21 novembro, 2025

Fogo, dinheiro e traição

O que segue a baixo, é newsletter, recebido em meu e-mail, do "Brasil de Fato (21/11/2025)

Fogo, dinheiro e traição

Olá, o título é de novela mexicana, mas é apenas a tragédia da política brasileira.

.Não era amor. Todo mundo sabe que o casamento entre o governo e o centrão era movido por interesses. No caso do PL Anti Facção, o presidente da Câmara, Hugo Motta, se mostrou disposto a ceder às investidas da direita. Num gesto de traição ao Planalto, Motta entregou a relatoria para Guilherme Derrite (PP-SP) que, em poucos dias, fez circular seis versões diferentes do projeto, causando confusão e desconfiança na capacidade do Estado de enfrentar seriamente o crime organizado, e desagradando tanto o governo quanto parte da oposição. Aliás, a atuação sofrível de Derrite prova que a direita sabe menos de política de segurança pública do que diz por aí. Se, por um lado, o enquadramento como terrorismo foi enterrado por pressão do Planalto, por outro, foi criada uma parafernália conceitual nova, a “organização criminosa ultraviolenta”, substituindo o consolidado termo “facção criminosa”. Mas, o que é pior, mesmo depois de muita pressão da base governista, a Polícia Federal saiu enfraquecida. O único ponto consensual parece ter sido o aumento das penas a membros de facções. Trocando em miúdos, o Planalto saiu derrotado, mas, depois de tanta bagunça, Hugo Motta tampouco pode se considerar vencedor. O presidente da Câmara ainda conseguiu criar um atrito com o STF, ao conceder autorização e suporte técnico para que o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) votasse desde o exterior, apesar do Supremo ter proibido sua saída do país. Na prática, a Câmara foi usada como palanque para a oposição bater no governo e as principais digitais são dos governadores Tarcísio de Freitas (PL-SP), Ronaldo Caiado (União-GO) e Cláudio Castro (PL-RJ). Em compensação, o trabalho sério ficará, mais uma vez, a cargo do Senado, onde o governo contará com Alessandro Vieira (MDB-SE) como relator e Randolfe Rodrigues (PT-AP) na articulação política para corrigir o PL Anti Facção. O problema é que desta vez, provavelmente o governo não poderá contar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, magoado com a indicação de Jorge Messias à vaga de ministro do Supremo em lugar de Rodrigo Pacheco, preferido de Alcolumbre.

.Facção Centrão. O Banco Master não é apenas a maior intervenção da história do sistema financeiro nacional - o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) poderá arcar com um valor três vezes maior do que a quebra do Bamerindus - mas o fio de um complexo novelo que vai desde o PCC até figuras influentes da política, especialmente no centrão. Segundo as investigações da Polícia Federal, várias das operações fantasmas do banco, usadas para maquiar o caixa, foram feitas com instituições financeiras públicas ou fundos de pensão por pressão de políticos influentes. As investigações continuam e as operações da PF devem ter mais uma fase, mas a lista dos políticos que devem estar insones têm nomes bastante óbvios. Começando por Ciro Nogueira, todo poderoso do PP e do centrão, que se envolveu diretamente na fracassada tentativa de forçar a compra do Master pelo BRB. Nogueira também tentou apresentar um projeto que ampliava a cobertura do FGC, beneficiando diretamente o banco, tanto que era conhecida no Senado como “emenda Master”. Obviamente, o governador do Distrito Federal e pré-candidato a senador, Ibaneis Rocha (MDB), que comandou a operação indefensável de fazer um banco público comprar uma instituição suspeita e sem liquidez. Ainda o Governador do Rio, Cláudio Castro, que colocou quase R$1 bilhão do Rio Previdência no banco. E, por fim, o deputado Claudio Cajado (PP), também relator da PEC da Bandidagem, que pediu publicamente a cabeça dos diretores do BC que impediram a compra mafiosa. Mas a lista dos amigos de Daniel Vorcaro, presidente preso do Master, é mais longa e inclui Antônio Rueda, presidente do União Brasil; Hugo Motta, que convidou Vorcaro para a festa de comemoração de sua eleição à presidência da Câmara; o deputado federal Isnaldo Bulhões (MDB-AL), que esteve no seleto e ostentador camarote do Master na Sapucaí. As relações se espalham pelo poder Judiciário e inclui até mesmo figuras do PT baiano. Por isso, é improvável que vá adiante o pedido de uma CPI protocolado por PSOL, PSB e PT, mas apenas a continuidade das investigações da PF e a possibilidade de uma delação premiada de Vorcaro já são suficientes para deixar Brasília em estado de alerta permanente.

.Churrasco da floresta. Na reta final da COP 30, o governo brasileiro não esperava que a melhor notícia do período viesse de Donald Trump, com a retirada da tarifa extra de 40% que incidia sobre produtos brasileiros. Mas, em se tratando de Trump, o Brasil pisa em ovos, especialmente num cenário em que a tensão escala na Venezuela, enquanto a extrema-direita trumpista vai galgando mais espaço nos países vizinhos, como na recente eleição no Chile. Quanto à COP, sem contar o fracasso simbólico que veio com um incêndio, ela chega ao fim sem entregar nada muito concreto além de recomendações e procedimentos e, principalmente, recusando o mapa de abandono dos combustíveis fósseis, numa prova de que os governos não estão a fim de discutir a catástrofe climática. Mas, como balcão de negócios, ela foi um sucesso. Que o diga o agronegócio, que comemorou com um grande churrasco, incluindo um fazendeiro conhecido pelos conflitos agrários na região e por ameaçar jornalistas e a missionária Dorothy Stang. Aliás, o clima estava tão bom para a turma dos ruralistas que o Ministério da Agricultura nem se incomodou em anunciar, em plena COP, a liberação de 30 novos agrotóxicos, incluindo substâncias proibidas na União Europeia. Por outro lado, essa foi também a COP da Cúpula dos Povos, com a mobilização de milhares de pessoas e organizações em paralelo à COP oficial e com manifestações que arrancaram, pelo menos, a demarcação de duas terras para o povo Munduruku depois da mobilização dos indígenas.

.Ponto Final: nossas recomendações.

.Uma espiã a bordo. Como Israel infiltrou a flotilha para Gaza. Conheça Alice, a sabotadora sueca infiltrada na Freedom Flotilla a serviço do Mossad. Na editora Âyiné.

.A migração como negócio: o complexo industrial por trás da xenofobia do governo Trump. A Revista Ópera mostra como prisões e centros de detenções de imigrantes enriquecem o setor privado nos Estados Unidos.

.A radicalização das direitas chilenas. Xenofobia, negacionismo e defesa de Pinochet unem a direita nas eleições chilenas. Na Jacobina.

.Argentina, um dominium norte-americano? N’A Terra é Redonda, José Luís Fiori mostra como a dependência financeira se tornou o elo da subserviência argentina.

.Agro fica com 73% da verba federal para adaptação ao clima no Brasil. O maior emissor de gases do efeito estufa também é o maior beneficiado pelos recursos destinados à preservação. No ClimaInfo.

.’Uma dor insuportável’. O Intercept denuncia a impunidade no caso do assassinato do indigenista da Funai, Maxciel Pereira dos Santos, em 2019.

.Exposição recupera história esquecida de viagem de artistas brasileiros a Angola. Músicos, produtores, cineastas e jornalistas participaram da missão em solidariedade ao povo angolano cinco anos após a independência. No Jornal da USP.

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Ponto é escrito por Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile.

19 novembro, 2025

Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra - Um Dia para Aprender e Celebrar


“Cristo nos libertou para que sejamos verdadeiramente livres” (Gl 5,1)

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro em todo o Brasil. A data foi instituída pela Lei nº 12.519/2011 e marca a morte de Zumbi dos Palmares em 1695, símbolo da resistência negra contra a escravidão e luta pela liberdade.

Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo da história do Brasil, simboliza a sede de liberdade da população negra que nunca aceitou a escravidão como destino. Sua vida e sua morte são lembretes vivos de que a dignidade humana é inegociável.

Nesta data, fazemos memória da luta de tantos homens e mulheres negros que, como Zumbi dos Palmares, acreditaram na liberdade mesmo quando ela parecia impossível. Sua resistência é sinal de que o Espírito de Deus sopra onde há desejo de vida, dignidade e justiça.

A Palavra nos lembra que “Cristo nos libertou para que sejamos verdadeiramente livres” (Gl 5,1), por isso, toda forma de escravidão — física, social, espiritual ou moral — é contrária ao projeto de Deus. O racismo, que ainda fere e exclui tantas irmãs e irmãos, é um pecado que precisa ser reconhecido, combatido e superado com coragem evangélica.

Criançada

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra é um dia muito especial para lembrarmos que todas as pessoas são importantes e que Deus nos criou diferentes para que o mundo fosse mais bonito e cheio de cores.

Zumbi dos Palmares, um homem muito corajoso que viveu há muitos anos e lutou para que as pessoas negras fossem livres. Ele não desistiu de fazer o que era certo, mesmo quando tudo parecia difícil. Nos ensina que ninguém é melhor do que ninguém e que a cor da pele não muda o valor de ninguém, todas e todos merecem respeito, carinho e oportunidades. Deus nos fez com amor e alegria, e cada pessoa é única e especial.

18 novembro, 2025

Arquidiocese de Maringá repassa R$ 175 mil para reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu


Em um gesto concreto de solidariedade e fraternidade, a Arquidiocese de Maringá efetuou nesta segunda-feira (17/11) o repasse de R$ 175.000,00 (cento e setenta e cinco mil reais) para a Cáritas da Diocese de Guarapuava. O valor será integralmente destinado aos esforços de reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu (PR), severamente atingida por um tornado no dia 7 de novembro, que destruiu 90% da cidade.

A doação é fruto do Fundo de Solidariedade da Arquidiocese, que é composto pelas contribuições do dízimo de fiéis das 59 paróquias que integram a jurisdição eclesiástica.

Segundo o padre Onildo Luiz Gorla Júnior, Ecônomo da Arquidiocese de Maringá, isto soma-se às inúmeras doações materiais que também foram feitas nas paróquias.

“Assim que a catástrofe aconteceu, nossos paroquianos se mobilizaram com inúmeras doações materiais. Agora, a necessidade é de recursos financeiros para comprar materiais de construção e reerguer as moradias e estruturas perdidas. Por isso, estamos enviando esta quantia, somando nosso apoio ao trabalho incansável que a Diocese de Guarapuava e a Cáritas estão realizando”, comenta padre Onildo.

O auxílio financeiro reforça a campanha da Igreja do Paraná, que se uniu em comunhão para amparar as centenas de famílias desalojadas e desabrigadas pela tragédia.

Ajude a Reconstruir Rio Bonito do Iguaçu

A Arquidiocese de Maringá reitera o convite à solidariedade e informa que as doações financeiras continuam sendo fundamentais. As contribuições podem ser feitas diretamente à Cáritas Diocesana de Guarapuava: PIX (CNPJ): 48791935000160.

Fonte: Site da Arquidiocese de Maringá

Programa Celular Seguro

O Programa Celular Seguro, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), visa combater o roubo e o furto de aparelhos celulares no país. Uma das saídas propostas pelo MJSP para reduzir esse tipo de crime é a utilização de uma tecnologia para comunicar o crime e, ao mesmo tempo, acionar bloqueios do próprio aparelho, dos aplicativos bancários e de eventuais acessos disponíveis no dispositivo móvel.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) debateu com entidades setoriais, agências regulatórias e empresas de telefonia e de tecnologia formas de combater o roubo e o furto de aparelhos celulares no país.

Uma das saídas propostas pelo MJSP para reduzir esse tipo de crime é a utilização de uma tecnologia para comunicar o roubo ou o furto e, ao mesmo tempo, acionar bloqueios do próprio aparelho, dos aplicativos bancários e de eventuais acessos disponíveis no dispositivo móvel. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Instituições Financeiras e as Operadoras de Telefonia colaboraram com o Ministério da Justiça e Segurança Pública para o desenvolvimento do projeto.

A parceria resultou na solução Celular Seguro. A partir dele, os parceiros dessa iniciativa serão alertados e tomarão providências necessárias para evitar maiores problemas.

O Programa Celular Seguro é destinado à todos os cidadãos brasileiros. Para registrar o aparelho celular é preciso estar cadastrado no Gov.br.

Etapas para a realização deste serviço:

Instalar o Aplicativo ou acessar a versão WEB

Abra a sua loja de aplicativos e busque por "Celular Seguro", acesse a página do app e clique para instalá-lo. Após a instalação, o aplicativo estará disponível para o uso no seu aparelho celular.

Ou acesse diretamente a versão WEB

Nesse link, mais informações

O link a baixo, fonte do texto acima, e apresenta o passo a passo para usar o aplicativo.

17 novembro, 2025

Homilia do Papa Leão XIV - Jubileu dos Pobres


IX Dia Mundial dos Pobres - Jubileu dos Pobres
XXXIII Domingo do Tempo Comum, 16 de novembro de 2025

Queridos irmãos e irmãs,

nos últimos domingos do ano litúrgico somos convidados a olhar para a história nos seus desfechos finais. Na primeira leitura, o profeta Malaquias vislumbra na chegada do “dia do Senhor” a entrada num novo tempo. Este é descrito como o tempo de Deus, em que, como um amanhecer que faz surgir um sol de justiça, as esperanças dos pobres e dos humildes receberão do Senhor uma resposta final e definitiva, e serão erradicadas, queimadas como se fossem palha, as obras dos ímpios e a sua injustiça, sobretudo em detrimento dos indefesos e dos pobres.

Como sabemos, esse sol de justiça que surge é o próprio Jesus. O dia do Senhor, com efeito, não é apenas o último dia da história, mas é o Reino que se aproxima de cada homem no Filho de Deus que vem. No Evangelho, usando a típica linguagem apocalíptica de seu tempo, Jesus anuncia e inaugura esse Reino: na realidade, Ele mesmo é o senhorio de Deus que se faz presente em meio aos acontecimentos dramáticos da história. Por isso, eles não devem assustar o discípulo, mas torná-lo ainda mais perseverante no testemunho e consciente de que a promessa de Jesus é sempre viva e fiel: «não se perderá um só cabelo da vossa cabeça» (Lc 21, 18).

Irmãos e irmãs, esta é a esperança à qual nos agarramos, mesmo diante das vicissitudes nem sempre felizes da vida. Ainda hoje, «a Igreja prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha» (Lumen gentium, 8). E, onde todas as esperanças humanas parecem esgotar-se, torna-se ainda mais firme a única certeza, mais estável do que o céu e a terra, de que o Senhor não deixará que se perca nem um único cabelo da nossa cabeça.

Deus não nos deixa sozinhos nas perseguições, nos sofrimentos, nas dificuldades e nas opressões da vida e da sociedade. Ele manifesta-se como Aquele que toma partido por nós. Toda a Escritura é atravessada por este fio condutor que narra um Deus que está sempre do lado dos mais frágeis, dos órfãos, dos estrangeiros e das viúvas (cf. Dt 10, 17-19). E a proximidade de Deus atinge o ápice do amor em seu filho Jesus: por isso, a presença e a palavra de Cristo tornam-se júbilo e jubileu para os mais necessitados, pois Ele veio para anunciar aos pobres a boa nova e proclamar o ano da graça do Senhor (cf. Lc 4, 18-19).

Neste ano de graça, também nós participamos, precisamente hoje, de modo especial, ao celebrarmos o Jubileu dos Pobres com este Dia Mundial. Toda a Igreja exulta e se alegra, e em primeiro lugar a vós, queridos irmãos e irmãs, desejo transmitir com força as palavras irrevogáveis do próprio Senhor Jesus: «Dilexi te - Eu te amei» (Ap 3, 9). Sim, diante da nossa pobreza e pequenez, Deus olha-nos como ninguém mais e ama-nos com amor eterno. E a sua Igreja, ainda hoje, talvez especialmente neste nosso tempo tão ferido por antigas e novas pobrezas, quer ser «mãe dos pobres, lugar de acolhimento e justiça» (Exort. ap. Dilexi te, 39).

Quantas pobrezas oprimem o nosso mundo! Trata-se, primordialmente, de pobrezas materiais, mas também existem inúmeras situações morais e espirituais, que muitas vezes afetam sobretudo os mais jovens. E o drama que as atravessa todas, transversalmente, é a solidão. Ela desafia-nos a olhar para a pobreza de forma integral, certamente porque às vezes é necessário responder às necessidades urgentes, mas, de modo mais geral, é uma cultura da atenção que devemos desenvolver, justamente para quebrar o muro da solidão. Por isso, queremos estar atentos ao outro, a cada um, ali onde estamos e onde vivemos, transmitindo essa atitude já na família, para vivê-la concretamente nos locais de trabalho e de estudo, nas diferentes comunidades, no mundo digital, em toda parte, indo até aos confins e tornando-nos testemunhas da ternura de Deus.

Hoje, o nosso estado de impotência parece ser confirmado, em primeiro lugar, pelos cenários de guerra que infelizmente estão presentes em várias regiões do mundo. Mas a globalização dessa impotência nasce de uma mentira: da crença de que a história sempre foi assim e não pode mudar. O Evangelho, de modo diverso, diz-nos que é precisamente nas grandes perturbações da história que o Senhor vem salvar-nos. E nós, comunidade cristã, devemos ser hoje sinal vivo dessa salvação no meio dos pobres.

A pobreza interpela os cristãos, e também todos aqueles que têm funções de responsabilidade na sociedade. Exorto, portanto, os Chefes de Estado e os Responsáveis das Nações a ouvirem o clamor dos mais pobres. Não poderá haver paz sem justiça, e os pobres recordam-nos isso de muitas maneiras: com a sua migração, bem como com o seu grito muitas vezes abafado pelo mito do bem-estar e do progresso que não tem todos em conta e que, em vez disso, esquece muitas criaturas, abandonando-as ao seu destino.

Aos agentes da caridade, aos muitos voluntários, a todos aqueles que se ocupam de aliviar as condições dos mais pobres, expresso a minha gratidão e, ao mesmo tempo, o meu encorajamento a terem cada vez mais consciência crítica na sociedade. Vós sabeis bem que a questão dos pobres remete ao essencial da nossa fé, que para nós eles são a própria carne de Cristo e não apenas uma categoria sociológica (cf. Dilexi te, 110). É por isso que «a Igreja, como mãe, caminha com os que caminham. Onde o mundo vê ameaça, ela vê filhos; onde se erguem muros, ela constrói pontes» (ivi, 75).

Comprometamo-nos todos. Como escreve o apóstolo Paulo aos cristãos de Tessalónica (cf. 2 Ts 3, 6-13), enquanto aguardamos o glorioso regresso do Senhor, não devemos viver uma vida voltada para nós mesmos e num intimismo religioso que se traduz no descompromisso para com os outros e a história. Pelo contrário, buscar o Reino de Deus implica o desejo de transformar a convivência humana num espaço de fraternidade e dignidade para todos, sem excluir ninguém. Está sempre à espreita o perigo de viver como viajantes distraídos, indiferentes ao destino final e desinteressados por aqueles que partilham o caminho conosco.

Neste Jubileu dos Pobres, deixemo-nos inspirar pelo testemunho dos Santos e das Santas que serviram Cristo nos mais necessitados e o seguiram no caminho da pequenez e do despojamento. Em particular, gostaria de propor novamente a figura de São Bento José Labre, que com a sua vida de “vagabundo de Deus” tem as características para ser o padroeiro de todos os pobres sem-abrigo. Que a Virgem Maria, que no Magnificat continua a recordar-nos as escolhas de Deus e se faz voz dos que não têm voz, nos ajude a entrar na nova lógica do Reino, para que na nossa vida de cristãos esteja sempre presente o amor de Deus que acolhe, perdoa, cuida das feridas, consola e cura.

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Fonte: Site da A Santa Sé

14 novembro, 2025

Mensagem do Santo Padre Leão XIV para o IX Dia Mundial dos Pobres

XXXIII Domingo do Tempo Comum - 16 de novembro de 2025

Tu és a minha esperança (cf. Sl 71,5)

1. «Tu és a minha esperança, ó Senhor Deus» (Sl 71,5). Essas palavras emanam de um coração oprimido por graves dificuldades: «Fizeste-me sofrer grandes males e aflições mortais» (v. 20), diz o Salmista. Apesar disso, o seu espírito está aberto e confiante, porque firme na fé reconhece o amparo de Deus e o professa: «És o meu rochedo e a minha fortaleza» (v. 3). Daí deriva a confiança inabalável de que a esperança n’Ele não decepciona: «Em ti, Senhor, me refugio, jamais serei confundido» (v. 1).

No meio das provações da vida, a esperança é animada pela firme e encorajadora certeza do amor de Deus, derramado nos corações pelo Espírito Santo. Por isso, ela não decepciona (cf. Rm 5, 5) e São Paulo pode escrever a Timóteo: «Pois se nós trabalhamos e lutamos, é porque pomos a nossa esperança no Deus vivo» (1 Tm 4, 10). O Deus vivo é, verdadeiramente, o «Deus da esperança» (Rm 15, 13), que em Cristo, pela sua morte e ressurreição, se tornou a «nossa esperança» (1 Tm 1, 1). Não podemos esquecer que fomos salvos nesta esperança, na qual precisamos permanecer enraizados.

2. O pobre pode tornar-se testemunha de uma esperança forte e confiável, precisamente porque professada numa condição de vida precária, feita de privações, fragilidade e marginalização. Ele não conta com as seguranças do poder e do ter; pelo contrário, sofre-as e, muitas vezes, é vítima delas. A sua esperança só pode repousar noutro lugar. Reconhecendo que Deus é a nossa primeira e única esperança, também nós fazemos a passagem entre as esperanças que passam e a esperança que permanece. As riquezas são relativizadas perante o desejo de ter Deus como companheiro de caminho porque se descobre o verdadeiro tesouro de que realmente precisamos. Ressoam claras e fortes as palavras com que o Senhor Jesus exortou os seus discípulos: «Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam» (Mt 6, 19-20).

3. A pobreza mais grave é não conhecer a Deus. Recordou-nos isso o Papa Francisco quando escreveu na Evangelii gaudium: «A pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé; tem necessidade de Deus e não podemos deixar de lhe oferecer a sua amizade, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé» (n. 200). Há aqui uma consciência fundamental e totalmente original sobre como encontrar em Deus o próprio tesouro. Realmente, insiste o apóstolo João: «Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê» (1 Jo 4, 20).

É uma regra da fé e um segredo da esperança: embora importantes, todos os bens desta terra, as realidades materiais, os prazeres do mundo ou o bem-estar económico não são suficientes para fazer o coração feliz. Frequentemente, as riquezas iludem e conduzem a situações dramáticas de pobreza, sendo a primeira dessas ilusões pensar que não precisamos de Deus e conduzir a nossa vida independentemente d’Ele. Vêm-me à mente as palavras de Santo Agostinho: «Seja Deus todo motivo de presumires. Sente necessidade d’Ele para que Ele te cumule. Tudo o que possuíres fora d’Ele é imensamente vazio» (Enarr. in Ps. 85,3).

4. A esperança cristã, à qual a Palavra de Deus remete, é certeza no caminho da vida, porque não depende da força humana, mas da promessa de Deus, que é sempre fiel. Por isso, desde os primórdios, os cristãos quiseram identificar a esperança com o símbolo da âncora, que oferece estabilidade e segurança. A esperança cristã é como uma âncora, que fixa o nosso coração na promessa do Senhor Jesus, que nos salvou com a sua morte e ressurreição e que retornará novamente no meio de nós. Esta esperança continua a indicar como verdadeiro horizonte da vida os «novos céus» e a «nova terra» (2 Pe 3, 13), onde a existência de todas as criaturas encontrará o seu sentido autêntico, visto que a nossa verdadeira pátria está nos céus (cf. Fl 3, 20).

Consequentemente, a cidade de Deus compromete-nos com as cidades dos homens, que, desde agora, devem começar a assemelhar-se àquela. A esperança, sustentada pelo amor de Deus derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5, 5), transforma o coração humano em terra fértil, onde pode germinar a caridade para a vida do mundo. A Tradição da Igreja reafirma constantemente esta circularidade entre as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. A esperança nasce da fé, que a alimenta e sustenta, sobre o fundamento da caridade, que é a mãe de todas as virtudes. E precisamos de caridade hoje, agora. Não é uma promessa, mas uma realidade para a qual olhamos com alegria e responsabilidade: envolve-nos, orientando as nossas decisões para o bem comum. Em vez disso, quem carece de caridade não só carece de fé e esperança, mas tira a esperança ao seu próximo.

5. O convite bíblico à esperança traz consigo o dever de assumir, sem demora, responsabilidades coerentes na história. Com efeito, a caridade é «o maior mandamento social» (Catecismo da Igreja Católica, 1889). A pobreza tem causas estruturais que devem ser enfrentadas e eliminadas. À medida que isso acontece, todos somos chamados a criar novos sinais de esperança que testemunhem a caridade cristã, como fizeram, em todas as épocas, muitos santos e santas. Os hospitais e as escolas, por exemplo, são instituições criadas para expressar o acolhimento aos mais fracos e marginalizados. Eles deveriam fazer parte das políticas públicas de todos os países, mas as guerras e as desigualdades frequentemente ainda o impedem. Hoje, cada vez mais, as casas-família, as comunidades para menores, os centros de acolhimento e escuta, as refeições para os pobres, os dormitórios e as escolas populares tornam-se sinais de esperança: são tantos sinais, muitas vezes ocultos, aos quais talvez não prestemos atenção, mas que são muito importantes para se desvencilhar da indiferença e provocar o empenho nas diversas formas de voluntariado!

Os pobres não são um passatempo para a Igreja, mas sim os irmãos e irmãs mais amados, porque cada um deles, com a sua existência e também com as palavras e a sabedoria que trazem consigo, levam-nos a tocar com as mãos a verdade do Evangelho. Por isso, o Dia Mundial dos Pobres pretende recordar às nossas comunidades que os pobres estão no centro de toda a ação pastoral. Não só na sua dimensão caritativa, mas igualmente naquilo que a Igreja celebra e anuncia. Através das suas vozes, das suas histórias, dos seus rostos, Deus assumiu a sua pobreza para nos tornar ricos. Todas as formas de pobreza, sem excluir nenhuma, são um apelo a viver concretamente o Evangelho e a oferecer sinais eficazes de esperança.

6. Este é o convite que emerge da celebração do Jubileu. Não é por acaso que o Dia Mundial dos Pobres seja celebrado no final deste ano de graça. Quando a Porta Santa for fechada, deveremos conservar e transmitir os dons divinos que foram derramados nas nossas mãos ao longo de um ano inteiro de oração, conversão e testemunho. Os pobres não são objetos da nossa pastoral, mas sujeitos criativos que nos estimulam a encontrar sempre novas formas de viver o Evangelho hoje. Diante da sucessão de novas ondas de empobrecimento, corre-se o risco de se habituar e resignar-se. Todos os dias, encontramos pessoas pobres ou empobrecidas e, às vezes, pode acontecer que sejamos nós mesmos a possuir menos, a perder o que antes nos parecia seguro: uma casa, comida suficiente para o dia, acesso a cuidados de saúde, um bom nível de educação e informação, liberdade religiosa e de expressão.

Promovendo o bem comum, a nossa responsabilidade social tem o seu fundamento no gesto criador de Deus, que dá a todos os bens da terra: assim como estes, também os frutos do trabalho do homem devem ser igualmente acessíveis. Com efeito, ajudar os pobres é uma questão de justiça, muito antes de ser uma questão de caridade. Como observa Santo Agostinho: «Damos pão a quem tem fome, mas seria muito melhor que ninguém passasse fome e não precisássemos ser generosos para com ninguém. Damos roupas a quem está nu, mas Deus queira que todos estejam vestidos e que ninguém passe necessidades sobre isto» (Comentário à 1 Jo, VIII, 5).

Desejo, portanto, que este Ano Jubilar possa incentivar o desenvolvimento de políticas de combate às antigas e novas formas de pobreza, além de novas iniciativas de apoio e ajuda aos mais pobres entre os pobres. Trabalho, educação, habitação e saúde são condições para uma segurança que jamais se alcançará com armas. Congratulo-me com as iniciativas já existentes e com o empenho que é manifestado diariamente a nível internacional por um grande número de homens e mulheres de boa vontade.

Confiemos em Maria Santíssima, Consoladora dos aflitos, e com Ela entoemos um canto de esperança, fazendo nossas as palavras do Te Deum: «In Te, Domine, speravi, non confundar in aeternum – Em Vós espero, Meu Deus, não serei confundido eternamente».

Vaticano, 13 de junho de 2025, memória de Santo António de Lisboa, Patrono dos pobres

LEÃO PP. XIV

Fonte: A Santa Sé

“Dilexi Te”: o cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres

Muitas vezes pergunto-me, quando há tanta clareza nas Sagradas Escrituras a respeito dos pobres, por que razão muitos continuam a pensar que podem deixar de prestar atenção aos pobres”, escreve o Papa Leão XIV.

Rui Saraiva – Portugal

No próximo domingo 16 de novembro a Igreja assinala o IX Dia Mundial dos Pobres, criado pelo Papa Francisco em 2016, com a Carta Apostólica “Misericórdia et Misera”, para assinalar o fim do Jubileu Extraordinário da Misericórdia.

Neste Ano Santo de 2025, o Papa Leão XIV escreveu a primeira Exortação Apostólica do seu pontificado. Um texto que o Papa Francisco, estava a preparar sobre o cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres. O título é “Dilexi te”, “Eu te amei” e é retirado de uma passagem do último livro da Bíblia, o Apocalipse (Ap 3, 9).

Leão assinala que acrescentou reflexões: “Ao receber como herança este projeto, sinto-me feliz ao assumi-lo como meu – acrescentando algumas reflexões – e ao apresentá-lo no início do meu pontificado, partilhando o desejo do meu amado Predecessor de que todos os cristãos possam perceber a forte ligação existente entre o amor de Cristo e o seu chamamento a tornarmo-nos próximos dos pobres”.

A opção pelos pobres

Logo no início do texto, o Papa Leão recorda a figura de São Francisco: “Há oito séculos, foi ele que provocou um renascimento evangélico nos cristãos e na sociedade do seu tempo. O jovem Francisco, anteriormente rico e presunçoso, renasceu a partir do impacto com a realidade daqueles que são expulsos da convivência. O impulso dado por ele não cessa de mover os corações dos fiéis e de muitos não crentes”, afirma.

Segundo o Santo Padre, “a condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e económicos e, sobretudo, a Igreja. No rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o próprio sofrimento de Cristo”, assinala Leão.

“Preocupam-nos, de modo particular, as graves condições em que vivem muitíssimas pessoas, devido à escassez de alimentos e água potável. Todos os dias morrem milhares de pessoas por causas relacionadas com a desnutrição. Mesmo nos países ricos, as estimativas relativas ao número de pobres não são menos preocupantes”, diz o Papa na sua Exortação.

Em particular, o Papa refere a exclusão das mulheres “que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência, porque frequentemente têm menores possibilidades de defender os seus direitos”.

“O mundo ainda está longe de refletir com clareza que as mulheres têm exatamente a mesma dignidade e idênticos direitos que os homens”, declara.

“Toda a história do Antigo Testamento sobre a predileção de Deus pelos pobres” recorda o Santo Padre “encontra em Jesus de Nazaré a sua plena realização”.

“O Evangelho mostra que esta pobreza abrangia todos os aspetos da sua vida”, salienta o Papa. Recordando várias passagens da Sagrada Escritura, Leão XIV afirma que Jesus “é um mestre itinerante, cuja pobreza e precaridade são sinais do vínculo com o Pai e são pedidas também a quem deseja segui-lo no caminho do discipulado, precisamente para que a renúncia aos bens, às riquezas e às seguranças deste mundo seja um sinal visível do ter-se confiado a Deus e à sua providência”.

“Muitas vezes pergunto-me, quando há tanta clareza nas Sagradas Escrituras a respeito dos pobres, por que razão muitos continuam a pensar que podem deixar de prestar atenção aos pobres”, escreve o Papa Leão XIV.

E adianta: “O programa de caridade na primeira comunidade cristã não derivava de análises ou projetos, mas diretamente do exemplo de Jesus, das próprias palavras do Evangelho”.

Igreja para os pobres: desafio inadiável

No seu texto, Leão XIV afirma o vínculo indissolúvel que existe entre a fé cristã e os pobres. Enfatiza que a Igreja deve assumir “uma decidida e radical posição em favor dos mais fracos”, num texto em que retoma a tradição bíblica e patrística, na atenção aos teólogos da antiguidade cristã, convidando, assim, a reconhecer os pobres como “carne de Cristo” e “modo fundamental de encontro com o Senhor da história”.

“A caridade não é uma via opcional, mas o critério do verdadeiro culto”, aponta. Leão XIV defende o ideal de uma Igreja humilde, fiel à sua vocação de serviço aos necessitados, inspirando-se em figuras como São Francisco de Assis e os membros das ordens mendicantes, surgidas no século XIII.

Assinala também os exemplos de vida monástica na história como “testemunho de solidariedade” e de “despojamento radical”, não esquecendo as congregações femininas que foram “faróis de esperança” em “tempos de analfabetismo generalizado e exclusão”.

Leão XIV lembra na sua nota a importância de “acompanhar os migrantes”. “A Igreja sempre reconheceu nos migrantes uma presença viva do Senhor”.

“A tradição da atividade da Igreja junto aos migrantes prosseguiu e hoje esse serviço expressa-se em iniciativas como os centros de acolhimento para refugiados, as missões nas fronteiras, e os esforços da Caritas Internationalis e de outras instituições”, escreve Leão XIV.

“Em cada migrante rejeitado, é o próprio Cristo que bate às portas da comunidade”, diz o Papa indicando que a Igreja deve estar “ao lado dos últimos”.

O Papa recorda na sua Exortação Apostólica a importância da Doutrina Social da Igreja e a sua “raiz popular que não se pode esquecer”.

Leão XIV afirma que “a caridade é uma força que muda a realidade, um autêntico poder histórico de transformação”.

“É necessário, portanto, continuar a denunciar a “ditadura de uma economia que mata”, diz o Santo Padre denunciando que “enquanto os lucros de poucos crescem”, os lucros “da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar”.

“Tal desequilíbrio provém de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira. Por isso, negam o direito de controle dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum”, declara o Papa.

Alerta para o perigo de que se torne “normal ignorar os pobres e viver como se eles não existissem”. “Devemos empenhar-nos cada vez mais em resolver as causas estruturais da pobreza”, escreve Leão.

“O cristão não pode considerar os pobres apenas como um problema social: eles são uma “questão familiar”. Pertencem “aos nossos”. A relação com eles não pode ser reduzida a uma atividade ou departamento da Igreja”, diz o Papa.

O Santo Padre recorda a Encíclica “Fratelli tutti” do Papa Francisco que nos convida a refletir sobre a parábola do bom samaritano. “Na parábola, vemos que, diante daquele homem ferido e abandonado à beira do caminho, os que passam têm atitudes diferentes. Apenas o bom samaritano cuida dele”.

E o Papa pergunta: “Com quem te identificas?” Uma pergunta e um desafio para quem quer viver o amor cristão.

Para Leão XIV “o amor cristão supera todas as barreiras, aproxima os que estão distantes, une os estranhos, torna familiares os inimigos, atravessa abismos humanamente insuperáveis, entra nos meandros mais recônditos da sociedade”.

“O amor cristão é profético, realiza milagres, não tem limites”, conclui o Papa declarando que “uma Igreja que não coloca limites ao amor, que não conhece inimigos a combater, mas apenas homens e mulheres a amar, é a Igreja de que o mundo hoje precisa”.


Dez estados e o DF têm menor desemprego registrado desde 2012


Dez estados e o Distrito Federal atingiram, no terceiro trimestre do ano, a menor taxa de desemprego registrada desde 2012, quando começou a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O recorde de baixa do nível de desocupação foi alcançado pela Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santos, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As onze unidades da federação (UF) se situam no mesmo status do Brasil como um todo, que terminou o terceiro trimestre com o menor desemprego já registrado pela série histórica - 5,6% - conforme divulgou o IBGE no fim de outubro.

Apesar de o estado de Santa Catarina não constar na lista de menor taxa de desemprego já apurada, o estado figura, ao lado do Mato Grosso, como a menor desocupação do país: 2,3%.

Esse patamar representa uma elevação na comparação com o segundo trimestre (2,2%). O IBGE classifica essa variação como “estabilidade”.

A pesquisa

A Pnad apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.

Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

Leia aqui: número dos que procuram emprego há mais de dois anos cai 17,8%, diz IBGE.

Confira as taxas de desocupação de todas as UF

Santa Catarina: 2,3%
Mato Grosso: 2,3%
Rondônia: 2,6%
Espírito Santo: 2,6%
Mato Grosso do Sul: 2,9%
Paraná: 3,5%
Tocantins: 3,8%
Minas Gerais: 4,1%
Rio Grande do Sul: 4,1%
Goiás: 4,3%
Roraima: 4,7%
São Paulo: 5,2%
Brasil: 5,6%
Maranhão: 6,1%
Ceará: 6,4%
Pará: 6,5%
Paraíba: 7,0%
Acre: 7,4%
Piauí: 7,5%
Rio Grande do Norte: 7,5%
Rio de Janeiro: 7,5%
Amazonas: 7,6%
Alagoas: 7,7%
Sergipe: 7,7%
Distrito Federal: 8,0%
Bahia: 8,5%
Amapá: 8,7%
Pernambuco: 10%

Estrutura econômica

Ao comentar o cenário dos estados com menores taxas de desocupação, o analista da pesquisa, William Kratochwill, apontou que esses estados apresentam patamares historicamente menores.

“A estrutura econômica dessas regiões é a principal explicação para terem números tão baixos, porque cada um tem uma característica diferente”, diz.

“Santa Catarina, por exemplo, é a unidade da federação que tem o maior percentual de pessoas contratadas na indústria, completou.

Para explicar por que estados do Nordeste apresentam taxas de desemprego mais altas, o analista do IBGE lembrou que a região é “sabidamente menos desenvolvida economicamente”, além de baixa escolarização.

“Isso talvez seja um empecilho para que se desenvolva mais economicamente, uma vez que falta mão de obra qualificada para a economia crescer”, disse.

Carteira assinada

O levantamento aponta que oito unidades da federação apresentam percentual de empregados com carteira assinada no setor privado superior à média do Brasil (74,4%):

Santa Catarina: 88,0%
São Paulo: 82,8%
Rio Grande do Sul: 82,0%
Mato Grosso do Sul: 80,8%
Paraná: 80,7%
Mato Grosso: 78,9%
Rio de Janeiro: 76,7%
Distrito Federal: 76,3%

Sete estados não chegam a 60% dos empregados com carteira assinada:

Maranhão: 51,9%
Piauí: 52,4%
Paraíba: 55,3%
Pará: 56,8%
Acre: 58,1%
Ceará: 58,9%
Bahia: 59,3%

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Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 14/11/2025 - 12:24