05 junho, 2018

Números do episcopado brasileiro

O Departamento de Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), através do Professor Dr. Fernando Altemeyer Junior, apresentou na última semana, em seu perfil do Facebook, novos números referentes ao episcopado brasileiro.


Após o falecimento do bispo emérito de Aracaju (SE), Dom Luciano Duarte, Dr. Fernando Altemeyer, que realiza há mais de 20 anos esse trabalho de atualização de estatísticas do episcopado, mostrou que dos nossos 478 pastores, 309 bispos estão na ativa e 169 bispos são eméritos (aposentados).

Em 30 de maio de 2018, foram contabilizados 478 bispos católicos vivos no Brasil: 80 paulistas, 67 mineiros, 57 gaúchos, 42 italianos, 35 catarinenses, 23 paranaenses, 19 baianos, 19 cariocas, 14 espanhóis, 15 pernambucanos, 11 capixabas, nove cearenses, sete alemães, sete maranhenses, seis sergipanos, sete alagoanos, sete paraibanos, sete poloneses, seis potiguares, dois norte-americanos, três piauienses, três belgas, dois libaneses, três amazonenses, três paraenses, dois goianos, dois holandeses, dois franceses, dois malteses, dois austríacos, dois suíços, dois portugueses, dois tocantinenses, um uruguaio, um irlandês, um mato-grossense, um brasiliense, um paraguaio, um cabo-verdiano, um sul mato-grossense e um acriano.

Até o momento, não há representantes do episcopado nos Estados de Rondônia, Roraima e Amapá.

Sendo assim, há cinco bispos nascidos no Centro-Oeste (DF, GO, MT e MS), ou seja, 1% do episcopado; nove bispos dos sete Estados do Norte (AM, RR, AP, PA, TO, RO, AC), 1,8% do episcopado; 177 bispos que são do Sudeste (SP, MG, RJ e ES), 37% do episcopado; 115 bispos são do Sul (RS, SC e PR), somando 24% do episcopado; e 79 bispos são nordestinos (RN, PE, SE, PB, AL, BA, MA, PI, CE), 16,5% do episcopado.

Veja os bispos de origem do clero diocesano e das congregações religiosas:

Cardeais brasileiros: sete diocesanos e três religiosos.

Arcebispos: 41 diocesanos e 29 religiosos.

Bispos: 234 diocesanos e 165 reilgiosos.

Portanto, os bispos vindos do clero diocesano são 281 pessoas (59%) e os de congregações 197 pessoas (41% do episcopado).

Confira a relação de dioceses vacantes até 30 de maio de 2018:

- Diocese de Carolina (MA), vacante desde 05 de julho de 2017, administrador diocesano Padre Cícero de Jesus Cirqueira;

- Diocese de Teofilo Ottoni (MG), vacante desde 20 de setembro 2017, Administrador diocesano padre Aurildes de Mantena;

- Diocese de Palmeira dos Índios (AL), vacante desde 11 de outubro de 2017, administrador diocesano padre Wendel Assunção Gomes;

- Diocese de Apucarana (PR), vacante desde 13 de dezembro de 2017, administrador diocesano padre João Ozório de Oliveira;

- Diocese de Viana (MA), vacante desde 20 de dezembro de 2017, administrador diocesano padre Giuseppe Luigi Spiga;

- Diocese de Bonfim (BA), vacante desde 03 de janeiro 2018, administrador diocesano padre Jarbas Gonçalves dos Santos;

- Diocese de Cachoeira do Sul (RS), vacante desde 06 de janeiro de 2018, administrador diocesano Mons. Elcy Arboitte;

- Diocese de São João Del Rey (MG), vacante desde 19 de janeiro de 2018, administrador diocesano Padre Dirceu de Oliveira Medeiros;

- Diocese de Ipameri (GO), vacante desde 07 de fevereiro de 2018, administrador diocesano padre Orcalino Lopes;

- Diocese de União da Vitória (PR), vacante desde 08 de fevereiro de 2018, administrador diocesano padre Mário Glaab;

- Eparquia greco-melquita de Nossa Senhora do Paraíso de São Paulo (SP) vacante desde 28 março de 2018, rito oriental, Administrador Apostólico dom Dom Sergio de Deus Borges, bispo auxiliar de São Paulo;

- Arquidiocese de Campinas (SP), sede vacante desde 25 de abril de 2018.

Obs.: há uma situação especial da Diocese de Formosa, com administrador Apostólico, Dom Paulo Mendes Peixoto, Arcebispo de Uberaba (MG). (LMI)

Fonte:  Gaudium Press, com informações da CNBB

04 junho, 2018

CEBs - Encontro com Profissionais de Psicologia


CEBs - Encontro com Profissionais de Psicologia 

"Apenas os que dialogam podem construir pontes e vínculos" (Papa Francisco)

As Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs, da Arquidiocese de Maringá, realiza amanhã, dia cinco "Encontro com Profissionais de Psicologia e departamentos de psicologia dos estabelecimentos de ensino".

Partilhar bonitas experiências já existentes em algumas paróquias e as necessidades que há em outras, aproximar e ampliar o diálogo com as/os profissionais, e se assim convir, um projeto arquidiocesano que possa atender a todas as paróquias. 

Iniciativa  no sentido de união de esforços, sabendo que cada vez mais a importância do cuidado da saúde emocional que muitas vezes, a camada mais vulnerável do nosso povo, não tem acesso, nesse sentido, a elaboração de um projeto social se assim convir, que possibilite acesso a um atendimento psicológico que promova o respeito, a dignidade, a igualdade, a saúde e a busca da qualidade de vida, com responsabilidade social, na vasta área de atuação em que a Psicologia pode contribuir, respeitando àquilo que qualifica e valoriza a ação desses profissionais e a ciência do confronto das expectativas existentes logo após a formação com as adversidades encontradas nas tentativas de inserção profissional. As contradições no mundo atual do trabalho que os profissionais em geral se deparam.

O encontro será:

Nesta terça-feira, dia 05 de junho
Ás 20 horas
Local: Paroquia São José Operário, Praça Emiliano Perneta, s/n – Vila Operaria

Mas a pedra rejeitada passa a ser a pedra principal. A história continua.

Uma pequena reflexão que escrevi sobre o evangelho de:
 Marcos 12,1-12 




Mas a pedra rejeitada passa a ser a pedra principal. A história continua.  

Podemos ver nessa parábola um resumo da salvação. Segundo nosso critérios podemos dizer que o nosso Deus comporta de maneira ingenua. Mas não é isso, a verdade é que Deus e suas e seus profetas e o seu filho Jesus não manipulam o poder para realizar os seus objetivos. O que nos incomoda, penso, é que a sua força se revela na fraqueza, na humildade e na obediência até a morte. 

Mas a pedra rejeitada passa a ser a pedra principal. A história continua.

É preciso ficar atento, na ausência de nosso Deus existe a tentação de nos considerarmos donos da fé, da Igreja, dono da outra pessoa, dono do mundo,  numa inexplicável auto-suficiência. Nos tornamos o próprio Deus.

O que estamos fazendo com a vinha? Será que fazemos com a vinha o que bem entendemos, no nosso próprio interesse?

São muitos os que ficam surdos e cegos para tudo que não se encaixa na visão de sua fé. Precisamos atentarmos para não ficarmos vendo a falta de fé somente nos outros, raramente em nós mesmos.  A fé é dádiva. Salvação é para a humanidade.

O que fazemos com a vinha?

O mundo, a sociedade é a vinha. O nosso Deus quer que cuidemos bem e com carinho do Seu mundo, para entregarmos a Ele os frutos de amor, paz, justiça e obediência, conforme o critério de seu Reino.

Más o que vemos, a destruição da sociedade, da economia, da natureza, da política, da humanidade,  a destruição do mundo. Tudo, a terra e a humanidade estão sendo destruídos, como, pela busca do poder, do ter, por exploração, cobiça, injustiça e ódio. 

A mulher e o homem não podem comportar-se como dono.  A autonomia, principalmente sem nenhum critério leva ao fracasso, podendo ser, coletivo e individual.

"Nossa mãe terra, Senhor, Geme de dor noite e dia. Será de parto essa dor? Ou simplesmente agonia?! Vai depender só de nós!"

É preciso como nos ensina Papa Francisco "escutar o grito dos que sofrem". É preciso entendermos os apelos proféticos que vozes clamando no deserto deste mundo estão fazendo.

A história continua, depende de nós.

Você sabe o que é ser feliz?


Sexta-feira um amigo perguntou:

Você sabe o que é ser feliz?

Se te pedissem, defina em poucas palavras uma vida feliz, qual seria sua resposta?

Primeiro fiz uma brincadeira, más que faz sentido, respondi:

Nesse momento diria que a hora de trabalho no mundo e para todas e todos fossem das 08 às 16 horas com horário de almoço. Ao chegar em casa seria para realizar os afazeres, brincar, conversar, fazer caminhada e com tempo e animo para participar da vida da comunidade..., como estava no trabalho, conclui dizendo: hoje estou com vontade de ir para casa.

Achei que não estava satisfeito com minha resposta, dei-lhe uma outra:

Para se ter uma vida feliz é preciso querer viver, esquecer o negativo, cultivar o positivo. Libertar-se do que passou para seguir adiante, não desistir de amar, acolher as crises o mal causado pela calúnia e seguir adiante. Perseverança e acreditar que não estamos só, somos muitos e tem muitos que precisam de nós e a certeza que temos um Deus que nos ama e caminha dia a a dia com a gente. Isso é lindo.

Como ele pediu que a resposta fosse em poucas palavras, portanto, novamente, respondi:

Simplesmente não querer e nem esperar muito/muitas coisas. 

01 junho, 2018

Que presidente é esse, preferiu retirar orçamento de várias áreas do que mexer na política da Petrobras.

Fonte da foto: Internet



Que presidente é esse, preferiu retirar orçamento de várias áreas do que mexer na política da Petrobras.

Foi publicado ontem, quinta-feira, 31 de maio, a Medida Provisória (MP) nº 838, que cria o programa de subvenção econômica à comercialização do óleo diesel. O objetivo é reduzir o preço do combustível nas refinarias em 46 centavos por litro. Desse total, o governo vai subsidiar 30 centavos, por meio de recursos na ordem de R$ 9,5 bilhões, que serão repassados diretamente aos produtores e importadores de diesel. 


Abaixo alguns dos cortes:

– Fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS): Perdeu R$ 142,62 milhões

– Políticas para as Mulheres – Promoção da Igualdade e Enfrentamento à Violência: Perdeu R$ 661,6 mil

– Assistência Técnica e Extensão Rural para Agricultura Familiar: Perdeu R$ 5,4 milhões

– Promoção dos Direitos da Juventude: Perdeu R$ 425 mil

– Políticas para as Mulheres – Promoção da Igualdade e Enfrentamento à Violência: Perdeu R$ 661,6 mil

– Promoção da Educação do Campo: Perdeu R$ 1,8 milhão

– Desenvolvimento de Assentamentos Rurais: Perdeu R$ 3,21 milhões

– Apoio ao Desenvolvimento de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono: Perdeu R$ 31,1 mil

– Apoio ao Desenvolvimento e Controle da Agricultura Orgânica: Perdeu R$ 87,5 mil

– Prevenção e Repressão ao Tráfico Ilícito de Drogas e a Crimes Praticados Contra Bens, Serviços e Interesses da União: Perdeu R$ R$ 4,13 milhões

– Demarcação e Fiscalização de Terras Indígenas e Proteção dos Povos Indígenas Isolados: Perdeu R$ 625,3 mil

– Força Nacional de Segurança Pública: Perdeu R$ 1,9 milhão

– Política Pública sobre Drogas: Perdeu R$ 462,3 mil

Redes de Cuidados e Reinserção Social de Pessoas e Famílias que Têm Problemas com Álcool e Outras Drogas: Perdeu R$ 1,13 milhão

– Saneamento Básico: Perdeu R$ 6,2 milhões

– Promoção, Proteção e Recuperação da Saúde Indígena: Perdeu R$ 15,13 milhões

– Identificação da População por meio da Carteira de Trabalho e Previdência Social: Perdeu R$ 947,9 mil

Combate  à Mudança climática: Perdeu R$ 445 mil

– Controle e Fiscalização Ambiental: Perdeu R$ 1,2 milhão

– Desenvolvimento de Atividades e Apoio a Projetos de Esporte, Educação, Lazer, Inclusão Social e Legado Social: Perdeu R$ 2,41 milhões

– Desenvolvimento Integral na Primeira Infância – Criança Feliz: Perdeu R$ 3,9 milhões

No Brasil, apenas 3,6% dos alunos da rede pública concluem o fundamental com habilidades avançadas de leitura

ONU
Taxa foi identificada pela UNESCO a partir dos resultados da Prova Brasil de 2013. Quando avaliado o desempenho em matemática, esse índice caía para 1,3%. Dados são de pesquisa que alerta também para desigualdades de cor e gênero no acesso ao aprendizado.
Relatório foi tema de seminário que reuniu cerca de 150 professores e especialistas de secretarias estaduais em Brasília , no dia 23 de maio.
Foto: EBC
Em 2013, apenas 3,6% dos alunos do ensino público brasileiro chegaram ao final do fundamental com habilidades avançadas de leitura. Quando avaliado o desempenho em matemática, esse índice caía para 1,3%. Para discutir soluções para as fragilidades da educação oferecida pelo Estado, cerca de 150 professores e especialistas de secretarias estaduais se reuniram em Brasília, no dia 23, em seminário da UNESCO.
A análise investiga o fenômeno da exclusão intraescolar, quando o aluno, mesmo matriculado, não aprende os conteúdos de maneira compatível com a etapa de ensino cursada. Essa questão pode refletir um problema social, sobretudo quando está associado a determinados grupos de estudantes que apresentam certas características sociodemográficas, relacionadas a região onde moram, origem socioeconômica, gênero e cor da pele, por exemplo.
A pesquisa mostra que, em 2013, o percentual de alunos do 9º ano abaixo do nível básico de competências em leitura e matemática era, respectivamente, 23,3% e 35,7%. Nas duas disciplinas, os índices mostram uma piora na comparação com 2011 – 21,3% em leitura e 33,9% em matemática.

Disparidades de gênero e raça

Estudantes negros e pardos estão sobre-representados entre os alunos que concluem o fundamental com habilidades de leitura abaixo do básico – 29,1% e 23%, respectivamente. Entre os brancos, o índice cai para 18,5%, abaixo da média geral (21,3%).
Já entre os que tinham desempenho avançado, os afrodescendentes estavam sub-representados – apenas 2,2% dos negros e 3,1% dos pardos chegavam a esse nível de aprendizado em 2013. Com os brancos, a taxa alcançava os 5,4%.
Em matemática, 42,1% dos alunos negros e 36,3% dos alunos pardos estavam entre os jovens do 9º ano com competências inferiores ao nível básico. A taxa para os brancos era de 28,6%.
Quando comparados os índices de homens e mulheres, a UNESCO identificou que as meninas têm um melhor rendimento em leitura do que os meninos no 9º ano.
Do total de alunas avaliadas pela Prova Brasil de 2013, 17,4% tinham habilidades inferiores ao básico, enquanto que, entre os meninos, o percentual chegava a 29,3%. Quase 30% delas tinham desempenho acima do básico. Já entre os rapazes, o índice era 19,5%.
Mas quando avaliado o desempenho em matemática, as meninas ficaram atrás dos meninos – 36,9% delas tinham competências abaixo do básico. Com os meninos, o índice baixava para 34,4%.

Nova pesquisa em setembro

O encontro em Brasília também discutiu os dados preliminares do estudo Qualidade da infraestrutura escolar das escolas públicas da educação básica – ensino fundamental, produzido por meio de uma cooperação entre a UNESCO e a Universidade Federal de Minas Geral (UFMG). Ainda em fase de construção, a pesquisa tem previsão de lançamento para setembro deste ano.
Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/05/2018

CNBB divulga nota sobre o momento nacional

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se solidariza com os caminhoneiros, trabalhadores e trabalhadoras, em manifestação em todo território nacional, em nota divulgada nesta quarta-feira, 30 de maio. Preocupada com as duras consequências que sempre recaem sobre os mais pobres, no texto a entidade conclama toda a sociedade para o diálogo e para a não violência. “Reconhecemos a importância da profissão e da atividade dos caminhoneiros”, pontua.



Confira, abaixo, a nota na íntegra:

NOTA DA CNBB SOBRE O MOMENTO NACIONAL
“Jesus entrou e pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco”(Jo 20,19)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, solidária com os caminhoneiros, trabalhadores e trabalhadoras, em manifestações em todo território nacional, e preocupada com as duras consequências que sempre recaem sobre os mais pobres, conclama toda a sociedade para o diálogo e para a não violência. Reconhecemos a importância da profissão e da atividade dos caminhoneiros.

A crise é grave e pede soluções justas. Contudo, “qualquer solução que atenda à lógica do mercado e aos interesses partidários antes que às necessidades do povo, especialmente dos mais pobres, nega a ética e se desvia do caminho da justiça” (CNBB, 10/03/2016). Nenhuma solução que se utilize da violência ou prejudique a democracia pode ser admitida como saída para a crise.

Não é justo submeter o Estado ao mercado. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica financista. “O dinheiro é para servir e não para governar” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 58). 

É necessário cultivar o diálogo que exige humilde escuta recíproca e decidido respeito ao Estado democrático de direito, para o atendimento, na justa medida, das reivindicações.

As eleições se aproximam. É preciso assegurar que sejam realizadas de acordo com os princípios democráticos e éticos, para restabelecer nossa confiança e nossa esperança. Propostas que desrespeitam a liberdade e o estado de direito não conduzem ao bem comum, mas à violência.

Celebramos a Solenidade do Corpus Christi, fonte de unidade e de paz. Quem participa da Eucaristia não pode deixar de ser artífice da unidade e da paz. O Pão da unidade nos cure da ambição de prevalecer sobre os outros, da ganância de entesourar para nós mesmos, de fomentar discórdias e disseminar críticas; que desperte a alegria de nos amarmos sem rivalidades, nem invejas, nem murmurações maldizentes (cf. Papa Francisco, Festa do Corpus Christi, 2017). O Pão da Vida nos motive a cultivar o perdão, a desenvolver a capacidade de diálogo e nos anime a imitar Jesus Cristo, que veio para servir, não para ser servido.

Conclamamos, por fim, todos à oração e ao compromisso na busca de um Brasil solidário, pacífico, justo e fraterno. A paz é um dom de Deus, mas é também fruto de nosso trabalho.

Nossa Senhora Aparecida interceda por todos!

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília (DF)
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador (BA)
Vice-Presidente da CNBB  

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília (DF)
Secretário-Geral da CNBB

30 maio, 2018

Corpus Christi - “Isto é meu corpo. Isto é meu sangue"


Corpus Christi  

“Isto é meu corpo. Isto é meu sangue"

Corpus Christi, celebração do "corpo de Cristo entregue e do sangue derramado por nós". Celebrar o  amor de Jesus, o Filho de nosso Deus, que deu a vida para nos salvar. Isso é lindo.

"Deu a vida por nós", diz são João, que conclui: "Também nós devemos dar a vida pelos irmãos" (1 Jo 3,16).

Precisamos deste pão para crescer no amor para reconhecer o rosto de Cristo no rosto das irmãs e irmãos.

O  "corpo entregue de Cristo" significa que, o amor gratuito e primeiro de nosso Deus para conosco, deve corresponder o nosso amor as irmãs e irmãos:   "Amai-vos uns aos outros como eu vos amo" (Jo 13,35).

A "Eucaristia forma em nós uma memória agradecida, porque nos reconhecemos como filhos amados e alimentados pelo Pai; uma memória livre, porque o amor de Jesus, o seu perdão, cura as feridas do passado e apazigua a recordação das injustiças sofridas e infligidas; uma memória paciente, porque sabemos que o Espírito de Jesus permanece em nós nas adversidades. A Eucaristia encoraja-nos: mesmo no caminho mais acidentado, não estamos sozinhos, o Senhor não Se esquece de nós e, sempre que vamos até Ele, alenta-nos com amor, nos ensina Papa Francisco.

A festa de Corpus Christi é celebrada com missa, seguida de procissão. A procissão nos faz recordar a caminhada do povo de Deus, que liberto da escravidão egípcia, vai ao encontro da terra prometida.

Convite para dançar com Deus



Convite para dançar com Deus

“A missão de quem crê é semear ressurreição”, afirma Dom Pedro Casaldáliga. Pessoas dos mais diversos caminhos espirituais fazem isso quando testemunham que a proposta divina é um amor transformador das estruturas. Estamos vivendo um tempo de intolerâncias, ódios e radicalismos de direita. Nesse contexto, retomamos um ensinamento de Etty Hillesun. Nos tempos do Nazismo, essa jovem judia, condenada à morte, esperava a hora da execução em um campo de concentração.

E ela afirmou: “Eles podem roubar tudo de nós, menos nossa humanidade. Nunca poderemos permitir que eles façam de nós cópias de si mesmos, prisioneiros do ódio e da intolerância”. A espiritualidade social e política libertadora nos torna capazes de sermos radicais em nossas opções e posicionamentos, sem abrir mão de nossa capacidade de amar e de nossa ética de respeito à dignidade do outro, seja ele quem for. É isso que as pastorais sociais fazem quando revelam que a transformação do mundo se faz a partir de baixo. É a inserção cotidiana nas bases que, como um trabalho de formiguinha vai semeando no mundo um jeito novo e amoroso de fazer trabalho social e político. Essa é a inspiração do Amor Divino nos corações humanos e que deve transformar as estruturas do mundo. Assim testemunhamos que Deus é Amor. Esse amor está presente como energia criadora e permanente no universo e dentro de cada um de nós.

No mundo, animais e até plantas se mostram sensíveis a uma música bela e se desenvolvem quando são tratados com amor. No universo mais amplo, a Física contemporânea mostra que o movimento e os ritmos são propriedades essenciais da matéria. Os grandes cientistas da Cosmologia (por exemplo, Fritjof Capra) concordam que toda matéria – tanto na Terra como no espaço – está envolvida numa dança cósmica. Isso não é metáfora. É real. O caminhar rítmico dos astros e o correspondente movimento da Terra que influi nos mares e no pulsar da Terra, assim como a batida do coração da vida, tudo isso tem um segredo, um ritmo oculto. Quando o ritmo da dança se modifica, o som produzido também muda.

Cada átomo canta incessantemente sua canção, e a cada momento, cria formas densas e sutis. Isso faz parte de uma dança que, na antiga Índia, os mestres espirituais já haviam intuído. Eles a chamavam: a dança de Shiva, a divindade que renova o universo. A dança cósmica do universo é espelho e expressão de uma dança divina, uma dança amorosa que mantém o ritmo do cosmos.

Cada um de nós só se torna pessoa e se realiza através do Amor, isso é, na relação com Deus em nós, na comunhão com os outros e no cuidado com a Terra e a natureza. Há uma relação trinitária inscrita em nosso próprio ser humano e a sabedoria da vida se alcança quando conseguimos que essas três dimensões diversas se harmonizem em uma dança íntima que, mesmo na idade adulta, pode parecer espiritualmente uma cantiga de ninar. Esse mesmo mistério que é arte como o de bailar em um contexto nem sempre favorável à dança do amor, se revela em nós, como mistério de Deus. Mistério que está em nós, mas nos ultrapassa. É maior do que nós. Nele, Deus em nós se revela como Pai de amor maternal, com o qual nós, cristãos só podemos nos relacionar intimamente através de Jesus, seu Filho, ressuscitado em nossa comunhão humana e no Espírito que se manifesta como mãe e alma do universo.

É mistério de amor presente no mais íntimo de cada um de nós. Essa Terna Trindade não existe fora de nós, em um céu distante, mas presente e atuante em nossa comunhão de amor, no cuidado com a Terra, a água e todos os seres vivos.

A Ternura é uma palavra que corresponde a uma expressão muito querida, tanto da tradição bíblica, como do Zen-budismo e do Dalai Lama: a palavra compaixão. No hebraico, o termo Rahamin significa literalmente “amor uterino”. Quer dizer que quando somos capazes de um amor uterino somos capazes de ternura. O que seria esse amor uterino? No seu discurso de Benarés, Buda diz que devemos olhar o outro, o nosso semelhante, como uma mãe olha o filho esperado que está ainda em seu útero. Esse amor uterino é o amor divino em nós.

É o amor de pura ternura.

Cada pessoa tem momentos e situações que provocam ternura. Entretanto, são momentos circunstanciais. Não bastam. É necessário assumirmos a Ternura como princípio básico e permanente do nosso jeito de viver. Para isso, é preciso um método de vida que a gente cultive e exerça tanto quando as situações favorecem, principalmente quando a realidade que nos envolve não é tão favorável assim. Os Evangelhos testemunham: Jesus viveu a partir deste princípio.

Era como um jeito de viver. Então mesmo quando ele se irritava, ou devia denunciar o mal, era movido por este princípio da Misericórdia ou da Ternura . Por isso, precisamos de uma verdadeira terapia interior para conseguir colocarmos nossa vida na sintonia com o Princípio Ternura, novo estado de consciência, mais respeitoso para com a Terra e cuidadoso com a vida. Nesse caminho, devemos valorizar mais a razão cordial e a inteligência emocional e criar espaço para a espiritualidade, fonte de contemplação, gratuidade e veneração. Dizia Kallil Gibran: “Quando você conseguir viver a Ternura como princípio, não diga ‘tenho Deus no coração’. Diga: “estou no coração de Deus”.

Marcelo Barros 

Fonte: CEBI

29 maio, 2018

A cidade está um silêncio!

As boas coisas da paralisação dos caminhoneiros!



A cidade está um silêncio!

As boas coisas da paralisação dos caminhoneiros!

A cidade está um silêncio.

As ruas estão desertas, bicicleteiros e pedestres podem andar à vontade.

O ar está limpo.

Não há ruídos para perturbar nossos ouvidos

Não há gás na cidade, muita gente cozinhando com churrasqueira, panela elétrica, fogão solar.

Não há postos com gasolina e os carros estão nas garagens.

Começa faltar de tudo nos mercados e supermercados, mas os hortigranjeiros que vem do interior estão passando em nossas portas, também galinha caipira, bode fresco, peta, ovos, etc. Portanto, fome ainda não chegou por aqui.

Aqui é uma região produtora de hortigranjeiros, a exportação está bloqueada, prejuízos de 570 milhões de reais segundo a VALEXPORT. Em compensação, estamos comendo quase de graça as frutas de exportação que antes nem passavam pelo mercado local, como a banana de primeira que nunca se via por aqui.

Sabe que seria interessante aprender a lição e voltarmos a ter pomares nas chácaras, hortas nas casas, menos dependência de supermercado e dos shoppings?

Quem sabe dependermos menos de caminhões, com produções mais regionalizadas…

Quem sabe até pensarmos em ferrovias, trens com muitos vagões, apenas uma locomotiva, levando gente e mercadoria….

Quem sabe navegação de cabotagem pela longa costa brasileira, abastecendo grande parte de nossas cidades litorâneas…

Quem sabe mais energia solar produzida pelo povo, também eólica e assim menos dependência de combustíveis fósseis…

Quem sabe chegue a hora que não precisemos mais de petróleo – esse poluidor do ar, que colabora com o aquecimento global – e possamos viver de energias limpas. Como gorjeta nos livraríamos dos Pedros Parentes e dos analistas do mercado.

Quem sabe uma civilização menos predatória, menos consumista, mais sustentável, mais humana e realmente agradável de se viver…

Olha, esse paraíso nem parece tão impossível….

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Roberto Malvezzi (Gogó)
OBS: Escrevo a partir do dipolo Juazeiro-Petrolina

Tem certas coisas que são complicadas de entender!




Tem certas coisas que são complicadas de entender!

Me deparo com muita incoerência e ignorância política..., influências e manipulação do povo. Presença de oportunistas por trás do movimento dos trabalhadores caminhoneiros. A manipulação é tanta que já nem sei qual é realmente os objetivos em pauta desse movimento.

Que podridão, manobras maquiavélicas, o verdadeiro clamor das ruas esta sendo manipulado, não podemos perder o foco, é preciso mudança na política de reajustes de todos os combustíveis, redução das tarifas de pedágio para todos, reforma tributária, saúde, educação, fim dos setores do judiciário em determinar quem fica impune da corrupção, fora Temer entre outros.

A mídia tem um poder de manipulação que chega a assustar.  Temos que cuidar muito com a mídia em si, pois ela sugere coisas, situações através de todos os nossos sentidos, e o principal deles é a visão. Imagens que vemos mexem com nossos sentidos e emoções e podem, sim, nos induzir.

A palavra manipulação está associada a controlar direta ou indiretamente um objeto, animal ou pessoa, para atuar de uma determinada forma, de acordo com os desejos do agente manipulador; manipular é o ato de o sujeito fazer com que o outro faça algo sem raciocinar, sem senso crítico, dessa forma o manipulador pode conseguir que o manipulado faça coisas sem nem perceber que está sendo manipulado. Isso é muito perigoso.

O Papa com sua sabedoria divina na missa celebrada no dia dezessete de maio condenou a manipulação dizendo que, em outras perseguições sofridas por São Paulo, se vê que o povo grita sem nem mesmo saber o que está dizendo, e são “os dirigentes” que sugerem o que gritar: Esta instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje. Pensemos nisso. O Domingo de Ramos é: todos ali aclamam “Bendito o que vem em nome do Senhor”. Na sexta-feira sucessiva, as mesmas pessoas gritam: “Crucifiquem-no”. O que aconteceu? Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói, disse Francisco.

Mas acredito que apesar dos esforços dos manipuladores o povo com todas essas manifestações não serão mais os mesmos, já não são os mesmos, vejam só, a um mês da copa do mundo, não é futebol que ouvimos o povo comentar, nem as crianças falam, mas onde dois ou mais estão reunidos, embora não de forma consciente como deveria, falam sobre a situação do Brasil, falam de injustiças e quem diria, fala sobre política. E isso é esperança.

“Ser homem e mulher de alegria”, quer dizer “ser homem e mulher de paz, de consolação”, diz Papa

Celebrando Missa na Capela da Casa Santa Marta, na manhã desta segunda-feira, 28/05, o Papa Francisco novamente falou sobre o que ele afirmou ser uma das características do cristão: a alegria, não obstante as provações e as dificuldades.



Afirmou o Papa: "Ser homem e mulher de alegria" significa "ser homem e mulher de paz, significa ser homem e mulher de consolação", disse Francisco, acrescentando ainda que a alegria "é o respiro do cristão", uma alegria feita de verdadeira paz e não falsa como aquela que a cultura de hoje oferece, que "inventa tantas coisas para nos divertir", inúmeros "momentos de dolce vita".

A verdadeira alegria é fruto do Espírito Santo

Francisco comentou trechos da primeira carta de São Pedro apóstolo e do Evangelho de São Marcos.

Do Evangelho em que São Marcos fala de um jovem rico que não consegue renunciar seus próprios interesses, o Papa comentou que o verdadeiro cristão não pode ser "tenebroso" ou "triste".

Para Francisco, "Ser homem e mulher de alegria", quer dizer a mesma coisa que "ser homem e mulher de paz, significa ser homem e mulher de consolação":

"A alegria cristã é o respiro do cristão, um cristão que não é alegre no coração não é um bom cristão. É o respiro, o modo de se expressar do cristão, a alegria. Não é algo que se compra ou que faço com esforço, não: é um fruto do Espírito Santo. Quem faz a alegria no coração é o Espírito Santo".

A alegria cristã é a paz do coração, não é a rizada...

A verdadeira alegria cristã nasce da lembrança daquilo que "o Senhor fez por nós", "regenerando-nos" para uma nova vida. A alegria nasce também da esperança daquilo que nos aguarda, o encontro com o Filho de Deus.

Memória e esperança são os dois elementos que permitem aos cristãos viver na alegria, que não é vazia, mas a alegria cujo "primeiro grau" é a paz:

"A alegria não é viver de risada em risada. Não, não é isso. A alegria não é ser engraçado. Não, não é isso. É outra coisa. A alegria cristã é a paz. A paz que está nas raízes, a paz do coração, a paz que somente Deus pode nos dar. Esta é a alegria cristã. Não é fácil preservar esta alegria".

A alegria não se compra, é dom do Espírito Santo

No mundo contemporâneo, prossegue o Papa, Infelizmente, no mundo em que vivemos, afirma Francisco, nos contentamos com uma "cultura pouco alegre", "uma cultura onde inventam tantas coisas para nos divertir", tantos "momentos de dolce vita", mas que não satisfazem plenamente.

Verdadeiramente, a alegria "não é algo que se compra no mercado". A alegria "é um dom do Espírito" e vibra também no "momento do turbamento, no momento da provação".

"Há uma inquietação positiva, mas outra que não é positiva, a de buscar as seguranças em qualquer lugar, de buscar o prazer em qualquer lugar.

O jovem do Evangelho tinha medo de que se abandonasse as riquezas não poderia ser feliz. A alegria, a consolação: o nosso respiro de cristãos", concluiu o Papa. (JSG)


Fonte: Vatican News

28 maio, 2018

Os testemunhos das mulheres que ousaram combater a Ditadura!

“Ao fazer "Hoje", me deparo com uma sociedade que permite que sua memória seja roubada. E que aceita que, neste momento, alguém esteja sendo torturado numa prisão brasileira. Será que em algum momento a gente vai dizer: ‘Chega!’?” 


Em pé sobre uma cadeira, nua, encapuzada e enrolada em fios, Ana Mércia Silva Roberts, então com 24 anos, esforçava-se para manter os braços abertos, sustentando uma folha de papel presa entre os dedos de cada mão. Ela estava naquela posição havia horas. A cada vez que o cansaço lhe fazia baixar minimamente os braços, um choque elétrico percorria todo seu corpo. E as gargalhadas preenchiam a pequena sala. Eram vários homens, talvez oito, talvez dez. Cada um com um rosto, uma história, uma vida. “Um dos meus torturadores poderia ser meu avô, um senhor de gravata-borboleta para quem eu daria lugar no ônibus; o outro era um loiro com chapéu de caubói. Havia um homem com jeito de pai compreensivo que chegou a me dar um chocolate, e um jovem bonito com longos cabelos escuros, que andava de peito nu, ostentando um crucifixo, de codinome Jesus Cristo”, afirma.

O rosto desses algozes, integrantes da repressão militar, e as cenas do dia em que teve de ser estátua viva perante eles são parte das lembranças que Ana Mércia, hoje 66, guarda de quase três meses de prisão no DOI-Codi e no Dops, dois centros paulistanos de tortura e prisão de oposicionistas ao regime militar, instaurado sete anos antes. Integrante do Partido Operário Comunista, ela esteve nos porões da ditaduraem 1971, mesma época em que o País vivia a prosperidade do “milagre econômico” e o ufanismo alimentado pela conquista da Copa de 70 e por slogans como “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Nos meses em que ficou encarcerada, seu corpo e mente foram massacrados de diversas formas. Mas não é ao descrevê-las que seus olhos ficam marejados. “Estranhamente, eu não me lembro de quase nada daquelas semanas, meses. Fiz terapia, mas não consigo recuperar esses trechos da minha vida. O que mais me dói é isso. Vários pedaços de mim e da minha existência não me pertencem, ficaram com eles (os militares)”. Ana Mércia é uma mulher com pouca memória das torturas daqueles porões. E é também uma metáfora do próprio Brasil, que segue desmemoriado das histórias do regime militar (1964 a 1985)quase 30 anos depois do fim da ditadura. A diferença entre Ana Mércia e o Brasil é que ao País foi dada a chance de recuperar e registrar os detalhes de sua história. É essa a missão da Comissão Nacional da Verdade, criada pela presidenta Dilma Rousseff (ela mesma vítima de torturas do Estado) e que tornou acessíveis uma série de papéis até então secretos. Desde maio de 2012, 19 milhões de páginas de documentos foram retirados de seus arquivos e estão em análise, e cerca de 350 pessoas foram ouvidas. É um movimento delicado e, para muitos, atrasado. Até então, o Brasil já havia debatido por anos como lidar com a violência da época.

A Ordem dos Advogados do Brasil chegou a pedir, em 2008, a revisão da Lei da Anistia, que perdoava todos os “crimes políticos” e beneficiava também torturadores, mas teve o pedido negado pela Justiça. Da sua parte, grupos militares se opunham à quebra de sigilo e à própria Comissão por temer uma caça às bruxas. Foi depois de muito diálogo que se chegou à fórmula de um grupo de trabalho com ênfase na transparência: a Comissão da Verdade pode acessar qualquer documento que considerar importante e tem o poder de convocar pessoas para depor, mas não de julgá-las. Do primeiro ano de trabalho, emergiram as conclusões de que a tortura começou em 1964, pouco depois do golpe, e ocorreu em pelo menos sete estados diferentes. Nesse pouco tempo, o Estado brasileiro admitiu que os assassinatos do deputado Rubens Paiva e do jornalista Vladimir Herzoq foram obra de seus agentes, e descortinou o recrutamento e o extermínio de tribos indígenas da Amazônia pelos militares.

Tudo isso dá contornos mais nítidos à história recente do País, mas o grupo ainda tem muito a contar até dezembro de 2014, quando os trabalhos serão encerrados. Uma das principais incumbências da Comissão é esclarecer a participação das mulheres na resistência à ditadura e as torturas a que foram submetidas. “Acreditamos que as mulheres sofreram violências específicas, sexuais, motivadas também por machismo, que buscavam destruir a feminilidade e a maternidade delas”, afirma Glenda Mezarobba, uma das coordenadoras do grupo Ditadura e Gênero, que investiga o assunto na Comissão da Verdade. Os trabalhos ainda não possuem conclusões definitivas, mas há fortes indícios do que pode ter acontecido às brasileiras durante as duas décadas de regime militar. “Hoje, trabalhamos com um número de 500 mortos pela ditadura, 50 deles seriam mulheres. Mas sabemos que os dois números estão subestimados”, afirma Glenda, empenhada em refazer a estatística.

A quantidade de processos reclamando anistia sugere que esse número é muito maior. Desde 2001, o Ministério da Justiça recebe pedidos de indenização de brasileiros que, de alguma maneira, tiveram a vida marcada pelo regime militar. São parentes e vítimas de violência ou pessoas que, por motivo exclusivamente político, ficaram impedidas de trabalhar. Hoje, o órgão contabiliza mais de 73 mil pedidos. Mais de 40 mil já foram aceitos. As mulheres foram fundamentais no combate ao regime em todas as suas fases. Seu engajamento nos movimentos pela anistia dos presos políticos, que muitas vezes culminaram com passeatas exclusivamente femininas, são a parte mais conhecida dessa militância. Mas, nas organizações de esquerda Ditadura, elas também foram importantes. Guardavam armas e abrigavam militantes (aliás eram preferidas para essa função, pois levantavam menos suspeitas), traduziam jornais comunistas estrangeiros, participavam das aulas de doutrinas ideológicas, da elaboração dos planos de assaltos e sequestros, tinham aulas de tiro e muitas foram a Cuba fazer curso de guerrilha. Nas organizações clandestinas, chegaram a dirigentes.

“Era preciso que houvesse uma mulher em cada esconderijo, para manter a aparência de uma casa normal”, afirma Glenda. Elas também agregavam uma faceta afetiva e familiar às organizações, muitas foram mães na clandestinidade ou na cadeia. Na descrição feita pela psicóloga argentina, naturalizada brasileira, Maria Cristina Ocariz, a mulher militante parece a expressão viva da frase do revolucionário argentino  Ernesto Che Ghevara: “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. “Elas tinham a mesma garra que os homens. Perdiam companheiros, assassinados pelo regime, e ainda assim seguiam na luta, não por frieza, mas por convicção ideológica de poder construir um mundo melhor para seus filhos.” Cristina, que hoje coordena a Clínica do Testemunho Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo, um serviço que oferece espaço para reparação psicológica aos afetados por ditaduras, fez parte da resistência aos militares argentinos antes de se exilar no Brasil. Na juventude, na década de 70, ela deixava seu bebê de 1 mês nos braços da mãe, em Buenos Aires, ia a manifestações e corria para casa a tempo de amamentar seu filho. Quando eram presas, as mulheres tinham pela frente não apenas a tortura, mas também o sexismo e a violência sexual. “É claro que ser mulher fazia diferença. Porque ainda que os homens torturados também tivessem de ficar nus, eles tiravam as roupas na frente de outros homens. A mulher ficava nua diante dos olhos cobiçosos e jocosos daqueles homens, essa era a primeira violência”, afirma Tatiana Merlino, organizadora do livro "Luta, Substantivo Feminino", publicado em 2010 pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que descreve o assassinato de 45 mulheres militantes.

Nudez e tortura

“A primeira coisa que eles fizeram quando entrei na sala de depoimento foi me mandar tirar a roupa, eu já fiquei apavorada”, afirma Ana Maria Aratangy, de 66 anos. “Eu não esperava por aquilo. Eu mesma fui tirando a roupa, achei que era melhor do que deixá-los arrancar. Acho que foi pior do que as torturas que vieram depois”. Ana Maria era membro do Partido Operário Comunista quando foi presa, aos 24 anos, e estava grávida de algumas semanas, mas não sabia. Estudante do sexto ano de medicina, ela afirma que sua militância era tímida: guardava duas armas em casa e tinha leituras consideradas subversivas. Nem sequer conhecia os líderes do POC. Até por isso, não teve muito a dizer quando vieram os choques nos mamilos e os tapas no rosto. Tampouco pôde conter os gritos. Enquanto gritava, sua mãe, que havia sido presa junto com ela, ouvia da sala ao lado. Ana Maria só saiu da prisão aos cinco meses de gestação. Sua filha, hoje, tem 41 anos.

“Depois de nos colocarem nuas, eles comentavam a gordura ou a magreza dos nossos corpos. Zombavam da menstruação e do leite materno. Diziam ‘você é puta mesmo, vagabunda’”, afirma AnaMércia. As violências que seguiam incluíam, em geral, choques nas genitálias, palmatórias no rosto, sessões de espancamento no pau de arara, afogamentos ou torturas na cadeira do dragão, cujo assento era uma placa de metal que dava descargas elétricas no corpo amarrado do prisioneiro. Mas com as mulheres era diferente. “Havia uma voracidade do torturador sobre o corpo da torturada”, afirma a psicóloga Maria Auxiliadora Arantes, cuja tese de doutorado sobre tortura no Brasil será publicada este ano. “O corpo nu da mulher desencadeia reações no torturador, que quer fazer desse corpo um objeto de prazer.”

Foi exatamente o que viveu Ieda Seixas, de 65 anos. Aos 23, ela foi presa por causa da militância do pai, operário. Demorou muito tempo para ser capaz de relatar o que passou. E, quase 40 anos depois, não consegue conter as lágrimas ao descrever: “Levaram-me para um banheiro durante a noite, no DOI-Codi, eram uns dez homens. Fiquei sentada em um banco com dois deles me comprimindo, um de cada lado. Na minha frente, em uma cadeira, sentou um cara que chamavam de Bucéfalo. Ele me dava muito tapa na cara, a minha cabeça virava de um lado para o outro, mas eu nem sentia, porque um dos homens que estava sentado ao meu lado não parava de passar a mão em mim, colocou os dedos em todos os meus orifícios. Era tão terrível que eu pedia: ‘Coloquem-me no pau de arara’. Mas aquele homem dizia: ‘Não, gente. Não precisa levar essa aqui para o pau de arara. Comigo ela vai gozar e vai falar’.

Todos riam. Naquela noite, se eu tivesse tido meios, teria tentado me matar.”O suicídio pode ter sido o destino de outras mulheres que não conseguiram suportaram a violência sexual. Segundo Luci Buff, da Comissão da Verdade, começam a aparecer informações de que até mesmo freiras teriam sido estupradas por militares. Amélia Teles, de 68 anos, relata que não foi capaz de conter o vômito ao ver que o torturador ejaculava sobre seu corpo nu e ferido, depois de masturbar-se olhando para a vítima, amarrada na cadeira do dragão. Militante do Partido Comunista, ela tinha dois filhos, de 5 e 4 anos, quando foi presa, em 1972. O assédio sexual do torturador não foi a pior parte. Em um dos dias na prisão, depois de ser exaustivamente torturada Amélia viu a porta da sala se abrir e seus dois filhos entrarem. “Foi a pior coisa do mundo. Eu, amarrada (nua) na cadeira do dragão, sem nem poder abraçá-los. A minha filha me perguntou: ‘Mãe, por que você está azul?’. Eram as marcas dos hematomas, do sangue pisado, espalhados pelo meu corpo”, afirma Amélia. “Eles foram claros comigo: para manter meus filhos vivos, eu teria que colaborar com eles.” Os dois filhos hoje são adultos. Passaram por terapia e guardam apenas fragmentos de memória de sua visita ao DOI-Codi. Nenhum quis ter filhos. Amélia credita esse fato ao trauma na infância.

Agredir crianças para atingir a mãe não era um recurso excepcional. Nem sequer as mulheres grávidas eram poupadas. Em 1974, com uma barriga de seis meses de gestação, a militante do grupo revolucionário MR-8 Nádia Nascimento foi presa, junto com o seu companheiro, em São Paulo. “Já foram logo me dizendo que filho de comunista não merecia nascer. Arrancaram minha roupa na frente do meu companheiro, que já estava muito machucado pela tortura, e perguntavam se ele queria que me torturassem, diziam que dependia dele. Ameaçaram me estuprar na frente dele, mesmo grávida. Até que,em um dado momento, me colocaram na cadeira do dragão. Ali, comecei a sangrar por causa dos choques e perdi meu filho”, conta Nádia, que teve uma série de complicações médicas decorrentes do aborto provocado e da falta de cuidados hospitalares. A criança se chamaria Lucas e hoje teria 39 anos de idade.

Também presa aos seis meses de gestação, Criméia de Almeida, de 67 anos, conseguiu manter seu filho na barriga, a despeito das torturas. Quando a bolsa estourou, na cela solitária que ela ocupava em uma carceragem do exército em Brasília, dezenas de baratas que habitavam o lugar começaram a subir por suas pernas, alvoroçadas por se alimentar do líquido amniótico. Embora pedisse ajuda, teve de esperar horas até ser transferida a um hospital. Lá, a ex-guerrilheira do Araguaia, que havia trabalhado como parteira na Amazônia, teve as pernas e os braços amarrados. “Quando o bebê nasceu, já o levaram para longe de mim. E o médico me costurou sem anestesia, eu gritava de dor. Daí passaram a usar meu filho para me torturar. Passavam dois dias sem trazê-lo para mamar. Quando ele vinha, estava com soluço, magro, morto de fome. Ele nasceu com quase 3,2 kg. Mas com um mês de vida pesava apenas 2,7 kg. Na infância, ele tinha muitos pesadelos, chegou a ter convulsões. É claro que ficaram traumas em todos nós. Quando eu estava presa e ouvia o tilintar de chaves na carceragem, que significava que alguém seria torturado, o bebê começava a soluçar dentro do útero. Hoje, aos 40 anos, João Carlos ainda soluça toda vez que fica estressado”, afirma Criméia.

Ele não conheceu o pai, André Grabois, que até hoje é considerado desaparecido político. Criméia não teve a chance de enterrar seu companheiro. É provável que André tenha sido assassinado pelos militares durante a guerrilha do Araguaia – movimento comunista na região amazônica combatido pelo governo entre 1972 e 1974, no qual acredita-se que os militares tenham lançado bombas de Napalm, o mesmo químico usado no Vietnã, de acordo com mais uma revelação recente da Comissão da Verdade. Sorridente até ali, em um evento sobre educação internacional para mulheres, a ministra das mulheres, Eleonora Menicucci, ganhou um semblante pesado ao ser indagada por Marie Claire sobre sua história na ditadura. Quando foi presa, em 1971, tinha apenas 22 anos e uma filha de 1 ano e 10 meses. Para forçála a dar informações de sua atividade política, os militares colocaram a menina, Maria, apenas de fralda, no frio. A criança chorava e os torturadores ameaçavam dar choques nela. Ieda Seixas, que foi aprisionada na mesma cela que a atual ministra logo depois dessa sessão de tortura, afirma: “A Eleonora andava como um animal enjaulado, de um lado para o outro, e dizia ‘minha filha, minha filha’. Tinha os olhos esbugalhados, passava a mão pelos cabelos com desespero, parecia que ia explodir. Era mais do que estar transtornada, ela estava em estado de choque”.

Sobre a experiência, a ministra diz: “A Maria superou tudo e hoje é uma vencedora. Eu também superei. Tive outro filho que me deu a certeza de que o que fiz foi correto e me mostrou que eu ainda era capaz de ser mãe mesmo depois de todas as torturas que sofri. Mas, ainda assim, relembrar isso é muito sofrido. Acho que cada um resolve à sua maneira. A Maria aprendeu a lidar com isso com mais liberdade e menos sofrimento. Eu, tudo o que tinha de falar, eu falei. Porque o pior não é a tortura física, mas a psicológica, a ameaça. As ameaças que faziam comigo de torturar a Maria na minha frente eram tão pesadas que talvez fossem mais fortes do que a própria tortura em si”.

O futuro

É com essa mesma memória que o Brasil tenta aos poucos lidar. A abertura dos arquivos e os depoimentos, que pode resultar em processos contra os torturadores, não são as únicas manifestações. No cinema, "Hoje", filme da diretora Tata Amaral, mostra o quão atual é nossa dívida com a história. A protagonista do longa, vivida pela atriz Denise Fraga, é uma ex-militante de esquerda cujo marido foi morto pelos militares. Ela recebe uma indenização pela morte dele e compra um apartamento, mas, no dia da mudança, o desaparecido ressurge. A figura do retorno mostra como é difícil seguir em frente sem resolver o passado. É assim no filme e na vida de Criméia, Amélia, Ieda, Ana Mércia e Ana Maria. “Ao fazer "Hoje", me deparo com uma sociedade que permite que sua memória seja roubada. E que aceita que, neste momento, alguém esteja sendo torturado numa prisão brasileira. Será que em algum momento a gente vai dizer: ‘Chega!’?”

A reportagem é de Mariana Sanches, publicada pela revista Marie Claire, 24-09-2013.