10 julho, 2018

Juvenicídio: Brasil mata seu futuro a bala

Juvencídio (jovemcídio) é uma categoria criado por José Manuel Valenzuela e que representa o assassinato amplo e impune de jovens portadores de identidades desacreditadas. O conceito busca ir além de uma simples comprovação do maior índice de mortes violentas neste segmento da sociedade, explorando a fundo as dinâmicas de estigmatização, criminalização e aniquilação construídas em torno do sujeito jovem.


Na Constituição brasileira (Art. 227) está expresso que “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

No Estatuto da Juventude, Lei nº 12.852/2013, no capítulo “Dos Direitos dos Jovens” estão assegurados os direitos à Cidadania, à Participação Social e Política e à Representação Juvenil; à Educação; à Profissionalização, ao Trabalho e à Renda; à Diversidade e à Igualdade; à Saúde; à Cultura; Direito à Comunicação e à Liberdade de Expressão; ao Desporto e ao Lazer; ao Território e à Mobilidade; à Sustentabilidade e ao Meio Ambiente e direito à Segurança Pública e ao Acesso à Justiça.

No momento em que o Brasil passa pela oportunidade da “Onda Jovem” – 50 milhões de jovens entre 2003 e 2022 –, com estabilidade da população jovem ao longo de 20 anos, mais que demonstrar, queremos denunciar a negação de direitos elencados acima e negados à juventude brasileira, especialmente os direitos à educação, à segurança pública e ao acesso à justiça e à vida.

No ensino médio (EM), com 7.930.384 matrículas, apenas 68% da população jovem frequentam a escola e 82% dos jovens que concluem o ensino médio não acessam a universidade (Censo Inep 2017). O abandono e a evasão escolar, especialmente no primeiro ano, são muito elevados. O Brasil tem 1,7 milhão de pessoas entre 15 a 17 anos fora do ensino médio e, somente 64% dos jovens entre 25 a 29 anos completaram esta etapa. Na média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), esta proporção chega a 85% e em Portugal são 97%.

Considerando apenas estes dados oficiais fica evidenciado que o art. 205 da Constituição Federal, bem como art. 2º da Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBen), que definem que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, estão sendo negligenciados e negados aos jovens brasileiros. O congelamento de investimentos em educação pelos próximos 20 anos (PEC 95), a redução dos investimentos em programas de financiamento estudantil e a estagnação do PNE 2014-2024 condenam a maioria da “onda jovem” brasileira à ignorância, a alienação e a manipulação fácil.

Por falta de segurança e justiça o Brasil mata seu futuro a bala. Desde 2014 ultrapassamos os 60 mil homicídios por ano, sendo a grande maioria crianças, adolescentes e jovens. A cada 24 horas, 29 crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos de idade são assassinadas no Brasil, uma sala de aula inteira morta por dia. A grande maioria das vítimas é negra. E o mais assustador é que no período de 1980 a 2013 este número cresceu 475%, e segue em tendência de alta. Comparado com outros 85 países, o Brasil fica em 3º lugar no ranking de homicídios de crianças e adolescentes, atrás apenas de México e El Salvador, nações que enfrentam sérios problemas de disputa de gangues e cartéis de drogas (El País, 30/06/2016).

O Atlas da Violência de 2018 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) evidencia que o direito à vida e a segurança pública no Brasil estão, como a educação, negligenciados e negados, causando um verdadeiro genocídio da juventude brasileira. Em 2016, o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios. Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, que corresponde a 30 vezes a taxa da Europa. Apenas  nos últimos dez anos, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil.


Segundo o próprio Ipea, quando analisamos a violência letal contra jovens, verificamos, sem surpresa, uma situação ainda mais grave e que se acentuou no último ano: os homicídios respondem por 56,5% da causa de óbito de homens entre 15 a 19 anos. Entre os jovens, há uma desigualdade das mortes violentas por raça/cor, que veio se acentuando nos últimos dez anos, quando a taxa de homicídios de indivíduos não negros diminuiu 6,8%, a taxa de vitimização da população negra aumentou 23,1%.
Assim, em 2016, enquanto se observou uma taxa de homicídio para a população negra de 40,2, o mesmo indicador para o resto da população foi de 16, o que implica dizer que 71,5% das pessoas que são assassinadas a cada ano no país são pretas ou pardas.

O Brasil mata e mata muito. Entre 2001 e 2015 houve 786.870 homicídios, sendo a enorme maioria (70%) causados por arma de fogo contra jovens negros. Estes dados comparados com conflitos internacionais são mais graves. No conflito sírio, morreram 330.000 pessoas desde 2011. Na guerra do Iraque, desde 2003, foram 268.000 mortes. Portanto, o Brasil, com 210 milhões de habitantes, é o país que mais mata no século XXI.

Se agregarmos as mortes por suicídio – quarta causa de mortes de jovens no Brasil -, e os acidentes de trânsito, que representam a principal causa de morte entre os jovens de 15 e 29 anos no mundo, o juvenicídio está evidenciado.

Para Valenzuela (2015), estudioso mexicano do tema, o juvenicídio se constitui de diversos fatores que incluem a precarização, pobreza, desigualdade, estigmatização, tendo como eixo central a estratificação social baseada em relações de subalternização. Nesse sentido, o juvenicídio inicia com a precarização da vida dos jovens, a ampliação da sua vulnerabilidade e a diminuição das opções disponíveis para que possam desenvolver seus projetos de vida. O Brasil pratica o juvenicídio porque, além de estar matando os jovens, assassina seus projetos de vida e seus sonhos, reduzindo, por opção política, os investimentos em cultura, educação, ciência, esporte e geração trabalho e renda. A triste consequência, mais de 62% dos jovens desejam deixar o país que se fecha para eles!

Texto de Gabriel Grabowski para Jornal Extra Classe.

Fonte: CEBI

06 julho, 2018

Profetas desconcertantes!

O profeta incomoda:  "Um profeta leva sempre uma mensagem de esperança. Por outro lado, a sua palavra deve necessariamente incomodar. O profeta é aquele que anuncia as situações de injustiça, que questiona, que interpela e que convida à mudança, à novidade."


Profetas desconcertantes!


Referências bíblicas:
1ª leitura: Ex 2,2-5
2ª leitura: 2 Co 12,7-10
Evangelho: Mc 6,1-6

A reflexão a seguir é de Raymond Gravel (1952-2014), padre da arquidiocese de Quebec, Canadá, publicada no sítio Culture et Foi, comentando as leituras do 14º Domingo do Tempo Ordinário – Ciclo B (8 de julho de 2018). A tradução é de Susana Rocca.

No Prólogo de São João podemos ler que, em relação a Cristo, o Verbo de Deus, “Ele veio para a sua casa, mas os seus não o receberam” (Jo 1,11). Com efeito, eis aqui o drama da Aliança de Deus e os homens; essa aliança é encontro, aceitação, abertura ao outro, transformação, novidade, e essa aliança só pode se expressar através dos profetas, e eles não caem nunca do céu; eles nascem sempre de baixo, na espessura da história humana. É por isso que é difícil reconhecê-los, apreciá-los e escutá-los. As três leituras de hoje nos apresentam profetas: Ezequiel, Paulo e Jesus de Nazaré. Que tipo de profetas eles são eles?

O profeta

Um ser humano ordinário. Nas três leituras de hoje, nos damos conta rapidamente que os profetas são, antes de tudo, seres humanos bem comuns, com seus limites e fragilidades. Ezequiel, um sacerdote que viveu no tempo de Nabucodonosor e do Exílio de Babilônia (598-587 a.C), é um profeta desconcertante, de genialidade diversa e complexa. Ele é como os israelitas do seu tempo, esmagados pela derrota, desesperados e deportados para a Babilônia. É de joelhos que ele toma consciência de que Deus acompanha seu povo na angústia e que tem necessidade dele para exprimir a sua presença: “Entrou em mim um espírito que me fez ficar de pé. Então eu pude ouvir aquele que falava comigo” (Ez 2,2).

É o mesmo Paulo que escreve a sua segunda carta aos Coríntios: “Eu estava tão preocupado e aflito que até chorava” (2 Co 2,4). Paulo toma consciência de sua pequenez humana perante a grandeza da missão à qual ele se sente chamado: “Para que eu não me inchasse de soberba por causa dessas revelações extraordinárias, foi me dado um espinho na carne (em grego: skolops), um anjo de Satanás para me espancar, a fim de que eu não me encha de soberba” (2 Co 12,7). Será que é um handicap físico, uma doença crônica ou seus adversários missionários eloquentes e autoritários que, com antecedência, ele havia chamado de “servidores de Satanás” (2 Co 11,13-15)? Não sabemos nada sobre isso! Uma coisa é certa: Paulo é muito humano e ele o experimenta na sua carne, (em grego: sarkos), que designa a fragilidade da existência humana.

Jesus de Nazaré não é também um homem comum? De maneira que mesmo a sua família achava que ele era perturbado: “Os parentes de Jesus foram segurá-lo, porque eles mesmos estavam dizendo que Jesus tinha ficado louco” (Mc 3,21). E no trecho que nós temos hoje o evangelista Marcos, retomando o que as pessoas da sua cidade diziam dele, escreve: “Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?” (Mc 6,3). Dizer que Jesus é o carpinteiro, o filho de Maria, pode querer dizer duas coisas: 1) que seu pai, José, faleceu; se não Marcos haveria escrito que Jesus era o filho do carpinteiro ou, 2) que se trata de uma família de reputação duvidosa, pois, na época, não se dizia nunca que alguém era filho da sua mãe. Uma coisa é certa: Jesus de Nazaré foi um homem completamente comum, de um meio bem comum, de uma cidadezinha escura que fez que o evangelista João dissesse: “Natanael disse: ‘De Nazaré pode sair coisa boa?’” (Jo 1,46).

O profeta incomoda

Um profeta leva sempre uma mensagem de esperança. Por outro lado, a sua palavra deve necessariamente incomodar. O profeta é aquele que anuncia as situações de injustiça, que questiona, que interpela e que convida à mudança, à novidade. Frequentemente nós somos reticentes às mudanças; atolamo-nos em velhos hábitos e desculpamos a nossa passividade apoiando-nos em doutrinas e regras que determinamos serem a Verdade. Porém, não há verdades totalmente acabadas, absolutas, imutáveis, inalteráveis, e para que lembremos Deus deve necessariamente passar por mulheres e por homens como nós. Daí a rejeição, a negação e a condenação dos profetas. O teólogo Michel Hubaut escreve: “Se Deus tivesse desejado que o homem pegasse o caminho errado como se diz, ele não teria conseguido fugir disso…”. Pois se há uma constatação na história da revelação judeu-cristã, ela é exatamente essa propensão do homem a querer encontrar Deus nas manifestações extraordinárias, milagrosas e grandiosas. E, ainda, na linha da história, percebemos que Deus prefere as teofanias do quotidiano mais do que as teofanias do grande espetáculo”. E, como prova, seu Filho nasceu como todo mundo: uma criança; ele se tornou carpinteiro como seu pai e ele foi crucificado como um vulgar bandido. Hubaut acrescenta: “Não podemos dizer que esse Messias veio lisonjear a espera das multidões”.

Contudo, todos os profetas sabem: a Palavra, a Boa nova que eles têm a anunciar será automaticamente mal recebida. A novidade perturba, incomoda. Ela impede de ficar na monotonia. A novidade suscita perplexidade, rejeição. O profeta Ezequiel experimentou-a: “Criatura humana, vou mandar você a Israel, a esse povo rebelde, que se rebelou contra mim. Eles e seus antepassados se revoltaram contra mim até o dia de hoje. Os filhos são arrogantes e têm coração de pedra” (Ez 2,3-4). São Paulo o expressa também desta maneira: “E é por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Co 12,10). E o evangelho de Marcos faz dizer a Jesus este célebre ditado: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria, entre seus parentes e em sua família” (Mc 6,4), pois é preciso reconhecê-lo, alguns dias a humanidade de Deus nos choca. Preferiríamos um Deus autoritário, todo-poderoso, que impõe as suas recompensas e os seus castigos… Felizmente, esse Deus não existe!

Um verdadeiro profeta

Como discernir o verdadeiro do falso profeta? Temos de ser prudentes e atentos aos sinais dos tempos. Infelizmente, na Igreja atual, alguns acham que são verdadeiros profetas pela sua intransigência, pela sua severidade e pelo que eles falam. Mas, atenção! O fato de ser criticado, rejeitado ou ainda de deixar indiferentes às pessoas que me rodeiam, não fazem de mim automaticamente um profeta. A Palavra que eu levo deve ser uma Boa Nova, uma Palavra que liberta, que salva e que dá esperança. E é por isso que os verdadeiros profetas não são sempre aqueles que nós pensamos. Eles são dificilmente apoiados pelas instituições, mesmo pela Igreja… Pois a Igreja, ela também não gosta do que incomoda, não gosta de mudança, de novidade, e os profetas são frequentemente suspeitos. O teólogo francês Hyacinthe Vulliez escreve: “Quando queremos nos desfazer de um profeta é habitual tratá-lo de anormal, de atípico e mesmo de estrangeiro, o que permite distanciá-lo e mesmo fazê-lo desaparecer. Não gostamos da pessoa que tem um discurso diferente do convencional. Ele incomoda, ele faz sair da monotonia de sempre, e isso o pessoal não gosta!”

O verdadeiro profeta de hoje deve necessariamente ter a linguagem das mulheres e dos homens de hoje, caso contrário ele deixará indiferentes as pessoas mais vulneráveis da sociedade: os pobres, os pequenos, os desprezados, os feridos da vida. A sua palavra deve denunciar as injustiças que sofrem e lhes permitir de ter esperança. Pode ser que o verdadeiro profeta não seja católico, nem mesmo cristão. A sua pertença a uma confissão particular não tem nenhuma importância. O profeta é aquele que restaura a justiça, que devolve a dignidade aos excluídos e aos feridos da vida e que traz esperança num mundo melhor.

Concluindo, o versículo evangélico que diz: “E Jesus não pôde fazer milagres em Nazaré…” (Mc 6,5) corre o risco de nos surpreender. Nós temos lá a prova de que um milagre não é um passe de mágica ou um prodígio que vira as leis da natureza; o milagre é um sinal que fala da proximidade daquele que faz com quem vê. O que significa que para que o milagre, o sinal possa se realizar, é preciso uma inter-relação, uma fé, uma confiança entre quem a dá e quem a recebe, se não nem a Palavra nem o sinal poderão produzir seus frutos. Se isso foi verdadeiro no tempo de Jesus, assim também é ainda hoje.

Fonte: IHU 

Migração - a Solidariedade é a resposta - Papa Francisco



Migração - a Solidariedade é a resposta - Papa Francisco

Onde está seu irmão? O grito do seu sangue chega até a mim. Esta pergunta de Deus é dirigida a mim,  a você e a todos nós... E, ainda hoje, choramos pela perda de milhares de irmãos.

O Senhor precisa de nós para denunciar as injustiças cometidas no silêncio por tantas pessoas!

O Senhor promete restabelecimento e libertação a todos os oprimidos do mundo. Mas, ele precisa de nós para tornar eficaz a sua promessa; precisa dos nossos olhos para ver as necessidades dos irmãos e irmãs; precisa das nossas mãos para socorrer; precisa da nossa voz para denunciar as injustiças cometidas no silêncio, às vezes, cúmplice, por tantas pessoas.

o Senhor precisa do nosso coração para manifestar o amor misericordioso de Deus com os últimos, os excluídos, os abandonados, os marginalizados. “Quero misericórdia e não sacrifícios”, uma acusação da hipocrisia estéril dos que não querem sujar as mãos.

Trata-se de uma tentação, bem presente também em nossos dias, que se traduz em um fechamento em relação aos que têm direito, como nós, de segurança e de vida digna; uma tentação que leva a construir muros, concretos ou imaginários, ao invés de pontes. Diante dos desafios migratórios de hoje a única resposta sensata é a da solidariedade e da misericórdia.

Exige uma équa divisão de responsabilidades; exige uma avaliação, honesta e sincera, das alternativas e uma gestão transparente; exige uma política justa que se coloque a serviço das pessoas, que garanta soluções e segurança, respeito dos direitos e da dignidade de todos.

Para que ilumine a nossa mente e inflame os nossos corações, a fim de superarmos os medos e as inquietações, e nos transforme em instrumentos dóceis do amor misericordioso do Pai, prontos a dar a nossa vida aos irmãos e irmãs, como Jesus o fez.

04 julho, 2018

Síntese da primeira etapa da "Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs


Primeira etapa da "Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs"
Realizada no dia trinta de junho e primeiro de julho deste ano de 2018

Assessor o Teólogo Celso Pinto Carias, assessor das CEBs Nacional.

Projeto Pastoral Papa Francisco


Síntese da primeira etapa da "Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs


Projeto Pastoral Papa Francisco

Com relação ao contexto atual, Carias afirmou: “O mundo mudou e está em crise, é fato, é um grande equívoco propor caminhos sem a verificação do chão em que se está pisando. Este erro tem sido frequente nas indicações dos caminhos pastorais. Costumo dizer que muitos têm dado respostas velhas para perguntas novas.”

A reação que configura a crise atual pode ser sintetizada em três atitudes básicas fundamentais: o fundamentalismo, a indiferença, e o diálogo. Carias colocou que é interessante lembrar que a fé cristã deu passos significativos de fidelidade ao Caminho de Jesus Cristo, ao longo da história, quando foi capaz de ir ao encontro dos desafios com uma postural dialogal.
Precisamos identificar a cidade a partir de um olhar contemplativo, isto é, um olhar de fé que descubra Deus que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças. A presença de Deus acompanha a busca sincera que indivíduos e grupos efetuam para encontrar apoio e sentido para a sua vida. (EG 71)

Com relação a Igreja, vimos que a ela custou assimilar a cultura moderna. Para Carias, “é porque se trata de um modelo cultural muito diferente daquele que se vivia até então. Sabemos bem que o caráter teocêntrico, isto é, Deus no centro de tudo como explicação da realidade de todas as coisas, foi sendo substituído pela capacidade humana de entender os acontecimentos sem que houvesse uma ação direta de Deus.

O Concílio Vaticano II (1962-65) foi a porta definitiva do diálogo na Igreja Católica, más não tem sido um diálogo fácil, um desafio superar quase dois mil anos de um modelo em pouco mais de cinquenta. Não há outra alternativa para a Igreja ser fiel a Jesus Cristo, é necessário ser sempre uma “Igreja em Saída” como diz o Papa Francisco.

A Paróquia - logo após o Concílio Vaticano começaram os questionamentos ao modelo paroquial tradicional. O Código Canônico privilegiou o caráter territorial. Mas recentemente a CNBB aprovou o Documento 100 (Comunidade de comunidades: uma nova paróquia, 2014), que por si só demonstra que a situação não é tão tranquila assim.
José Comblin, que foi um dos teólogos mais profundos na crítica a realidade da paróquia depois do Concílio, fez em 1989 um balanço, bastante provocativo, de como a realidade urbana influencia a paróquia. Nele podemos identificar algumas questões chaves que permanecem extremamente atuais: burocracia, competição clerical, não percepção de mobilidade urbana, diversificação na identidade dos indivíduos, fraqueza no caminho espiritual diante de ofertas consistentes no mundo moderno, pouca capacidade de lidar da com dimensão da liberdade tão inerente a nossa época, e por fim, entre outras questões o que ele chama de cativeiro paroquial, isto é, o enredamento da paróquia em si mesma. É o que Papa Francisco tem afirmado, repetidas vezes, com o conceito de autorreferencialidade. Carias acrescentou que se Comblin estivesse vivo talvez ele acrescentaria um outro: invencionismo litúrgico.

A Constituição dogmática sobre a Igreja do Concílio ecumênico Vaticano II, mais conhecida por Lumen Gentium, apresenta a Igreja como o novo Povo de Deus.
A carta do Papa Francisco enviada ao Cardeal Marc Ouellet, Presidente da Pontíficia Comissão para a América Latina, em 16 de março de 2016, é uma bela síntese de como  ele retoma a centralidade eclesiológica da Igreja como Povo de Deus, embora ele faça isso em vários outros textos, sobretudo na Evangelli Gaudium. Segue alguns pontos:
O pastor não se compreende sem um rebanho, que está chamado a servir. O pastor é pastor de um povo, e o povo deve ser servido a partir de dentro. (p.12)
Ninguém foi batizado sacerdote nem bispo. Batizaram-nos leigos e é o sinal indelével que jamais poderá ser cancelado. (p.12)
Confiemos no nosso Povo, na sua memória e no seu “olfato”, confiemos que o Espírito Santo aja em e com ele, e que este Espírito não é só “propriedade” da hierarquia eclesial. (p.14).
Não é o pastor que deve dizer ao leigo o que fazer e dizer, ele sabe tanto e melhor que nós. (p.15)
É óbvio e até impossível, pensar que como pastores deveríamos ter um monopólio das soluções para os múltiplos desafios que a vida contemporânea nos apresenta. (p.16)

Com Papa Francisco a imagem de uma Igreja como POLIEDRO. Sei que entre vós há pessoas de diversas religiões, profissões, ideais, culturas, países e continentes. Hoje estais a praticar aqui a cultura do encontro, tão diversa da xenofobia, da discriminação e da intolerância que vemos com muita frequência. Produz-se entre os excluídos este encontro de culturas no qual o todo não anula a particularidade, o todo não anula o particular. Por isso me agrada a imagem do poliedro, uma figura geométrica com muitos lados diversos. O poliedro reflete a confluência de todas as parcialidades que nele conservam a originalidade. Nada se dissolve, nada se destrói, nada se domina, tudo se integra, tudo se integra. Hoje estais a procurar a síntese entre o local e o global. Sei que estais comprometidos todos os dias em coisas próximas, concretas, no vosso território, no vosso bairro, no vosso lugar de trabalho: convido-vos também a continuar a procurar esta perspectiva mais ampla; que os vossos sonhos voem alto e abracem o todo! (28 de outubro de 2014, primeiro encontro com os movimentos populares).

Sobre a imagem do poliedro, Carias acrescentou, mas quais poderiam ser as consequências práticas desta imagem? De novo, aqui está a questão. Pode-se até aceitar a imagem, mas não agir conforme a imagem. As palavras chaves que o Papa Bergoglio usa frequentemente, misericórdia, diálogo e discernimento, são fundamentais para um agir pastoral poliédrico. Cada face tem sua riqueza própria. Parece, nos dias de hoje, que não aprendemos com os Padres da Igreja, como São Justino, com a sua teologia das sementes do Verbo. O Verbo de Deus se encontra em todo lugar, até mesmo onde imaginamos que ele não se encontra. Como é grande a tentação de nos colocarmos no lugar de Deus no trabalho pastoral.
(“Padres da Igreja” é uma expressão que denota grandes pensadores cristãos, e ao mesmo tempo sensíveis pastoralistas, que foram responsáveis pela base dogmática e doutrinária dos primeiros seis séculos de existência do cristianismo, como Santo Inácio de Antioquia, São Justino, São João Crisóstomo, Santo Ambrósio, Santo Agostinho, entre outros. )

A organização fundamental das paróquias, compreendida na Sinodalidade, Administração, Planejamento Pastoral e Acolhimento.

Sinodalidade - a palavra sínodo é de origem grega e etimologicamente significa fazer juntos, caminhar juntos. Na Igreja Católica existe uma longa tradição sinodal que foi retomada pelo Concílio Vaticano II.
Pode-se opor, equivocamente, à dimensão sinodal da Igreja a sua estrutura hierárquica. Fala-se de caráter consultivo, recorrendo ao Código Canônico, mudando a intenção fundamental do Concílio, pois consultivo não é igual a informativo. O caráter consultivo supõe abertura ao diálogo, disposição para mudança de opinião, discernimento a fim de encontrar o melhor caminho.
Levando em consideração a realidade histórica, o espírito do Vaticano II, e em conformidade com o que o Papa Francisco tem orientado, o caminho para a Igreja é se organizar de forma SINODAL, nas dioceses, paróquias e comunidades.
A sinodalidade deve estar refletida também na própria estrutura territorial das paróquias. Como a norma canônica ainda amarra a paróquia a um determinado território é necessária uma criatividade pastoral para não deixar que a lei abafe o espírito. Neste sentido, o documento 100 da CNBB tenta superar os limites. Mas ainda há espaço, sem um confronto direto com a lei, para buscar saídas mais participativas. Para funcionar como comunidade de comunidades a figura da MATRIZ precisar sair de cena.
Todas as igrejas de um determinado território precisam estar articuladas em uma rede de comunidades. Se houver apenas uma igreja, esta deve procurar setorizar  para atender a relações humanas mais próximas. E se a paróquia é muito grande, pode-se setorizar a própria paróquia como o documento 100 prevê. É preciso crescer na compreensão que a paróquia não é uma sede e sim um espaço de atuação pastoral. Não cabe alguém de uma comunidade afirmar: “vou lá na paróquia”. A paróquia é a rede de comunidades. Bem como a diocese não é uma sede. Alguém de uma paróquia não deveria dizer: “vou lá na diocese”, pois ele está na diocese.

Administração - cremos não ser tão complicado realizar uma boa administração se há uma estrutura participativa e transparente. Se existe um compartilhamento das necessidades no espírito que encontramos nos Atos dos Apóstolos: os cristãos tinham tudo em comum. É extremamente contraditório, por mais que cada diocese tenha autonomia, que não exista uma maneira de repartir os bens de forma mais paritária. Dioceses ricas do lado de dioceses pobres, paróquias ricas do lado de paróquias pobres. Isto não é evangélico.

Planejamento pastoral - As indicações anteriores não podem ser colocadas em praticada sem planejamento, mas nem sempre realizado. Existe um público cativo, e em um cenário de milhões de habitantes, onde apesar das baixas, o catolicismo ainda é maioria. E evidentemente muitas igrejas estão cheias. Mas não é assim que funciona. Muitas vezes, se tem um comportamento no qual se acredita que a população católica disposta a frequentar as paróquias irá, nos dias de hoje, facilmente atender a uma programação estabelecida rotineiramente todos os anos. Com os católicos eventuais ainda é mais difícil, e com os não católicos nem se fala.
E “As tentações dos agentes pastorais” (EG 76-109) é grande. O Papa Francisco usa imagens fortes: acedia egoísta, roubar a esperança, psicologia do túmulo, múmias de museu, pessimismo estéril, roubar a comunidade, mundanismo espiritual, neopelagianismo autorreferencial, roubar o Evangelho, caça às bruxas, e muitas outras. Não é demais citar inteiramente o número 96:
Neste contexto, alimenta-se a vanglória de quanto se contentam com ter algum poder e preferem ser generais de exércitos derrotados antes que simples soldados de um batalhão que continua a lutar. Quantas vezes sonhamos planos apostólicos expansionistas, meticulosos e bem traçados, típicos de generais derrotados! Assim, negamos nossa história de Igreja, que é gloriosa por ser história de sacrifícios, de esperança, de luta diária, de vida gasta no serviço, de constância no trabalho fadigoso, porque todo trabalho é “suor do nosso rosto”. Em vez disso, entretemo-nos vaidosos a falar sobre “o que se deveria fazer” – o pecado do “deveriaqueismo” – como mestres espirituais e peritos de pastoral que dão instruções ficando de fora. Cultivamos nossa imaginação sem limites e perdemos o contato com a dolorosa realidade do nosso povo fiel.

Acolhimento - Diz o Papa Francisco na EG 127: Ser discípulo significa ter a disposição permanente de levar aos outros o amor de Jesus; e isso sucede espontaneamente em qualquer lugar: na rua, na praça, no trabalho, num caminho.
A forma como as lideranças e os presbíteros tratam as pessoas pode alterar profundamente a recepção de algum valor positivo. Sim, somos humanos, podemos não ser capazes de estar sempre atentas/os aos mecanismos psíquicos que norteiam a nossa vida, mas podemos sim, pedir perdão, reconhecer que erramos, e abraçar as irmãs e os irmãos. Que coisa tremendamente humana, e por isso, tremendamente divina, as atitudes do Papa Francisco no que diz respeito ao reconhecimento dos limites humano, como pedir perdão às vítimas dos casos de abuso no Chile. Isto não o diminui, ao contrário, só faz com o admirem cada vez mais.

A primeira etapa da "Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs", foi realizada no dia trinta de junho e primeiro de julho deste ano de 2018, em outubro teremos a segunda etapa e as demais no ano de 2019. O assessor o Teólogo Celso Pinto Carias, assessor das CEBs Nacional.

A "Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs" foi projeto apresentado pelas CEBs e aprovado em Assembleia arquidiocesana dentro da prioridade “missão” do 24° Plano de Ação Evangelizadora (2017-2021) da Arquidiocese de Maringá.

No 7° Intereclesial das CEBs do Paraná, realizado em abril de 2016, a Província Eclesiástica de Maringá, quando no momento por província, sentiu também essa necessidade, a Arquidiocese de Maringá, abriu a escola á província, que é composta além da Arquidiocese de Maringá pelas dioceses de Campo Mourão, Paranavaí e Umuarama.

Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
Assessora Leiga das CEBs na Arquidiocese de Maringá

03 julho, 2018

Genivaldo Ubinge e Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

Genivaldo Ubinge e Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)


01 julho, 2018

Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs

Sonhamos...
Acreditamos...
E aconteceu.

Sendo nós, "Pe. Genivaldo Ubinge" e "Eu" assessores das CEBs na Arquidiocese de Maringá por muitas vezes conversamos, percebemos os desafios, não deixamos de sonhar e acreditar e aconteceu.

Nesse final de semana, trinta de junho e primeiro de julho deste ano de 2018, realizamos a primeira etapa da "Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs".

Assessor o amado e querido Teólogo e Assessor das CEBs Nacional, Celso Pinto Carias.

A "Escola de Formação de Formadores e Articuladores para as CEBs" foi projeto apresentado pelas CEBs e aprovado em Assembleia arquidiocesana dentro da prioridade “missão” do 24° Plano de Ação Evangelizadora (2017-2021) da Arquidiocese de Maringá.

No 7° Intereclesial das CEBs do Paraná, realizado em abril de 2016, a Província Eclesiástica de Maringá, quando no momento por província, sentiu também essa necessidade, a Arquidiocese de Maringá, abriu a escola á província, que é composta além da Arquidiocese de Maringá pelas dioceses de Campo Mourão, Paranavaí e Umuarama.

















27 junho, 2018

Esperança: Partir, Caminhar (Dom Hélder Câmara)



Esperança: Partir, Caminhar (Dom Hélder Câmara)

“Partir é, antes e tudo, sair de si. 
Romper a crosta de egoísmo que tende a aprisionar-nos no próprio eu.

Partir é não rodar, permanentemente, em torno de si, numa atitude de quem,
na prática, se constitui centro do Mundo e da vida.

Partir é não rodar apenas em volta dos problemas das instituições a que pertence. 

Por mais importantes que elas sejam, maior é a humanidade a quem nos cabe servir.

Partir, mais do que devorar estradas, cruzar mares ou atingir velocidades supersônicas, é abrir-se aos outros, descobri-los, ir-lhes ao encontro.

Abrir-se às idéias, inclusive contrárias às próprias, demonstra fôlego de bom caminheiro.

Feliz de quem entende e vive este pensamento: 
”Se discordas de mim, tu me enriqueces”.

Ter ao próprio lado quem só sabe dizer amém, quem concorda sempre, de antemão e incondicionalmente, não é ter um companheiro, mas sim uma sombra de si mesmo.

Desde que a discordância não seja sistemática e proposital, que seja fruto de visão diferente, a partir de ângulos novos, importa de fato em enriquecimento.

É possível caminhar sozinho. 
Mas, o bom viajante sabe que a grande caminhada é a vida e esta supõe companheiros. 

Companheiro, etimologicamente, é quem come o mesmo pão.

O bom caminheiro preocupa-se com os companheiros desencorajados, sem ânimo, sem esperança…
Advinha o instante em que se acham a um palmo do desespero.

Apanha-os onde se encontram. 
Deixa que desabafem e, com inteligência, com habilidade, sobretudo, com amor,
leva-os a recobrar o ânimo e voltar a ter gosto na caminhada.

Marchar por marchar não é ainda verdadeiramente caminhar.

Para as minorias Abraâmicas, partir, caminhar significa mover-se e ajudar muitos outros a moverem-se no sentido de tudo fazer por um mundo mais justo e mais humano.”

21 junho, 2018

Migrações, 30 milhões de crianças deslocadas no mundo por causa dos conflitos: é o número mais alto desde a Segunda Guerra Mundial

Dados do UNICEF para o Dia Mundial dos Refugiados. Os pequenos migrantes que se deslocam desacompanhados alcançaram níveis sem precedentes: entre 2010 e 2015, aumentaram 5 vezes.


A informação foi publicada por La Repubblica, 20-06-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Por ocasião do Dia Mundial dos Refugiados, a UNICEF recorda que há mais crianças deslocadas à força devido aos conflitos hoje - cerca de 30 milhões - do que em qualquer outro momento da história desde a Segunda Guerra Mundial. O UNICEFlembra que essas crianças vulneráveis precisam de acesso a proteção e serviços essenciais para mantê-las seguras agora e de soluções sustentáveis para garantir o seu bem-estar em longo prazo. O número global de crianças refugiadas e migrantes que se deslocaram sozinhas também atingiu níveis sem precedentes, aumentando cerca de 5 vezes entre 2010 e 2015. Pelo menos 300.000 crianças desacompanhadas e separadas foram registradas em cerca de 80 países entre 2015 e 2016, comparadas às 66.000 de 2010-2011. O dado real das crianças que se deslocam sozinhas é provavelmente muito maior. As crianças desacompanhadas e separadas estão expostas a um risco muito maior de tráfico, exploração, violência e abuso. As crianças representam cerca de 28% das vítimas do tráfico em nível global.

Desafios e ameaças cotidianas

Entre as discussões em curso sobre um plano global de ação em apoio aos refugiados, o UNICEF conclama os líderes mundiais a redobrar seus esforços para garantir osdireitos, a segurança e o bem-estar das crianças mais vulneráveis do mundo - muitas das quais permanecem são deslocadas por causa de conflitos, violências einstabilidades políticas. "No Dia Mundial do Refugiado, é importante lembrar as ameaças e os desafios que as crianças em trânsito enfrentam todos os dias", afirmou Manuel Fontaine, Diretor de Programas de Emergência do UNICEF. "As crianças desenraizadas - refugiadas, requerentes de asilo ou deslocadas internos - enfrentam sérios riscos para a sua saúde e segurança, assim como enormes obstáculos que limitam o acesso aos serviços de que necessitam para crescer. Essas crianças precisam de mais do que um dia - elas precisam de esperança, oportunidade e proteção. Pedimos aos Estados-membros que renovem os seus empenhos para garantir a essas crianças direitos e ambições".

Apenas metade frequenta a escola primária

Como o número de crianças deslocadas à força e refugiadas atingiu níveis recorde, seu acesso a serviços e apoio básicos, como assistência médica e educação, continua profundamente comprometido. Apenas a metade de todos os refugiados, por exemplo, está matriculada na escola primária, enquanto menos de um quarto dos adolescentes refugiados frequentam a escola secundária. O UNICEF espera que o Pacto Global sobre Refugiados (GCR) e o Pacto Global sobre Migrações (GCM), que deveriam ser finalizados este ano, sirvam de diretrizes para empenhos mais fortes dos Estados membros em favor dos direitos das crianças desenraizadas no mundo. O UNICEF divulgou uma agenda de seis pontos de ação para proteger as crianças refugiadas e migrantes, na qual estão incluídas recomendações sobre as melhores práticas que podem ser incorporadas a ambos os Pactos.

Iniciativa com o mundo do futebol

Neste momento em que o futebol une torcedores de todo o mundo, o UNICEF e o seu parceiro 180LA lançam a iniciativa "What Excites Us, Unite Us" ("O que nos emociona, nos une") que é inspirada pela ideia de que o amor pelo esporte pode superar as fronteiras, e assim da mesma forma pode dar apoio aos direitos das crianças refugiadas e migrantes. A campanha também inclui um vídeo na web de dois minutos que conta a história de Santi, um menino de 8 anos que migrou da Bolívia para a Espanha, teve dificuldade para encontrar amigos e que depois foi aceito em seu novo país graças ao amor pelo futebol. Enquanto jogam, Santi e seus amigos são interrompidos por uma visita surpresa de seu herói, Sergio Ramos (capitão da seleção espanhola e embaixador do UNICEF). Simultaneamente com o vídeo, será lançada nas mídias sociais a iniciativa "Longest goal challange": Sergio Ramos vai pedir a todos para aderir à iniciativa através da paixão comum pelo futebol e mostrar o apoio para as crianças migrantes e refugiadas através do compartilhamento nas redes sociais de um vídeo gritando “goooool” durante o maior tempo possível, usando a hashtag #LongestGoal #WorldCup.

Fonte: IHU

No mundo 68,5 milhões de refugiados: 85% vão para países vizinhos e pobres

É maior que a Itália a nação dos sem nação, fugitivos, deslocados e refugiados: as pessoas obrigadas a fugir de suas casas são, no mundo, 68,5 milhões, de acordo com o relatório anual do Global Trends 2017, apresentado na última segunda-feira pela agência da ONU para os refugiados, ACNUR.


A reportagem é de Rachele Gonnelli, publicada por Il manifesto, 20-06-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Mas sendo uma realidade mutável e itinerante, mesmo que na maioria estejam abarrotados em grandes campos de refugiados ou em barracas nas favelas das metrópoles (58% moram em áreas urbanas), talvez seja mais correto representá-los como fluxo: são 44.500 por dia, uma pessoa é adicionada a cada dois segundos.

Um ser humano em cada 110, em essência, é forçado a fugir. Enquanto 667 mil pessoas puderam voltar para casa ou para o seu país em 2017. De qualquer forma, há cinco anos esse número recorde de 68 milhões, tanto quanto os cidadãos da Tailândia, não diminui, alimentado em especial, em 2017, pelo êxodo em massa do Congo, do Sudão do Sul e da Birmânia (os Rohingyas).

Os refugiados que fogem de guerras, perseguições e violências são 25,4 milhões. E os requerentes de asilo, ou seja, as pessoas que ainda aguardavam em 31 de dezembro último um atestado de proteção internacional, subiram de 300 mil em 2016 para 3,1 milhões em 2017, sinal da piora das condições para o exame dos pedidos e emissão do estatuto de refugiado.

Ao contrário da falsa crença de viés racista, 85% dos refugiados vivem não em países industrializados e ricos como o nosso, mas em países pobres ou em desenvolvimento. Quase dois terços do total (40 milhões) são deslocados internos, isto é, ainda não cruzaram a fronteira de seu país, esperando poder voltar para reconstruir uma vida ali, onde eles moravam. Quatro refugiados em cada cinco se afastam um pouco mais, para os países vizinhos, sempre na esperança de voltar o quanto antes possível. Um quinto é de palestinos, assumidos pela agência Unrwa da ONU. Os restantes provêm por dois terços - de cinco áreas do globo: Síria, Afeganistão, Sudão do Sul, Birmânia e Somália. Depois, também do Iraque e da Venezuela.

A Turquia, após o acordo de 2016 com a UE para a retenção dos 3,5 milhões de sírios em fuga da guerra que dura há sete anos é o primeiro país em termos de hospedagem, seguido pelo Paquistão (que hospeda metade dos refugiados do Afeganistão), Uganda, Líbano e Irã. O Líbano tem o maior número de refugiados em relação aos cidadãos (164 por mil habitantes, a Itália tem 19, a Turquia 43). A Alemanha não é mais o lugar de chegada mais desejado, o sonho é agora novamente os Estados Unidos.


Fonte: IHU

Depressão na universidade: como a pressão acadêmica afeta a saúde mental

Casos recentes de suicídio em faculdades brasileiras levantam importância do debate acerca da saúde mental dos estudantes.


Prazos apertados, múltiplas disciplinas, competitividade. Teses, citações, normas ABNT. Pressão em casa, pressão na sala de aula. Esgotamento físico e, principalmente, psicológico. Quadros de estresse e depressão têm sido recorrentes em estudantes brasileiros. A morte de uma aluna na Universidade de Brasília (UnB) na semana passada, e caso semelhante ocorrido na segunda-feira, 11, na Paraíba, lançaram luz sobre a necessidade de discutir a saúde mental de quem está dentro da sala de aula.

Os números se agravam à medida que o nível do diploma também avança. Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, 15% dos estudantes de nível superior apresentam algum quadro depressivo. A média geral de quem não passa pelos dissabores da vida acadêmica é de 4%. Outro estudo, desta vez publicado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), apontou que 41% dos estudantes de medicina brasileiros sofrem do mesmo mal. Mais um levantamento, também feito pela USP, apontou que 1 em cada três alunos de pós-graduação sentem-se deprimidos ou ansiosos.

Conversar é preciso...Continue lendo AQUI