03 dezembro, 2014
02 dezembro, 2014
Pesquisadora resgata história de quilombo dizimado por suíços em Casimiro de Abreu
Assunto foi tema da dissertação de mestrado de Renata em História, defendida há um ano, e deve virar livro.
Nos períodos mais populosos, o Quilombo chegou a ter cerca de três mil moradores. A localização do bairro, afastado da sede do município, e o bom solo, tornaram-no uma área destinada à produção agrícola. Renata lamenta que a influência da cultura africana seja tão desconhecida pela população da cidade. Na pesquisa, ela encontrou um documento em que descendentes dos imigrantes propõem medidas para minimizar a importância da influência africana na constituição do município. De acordo com a estudiosa, os primeiros conflitos entre quilombolas e suíços datam de 1823. Leia na íntegra
Sem maturidade dos pais, guarda compartilhada pode motivar novos conflitos
No último dia 26 de novembro
de 2014, o Plenário do Senado aprovou o projeto de Lei (PLC 117/2013), que
altera o Código Civil brasileiro, regulamentando e garantindo a guarda
compartilhada dos filhos menores entre os pais separados/divorciados. Agora, a proposta segue para sanção
presidencial.
O
projeto de lei prevê que em casos de litígio entre pai e mãe, seja em vias de
separação ou já separados de fato, diferentemente do ocorre atualmente, a
guarda dos filhos menores seja compartilhada igualitária e equilibradamente
entre pai e mãe, não sendo mais restrita a um único genitor.
Ocorre que, atualmente, em regra – principalmente em caso de litígios, desde os mais simples aos mais graves – os juízes vêm estabelecendo que a guarda dos filhos esteja restrita a apenas um dos genitores, portanto, a regra gira em torno de julgamentos pela guarda unilateral.
Isto
basicamente quer dizer que um dos pais, aquele que o juiz julgar estar mais
apto, é quem será responsável de uma forma geral pelo menor, desde a criação,
educação, decisões, segurança,
saúde até a formação, etc.
O
outro, em tese, não perde o direito ao
convívio com a criança, porém apenas é detentor de direitos um pouco mais
restritos baseados na supervisão de tais responsabilidades, bem como obter
informações sobre o desenvolvimento, informações pedagógicas, emitir opiniões,
e realizar visitas ao menor em períodos (dias/horários) pré-estabelecidos, etc.
É
importante ressaltar que o
genitor que não detém a guarda não perde o poder familiar sobre o menor,
portanto, os direitos e deveres básicos de pai/mãe.
Por outro lado, a guarda compartilhada significa dizer que ...Continue lendo...
01 dezembro, 2014
Carta do Grupo Emaús à Presidenta Dilma
Estimada Presidenta Dilma Rousseff,
Nós, participantes do Grupo Emaús abaixo relacionados, queremos
parabenizá-la por seu esforço e desempenho durante a árdua campanha eleitoral,
bem como pelas conquistas de seu primeiro mandato. Somos um grupo de
teólogos/as de várias Igrejas cristãs, sociólogos/as, educadores/as e
militantes que nos encontramos regularmente há quatro décadas. Estamos todos
comprometidos na construção de um Brasil, social e economicamente mais justo,
solidário e sustentável.
A maioria batalhou, desde o início, em favor do PT e de seu projeto de
sociedade. Nessas eleições de 2014, muitos de nós expressamos publicamente
nosso apoio à sua candidatura. Discutimos e polemizamos, pois, percebíamos o
risco de que o projeto popular do PT, representado pela Senhora, não pudesse se
reafirmar e consolidar. Para nós cristãos, especialmente nas milhares de
comunidades de base, tínhamos e temos a convicção de que a participação
política, de cunho democrático, popular e libertador, se apresenta como um
instrumento para realizar os bens do Reino de Deus.
Esses valores são a centralidade dos pobres, a conquista da justiça
social, a mútua ajuda, a busca incansável da dignidade e dos direitos dos
oprimidos, a valorização do trabalhador e da trabalhadora, a justa partilha e o
respeito pela Mãe Terra. Por isso, na linha do diálogo que a Senhora propôs à
sociedade, queremos apresentar algumas sugestões para que seu governo continue
implementando o projeto que tanto beneficia a sociedade brasileira,
especialmente os mais vulneráveis.
O BRASIL QUE QUEREMOS
Estas são as grandes opções que, acreditamos, devem estar presentes na
construção do Brasil que queremos: Clique aqui para continuar lendo na íntegra a carta
Papo com a Presidenta Dilma por Frei Betto
PAPO COM DILMA
Frei Betto
A presidente recebeu, a 26 de novembro,
representantes do Grupo Emaús que, há 40 anos, articula, no Brasil, a teologia
da libertação e as ferramentas pastorais que a tornam realidade na esfera
eclesial.
Acolheu-nos
no Planalto por mais de uma hora, em companhia de Aloísio Mercadante, chefe da
Casa Civil. Dilma demonstrava muito bom humor e abertura às nossas críticas e
sugestões.
Entregamos
a ela carta assinada por 34 participantes do Emaús, entre os quais
teólogos(as), sociólogos(as), educadores e militantes de movimentos pastorais.
Manifestamos
nossa proposta para seu segundo mandato, em texto intitulado “O Brasil que
queremos”: reforma política (para a qual nos pediu sugestões); modelo econômico
mais social e popular; auditoria da dívida pública; reavaliação dos
megaprojetos à luz de critérios ambientais e sociais; defesa dos direitos de
povos indígenas e quilombolas; restrição do uso de transgênicos e agrotóxicos.
Insistimos
nas reformas de que o país tanto necessita, sobretudo agrária, urbana e
tributária. Sugerimos nova política de segurança pública e reforma prisional; a
democratização dos meios de comunicação; e a universalização dos direitos
humanos com respeito à diversidade.
Consideramos
importante a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; a
reapresentação do projeto de Participação Social; e o rigoroso combate à
corrupção. (A íntegra da carta se encontra em meu site: www.freibetto.org).
Enfatizamos
a importância do diálogo permanente com os movimentos sociais e, em especial,
com os jovens. Ela, imediatamente, cuidou de agendar tal sugestão. Criticamos
também o sistema de comunicação do governo e insistimos na valorização dos
centros de referência em direitos humanos e na política de proteção ambiental.
Dilma
não apenas agradeceu as nossas críticas e sugestões, como abriu canais para que
se tornem frequentes.
Fiquei
com a impressão de que a presidente não dispõe de muitos interlocutores
críticos. O poder costuma inibir aqueles que buscam tirar proveito pessoal,
como manter a função e a suposta boa impressão, e preferem não correr o risco
de serem mal acolhidos. Cria-se assim um círculo vicioso: a presidente escuta
de muitos que a cercam apenas elogios, e fica desinformada quanto a avaliações
críticas pertinentes.
Ao
final da audiência, ela externou o fascínio pelo homem que, hoje, ocupa o seu
coração: o papa Francisco. Relatou os encontros que tiveram e as conversas
descontraídas, concordando que ele é, atualmente, o mais importante líder
mundial, capaz de estender pontes (daí o termo pontífice) entre regiões, países
e Estados em conflitos.
À
saída da sala presidencial, encontrei Robson Andrade, presidente da
Confederação Nacional da Indústria e amigo de longa data. Em seguida, ele seria
recebido por Dilma. Brinquei: “Robson, já tratamos com a presidente dos
direitos dos trabalhadores. Agora é a sua vez de falar dos interesses dos
patrões...”
Frei Betto é escritor, autor de “Oito vias para ser feliz” (Planeta),
entre outros livros.
30 novembro, 2014
A palavra "advento" quer dizer "que está para vir"
O Tempo do Advento é tempo de fazermos um ver, julgar e agir de nos mesmos, de nossos pensamentos e de nossas atitudes com o objetivo de recomeçar uma vida nova em Cristo. O tempo do Advento é tempo de espera e esperança, de estarmos em oração, atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor.
Dois personagens bíblicos ganham destaque na celebração do Advento: Maria e João Batista. Ela porque foi escolhida por Deus para ser a mãe do Salvador, e ele porque foi chamado a ser o precursor do Messias. Ela se torna modelo do coração que sabe acolher a Palavra e gerar Jesus. Ele se torna modelo de uma vida que sabe esperar nas promessas de Deus e agir anunciando e preparando a chegada da salvação.
Entre os símbolos do Advento, está a coroa, formando um círculo; nele são colocadas quatro velas representando as quatro semanas do Advento. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante, até serem acesas as quatro velas no 4° domingo.
A Coroa de Advento tem a sua origem em uma tradição pagã europeia. No inverno, acendiam-se velas que representavam o “fogo do deus sol”, na esperança de que a sua luz e o seu calor voltassem. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar as pessoas. Olha que lindo, partiam de seus costumes para anunciar-lhes a fé.
A forma circular porque o círculo é símbolo do amor de Deus que é eterno e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve ter fim. Além disso, o círculo leva ao entendimento de união entre Deus e a humanidade - “Aliança”.
Quatro velas que simbolizam as quatro semanas do Advento Conforme se aproxima o Natal, acende-se uma a uma as quatro velas, representando assim a chegada, entre nós, do Senhor Jesus, luz do mundo.
As cores litúrgicas representadas pelas quatro velas são:
- Roxa - cor penitencial que lembra o perdão concedido a Adão e Eva;
- Vermelha - expressa a fé de Abraão e demais Patriarcas;
- Branca - simboliza a alegria do rei Davi que recebeu de Deus a promessa de uma aliança;
- Verde - recorda os Profetas que anunciaram a chegada do Salvador.
27 novembro, 2014
26 novembro, 2014
Mensagem de Natal de Dom Pedro Casaldáliga
Com alegria publico a mensagem de Natal de Dom Pedro Casaldáliga, que com carinho todo ano ele me envia.
Clique na imagem para ampliar
Íntegra do discurso do Papa Francisco ao Parlamento Europeu
Vale a pena ler o discurso lúcido, corajoso,
profético que o Papa Francisco pronunciou ontem ao Parlamento Europeu.
Profeticamente o Papa disse:
"Realmente que dignidade existe quando falta a possibilidade de exprimir livremente o pensamento próprio ou professar sem coerção a própria fé religiosa? Que dignidade é possível sem um quadro jurídico claro, que limite o domínio da força e faça prevalecer a lei sobre a tirania do poder? Que dignidade poderá ter um homem ou uma mulher tornados objeto de todo o gênero de discriminação? Que dignidade poderá encontrar uma pessoa que não tem o alimento ou o mínimo essencial para viver e, pior ainda, o trabalho que o unge de dignidade?"
"Promover a dignidade da pessoa significa reconhecer que ela possui direitos inalienáveis, de que não pode ser privada por arbítrio de ninguém e, muito menos, para benefício de interesses econômicos."
Leia aqui a íntegra do discurso do Papa Francisco ao Parlamento Europeu.
Comunidades Eclesiais de Base - Regional Nordeste I
“Vinde, benditos de meu Pai, recebam como herança o Reino que meu Pai
preparou para vós!”
Irmãos e irmãs da caminhada das CEBs, Paz e Bem!
Estivemos
reunidos/as nos dias 21 a 23 de novembro de 2014 no frio serrano da comunidade
Itacoatiara, Diocese de Itapipoca. Fomos muito bem acolhidos/as na Capela Nossa
Senhora das Neves, padroeira da comunidade. Percebemos o quanto esta comunidade
é comprometida com a defesa da vida através da casa de sementes, casa do doce,
experiências de irrigação sustentável, aproveitamento de garrafas pet para
irrigação e construção de muros, plantios coletivos, escola muito bem cuidada,
etc.
Nossa
programação foi extensa. Fizemos uma análise de conjuntura eclesial e sócio
econômica, onde os/as assessores/as nos apontaram alguns desafios: a) È preciso
investir mais na formação dos leigos e leigas para que estes/as atuem com mais
qualidade, defendendo as linhas de caminhada das CEBs; b) Precisamos ter uma
formação e atuação política mais contundente no sentido de ajudar nosso povo na
base a compreender nossas realidades locais, municipais, estadual e nacional
para que se defendam os direitos dos pobres e se criem as políticas públicas
necessárias à vida do povo, principalmente daqueles mais ameaçados. Precisamos
estar atentos e nos mobilizar em defesa do projeto popular de sociedade.
Partilhamos
a vida das CEBs em cada diocese, onde percebemos que temos em comum o desafio
de sermos compreendidos na nossa forma de evangelizar tendo como foco a
integração entre FÉ e VIDA, privilegiando o respeito ao jeito de viver de cada
comunidade, respeitando também as outras religiões. Porém, apesar desse desafio,
vemos muita vida e dinamismo, expressos nas nossas visitas missionárias, nossos
domingos da fraternidade, nos encontros, nas músicas, nas danças, nas cores.
Mas, não nos basta ser movimento, como temos sido tratados. SOMOS IGREJA!
Estamos nas pastorais, nos grupos evangelizadores, nos círculos bíblicos. Como
Igreja, precisamos nos colocar contra toda forma de opressão e exclusão!
Dom
Antônio Cavuto, bispo desta diocese esteve conosco, nos abençoando e falando da
proposta de conselhos comunitários das CEBs, o que tem difundido nosso trabalho
aqui.
A manhã de domingo nos acordou com a graça de
viver o dia do Cristo Rei/ dia do leigo e da leiga. O evangelho do dia nos
mostra os critérios para construção do Reino de Deus, atendendo sobretudo às
necessidades básicas de cada filho e filha de Deus: “Tive fome e me deste de
comer; tive sede e me deste de beber. Estive nu, me vestiste. Preso e doente me
visitastes. Como estrangeiro me acolheste”
Que
todas as nossas comunidades possam beber desta verdade e desta fonte e
vivenciar os sinais do Reino!
Amém, axé, awêre, aleluia!
Itacoatirara, Diocese de Itapipoca, 23 de novembro de
2014.
24 novembro, 2014
Dom Anuar Battisti dez anos na Arquidiocese de Maringá
Hoje, 24 de novembro, dom Anuar Battisti, Arcebispo de Maringá,
completa dez anos como pastor da Arquidiocese de Maringá, sua posse se deu no
dia 24 de novembro de 2004.
Que Deus o abençoe por intercessão de Nossa Senhora da Liberdade, para
que com carinho continue sendo presença amiga, nos envolvendo com ternura e cuidados,
revelando a face materna e paterna do nosso Deus que caminha conosco.
23 novembro, 2014
Regra de vida: proximidade - ternura
Segundo o Papa, a “regra de vida” apresentada por Cristo exige “a proximidade e a ternura”, a “imitação” das suas obras de misericórdia.
“No entardecer da vida seremos julgados pelo amor, pela proximidade e a ternura para com os irmãos. Disto vai depender a nossa entrada ou não no Reino de Deus, a nossa colocação de um lado ou do outro”, observou.
21 novembro, 2014
Filme “Irmã Dulce” estreia nos cinemas do Brasil
Fonte: site da Arquidiocese de Maringá
“A verdade se impõe; a verdade ilumina; a verdade liberta. Um filme sobre Irmã Dulce só teria sentido se fosse expressão da verdade de sua vida. Não fosse verdadeiro, os primeiros a criticá-lo seriam os que a conheceram”, relatou o arcebispo de Salvador (BA) e Primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, sobre longa metragem “Irmã Dulce”.
O lançamento do primeiro filme sobre a vida e missão da religiosa, Irmã Dulce, acontece no próximo dia 27 de novembro. No dia 13, o longa já entrou em cartaz nas regiões Norte e Nordeste do país.
O filme retrata com fidelidade e verdade o testemunho cristão da freira beatificada em 10 de dezembro de 2010, em Salvador. A beata recebeu o título de Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, tendo o dia 13 de agosto como data oficial de celebração de sua festa litúrgica.
Produção
Com direção de Vicente Amorim, roteiro de Anna Muylaert e L.G. Bayão, além da produção assinada por Iafa Britz, o longa-metragem, filmado em Salvador, mostra momentos marcantes da trajetória da beata.
O longa destaca o cuidado e o relacionamento de “mãe e filho” entre a freira e João, um menino pobre que pede abrigo à irmã após a família ser retirada de casa. Na infância e na vida adulta dele, Irmã Dulce o salva duas vezes da morte: retirando-o do ônibus após acidente em frente ao convento e quando criminosos o ameaçam de morte por conta de uma dívida.
Foto: Dilvulgação
18 novembro, 2014
Como Conversar com uma Criança Autista.
3 Métodos:
- Comunicando-se de maneira eficaz com uma criança autista
- Auxiliando em outras áreas da vida do seu filho
- Compreendendo o quão diferentes são as crianças autistas.
Crianças com autismo são únicas e interpretam o mundo de forma diferente, em comparação a outras crianças. Em termos de habilidades sociais e comunicativas, elas mostram diferenças altamente visíveis. Crianças com autismo parecem se valer de uma linguagem própria, implementando um sistema que funciona para elas. Se seu filho foi diagnosticado com autismo, é importante que você aprenda sua linguagem, a fim de se comunicar adequadamente com ele. Conheça aqui os métodos
17 novembro, 2014
Pacto das Catacumbas por uma Igreja Serva e Pobre
Em 1965, os bispos assinaram
o Pacto das Catacumbas para ajudar a Igreja a se converter e se transformar em
uma Igreja pobre e servidora de todos.
“Como eu gostaria de uma Igreja pobre, para os pobres", afirmou o Papa Francisco poucos dias depois de sua eleição a centenas de jornalistas de todo o mundo recebidos em audiência no Vaticano. As palavras do Papa Francisco revivem a mensagem de João XXIII na qual, cerca de um mês antes da abertura do Concílio Vaticano II, afirmou: “a Igreja se apresenta e quer realmente ser a Igreja de todos, em particular, a Igreja dos pobres”.
Durante o Concílio, em resposta ao sonho de João XXIII, um grupo de bispos, entre os quais se encontravam dom Helder Camara, constituiu o movimento “Igreja dos Pobres”. Ao final do Concílio, em 16 de novembro de 1965, este grupo celebrou uma missa na Catacumba de Santa Domitila, em Roma, e firmou o documento que se tornou conhecido como “Pacto das Catacumbas por uma Igreja Serva e Pobre”.
Eis o texto do Pacto das Catacumbas
“Como eu gostaria de uma Igreja pobre, para os pobres", afirmou o Papa Francisco poucos dias depois de sua eleição a centenas de jornalistas de todo o mundo recebidos em audiência no Vaticano. As palavras do Papa Francisco revivem a mensagem de João XXIII na qual, cerca de um mês antes da abertura do Concílio Vaticano II, afirmou: “a Igreja se apresenta e quer realmente ser a Igreja de todos, em particular, a Igreja dos pobres”.
Durante o Concílio, em resposta ao sonho de João XXIII, um grupo de bispos, entre os quais se encontravam dom Helder Camara, constituiu o movimento “Igreja dos Pobres”. Ao final do Concílio, em 16 de novembro de 1965, este grupo celebrou uma missa na Catacumba de Santa Domitila, em Roma, e firmou o documento que se tornou conhecido como “Pacto das Catacumbas por uma Igreja Serva e Pobre”.
Eis o texto do Pacto das Catacumbas
Pacto das Catacumbas da Igreja serva e pobre
Nós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre as deficiências de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados uns pelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar a singularidade e a presunção; unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado; contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a oração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses; colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante da Igreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, na humildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda a determinação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça, comprometemo-nos ao que se segue:
1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daí se segue. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.
2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias de matéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc 6,9; Mt 10,9s; At 3,6. Nem ouro nem prata.
3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., em nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome da diocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s.
4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e material em nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seu papel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores e apóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.
5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor...). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28; 23,6-11; Jo 13,12-15.
6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceitos, classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.
7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por qualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suas dádivas como uma participação normal no culto, no apostolado e na ação social. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.
8) Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração, meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que isso prejudique as outras pessoas e grupos da diocese. Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem os pobres e os operários compartilhando a vida operária e o trabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e 9,1-27.
9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relações mútuas, procuraremos transformar as obras de "beneficência" em obras sociais baseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas as exigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf. Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s.
10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem e dos filhos de Deus. Cf. At. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim 5, 16.
11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral - dois terços da humanidade - comprometemo-nos:
a participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres;
a requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem de sua miséria.
12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida com nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim:
esforçar-nos-emos para "revisar nossa vida" com eles;
suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundo o espírito, do que uns chefes segundo o mundo;
procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores...;
mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião. Cf. Mc 8,34s; At 6,1-7; 1Tim 3,8-10.
13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão, seu concurso e suas preces.
Ajude-nos Deus a sermos fiéis.
49 anos do Pacto das Catacumbas: um apelo aos bispos da Igreja Católica
No dia 16 de novembro de 1965, portanto, há 49 anos, poucos dias antes do encerramento do Concílio Vaticano II, cerca de 40 padres conciliares celebraram uma Eucaristia nas catacumbas de Domitila, em Roma. Após a celebração, assinaram o “Pacto das Catacumbas”. Trata-se de um documento histórico, que dispensa maiores comentários porque por si mesmo fala com clareza e objetividade de uma proposta original, evangélica, audaciosa e profética.
Entre os signatários estava Dom Helder Câmara, um dos grandes profetas da história da Igreja no Brasil. O documento é dirigido aos bispos da Igreja Católica, um convite para que todos possam se colocar no caminho de Jesus: caminho de pobreza e de serviço ao povo de Deus. Os bispos que assinaram e que viveram este importante pacto entraram para a história da Igreja como homens despojados e livres, pastores zelosos do povo de Deus, que viveram na radicalidade evangélica a opção pelos pobres.
Todos os bispos da Igreja Católica, se quiserem, de fato, ser fieis ao evangelho de Jesus e ao espírito do Vaticano II, precisam observar as orientações deste pacto. Há, certamente, na Igreja de hoje bispos que praticam este pacto, com humildade, simplicidade, zelo e discrição; mas é verdade também que há inúmeros bispos que estão longe de praticá-lo, pois vivem apegados ao poder, ao prestígio e à riqueza; vivem salvando a própria vida em detrimento da vida do povo de Deus.
A estes bispos, o pacto abaixo transcrito e as veementes exortações do papa Francisco são um forte apelo à conversão episcopal. Os pobres do povo de Deus clamam por autênticos pastores, que a exemplo de Jesus, deem a vida pelas grandes causas do Reino de Deus. Muitos bispos precisam abraçar com humildade e perseverança a cruz de Cristo nas lutas por justiça, na solidariedade com os pobres. Precisam renunciar as amizades e alianças com os poderosos da sociedade e seus projetos de morte. Precisam anunciar a Boa Notícia do Reino e denunciar os crimes que ceifam a vida do povo.
Na América Latina, dom Oscar Romero e tantos outros são exemplos inspiradores de verdadeiros pastores, que assumem a promoção da justiça até as últimas consequências. Gente do povo continua sendo perseguida, explorada e morta, onde estão os pastores dessa gente? Como Jesus, é preciso que se busquem as “ovelhas perdidas da casa de Israel”. Para isto, a opção pelos pobres deve ser uma realidade na vida dos bispos. Sem ela não há conversão episcopal.
Por fim, é hora de renunciar a “psicologia de príncipes” (expressão do papa Francisco), assim como as manias de gente rica para se revestir do espírito de Cristo, o bom pastor. Estão fazendo falta à Igreja do Brasil homens como dom Helder Câmara, dom Luciano Mendes de Almeida, dom Aloísio Lorscheider, dom Antônio Fragoso, dom Waldyr Calheiros, dom Tomás Balduíno, entre outros grandes profetas do Senhor. Estes homens não viveram para si mesmos, mas viveram como Jesus: no anúncio do evangelho, servindo os pobres do povo de Deus.
Que nossa prece chegue a Deus neste dia feliz da memória deste pacto, a fim de que nossos bispos escutem a voz do Espírito do Senhor e se tornem, afetiva e efetivamente, pastores do povo santo e fiel, segundo o coração do nosso bom Deus. A necessária e urgente conversão das estruturas da Igreja está intimamente ligada à conversão dos bispos, sendo estes chamados a serem os primeiros a darem testemunho do Cristo ressuscitado no meio do povo.
Tiago de França
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