corações o encontro do dia 17 de outubro passado na Casa de Portugal, em São Paulo. Por isso, nos alegramos com sua eleição e temos muita esperança, juntos com todas aquelas e todos aqueles que passaram os últimos quatro anos lutando para não ser devorados, de que a política excludente e raivosa do ainda presidente será banida. Lula, sua eleição é esperança para todos nós!

Ao mesmo tempo, saber que a maioria de seus votos veio das regiões mais pobres e mais periféricas do Brasil confirma o trabalho comprometido com o povo simples. O Papa Francisco não se cansa de insistir que da periferia vem a esperança; que seu novo governo não se afaste de quem lá vive, que não se afaste da base!

Sabemos que a libertação está próxima, contudo, ainda não está. Em seu discurso da noite de domingo vimos um homem consciente das divisões que o fascismo trouxe ao povo: famílias separadas, amizades desfeitas, injúrias e ódio por todos os lados. Conte conosco para a reconstrução do nosso Brasil, um país de todas as cores e sabores, de todos os rostos e amores! Empenhar-nos-emos em nossas comunidades para a erradicação da miséria, da fome e de toda forma de exclusão.

Não queremos uma pátria armada! Queremos uma pátria amada! Queremos uma pátria da educação e da cultura, dos livros e da alegria no rosto das crianças, dos adolescentes e dos jovens! Queremos uma pátria da dignidade assegurada para as trabalhadoras e os trabalhadores e do respeito para com as idosas e os idosos! Não queremos a pátria do desmatamento e dos grileiros! Queremos a pátria da natureza exuberante, da beleza de todos seus biomas, da proteção dos direitos de seus povos originários!

Queremos um Brasil mais verde e amarelo que nunca! Essas são as cores de todas as brasileiras e de todos os brasileiros.

Lula amigo, presidente eleito do Brasil, parabéns! Que Deus abençoe você e todo o povo brasileiro!

Brasil, 01 de novembro de 2022.

Padres da Caminhada e Padres contra o Fascismo

Três anos que com o nosso Deus minha Mãe esta!


31 outubro, 2022

NOVEMBRO: PELAS CRIANÇAS QUE SOFREM

 


Intenção do Papa Francisco para o mês de novembro

Pelas Crianças que sofrem!

Há ainda milhões de crianças que sofrem e vivem em condições muito semelhantes à escravidão.

Não são números: são seres humanos com um nome, com um rosto, com uma identidade dada por Deus.

Muitas vezes esquecemos a nossa responsabilidade e fechamos os olhos à exploração destas crianças que não têm direito de brincar, nem de estudar, nem de sonhar. Elas nem sequer têm o calor de uma família.

Cada criança marginalizada, abandonada por sua família, sem escolaridade, sem cuidados médicos, é um grito! Um grito que se eleva a Deus e acusa o sistema que nós, adultos, construímos.

Uma criança abandonada é culpa nossa.

Não podemos continuar a permitir que se sintam sozinhas e abandonadas; elas precisam receber uma educação e sentir o amor de uma família para saberem que Deus não as esquece.

Rezemos para que as crianças que sofrem, as crianças que vivem nas ruas, as vítimas da guerra e os órfãos, possam ter acesso à educação e possam redescobrir o afeto de uma família.

Pe. João Caruana pilar da construção social e política!

Pe. João Caruana 
pilar da construção social e política!


“Somos um único país, um único povo, uma grande nação ”

“Somos um único país, um único povo, uma grande nação ” (Lula)



30 outubro, 2022

Lula Presidente!


 

Vejam!


 

Fora PRF deixem o Nordeste e o Brasil Votar

https://noticias.uol.com.br/

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) intimou o diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Silvinei Vasques, a explicar, com urgência, as razões pelas quais estão sendo realizadas operações policiais nos estados.

Ontem, em suas redes sociais, o diretor-geral da PRF postou um vídeo em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.

As operações estariam sendo realizadas mesmo após a proibição de qualquer operação que afete o transporte público dos eleitores, determinada por Moraes na noite de ontem.

despacho publicado neste domingo cita um vídeo na qual um usuário do Twitter afirma que a PRF está fazendo blitz na entrada de Cuité (PB), município a 219 quilômetros de João Pessoa.


29 outubro, 2022

Não Sabemos o que é Desistir!


 

É isso aí Flamengo!

Hoje Libertadores.

Aguenta coração, a véspera de votar 13.


28 outubro, 2022

Oração pela Paz!

Senhor Deus de Paz, escutai a nossa súplica!

Tentamos tantas vezes e durante tantos anos resolver os nossos conflitos com as nossas forças e também com as nossas armas; tantos momentos de hostilidade e escuridão; tanto sangue derramado; tantas vidas despedaçadas; tantas esperanças sepultadas... Mas os nossos esforços foram em vão. Agora, Senhor, ajudai-nos Vós! Dai-nos Vós a paz, ensinai-nos Vós a paz, guiai-nos Vós para a paz. Abri os nossos olhos e os nossos corações e dai-nos a coragem de dizer: «nunca mais a guerra»; «com a guerra, tudo fica destruído»! Infundi em nós a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz. Senhor, Deus de Abraão e dos Profetas, Deus Amor que nos criastes e chamais a viver como irmãos, dai-nos a força para sermos cada dia artesãos da paz; dai-nos a capacidade de olhar com benevolência todos os irmãos que encontramos no nosso caminho. Tornai-nos disponíveis para ouvir o grito dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos medos em confiança e as nossas tensões em perdão. Mantende acesa em nós a chama da esperança para efectuar, com paciente perseverança, opções de diálogo e reconciliação, para que vença finalmente a paz. E que do coração de todo o homem sejam banidas estas palavras: divisão, ódio, guerra! Senhor, desarmai a língua e as mãos, renovai os corações e as mentes, para que a palavra que nos faz encontrar seja sempre «irmão», e o estilo da nossa vida se torne: shalom, paz, salam! Amen.

Papa Francisco
Invocação pela Paz, Jardins do Vaticano, 8 de junho de 2014

26 outubro, 2022

A espiritualidade das CEBs e a mística que nos motiva!


Por mim, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)


A espiritualidade das CEBs e a mística que nos motiva!

A espiritualidade da CEBs é o seguimento de Jesus, percorrer seu caminho. E a mística das CEBs é a motivação que nos faz viver a causa até o fim, o Reino de Deus.

A mística é um mistério e para a mística mistério é saber a razão porque no agir comprometido com o seguimento de Jesus em Comunidades Eclesiais de Base, com pequenos gestos as coisas extraordinárias acontecem.

"O Espírito do Senhor está sobre mim. Ele me escolheu para anunciar a Boa-Notícia aos pobres e me mandou anunciar a liberdade aos presos, dar vistas aos cegos, por em liberdade os que estão sendo oprimidos, e anunciar o ano em que o Senhor vai salvar o seu Povo." (Lc 4. 18-19).

“Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Notícia do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade. 36 Vendo as multidões, Jesus teve compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. 37 Então Jesus disse a seus discípulos: «A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos! 38 Por isso, peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita.»”. (Mt 9,35-38)

Dar testemunho de vida é, como Jesus, amar o próximo comprometendo-se com a sua libertação. É fazer a opção pelo empobrecido, abraçando sua causa. É amar a Deus, assumindo a concretização de seu Reino de Amor.

A experiência do encontro com Jesus, com seu estilo de vida, com sua pessoa, permite reproduzir novas formas de vivência e prática. O exemplo de vida de Jesus permite reinterpretar a Igreja, partindo da "prática" dos pobres, como propunham os bispos de Medellín e Puebla.

Isto significa hoje algo de muito concreto:

Ir à periferia, ir a base, ir aonde não há poder, porque "pobre" significa "sem poder", Jesus era de Nazaré da Galiléia, filho de uma família humilde. Morava no campo. Tornou-se carpinteiro. Prestava serviços em troca de moeda ou alimentos para sua subsistência.

Ele escolheu seus discípulos entre os humildes e marginalizados. As mulheres e homens que com Jesus estavam eram gente sofrida. Jesus era um homem do povo. Um povo analfabeto e desprezado. Participava das festas (Lc. 2,41; Jo 5,1).

Jesus foi ao casamento de amigos (Jo 2,1-2). Estava sempre cercado pela multidão (Mc 3,8; Lc 21,38; Mc 6,31). Jesus era um homem aberto, compreensível, acolhedor... e condenava todo o tipo de discriminação.

Ele era um homem intimamente liberto, autêntico, transparente e extremamente coerente com seu próprio discurso. Ele buscou a justiça, foi formador e formando, teve amigos, questionou os poderosos da época.

O Evangelho demonstra que não eram os discursos de Jesus o que mais impressionava e, sim, sua coerência e seu testemunho de vida.

"Verdadeiramente este homem é justo" (Lc 23,47) Jesus propôs o "novo" em oposição às estruturas sociais e políticas de seu tempo. Isto gerou repulsa, rejeição, criou o conflito.

E Jesus, coerentemente, enfrentou as diversas instâncias de poder do seu tempo. Conheceu a difamação, a crítica, a perseguição e a ameaça de morte. Sua prisão, tortura, condenação e crucificação foram consequências de sua prática e de sua vida.

Jesus é um homem de ligação íntima com o Pai. Toda sua vida é constante louvor e referência ao Pai. Ele buscava a vontade do Pai como "alimento". Esta união e abertura ao Pai é a condição para viver uma vida nova "em Deus".

Jesus era um homem de muita alegria. Tinha amigos. Apresentava palavras de consolo e de esperança para todos (cf. Lc 12, 22-26). Nunca perdia o ânimo frente as provações e dificuldades. Admirava a natureza. Andava muito. Pescava com os discípulos. Apreciava a ternura das crianças e sabia ver o bom que existia no coração das pessoas (cf. Mc 10, 21).

Ele era, também, um homem do perdão. Perdoou a muitos, como Zaqueu (Lc 19, 1-10) e Madalena (Jo 8, 3-11) e disse aos discípulos que perdoassem quantas vezes fosse necessário.

O projeto de Jesus possui dois pontos importantes: a "libertação dos oprimidos" (cf. Lc 4,18) e o "reino", "a chegada de tempos novos" (cf. Lc 4,19).

Este projeto se resume em levar as mulheres e os homens a uma libertação integral, pessoal e social, através da construção do Reino de Deus, que passa necessariamente pela construção de uma sociedade igualitária e fraterna onde não haja explorados nem exploradores.

O tempo atual exige ir ao encontro das Galileias de tantas pessoas, considerando que a Galileia nos tempos de Jesus era um lugar afastado do centro de poder, cabe a Igreja, as CEBs alcançar também essas periferias.

Os galileus no tempo de Jesus eram considerados sem prestígio, era um lugar de excluídas e excluídos. Jesus, também chamado de o Galileu, sentiu na pele os preconceitos e fez sua opção pelas empobrecidas e pelos empobrecido, seguiu alargando fronteiras e vencendo barreiras.

Essa opção de Jesus, abrindo mão de si em prol do próximo, deve ser repetida também em nosso dia a dia, nas situações mais complexas e nas mais corriqueiras.

Dar testemunho de vida é, como Jesus, amar o próximo comprometendo-se com a sua libertação. É fazer a opção pelo empobrecido, abraçando sua causa. É amar a Deus, assumindo a concretização de seu Reino de Amor.

A espiritualidade da CEBs é o seguimento de Jesus, percorrer seu caminho. E a mística das CEBs é a motivação que nos faz viver a causa até o fim, o Reino de Deus.

A mística é um mistério e para a mística mistério é saber a razão porque no agir comprometido com o seguimento de Jesus em Comunidades Eclesiais de Base, com pequenos gestos as coisas extraordinárias acontecem.

Laiá..Laiá...Vote Lula!