15 janeiro, 2025
14 janeiro, 2025
Pessoas que cresceram com animais de estimação costumam apresentar esses 5 comportamentos
“Embora a convivência entre animais domésticos ofereça uma série de benefícios ao desenvolvimento infantil, os pais devem ficar atentos a alguns cuidados específicos.”
Não há nada mais satisfatório que chegar em casa depois de um longo período fora e encontrar o bichinho de estimação superanimado com o nosso retorno, não é mesmo? É neste momento que o estresse e cansaço do dia corrido tende a ser substituído por uma explosão de felicidade e bem-estar.
Ao MinhaVida, Isabella Machado, psicóloga do grupo Mantevida, explica que a convivência com animais domésticos não só proporciona benefícios momentâneos, como também influencia positivamente no desenvolvimento emocional, especialmente o das crianças.
“A convivência com pets na infância tem impacto significativo no desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças, com efeitos que se estendem à vida adulta. Os animais de estimação oferecem acolhimento, favorecendo o vínculo emocional e a empatia. A interação com eles contribui para a regulação emocional, redução da ansiedade e do estresse, além de ajudar no enfrentamento de desafios diários. Além disso, cuidar de um pet também ensina responsabilidade, comprometimento e rotinas, influenciando positivamente a organização e a gestão de tarefas ao longo da vida”.
Os comportamentos comuns de pessoas que cresceram com animais de estimação:
Segundo a especialista, pessoas que cresceram com animais de estimação frequentemente desenvolvem características como:
1 - Empatia e sensibilidade
“Conviver com animais desde cedo estimula a empatia. O cuidado diário com suas necessidades ensina a interpretar sinais não verbais, habilidade que pode se transferir para interações humanas, facilitando a capacidade de "ler" sinais corporais e comportamentais nas outras pessoas”.
“Cuidar de um animal, como alimentar, limpar ou passear, promove o senso de responsabilidade. Isso ajuda no desenvolvimento de disciplina e habilidades de organização desde a infância”.
3 - Tendência a falar com animais ou objetos
“Crianças que conversam com animais muitas vezes mantêm esse hábito, falando sozinhas ou com objetos inanimados. Essa prática pode funcionar como um mecanismo de autorregulação emocional”.
4 - Interação física
“O hábito de acariciar ou abraçar animais pode favorecer o conforto em interações físicas, como abraços e toques de apoio emocional”.
5 - Atenção à higiene
“Crescer com animais ensina a importância da limpeza para evitar odores, pelos espalhados ou sujeiras. Isso muitas vezes se reflete em hábitos como limpar sapatos antes de entrar em casa e manter o ambiente limpo e organizado”.
Cuidados que os pais de crianças pequenas devem ter ao adotar um pet
Embora a convivência entre animais domésticos ofereça uma série de benefícios ao desenvolvimento infantil, os pais devem ficar atentos a alguns cuidados específicos. A psicóloga lista:
- Preparação psicológica: é importante que a criança seja informada sobre o fato de o animal ser um ser vivo com necessidades específicas, como comer, dormir e descansar;
- Responsabilidade proporcional: é preciso atribuir tarefas simples, como encher o pote de água sob supervisão;
- Respeito e empatia: é necessário ensinar a criança a reconhecer sinais do animal, como se afastar quando ele está desconfortável ou evitar interrompê-lo durante o descanso;
- Supervisão: a presença de um adulto durante as primeiras interações entre a criança e o animal é essencial para garantir a segurança de ambos
“As crianças tendem a reproduzir os comportamentos observados nos adultos. Pais que demonstram calma, paciência e cuidado nas interações com o animal promovem um ambiente de aprendizado positivo. Resolver pequenos conflitos de forma gentil, como corrigir o pet com delicadeza, reforça a importância da comunicação positiva e do respeito mútuo”, finaliza Isabella.
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Fonte: Minha Vida
07 janeiro, 2025
“O branco matou a mamãe”: ataques a indígenas Avá-Guarani vitimizam até crianças no PR
Ao menos 17 indígenas Avá-Guarani foram baleados, e lideranças denunciam tortura, racismo e falta e proteção do Estado
A reportagem é de Leandro Barbosa, publicada por Agência Pública, 07-01-2025.
Uma indígena Avá-Guarani carrega nos braços uma criança de 7 anos, com as pernas ensanguentadas, enquanto busca socorro. Ela a entrega a um homem, enquanto outro amarra uma camisa na perna esquerda do menino para conter o sangramento. O garoto foi um dos quatro baleados em mais um ataque à aldeia Yvy Okaju – antiga Y’Hovy – em 3 de janeiro, na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá, em Guaíra (PR). Não é um cenário inédito. Em 29 de dezembro, plantações e barracos da comunidade foram queimados; no dia 31, duas horas antes da virada do ano, novas áreas foram queimadas e um indígena foi baleado no braço. Uma série ocorrida dias antes de ser completado um ano do ataque mais brutal que os Avá-Guarani sofreram na história recente, em 10 de janeiro do ano passado.
“Nós não teríamos coragem de fazer isso com uma criança dos brancos. É uma verdadeira covardia”, afirmou uma liderança indígena que preferiu não se identificar por falta de segurança. “Já falamos para as autoridades, mais de uma vez, que a nossa situação é uma verdadeira calamidade. Parece que ninguém vai conseguir fazer nada por nós”, desabafa. No ataque do dia 3, um adolescente de 14 anos e dois jovens, de 25 e 28 anos, também ficaram feridos – os mais velhos passaram por cirurgia e seguem hospitalizados. Ninguém foi preso ou responsabilizado pela violência até o momento.
Por que isso importa?
O padrão de violência contra a integridade física e mental de indígenas em todo o país mostra que os conflitos devem ser encarados pelo poder público mais do que como uma questão de disputa de terras, mas como violações à dignidade humana e um caso de saúde pública envolvendo minorias ameaçadas.
Para os Avá-Guarani é como se a história se repetisse a cada Natal e ano novo. O temor não é apenas restrito à memória, já que as ameaças já eram de conhecimento público e das autoridades na região, como indicam áudios compartilhados em grupos de mensagens de Guaíra (PR), aos quais a Agência Pública teve acesso. Neles, homens não identificados planejavam contra a vida dos indígenas e, até mesmo, dos militares da Força Nacional.
“Enquanto não matar uns dez caras desse aí, vai continuar essa patifaria de querer invadir tudo…”, diz um dos áudios. Em outro se ouve: “Tem que meter chumbo nessa Nacional, nessa polícia que tá protegendo eles [os Avá-Guarani]. Se aparecer um doido com fuzil e peneirar as viaturas dessa Nacional, quero só ver se eles vão ficar ali protegendo bugre [forma pejorativa que usam para se referir aos indígenas]”.
Em 2 de dezembro, os Avá-Guarani enviaram carta ao Ministério dos Povos Indígenas e à Funai alertando sobre a vulnerabilidade e o risco iminente de novos ataques. Eles denunciaram que a comunidade está acuada e correndo risco de extermínio, inclusive pela falta de itens básicos para sobrevivência, após terem plantações e casas queimadas. Apesar do pedido de socorro, os indígenas foram, mais uma vez, alvos de ataques.
Ilson Avá-Guarani, coordenador regional da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), organização que reúne coletivos do povo Guarani das regiões Sul e Sudeste, conta que a comunidade está limitada e vive entre o medo, o trauma e a precaução. “À noite, sempre tem alguém fazendo a guarda da comunidade, de um lado ao outro. Qualquer movimento estranho é comunicado. A gente sempre fica atento, não consegue descansar”, relata, acrescentando que “Tudo nos deixa angustiado”.
“Nosso emocional já não é o mesmo. Um barulho de moto ou do escapamento de um carro já nos deixa aflitos com as lembranças dos tiros. Os tratores que passam ao redor nos apavoram, porque nos lembra de quando entraram em nossas terras”, desabafa.
Infância devastada
Há cerca de um ano, o pequeno G. Avá-Guarani, de apenas 7 anos, também sofria com o impacto de toda essa violência. Desde então, ele já não dorme como antes. Mesmo quando todas as luzes de sua casa se apagam, é difícil fechar os olhos. Ele se levanta, abre a porta e olha para o quintal. Não contente, ainda dá a volta em torno de casa. Para ele, é necessário checar o terreno e garantir que não há ninguém à espreita. Seu medo é de os “brancos” voltarem. Aqueles que atiraram e quase mataram sua mãe no dia 10 de janeiro de 2024, além de deixar outras três pessoas feridas.
Naquele dia, a aldeia Yvy Okaju foi atacada de surpresa. Na ocasião, a mãe de G. teve a perna perfurada em nove pontos por balas de chumbo. A perda de sangue foi tanta que durante o atendimento foi necessária uma transfusão. Até ver a mãe viva no hospital, G. repetia ao pai uma única frase: “O branco matou a mamãe”.
Esse é apenas um exemplo do que as crianças Avá-Guarani estão sofrendo. “É difícil imaginar o estado das crianças que testemunharam seus pais sendo alvejados, suas mães feridas. Elas deveriam dormir e descansar, mas não conseguem. Fecham os olhos, mas passam a noite se revirando na cama”, desabafa Ilson Avá-Guarani.
O impacto dessa violência é devastador na saúde física e mental da comunidade, conforme relato de M., também liderança do povo Avá-Guarani. Seu nome foi omitido por estar sob proteção do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH) do governo federal.
M. recebeu a reportagem da Agência Pública, em outubro de 2024, e contou um episódio marcante envolvendo sua filha de apenas 2 anos: “Quando vê um não indígena entrando na aldeia, ela diz: ‘Ele está vindo nos matar'”. “Essas violências vêm causando transtornos mentais, não só nas lideranças, não só nas mulheres, nas mães, mas também nas crianças, porque até então a gente vinha vendo que quase todas as aldeias tinham jovens com problemas mentais”, explica a líder indígena. “Eu falo de crianças de 2 anos, de 4 anos, que ficam apavoradas e desenvolvem crise de ansiedade. Quando há tiroteio, elas desesperam e não conseguem respirar“, lamenta.
A TI Tekoha Guasu Guavirá, com 24 mil hectares de terras dos Avá-Guarani no Paraná, é composta por 20 aldeias e abrange os municípios limítrofes de Guaíra, Terra Roxa e Altônia. Sobreposto por aproximadamente 165 propriedades rurais, o território é alvo de 30 processos de reintegração de posse e interditos proibitórios, além de duas ações que buscam anular o processo de demarcação: uma movida pelas prefeituras de Guaíra e Terra Roxa e outra pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
Enquanto o Estado não assegura os direitos dos indígenas, pelo menos sete retomadas de terras foram realizadas entre o final de 2023 e o início de 2024, o que desencadeou reações violentas de fazendeiros.
Morte e vida Avá-Guarani: uma identidade questionada
O relatório sobre violações de direitos humanos contra os Avá-Guarani do oeste do Paraná, elaborado pela Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), expõe uma série de violações enfrentadas pela etnia. Entre os problemas apontados estão a violência constante de fazendeiros e jagunços, a precariedade no acesso a serviços básicos como água potável e energia elétrica, condições de vida degradantes agravadas pela perda de biodiversidade, desmatamento e atendimento de saúde insuficiente. O documento aponta ainda a lentidão e a omissão do Estado no processo de demarcação das terras, bem como decisões judiciais que favorecem interesses privados.
As comunidades também sofrem racismo e campanhas de deslegitimação, sendo frequentemente rotuladas como “falsos índios” para negar seus direitos territoriais. Os questionamentos da identidade dos Avá-Guarani perpassam órgãos públicos e entidades ligadas ao agronegócio no estado.
Em outubro, um vídeo da Câmara Municipal de Guaíra circulou em grupos de WhatsApp na cidade. Nele, uma funcionária anunciava a aprovação de um requerimento à Funai no qual o órgão era questionado sobre o número de Registros Administrativos de Nascimento de Indígena (Ranis) emitidos, os critérios utilizados e a capacidade de identificar não indígenas nas comunidades locais. Segundo a Câmara, o requerimento teria sido motivado pelo “clima de tensão entre os autodenominados índios e os produtores rurais”.
No mesmo mês, ocorreu uma manifestação promovida por produtores rurais de Guaíra e Terra Roxa. Segundo eles, “o objetivo foi chamar a atenção da população e principalmente das autoridades para o risco iminente de novas invasões e de violência que os produtores rurais estão enfrentando”. Vídeos de entrevistas gravadas durante a manifestação mostram produtores rurais chamando os Avá-Guarani de “pseudoíndios” e “campesinos paraguaios que estão invadindo áreas produtivas e promovendo a quebra da soberania nacional”. Até o momento, nenhuma investigação denúncia formal foi instaurada para apurar o episódio de discriminação.
A Funai disse à Pública que “os indígenas alvo de ataques são indígenas brasileiros, com documentos de identificação brasileiros e direitos como qualquer outro cidadão brasileiro. Situações que questionem a identidade individual e coletiva desses povos legitimam um pensamento racista e deve ser tratado pela lei n° 7.716/89, de combate ao preconceito e racismo”.
No Brasil, a etnia Guarani é composta por três grupos: Mbya, Kaiowá e Avá-Guarani, também conhecidos como Ñandeva. Segundo dados do Distrito Sanitário Especial Indígena Litoral Sul (Dsei LSul), entre 2020 e dezembro de 2023, foram registrados 28 casos de suicídio entre indígenas Guarani. Outros quatro foram computados entre janeiro e julho de 2024, três no Paraná e um no Rio de Janeiro.
Os números referem-se à área de abrangência do Dsei, que inclui os estados do Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, e dizem respeito exclusivamente aos Mbya e Avá-Guarani. Os dados epidemiológicos apontam para um quadro preocupante de adoecimento psicossocial da população indígena.
Para combater esse quadro, os Avá-Guarani têm buscado fortalecer o que chamam de “autoperdão”. “Os que moram em uma comunidade indígena estão sempre cheios de terra, de poeira, com cheiro de fumaça. Aí, quando a criança ou o jovem vão para a cidade, a sociedade não evita e logo solta comentários como: ‘Ah, esses índios aí, ou estão cheirando fumaça, ou estão sujos’. Essas ofensas magoam. […] A juventude volta para a aldeia e, de certa forma, acredito que, se não houver um autoperdão por terem nascido indígenas, aos poucos vão desenvolvendo uma vergonha de ser quem são”, relata M.
“A sociedade tem transformado o ser indígena em algo bárbaro, algo ruim e muito negativo, que, segundo eles, atrapalha até o desenvolvimento do país. E isso acaba entrando na nossa mente”, lamenta a líder indígena.
Além do campo, disputa sem fim também no Judiciário
Identificada e delimitada pela Funai em 2018, a TI Tekoha Guasu Guavirá chegou a ter o processo demarcatório suspenso e os processos administrativos relacionados à identificação e demarcação de terras indígenas anulados pela Justiça Federal do Paraná, em novembro de 2018, no processo movido pela Faep e, em fevereiro de 2020, como resultado da ação conjunta das prefeituras.
Embora a decisão da suspensão fosse imediata, a anulação dependia de confirmação em segunda instância em ambos os processos. Contudo, a TI teve seus estudos anulados durante a gestão de Marcelo Xavier na Funai, no governo Bolsonaro, apesar de recomendações do Ministério Público Federal (MPF) para revalidação do documento, sob pena de responsabilização. Apenas em 2023, no governo Lula, com a indígena Joenia Wapichana presidindo a órgão, os estudos foram revalidados.
Em janeiro de 2024, o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspendeu todas as ações judiciais possessórias relacionadas à demarcação da TI Tekoha Guasu Guavira e revogou decisões que impediam a Funai de avançar no processo, por terem sido tomadas sem direito ao contraditório e à ampla defesa das comunidades indígenas.
O ministro também acionou a Comissão Nacional de Soluções Fundiárias do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para mediar a questão, ressaltando que a solução exige equilíbrio entre “a garantia das terras essenciais à cultura e ao bem-estar dos povos indígenas e o direito à indenização justa para proprietários de boa-fé com títulos anteriores à Constituição”.
Para a CGY, o Estado Brasileiro insiste em negociar os direitos indígenas enquanto ignora as necessidades vitais desses povos. “Para os Avá-Guarani, a falta de segurança territorial e o abandono em áreas sem infraestrutura básica perpetuam o ciclo de vulnerabilidade e etnocídio. Enquanto o Judiciário tenta conciliar, o cotidiano dessas comunidades segue marcado pela violência, ausência de água potável, saneamento e saúde”, afirmou em nota o jurídico da organização.
O CNJ informou que acompanha os fatos envolvendo a comunidade indígena e atua na busca de soluções pacíficas por meio da mediação. Em visitas técnicas realizadas em março e agosto, o órgão implementou ações para: a elaboração de diagnóstico socioterritorial das famílias indígenas, que deve ser conduzido por profissionais da Funai e dos municípios de Terra Roxa e Guaíra; congelamento de ocupações para evitar novas entradas, vendas ou locações de lotes e barracas, resguardando direitos de terceiros de boa-fé; e encaminhamento das questões fundiárias ao Comitê de Conflitos Fundiários do Tribunal Regional Federal (TRF-4).
O tribunal, responsável pela Justiça Federal nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, informou que, em conformidade com a decisão do STF, a desembargadora federal Gisele Lemke, relatora do caso, determinou em 3 de julho deste ano a suspensão por seis meses da tramitação da apelação sobre a anulação dos estudos e delimitação da TI Tekoha Guasu Guavirá. A medida visa possibilitar um consenso entre as partes no âmbito da comissão do CNJ.
As prefeituras de Guaíra e Terra Roxa não responderam os questionamentos sobre o processo e, tão pouco, sobre a decisão do STF. A prefeitura de Guaíra também não respondeu sobre o requerimento feito à Funai e o que a levou a pôr sob suspeita o registro de indígenas da região.
A tentativa de conciliação ocorre no âmbito da Ação Cível Originária (ACO) 3.555, ajuizada em 2021 pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento aponta um longo histórico de violências sofridas pelos Avá-Guarani do oeste do Paraná, desde a perda de terras até agressões durante a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu na década de 1970 – fato que a empresa reconheceu pela primeira vez, em junho de 2023.
Relatos na ação descrevem assassinatos e ocultação de corpos nas Cataratas do Iguaçu, enquanto aldeias foram submersas pelo reservatório da usina. Além de destruir espaços sagrados, casas e cemitérios, a instalação fragmentou famílias e redes comunitárias. Dentre os pedidos na ACO 3.555, destaca-se a responsabilização da União, Funai, Incra, do estado do Paraná e da Itaipu Binacional pelas violações históricas e atuais, além da devolução das terras não alagadas.
O relator da Ação é o Ministro Dias Toffoli que, desde maio de 2022, tem nas mãos um pedido liminar formulado pelas Comunidades Indígenas Avá-Guarani para regularização fundiária de seus territórios por meio da aquisição de imóveis por Itaipu Binacional, o que, na visão da CGY seria a mais importante medida emergencial para a pacificação social na região.
“A ACO 3.555 é mais do que uma ação judicial; ela é um marco na luta histórica por justiça de transição. Trata-se de reparar os danos materiais e morais causados pelos alagamentos e expulsões que devastaram as terras Avá-Guarani durante a construção da Usina de Itaipu, garantindo que a memória dessas violações não se perca e que a verdade impulsione um futuro mais justo”, disse o jurídico da CGY.
Embora a Funai tenha afirmado à Pública que tem intensificado seus esforços para monitorar e mediar os conflitos violentos que afetam as comunidades indígenas até os tempos atuais, lideranças indígenas continuam sendo perseguidas e atacadas por defender o território em que vivem. Muitas vítimas de ataques carregam os fragmentos dessa violência no corpo.
Em um dos ataques, M. foi atingida com uma bala de chumbo no peito, ainda alojada no corpo. A lembrança da espingarda apontada em sua direção, enquanto ouvia gritos de “sua índia falsa”, ainda ecoa em sua cabeça. “Pedi à equipe do programa de defensores que encontre uma forma de remover esse chumbo do nosso corpo. Não precisamos carregar essa bala, além do peso desse sentimento. Não é justo que, toda vez que nos olhamos no espelho, sejamos lembrados de que ainda carregamos isso em nós, do dia que tentaram nos matar”, desabafa.
“Não é só o chumbo que eles deixam no nosso corpo. Eu tive pesadelos. Noites e noites sonhando que atiravam em mim. Que tiravam a minha filha dos meus braços. Toda vez que saio, não fico tranquila”, completa a líder indígena.
Os relatos dos Avá-Guarani é que durante os episódios também são utilizadas contra os indígenas armas de fogo, motosserra, bombas caseiras e machadinhas, bem como incêndios criminosos e ataques com agrotóxicos.
O cacique Bernardo Avá-Guarani também foi vítima em um dos ataques, quando foi atingido na cabeça por uma pedra. Apesar dos ferimentos, não vê outra alternativa senão resistir. “Isso não significa que não queremos viver. Eu clamo por justiça, por segurança. Por favor, nos protejam”, apela, sem abrir mão: “Podem nos sitiar, matar nossos bichos e lavouras, mas a gente vai continuar aqui”.
Após ataques, reação estatal para conflito segue distante de solução
A Justiça Federal do Paraná determinou a ampliação imediata das forças de segurança na região de Guaíra e Terra Roxa, em resposta à escalada de ataques violentos contra a comunidade indígena Yvy Okaju. A decisão, motivada por denúncias do Ministério Público Federal e da Defensoria Pública da União, apontou a insuficiência das medidas adotadas até então para proteger os indígenas, que enfrentaram disparos de armas de fogo, incêndios de abrigos e ferimentos graves.
Entre as providências determinadas, destacam-se o envio permanente de efetivos da Polícia Federal, Força Nacional e Polícia Militar, a elaboração de um plano de segurança integrado e a consulta obrigatória às lideranças indígenas para definir ações preventivas. A Justiça ressaltou que a violência crescente, agravada por conflitos fundiários, coloca em risco não apenas a vida, mas também os direitos constitucionais e a integridade cultural dos povos indígenas.
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) disse que, ainda no domingo (29), reforçou a solicitação de aumento do efetivo da Força Nacional e que, em dezembro de 2024, foi realizada agenda interministerial junto aos Avá-Guarani, no âmbito da Sala de Situação para Acompanhamento de Conflitos Fundiários Indígenas, para coletar informações sobre as condições de vida das comunidades indígenas da TI.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) comunicou que determinou um aumento de 50% no efetivo da Força Nacional, que está totalmente operacional desde o sábado (4), para reforçar o patrulhamento e proteger a comunidade. “A situação permanece sob vigilância contínua, com esforços integrados para garantir a segurança e evitar novos episódios de violência”, disse em nota. As investigações estão a cargo da Polícia Federal.
02 janeiro, 2025
31 dezembro, 2024
Feliz Ano Novo de Paz para o Mundo Inteiro!
Que no ano de 2025, reavivamos a história, reafirmando o compromisso com o seguimento de Jesus Cristo, comprometendo-nos com o anúncio profético do evangelho que é boa notícia para a humanidade, principalmente para os pobres e oprimidos e que nos acolhemos uns aos outros, para a festa inspirada pela vivência do ano jubilar. Sentir a presença de jesus que se alegra pela união das pessoas; que se alegra pela união das famílias; que se alegra pela união das comunidades; que se alegra pela união das nações, e vivermos e celebrarmos o ano jubilar de paz em tempos onde há guerras e conflitos, más, é também tempo de esperançar na pessoa do Filho de Deus, Jesus, que “andou por toda parte, fazendo o bem” (Atos 10,38). A paz é um bem que é promovida com o bem; com o diálogo e a mediação para resolver conflitos, abandonando atitudes e ações violentas e respeitando a diversidade dos modos de pensar e agir.
Feliz Ano Novo!
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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)
31 de dezembro
Rezemos juntos,
31 de dezembro é o 365.º dia do ano no calendário gregoriano (366.º em anos bissextos). Faltam 0 dias para acabar o ano.
No Menino Jesus frágil deitado numa manjedoura de uma gruta de Belém, Deus desce à nossa história e abraça a fragilidade humana e nos dá a salvação e a paz. Rezemos juntos para que não sejamos irresponsáveis a ponto de colocar nossa esperança de salvação nas ideologias, no dinheiro, na autossuficiência, na força das armas, na embriaguez dos aplausos. A verdadeira salvação vem de Jesus e da proposta irrecusável que Ele nos trouxe.
24 dezembro, 2024
Natal, Jesus vem para transformar o mundo!
Natal, Jesus vem para transformar o mundo!
Jesus Cristo vem para transformar e liberar o mundo e as pessoas de todos os preconceitos, intolerância e injustiças que estão envolvidos. Ele vem humilde e simples e é as pessoas simples anunciado para que nos tornemos pessoas simples e humildes; esse é o desejo de Deus e o sentido da encarnação de Deus que aconteceu no Natal.
São as pessoas humildes e simples; as pessoas de coração puro que são capazes de olhar ao redor e perceber “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem” (Constituição Gaudium et Spes, 1), e encontrar em Jesus inspiração para transformar suas próprias vidas e ir ao encontro das periferias físicas e existências, que estão repletas de solidão e feridas.
Vençamos o medo e vamos ao encontro de Jesus, como os pastores venceram o medo e foram ao encontro do menino Jesus.
Feliz Natal!
Eu, Lucimar Moreira Bueno
11 dezembro, 2024
As pessoas mais inteligentes costumam ter esses 10 comportamentos. Se você também tem, sua inteligência é acima da média
As pessoas mais inteligentes costumam ter esses 10 comportamentos. Se você também tem, sua inteligência é acima da média
1 - Eles são bagunçados
Um QI elevado, isto é, uma inteligência elevada, correlaciona-se com a ordem, mas de um ponto de vista negativo. As pessoas mais inteligentes costumam ser bagunceiras. De acordo com este estudo da psicóloga Kathleen Vohs, uma mesa bagunçada estimula a criatividade.
2 - Eles sabem como organizar
Pode parecer que o primeiro comportamento e este sejam exclusivos, mas embora sejam desordenados, as pessoas mais inteligentes também sabem se organizar. A razão é que certos aspectos da inteligência são influenciados pela memória de trabalho ou memória operacional, uma capacidade cognitiva que, segundo estudos, está relacionada com certas funções cognitivas complexas, como raciocínio, planejamento ou tomada de decisão.
Pessoas com QI acima da média possuem uma memória de trabalho mais sofisticada que lhes permite ser mais organizados no dia a dia.
3 - Eles têm maior estabilidade emocional e autocontrole
As pessoas mais inteligentes são capazes de regular seus estados emocionais usando apenas as ferramentas que seu cérebro lhes fornece. Eles não precisam de validação externa nem têm medo de ficar sozinhos. Ao regular corretamente suas emoções, suas ações são orientadas para a mudança e o aprendizado.
Isto também se traduz em um maior autocontrole, capacidade que, aliada a um melhor planejamento a longo prazo, nos permite ter a visão para construir um futuro melhor e saber o que é preciso fazer para atingir os nossos objetivos.
Mais uma vez, um estudo publicado na Frontiers in Psychology, que explora o conceito de autoconhecimento, descobriu que havia uma correlação significativa entre inteligência emocional e autoeficácia. Ou seja, aquelas pessoas com mais inteligência tendem a ter maior autoconfiança e autoeficácia.
4 - Eles não são muito sociáveis e gostam da solidão
Ter grande inteligência emocional não significa que tenhamos que ser sociáveis. Existem muitas pessoas introvertidas e com habilidades sociais e pessoas que, apesar das habilidades sociais, preferem ficar sozinhas e desacompanhadas.
Alguém com grande inteligência não teme a solidão e, segundo vários estudos, pessoas com maior inteligência preferem passar mais tempo sozinhas.
5 - Eles são líderes natos
Ter um alto nível de inteligência nos permite fazer uma melhor análise situacional. Além disso, o pesquisador Fred Fiedler desenvolveu o modelo contingencial, segundo o qual a eficácia do líder é determinada pelo estilo de liderança e pelo controle situacional.
Uma pessoa mais inteligente é capaz de fazer as perguntas certas, ouvir as respostas e compreender as necessidades da sua equipe, o que lhe permite ser líderes natos.
6 - Eles sabem como se fazer entender
Seguindo a linha anterior, uma pessoa com mais inteligência pode ser boa em comunicação. Indivíduos inteligentes ouvem e compreendem outros pontos de vista, e por também possuírem elevada inteligência verbal, podem potencialmente ser bons comunicadores, algo que pode ou não ser desenvolvido. Eles têm as ferramentas necessárias para fazer isso.
7 - Eles são persistentes
A persistência é uma competência psicológica que nos ajuda a enfrentar as adversidades e é uma das ferramentas necessárias para alcançar o sucesso e aumentar a nossa autoestima. Poderíamos dizer que é o motor psicológico que nos impulsiona à ação mesmo nos momentos mais complicados.
O psicólogo especializado em inteligência Alfred Binet afirmou que “inteligência é a capacidade de tomar e manter uma determinada direção, adaptar-se a novas situações e ter a capacidade de criticar as próprias ações”.
8 - Eles estão comprometidos com seu aprendizado
Alguém que é mais inteligente que a maioria, busca continuar aprendendo todos os dias e alimenta incansavelmente sua curiosidade, e até parece ter uma inclinação natural para incentivar o aprendizado.
9 - Eles são criativos
Relacionado ao comportamento anterior, descobrimos que pessoas com mais inteligência também são curiosas. O psicólogo Scott Shigeoka afirma que quando nos incentivamos a entender por que as coisas acontecem e como acontecem, como explica em seu livro ‘Seek: How Curiosity Can Transform Your Life and Change the World’, estamos trabalhando em nossa inteligência.
10 - Eles são mentalmente rápidos
Velocidade de processamento é uma capacidade cognitiva que é definida como o tempo que uma pessoa leva para realizar uma tarefa mental, tendo a ver com a velocidade com que uma pessoa capta e reage à informação recebida.
Ou seja, é o tempo que levamos para receber um estímulo, seja ele qual for, e a resposta que emitimos. Esta capacidade está intimamente ligada à capacidade de processar informações, sejam elas verbais, visuais e/ou espaciais, de forma rápida, automática e eficiente.
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Fonte: site minhavida
05 dezembro, 2024
Celebrando os 10 anos de minha sobrinha e afilhada!
Senhor Deus, neste dia em que celebramos o aniversário da Ana Laura, pedimos a ela e a todas as crianças e adolescentes, Sua benção, para que encontrem alegria em todas as circunstâncias da vida.
Guia-as em seus passos, guardando-as de todo mal e conduzindo-as por caminhos de verdade e bondade. Dá-lhes a força para enfrentar desafios e a sabedoria para fazer escolhas sábias, que cresçam na fé e no seguimento dos ensinamentos de Jesus Cristo. Amém.
03 dezembro, 2024
Três curiosidades sobre o Tempo do Advento: manifestação, protagonistas e a coroa do Advento
As curiosidades do Tempo do Advento foram tema do quadro CNBB Confere, publicado nas redes sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O assessor da Comissão Episcopal para a Liturgia, frei Luís Felipe Marques, destacou o significado da palavra Advento, os protagonistas desse tempo e os símbolos presentes na coroa.
Manifestação
Frei Felipe recorda a relação que sempre é feita com a palavra Advento, no sentido de espera. Mas destaca que Advento significa epifania, que é uma manifestação.
“Mais do que a espera, nós estamos celebrando a presença do Senhor no meio de nós. E temos uma certeza: a cada liturgia, ‘o Senhor esteja convosco, Ele está no meio de nós’, Ele veio habitar no meio de nós, Ele veio viver no meio de nós. E por isso, no tempo do Advento, a Igreja, com beleza, com profundidade, com silêncio celebra, mais que uma espera, uma presença, a presença do Senhor encarnado que assumiu a nossa vida, que assumiu a nossa carne, que se fez um de nós para que nós possamos cada vez mais estarmos próximos a Deus e celebrarmos a sua presença na nossa vida com os irmãos na Igreja, nas obras de caridade, nas obras de misericórdia e no nosso testemunho cotidiano de vivência do Evangelho”.
3 protagonistas
A Liturgia do Tempo do Advento apresenta três protagonistas interessantes: o profeta Isaías, João Batista e Maria.
– Isaías é o profeta do Antigo Testamento que anuncia a primeira vinda, que vai falar do nascimento do Senhor, que vem como luz dos povos, luz das nações para iluminar aqueles que jazem nas trevas.
– João Batista: até hoje sua palavra ressoa em nossos corações: convertei-vos. E essa conversão é aquela que é necessária para a segunda vinda.
– Maria: a mulher que gera para nós a esperança, que traz pra nós o Cristo, nossa esperança que vive no meio de nós.
Coroa do Advento
Arranjo composto por quatro velas, esse símbolo “vai nos preparando progressivamente para a grande celebração do Natal do Senhor, porque cada vela é acendida em um domingo”.
Os Ramos verdes representam a esperança e a fita vermelha significa “o amor de Deus que nos envolve, que o Cristo nasce para poder morrer, dar a vida por nós, nasce para manifestar o amor de Deus por nós”. As velas, recordam que a luz do Senhor “ilumina a nossa vida, é esperança para nossa história, para a nossa caminhada cristã”.
Fonte: Site da CNBB
29 novembro, 2024
Com a liturgia deste domingo inicia-se o “tempo do Advento” !
Advento, a arte de viver despertos
Com a liturgia deste domingo inicia-se o “tempo do Advento” e um novo “ano litúrgico” (Ano C – centrado no evangelista Lucas).
“Ficai despertos e orai a todo momento...” (Lc 21,36)
Advento, a arte de viver despertos
Padre Adroaldo SJ
“Ficai despertos e orai a todo momento...” (Lc 21,36)
Com a liturgia deste domingo inicia-se o “tempo do Advento” e um novo “ano litúrgico” (Ano C – centrado no evangelista Lucas).
Mais uma vez nos disponibilizamos, através da oração e da celebração litúrgica, a viver mais intensamente o Tempo do Advento e alargar nossas vidas para nele caber o mistério do Natal.
Advento nos revela a presença da eternidade no coração do tempo. O Eterno continua vindo, pelos caminhos mais imprevisíveis, iluminando a dura rotina e a sequência do cotidiano.
Advento é tempo de espera, de preparação e de chegada. Tempo forte carregado de sentido, que nos faz ter acesso àquilo que é mais humano em nós: o sentido da esperança, a travessia, o encontro com o novo..., tempo que nos arranca de nossas rotinas e modos fechados de viver.
Viver o Advento é o grande evento que agita os corações, sacode as inteligências, inquieta as pessoas, move as estruturas... Toda a nossa vida se transforma na história de uma espera e de um encontro surpreendente.
Nós cristãos, nas festas de Advento e Natal, celebramos o Deus que está em nós e conosco; Ele é a presença libertadora de tudo o que nos desumaniza. Celebramos a fé no Deus encarnado e fé na humanidade que nos faz presente a Deus. Celebramos o valor divino do humano e o valor humano do divino. Celebramos que Jesus, o Emanuel, é nosso salvador, nossa referência de vida; Ele veio nos ensinar a ser e viver como Ele.
Caminhamos para o “Senhor que veio, que vem e que virá” à medida que mais nos adentramos ao fundo de nós mesmos e da realidade. Advento convida a deixar-nos “contaminar” pela realidade; e isso nos humaniza.
O Evangelho deste domingo nos chama a estar alertas, a ter o coração livre de vícios, da libertinagem e das preocupações da vida; nos chama a “estar despertos e orando”, porque o Espírito se des-vela em nossa atitude de fé e de esperança viva: ponto de encontro entre as promessas da fé e os sinais dos tempos presentes e vindouros.
A chegada de Deus se identifica com a chegada do “novo ser humano”, da nova humanidade, do novo mundo. Preparar a chegada do ser humano novo, isso é o Advento.
Diante do surgimento de um novo tempo e de um novo mundo requer “estar desperto” e “levantar a cabeça”; e a pessoa “desperta” é, justamente, aquela que vê a novidade em tudo, que tem a cabeça erguida e vislumbra novos horizontes. Ao contrário, quem permanece adormecido, move-se no terreno da rotina, com o coração atrofiado e a mente embotada pelos vícios e preocupações vazias.
Quem permanece adormecido, debate-se entre o passado que se foi e o futuro que nunca chega, escravo da ansiedade que o faz viver fora do presente.
O Advento vem nos dizer que não há outra coisa a fazer senão viver intensamente o momento presente. A plenitude está na consciência do instante presente, onde o “Filho do Homem” se revela.
No presente pleno, tudo tem sabor de novidade, a percepção da própria identidade se amplia sem limites, a consciência da comunhão com tudo e com todos se alarga...
Não é estranho que, ao longo dos Evangelhos, escutemos tantas vezes o chamado insistente: “vigiai”, “estai atentos à sua vinda”, “vivei despertos”. É a primeira atitude daquele que decide viver a vida como Jesus a viveu. Essa é a primeira atitude que devemos fortalecer para seguir seus passos.
E o que significa “viver despertos”?
- “Viver despertos” significa não cair no ceticismo e na indiferença frente à marcha do mundo; não deixar que nosso coração se endureça; não cairmos nas queixas, críticas e condenações; despertar ativamente a esperança.
- “Viver despertos” significa sermos mais lúcidos, sem deixar-nos arrastar pela insensatez que, às vezes, parece invadir tudo; atrever-nos a ser diferentes; não deixar que se apague em nós o desejo de buscar o bem para todos.
- “Viver despertos” significa viver com paixão a pequena aventura de cada dia; não darmos as costas a quem precisa de nós; continuar realizando os “pequenos gestos” que aparentemente não têm grande significado, mas que sustentam a esperança das pessoas e tornam a vida um pouco mais amável.
- “Viver despertos” significa reacender nossa fé, nossa experiência contemplativa, ou seja, buscar Deus na vida e a partir da vida; senti-Lo muito próximo de cada pessoa; descobri-Lo atraindo a todos para a feli-cidade; viver não só de nossos pequenos projetos, mas atentos ao Projeto amoroso de Deus.
- “Viver despertos” significa sair da normose (normalidade doentia) e da ignorância para vir à luz da compreensão. É uma arte e um caminho, e isso significa um deslocamento para uma amplitude maior na maneira de viver.
- A arte de “viver despertos” é ativada na medida em que diminui ou cessa a identificação com o ego, para deixar emergir nosso “eu profundo”, graças ao silêncio e à tomada de distância com respeito aos conteúdos doentios da mente (remorsos, culpas...). Aqui encontra o seu lugar a prática contemplativa, na qual nos mobilizamos para acessar a “outro lugar”, para além da mente, que abre a porta à amplitude da vida.
Advento, portanto, é o momento de escutar o chamado que Jesus dirigido a todos: “levantai-vos”, animai-vos uns aos outros”, “erguei a cabeça” com confiança. Deus é Salvação e já está em nós. Basta despertar-nos e descobri-Lo. Esta descoberta nos descentra de nós mesmos, nos projeta para os outros, para o infinito e nos identifica com tudo e com todos.
O momento do encontro com “Aquele que vem” nos introduz na soleira de um futuro novo e carregado de esperança, aquela esperança que dá sentido às nossas atividades, liberta o coração da preocupação, expulsa toda ansiedade e impulsiona a buscar o Reino.
O fundamento da segurança e da serenidade reside na consciência de estar nas mãos providentes de Deus.
O fiel discípulo de Jesus, descobrindo-se amado e protegido pela ternura providente, se sente sempre a caminho, isto é, pronto a acolher cada fragmento de luz e de vida, que fala da presença e da passagem de Deus. O presente, tecido de partilha, solidariedade, misericórdia, mansidão, reveste o futuro de luz.
A verdadeira segurança cresce no coração e na confiança de sermos protegidos por um Deus que sabe o que precisamos e nos aguarda. É esta a relação fundamental, fecunda e criativa, que possibilita o “êxodo” de nós mesmos e a acolhida do “advento” do Outro e dos outros.
Texto bíblico: Lc. 21,25-28.34-36
Na oração: “Advento”: o Senhor vem... em sua direção! Ou melhor, já chegou! Basta despertar-se para descobri-Lo e descobrir-se n’Ele.
Por isso, o Advento deveria ser um tempo para retornar ao interior em meio à agitação, e olhar para dentro de si mesmo. Aí, no seu interior, há tanto de eterno. A eternidade dialoga com a gente, fala por dentro.
- Tome consciência do momento presente, deste único instante, aqui e agora, carregado de Presença e permaneça nele. Deus é Salvação que se dá a todos em cada instante.
28 novembro, 2024
Pelo padre Roberto Takeshi Kuriyama e demais que nessa semana estão fazendo sua páscoa!
Pelo padre Roberto Takeshi Kuriyama e demais que nessa semana estão fazendo sua páscoa,
dai-lhe, Senhor, o descanso eterno, e que brilhe para elas e eles a Vossa luz. “Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor” (Apocalipse 21:4). Aquelas e Aqueles que amamos nunca partem de dentro de nós.
27 novembro, 2024
19 novembro, 2024
Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra
Feriado nacional 20 de novembro
Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra
A Consciência Negra evidencia na atualidade o que ainda existe, a desigualdade, a violência, o preconceito e o racismo, más é sim dia de celebração, fazer memória para celebrar a data que é fruto da luta do povo negro que levou a morte o grande líder Zumbi dos Palmares.
É sabido da contribuição significativa e sofrida dada pelos afro-brasileiros na construção e na identidade deste país. Seus antepassados foram forçados a virem para o Brasil e sofreram o flagelo da escravidão. As marcas da escravidão ainda existem, porque não foram dadas as essas mulheres e homens nenhuma condições de vida digna. Recordar a história, denunciar essa desumanidade é tomar consciência da dívida para com o povo negro.
Vamos celebrar o feriado nacional Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, com a consciência que há um longo caminho que ainda precisamos percorrer em direção a uma sociedade mais igualitária e inclusiva.
A Lei Nº 14.759, de 21 de dezembro de 2023, declara feriado nacional o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
Segue a lei
Lei Nº 14.759, de 21 de dezembro de 2023
Declara feriado nacional o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Fica declarado feriado nacional o dia 20 de novembro, para a celebração do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 21 de dezembro de 2023; 202º da Independência e 135º da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Silvio Luiz de Almeida
Anielle Francisco da Silva
18 novembro, 2024
Olhamos nos olhos e tocamos as mãos de quem ajudamos?
Olhamos nos olhos e tocamos as mãos de quem ajudamos?
“com nossa proximidade cristã, com a nossa fraternidade cristã”.
“Você toca as mãos das pessoas ou joga a moeda sem tocá-las? Você olha nos olhos a pessoa que ajuda ou desvia o olhar?”.
(Papa Francisco)
14 novembro, 2024
Proclamação da República
Rezemos juntos,
Senhor, muitos valores deixados de lados, não há cuidado para com todas e todos e de tudo, vemos o descuido para com a república, Tu que nos mostrou o caminho da justiça, solidariedade e paz, nos ilumine e nos fortaleça no caminho da construção de um Estado Social de Direito democrático e participativo.
Celebramos nesta sexta-feira (15), a Proclamação da República, ocorrido em 15 de novembro de 1889 na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil. A República foi resultado de um movimento articulado entre exército e civis insatisfeitos com a monarquia, que vigorava no País desde 1822. Liderados pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país, encerrando a monarquia constitucional parlamentarista do Império, instituindo um governo provisório republicano, que se tornaria a Primeira República Brasileira. A família real partiu em exílio para a Europa. É feriado nacional desde 1949, segundo a Lei Federal 662, do presidente Eurico Gaspar Dutra. Em 2002, foi revogada pela Lei n.º 10.607/02, que passou a regular os feriados nacionais. Com a Proclamação da República, marechal Deodoro da Fonseca assumiu como primeiro presidente do Brasil. O país se tornou um Estado laico e o presidencialismo tornou-se o sistema de governo. A organização da república tomou forma quando foi promulgada uma nova Constituição no ano de 1889.
Mensagem do Santo Padre Francisco para o VIII Dia Mundial dos Pobres
MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O VIII DIA MUNDIAL DOS POBRES
XXXIII Domingo do Tempo Comum
17 de novembro de 2024
A oração do pobre eleva-se até Deus (cf. Sir 21, 5)
Caros irmãos e irmãs!
1. A oração do pobre eleva-se até Deus (cf. Sir 21, 5). No ano dedicado à oração, em vista do Jubileu Ordinário de 2025, esta expressão da sabedoria bíblica é ainda mais oportuna a fim de nos preparar para o VIII Dia Mundial dos Pobres, que acontecerá no próximo 17 de novembro. A esperança cristã inclui também a certeza de que a nossa oração chega à presença de Deus; não uma oração qualquer, mas a oração do pobre. Reflitamos sobre esta Palavra e “leiamo-la” nos rostos e nas histórias dos pobres que encontramos no nosso dia-a-dia, para que a oração se torne um modo de comunhão com eles e de partilha do seu sofrimento.
2. O livro de Ben-Sirá, ao qual nos referimos, não é muito conhecido e merece ser descoberto pela riqueza dos temas que aborda, sobretudo quando se refere à relação do homem com Deus e com o mundo. O seu autor, Ben-Sirá, é um mestre, um escriba de Jerusalém que, provavelmente, escreve no século II a.C. Radicado na tradição de Israel, é um homem sábio, que ensina sobre vários domínios da vida humana: desde o trabalho à família, desde a vida em sociedade à educação dos jovens; presta atenção às questões relacionadas com a fé em Deus e a observância da Lei. Aborda os problemas nada fáceis da liberdade, do mal e da justiça divina, que hoje são de grande atualidade também para nós. Inspirado pelo Espírito Santo, Ben-Sirá pretende transmitir a todos o caminho a seguir para uma vida sábia e digna de ser vivida diante de Deus e dos irmãos.
3. Um dos temas a que este autor sagrado dedica mais espaço é a oração, e fá-lo com grande ardor, porque dá voz à sua própria experiência pessoal. Efetivamente, nenhum texto sobre a oração poderia ser eficaz e fecundo se não partisse de quem se encontra diariamente na presença de Deus e escuta a sua Palavra. Ben-Sirá declara que, desde a sua juventude, procurou a sabedoria: «Quando eu era ainda jovem, antes de ter viajado, busquei abertamente a sabedoria na oração» (Sir 51, 13).
4. No seu caminho, descobre uma das realidades fundamentais da revelação, ou seja, o facto de os pobres terem um lugar privilegiado no coração de Deus, a tal ponto que, perante o seu sofrimento, Deus se “impacienta” enquanto não lhes faz justiça: «A oração do humilde penetrará as nuvens, e não se consolará, enquanto ela não chegar até Deus. Ele não se afastará, enquanto o Altíssimo não olhar, não fizer justiça aos justos e restabelecer a equidade. O Senhor não tardará nem terá paciência com os opressores» (Sir 35, 17-19). Deus, porque é um Pai atento e carinhoso para com todos, conhece os sofrimentos dos seus filhos. Como Pai, preocupa-se com aqueles que mais precisam dele: os pobres, os marginalizados, os que sofrem, os esquecidos... Ninguém está excluído do seu coração, uma vez que, diante d’Ele, todos somos pobres e necessitados. Somos todos mendigos, pois sem Deus não seríamos nada. Nem sequer teríamos vida se Deus não no-la tivesse dado. E, no entanto, quantas vezes vivemos como se fôssemos os donos da vida ou como se tivéssemos de a conquistar! A mentalidade mundana pede que sejamos alguém, que nos tornemos famosos independentemente de tudo e de todos, quebrando as regras sociais para alcançar a riqueza. Que triste ilusão! A felicidade não se adquire espezinhando os direitos e a dignidade dos outros.
A violência causada pelas guerras mostra claramente quanta arrogância move aqueles que se consideram poderosos aos olhos dos homens, enquanto aos olhos de Deus são miseráveis. Quantos novos pobres produz esta má política das armas, quantas vítimas inocentes! Contudo, não podemos recuar. Os discípulos do Senhor sabem que cada um destes “pequeninos” traz gravado em si o rosto do Filho de Deus, e que a nossa solidariedade e o sinal da caridade cristã devem chegar até eles. «Cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 187).
5. Neste ano dedicado à oração, precisamos de fazer nossa a oração dos pobres e rezar com eles. É um desafio que temos de aceitar e uma ação pastoral que precisa de ser alimentada. Com efeito, «a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé; tem necessidade de Deus e não podemos deixar de lhe oferecer a sua amizade, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé. A opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, numa solicitude religiosa privilegiada e prioritária» (ibid., 200).
Tudo isto requer um coração humilde, que tenha a coragem de se tornar mendigo. Um coração pronto a reconhecer-se pobre e necessitado. Existe, efetivamente, uma correspondência entre pobreza, humildade e confiança. O verdadeiro pobre é o humilde, como afirmava o santo bispo Agostinho: «O pobre não tem de que se orgulhar, o rico tem o orgulho para combater. Portanto, escuta-me: sê um verdadeiro pobre, sê virtuoso, sê humilde» (Discursos, 14, 4). O homem humilde não tem nada de que se vangloriar nem nada a reclamar, sabe que não pode contar consigo próprio, mas acredita firmemente que pode recorrer ao amor misericordioso de Deus, diante do qual se encontra como o filho pródigo que regressa a casa arrependido para receber o abraço do pai (cf. Lc 15, 11-24). O pobre, sem nada em que se apoiar, recebe a força de Deus e coloca n’Ele toda a sua confiança. Com efeito, a humildade gera a confiança de que Deus nunca nos abandonará e não nos deixará sem resposta.
6. Aos pobres que habitam as nossas cidades e fazem parte das nossas comunidades, recomendo que não percam esta certeza: Deus está atento a cada um de vós e está perto de vós. Ele não se esquece de vós, nem nunca o poderia fazer. Todos nós fazemos orações que parecem não ter resposta. Por vezes, pedimos para sermos libertados de uma miséria que nos faz sofrer e nos humilha, e Deus parece não ouvir a nossa invocação. Mas o silêncio de Deus não significa distração face ao nosso sofrimento; pelo contrário, contém uma palavra que pede para ser acolhida com confiança, abandonando-nos a Ele e à sua vontade. É ainda Ben-Sirá que o testemunha: “O juízo de Deus será em favor dos pobres” (cf. 21, 5). Da pobreza, portanto, pode brotar o canto da mais genuína esperança. Lembremo-nos de que «quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. […] Esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 2).
7. O Dia Mundial dos Pobres tornou-se um compromisso na agenda de cada comunidade eclesial. É uma oportunidade pastoral que não deve ser subestimada, porque desafia cada fiel a escutar a oração dos pobres, tomando consciência da sua presença e das suas necessidades. É uma ocasião propícia para realizar iniciativas que ajudem concretamente os pobres, e também para reconhecer e apoiar os numerosos voluntários que se dedicam com paixão aos mais necessitados. Devemos agradecer ao Senhor pelas pessoas que se disponibilizam para escutar e apoiar os mais pobres: sacerdotes, pessoas consagradas e leigos que, com o seu testemunho, são a voz da resposta de Deus às orações daqueles que a Ele recorrem. Portanto, o silêncio quebra-se sempre que se acolhe e abraça um irmão necessitado. Os pobres têm ainda muito para ensinar, porque numa cultura que colocou a riqueza em primeiro lugar e que sacrifica muitas vezes a dignidade das pessoas no altar dos bens materiais, eles remam contra a corrente, tornando claro que o essencial da vida é outra coisa.
A oração, por conseguinte, encontra o certificado da sua autenticidade na caridade que se transforma em encontro e proximidade. Se a oração não se traduz em ações concretas, é vã; efetivamente, «a fé sem obras está morta» (Tg 2, 26). Contudo, a caridade sem oração corre o risco de se tornar uma filantropia que rapidamente se esgota. «Sem a oração quotidiana, vivida com fidelidade, o nosso fazer esvazia-se, perde a alma profunda, reduz-se a um simples ativismo» (BENTO XVI, Catequese, 25 de abril de 2012). Devemos evitar esta tentação e estar sempre vigilantes com a força e a perseverança que nos vem do Espírito Santo, que é dador de vida.
8. Neste contexto, é bom recordar o testemunho que nos deixou Madre Teresa de Calcutá, uma mulher que deu a vida pelos pobres. Esta santa repetia continuamente que a oração era o lugar donde tirava força e fé para a sua missão de serviço aos últimos. Quando falou na Assembleia Geral da ONU, a 26 de outubro de 1985, mostrando a todos as contas do terço que trazia sempre na mão, disse: «Sou apenas uma pobre freira que reza. Ao rezar, Jesus põe o seu amor no meu coração e eu vou dá-lo a todos os pobres que encontro no meu caminho. Rezai vós também! Rezai, e sereis capazes de ver os pobres que tendes ao vosso lado. Talvez no mesmo andar da vossa casa. Talvez até nas vossas próprias casas há quem espera pelo vosso amor. Rezai, e abrir-se-ão os vossos olhos e encher-se-á de amor o vosso coração».
E como não recordar aqui, na cidade de Roma, São Bento José Labre (1748-1783), cujo corpo jaz e é venerado na igreja paroquial de Santa Maria ai Monti. Peregrino desde França até Roma, rejeitado em muitos mosteiros, viveu os seus últimos anos pobre entre os pobres, passando horas e horas em oração diante do Santíssimo Sacramento, com o terço, recitando o breviário, lendo o Novo Testamento e a Imitação de Cristo. Não tendo sequer um pequeno quarto para se alojar, dormia habitualmente num canto das ruínas do Coliseu, como “vagabundo de Deus”, fazendo da sua existência uma oração incessante que subia até Ele.
9. No caminho para o Ano Santo, exorto todos a fazerem-se peregrinos da esperança, dando sinais concretos de um futuro melhor. Não nos esqueçamos de guardar «os pequenos detalhes do amor» (Exort. ap. Gaudete et Exsultate, 145): parar, aproximar-se, dar um pouco de atenção, um sorriso, uma carícia, uma palavra de conforto... Estes gestos não podem ser improvisados; antes, exigem uma fidelidade quotidiana, muitas vezes escondida e silenciosa, mas fortalecida pela oração. Neste momento, em que o canto da esperança parece dar lugar ao ruído das armas, ao grito de tantos inocentes feridos e ao silêncio das inúmeras vítimas das guerras, dirijamos a Deus a nossa invocação de paz. Somos pobres de paz e, para a acolher como um dom precioso, estendemos as mãos, ao mesmo tempo que nos esforçamos por costurá-la no dia-a-dia.
10. Em todas as circunstâncias, somos chamados a ser amigos dos pobres, seguindo os passos de Jesus, que foi o primeiro a solidarizar-se com os últimos. Que a Santa Mãe de Deus, Maria Santíssima, nos sustente neste caminho; ela que, aparecendo em Banneux, nos deixou uma mensagem a não esquecer: «Eu sou a Virgem dos pobres». A ela, a quem Deus olhou pela sua humilde pobreza e em quem realizou grandes coisas com a sua obediência, confiemos a nossa oração, convictos de que subirá até ao céu e será ouvida.
Roma – São João de Latrão, na Memória de Santo António, Patrono dos pobres, 13 de junho de 2024.
FRANCISCO
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