12 setembro, 2017

III Semana de Espiritualidade 2017

Inscrições:

PUCPR - C.A. de Teologia  
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Crise econômica, desemprego e preconceito aumentam risco de suicídio - Ipea


Em todos os países episódios de suicídio são registrados, mas segundo dados da OMS, 75% dos episódios ocorreram em nações de baixa e média renda em 2012.


A reportagem é de Helena Martins e publicada por Agência Brasil, 11-09-2017.


A cada 40 segundos, um suicídio ocorre no mundo. Ao todo, são 800 mil registros anuais, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Embora tenha forte componente individual, determinantes sociais - como questões econômicas - também têm influência em diversos casos investigados. Episódios de suicídio são registrados em todos os países, mas segundo dados da OMS, 75% dos episódios ocorreram em nações de baixa e média renda em 2012.


Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre austeridade e saúde diagnosticou, a partir da análise de diferentes estudos, que as crises econômicas e o consequente aumento do desemprego aumentam o risco de suicídio e de mortes decorrentes do abuso de álcool.


Falta de esperança, dificuldades de se enquadrar no ambiente social e econômico são problemas apontados pela autora da análise e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, Fabiola Sulpino Vieira.

Crise e austeridade

Em momentos de crise, a demanda por atendimento de saúde cresce, tanto pela degradação das condições de saúde quanto pela dificuldade de ter acesso a um serviço privado. Por isso, a possibilidade de ocorrência de suicídios pode aumentar com a adoção de políticas de austeridade.

“A crise gera uma série de problemas, à medida que você provoca uma situação de instabilidade muito forte. Quando vem a austeridade, que geralmente vem por meio do corte de despesas da área social, você acaba tirando possibilidades de mitigação dos efeitos da crise na vida das pessoas”, explica Fabiola.

Após analisar vários países que enfrentaram crises ao longo da história, a pesquisadora concluiu que aqueles que mantiveram políticas de reinserção das pessoas no mercado de trabalho e renda mínima, além de serviços públicos de saúde e educação, “não só mitigaram os efeitos da crise sobre a situação de saúde das pessoas, como também tiveram resultado em conseguir retomar o crescimento econômico em um prazo mais curto do que os que adotaram a austeridade”.

Enfatizando a necessidade de prevenção, o estudo alerta que “programas de proteção social e voltados para o mercado de trabalho podem reduzir o risco de desfechos negativos sobre a saúde mental e problemas relacionados ao abuso de álcool, além disso, podem promover a saúde e o bem-estar”.

A situação do Brasil

O Brasil não está fora desse quadro. O país tem taxa proporcional de suicídio baixa. Segundo o Ministério da Saúde, em 2014, foram registrados 10.653 óbitos por suicídio no Sistema de Informação de Mortalidade, taxa média de 5,2 por 100 mil habitantes, praticamente metade da média mundial, que é de 11,4 casos para o mesmo grupo. No entanto, tem sido diagnosticado um crescimento constante do número de ocorrências, especialmente, em relação a determinados grupos sociais.

Jovens

“Fatores puramente econômicos como o desemprego e a renda causam maior impacto sobre a taxa de suicídio ao grupo de pessoas mais jovens”, destacou o Ipea, em pesquisa sobre determinantes sociais do suicídio, publicada em 2010. Pressão social por sucesso e desemprego estrutural entre os jovens são alguns dos fatores que explicam essa situação, segundo o Ipea. O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos no mundo, segundo a OMS.

A questão de gênero é outra questão destacada na análise. Verificando microdados do Ministério da Saúde relativos ao intervalo entre 2000 e 2010, o Ipea constatou que 79% das vítimas são do sexo masculino. Já estudo que trata da relação entre acesso às armas de fogo e suicídio destacou que, quando consideradas apenas as mortes cometidas com armas de fogo, esse percentual chega a 88%.

Brancos

A diferença racial não aparenta ser tão determinante na análise das ocorrências gerais. Há 5% a mais de vítimas brancas. Quando destacado o uso da arma de fogo, esse percentual aumenta em quase dois terços.

“Isto provavelmente reflete que os indivíduos de cor branca são em média mais ricos que os não brancos e, portanto, possuem mais facilidade de adquirir armas de fogo”, avalia o Ipea.

O estudo aponta ainda que a disponibilidade de armas desse tipo pode favorecer a ocorrência de suicídios, de forma geral.

Indígenas

O acesso às armas de fogo em regiões de fronteira ou nas regiões agrícolas, onde muitos conflitos são registrados, ajuda a compreender a distribuição geográfica das ocorrências. Exemplo disso é o número bastante elevado de suicídios em Mato Grosso e no Amazonas. Enquanto a média nacional é de 5,2 casos por grupo de 100 mil habitantes, nesses locais a taxa é de 13,6 e 11,9, segundo dados do Mapa da Violência 2017.

LGBTs

Em 2016, a ocorrência de casos desse tipo no âmbito da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) chamou a atenção do Grupo Gay da Bahia (GGB) que, todos os anos, produz relatório sobre violência homofóbica. O grupo registrou 26 suicídios, sendo 21 gays, três lésbicas e duas pessoas transexuais. O número deve ser maior, já que a pesquisa contabiliza apenas casos noticiados por jornais e pela internet.

Políticas públicas

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza acompanhamento psicológico e psicoterápico, incluindo terapia ocupacional, bem como assistência hospitalar a todas as pessoas com transtornos mentais ou problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

Preocupado com o crescimento do número de suicídios, em 2006, o Ministério da Saúde publicou as Diretrizes Nacionais de Prevenção do Suicídio (Portaria 1.876/2006) e o manual dirigido aos profissionais das equipes de saúde mental dos serviços de saúde.

A iniciativa integra a Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio, que tem como objetivo reduzir as taxas de óbitos por esta causa, bem como as tentativas e os danos associados aos sujeitos envolvidos, além de estruturar a rede de suporte social e comunitária.

Em nota enviada à Agência Brasil, o ministério destacou que o Brasil está entre os 28 países, de um universo de mais de 160 analisados pela OMS, que tem uma estratégia de prevenção desse tipo. A portaria que estabelece a política está sendo avaliada pelo Comitê de Enfrentamento do Suicídio, criado recentemente pelo órgão, que deverá atualizar as diretrizes da estratégia.

O ministério também tem trabalhado em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV) – serviço que oferece apoio emocional por meio de ligação telefônica, a fim de evitar o suicídio – para ampliar o alcance do serviço de apoio gratuito por telefone para todo o país até 2020.

08 setembro, 2017

6º Encontrão das CEBs - Arquidiocese de Maringá


6º Encontrão Arquidiocesano das CEBs
Dia 1º de outubro
Das 13h30 às 17h00
No Colégio Carlos Démia - cidade de Maringá


Com alegria convidamos a todas e a todos para o 6º Encontrão Arquidiocesano das CEBs, cujo tema é “CEBs e os Desafios do Mundo Urbano” e o lema “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7), dia primeiro de outubro, das 13h30 às 17h00 no Colégio Carlos Démia, cidade de Maringá.

Deus escuta o clamor do povo que sofre opressões no mundo urbanizado e convoca as CEBs a participar – junto a todas as pessoas de boa-vontade – de sua libertação. Esta é a intuição profunda do 6º Encontrão Arquidiocesano das CEBs que unirá musica e dança na apresentação dos desafios do mundo urbano reafirmando as Comunidades Eclesiais de Base como o caminho, o sinal de esperança, na certeza que o nosso Deus habita no campo e na cidade.

O povo de Israel, as discípulas e discípulos de Jesus viveram e anunciaram o evangelho em grandes cidades, cidades com todas essas lógicas de violência, de opressão e ali souberam ser sinal de nosso Deus, souberam ser fermento de Cristo, souberam manter os valores de hospitalidade e acolhida, acolhidos no amor de Deus e por isso eles são sinal que as cidades não precisam ser lugar da violência e opressão, mas podemos construir a cidade de Deus, o Reino de Deus, marcar nossas cidades com essa presença. É isso que queremos reafirmar no encontrão das CEBs, onde cada um depois reforçado a fé vai continuar a caminhada.

Para o papa Francisco "As artes expressam a beleza da fé e proclamam a mensagem da grandeza da criação de Deus" e isso é lindo. A arte envolve, tem sido assim os encontrões das CEBs, as pessoas não apenas vão participar, mas vão como sujeito do encontrão.

A dinâmica do 6º Encontrão será apresentar os desafios do mundo urbano através de música e dança.Cada região pastoral recebeu um desafio e um ritmo, a letra da música deve falar do desafio do meio urbano apresentando as CEBs como o caminho, o sinal de esperança.

- Região Pastoral Jandaia do Sul: meio ambiente e sustentabilidade, ritmo nordestino.


- Região Pastoral Sarandi/Nossa Senhora das Graças: arte, cultura, esporte e lazer, ritmo rock / anos 60.

- Região Pastoral São José Operário: cidade excludente, mobilidade e migração, ritmo samba.

- Região Pastoral Nossa Senhora Aparecida: violência, ritmo hip hop.

- Região Pastoral Catedral: tecnologias de informação e comunicação, ritmomarchinha.

- Região Pastoral Santa Cruz: moradia, ritmo: ciranda.

- Região Pastoral Castelo Branco: trabalho, ritmo valsa.

- Região Pastoral Paranacity: saúde e educação, ritmo: sertanejo gauchesco.


Importante: - Levar canecas e/ou copos. Atitudes simples como utilizar canecas e copos permanentes podem minimizar problemas ambientais.

06 setembro, 2017

O valor da iniciativa!


Muitas vezes o que é preciso é "Iniciativa", bons exemplos.
Apesar de tudo, ainda é possível acreditar nas pessoas e que a mudança pode ocorrer, basta querermos e termos iniciativa.


A Diferença Entre Querer Morrer e Querer Que a Dor Pare

Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse: a dor que rodeava e apertava meu peito, o peso que envolveu meu cérebro na sombra, a agonia que transformou todo o mundo em escuridão.
Eu precisava disso para cessar a dor.
Não foi um grande trauma que me convenceu que a morte era a minha única opção, mas uma série interminável de pequenas dores que roubaram a minha esperança. A pressão da vida quotidiana tornou-se um assalto implacável: uma mão pesada sobre meu ombro que me esmagava.
Uma manhã eu tive uma discussão menor com meu marido e, como diz o  provérbio sobre colocar mais lenha na fogueira, essa discussão me deixou em pedaços.
E então eu decidi que tinha apenas uma escolha que fazia algum sentido. Senti que todo mundo estaria melhor sem mim.
Eu fiz um plano. Eu escrevi cartas para a minha família. Chorando, telefonei para o meu amado irmão para dizer adeus.
Entretanto, levou poucos momentos para ele compreender o que eu estava fazendo e, em seguida, rapidamente, ele entrou em ação. Ele me cortou, desligou na minha cara e chamou meu marido imediatamente.
Meu marido correu de seu prédio de escritórios e, frenético, me procurou usando um aplicativo em seu telefone. Ele chamou um policial. Chamou a ambulância. Levou-me para o hospital.
Deram-me uma bebida lamacenta em um copo de papel enquanto eu estava deitada na maca, e eu chorei.
Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse.
A escuridão que eu tinha mergulhado era muito espessa. Eu não conseguia mais enxergar meus filhos. Eu não conseguia mais enxergar a vida que eu tinha construído com o homem que eu havia escolhido 25 anos atrás. Eu não podia enxergar minha família, os irmãos que me conheciam desde o nascimento, os pais que me apoiaram desde antes que eu pudesse lembrar. Eu não podia enxergar meus amigos, que teriam ficado extremamente entristecido comigo se eu tivesse de deixá-los.
Eu não podia ver o amor.
Havia amor em volta de mim, mas esse amor foi empurrado pela escuridão, com força despejado de minha consciência pelo preto sufocante.
No hospital psiquiátrico, eu estava cercada por pessoas cujas experiências foram muito parecidas com o minha. Ouvi histórias familiares. Eu aprendi novas formas de lidar com a minha dor. Percebi que tinha opções. Mais importante, porém, vi que não estava sozinha.
Eu tenho ajuda.
Eu tenho um bom diagnóstico e fui colocada sob medicação que funcionou como um raio de luz no meu cansado cérebro, confuso. Isso não aconteceu da noite para o dia. Levou algum tempo para encontrar as doses certas e as prescrições corretas, mas eu perseverei. Eu mantive firmemente a esperança de que o antídoto certo para a escuridão poderia ser encontrado.
Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse.
E ela parou.
Lenta, mas seguramente, com a terapia e o tempo, a dor parou.
Estou aqui hoje para lutar junto com você: Não desista.
Há uma razão para que você esteja lendo isso agora, neste exato momento no tempo. Esta é uma mensagem que você precisa ouvir. Você não está sozinha. O próprio mundo anseia para você ficar, anseia para você permanecer. A Terra está chamando. Ouça! Lá está, no calor dos raios do sol em cima de seu rosto virado para cima, na brisa fresca que acaricia sua pele, no canto de um pássaro, a maravilha de folhas e flores. A mensagem está lá para ouvir. A Terra está implorando para você não desistir.
Para toda escuridão há um facho de luz pelo qual é possível andar, basta apenas que os olhos sejam liberados do desespero.
Buscar. Falar com alguém. Há amor lá fora; há amor ao seu redor. Só porque você não pode sentir isso agora não significa que ele se foi. Não acredite na escuridão. Ele é uma mentirosa e uma ladra.
Estou feliz por estar aqui hoje.
A chuva cai e o sol brilha. Posso ver meus filhos rirem e chorarem e lutar e crescer. Meus pais estão agradecidos. Meu marido é cuidadoso. Meus irmãos me apoiam. Meus amigos me querem bem. Todo dia eu vejo o amor que eu não podia ver antes.
Eu acreditava nas mentiras que a escuridão me falou, e eu tentei tirar minha vida.
As vezes a vida ainda é uma luta. As vezes o amor parece desaparecer e parece estar longe. Há dias em que eu acordo desanimada e me sinto derrotada. Tem dias que eu ainda quero deixar este mundo (e todas as suas tribulações) para trás. Mas eu continuo colocando um pé na frente do outro, e eu agarro a esperança. Eu falo com os que me rodeiam. Eu tenho um boa noite de sono. Um novo dia amanhece. Eu me sinto melhor.
Eu não tinha que morrer para que a dor parasse.
Você também não tem que querer. 
Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, por favor, ligue para o telefone do CVV 141 e procure ajuda especializada.
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Fonte: Texto original > The Difference Between Wanting to Die and Wanting the Pain to Stop, de Jennifer Wilson.  Texto livremente traduzido e adaptado por Celso Macedo, em seu blog.

Setembro amarelo - prevenção do suicídio!




Setembro amarelo - prevenção do suicídio!

Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo, e suas formas de prevenção. Ocorre durante o mês de setembro, desde 2014, por meio de identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela e a ampla divulgação de informações. 

O Suicídio

O câncer, a AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) há duas ou três décadas eram rodeadas de tabus e viam o número de suas vítimas aumentando a olhos nus. Foi necessário o esforço coletivo, liderado por pessoas corajosas e organizações engajadas, para quebrar esses tabus, falando sobre o assunto, esclarecendo, conscientizando e estimulando a prevenção para reverter esse cenário.

Um problema de saúde pública que vive atualmente a situação do tabu e do aumento de suas vítimas é o suicídio. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas.

A esperança é o fato de que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos. É necessário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está à sua volta.

Mas como buscar ajuda se sequer a pessoa sabe que ela pode ser ajudada e que o que ela passa naquele momento é mais comum do que se divulga? Ao mesmo tempo, como é possível oferecer ajuda a um amigo ou parente se também não sabemos identificar os sinais e muito menos temos familiaridade com a abordagem mais adequada?

Histórico

Iniciado no Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina)e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), o Setembro Amarelo realizou as primeiras atividades em 2014 concentradas em Brasília. Em 2015 já conseguiu uma maior exposição com ações em todas as regiões do país. 

Mundialmente, o IASP – Associação Internacional para Prevenção do Suicídio estimula a divulgação da causa, vinculado ao dia 10 do mesmo mês no qual se comemora o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

O CVV – Centro de Valorização da Vida (uma das principais mobilizadoras do Setembro Amarelo) é uma entidade sem fins lucrativos que atua gratuitamente na prevenção do suicídio desde 1962, membro fundador do Befrienders Worldwide e ativo junto ao IASP – Associação Internacional para Prevenção do Suicídio), da Abeps (Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio) e de outros órgãos internacionais que atuam pela causa.

Fonte: site setembro amarelo

05 setembro, 2017

Memória do Grito dos Excluidos

"Saber rir de si mesmo, isso nos dá alegria"

“A cultura em que vivemos é muito egoísta, tem uma dose muito grande de narcisismo. 

O narcisismo produz tristeza, porque significa maquiar a alma todos os dias. É a doença do espelho. Quebrem os espelhos, ....

O espelho engana. Olhem para fora, para os demais, fujam dessa cultura que vivemos, que é consumista e narcisista. E se quiserem olhar para o espelho, olhem para rir de si mesmos. Saber rir de si mesmo, isso nos dá alegria.”

Papa Francisco

04 setembro, 2017

Carta do 11º Encontrão de CEBs de Crateús – 2017


CARTA DO 11º ENCONTRÃO DAS CEBs – DIOCESE DE CRATEÚS

Queridas irmãs e queridos irmãos,

Nossos corações estão vibrando de alegria e, por isso, nos dirigimos a vocês, para partilhar um pouco do que foi o grande encontro de todas as CEBs de nossa Diocese. 

A participação de 735 pessoas, vindas das 14 Paróquias e da Área Pastoral de Sucesso, além de pessoas amigas que vieram de outros cantos, fortaleceu a nossa rede de comunidades e todos nós ficamos revigorados e animados para tocar adiante a nossa Caminhada. Os encontros, desde o da Paróquia até o diocesano, foram momentos de estreitar os laços campo e cidade, de perceber melhor os desafios do mundo urbanizado e de indicar formas de superação, na direção de outro mundo possível, sinal e anúncio do Reino.

Relendo a parábola do bom Samaritano (Lc 10,25-37), vemos que ela ressoa forte, nos dias de hoje: somos nós o homem assaltado, roubado, ferido e jogado à beira da estrada. 
Mas como o samaritano, nós temos assumido a missão de curar e levantar quem está caído, cuidando da vida ameaçada, solidarizando-nos com quem sofre, por não ter acesso à terra e à água, onde morar, trabalhar.

Estamos cientes de que (e por que) alguns se apoderaram de nossa história, de nossas raízes, de nossa língua, de nossas terras; roubaram nossos direitos, negaram nossa identidade, expulsaram-nos para as periferias das cidades e invadiram o campo; seduziram-nos para adotarmos um estilo de vida que nos nega e nos destrói, por dentro. O dragão que queria devorar o Menino do Apocalipse (Ap 12) é o mesmo que continua querendo devorar os pobres e as organizações populares, nos impedindo viver com dignidade. Temos nos esforçado, portanto, para crescer na consciência e na cidadania.

De outro lado, damo-nos conta que não conseguiram roubar de nós a comunidade, a nossa fé e a nossa esperança. Somos como a caatinga que perde a folhagem para resistir e guarda sementes, escondidas no chão, anos a fio, esperando o tempo bom para nascer.

 Alegra-nos ver que são muitos os sinais de resistência e de superação:

- Anunciamos o evangelho da alegria, buscamos uma vida simples e, estamos, sempre, com o pé na estrada, ao encontro das pessoas excluídas de nossa sociedade;   
      
- Alimentamos o sonho de um mundo novo (em nossas celebrações, festas...), de uma nova Política e de cidadãos comprometidos com a Política, para alcançar Liberdade, Justiça e a Igualdade;

- Ensaiamos, a partir do nosso lugar, um jeito novo de organizar a vida, de cuidar da criação de Deus e da saúde de todas as pessoas, de fazer a educação, de refazer a vida nas cidades, tornando-as mais humanas; reapropriamo-nos de tecnologias antigas e aprendemos a usar tecnologias modernas a nosso favor;   

- Acreditamos na presença do Espírito em nosso meio a guiar-nos e, por isso, valorizamos e apoiamos as pessoas e iniciativas em favor da vida.

Temos consciência de que a missão continua e que ela é de todos/as; precisamos, portanto, continuar avançando na compreensão e superação dos desafios do mundo urbanizado. Confiemos no sopro do Espírito que nos move, na certeza de que o Amanhã vai chegar!


Crateús, 3 de setembro de 2017.





Uma abençoada e fraterna semana a todas e a todos!


"Senhor, ensine-nos a contemplá-lo
 na beleza da criação 
e desperte a nossa gratidão 
e o nosso sentido de responsabilidade."

Papa Francisco

O Vídeo do Papa 09-2017 – Paróquias a serviço da missão – Setembro de 2017

O Vídeo do Papa: oração do mês de setembro ‘pelas paróquias’

Que as paróquias não sejam escritórios, mas lugares de transmissão da fé e testemunho da caridade.

“As paróquias têm de estar em contato com os lares, com a vida das pessoas, com a vida do povo.
Devem ser casas onde a porta esteja sempre aberta para ir ao encontro dos demais.
E é importante que a saída ofereça uma clara proposta de fé.
Trata-se de abrir as portas e deixar que Jesus saia com toda a alegria de sua mensagem.

Peçamos por nossas paróquias, para que não sejam escritórios, mas que, animadas pelo espírito missionário, sejam lugares de transmissão da fé e testemunho da caridade”.




01 setembro, 2017

Um lindo e abençoado final de semana a todas e a todos!

Um lindo e abençoado final de semana a todas e a todos!

"Podes cortar todas as flores 
mas não podes impedir 
a Primavera de aparecer."

Pablo Neruda

Chamar o Mal pelo nome

É preciso denunciar o que existe de diabólico, no Brasil e no mundo




O diabo é, na tradição cristã, a significativa encarnação do mal. Há variadas interpretações, religiosas e científicas, antigas e modernas, de como se dá a existência deste mal encarnado.

Muitas vezes ela é reduzida à imagem de uma entidade, representada de muitas formas, a depender da cultura e do clima social. Por isso as imagens variam de um homem vermelho, com tridente e rabo, a um galã elegante e sedutor, e são fonte de medo, de narrativas orais, teatrais ou cinematográficas, motivo de piadas ou de fantasia do Carnaval.

Recomendamos o livros Satanás e os demônios na Bíblia, de Ildo Bohn Gass.

Na teologia cristã, o diabo é, porém, muito mais do que uma entidade. Compreender isto é ir à origem do termo:

o grego diabolos, o hebraico, Satan, “aquele que divide“, “provocador de confusão, discórdia”. Nesse sentido, enquanto Deus, o Criador, age para unir, harmonizar, trazer paz, o diabo trabalha na oposição: divide, confunde, traz violência. Mais do que uma entidade, diabolos é uma postura, um caráter.

Descartadas aqui as possíveis discussões teológicas, importa, neste espaço, pensar como o significado de diabolos pode nos ajudar a refletir sobre as divisões e a falta de paz do nosso tempo presente. Expressões do muito o que temos visto, ouvido e vivido na próxima esquina ou em uma das telas que nos levam a tantos lugares.

É fato que temos de superar os binarismos certo-errado, legal-ilegal, bem-mal, entre outros. Em nome da vida, da paz e da justiça, precisamos, porém, chamar o mal pelo nome e denunciar o diabólico em curso.

É diabólico que Donald Trump, com poder sobre todo o arsenal bélico atômico dos Estados Unidos, faça uso de um discurso populista de incitação a uma cruzada militar contra não brancos e não cristãos no exterior, e acabe estimulando-a no seu próprio país.

É diabólico que as ações de grupos terroristas, que também o são, sejam usadas para se negar refúgio às massas de seres humanos sem nada que sofrem tanto os efeitos de abusos governamentais quanto de uma globalização econômica inumana.

É diabólico tratar as mudanças climáticas provocadas por este mesmo processo econômico devastador como um “devaneio de ecologistas”, enquanto Ilhas do Pacífico desaparecem, submersas por conta de erosão e aumento do nível do mar, desequilibrando o ambiente e desalojando populações inteiras.

É diabólico um governo que toma o poder para “devolver a dignidade ao Brasil” se revelar espúrio e ainda trabalhar para o capital financeiro conquistar espaços antes limitados e lucrar mais.

É diabólico que este governo e seus aliados usem de recursos públicos para negociar barreiras a investigações sobre si e restrinjam direitos de trabalhadores, reduzam ou extingam projetos que garantem o fundamental à população.

É diabólico propagar midiaticamente no Brasil que “a justiça é para todos”, quando juízes nas diferentes instâncias arbitram com base em compromissos familiares, políticos ou financeiros.

É diabólico que homens e mulheres de baixa renda e escolaridade sigam encarcerados de forma degradante, em unidades superlotadas deste mesmo país, sem as mínimas condições estruturais, tendo milhares deles já cumprido suas penas.

É diabólico decretar a pena de morte a jovens das periferias do Brasil pelo simples fato de terem a pele negra, assim como manifestar indiferença ou apoio a este extermínio.

Diabólicos são ainda a ganância, a extorsão, a propagação da mentira para sustentar o poder, linchamentos morais, racismo, xenofobismo, sexismo, homofobismo, aversão à religião do outro, campanhas para candidatos que encarnam tudo o que até aqui foi descrito.

Age diabolicamente quem promove e apoia estas ações. Nesse sentido, são diabólicas as grandes mídias, que negam ao público informação ampla e responsável, e tomam partido do poder inumano, incitando a confusão e promovendo ódio e negação do diálogo.

Estão também incluídas neste grupo, de forma contraditória, até mesmo lideranças religiosas que se apresentam como agentes de Deus e combatentes do Diabo nos espaços políticos e midiáticos. Já alertava Jesus de Nazaré: “Pelos frutos os conhecereis“. E os frutos que tais lideranças produzem na política, nas mídias, nas ruas, são divisão e confusão.

Mas sempre há chance de exorcizar o diabo: expeli-lo do processo. Por isso há que se ter esperança da presença de cidadãos e grupos, religiosos ou não, que atuam pela superação das ações diabólicas.

Há muita gente fazendo exorcismo com a produção de espaços de paz e diálogo, no oferecimento de fontes alternativas de informação, no chamado à paz com justiça. Esses indivíduos e grupos são, boa parte das vezes, invisíveis, por conta dos processos midiáticos diabólicos. A despeito disto eles/as estão por aí, como fermento na massa, tentando juntar e não dividir. Tentando in-formar (dar forma/dar liga) e não de-formar.  Não vou dar nome ao Bem desta vez. Fica o “trabalho de casa”, para quem ler este texto, de fazer o exercício de identificar quem são e se somar a elas.


Fonte: Texto de Magali do Nascimento Cunha, Jornalista, doutora em Ciências da Comunicação, professora e pesquisadora em mídia, religião e cultura da Universidade Metodista de São Paulo. É colaboradora do Conselho Mundial de Igrejas. Publicado no blog Diálogos da Fé, de Carta Capital, 31/08/2017.

Fonte: site do CEBI

Síntese do Texto Base do14º Intereclesial: CEBs e os Desafios no Mundo Urbano

“Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7)




            Breve síntese do Texto Base que tem servido de estudo para o 14º Intereclesial a ser realizado em janeiro de 2018 em Londrina/PR, Brasil.

            Como se afirma na própria introdução do Texto Base (TB), escrito por muitas mãos, não se encontra no texto todas as possibilidades de reflexão em torno da questão urbana, mas oferece um caminho no qual se pode começar um aprofundamento. Uma síntese tem um caráter ainda mais limitado.

            De qualquer forma, podemos enfrentar o desafio urbano de modo diferente, mas não podemos deixar de enfrentar tal desafio se queremos, de fato, continuar a propor o Caminho de Jesus Cristo para o mundo de hoje.


VER


           O grande ícone da urbanidade sempre foi a cidade. E hoje, mais do que em qualquer outra época continua sendo. A cidade se configura por um espaço físico e pelas pessoas, com suas respectivas identidades, que constituem um território. Ao mesmo tempo, cada cidade é única. Chegamos a um grau de complexidade no qual o mundo urbano ultrapassa o espaço geográfico das cidades.

            Neste contexto, no Brasil, e praticamente no mundo, chegamos a uma taxa de urbanização em torno de 84%. Um crescimento que se deu em apenas algumas décadas. Tal crescimento trouxe no seu bojo uma enorme diversidade e, ao mesmo tempo, a possibilidade de muita exclusão social. Assim, o eixo fundamental do TB é o direito à cidade, no sentido de que todos os habitantes possam ser incluídos no seu planejamento e construção, sem discriminações e privilégios.

            A vivência religiosa não poderia deixar de ser influenciada por este processo de urbanização. No caso específico da Igreja Católica as Paróquias e Comunidades tem sofrido o impacto de tal dinâmica. As CEBs (Comunidade Eclesiais de Base) igualmente. Assim, torna-se fundamental pensar e viver a experiência de fé dentro de uma realidade de pluralismo religioso.

            A história brasileira do processo de urbanização, semelhante em outras partes do mundo, foi a transformação das cidades em mercadoria. A receita neoliberal abandonou as periferiais, e tem empurrado ainda mais as populações mais pobres para longe dos benefícios sociais, culturais e econômicos dos grandes centros e das grandes metrópoles. A marca ideológica profunda que caracteriza a urbanização, mesmo nos chamados governos progressistas, é o social-desenvolvimentismo, que coloca no centro o mercado e não as pessoas.


JULGAR



 Diante do desafio urbano como a Palavra de Deus e a tradição cristã podem se posicionar?
            A Ampliada Nacional das CEBs do Brasil (Fórum de articulação nacional) foi lá no livro de Êxodo e lembrou que Deus nunca abandona o seu Povo: “Eu vi…, eu ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7)

            Porém, para aproximar mais a reflexão de nossa realidade, o TB se inspirou no Apóstolo Paulo como o grande exemplo da escuta de Deus aos clamores de uma realidade de cidade. E fecha a reflexão recordando que Paulo, e hoje a Igreja, sobretudo com o que o Papa Francisco, tem nos orientado, estão em sintonia com o Caminho de Jesus Cristo: Aquele que saiu do interior (Galileia) e foi para a grande cidade (Jerusalém).

            Deus habita a cidade. Esta frase do Papa Francisco, dita ainda enquanto Cardeal Bergoglio em 2010 norteia todo o Julgar.

            E é muito interessante perceber como Paulo, formado pela cidade, reconhece Deus onde justamente se imagina que Ele não possa estar. Deus pode ser encontrado no caminho, na casa e na mesa. A Igreja (ekklesia) só tem sentido se é a casa que acolhe aqueles e aquelas que o império não reconhece. Assim Paulo faz uma profunda crítica ao modelo de cidade de então, mas não com o profetismo tradicional, que já não falava mais para um povo cansado de tanta dor e sofrimento, mas com uma profecia apocalíptica. A fé apocalíptica anima a resistir na luta, criando pensamento e práticas alternativas.

            Então, o que Paulo faz é recordar o Caminho de Jesus Cristo. Caminho que o próprio Deus escolheu fazer no humano Jesus de Nazaré, convocando-nos a se converter para uma lógica de inclusão, como está tão bem demonstrado quando Jesus cura o homem da mão seca no dia de sábado (Mc 3,1-6). “Vem para o meio”, diz Jesus. Vem que reconhecerei sua dignidade humana, ainda que nesta sala, não o reconheçam. O cuidado e a defesa da vida vai ser a característica central da BOA NOVA DE JESUS CRISTO.

            O TB vai recordar que a Igreja se manteve fiel ao Caminho de Jesus quando foi capaz de apontar para a necessidade de incluir a todos e todas em uma sociedade justa e fraterna. Somente assim é possível ver sinais do Reino de Deus na história humana.

            Finalmente é lembrado o já famoso “três T” de Francisco.  O Papa nos lembra de que o mundo de hoje não pode ser justo se não houver Terra, Trabalho e Teto digno para todos. E mesmo sendo uma síntese, vale a pena reproduzir uma parte do seu discurso em uma favela africana, em 2015, em Nairobi:

Neste sentido, proponho que se retome a ideia duma respeitosa integração urbana. Nem erradicação nem paternalismo, nem indiferença nem mero confinamento. Precisamos de cidades integradas e para todos. Precisamos ir além da mera proclamação de direitos que, na prática, não são respeitados, e promover ações sistemáticas que melhorem o habitat popular e projetar novas urbanizações de qualidade para acolher as futuras gerações. A dívida social, a dívida ambiental para com os pobres das cidades paga-se tornando efetivo o direito sagrado dos «três T»: terra, teto e trabalho. Isto não é filantropia, é um dever moral de todos.

AGIR




          Diante dos desafios no mundo urbano, o TB aponta 10 situações nas quais devemos estar atentos e atentas para fazer sinais do Reino, sempre na direção de uma lógica de inclusão, o que em termos políticos significa buscar políticas públicas: as questões relativas a moradia; a mobilidade urbana; a violência, ao meio ambiente e sustentabilidade; trabalho; saúde, educação; arte, cultura, esporte e lazer; tecnologias de informação e comunicação; afetividade e sexualidade.

            E evidentemente, cada CEB, integrada a uma rede de comunidades, em comunhão com a Igreja, deve sustentar a vida espiritual dos seus membros para que todos e todas possam manter viva a esperança de outro mundo possível. Possam encontrar força e consolo para viver os desafios do mundo urbano, o que não é nada fácil. Porém, a esperança de um mundo melhor deve estar sempre presente na vida cristã.

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Celso Pinto Carias (assessor da Ampliada Nacional das CEBs do Brasil e do Setor CEBs da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB).


O artigo acima é parte da 4ª Edição do Jornal A Caminho Leia na integra:

 http://www.cebsdobrasil.com.br/2017/08/27/a-caminho-edicao-04-agosto-de-2017cc/