30 março, 2020

CNBB traduz e apresenta propostas ao documento das celebrações da Semana Santa


A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos ofereceu uma atualização das indicações e sugestões gerais dadas aos bispos sobre as celebrações da Semana Santa diante da pandemia da covid-19, causada pelo novo coronavírus. Novamente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) traduziu o documento com as propostas de adequação à realidade brasileira. Também foram oferecidas sugestões para as coletas da Solidariedade e para os Lugares Santos.
Decreto sobre a Semana Santa 2020 reitera que a data da Páscoa não pode ser transferida e que, nos países afetados pela doença, onde estão previstas restrições às reuniões e movimentos de pessoas, “os bispos e padres celebram os ritos da Semana Santa sem a participação do povo e em local adequado, evitando concelebração e omissão da troca de paz”.
A orientação é que os fiéis sejam informados do horário de início das celebrações, para que possam participar da oração em seus lares. “Poderão fazer uso diretamente dos meios de comunicação social. Em qualquer situação, continua sendo importante dedicar um tempo adequado à oração, principalmente aprimorando a Liturgia das Horas”, lê-se no decreto.

Piedade Popular

Sobre as expressões da piedade popular e as procissões que ocorrem na Semana Santa e no Tríduo Pascal, a Congregação para o Culto Divino orienta que, no julgamento do bispo diocesano, podem ser transferidas para outros dias adequados, por exemplo, nos dias 14 e 15 de setembro, quando é celebrada a Festa da Exaltação da Santa Cruz.

Distanciamento social

Aqui no Brasil, de acordo com informe divulgado nesta quinta-feira pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, mesmo com o decreto presidencial inserindo as atividades religiosas entre serviços e atividades essenciais, a Conferência manteve a indicação que sejam obedecidas as orientações das autoridades de saúde para se evitar aglomerações a aplicar o isolamento social:
A CNBB, considerando as orientações emanadas pelas autoridades competentes do Ministérios da Saúde, que indicam o distanciamento social, orienta os bispos que as igrejas podem permanecer abertas, porém, do modo como tem sido feito até agora, apenas para orações individuais, transmissões online, etc. Segundo o documento, “não há como entender que os instrumentos legais possam obrigar a reabertura das igrejas, muito menos para a prática de qualquer tipo de aglomeração”.

Subsídios

Ainda no segundo documento da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, há também o reforço que as Conferências Episcopais e as dioceses individuais “não deixem de oferecer subsídios para ajudar a oração familiar e pessoal”. A CNBB tem oferecido materiais para a celebração dominical da Palavra em família e também materiais para exercícios quaresmais.

Detalhamento das celebrações

Além da oferta desses subsídios, a CNBB deu indicações adicionais para as celebrações da Semana Santa, como por exemplo as coletas já tradicionais para a Solidariedade e para os Lugares Santos. Confira o trecho do decreto com detalhamento sobre as celebrações e as respectivas observações da CNBB:
 1 – Domingo de Ramos. O Memorial da Entrada do Senhor em Jerusalém é comemorado dentro do edifício sagrado; nas igrejas catedrais é adotada a segunda forma prevista pelo Missal Romano; nas igrejas paroquiais e em outros lugares, a terceira.
OBSERVAÇÃO DA CNBB
Sobre a Coleta da Solidariedade, gesto concreto da Campanha da Fraternidade, a Presidência da CNBB acolhe algumas sugestões e submete à avaliação dos bispos as datas de 16 e 17 de novembro, Dia Mundial dos Pobres, para esta coleta. Os bispos podem enviar suas manifestações para o endereçosecretariogeral@cnbb.org.br.
2 – Missa do Crisma. Ao avaliar o caso concreto nos vários países, as Conferências Episcopais poderão dar indicações sobre uma possível transferência para outra data.
OBSERVAÇÃO DA CNBB
Neste caso, a CNBB optou por deixar a cada bispo diocesano, administrador apostólico ou administrador diocesano o discernimento de quando celebrar “para bem atender à realidade local”. A Conferência pede, no entanto, que, dentro do possível, seja compartilhada a opção feita, “de modo que possamos ter uma visão geral do que está ocorrendo nas diversas dioceses do país”.
3 – Quinta-feira Santa. O lava-pés, já opcional, é omitido. No final da Missa na Ceia do Senhor, a procissão também é omitida e o Santíssimo Sacramento é mantido no tabernáculo. Neste dia, os padres recebem excepcionalmente a faculdade de celebrar a missa, sem a participação popular, em um local adequado.
4 – Sexta-feira Santa. Na oração universal, os bispos cuidarão de preparar uma intenção especial para aqueles que se encontrarem em situação de perda, de doentes e de falecidos (cf. Missale Romanum). O ato de adoração na cruz através do beijo é limitado apenas ao celebrante.
OBSERVAÇÃO DA CNBB
Para esta celebração, a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB disponibilizou uma sugestão de texto para a Oração Universal, que pode ser baixada aqui
coleta para os Lugares Santos também deve ser transferida, de acordo com a decisão dos bispos. A proposta da CNBB é que ocorra nos dias 14 e 15 de setembro, quando é celebrada a Festa da Exaltação da Santa Cruz. Assim como em relação à Coleta da Solidariedade, os bispos podem enviar suas manifestações para o endereço secretariogeral@cnbb.org.br.
5 – Vigília da Páscoa. Deve ser comemorada exclusivamente em catedrais e igrejas paroquiais. Para a liturgia batismal, permanece mantida apenas a renovação das promessas batismais (cf. Missale Romanum).

Fonte: CNBB

29 março, 2020

Lições que o coronavírus nos ensina


A gente não virou uma grande família de uma hora para outra. A gente sempre foi. A questão é que agora o universo está nos forçando a perceber isso. É como se ele estivesse dizendo: “será que vocês vão ter que passar por isso pra aprender?”. O universo está nos forçando a compreender lições que já deveríamos ter compreendido faz tempo. Homo sapiens significa homem sábio. Precisamos honrar o nome da nossa espécie.

Ao invés de pensar: “por que isso está acontecendo conosco?”, podemos começar a pensar “o que isto está nos ensinando?”. Fiz esse exercício e aqui compartilho algumas reflexões que surgiram.

1.    Somos mais conectados do que imaginamos.
Estamos totalmente interconectados. Um único vírus, microscópico, gerou um caos na humanidade inteira. Os efeitos de algo que acontece do outro lado do mundo chegam até a nossa porta em um período muito curto de tempo. É quase que instantâneo. Precisamos observar os efeitos das nossas ações. Dependemos uns dos outros.  Só com o esforço de todos, poderemos vencer esta batalha. Isso é um grande ensinamento. Além de sermos conectados uns aos outros, todas as dimensões da sociedade estão conectadas de forma sistêmica. A educação afeta a saúde. A saúde afeta a economia. A economia afeta a política. E o ciclo não para.

2.    A necessidade de compartilhar apenas notícias seguras
Uma parcela grande do medo e angústia da população é fruto da falta de informação consciente. Precisamos buscar informações em fontes seguras para realmente tomar decisões mais conscientes e responsáveis, cultivando o bem-estar de todos. Em tempos de “Fake News”, surge a necessidade absoluta de compartilharmos o caos.

3.    A única coisa permanente é a impermanência.
Tudo pode mudar a qualquer momento. Podemos ser surpreendidos por fatores que jamais imaginaríamos. É importante estarmos preparados em todos os campos das nossas vidas: emocionalmente, fisicamente, financeiramente e espiritualmente. Não dá pra esperar a crise chegar pra começar a cuidar da nossa saúde ou das nossas finanças. Precisamos construir a mentalidade .

4.    Somos mais vulneráveis e frágeis do que podemos imaginar
Achamos que somos os donos do mundo. Que podemos fazer o que quisermos com a natureza. Que podemos fazer o que quisermos com os animais. Que somos superiores. E aí, o momento de crise vem nos mostrar que somos vulneráveis e frágeis. Que não estamos no controle de nada. Que não temos o direito de achar que somos mais importantes que o nosso entorno. É hora de migrar do “egossistema” para o ecossistema.

5.    Precisamos rever nosso sistema de educação
“Estude. Tire boas notas. Passe de ano. Faça vestibular. Consiga um emprego. Compre seu carro. Compre seu apartamento. Case. Tenha filhos. Mande eles tirarem boas notas na escola. Mate um leão por dia e seja feliz no final de semana. Se aposente. E acabou.” Nosso sistema incentiva a inteligência intelectual e despreza outras dimensões da inteligência. Inteligência emocional, inteligência corporal e inteligência espiritual: um tripé essencial para passarmos por momentos como esse. Mas ninguém nos estimulou a desenvolvê-lo. A inteligência emocional nos ensina sobre neutralizar emoções negativas e desenvolver empatia, por exemplo. A inteligência espiritual nos ensina a compreender a interconexão entre todos nós. A inteligência corporal nos ensina a cuidar do nosso corpo com amor e respeito. Precisamos reinventar a educação e inseri-los no sistema urgentemente. O foco em tirar boas notas e passar de não vai nos ajudar a construir uma geração capaz de superar desafios como o que estamos vivendo no futuro.

6.    A crise provoca mudança de hábitos
Pessoas começaram a meditar e se conectar com a espiritualidade. Outras, começaram a se preocupar com a sua saúde, que afeta diretamente sua imunidade. Alguns, começaram a apreciar a natureza. Outros, despertaram para a importância da criatividade. A crise transforma. Provoca metamorfose. A origem da palavra crise está ligada à “momento decisivo, que antecede uma mudança”. Nesse caso, o momento decisivo é: vamos aprender com tudo isso ou viveremos um colapso ainda maior lá na frente.

7.    Precisamos valorizar o que realmente importa
Reclamamos de tudo. Focamos no negativo. Brigamos por besteira. Não dizemos “eu te amo”. Vivemos correndo. Agoniados. Estressados. Angustiados. Não estamos acostumados a desacelerar. Talvez precisemos ouvir a terra e repensar nosso ritmo. De uma hora pra outra, precisamos deixar de abraçar as pessoas, pra evitar contágio. E os abraços que não demos? E os beijos que não demos? E os carinhos que não fizemos? Agora, sentimos falta. Estamos tendo que deixar de ser humanos para relembrar o quão humanos precisamos ser. E os profissionais de saúde? Muitas vezes, não valorizamos seu trabalho. Nesse momento, eles e elas se tornam heróis e heroínas de antes dos nossos olhos.

8.    Planejamento é um pilar essencial do crescimento
Tudo pode mudar a qualquer momento. Isso nunca esteve tão claro. E quem não estava preparado? Muita gente não estava cuidando da saúde e agora está. Muita gente não estava cuidando das emoções, e agora está. Muita gente não estava pensando em planejamento financeiro, e agora está. Para crescermos como pessoas e como sociedade, precisamos sair do modo “execução” e adicionar o elemento “planejamento”.
O grande desejo é que o corona vírus desperte o vírus da consciência e nos fortaleça. Definitivamente, não estamos passando por isso por acaso. Existe um sentido profundo por trás deste obstáculo. Sigamos juntos, acreditando, contribuindo, seguindo as orientações, fazendo a nossa parte e fazendo o que nascemos para fazer: sermos verdadeiramente humanos.

Fonte: Correio
correio24horas.com.br

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O CORREIO entende a preocupação diante da pandemia do novo coronavírus e que a necessidade de informação profissional nesse momento é vital para ajudar a população. Por isso, desde o dia 16 de março, decidimos abrir o conteúdo das reportagens relacionadas à pandemia também para não assinantes. O CORREIO está fazendo um serviço de excelência para te manter a par de todos os últimos acontecimentos com notícias bem apuradas da Bahia, Brasil e Mundo. Colabore para que isso continue sendo feito da melhor forma possível.

Coronavírus - O que fazer ao sair e ao retornar em casa


28 março, 2020

Nossas vidas são tecidas e apoiadas por pessoas comuns


"Nossas vidas são tecidas e apoiadas por pessoas comuns, geralmente esquecidas, que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas ou nas grandes passarelas, mas, sem dúvida, escrevem hoje os eventos decisivos da nossa história”. (Papa Francisco)

Coronavírus - Ofício enviado a Brasília (DF) pela Frente Nacional de Prefeitos ao governo federal em relação às ações adotadas e suas consequências



Ofício FNP nº. 197/2020
Brasília/DF, 27 de março de 2020.

A Sua Excelência o Senhor
JAIR MESSIAS BOLSONARO
Presidente da República

Assunto: Suspensão de medidas de contenção social

Excelentíssimo Senhor,
Com os cordiais cumprimentos, como é do conhecimento de Vossa Excelência os municípios brasileiros estão adotando medidas de restrição social para enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus, fundamentadas em orientações do ministério da Saúde. Essas medidas estão sendo adotadas em mais de 150 países, seguindo orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nos dias 13 e 14 de março, o ministério da Saúde definiu regras rigorosas para evitar o avanço do novo Coronavírus. Entre as quais, o incentivo à execução de reuniões virtuais e trabalho remoto. Para as instituições de ensino, indicou o planejamento da antecipação de férias e o uso de ferramentas de ensino à distância. Pediu também apoio fundamental dos municípios para atender essas recomendações.

Em reunião com prefeitos de capitais, no dia 22 de março, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, manteve a importância das medidas de isolamento social.

No dia 24 de março (terça-feira), Vossa Excelência realizou pronunciamento em rede nacional, reiterado posteriormente em diversas declarações públicas, criticando com veemência a atuação de governadores e prefeitos no enfrentamento da pandemia.

Após o pronunciamento de Vossa Excelência, no dia 24, o ministério da Saúde passou a afirmar que a quarentena foi “precipitada e feita de forma desorganizada”.

Diante das informações acima e, considerando a campanha oficial
#brasilnaopodeparar lançada nesta semana pelo Governo Federal nas redes sociais,
questionamos:

1. O Governo Federal orienta os entes subnacionais a suspender imediatamente as restrições de convívio social? Caso positivo, por meio de qual instrumento oficial?

2. Caso o convívio social seja suspenso, há previsão de diálogo federativo para a construção de uma estratégia para concretizar tal medida?

3. Quais as evidências científicas foram consideradas para motivar a mudança repentina no posicionamento do Governo Federal quanto às medidas de isolamento social?

4. Caso o Governo Federal suspenda a contenção social, o que poderá levar ao colapso do Sistema Único de Saúde (SUS), o Governo Federal assumirá todas as responsabilidades da Atenção Básica, Média e Alta complexidades, incluindo todos os atendimentos? Como estaremos na contramão do que indica e recomenda a OMS, o Governo Federal assumirá as responsabilidades de todo o atendimento à população?

5. Está entre as medidas do Governo Federal a federalização do SUS?

Ressaltamos que o momento exige serenidade e atendimento a determinação constitucional de harmonia federativa, com ações e serviços públicos de saúde integrando uma rede  regionalizada e hierarquizada. E, conforme preconiza o artigo 196 da Constituição Federal de 1988:
“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. ”

A depender da resposta do Governo Federal ao presente ofício, pois o posicionamento até o momento tem sido dúbio e gerado insegurança na população, não restará outra alternativa  os prefeitos se não recorrer à justiça brasileira com pedido de transferência ao Presidente da  república das responsabilidades cíveis e criminais pelas ações locais de saúde e suas  consequências.

Destacando que no Presidencialismo o presidente da República é respectivamente chefe de Governo e chefe de Estado, dirige o Poder Executivo e coordena a Federação, pedimos celeridade nessas respostas.

Ressaltamos, ainda, que este ofício será encaminhado com cópia para os presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal, ao procurador-geral Ministério Público Federal e ao ministro da Saúde.

Com cordiais saudações municipalistas,
JONAS DONIZETTE
Prefeito de Campinas/SP
Presidente da Frente Nacional de Prefeitos

Coronavírus: Frente Nacional de Prefeitos diz que fim da 'contenção social' pode levar a colapso do SUS


A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) voltou a criticar, nesta sexta-feira (27), a postura do presidente Jair Bolsonaro em relação ao combate ao novo coronavírus e alertou que o fim da "contenção social" pode levar ao colapso no Sistema Único de Saúde (SUS).



Em ofício enviado a Brasília (DF), a entidade promete que governadores municipais vão à Justiça para transferir responsabilidades cíveis e criminais ao governo federal em relação às ações adotadas e suas consequências. Leia a matéria na íntegra aqui

Oração:


"Deus onipotente e misericordioso, olha a nossa dolorosa situação: conforta teus filhos e abre nossos corações à esperança, porque sentimos sua presença de Pai em nosso meio". Amém. (Papa Francisco)

Papa Francisco: Abraçar o Senhor para abraçar a esperança


Com o cenário inédito da Praça São Pedro vazia com o Papa Francisco diante da Basílica Vaticana, o Pontífice afirmou que é "diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos povos”. Francisco falou ainda da ilusão de pensar "que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente".

Abraçar o Senhor para abraçar a esperança: esta é a mensagem do Papa Francisco aos fiéis de todo o mundo que, neste momento, se encontram em meio à tempestade causada pela pandemia do coronavírus.

Diante de uma Praça São Pedro completamente vazia, mas em sintonia com milhões de pessoas através dos meios de comunicação, o trecho escolhido para a oração dos féis foi a tempestade acalmada por Jesus, extraído do Evangelho de Marcos.

E foi esta passagem bíblica que inspirou a homilia do Santo Padre, que começa com o “entardecer…”.

“Há semanas, parece que a tarde caiu. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo de um silêncio ensurdecedor e de um vazio desolador… Nos vimos amedrontados e perdidos.”

Estamos todos no mesmo barco
Estes mesmos sentimentos, porém, acrescentou o Papa, nos fizeram entender que estamos todos no mesmo barco, “chamados a remar juntos”.

Neste mesmo barco, seja com os discípulos, seja conosco agora, está Jesus. Em meio à tempestade, Ele dorme – o único relato no Evangelho de Jesus que dorme – notou Francisco. Ao ser despertado, questiona: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).

Com a tempestade, afirmou o Papa, cai o nosso “ego” sempre preocupado com a própria imagem e vem à tona a abençoada pertença comum que não podemos ignorar: a pertença como irmãos.

“Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»”

O Senhor então nos dirige um apelo, um apelo à fé. Nos chama a viver este tempo de provação como um tempo de decisão: o tempo de escolher o que conta e o que passa, de separar aquilo que é necessário daquilo que não é. “O tempo de reajustar a rota da vida rumo ao Senhor e aos outros.” 

A heroicidade dos anônimos
Francisco cita o exemplo de pessoas que doaram a sua vida e estão escrevendo hoje os momentos decisivos da nossa história. Não são pessoas famosas, mas são “médicos, enfermeiros, funcionários de supermercados, pessoal da limpeza, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho”.

“É diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos”, afirmou o Papa, que recordou que a oração e o serviço silencioso são as nossas “armas vencedoras”.

A tempestade nos mostra que não somos autossuficientes, que sozinhos afundamos. Por isso, devemos convidar Jesus a embarcar em nossas vidas. Com Ele a bordo, não naufragamos, porque esta é a força de Deus: transformar em bem tudo o que nos acontece, inclusive as coisas negativas. Com Deus, a vida jamais morre.

Temos uma esperança
Em meio à tempestade, o Senhor nos interpela e pede que nos despertemos. “Temos uma âncora: na sua cruz fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor.”

Abraçar a sua cruz, explicou o Papa, significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de onipotência e posse, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. “Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança.” Aqui está a força da fé e que liberta do medo. Francisco então concluiu:

 “Deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo, desça sobre vocês, como um abraço consolador, a bênção de Deus. Senhor, não nos deixes à mercê da tempestade.”

Ao final da homilia, o Pontífice adorou o Santíssimo e concedeu a bênção Urbi et Orbi, com anexa a Indulgência Plenária.

Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano
Fonte: Vatican News

27 março, 2020

Juntos a favor do isolamento


“O meu desejo é a Vida do meu povo.” (Ester7,3)
Juntos a favor do isolamento.
São muitos os infectados e recuperados do novo coronavírus (covid-19).

CNBB reforça recomendação ao episcopado brasileiro de manter o distanciamento social



CNBB reforça recomendação ao episcopado brasileiro de manter o distanciamento social

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu, na tarde desta quinta-feira, 26 de março, a todos os arcebispos e bispos católicos do país, a orientação sobre qual postura tomar quanto aos decretos do Poder Executivo Federal, incluindo o Decreto 10.292 (art. 3º, inciso 39), assinado ontem, que afirma que, dentro dos serviços públicos e atividades essenciais, encontram-se as “atividades religiosas de qualquer natureza”.

Segundo o informe, as atividades religiosas foram, por decreto, inseridas no grupo das atividades essenciais, porém sob a condição – assim diz o próprio Decreto – de se obedecer ao que o Ministério da Saúde determina.

A CNBB, considerando as orientações emanadas pelas autoridades competentes do Ministérios da Saúde, que indicam o distanciamento social, orienta os bispos que as igrejas podem permanecer abertas, porém, do modo como tem sido feito até agora, apenas para orações individuais, transmissões online, etc. Segundo o documento, “não há como entender que os instrumentos legais possam obrigar a reabertura das igrejas, muito menos para a prática de qualquer tipo de aglomeração”.

Conheça abaixo a íntegra da parte do comunicado interno sobre os decretos do Executivo Federal, assinado pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Joel Portella Amado, enviado ao episcopado brasileiro na tarde desta quinta -feira:

DECRETOS DO PODER EXECUTIVO FEDERAL
Temos diante de nós um composto legislativo: Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020; Decreto nº 10.282, de 20 de março de 2020 e o Decreto nº 10.292, de 25 de março de 2020.

Todos, de algum modo, tratam de medidas para o “enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019″ (Lei 13.979, art. 3º).  Essa mesma lei diz que as medidas adotadas “deverão resguardar o exercício e o funcionamento de serviços públicos e atividades essenciais” (§8º), cabendo ao Presidente da República indicar, mediante decreto, quais são os serviços públicos e as atividades essenciais (§9º).

Essenciais são aqueles serviços e atividades que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população (art. 3º, § 1º). Este não é o caso das igrejas.

No entanto, o Decreto 10.292 (art. 3º, inciso 39), assinado ontem, afirma que, dentro dos serviços públicos e atividades essenciais, encontram-se as “atividades religiosas de qualquer natureza, obedecidas as determinações do Ministério da Saúde”. Desse modo, as atividades religiosas foram, por decreto, inseridas no grupo das atividades essenciais, porém sob a condição – assim diz o próprio Decreto – de se obedecer ao que o Ministério da Saúde determinar.

Considerando, pois, que as orientações emanadas pelas autoridades competentes do Ministério da Saúde indicam o distanciamento social, as igrejas, se os bispos assim o considerarem, podem permanecer abertas, porém, do modo como tem sido feito: orações individuais, transmissões online etc. Não há como entender que os instrumentos legais acima referidos possam obrigar a reabertura das igrejas, muito menos para a prática de qualquer tipo de aglomeração.

Enfim, caros irmãos, reitero a unidade e a solidariedade de toda a Presidência da CNBB. Sabemos o quanto tem sido árduo equilibrar, por um lado, o atendimento religioso aos enfermos, aos profissionais da saúde e a todas as pessoas em geral e, por outro, seguir as normas sanitárias, cuja base é o distanciamento social. Sabemos também que, junto às preocupações especificamente pastorais, rondam-nos questões ligadas ao sustento de nossas igrejas, tanto no que concerne aos bens temporais quanto à caridade que praticamos. Os pobres esperam de nós tanto a presença espiritual quanto material. Essa presença começa pelo testemunho de quem, preocupado, por certo, com os aspectos materiais, escolhe, porém, a vida e a caridade em primeiro lugar.

Angustia-nos, por isso, a colocação do dilema vida versus economia. Num tempo quaresmal, em que a Campanha da Fraternidade nos interpela a viver a vida como dom e compromisso, recordo o que o Santo Padre nos disse em sua mensagem para a abertura da CF 2020:

“…a Quaresma é um tempo propício para que, atentos à Palavra de Deus que nos chama à conversão, fortaleçamos em nós a compaixão, nos deixemos interpelar pela dor de quem sofre e não encontra quem o ajude. É um tempo em que a compaixão se concretiza na solidariedade, no cuidado. …”

Em nome da Presidência de nossa querida CNBB, manifesto a mais plena unidade e reafirmo a disponibilidade em ajudar no que for possível e necessário.

Que o Deus da Vida nos ajude a contribuir para “formar uma nova mentalidade política e econômica que ajude a superar a dicotomia absoluta entre a economia e o bem comum social” (EG 205).

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

Fonte: CNBB

Prece


"Nestes dias chegaram notícias de que muita gente começa a preocupar-se num modo mais geral com os outros e pensam nas famílias que não têm o suficiente para viver, nos anciãos sós, nos doentes no hospital e rezam e buscam fazer chegar alguma ajuda… Esse é um bom sinal. Agradecemos ao Senhor por suscitar esses sentimentos no coração de seus fiéis." (Papa Francisco)

26 março, 2020

Um gesto de amor – doe sangue


Com a pandemia do novo coronavírus (covid-19),  no Hemocentro Regional de Maringá, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), o número de doadores tem sido menor.

Não tenhamos medo, o ambiente de doação é seguro. Estamos bem de saúde e fora de quarentena, vamos doar sangue.

Para reforçar a prevenção contra o novo coronavírus”, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde atualizaram os critérios de doação nos bancos de sangue em todo o Brasil.

Os critérios de agora são:

-  Pessoas com tosse, coriza, dor de garganta e com sinais de gripe e febre deverão esperar 15 dias após a melhora para doar.

-  Pessoas que estiveram recentemente em outros países estão impedidas de doar por 30 dias depois da data de retorno.

- Pessoas que tiveram contato com pacientes com casos suspeitos ou diagnosticados pela covid-19 devem esperar pelo menos 30 dias para doar.

Quem pode doar:

- Pessoas que estejam bem de saúde
- Que tenham entre 16 e 69 anos e com peso acima de 50 kg.
- Os menores de idade com consentimento formal dos responsáveis.

Não podem doar quem tiver 61 anos ou mais e nunca doou.

Evite alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação e, no caso de bebidas alcoólicas, o período é de 12 horas.

É preciso apresentar documento oficial com foto.

O Hemocentro Regional de Maringá atende de segunda a sexta-feira das 7h às 18h30, e aos sábados entre 7h e 12h30. O endereço é Avenida Mandacaru, 1.590, ao lado do Hospital Universitário da UEM, em Maringá (PR).

De um presidente se espera coragem e lucidez. Mas Bolsonaro age de modo inconsequente.


Por Padre Genivaldo Ubinge

De um presidente se espera coragem e lucidez. Mas Bolsonaro age de modo inconsequente.

Como deveria ter agido:

1. Em diálogo com a sua equipe dos ministérios da saúde, economia, comunicação, segurança... deveria ter traçado um plano claro e objetivo no confronto do coronavírus.

2. Reunido-se com estas equipes com os governadores, chefes do legislativo e judiciário. Para tratar deste plano e mobilizar os chefes das unidades federativas em ações conjuntas.

3. Neste plano deveria conter, de acordo com os marcos legais:
- Medidas sanitárias: as atividades que não poderiam parar de forma alguma, antes serem reforçadas; as que poderiam ser diminuídas e as que deveriam parar imediatamente para cumprir distanciamento social,
- Medidas econômicas: para garantir a produção e circulação de suprimentos essenciais a vida e saúde da população; mobilidade e segurança dos profissionais que não podem parar; manutenção e seguro social às famílias de autônomos; apoio às empresas que devem parar atividades e medidas de recuperação econômico.

4. Colocando este plano em prática, o Presidente, como chefe da nação vai a rede nacional para se pronunciar e gerar confiança na população para mobilizar a população no confronto a pandemia.

E o que nós temos?

- Um ministro de saúde que põe em xeque a estratégia que tinha estabelecido com sua equipe;

A população deixada à sua própria sorte e risco, sem nenhuma orientação de como deve proceder;

Uma sensação de desconfiança em relação à capacidade das autoridades no confronto à pandemia.

Um presidente que em seus discursos, empenha-se para se eximir de suas responsabilidades.

Minha pergunta: quem tem contribuído para o pânico e histeria?

Ensaio uma resposta: Bolsonaro!
O mensageiro do caos.


Veja como Bolsonaro distorce dados de Itália e Japão para benefício próprio


O presidente Jair Bolsonaro foi irresponsável ao usar exemplos pontuais com o objetivo de moldar seu discurso, dizem especialistas em saúde pública.

No pronunciamento, o presidente acusou a imprensa de fazer "histeria" e "espalhar sensação de pavor" ao expor o número de casos da Itália.

Em contraponto, publicou em seu Twitter um vídeo de um brasileiro que mostra aglomerações em um parque no Japão, onde não há quarentena.

A cultura japonesa e os climas diferentes dos três países são fatores que influenciam na propagação do novo coronavírus.

LEIA A MATÉRIA AQUI

Prece


"Nestes dias de tanto sofrimento, há tanto medo. O medo dos anciãos, que se encontram sozinhos, nas casas de repouso ou no hospital ou na casa deles e não sabem o que pode acontecer. O medo dos trabalhadores sem trabalho fixo que pensam como prover o alimento a seus filhos e veem a fome chegar. O medo de tantos agentes sociais que neste momento ajudam a sociedade a seguir adiante e podem pegar a doença. Também o medo – os medos – de cada um de nós: cada um sabe qual é o próprio. Rezemos ao Senhor a fim de que nos ajude a ter confiança e a tolerar e vencer os medos." (Papa Francisco)

Dom Walmor faz contraponto a pronunciamento do Governo Federal

24 março, 2020

Uma saudade que dói

Hoje, muita saudade de minha santa mãezinha.

Não temos presidente


Um homem totalmente inconsequente agora a pouco em rede nacional pronunciou para pedir que governadores e prefeito parem com quarentenas e interrompam o fechamento do comércio, das escolas, acusou imprensa. Precisamos de uma pessoa para a presidência.

Sabem o que é isso?


DCTF-mensal, EFD-Contribuições, ECD-Contábil, GFIP, RAIS, EFD-Reinf, SPED Fiscal e DEFIS-Simples Nacional, e outras.

São obrigações da pessoa jurídica que são realizadas pelo profissional de contabilidade. E até agora, o governo não manifestou prorrogação e dispensa das penalidades por atrasos.
Órgãos competentes é preciso agir.

Consegui entregar agora DEFIS Simples Nacional de minha responsabilidade. Vou ficar em casa, atendendo as recomendações, tem as outras obrigações que vou deixar para depois.

E as demais obrigações? Dependem de vocês órgãos competentes de cobrar o governo.

3ª Celebração dos Mártires em honra a São Oscar Romero

Vigília em memória dos 40 anos do Martírio de Santo Oscar Romero.
Nesta terça-feira, 24 de março de 2020
Às 22h

Transmissão ao vivo pelo Facebook da Paróquia São Mateus Apóstolo de Maringá.



Equilíbrio x Exagero x Ousar


Estamos precisando de equilíbrio, ando vendo exagero demais. O ser humano é frágil. Ousar para variar ou fazer variar.

Não estamos no mesmo barco

Desigualdade social
Não estamos no mesmo barco.

Oscar Romero, o São Romero das Américas



Oscar Romero, o São Romero das Américas
Assassinato: 24 de março de 1980, São Salvador, El Salvador

Romero está vivo e conforta os pobres e marginalizados, é luz do mundo e o sal da terra.

“Bendito sejas, Deus da vida, pela luz de Cristo, o Mártir Jesus e por tantas vidas dadas pela vida, dadas pelo Reino!”.

Somos provocadas e provocados pela manifestação de nosso Deus ao nos fazer um convite profético “Não tenham medo”.

Imaginemos a vida de um mártir, os momentos antes do próprio martírio.  São muito os mártires da caminhada, mulheres e homens de todos os tempos.

Trazemos presente Oscar Romero, o São Romero das Américas, o critério central de sua atuação foi o bem dos pobres e muitas vezes repetiu “a paz, a verdadeira paz, somente pode ser construída sobre a justiça social.”

- Nascimento: 15 de agosto de 1917, Ciudad Barrios, El Salvador
- Nacionalidade: Salvadorenho
- Assassinato: 24 de março de 1980, São Salvador, El Salvador
- Sepultamento: Catedral Metropolitana de San Salvador, São Salvador, El Salvador
Irmãos: Mamerto Romero y Galdamez, MAIS

- 1997 Romero foi declarado "Servo de Deus" pelo papa João Paulo II
- 2015 mês de fevereiro o papa Francisco aprovou o decreto de beatificação, reconhecendo-o como mártir
- 2015 no dia 23 de maio solenidade de beatificação de na capital salvadorenha
- 2018 14 de outubro, Romero foi canonizado pelo papa Francisco

Óscar Romero o primeiro arcebispo martirizado da América, o primeiro a ser declarado mártir depois do Concílio Vaticano II e o primeiro santo da América Central.

23 março, 2020

Coronavírus: Venezuela quer proibir empresas de demitir funcionários


O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou neste domingo que vai assinar um novo decreto que proíbe empresas de demitir seus funcionários até dezembro de 2020 em meio à pandemia do novo coronavírus. Leiam a matéria Aqui.

Maduro anuncia medidas para proteger o trabalho de venezuelanos durante pandemia


O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro anunciou no domingo (22), uma série de medidas de proteção social. Entre as decisões, está que o Estado assumirá o pagamento dos salários dos trabalhadores de pequenas e médias empresas do setor privado pelos próximos seis meses. Para ter direito ao salário, os trabalhadores deverão preencher um formulário na plataforma Pátria - mesmo mecanismo de coleta de dados sobre a covid-19 e de pagamento de bônus sociais.

De acordo com dados do Ministério do Poder Popular para o Processo Social do Trabalho, 7,8 milhões de venezuelanos e venezuelanas estão empregados no sistema formal, tanto em empresas públicas, como privadas, o que representava 60,3% da população economicamente ativa do país em abril de 2016.

Aos trabalhadores informais, que representam quase 40% dos empregados no país, o chefe de Estado afirmou que anunciará novos bônus especiais. Até o momento,..Continue lendo clicando Aqui.

Bolsonaro autoriza suspensão de trabalho e salário por quatro meses


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) autorizou a suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses, por meio de uma medida provisória (MP) publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (23).

A MP, que valerá durante o período de calamidade pública em decorrência da pandemia do novo coronavírus, tem validade de 60 dias e deve ser aprovada pelo Congresso Nacional dentro desse prazo. Caso isso não ocorra, a MP caduca.

Nesse período, de acordo com a MP, o funcionário deixa de trabalhar, e o empregador de pagar o salário. A empresa, no entanto, é obrigada a manter o pagamento de benefícios, como plano de saúde, e a oferecer cursos de qualificação online.

Ainda pode, em caráter não obrigatório,continue lendo...Clique Aqui

22 março, 2020

Se você me ouvir agora

Para Relaxar!




Dia Mundial da Água – 22 de março


Bilhões não têm acesso à água e sabão


“Será como um novo pós-guerra.” Entrevista com o Papa Francisco


“Aqui se chora e se sofre. Todos. Só podemos sair dessa situação juntos, como humanidade inteira.” Por isso, é preciso “olhar para o outro com espírito de solidariedade” e comportar-se consequentemente. O Papa Francisco acompanha com apreensão a evolução da emergência do coronavírus. Mas, ao telefone, na segunda-feira, 16 de março, também quis infundir esperança na “luz” que chegará e iluminará a escuridão “que entrou em todas as casas”, sob a forma de dor e preocupação.
A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada em La Stampa, 20-03-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Depois deste tempo suspenso, será “um pouco como um pós-guerra”, adverte o pontífice. Será preciso reconstruir. Sobre quatro pilares principais: “As raízes”, representadas acima de tudo pelos avôs e avós, pelos idosos; “a memória” destes dias tão surreais; “a fraternidade” entre os seres humanos; “a esperança, que nunca decepciona”.

Eis a entrevista.

Santidade, aproxima-se uma Páscoa “a portas fechadas”, com celebrações apenas via web, TV e rádio: para muitos fiéis, será um sofrimento no sofrimento. Como deve ser vivida esta Páscoa em meio à pandemia?
Com penitência, compaixão e esperança. E humildade, porque muitas vezes nos esquecemos de que, na vida, há “zonas escuras”, momentos sombrios. Achamos que isso só pode acontecer com algum outro. Em vez disso, este tempo é obscuro para todos, sem excluir ninguém. É marcado pela dor e pelas sombras, que entraram em casa. É uma situação diferente das que vivemos. Até porque ninguém pode se dar ao luxo de ficar tranquilo. Cada um compartilha estes dias difíceis.
No Ângelus, o senhor disse que a Quaresma pode ajudar a encontrar um sentido para tudo o que está acontecendo: como?
O tempo de preparação para a Páscoa, com a oração e o jejum, nos treina para olhar com solidariedade para os outros, especialmente aqueles que sofrem. À espera do esplendor daquela luz que iluminará de novo tudo e todos.
É particularmente importante rezar neste período?
Vêm à minha mente os Apóstolos na tempestade em que invocam Jesus: “Mestre, estamos nos afogando”. A oração nos faz entender a nossa vulnerabilidade. É o grito dos pobres, daqueles que estão afundando, que se sentem em perigo, sozinhos. E, em uma situação difícil, desesperada, é importante saber que o Senhor está aí, em quem podemos nos agarrar.
Como Deus pode nos ajudar?
Ele nos sustenta de muitos modos. Ele nos transmite fortaleza e proximidade, assim como fez com os discípulos que, na tempestade, pediam ajuda. Ou quando deu a sua mão a Pedro que estava se afogando.
Onde os não crentes podem encontrar conforto e encorajamento?
Não gosto de distinguir entre crentes e não crentes. Somos todos humanos e, como seres humanos, estamos todos no mesmo barco. E nenhuma coisa humana deve ser alheia a um cristão. Aqui se chora porque se sofre. Todos. A humanidade e o sofrimento são comuns. Ajudam-nos a sinergia, a colaboração recíproca, o senso de responsabilidade e o espírito de sacrifício que é gerado em muitos lugares. Não devemos fazer distinção entre crentes e não crentes. Vamos à raiz: a humanidade. Diante de Deus, todos somos filhos.
Entre os dramas da Covid-19, estão os casos de quem morre em isolamento, sem o afeto dos parentes que não podem se aproximar para não se contagiarem. São cenas dilacerantes que estão ocorrendo cotidianamente nos hospitais, em Bérgamo, na Bréscia, em Cremona. Alguns, poucos antes de morrer, mandam o seu adeus à esposa, ao marido, aos filhos, por meio dos enfermeiros. Que pensamentos lhe vêm à mente e ao coração?
Nestes dias, contaram-me uma história que me tocou e entristeceu, até porque representa o que está ocorrendo nos hospitais. Uma idosa entendeu que estava morrendo e queria se despedir dos seus entes queridos: a enfermeira pegou o celular e fez uma videochamada para a neta, assim a idosa viu o rosto da neta e pôde ir embora com essa consolação. É a necessidade última de ter uma mão que pegue na sua mão. De um gesto de companhia final. E muitas enfermeiras e enfermeiros acompanham esse desejo extremo com o ouvido, escutando a dor da solidão, pegando-a nas mãos. A dor de quem foi embora sem despedida se torna ferida no coração de quem fica. Agradeço a todos esses enfermeiros e enfermeiras, médicos e voluntários, que, apesar do cansaço extraordinário, inclinam-se com paciência e bondade de coração para suprir a ausência forçada dos familiares.
O “seu” Piemonte é uma das regiões mais flageladas pelo vírus. Recentemente, por causa do resfriado, o senhor não pôde voltar para lá: o que gostaria de dizer aos piemonteses?
“La Consolà” (aqui o papa fala em piemontês). “O’ Protetris dla nòstra antica rassa, cudissne Ti, fin che la mòrt an pija: come l’aqua d’un fium la vita a passa, ma ti, Madòna, it reste” (“Ó Protetora da nossa antiga raça, protege-me, Tu, até que a morte me tome: como a água de um rio, a vida passa, mas Tu, Senhora, tu permaneces”). Aos piemonteses, eu digo que rezem a “Consolata”, com fé e esperança.
Esta emergência planetária se caracteriza também por uma rede de solidariedade, composta por milhares de pessoas que estão fazendo sacrifícios pelo bem dos outros. Quando tudo acabar, ela poderá ter servido para alguma coisa para o futuro?
Para recordar aos homens e mulheres, de uma vez por todas, que a humanidade é uma única comunidade. E como é importante, decisiva a fraternidade universal. Devemos pensar que será um pouco um pós-guerra. Não haverá mais “o outro”, mas seremos “nós”. Porque só poderemos sair desta situação todos juntos.
A partir de onde será preciso recomeçar como seres humanos?
Deveremos olhar ainda mais para as raízes: o avôs, as avós, os idosos. Construir uma verdadeira fraternidade entre nós. Fazer memória desta difícil experiência vivida todos juntos. E seguir em frente com esperança, que nunca decepciona. Essas serão as palavras-chave para recomeçar: raízesmemóriafraternidade e esperança.
Fonte: IHU