22 novembro, 2017

Águas residuais, a água suja que mata milhões de crianças


No decorrer do ano, existem muitos "dias" ecológicos (da terra, do meio ambiente, da água, dos oceanos, etc.). E passa quase despercebido o Dia mundial dos banheiros, que costuma acontecer todo ano no dia 19 de novembro, organizado pela ONU. Este ano o tema é Wastewater, ou seja, as águas com que são eliminados os excrementos.

A reportagem é de Giorgio Nebbia, publicada por Il Manifesto, 18-11-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Nos países industrializados existem operações e hábitos tão "naturais" que, nem mesmo se pensa a respeito; todos os dias é normal e indispensável livrar se do "supérfluo peso na barriga" (como o chama Boccaccio); cada pessoa, seja rica e poderosa ou pobre e desvalida, anualmente elimina cerca de 1.000 quilos, uma tonelada, de urina e fezes.

Se uma pessoa dispõe de um banheiro com água corrente, para a eliminação desses resíduos anualmente "consome" de 10 a 20 mil litros de água, que é assim sujada e contaminada; um rio cheio de matéria orgânica, bactérias, vírus, resíduos de medicamentos e outras substâncias ingeridas durante o dia.

Se os sanitários estão ligados com um sistema de esgoto e algum depurador, uma parte dos resíduos orgânicos é tratada ou processada; caso contrário, as águas sujasacabam nos rios ou no mar, e são fontes de poluição microbiológica e de propagação de vírus.

O banheiro composto por um vaso sanitário e uma caixa de água, uma tecnologia aperfeiçoada durante o século XX é agora considerado totalmente normal nos países desenvolvidos: em muitos países exige-se que os banheiros estejam presentes, além das moradias individuais, nas escolas, escritórios, prisões, hospitais e fábricas; para muitos trabalhadores são projetados e disponibilizados banheiros móveis.

Pois bem, agora vamos parar e lembrar que essa situação é um privilégio de poucos no mundo, porque quatro bilhões de pessoas como você e eu, com as mesmas necessidades fisiológicas, vivem em habitações desprovidas de instalações sanitárias com água corrente e um bilhão - você leu corretamente – defecam e realizam as próprias necessidades ao ar livre.

Seus excrementos acabam no solo, contaminam as águas superficiais com as quais entram em contato os outros habitantes da área, sendo veículos de doenças, epidemias e morte. As mais afetadas são as crianças que brincam na terra, em corpos de água contaminada, tanto que no mundo mais de 300 milhões de crianças morrem anualmente por doenças associadas à falta de saneamento básico, um massacre de inocentes.

Superar essa situação é considerado uma das prioridades sanitárias pela Organização das Nações Unidas que organiza iniciativas para difundir em todos os países a disponibilidade de banheiros e instalações sanitárias que garantam aos mais pobres segurança higiênica e dignidade, para um delicado e privado indispensável ato da vida cotidiana.

Para chamar a atenção das autoridades sanitárias e da opinião pública sobre esse grave problema, todos os anos realiza-se o "Dia mundial dos banheiros", proposto pela Organização das Nações Unidas, em colaboração com a associação internacional World Toilet Organization.

As iniciativas para garantir serviços higiênicos para os países pobres não são motivadas apenas por considerações éticas ou pelo amor ao próximo; a disseminação de instalações higiênicas para aqueles que não as têm, representa um enorme potencial de negócio industrial e financeiro.

De fato, juntamente com as conferências anuais da World Toilet Organization - a próxima será realizada no final de novembro, em Melbourne, Austrália - acontece uma grande feira de sanitários e sistemas de esgoto em que centenas de empresas apresentam suas propostas de sistemas de saneamento, preferencialmente a baixo custo e eficientes, para exportação para os países pobres.

O "mercado" não tem limites: em países como o Sudão do Sul, Madagascar, Congo e Gana, mais de 80% da população não têm banheiros. A situação não é melhor mesmo nas habitações das megalópoles de muitos países emergentes, em que a rapidez do crescimento urbano não está mantendo o ritmo com o dever de assegurar instalações sanitárias adequadas para serviços sanitários, esgotos e estações de tratamento.

A falta disso tudo, "custa" inclusive em termos de dinheiro, quando se consideram as despesas com que a comunidade deve arcar, a fim de tratar doenças causadas pelo contato com a água suja nas casas e nas comunidades. Foi calculado - há sempre economistas prontos para traduzir em dinheiro até mesmo a dor humana - que para cada euro gasto para melhorar os serviços higiênicos, um país vai economizar 4, devido a gastos menores em assistência sanitária.

As Nações Unidas estabeleceram o objetivo de garantir o saneamento básico para todos em 2030 e faltam apenas 13 anos. É claro, portanto, que as autoridades sanitárias de vários países irão pedir para aqueles que os produzem, equipamentos de higiene, contando inclusive com financiamentos internacionais.

É uma nova corrida para inventar, aperfeiçoar e fabricar ferramentas para melhorar as condições de higiene do mundo, especialmente nos países mais pobres: oportunidades para negócios e atividades industriais para um 'mercado', que envolve centenas de milhões de pessoas.

Nas universidades pode parecer ridículo trabalhar em problemas tão "vulgares" como a concepção de "sanitários para aldeias" e técnicas de tratamento de esgoto, embora sua solução muitas vezes requeira competências técnicas e científicas avançadas.

Na Itália apenas associações de voluntários e famílias missionárias trabalham em países atrasados, com recursos limitados e no meio do desinteresse geral da política e até mesmo das empresas. Na concepção e construção de instalações sanitárias e sistemas de saneamento para países atrasados trabalham intensamente apenas os países de nova industrialização, como a China e a Índia; em Singapura e na Índia existem Toilet Colleges para a pesquisa técnica e científica e para a educação e informação.

No entanto, essas tecnologias humildes e consideradas "pobres", poderiam dar vida inclusive na Europa para novas empresas e novos empregos, com perspectivas de uma enorme demanda futura: uma engenharia do respeito pelo próximo e pelo meio ambiente.


Fonte: IHU

21 novembro, 2017

1ª Feira de Ciências Júnior da PUCPR Câmpus Maringá acontece nos dias 21 e 22 de novembro

Evento reunirá 19 trabalhos, de oito escolas diferentes

Mostrar de que forma a ciência pode contribuir para um mundo mais humano e sustentável. Este é o tema da 1ª Feira de Ciências Júnior da PUCPR Câmpus Maringá. O evento, realizado nos dias 21 e 22 de novembro, contará com a apresentação dos projetos de jovens cientistas de oito escolas da cidade sobre temas que envolvam meio ambiente, educação, direitos humanos, diversidade cultural, entre outros. No total, serão 58 estudantes envolvidos na iniciativa.

O encontro, gratuito e aberto à comunidade, tem início no dia 21 de novembro às 09h, com a cerimônia de abertura. Em seguida será realizada uma palestra com a professora Cleybe Hiole Vieira, coordenadora do PIBIC da Universidade. Às 10h30 começa a exposição dos trabalhos e projetos da Feira de Ciências Júnior. Na parte da noite, às 19h, será a mesa-redonda sobre “A Cidade e a Juventude”, com Josivaldo Souza Reis, do Sistema de Assistência à Saúde (SAS), e um representante da União Maringaense Dos E Das Estudantes Secundaristas (UMES).

Já no segundo dia, às 14h, será realizada a mesa-redonda “Desafios na Pesquisa na Educação Básica”, com Claudia Bellanda Pegini, Marco Alexandre de Souza Serra e Fábio Inácio Pereira, professores da PUCPR. Junto à cerimônia de encerramento, será feita a premiação dos melhores projetos, divididos em três categorias: Ensino Médio e Técnico 1º ano, Ensino Médio e Técnico, Ensino Fundamental II. Na ocasião, os estudantes ganharão troféus, medalhas e certificados, além de 15 bolsas de Iniciação Científica, 5 do CNPQ e 10 da PUCPR.

Desafios no mundo urbano: Primeira favela brasileira surgiu há 120 anos

Em 1897, aproximadamente 10 mil soldados voltaram da Guerra de Canudos e se instalaram no atual Morro da Providência, no Rio. O local, que já era habitado por ex-escravos, se transformou na primeira favela brasileira



Há exatos 120 anos surgia a primeira favela brasileira, que ainda não era chamada desta forma. O pequeno assentamento, formado inicialmente por ex-escravos, ganhou a partir de 1897 uma grande quantidade de novos moradores, criando uma verdadeira comunidade. Localizada no atual Morro da Providência, no Rio de Janeiro, a ocupação inicialmente se restringia a algumas dezenas de casebres, que ao longo do ano receberam mais de 10 mil novos vizinhos, em especial ex-soldados que retornavam da Guerra de Canudos. Os primeiros moradores do assentamento no eram habitantes do antigo cortiço “Cabeça de Porco”, que havia sido demolido tempos antes.

Ainda sem nome, a área ocupada logo ganhou um apelido dos ex-combatentes. O conglomerado de pequenas casas passou a ser chamado de Favela, numa referência ao nome do morro onde os soldados haviam montado acampamento durante a guerra. Favela é o nome popular da Cnidoscolus quercifolius, uma planta endêmica da região nordeste brasileira. Se no passado a palavra era um nome próprio, atualmente se transformou numa termologia para se referir a um assentamento urbano informal.

A justificativa para a ocupação há 120 anos é a mesma dos dias atuais, a falta de moradias. Os ex-soldados tinham a promessa que ao retornarem da batalha receberiam o soldo, mas o valor nunca foi pago. Sem dinheiro e local para morarem, eles invadiram um trecho do morro, onde ficava uma chácara abandonada. Naquele momento, nascia a primeira favela brasileira. Com os anos, outros assentamentos também passaram a serem chamados de favelas, numa referência a ocupação do Morro da Providência.

As primeiras casas foram erguidas no sopé do morro, seguindo o estilo das construções de Canudos. De alvenaria com paredes caiadas e telhados de madeira, as residências foram engolidas pelo emprego dos próprios moradores. A maioria dos habitantes da comunidade da Favela trabalhavam numa pedreira no morro, que consumiu, literalmente, o terreno onde viviam. A mina funcionou até 1968, quando ocorreu um desabamento que soterrou e matou 36 pessoas.

Reintegração de posse

Em novembro de 1904, a prefeitura do Rio de Janeiro decidiu desocupar o morro da Favela, que estava numa área invadida. O problema é que no mesmo período ocorreu a Revolta da Vacina e devido ao caos generalizado na cidade, a reintegração de posse foi suspensa. Focada em combater os distúrbios pelas ruas cariocas, a prefeitura pôs a desocupação da área em segundo plano. Outra preocupação da então administração pública era o fato de que muitos habitantes daquela comunidade haviam participado da Revolta e considerassem a reintegração como uma “punição” pelo ato.

Foto: Reprodução Do A C Historico 

Fonte www.geledes.org.br/
CEBs do Brasil

"Não busquemos o supérfluo para nós, mas o bem para os outros"

“Hoje podemos perguntar-nos: ‘Para mim, o que conta na vida? Onde invisto?’ Na riqueza que passa, da qual o mundo nunca se sacia, ou na riqueza de Deus, que dá a vida eterna? Diante de nós, está esta escolha: viver para ter na terra ou dar para ganhar o Céu. Com efeito, para o Céu, não vale o que se tem, mas o que se dá, e ‘quem amontoa para si não é rico em relação a Deus’. Então não busquemos o supérfluo para nós, mas o bem para os outros, e nada de precioso nos faltará”.

Papa Francisco

20 novembro, 2017

Dia Nacional da Consciência Negra


Bolsonaro - Acorda Brasil!


Jair Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos para divulgar sua candidatura a presidente. Em segundo lugar nas pesquisas, o deputado tenta suavizar o discurso para parecer menos radical. É um bom momento para ouvir o que ele dizia antes de sonhar com o Planalto.

O comentário é de Bernardo Mello Franco, jornalista, publicado por Folha de S. Paulo, 10-10-2017.

Em 1999, o capitão reformado expôs suas ideias no programa "Câmera Aberta", na Bandeirantes. Em 35 minutos, ele defendeu a ditadura e a tortura, pregou o fechamento do Congresso e disse que o Brasil precisava de uma guerra civil, mesmo que isso provocasse a morte de inocentes.

A entrevista mostra um Bolsonaro sem retoques. À vontade, ele se gaba de sonegar impostos e estimula os telespectadores a fazerem o mesmo. "Conselho meu e eu faço. Eu sonego tudo que for possível", afirma. Depois, diz que a democracia é uma "porcaria" e conta o que faria se chegasse ao poder: "Daria golpe no mesmo dia. Não funciona".

O deputado afirma que Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, merecia ser torturado em pleno Senado. "Dá porrada no Chico Lopes. Eu até sou favorável a CPI, no caso do Chico Lopes, tivesse pau de arara lá. Ele merecia isso: pau de arara. Funciona. Eu sou favorável à tortura."

Mais adiante, Bolsonaro defende o fuzilamento do presidente Fernando Henrique e revela desprezo pelas eleições diretas: "Através do voto, você não vai mudar nada neste país. Nada, absolutamente nada. Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC".

O apresentador Jair Marchesini ainda ensaia conter o deputado. Ele insiste: "Matando. Se vai [sic] morrer alguns inocentes, tudo bem. Tudo quanto é guerra, morre inocente".

Bolsonaro não era um jovem desavisado ao dar essas declarações, que podem ser vistas no YouTube. Tinha 44 anos e exercia o terceiro mandato de deputado — hoje está no sétimo. Era filiado ao PPB (atual PP), o partido de Paulo Maluf.

Acorda Brasil!


17 novembro, 2017

É...o tempo passa! Hoje é o dia da Criatividade

É...o tempo passa! 

Hoje é o dia da Criatividade

17 de novembro é o 321.º dia do ano no calendário gregoriano (322.º em anos bissextos). Faltam 44 para acabar o ano.

A criatividade é uma capacidade humana de grande valor, de forma criativa construir e reconstruir, transformando a nossa realidade.

A criatividade representa-se de múltiplas maneiras.

Segundo Gardner (1999), cada indivíduo também apresenta o seu perfil criativo distinto, daí a dificuldade de definição do termo. 

Existem várias definições diferentes para criatividade. 

Para Ghiselin (1952), "é o processo de mudança, de desenvolvimento, de evolução na organização da vida subjetiva". 

Segundo Flieger (1978), "manipulamos símbolos ou objetos externos para produzir um evento incomum para nós ou para nosso meio". 

Outras definições:

- "o termo pensamento criativo tem duas características fundamentais, a saber: é autônomo e é dirigido para a produção de uma nova forma" (Suchman, 1981)

- "criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceito como útil, e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo" (Stein, 1974)

- "criatividade representa a emergência de algo único e original" (Anderson, 1965)

- "criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no conhecimento, desarmonia; identificar a dificuldade, buscar soluções, formulando hipóteses a respeito das deficiências; testar e retestar estas hipóteses; e, finalmente, comunicar os resultados" (Torrance, 1965)

- "um produto ou resposta serão julgados como criativos na extensão em que a) são novos e apropriados, úteis ou de valor para uma tarefa e b) a tarefa é heurística e não algorística" (Amabile, 1983)

Todo ser humano possui criatividade em diferentes habilidades. Acredita-se que a habilidade criativa das pessoas esteja de certa forma ligadas a seus talentos.

16 novembro, 2017

Oração

"Senhor, dai-me esta água a beber, a água da vossa sabedoria, que brota do vosso divino Coração. Tenho sede dela, desejo-a, peço-a. Dai-me esta sabedoria, quero preparar-me para ela, tanto quanto está em mim, pela pureza do coração e pela vigilância. Quero evitar o pecado venial e a tibieza, que vos afastam do meu coração. Perdoai-me o passado, ajudai-me no futuro. Amém" (Leão Dehon, OSP 3, p. 552).

Fonte: Dehonianos

14 novembro, 2017

Proclamação da República!


Proclamação da República!  

Rezemos pelo Brasil. Rezemos por todas as nações.

A Proclamação da República Brasileira foi um levante político-militar ocorrido em 15 de novembro de 1889 que instaurou a forma republicana federativa presidencialista do governo no Brasil, pondo fim a monarquia constitucional parlamentarista do Império do Brasil, fim da soberania do imperador D. Pedro II e proclamada a República do Brasil.

Após 67 anos, a monarquia chegava ao fim. No dia 18 de novembro, D.Pedro II e a família imperial partiam rumo à Europa. Tinha início a República Brasileira com o Marechal Deodoro da Fonseca assumindo provisoriamente o posto de presidente do Brasil. A partir de então, o pais seria governado por um presidente escolhido pelo povo através das eleições.

Jornada Mundial dos Pobres


13 novembro, 2017

Uma linda e abençoada semana a todas e a todos!

"Compreender o evangelho é vivê-lo de novo, reinventá- lo a cada situação que surge, recebê-lo como resposta a uma interrogação da vida no presente."
José Comblin

"Papa Francisco vai aos ‘índios’, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó),"

Será a primeira vez na história da Igreja Católica, em seus 2 mil anos, que um Papa sairá do Vaticano para encontrar-se exclusivamente com indígenas. O gesto fala por si mesmo, ainda mais agora que Francisco acaba de convocar um Sínodo exclusivo para os bispos da Amazônia, em Roma, em Outubro de 2019.


Artigo de Roberto Malvezzi (Gogó) publicado por EcoDebate em 13/11/2017.

 Dia 18 de janeiro de 2018 o Papa Francisco irá a Puerto Maldonado, Peru, encontrar-se exclusivamente com povos originários da Amazônia. Tudo indica que sequer haverá reuniões particulares com autoridades, sejam elas políticas ou mesmo eclesiásticas.

Essa ida a Amazônia para encontrar-se com “indígenas” já estava programada para quando ele viesse aos 300 anos de Aparecida. O golpe modificou a vinda do Papa. Embora as razões oficiais alegadas sejam outras, quem entende um pouco da linguagem diplomática do Vaticano sabe qual o motivo real.

Será a primeira vez na história da Igreja Católica, em seus 2 mil anos, que um Papa sairá do Vaticano para encontrar-se exclusivamente com indígenas. O gesto fala por si mesmo, ainda mais agora que Francisco acaba de convocar um Sínodo exclusivo para os bispos da Amazônia, em Roma, em Outubro de 2019.

Francisco ir ao encontro das populações originárias – querem ser chamadas pelo nome de seu povo, não por um apelido imposto pelos colonizadores – parece um paradoxo. Esses dias o mesmo Francisco canonizou cerca de 30 pessoas do Rio Grande do Norte por terem sido massacradas por holandeses em 1645. Depois de longos estudos ficou concluído que “foram mortos em defesa da fé católica”, numa resistência à imposição do calvinismo na região por parte dos holandeses.

Acontece que o ataque tinha também participação dos índios Tapuia, que os antropólogos dizem não ser uma etnia, mas uma designação à várias nações indígenas que habitavam o interior do Brasil e que falavam uma língua diferente dos tupi-guarani, como os Cariri.

Os Tapuia estavam em guerra declarada contra os portugueses, porque esses avançavam o interior fazendo-os escravos, ocupando seus territórios, com matanças e até torturas de lideranças. Assim como na Confederação dos Tamoios, quando os Tupinambá se uniram aos franceses contra os portugueses, os Tapuia se aliaram aos holandeses contra a prática de extermínio dos portugueses. Portanto, os povos originários entendiam da arte da guerra e de suas alianças.

É bom lembrar que só no Brasil 5 milhões de índios viraram pó pelas mãos dos portugueses. No México, América Central e Peru, milhões de índios foram chacinados pelas mãos dos espanhóis. Como diziam os Mapuche, quando derreteram quilos de ouro e os enfiaram incandescentes goela abaixo de Valdivia, o conquistador do Chile: “beba o seu Deus”.

Portanto, os povos originários das Américas têm mártires aos milhões, cujo sangue também clama aos céus.

Esperamos que Francisco retome o melhor do Conselho Missionário Indigenista, o CIMI, que não foi aos indígenas para fazer prosélitos e nem os converter ao cristianismo, mas para colaborar para que sobrevivam e mantenham seus territórios e seus modos de vida. Com esses missionários a Igreja Católica deu vários passos à frente na relação com a alteridade das populações originárias, seguindo a melhor tradição de Bartolomeu de Las Casas.

Não se obriga um muçulmano a ser católico, não se obriga um pai de santo a ser evangélico, não se obriga um Cariri ou Guarani a ser cristão. Eles têm sua própria religião e suas opções tem que ser respeitadas. O evangelho é apenas um anúncio e adere livremente quem quiser.

Não há outro caminho.

09 novembro, 2017

Mães são responsáveis pela criação dos filhos até 3 anos em 89% dos casos


Mães são responsáveis pela criação dos filhos até 3 anos em 89% dos casos


Pesquisa divulgada na terça-feira (7) comprova a desigualdade de gênero que marca as famílias brasileiras quando o assunto é a criação dos filhos. Em 89% dos casos analisados na pesquisa Primeiríssima Infância – Creche, as mães são responsáveis pela criação dos filhos na faixa até 3 anos. Na média geral, a responsabilidade cabe aos pais em cerca de 5% dos casos. Os cuidadores são avós, tios ou outras pessoas em 5% das situações.

A reportagem é de Helena Martins, publicada por Agência Brasil, 07-11-2017.

Segundo dados do censo de 2010, em todo o país, existem 9,5 milhões de domicílios com pelo menos uma criança de até 3 anos.

A criação pelas mulheres só não ultrapassa o índice de 90% em casos de agrupamentos familiares que recebem mais de cinco salários mínimos. Nesses grupos, as mães são responsáveis em 72% das situações, e os pais, em 14%. No total, 46% dessas mulheres responderam sobre o primeiro filho; 31% são donas de casa; 51% não têm atividade econômica formal ou informal; 75% moram com companheiro, quase sempre o pai da criança; e 10% estão estudando atualmente.

O estudo foi feito pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Ibope Inteligência, e foi lançado durante o 7º Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, em Fortaleza. Para sua elaboração, em julho do ano passado, foram entrevistadas 991 pessoas em ambientes urbanos e rurais.

O objetivo da pesquisa foi mapear as necessidades e os interesses das famílias para o atendimento em educação de crianças até 3 anos, faixa da chamada primeiríssima infância. O estudo confirmou dados já conhecidos, como o atendimento de 33% das crianças dessa faixa etária em creche, o que corresponde a cerca de 3,2 milhões de pessoas com acesso a tal serviço. A desigualdade regional também foi aferida na pesquisa. Analisadas quantas crianças por região geográfica frequentam um estabelecimento de educação infantil, averiguou-se que isso ocorre em 45% dos casos no Sudeste; 24% no Nordeste; 30% no Sul e 23% do Norte e no Centro-Oeste.

Para entender realidades tão diferentes que existem no território brasileiro e sua incidência no desenvolvimento infantil, além da disponibilidade de creches, foram investigados outros fatores, como ocupação laboral e faixa etária. Para tanto, foram definidos e analisados quatro grupos populacionais: famílias com renda até cinco salários mínimos que vivem em capitais ou em cidades de regiões metropolitanas; famílias com renda mensal igual que vivem em cidades de pequeno ou médio porte do interior, o chamado interior urbano; famílias com a mesma renda que vivem no ambiente rural e famílias com renda familiar acima de cinco salários, independentemente do local em que vivem.

As famílias do primeiro universo têm, em 53% dos casos, crianças com até 1 ano. Delas, 63% ficam em casa e 27% frequentam creches. Quanto aos responsáveis, 93% são mães e 6%, pais; 36% têm de 18 a 24 anos e 63% completaram o ensino médio. Do total, 40% dos responsáveis informaram que não têm rotina; 58% não trabalham; 26% estão desempregados. Nos lares dessas crianças, os pais estão presentes em 68% dos casos. Isso quer dizer que 700 mil crianças na faixa até 3 anos de famílias com até cinco salários mínimos que vivem nas capitais brasileiras e em municípios das regiões metropolitanas não moram com os pais. No universo total da pesquisa, essa presença alcança 75%.

No caso de agrupamentos do interior urbano, 51% têm criança de até 1 ano. 64% das crianças ficam em casa e 26% frequentam creche. As mães são responsáveis pelas crianças em 93% dos casos e os pais, em 2%. Entre os cuidadores, 34% têm de 18 a 24 anos, cerca de 40% cursaram até o ensino fundamental – esse grupo agrega o maior número de responsáveis que se dizem pardos (53%), bem como o de famílias inseridas em programas de complementação de renda (49%).

No contexto rural, 59% das famílias têm filhos com até 1 ano; 63% ficam em casa e 28% frequentam creche. Vivem com o pai 81% das crianças, e as mães são as principais responsáveis pela criação em 96% dos casos. Os pais, em 2%. Entre os responsáveis, 34% têm de 18 a 24 anos; 59% têm o ensino médio; 34% cursaram até o ensino fundamental e apenas 6% completaram o ensino superior. Do total, 57% não trabalham. Grande parte desse grupo, 79%, tem renda familiar de até dois salários, uma situação que, no universo geral analisado, chega a 47%; e 44% das famílias recebem ajuda de programa de complementação de renda.

O quadro é diferente no caso de famílias que recebem mais de cinco salários mínimos: a maior parte das crianças, 68%, tem entre 2 e 3 anos, percentual que é de 22% no geral. A presença na creche é bem maior: 28% das crianças ficam em casa e 59% frequentam creche; 86% dos responsáveis trabalham e 88% têm ensino superior ou pós-graduação. 37% estão na faixa de 25 a 49 anos, o que indica a ocorrência de gravidez tardia.

Percepções sobre desenvolvimento

As diferenças socioeconômicas impactam a percepção sobre a criança. Destacam-se dois itens analisados na pesquisa: a percepção sobre o início do aprendizado e dos elementos compreendidos como fundamentais para o desenvolvimento da criança. Questionados sobre quando a criança começa a aprender, mais da metade dos adultos entrevistados afirmaram que isso tem início já na fase intrauterina. Quanto maior a escolaridade das pessoas ouvidas, maior a percepção de que o desenvolvimento da criança começa mais cedo.

Sobre os itens considerados importantes para o desenvolvimento, estão em ordem de importância: levar ao pediatra regularmente (64%); amamentar (46%); ter cuidado com a alimentação (46%): receber atenção dos adultos (21%); ter bons exemplos dos pais (17%); receber carinho e afeto (17%); brincar ou passear (16%); viver em um ambiente adequado em termos de segurança, higiene etc (15%); ter uma rotina (12%); receber limites (12%); conversar com a criança (11%). O estrato mais rico dá mais importância a questões mais lúdicas, enquanto o grupo que recebe até cinco salários mínimos e vive no ambiente rural prende-se a questões básicas, como levar ao pediatra. A revela que essa centralidade deve levar os médicos que cuidam da criança a estimular outras ações de cuidado, como a oferta de carinho e o estabelecimento de uma rotina.

“O contexto urbano, territorial, em que cada família vive determina muito as opções que elas têm”, afirmou a economista Ana Lúcia D’Império Lima, que assessorou o desenvolvimento da pesquisa. Ela citou, por exemplo, as mulheres no contexto urbano, que têm mais opções de trabalho fora do lar e são, em maior número de situações, chefes das famílias.

Já no ambiente rural, as famílias são, em geral, maiores, o que pode gerar uma rede de apoio para as mulheres, ao passo que as grandes distâncias dificultam o acesso à creche. Nesse ambiente, muitas mulheres também não têm remuneração própria. O aprendizado que fica, na opinião de Ana Lúcia, é que a elaboração das políticas públicas não deve partir de um Brasil genérico, “mas dos vários Brasis que existem nesse território”.

Campanha Vidas Negras - A cada 23 minutos, um jovem negro é morto no Brasil


Campanha Vidas Negras - A cada 23 minutos, um jovem negro é morto no Brasil


A cada 23 minutos, um jovem negro é morto no Brasil. A cada dia, são 66 vidas perdidas, totalizando 4.290 óbitos por ano. Segundo o Mapa da Violência, um rapaz negro tem até 12 vezes mais chance de ser assassinado em relação a um branco. Em comum nesses homicídios, está a presença do racismo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Essa é a premissa da campanha Vidas Negras, lançada pela entidade ontem (7) em Brasília.

A reportagem é de Jonas Valente, publicado por Agência Brasil, 07-11-2017.

O objetivo da iniciativa é chamar a atenção de governos, parlamentos, tribunais, organizações e da sociedade para o problema da violência contra essa parcela que já representa 54% dos brasileiros. De acordo com dados da ONU, enquanto nesse grupo a taxa de homicídios cresceu 18% de 2005 a 2015, com relação aos demais brasileiros, ela caiu 12%.

O material da campanha, incluindo os vídeos e pelas em redes sociais, está disponível no site da ONU e pode ser utilizado e compartilhado por qualquer pessoa: nacoesunidas.org/vidasnegras.

O aumento da desigualdade também tem recorte de gênero. Segundo o Atlas da Violência 2017, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os assassinatos de mulheres negras aumentaram 22% no mesmo período, enquanto, entre mulheres não negras, o índice foi reduzido em 11%.

“O último genocídio formalmente reconhecido na Europa foi na Bósnia, e matou 1.500 pessoas em 1995. Quando falamos de jovens negros mortos, estamos falando do triplo disso por ano”, ressaltou o advogado Daniel Teixeira, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, durante o lançamento da campanha.

Artistas foram convidados para estrelar vídeos sobre o assunto, que serão divulgados em emissoras e na Internet. “O racismo mata filhos, irmãos, vizinhos. Por trás de cada história há vidas negras interrompidas e que não são capas de jornal. Você não pode ficar indiferente”, enfatiza a atriz e escritora Elisa Lucinda em uma das peças.

Mais do que uma fatalidade ou coincidência, a campanha aponta o traço comum do racismo nesses números e da indignação seletiva construída historicamente na sociedade brasileira. Segundo pesquisa da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal, 56% das pessoas entrevistadas afirmaram que a morte de negros choca menos do que a de brancos.

Políticas públicas

Para além de colocar o tema na opinião pública, a campanha pretende pautar, na agenda do Poder Público, a necessidade de combater o problema reconhecendo a necessidade de atacar a discriminação racial no país.

“O Brasil já é signatário de compromissos internacionais de eliminação do racismo, da xenofobia e da desigualdade racial. A gente espera que, a partir da campanha, haja uma maior sensibilização das autoridades e que as ações sejam potencializadas”, ressaltou Ana Cláudia Pereira, oficial de programas do Fundo de População da ONU (UNFPA) e uma das coordenadoras da campanha.

Para Jacira da Silva, do Movimento Negro Unificado, entre os desafios no campo das políticas públicas, estão a implementação do Estatuto da Igualdade Racial e a garantia de recursos para programas governamentais com foco no enfrentamento do problema. Esse conjunto de ações, acrescentou, passa por medidas voltadas a mitigar a violência contra negros, mas vai além, alcançando também a afirmação dos direitos dessas pessoas. “Precisamos exigir políticas públicas para o país.

Essa juventude é violentada também quando não tem acesso ao mercado de trabalho, não tem lugar na escola e não é representada na mídia”, defendeu a ativista.

O secretário de Juventude do governo federal, Assis Filho, relatou que o governo vem atuando na área e deu como exemplo o Plano Juventude Viva. Segundo Filho, há R$ 12 milhões disponíveis aos municípios para projetos de redução da violência contra esse segmento. “O objetivo do Plano Juventude Viva é reunir todas as ações que existem no governo federal para combater esses altos índices de violência e que os municípios, para serem contemplados, possam de fato implementar ações concretas contra o genocídio dos negros no Brasil”, disse. Perguntado sobre que tipo de ações podem ser financiadas, o secretário não detalhou.

Para Luana Ferreira, assessora da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do Ministério dos Direitos Humanos, nos últimos anos houve avanços importantes na área, como a reserva de vagas para negros em concursos públicos e universidades e a política de saúde voltada para esta população. Mas ainda é preciso avançar para enfrentar efetivamente o problema. “O desafio cotidiano da Seppir é dizer que vidas negras importam, que o racismo é estruturante nas relações, que o racismo institucional está presente em todos os espaços de poder e que é causa histórica da situação de letalidade a que esses jovens estão submetidos”, destacou na cerimônia.

Autos de resistência

Na avaliação da pesquisadora da Universidade de Brasília Kelly Quirino, a redução da violência contra jovens negros passa pela mudança da política de combate às drogas, pelo desarmamento da polícia e por medidas que coíbam o abuso das forças de segurança, como o fim dos chamados autos de resistência, um recurso que pode ser usado por agentes para justificar o assassinato de uma pessoa como um ato de legítima defesa e de força necessária frente a suposto enfrentamento a uma determinada ação.

“Você tem as duas problemáticas: a polícia se utilizando de um ato administrativo para justificar as mortes e o próprio Judiciário, que não investiga homicídios comuns e não apura crimes cometidos pelo policial porque os autos de resistência são arquivados mesmo dentro da polícia”, argumenta a pesquisadora.

O tema motivou um projeto de lei (PL 4.471/2012), de autoria do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que dificulta o uso desse recurso e deixa mais rígida a investigação de casos de mortes envolvendo policiais. A proposta é uma das matérias incluídas na pauta do plenário da Câmara nesta semana no chamado pacote da segurança pública.

Papa: O Evangelho é também colocado em prática na busca da justiça social


O Papa Francisco recebeu, nesta quinta-feira (09/11), na Sala Clementina, no Vaticano, cento e trinta membros da comunidade do Pontifício Colégio Ucraniano de São Josafá, em Roma.

Após dar as boas-vindas aos presentes, o Pontífice recordou que este encontro se realiza há 85 anos da construção do colégio na colina do Gianicolo, a pedido do Papa Pio XI. 

“Ele foi o promotor de uma iniciativa que mostrava a atenção especial e concreta dos Sucessores de Pedro pelos fiéis da Igreja provenientes daquela área de sofrimento e perseguição, que desta forma podiam sentir-se aqui, em Roma, como filhos amados que moram e crescem numa casa, preparando-se para a missão apostólica como diáconos e sacerdotes.”
 
O Papa Francisco recordou que Pio XI, durante os anos de seu pontificado, enfrentou vários desafios da época, mas sempre levantou a sua voz firme na defesa da fé, da liberdade da Igreja e da dignidade de cada pessoa humana. 

“Condenou claramente, através de discursos e cartas, as ideologias ateias e desumanas que ensanguentaram o século XX. Evidenciou suas contradições, indicando à Igreja o caminho mestre do Evangelho, também colocado em prática na busca da justiça social, dimensão imprescindível do resgate humano de povos e nações. Como futuros sacerdotes, os convido a estudar a Doutrina Social da Igreja a fim de amadurecerem no discernimento e julgamento das realidades sociais em que vocês serão chamados a trabalhar.”

Francisco sublinhou que o mundo atual está ferido por guerras e violência, e que a Ucrânia vive o drama da guerra que cria sofrimentos enormes, sobretudo nas áreas atingidas que se tornaram ainda mais vulneráveis devido ao inverno rigoroso que se aproxima.
 
“A inspiração pela justiça e pela paz é forte, e proíbe toda forma de abuso, corrupção social e política, realidade em que são sempre os pobres a pagarem as consequências. Que Deus ajude e encoraje aqueles que trabalham por uma sociedade cada vez mais justa e solidária. Que eles sejam apoiados pelo compromisso concreto das Igrejas, dos fiéis e de todas as pessoas de boa vontade.” 

O Pontífice recordou em seu discurso o Santuário Nacional de Zarvanytsyae disse que Maria deseja que os sacerdotes de seu Filho sejam como as velas acesas nas noites de vigília neste santuário, para recordar a todos, especialmente aos pobres, aos sofredores, e aos que fazem o mal e semeiam violência e destruição, que «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e uma luz brilhou para os que habitavam um país tenebroso».

O Papa disse aos seminaristas e sacerdotes da Igreja greco-católica ucraniana que conserva e venera um pequeno ícone ucraniano de Nossa Senhora da Ternura, presente que lhe foi dado quanto estava em Buenos Aires. Francisco os abençoou, invocando a paz e a harmonia ecumênica para a Ucrânia. 

(MJ)

Fonte: Rádio Vaticano

Oração

"Senhor, faz-me compreender profundamente aquela atitude de espírito, que me impede de ser orgulhoso, de me apoiar em mim mesmo, e me faz abandonar nas tuas mãos, com tudo o que sou e faço, sabendo que tudo me vem de Ti e que, na partilha com os outros, multiplico os bens que me deste. Ajuda-me a não julgar os outros. Ajuda-me a repartir com todos o bem precioso da misericórdia, que usas para comigo, certo de que nada perderei, mas muito mais hei-de receber, porque é dando que se recebe. Amém."

Fonte: Dehonianos

08 novembro, 2017

O Anel de Tucum

Individualismo e novas formas de sociabilidade

"É a comunidade que precisa estar a serviço
 das pessoas e não o contrário." 




Estamos imersos em um tempo marcado por profundas transformações. No turbilhão dos acontecimentos, está o desafio de identificar os “novos sinais dos tempos”, em meio a luzes e sombras, na ambiguidade da história. O novo “vem a furo” de baixo para cima, de dentro para fora. Para identificá-lo e acolhê-lo, é preciso discernimento,serenidade, conhecimento do presente e memória viva do passado, condição para gestar um futuro crescentemente melhor.
Uma das ambiguidades de nosso tempo é o crescente individualismo, que atomiza e fragmenta nossas comunidades, assim como o tecido social. É um fenômeno incômodo para os que, na Igreja, são forjadores de relações interpessoais com Deus e com os demais. Como entender este fenômeno? Pura contradição com os ideais do Evangelho ou é portador de interpelações do Espírito, que se constituem em “novos sinais dos tempos”?
A legitimidade do processo de individuação
No período de cristandade, se crê que a razão é coletiva e que a pessoa deve estar submissa à coletividade e às instituições. A pessoa não tem direitos, só deveres. Só Deus tem direitos, guardados pelas autoridades, as quais se deve obedecer. Quem pensa diferente, é um herege ou um inimigo. Com o advento da modernidade no século XVI, começou um gradativo processo de individuação, com profundas consequências para a sociedade e para a Igreja. Adquirem carta de cidadania “consciência individual”, “liberdade de consciência”, o “eu” frente ao domínio do “nós”, “direitos individuais”, “livre arbítrio” na religião, “liberdade religiosa”, entre outras tantas conquistas.
A Igreja teve dificuldades para ver nestas conquistas valores evangélicos. Mas, pouco à pouco foi percebendo que Deus nos criou únicos; que a consciência individual é um sacrário que nem mesmo Deus invade; que o ser humano, criado à imagem e semelhança do Criador, é sujeito de direitos inalienáveis; que o comunitário, antes de aniquilar, precisa potenciar a pessoa, em sua singularidade. Enfim, a Igreja descobriu que a afirmação do indivíduo frente ao coletivo que massifica, não é individualismo, assim como a liberdade, embora possa ser usada indevidamente, não deixa de ser um dos dons mais preciosos recebidos do Criador.
O triunfo do indivíduo solitário
Historicamente, entretanto, valores como liberdade pessoal e afirmação da pessoa frente a uma forma de coletivo que sufoca e massifica as singularidades, foram usados e desvirtuados pelo liberalismo e o capitalismo. Relações pautadas pelo custo-benefício, a concorrência, o interesse individual em detrimento do comunitário, o “ter” mais em lugar do “ser” mais, levaram ao triunfo do indivíduo solitário. Nunca o ser humano foi tão livre, mas também tão só; só e condenado a salvar-se sozinho, em meio a milhões de concorrentes. Há a emergência, do indivíduo hiper-narcisista, hiper-individualista e hiper-consumista.
Em grande medida, isso é resultado da dinâmica do mercado, que absolutiza a eficiência e a produtividade como valores reguladores de todas as relações humanas. Há uma mercantilização das relações pessoais, sociais e religiosas. Tudo é medido pela lógica “custo-benefício”. Das grandes utopias da modernidade, restou o gosto amargo do presente, amenizado pelo ideal de ser um pequeno burguês, no pragmatismo do cotidiano.
A irrupção de novas formas de sociabilidade
É preciso distinguir, pois, individualismo de processo de individuação, assim como ver o individualismo mais como um excesso do processo de individuação. Frente ao coletivo que massifica, no aparente mero individualismo, estão também pessoas que tomaram distância das instituições e das formas tradicionais de associação.
Na realidade, as pessoas continuam se encontrando e interagindo. Não nos espaços tradicionais e nem nas formas conhecidas. A geração “Y” está longe de levar uma vida isolada e solitária. As “redes sociais” fazem a ponte entre o “virtual” e o “real”, assegurado encontro marcado em novos “points”, para novas inter-relações.
Sobretudo no meio urbano, hoje, desfrutando de maior liberdade, as pessoas formam grupos de amigos, que assumem comportamentos similares, segundo sua escolha. São grupos pequenos e homogêneos, que substituem a grande família tradicional. Surgem estratégias de defesa, como a busca dos “afins”, na diversidade das “tribos urbanas”. Nascem grupos que criam novos valores, padrões de comportamento e modos de vida.
Reinventar o modo de ser comunidade
Como se pode perceber, o individualismo reinante guarda também sua ambiguidade.
A emergência de novas formas de sociabilidade desafia a sociedade a reinventar participação cidadã e, a Igreja, o modo de ser comunidade. O “trinfo do indivíduo solitário” é portador de uma severa crítica a formas de associação, que não têm espaço para a liberdade pessoal, a autonomia, a subjetividade e as singularidades.
É a comunidade que precisa estar a serviço das pessoas e não o contrário. Só assim a pessoa será capaz de fazer-se dom, de levar o “eu” desembocar no “nós”, condição para uma comunidade de irmãos que se amam.
Fonte: ameríndiaenlared.gov

06 novembro, 2017

Livro on-line e gratuito reflete sobre energia renovável no Brasil

A publicação busca repensar o consumo e as formas de se obter energia diante de um cenário de avanço tecnológico, crescimento populacional e de incerteza em relação à disponibilidade de fontes de energia não-renováveis.



A autoria é do professor Frederico Fábio Mauad e das estudantes de graduação em Engenharia Ambiental Luciana da Costa Ferreira e Tatiana Costa Guimarães Trindade, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP.

Pensando em valorizar fontes de menor impacto ambiental, o texto traça um panorama do que vem sendo desenvolvido no Brasil e no mundo.

Além da versão online, uma versão impressa do livro será lançada no dia 8 de novembro, às 10h, na Biblioteca Prof. Dr. Sérgio Rodrigues Fontes da EESC. O evento terá a presença do autor Frederico Fábio Muad, que estará à disposição para autografar os exemplares e esclarecer dúvidas sobre energias renováveis. A edição impressa (EESC-USP, 2017, 344 pp.) custa R$ 39,90.

O lançamento faz parte da programação da Festa do Livro e da Semana do Livro e da Biblioteca, em São Carlos.

Acesse o e-book através do Portal de Livros Abertos da USP.


Fonte: Jornal da USP - 30/10/2017

Uma linda e abençoada semana a todas e a todos!

“Nós, discípulos de Jesus, não devemos buscar títulos de honra, de autoridade ou de supremacia. Eu digo a vocês que eu fico triste ver pessoas que psicologicamente vivem correndo atrás da vaidade das honras. Nós, discípulos, não devemos de modo algum fazer isso, pois entre nós deve existir uma atitude simples e fraterna. Somos todos irmãos e não devemos dominar os outros, olhá-los de cima para baixo. Não, somos todos irmãos”. (Papa Francisco)

Oração


“Senhor, o teu amor é misericórdia, que me ergue do leito da minha paralisia, do abismo dos meus erros, das regiões desoladas do meu sem-sentido, das trevas oprimentes das minhas dúvidas. 
O teu amor é gratuito, incondicional, desarmadilhado, desinteressado. 
Amar, e só amar, é a tua alegria, a tua vida! É o mesmo que me pedes em relação aos meus irmãos, particularmente os pequenos e pobres. 
Liberta-me do egoísmo que me afasta dos outros e de mim mesmo, do egoísmo que ilusoriamente julgo tornar-me forte, mas que, na verdade, me torna mais fraco.
Deus de misericórdia e de gratuidade, amar e só amar, seja a minha alegria, porque amar e só amar é viver. Amém.”


Fonte: Dehonianos

03 novembro, 2017

Apenas coisas minhas!

O viver é fascinante.
Um ponto de exclamação ou de interrogação.
Compreender o amor....
Os mistérios intrigantes...
A vida uma caixa linda de surpresas e desafios.

Apenas coisas minhas...

As bem-aventuranças são para quem vive as provações e as fadigas de todos os dias

“Eis as bem-aventuranças. Não requerem gestos extraordinários, não são para super-homens, mas para quem vive as provações e as fadigas de todos os dias. Os santos são assim: respiram como todos o ar poluído que há no mundo, mas no caminho jamais perdem de vista o percurso de Jesus, indicado nas bem-aventuranças, que são como o mapa da vida cristã.”

Papa Francisco

01 novembro, 2017

"Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá"


Jesus nos faz um convite: Sede santos como o meu Pai é santo!


Gosto de refletir o dia de todas as santas e santos de nosso Deus com a leitura do Evangelho de Mateus 5,1-12 as bem-aventuranças.

No dia de todas as santas e santos de nosso Deus, formamos comunhão com todas e com todos os que são glorificados com Cristo, vivendo em plenitude as bem-aventuranças.

Nós também somos proclamados felizes porque fazemos parte da grande família de nosso Deus e procuramos seguir a multidão dos que nos deixaram exemplos de fidelidade e amor, não somente aquelas e aqueles que são canonizados, mas todas aquelas e todos aqueles que, mesmo não reconhecidos suas vidas foram exemplo.

A princípio só Deus é Santo: Ele é perfeito, sem pecado... Mas, Deus nos quer santos: “Sede santos, como o vosso Pai do Céu é santo!”. Santo Agostinho dizia: “Se eles e elas puderam, por que eu não posso?”

Vejamos rapidamente as propostas do Senhor:

Felizes os “pobres em espírito” trata-se dos humildes, daquelas e daqueles que não se fiam na auto-suficiência, mas apresentam-se diante de Deus com as mãos vazias. Atitude vivida de modo exemplar pela Mãe de Jesus, a serva do Senhor!

A seguinte que fala dos “aflitos”, os que sofrem neste mundo dominado ainda pelas forças do mal e da morte, nos leva a agir como as/os profetas e como Jesus: ser consolo, força e ânimo para que não desanimem.

Feliz quem é “manso”, não se trata de ser tonto aceitando tudo e nada criticando ou buscando mudar! Trata-se daquelas e daqueles que nunca recorrem a violência para resolver os problemas. Existem outros métodos de solução bem mais eficazes.

Felizes os que “tem fome e sede de justiça”, fome e sede são as necessidades mais fundamentais de nossa vida. Assim é feliz quem tem como prioridade de vida a busca da justiça, mas não qualquer justiça. Trata-se da justiça divina! Para nós fazer justiça é apenas castigar os culpados. Para Deus justiça é tornar justo o que errou.

Felizes “os misericordiosos”, aquelas e aqueles que tem verdadeira compaixão dos outros. Colocam se no lugar da irmã, do irmão e os ajudam concretamente. Trata-se das diversas obras de misericórdia em favor dos semelhantes. Ações concretas que minoram, aliviam ou resolvem os problemas dos demais.

Felizes os “puros de coração” aqui não é nem a pureza ritual tão apreciada pelos judeus e nem mesmo a pureza corporal, mas a pureza do coração, é a capacidade de ver com os olhos de Deus as pessoas e a realidade. Não ser alguém que vê em tudo falsidade, engano, dolo, mentira, etc...numa palavra ,é ser simples.

Felizes os “que promovem a paz”, aquelas pessoas que trabalham pela verdadeira paz entre as pessoas, grupos e nações. Paz que não é ausência apenas de guerra, mas um relacionamento bom e construtivo! São os que ajudam as pessoas a perdoar, os que buscam a reconciliação, os que detestam a guerra.

Finalmente felizes os que “são perseguidos” ou por causa da justiça ou por causa do nome de Jesus! Este ensinamento do Mestre aponta as dificuldades e que suas verdadeiras discípulas e seus verdadeiros discípulos vão encontrar.

Para ser fiel ao Evangelho, sofrimentos, perseguições sempre estarão presentes. A força vem sempre de Jesus, Ele venceu e com ele venceremos, assim aconteceu na vida de tantas irmãs e tantos irmãos nossos que hoje celebramos na glória do céu.

Optaram pelas bem-aventuranças, viveram o evangelho sofreram, pareciam derrotados e hoje estão vivendo na eterna graça de Deus.

Lucimar Moreira Bueno (Lucia)
Assessora Leiga das CEBs na Arquidiocese de Maringá