17 dezembro, 2019
Cinco programas educativos que devem ser extintos com o fim da TV Escola
Governo encerra contrato com a responsável pelo canal, e
futuro do canal para 2020 é incerto
A TV Escola foi despejada do prédio do Ministério da
Educação (MEC) em Brasília (DF), na última sexta-feira (13), após o
encerramento do contrato do governo com a Associação de Comunicação Educativa
Roquette Pinto (Acerp), responsável pelo canal. Com o fim do vínculo, o futuro
da TV Escola é incerto.
Em nota, o MEC confirmou o encerramento do contrato, mas não
deixou claro o motivo do rompimento nem do despejo.
Nesta segunda (16), o presidente Jair Bolsonaro deu uma
pista, afirmando que a TV Escola "deseduca" e que "ninguém
assiste".
Se o término do canal for confirmado, diversos programas de
cunho educativo, como o “Sua escola, nossa escola - Alfabetização”, também
deverão ser extintos.
Confira alguns dos programas mais assistidos do canal que
poderão ter a exibição interrompida:
Futura Profissão
A série mostra como é o mercado de trabalho e como deve ser
o futuro de diversas carreiras técnicas e tecnológicas.
A produção do programa visita diferentes cidades do brasil,
mostrando a atuação dos trabalhadores na extração de minério até a criação de
vestuário e design de calçados.
Cada episódio é dedicado a uma profissão e também traz o
relato de estudantes, que aspiram exercer aqueles ofícios, dentro da sala de
aula.
Meu país, nosso mundo
O programa mostra como adolescentes, ao redor do mundo,
lidam com os problemas ambientais.
Cada episódio retrata a vida de um jovem comprometido com a
promoção do cuidado com o meio ambiente. Episódios de países como Uruguai,
Brasil, México, Equador e Paraguai estão disponíveis no site da TV Escola.
No território brasileiro, o programa contou como Daynara, de
Abaetetuba, do Pará, mobiliza a sua comunidade para resgatar um projeto que
produz energia a partir do caroço do açaí, mas que está desativado desde 2015.
Em Horizonte, no Ceará, a partir do teatro, jovens levam consciência ambiental
para a população. No litoral sul de São Paulo, em Cananéia, um grupo de
adolescentes viaja por ilhas e municípios para falar sobre a importância da
preservação do boto cinza, considerado um patrimônio local. Também em São
Paulo, na cidade de Guarulhos, três jovens recolhem óleo de cozinha para evitar
a degradação do Rio Cabuçu.
Sua escola, nossa escola - Alfabetização
A série traz a experiência de alfabetização em seis escolas,
em turmas da primeira série, por quatro partes do Brasil: duas no Sudeste, uma
no Norte, uma no Centro-Oeste e duas no Nordeste.
De acordo com a descrição do programa no site da TV Escola,
“mais do que servir de exemplo, elas [essas escolas] são estímulos para que
outras escolas busquem também construir seu próprio caminho, com criatividade,
critica e consciência pedagógica, formando desde hoje os cidadãos de amanhã.”
Um dos episódios trata da Escola Municipal Santa Rita, em
Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. O problema em questão é o isolamento da
unidade dos grandes centros urbanos. Isso se traduz em experiências
extra-escolares limitadas. A partir dessa situação, o programa mostra projetos
voltados para a área de comunicação, com o objetivo de integrar os alunos da
zona rural a experiências da cidade, e vice-versa.
Destino: Educação - Escolas inovadoras
A série exibe iniciativas educacionais transformadoras em
doze instituições de ensino espalhadas pelo mundo. Um dos episódios de maior
sucesso mostra a experiência exitosa da Riverside School, em Ahmedabad, na
Índia. Essa escola trabalha com os seus 400 alunos uma ideia inusitada: todos
são super heróis. Do ensino infantil ao médio, os adolescentes e crianças
aprendem a ser donos de suas próprias histórias e capazes de mudar o mundo.
Desde que entram na escola, são incentivados a seguir quatro instruções em suas
atividades: sentir, imaginar, fazer e compartilhar.
O que é para você?
Nesse programa, crianças e adolescentes ressignificam
palavras que fazem parte do cotidiano, como leitura, trabalho, música,
liberdade e amor. Dali, saem as mais diversas definições a partir de suas experiências.
Em um dos capítulos, os estudantes ressignificam a palavra
“deficiência” e explicam quais são as dificuldades enfrentadas por pessoas
portadoras de necessidades especiais. Eles também sugerem como a sociedade pode
ajudar essas pessoas a superar os desafios do cotidiano.
* Com informações de Erick Gimenes e texto de Caroline
Oliveira
Edição: Daniel Giovanaz
Brasil de Fato | São Paulo (SP),16 de Dezembro de 2019 às
18:09
15 dezembro, 2019
Nesse momento a ternura de Deus!
Nesse momento, ao chegar para celebrar, com antecedência para ir ficando com intimidade com o nosso Deus, de olhos fechado sinto tocar minha costa, ao olhar uma senhorinha, ela sorriu e deu- me um abraço. O abraço materno de nosso Deus. Esse momento mais terno tornou-se, enquanto estava narrando esse momento, a ministra da Eucaristia Ermelinda Delnero Delnero, aproximou-se e disse, vim lhe dar um abraço.
8º Nordestão das CEBs
8º Nordestão das CEBs
Iguatu 16 a 19 de julho de 2020
TEMA: CEBs do Nordeste: uma igreja em saída na busca do bem
viver
LEMA: Vejam! Eu vou criar um novo céu e uma nova terra.
OBJETIVO GERAL: Contribuir para o fortalecimento das CEBs no
compromisso do Bem Viver
EXPLICAÇÃO DO CARTAZ
O cartaz do 8º Nordestão das CEBs, que acontecerá em julho
de 2020, na diocese de Iguatu, Ceará, evoca os sentimentos do Papa Francisco
para uma Igreja em saída, expressando assim a proposta do Evangelho de Jesus de
Nazaré, que convoca todas as pessoas à prática do Bem Viver.
O sol e a água fertilizam a terra produzindo a
sustentabilidade da vida em todos os contextos de sua existência, representada
aqui nas 5 palmeiras, árvore típica do Ceará, como também no resistente
mandacaru, nas casas simples de periferias e nos prédios que simbolizam a
cultura Urbana. São arquétipos - imagens primordiais - da cultura nordestina,
que motivam a fé e a esperança do povo na "criação do novo céu e da nova
terra", extraindo o sentido de que "tudo está interligado nesta casa
comum".
Deus se faz pessoa humana em Jesus e a sua imagem escrevendo
na areia relembra a promessa do "novo céu e da nova terra" que se
repete no gesto que calou violência dos que queriam apedrejar uma pecadora. Ele
reafirma, claramente, nos tempos atuais, que "o novo céu e a nova
terra" se constroem com misericórdia e com a Justiça do "novo homem e
da nova mulher".
O lavrador e o índio, portando as ferramentas de arar a
"nova terra", mostram que a luta por diretos deve ser pacifica,
revitalizada sempre no tempo presente, contando com a vida pulsante e
protagonista das juventudes, infalivelmente inseridas nos processos de
ressignificação da sociedade e do mundo.
A mulher negra, força da humanidade no seu mais profundo
sentido. É o Deus Mãe, que carrega em seu ventre todas as cores e raças e o
anseio de Justiça aos que sofrem. Tal qual a jovem Maria de Nazaré, gravida da
salvação do mundo, vencendo os estigmas da sociedade culturalmente agressiva.
Neste sentido, Nossa Senhora, para o povo nordestino,
representada na imagem da mulher, é indissociável do projeto de Deus, é aquela
que melhor apresenta o Bem Viver, traduzindo as verdades da fé contida na
palavra santa: " Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações
dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de
bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos..."
A Bíblia aberta é uma das imagens que mais explicita a fé
nordestina, principalmente nas comunidades eclesiais de base. O Evangelho
mostra que o "Bem viver" consiste na construção de uma sociedade que
se paute nos valores da Justiça, da fraternidade, da partilha, da solidariedade
e da paz, para que não haja pessoas excluídas, sendo maltratadas e mortas pela
ambição do poder.
13 dezembro, 2019
Será que Deu faz-me experimentar a provação?
Natal!
Em Jesus a certeza que Deus escuta nossas dores, nosso
gritos.
Será que Deu faz-me experimentar a provação?
Aproxima o Natal, apenas 12 dias. Todos os natais que já
celebrei, minha santa mãezinha era a articuladora. Ir à missa e reunir a família.
Incansável, eu ficava doida com ela, na véspera, dia 24, trabalhava o dia
inteiro para preparar coisas gostosas, deixar tudo limpo para em seguida, unir
todos e o que ela tinha deixado limpo e organizado, em poucos segundos virava
uma bagunça. E era assim. Era bom, muito mais do que eu imaginava.
Não sei como celebrarei o natal nesse ano. Minha mãezinha um
mês e treze dias foi para junto do meu irmão, seu filho que dois anos e quatro
meses o nosso Deus também o levou. Fizeram sua páscoa, más a separação dói, e
muito.
Não só a separação pela páscoa deles, más desde o início de
2017 até o momento, dificuldades e situação difícil e outras injusta. Fica a
pergunta, será que Deu faz-me experimentar a provação?
Provação ou não, minha fé não perdi. Nesse tempo de espera
para o natal a certeza que a mensagem de Jesus permanece válida para quem
sofrem conflitos de qualquer tipo. São tantos os tipos de conflitos e
sofrimentos presentes no mundo, tanta violência que destroem propostas e ações
que visam á paz.
Em Jesus a certeza que Deus escuta nossas dores, nosso
gritos. Natal, nascimento de Jesus, é a certeza do amor de Deus por nós, pelos
que sofrem, pelos pobres, oprimidos, abandonados e por tantas outras e tantos
outros que são solidários e também pelos pecadores. O amor de Deus por nós é
tanto que não pôde permanecer em Si mesmo, mas teve de sair de Si mesmo e vir
ter conosco. Essa certeza me mantém viva e forte, mesmo em minhas fraquezas.
“A paz como caminho de esperança” é o tema da mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz
“A paz como caminho de esperança” é o tema da mensagem do
Papa para o Dia Mundial da Paz
“A paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e
conversão ecológica” é o tema da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial
da Paz de 2020, celebrado em 1º de janeiro.
O texto foi divulgado quinta-feira (12/12) e traz como
referências principais dois eventos que marcaram o Vaticano este ano: o Sínodo
dos Bispos para a Amazônia, realizado em outubro, e a viagem do Santo Padre ao
Japão, no final de novembro.
“A esperança é a virtude que nos coloca a caminho, dá asas
para continuar, mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis”, escreve o
Pontífice. Entre esses obstáculos, o Papa cita as guerras e os conflitos que
continuam ocorrendo, que marcam a humanidade na alma. Toda guerra, reforça, é
um fratricídio.
Conheça a íntegra da mensagem
MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA A CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA PAZ
1º DE JANEIRO DE 2020
A PAZ COMO CAMINHO DE ESPERANÇA: DIÁLOGO, RECONCILIAÇÃO E
CONVERSÃO ECOLÓGICA
1. A paz, caminho de esperança face aos obstáculos e
provações
A paz é um bem precioso, objeto da nossa esperança; por ela
aspira toda a humanidade. Depor esperança na paz é um comportamento humano que
alberga uma tal tensão existencial, que o momento presente, às vezes até
custoso, «pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar
seguros dessa meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do
caminho».[1] Assim, a esperança é a virtude que nos coloca a caminho, dá asas
para continuar, mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis.
A nossa comunidade humana traz, na memória e na carne, os
sinais das guerras e conflitos que têm vindo a suceder-se, com crescente
capacidade destruidora, afetando especialmente os mais pobres e frágeis. Há
nações inteiras que não conseguem libertar-se das cadeias de exploração e
corrupção que alimentam ódios e violências. A muitos homens e mulheres,
crianças e idosos, ainda hoje se nega a dignidade, a integridade física, a liberdade
– incluindo a liberdade religiosa –, a solidariedade comunitária, a esperança
no futuro. Inúmeras vítimas inocentes carregam sobre si o tormento da
humilhação e da exclusão, do luto e da injustiça, se não mesmo os traumas
resultantes da opressão sistemática contra o seu povo e os seus entes queridos.
As terríveis provações dos conflitos civis e dos conflitos
internacionais, agravadas muitas vezes por violências desalmadas, marcam
prolongadamente o corpo e a alma da humanidade. Na realidade, toda a guerra se
revela um fratricídio que destrói o próprio projeto de fraternidade, inscrito
na vocação da família humana.
Sabemos que, muitas vezes, a guerra começa pelo facto de não
se suportar a diversidade do outro, que fomenta o desejo de posse e a vontade
de domínio. Nasce, no coração do homem, a partir do egoísmo e do orgulho, do
ódio que induz a destruir, a dar uma imagem negativa do outro, a excluí-lo e
cancelá-lo. A guerra nutre-se com a perversão das relações, com as ambições
hegemónicas, os abusos de poder, com o medo do outro e a diferença vista como
obstáculo; e simultaneamente alimenta tudo isso.
Como fiz notar durante a recente viagem ao Japão, é
paradoxal que «o nosso mundo viva a dicotomia perversa de querer defender e
garantir a estabilidade e a paz com base numa falsa segurança sustentada por
uma mentalidade de medo e desconfiança, que acaba por envenenar as relações
entre os povos e impedir a possibilidade de qualquer diálogo. A paz e a
estabilidade internacional são incompatíveis com qualquer tentativa de as
construir sobre o medo de mútua destruição ou sobre uma ameaça de aniquilação
total. São possíveis só a partir duma ética global de solidariedade e
cooperação ao serviço dum futuro modelado pela interdependência e a
corresponsabilidade na família humana inteira de hoje e de amanhã».[2]
Toda a situação de ameaça alimenta a desconfiança e a
retirada para dentro da própria condição. Desconfiança e medo aumentam a
fragilidade das relações e o risco de violência, num círculo vicioso que nunca
poderá levar a uma relação de paz. Neste sentido, a própria dissuasão nuclear
só pode criar uma segurança ilusória.
Por isso, não podemos pretender manter a estabilidade no
mundo através do medo da aniquilação, num equilíbrio muito instável, pendente
sobre o abismo nuclear e fechado dentro dos muros da indiferença, onde se tomam
decisões socioeconómicas que abrem a estrada para os dramas do descarte do
homem e da criação, em vez de nos guardarmos uns aos outros.[3] Então como
construir um caminho de paz e mútuo reconhecimento? Como romper a lógica
morbosa da ameaça e do medo? Como quebrar a dinâmica de desconfiança atualmente
prevalecente?
Devemos procurar uma fraternidade real, baseada na origem
comum de Deus e vivida no diálogo e na confiança mútua. O desejo de paz está
profundamente inscrito no coração do homem e não devemos resignar-nos com nada
de menos.
2. A paz, caminho de escuta baseado na memória,
solidariedade e fraternidade
Os sobreviventes aos bombardeamentos atómicos de Hiroxima e
Nagasáqui – denominados os hibakusha – contam-se entre aqueles que, hoje,
mantêm viva a chama da consciência coletiva, testemunhando às sucessivas
gerações o horror daquilo que aconteceu em agosto de 1945 e os sofrimentos
indescritíveis que se seguiram até aos dias de hoje. Assim, o seu testemunho
aviva e preserva a memória das vítimas, para que a consciência humana se torne
cada vez mais forte contra toda a vontade de domínio e destruição. «Não podemos
permitir que as atuais e as novas gerações percam a memória do que aconteceu,
aquela memória que é garantia e estímulo para construir um futuro mais justo e
fraterno».[4]
Como eles, há muitos, em todas as partes do mundo, que
oferecem às gerações futuras o serviço imprescindível da memória, que deve ser
preservada não apenas para evitar que se voltem a cometer os mesmos erros ou se
reproponham os esquemas ilusórios do passado, mas também para que a memória,
fruto da experiência, constitua a raiz e sugira a vereda para as opções de paz
presentes e futuras.
Mais ainda, a memória é o horizonte da esperança: muitas
vezes, na escuridão das guerras e dos conflitos, a lembrança mesmo dum pequeno
gesto de solidariedade recebida pode inspirar opções corajosas e até heroicas,
pode colocar em movimento novas energias e reacender nova esperança nos
indivíduos e nas comunidades.
Abrir e traçar um caminho de paz é um desafio muito complexo,
pois os interesses em jogo, nas relações entre pessoas, comunidades e nações,
são múltiplos e contraditórios. É preciso, antes de mais nada, fazer apelo à
consciência moral e à vontade pessoal e política. Com efeito, a paz alcança-se
no mais fundo do coração humano, e a vontade política deve ser incessantemente
revigorada para abrir novos processos que reconciliem e unam pessoas e
comunidades.
O mundo não precisa de palavras vazias, mas de testemunhas
convictas, artesãos da paz abertos ao diálogo sem exclusões nem manipulações.
De facto, só se pode chegar verdadeiramente à paz quando houver um convicto
diálogo de homens e mulheres que buscam a verdade mais além das ideologias e
das diferentes opiniões. A paz é uma construção que «deve estar constantemente
a ser edificada»,[5] um caminho que percorremos juntos procurando sempre o bem
comum e comprometendo-nos a manter a palavra dada e a respeitar o direito. Na
escuta mútua, podem crescer também o conhecimento e a estima do outro, até ao
ponto de reconhecer no inimigo o rosto dum irmão.
Por conseguinte, o processo de paz é um empenho que se
prolonga no tempo. É um trabalho paciente de busca da verdade e da justiça, que
honra a memória das vítimas e abre, passo a passo, para uma esperança comum,
mais forte que a vingança. Num Estado de direito, a democracia pode ser um
paradigma significativo deste processo, se estiver baseada na justiça e no
compromisso de tutelar os direitos de cada um, especialmente se vulnerável ou
marginalizado, na busca contínua da verdade.[6] Trata-se duma construção social
em contínua elaboração, para a qual cada um presta responsavelmente a própria
contribuição, a todos os níveis da comunidade local, nacional e mundial.
Como assinalava o Papa São Paulo VI, «a dupla aspiração – à
igualdade e à participação – procura promover um tipo de sociedade democrática.
(...). Isto, de per si, já diz bem qual a importância de uma educação para a
vida em sociedade, em que, para além da informação sobre os direitos de cada
um, seja recordado também o seu necessário correlativo: o reconhecimento dos
deveres de cada um em relação aos outros. O sentido e a prática do dever são,
por sua vez, condicionados pelo domínio de si mesmo, pela aceitação das
responsabilidades e das limitações impostas ao exercício da liberdade do
indivíduo ou do grupo».[7]
Pelo contrário, a fratura entre os membros duma sociedade, o
aumento das desigualdades sociais e a recusa de empregar os meios para um
desenvolvimento humano integral colocam em perigo a prossecução do bem comum.
Inversamente, o trabalho paciente, baseado na força da palavra e da verdade,
pode despertar nas pessoas a capacidade de compaixão e solidariedade criativa.
Na nossa experiência cristã, fazemos constantemente memória
de Cristo, que deu a sua vida pela nossa reconciliação (cf. Rm 5, 6-11). A
Igreja participa plenamente na busca duma ordem justa, continuando a servir o
bem comum e a alimentar a esperança da paz, através da transmissão dos valores
cristãos, do ensinamento moral e das obras sociais e educacionais.
3. A paz, caminho de reconciliação na comunhão fraterna
A Bíblia, particularmente através da palavra dos profetas,
chama as consciências e os povos à aliança de Deus com a humanidade. Trata-se
de abandonar o desejo de dominar os outros e aprender a olhar-se mutuamente
como pessoas, como filhos de Deus, como irmãos. O outro nunca há de ser
circunscrito àquilo que pôde ter dito ou feito, mas deve ser considerado pela
promessa que traz em si mesmo. Somente escolhendo a senda do respeito é que
será possível romper a espiral da vingança e empreender o caminho da esperança.
Guia-nos a passagem do Evangelho que reproduz o seguinte
diálogo entre Pedro e Jesus: «“Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes
lhe deverei perdoar? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Não te digo até sete
vezes, mas até setenta vezes sete”» (Mt 18, 21-22). Este caminho de
reconciliação convida-nos a encontrar no mais fundo do nosso coração a força do
perdão e a capacidade de nos reconhecermos como irmãos e irmãs. Aprender a
viver no perdão aumenta a nossa capacidade de nos tornarmos mulheres e homens
de paz.
O que é verdade em relação à paz na esfera social, é
verdadeiro também no campo político e económico, pois a questão da paz permeia
todas as dimensões da vida comunitária: nunca haverá paz verdadeira, se não
formos capazes de construir um sistema económico mais justo. Como escreveu
Bento XVI, «a vitória sobre o subdesenvolvimento exige que se atue não só sobre
a melhoria das transações fundadas sobre o intercâmbio, nem apenas sobre as
transferências das estruturas assistenciais de natureza pública, mas sobretudo
sobre a progressiva abertura, em contexto mundial, para formas de atividade
económica caraterizadas por quotas de gratuidade e de comunhão».[8]
4. A paz, caminho de conversão ecológica
«Se às vezes uma má compreensão dos nossos princípios nos
levou a justificar o abuso da natureza, ou o domínio despótico do ser humano
sobre a criação, ou as guerras, a injustiça e a violência, nós, crentes,
podemos reconhecer que então fomos infiéis ao tesouro de sabedoria que devíamos
guardar».[9]
Vendo as consequências da nossa hostilidade contra os
outros, da falta de respeito pela casa comum e da exploração abusiva dos
recursos naturais – considerados como instrumentos úteis apenas para o lucro de
hoje, sem respeito pelas comunidades locais, pelo bem comum e pela natureza –,
precisamos duma conversão ecológica.
O Sínodo recente sobre a Amazónia impele-nos a dirigir, de
forma renovada, o apelo em prol duma relação pacífica entre as comunidades e a
terra, entre o presente e a memória, entre as experiências e as esperanças.
Este caminho de reconciliação inclui também escuta e
contemplação do mundo que nos foi dado por Deus, para fazermos dele a nossa
casa comum. De facto, os recursos naturais, as numerosas formas de vida e a
própria Terra foram-nos confiados para ser «cultivados e guardados» (cf. Gn 2,
15) também para as gerações futuras, com a participação responsável e diligente
de cada um. Além disso, temos necessidade duma mudança nas convicções e na
perspetiva, que nos abra mais ao encontro com o outro e à receção do dom da
criação, que reflete a beleza e a sabedoria do seu Artífice.
De modo particular brotam daqui motivações profundas e um
novo modo de habitar na casa comum, de convivermos uns e outros com as próprias
diversidades, de celebrar e respeitar a vida recebida e partilhada, de nos
preocuparmos com condições e modelos de sociedade que favoreçam o desabrochar e
a permanência da vida no futuro, de desenvolver o bem comum de toda a família
humana.
Por conseguinte a conversão ecológica, a que apelamos,
leva-nos a uma nova perspetiva sobre a vida, considerando a generosidade do
Criador que nos deu a Terra e nos chama à jubilosa sobriedade da partilha. Esta
conversão deve ser entendida de maneira integral, como uma transformação das
relações que mantemos com as nossas irmãs e irmãos, com os outros seres vivos,
com a criação na sua riquíssima variedade, com o Criador que é origem de toda a
vida. Para o cristão, uma tal conversão exige «deixar emergir, nas relações com
o mundo que o rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus».[10]
5. Obtém-se tanto quanto se espera[11]
O caminho da reconciliação requer paciência e confiança. Não
se obtém a paz, se não a esperamos.
Trata-se, antes de mais nada, de acreditar na possibilidade
da paz, de crer que o outro tem a mesma necessidade de paz que nós. Nisto,
pode-nos inspirar o amor de Deus por cada um de nós, amor libertador,
ilimitado, gratuito, incansável.
O medo é, frequentemente, fonte de conflito. Por isso, é
importante ir além dos nossos temores humanos, reconhecendo-nos filhos
necessitados diante d’Aquele que nos ama e espera por nós, como o Pai do filho
pródigo (cf. Lc 15, 11-24). A cultura do encontro entre irmãos e irmãs rompe
com a cultura da ameaça. Torna cada encontro uma possibilidade e um dom do amor
generoso de Deus. Faz-nos de guia para ultrapassarmos os limites dos nossos
horizontes estreitos, procurando sempre viver a fraternidade universal, como
filhos do único Pai celeste.
Para os discípulos de Cristo, este caminho é apoiado também
pelo sacramento da Reconciliação, concedido pelo Senhor para a remissão dos
pecados dos batizados. Este sacramento da Igreja, que renova as pessoas e as
comunidades, convida a manter o olhar fixo em Jesus, que reconciliou «todas as
coisas, pacificando pelo sangue da sua cruz, tanto as que estão na terra como
as que estão no céu» (Col 1, 20); e pede para depor toda a violência nos
pensamentos, nas palavras e nas obras quer para com o próximo quer para com a
criação.
A graça de Deus Pai oferece-se como amor sem condições.
Recebido o seu perdão, em Cristo, podemos colocar-nos a caminho para ir
oferecê-lo aos homens e mulheres do nosso tempo. Dia após dia, o Espírito Santo
sugere-nos atitudes e palavras para nos tornarmos artesãos de justiça e de paz.
Que o Deus da paz nos abençoe e venha em nossa ajuda.
Que Maria, Mãe do Príncipe da paz e Mãe de todos os povos da
terra, nos acompanhe e apoie, passo a passo, no caminho da reconciliação.
E que toda a pessoa que vem a este mundo possa conhecer uma
existência de paz e desenvolver plenamente a promessa de amor e vida que traz
em si.
Vaticano, 8 de dezembro de 2019.
[Franciscus]
[1] Bento XVI, Carta enc. Spe salvi, 30 de novembro de 2007,
1.
[2] Discurso sobre as armas nucleares, Nagasáqui – Parque
«Atomic Bomb Hypocenter», 24 de novembro de 2019.
[3] Cf. Francisco, Homilia em Lampedusa, 8 de julho de 2013.
[4] Francisco, Discurso sobre a Paz, Hiroxima – Memorial da
Paz, 24 de novembro de 2019.
[5] Conc.
Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 78.
[6] Cf. Bento XVI, Discurso aos dirigentes e membros das
Associações Cristãs dos Trabalhadores Italianos (ACLI), 27 de janeiro de 2006.
[7] Carta ap. Octogesima adveniens, 14 de maio de 1971, 24.
[8] Carta enc. Caritas in veritate, 29 de junho de 2009, 39.
[9] Francisco, Carta enc. Laudato si’, 24 de maio de 2015,
200.
[10] Ibid., 217.
[11] Cf. São João da Cruz, Noite Escura, II, 21, 8.
12 dezembro, 2019
MORENA DE GUADALUPE (D. Pedro Casaldáliga / Pedro Tierra / Martin Coplas)
Hoje, 12/12, celebramos Nossa Senhora de Guadalupe, Maria das Americas.
Que ela interceda para que sejamos capazes de ouvir e atender o clamor dos fracos e oprimidos. Morena de Guadalupe, rogai por seus filhos e filhas.
Namastê.
11 dezembro, 2019
Por que a esquerda não está conquistando novos corações
JOCA, UM MENINO NEGRO E PERIFÉRICO, tinha 16 anos quando
tentou participar de uma mobilização estudantil de sua escola. Ele se sentia
atraído pela política porque se indignava com a precariedade da vida cotidiana
de Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre, um dos municípios mais
violentos do Brasil. Durante mobilização para um protesto, ele discordou dos
cartazes contra a polícia militar por ser sobrinho de um policial. Um colega o
chamou de fascista, e eles brigaram a socos.
Hoje, com 23 anos, Joca já é pai e dirige 16 horas por dia
para um aplicativo. Já foi assaltado e perdeu seu carro, o que ajudou a
torná-lo um punitivista convicto, dando seu primeiro voto a Bolsonaro.
Eu não presenciei a briga para saber o que aconteceu de
fato. O que tenho é apenas uma narrativa construída sobre uma indignação que
não achou o seu lugar na esquerda. A resolução do conflito foi soco e virada
reacionária.
O objetivo desta minha coluna não é conjecturar sobre a
verdade do que se passou, mas refletir sobre um possível novo futuro. Desde que
ouvi essa história no ano passado, tenho me perguntado: como poderia ter sido
diferente? Joca continua sendo um jovem negro, vítima da violência estrutural
de um sistema racista e classista, e quem o abraçou foi o bolsonarismo. Ainda
não tenho as respostas, mas penso que, nas redes e fora delas, uma grande parte
da esquerda está mais fechada do que aberta. Repele mais do que acolhe. Cancela
mais do que dialoga.
Carteirinha de credenciamento
A maneira como a esquerda e a extrema-direita recrutam seus
membros tem sido muito...Para continuar a ler, clique AQUI.
CEBs Província Eclesiástica de Maringá
O tempo passa
Fotos do Seminário das CEBs do Regional Sul II (Paraná), 19
e 20 de outubro de 2013, em preparação para o 13º Intereclesial das CEBs
Nacional que aconteceu em janeiro de 2014, diocese de Crato, Juazeiro do Norte,
Estado do Ceará.
10 dezembro, 2019
Dia Internacional dos Direitos Humanos
Hoje está difícil que muitos comprrendam que quando o direito de alguém é sistemáticamente desrespeitado se escancara uma porta para desrespeitar TODOS e TODAS. (Celso Pinto Carias)
06 dezembro, 2019
05 dezembro, 2019
"A nossa vida pode ser assim, quando o meu fundamento não é forte"
Para Papa Francisco “a nossa vida
pode ser assim, quando o meu fundamento não é forte. Vem a tempestade – e todos
nós temos tempestades na vida, todos, do Papa até o último, todos – e não somos
capazes de resistir. E muitas pessoas dizem: “Não, eu mudarei de vida” e pensam
que mudar de vida é maquiar-se, mas mudar de vida é mudar os fundamentos, isto
é, colocar a rocha ali, que é Jesus. “Eu queria refazer esta construção, este
prédio, porque é muito feio, muito feio, e gostaria de embelezá-lo um pouco,
mas se recorro à maquiagem e enfeito um pouco, a casa não vai avante; cairá.
Com as aparências, a vida cristã desmorona.”
04 dezembro, 2019
Ela veio e sua missão tem sido nos acalmar e alegrar!
Ela veio e sua missão tem sido nos acalmar e alegrar!
Eu e minha sobrinha Eduarda
Pequenina, e o nosso Deus através dela nos alegra e nos
preenche de ternura nesse momento de luto pela minha santa mãezinha.
Uma criança, dom de Deus
“Deixem as crianças vir a mim. Não lhes proíbam, porque o
Reino de Deus pertence a elas.(...). Então Jesus abraçou as crianças e
abençoou-as, pondo a mão sobre elas.”
(Mc 10, 14-15)
Papa Francisco lança Carta Apostólica “Admirabile Signum” sobre origem e sentido do presépio
O Papa Francisco lançou no dia primeiro de dezembro, em
Greccio, lugar onde São Francisco fez o primeiro presépio, a Carta Apostólica
“Admirabile signum” que retoma a origem, os símbolos e significados presentes
no presépio. Greccio, uma pequena cidade italiana com pouco mais de 1.500
habitantes, fica na região do Lazio, na província de Rieti, e a cerca de 60 Km
de Roma.
Segue a íntegra da Carta Apostólica “Admirabile signum”
CARTA APOSTÓLICA
ADMIRABILE SIGNUM
DO SANTO PADRE
FRANCISCO
SOBRE O SIGNIFICADO E VALOR DO PRESÉPIO
1. O SINAL ADMIRÁVEL do Presépio, muito amado pelo povo
cristão, não cessa de suscitar maravilha e enlevo. Representar o acontecimento
da natividade de Jesus equivale a anunciar, com simplicidade e alegria, o
mistério da encarnação do Filho de Deus. De facto, o Presépio é como um
Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura. Ao mesmo tempo
que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos
espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim
de Se encontrar com todo o homem, e a descobrir que nos ama tanto, que Se uniu
a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele.
Com esta Carta, quero apoiar a tradição bonita das nossas
famílias prepararem o Presépio, nos dias que antecedem o Natal, e também o
costume de o armarem nos lugares de trabalho, nas escolas, nos hospitais, nos
estabelecimentos prisionais, nas praças… Trata-se verdadeiramente dum exercício
de imaginação criativa, que recorre aos mais variados materiais para produzir,
em miniatura, obras-primas de beleza. Aprende-se em criança, quando o pai e a
mãe, juntamente com os avós, transmitem este gracioso costume, que encerra uma
rica espiritualidade popular. Almejo que esta prática nunca desapareça; mais,
espero que a mesma, onde porventura tenha caído em desuso, se possa redescobrir
e revitalizar.
2. A origem do Presépio fica-se a dever, antes de mais nada,
a alguns pormenores do nascimento de Jesus em Belém, referidos no Evangelho. O
evangelista Lucas limita-se a dizer que, tendo-se completado os dias de Maria
dar à luz, «teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa
manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria» (2, 7). Jesus é
colocado numa manjedoura, que, em latim, se diz praesepium, donde vem a nossa
palavra presépio.
Ao entrar neste mundo, o Filho de Deus encontra lugar onde
os animais vão comer. A palha torna-se a primeira enxerga para Aquele que Se há
de revelar como «o pão vivo, o que desceu do céu» (Jo6, 51). Uma simbologia,
que já Santo Agostinho, a par doutros Padres da Igreja, tinha entrevisto quando
escreveu: «Deitado numa manjedoura, torna-Se nosso alimento».[1]Na realidade, o
Presépio inclui vários mistérios da vida de Jesus, fazendo-os aparecer
familiares à nossa vida diária.
Passemos agora à origem do Presépio, tal como nós o
entendemos. A mente leva-nos a Gréccio, na Valada de Rieti; aqui se deteve São
Francisco, provavelmente quando vinha de Roma onde recebera, do Papa Honório
III, a aprovação da sua Regra em 29 de novembro de 1223. Aquelas grutas, depois
da sua viagem à Terra Santa, faziam-lhe lembrar de modo particular a paisagem
de Belém. E é possível que, em Roma, o «Poverello» de Assis tenha ficado
encantado com os mosaicos, na Basílica de Santa Maria Maior, que representam a
natividade de Jesus e se encontram perto do lugar onde, segundo uma antiga
tradição, se conservam precisamente as tábuas da manjedoura.
As Fontes Franciscanas narram, de forma detalhada, o que
aconteceu em Gréccio. Quinze dias antes do Natal, Francisco chamou João, um
homem daquela terra, para lhe pedir que o ajudasse a concretizar um desejo:
«Quero representar o Menino nascido em Belém, para de algum modo ver com os
olhos do corpo os incómodos que Ele padeceu pela falta das coisas necessárias a
um recém-nascido, tendo sido reclinado na palha duma manjedoura, entre o boi e
o burro».[2]Mal acabara de o ouvir, o fiel amigo foi preparar, no lugar
designado, tudo o que era necessário segundo o desejo do Santo. No dia 25 de
dezembro, chegaram a Gréccio muitos frades, vindos de vários lados, e também
homens e mulheres das casas da região, trazendo flores e tochas para iluminar
aquela noite santa. Francisco, ao chegar, encontrou a manjedoura com palha, o
boi e o burro. À vista da representação do Natal, as pessoas lá reunidas
manifestaram uma alegria indescritível, como nunca tinham sentido antes. Depois
o sacerdote celebrou solenemente a Eucaristia sobre a manjedoura, mostrando
também deste modo a ligação que existe entre a Encarnação do Filho de Deus e a
Eucaristia. Em Gréccio, naquela ocasião, não havia figuras; o Presépio foi
formado e vivido pelos que estavam presentes.[3]
Assim nasce a nossa tradição: todos à volta da gruta e
repletos de alegria, sem qualquer distância entre o acontecimento que se
realiza e as pessoas que participam no mistério.
O primeiro biógrafo de São Francisco, Tomás de Celano,
lembra que naquela noite, à simples e comovente representação se veio juntar o
dom duma visão maravilhosa: um dos presentes viu que jazia na manjedoura o
próprio Menino Jesus. Daquele Presépio do Natal de 1223, «todos voltaram para
suas casas cheios de inefável alegria»[4].
3. Com a simplicidade daquele sinal, São Francisco realizou
uma grande obra de evangelização. O seu ensinamento penetrou no coração dos
cristãos, permanecendo até aos nossos dias como uma forma genuína de repropor,
com simplicidade, a beleza da nossa fé. Aliás, o próprio lugar onde se realizou
o primeiro Presépio sugere e suscita estes sentimentos. Gréccio torna-se um
refúgio para a alma que se esconde na rocha, deixando-se envolver pelo
silêncio.
Por que motivo suscita o Presépio tanto enlevo e nos comove?
Antes de mais nada, porque manifesta a ternura de Deus. Ele, o Criador do
universo, abaixa-Se até à nossa pequenez. O dom da vida, sempre misterioso para
nós, fascina-nos ainda mais ao vermos que Aquele que nasceu de Maria é a fonte
e o sustento de toda a vida. Em Jesus, o Pai deu-nos um irmão, que vem
procurar-nos quando estamos desorientados e perdemos o rumo, e um amigo fiel,
que está sempre ao nosso lado; deu-nos o seu Filho, que nos perdoa e levanta do
pecado.
Armar o Presépio em nossas casas ajuda-nos a reviver a
história sucedida em Belém. Naturalmente os Evangelhos continuam a ser a fonte,
que nos permite conhecer e meditar aquele Acontecimento; mas, a sua
representação no Presépio ajuda a imaginar as várias cenas, estimula os afetos,
convida a sentir-nos envolvidos na história da salvação, contemporâneos daquele
evento que se torna vivo e atual nos mais variados contextos históricos e
culturais.
De modo particular, desde a sua origem franciscana, o
Presépio é um convite a «sentir», a «tocar» a pobreza que escolheu, para Si
mesmo, o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se assim, implicitamente, um
apelo para O seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento,
que parte da manjedoura de Belém e leva até à Cruz, e um apelo ainda a
encontrá-Lo e servi-Lo, com misericórdia, nos irmãos e irmãs mais necessitados
(cf. Mt 25, 31-46).
4. Gostava agora de repassar os vários sinais do Presépio
para apreendermos o significado que encerram. Em primeiro lugar, representamos
o céu estrelado na escuridão e no silêncio da noite. Fazemo-lo não apenas para
ser fiéis às narrações do Evangelho, mas também pelo significado que possui.
Pensemos nas vezes sem conta que a noite envolve a nossa vida. Pois bem, mesmo
em tais momentos, Deus não nos deixa sozinhos, mas faz-Se presente para dar
resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência: Quem sou
eu? Donde venho? Por que nasci neste tempo? Por que amo? Por que sofro? Por que
hei de morrer? Foi para dar uma resposta a estas questões que Deus Se fez
homem. A sua proximidade traz luz onde há escuridão, e ilumina a quantos
atravessam as trevas do sofrimento (cf. Lc 1, 79).
Merecem também uma referência as paisagens que fazem parte
do Presépio; muitas vezes aparecem representadas as ruínas de casas e palácios
antigos que, nalguns casos, substituem a gruta de Belém tornando-se a habitação
da Sagrada Família. Parece que estas ruínas se inspiram na Legenda Áurea, do
dominicano Jacopo de Varazze (século XIII), onde se refere a crença pagã
segundo a qual o templo da Paz, em Roma, iria desabar quando desse à luz uma
Virgem. Aquelas ruínas são sinal visível sobretudo da humanidade decaída, de
tudo aquilo que cai em ruína, que se corrompe e definha. Este cenário diz que
Jesus é a novidade no meio dum mundo velho, e veio para curar e reconstruir,
para reconduzir a nossa vida e o mundo ao seu esplendor originário.
5. Uma grande emoção se deveria apoderar de nós, ao
colocarmos no Presépio as montanhas, os riachos, as ovelhas e os pastores! Pois
assim lembramos, como preanunciaram os profetas, que toda a criação participa
na festa da vinda do Messias. Os anjos e a estrela-cometa são o sinal de que
também nós somos chamados a pôr-nos a caminho para ir até à gruta adorar o
Senhor.
«Vamos a Belém ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a
conhecer» (Lc 2, 15): assim falam os pastores, depois do anúncio que os anjos
lhes fizeram. É um ensinamento muito belo, que nos é dado na simplicidade da
descrição. Ao contrário de tanta gente ocupada a fazer muitas outras coisas, os
pastores tornam-se as primeiras testemunhas do essencial, isto é, da salvação
que nos é oferecida. São os mais humildes e os mais pobres que sabem acolher o
acontecimento da Encarnação. A Deus, que vem ao nosso encontro no Menino Jesus,
os pastores respondem, pondo-se a caminho rumo a Ele, para um encontro de amor
e de grata admiração. É precisamente este encontro entre Deus e os seus filhos,
graças a Jesus, que dá vida à nossa religião e constitui a sua beleza singular,
que transparece de modo particular no Presépio.
6. Nos nossos Presépios, costumamos colocar muitas figuras
simbólicas. Em primeiro lugar, as de mendigos e pessoas que não conhecem outra
abundância a não ser a do coração. Também estas figuras estão próximas do
Menino Jesus de pleno direito, sem que ninguém possa expulsá-las ou afastá-las
dum berço de tal modo improvisado que os pobres, ao seu redor, não destoam
absolutamente. Antes, os pobres são os privilegiados deste mistério e, muitas vezes,
aqueles que melhor conseguem reconhecer a presença de Deus no meio de nós.
No Presépio, os pobres e os simples lembram-nos que Deus Se
faz homem para aqueles que mais sentem a necessidade do seu amor e pedem a sua
proximidade. Jesus, «manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), nasceu pobre,
levou uma vida simples, para nos ensinar a identificar e a viver do essencial.
Do Presépio surge, clara, a mensagem de que não podemos deixar-nos iludir pela
riqueza e por tantas propostas efémeras de felicidade. Como pano de fundo,
aparece o palácio de Herodes, fechado, surdo ao jubiloso anúncio. Nascendo no
Presépio, o próprio Deus dá início à única verdadeira revolução que dá
esperança e dignidade aos deserdados, aos marginalizados: a revolução do amor,
a revolução da ternura. Do Presépio, com meiga força, Jesus proclama o apelo à
partilha com os últimos como estrada para um mundo mais humano e fraterno, onde
ninguém seja excluído e marginalizado.
Muitas vezes, as crianças (mas os adultos também!) gostam de
acrescentar, no Presépio, outras figuras que parecem não ter qualquer relação
com as narrações do Evangelho. Contudo esta imaginação pretende expressar que,
neste mundo novo inaugurado por Jesus, há espaço para tudo o que é humano e
para toda a criatura. Do pastor ao ferreiro, do padeiro aos músicos, das
mulheres com a bilha de água ao ombro às crianças que brincam… tudo isso
representa a santidade do dia a dia, a alegria de realizar de modo
extraordinário as coisas de todos os dias, quando Jesus partilha connosco a sua
vida divina.
7. A pouco e pouco, o Presépio leva-nos à gruta, onde
encontramos as figuras de Maria e de José. Maria é uma mãe que contempla o seu
Menino e O mostra a quantos vêm visitá-Lo. A sua figura faz pensar no grande
mistério que envolveu esta jovem, quando Deus bateu à porta do seu coração
imaculado. Ao anúncio do anjo que Lhe pedia para Se tornar a mãe de Deus, Maria
responde com obediência plena e total. As suas palavras – «eis a serva do
Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38) – são, para todos
nós, o testemunho do modo como abandonar-se, na fé, à vontade de Deus. Com
aquele «sim», Maria tornava-Se mãe do Filho de Deus, sem perder – antes, graças
a Ele, consagrando – a sua virgindade. N’Ela, vemos a Mãe de Deus que não guarda
o seu Filho só para Si mesma, mas pede a todos que obedeçam à palavra d’Ele e a
ponham em prática (cf. Jo 2, 5).
Ao lado de Maria, em atitude de quem protege o Menino e sua
mãe, está São José. Geralmente, é representado com o bordão na mão e, por vezes,
também segurando um lampião. São José desempenha um papel muito importante na
vida de Jesus e Maria. É o guardião que nunca se cansa de proteger a sua
família. Quando Deus o avisar da ameaça de Herodes, não hesitará a pôr-se em
viagem emigrando para o Egito (cf. Mt 2, 13-15). E depois, passado o perigo,
reconduzirá a família para Nazaré, onde será o primeiro educador de Jesus, na
sua infância e adolescência. José trazia no coração o grande mistério que
envolvia Maria, sua esposa, e Jesus; homem justo que era, sempre se entregou à
vontade de Deus e pô-la em prática.
8. O coração do Presépio começa a palpitar, quando colocamos
lá, no Natal, a figura do Menino Jesus. Assim Se nos apresenta Deus, num
menino, para fazer-Se acolher nos nossos braços. Naquela fraqueza e
fragilidade, esconde o seu poder que tudo cria e transforma. Parece impossível,
mas é assim: em Jesus, Deus foi criança e, nesta condição, quis revelar a
grandeza do seu amor, que se manifesta num sorriso e nas suas mãos estendidas
para quem quer que seja.
O nascimento duma criança suscita alegria e encanto, porque
nos coloca perante o grande mistério da vida. Quando vemos brilhar os olhos dos
jovens esposos diante do seu filho recém-nascido, compreendemos os sentimentos
de Maria e José que, olhando o Menino Jesus, entreviam a presença de Deus na
sua vida.
«De facto, a vida manifestou-se» (1 Jo 1, 2): assim o
apóstolo João resume o mistério da Encarnação. O Presépio faz-nos ver, faz-nos
tocar este acontecimento único e extraordinário que mudou o curso da história e
a partir do qual também se contam os anos, antes e depois do nascimento de
Cristo.
O modo de agir de Deus quase cria vertigens, pois parece
impossível que Ele renuncie à sua glória para Se fazer homem como nós. Que
surpresa ver Deus adotar os nossos próprios comportamentos: dorme, mama ao
peito da mãe, chora e brinca, como todas as crianças. Como sempre, Deus gera
perplexidade, é imprevisível, aparece continuamente fora dos nossos esquemas.
Assim o Presépio, ao mesmo tempo que nos mostra Deus tal como entrou no mundo,
desafia-nos a imaginar a nossa vida inserida na de Deus; convida a tornar-nos
seus discípulos, se quisermos alcançar o sentido último da vida.
9. Quando se aproxima a festa da Epifania, colocam-se no
Presépio as três figuras dos Reis Magos. Tendo observado a estrela, aqueles
sábios e ricos senhores do Oriente puseram-se a caminho rumo a Belém para
conhecer Jesus e oferecer-Lhe de presente ouro, incenso e mirra. Estes
presentes têm também um significado alegórico: o ouro honra a realeza de Jesus;
o incenso, a sua divindade; a mirra, a sua humanidade sagrada que experimentará
a morte e a sepultura.
Ao fixarmos esta cena no Presépio, somos chamados a refletir
sobre a responsabilidade que cada cristão tem de ser evangelizador. Cada um de
nós torna-se portador da Boa-Nova para as pessoas que encontra, testemunhando a
alegria de ter conhecido Jesus e o seu amor; e fá-lo com ações concretas de
misericórdia.
Os Magos ensinam que se pode partir de muito longe para
chegar a Cristo: são homens ricos, estrangeiros sábios, sedentos de infinito,
que saem para uma viagem longa e perigosa e que os leva até Belém (cf. Mt 2,
1-12). À vista do Menino Rei, invade-os uma grande alegria. Não se deixam
escandalizar pela pobreza do ambiente; não hesitam em pôr-se de joelhos e
adorá-Lo. Diante d’Ele compreendem que Deus, tal como regula com soberana
sabedoria o curso dos astros, assim também guia o curso da história, derrubando
os poderosos e exaltando os humildes. E de certeza, quando regressaram ao seu
país, falaram deste encontro surpreendente com o Messias, inaugurando a viagem
do Evangelho entre os gentios.
10. Diante do Presépio, a mente corre de bom grado aos
tempos em que se era criança e se esperava, com impaciência, o tempo para
começar a construí-lo. Estas recordações induzem-nos a tomar consciência sempre
de novo do grande dom que nos foi feito, transmitindo-nos a fé; e ao mesmo
tempo, fazem-nos sentir o dever e a alegria de comunicar a mesma experiência
aos filhos e netos. Não é importante a forma como se arma o Presépio; pode ser
sempre igual ou modificá-la cada ano. O que conta, é que fale à nossa vida. Por
todo o lado e na forma que for, o Presépio narra o amor de Deus, o Deus que Se
fez menino para nos dizer quão próximo está de cada ser humano,
independentemente da condição em que este se encontre.
Queridos irmãos e irmãs, o Presépio faz parte do suave e
exigente processo de transmissão da fé. A partir da infância e, depois, em cada
idade da vida, educa-nos para contemplar Jesus, sentir o amor de Deus por nós,
sentir e acreditar que Deus está connosco e nós estamos com Ele, todos filhos e
irmãos graças àquele Menino Filho de Deus e da Virgem Maria. E educa para
sentir que nisto está a felicidade. Na escola de São Francisco, abramos o
coração a esta graça simples, deixemos que do encanto nasça uma prece humilde:
o nosso «obrigado» a Deus, que tudo quis partilhar connosco para nunca nos
deixar sozinhos.
Dado em Gréccio, no Santuário do Presépio, a 1 de dezembro
de 2019, sétimo do meu pontificado.
Franciscus
[1] Santo Agostinho, Sermão 189, 4.
[2] Tomás de Celano, Vita Prima, 85: Fontes Franciscanas,
468.
[3] Cf.
ibid., 85: o. c., 469.
[4] Ibid.,
86: o. c., 470.
03 dezembro, 2019
Aposentadoria militar, sem idade mínima, é aprovada
No funcionalismo, os militares são os que custam mais para a
Previdência, proporcionalmente.
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do
Senado aprovou nesta terça-feira (3), em votação simbólica, o relatório da
reforma da Previdência dos militares.
A proposta tem vantagens em relação a trabalhadores da
iniciativa privada e servidores públicos.
O texto segue agora para o plenário Senado. Se aprovado sem
alterações, segue para sanção presidencial.
Os militares receberão salário integral ao se aposentar, não
terão idade mínima obrigatória e vão pagar contribuição de 10,5% (iniciativa
privada paga de 7,5% a 11,68% ao INSS).
Leia a íntegra da matéria aqui
Assinar:
Postagens (Atom)











