20 fevereiro, 2025

Protagonismo das Mulheres!

- Do Antigo Testamento aos nossos dias: mulheres que fazem a história acontecer!
- Mulheres que fazem a história da Arquidiocese de Maringá!




Protagonismo das Mulheres!

Do Antigo Testamento aos nossos dias: mulheres que fazem a história acontecer

A história da salvação é também uma história de mulheres. Do Antigo ao Novo Testamento, encontramos mulheres que, com coragem, sabedoria, fé e ousadia, assumiram seu protagonismo e contribuíram para a realização do projeto de Deus.

No Antigo Testamento, encontramos Miriam, que celebrou a libertação do povo; Débora, juíza e profetisa que conduziu Israel; Rute, que fez da fidelidade e da solidariedade um caminho de vida; Ester, que arriscou a própria vida para defender seu povo; Ana, cuja oração expressou confiança em Deus; e Judite, que enfrentou os poderosos para libertar sua gente. Encontramos também Sara, Agar, Rebeca, Lia e Raquel, mulheres cujas histórias, marcadas por alegrias, conflitos, dores e esperanças, fazem parte da caminhada do povo de Deus.

Essas mulheres não foram apenas personagens de uma história escrita por outros. Foram mulheres que tomaram decisões, enfrentaram desafios, exerceram liderança e participaram ativamente da história da salvação.

No Novo Testamento, esse protagonismo ganha novos contornos na vida e na missão de Jesus. Ele acolheu mulheres, dialogou com elas, reconheceu sua fé e lhes devolveu dignidade em uma sociedade que frequentemente as marginalizava.

Encontramos Isabel, que reconheceu a ação de Deus na vida de Maria; Ana, a profetisa, que anunciou a esperança da chegada do Salvador; Marta e Maria de Betânia, que expressaram, cada uma a seu modo, o amor e a fé em Jesus; a mulher samaritana, que se tornou anunciadora do encontro com Cristo; Maria Madalena, testemunha da ressurreição e mensageira da Boa-Nova; Joana, Susana e tantas outras mulheres, que acompanharam Jesus e colocaram seus bens a serviço da missão.

Também encontramos Lídia, que acolheu a comunidade cristã em sua casa; Priscila, colaboradora na missão e na formação de outras pessoas; Febe, reconhecida por Paulo como servidora da Igreja; e Júnia, mencionada entre as pessoas de destaque na comunidade apostólica.

São histórias de mulheres que anunciaram, acolheram, ensinaram, serviram, sustentaram comunidades e abriram caminhos. Algumas tiveram seus nomes registrados; muitas outras permaneceram anônimas. Todas nos ajudam a compreender que as mulheres sempre estiveram presentes na construção da caminhada do povo de Deus.

E, no centro dessa história, encontramos Maria, a mãe de Jesus. Mulher de fé e coragem, que acolheu o chamado de Deus, cantou a esperança de um mundo transformado no Magnificat, acompanhou Jesus em sua missão e permaneceu junto à comunidade das discípulas e dos discípulos. Maria não é apenas aquela que gerou Jesus: é mulher que acreditou, tomou posição, caminhou com seu povo e testemunhou a esperança. Nela, tantas mulheres reconhecem suas próprias lutas, sua fé e sua força.


Mulheres que fazem a história da Arquidiocese de Maringá

Da criação da Diocese de Maringá, em 1956, à sua elevação à condição de Arquidiocese, em 16 de outubro de 1969, até os dias atuais, quantas mulheres contribuíram e continuam contribuindo para a história da nossa Igreja particular!

Religiosas e leigas, mulheres reconhecidas publicamente e tantas outras que permaneceram no anonimato foram e são protagonistas da evangelização, da articulação pastoral, da formação, da organização comunitária, do cuidado e da resistência.

Mulheres que estiveram à frente da catequese, das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), das pastorais, dos movimentos, dos grupos de reflexão, das equipes de canto e das comunidades. Mulheres que visitaram famílias, prepararam celebrações, ensinaram a Palavra, organizaram encontros, formaram lideranças e mantiveram viva a fé do povo, muitas vezes sem receber o devido reconhecimento.

Quantas histórias ainda precisam ser contadas? 
Quantos nomes precisam ser lembrados? 
Quantas contribuições foram essenciais para a Igreja que somos hoje, mas acabaram escondidas nas entrelinhas da história?

Nem sempre a participação das mulheres foi reconhecida em sua verdadeira dimensão. Muitas trabalharam, serviram, coordenaram e assumiram responsabilidades sem receber o mesmo espaço, a mesma visibilidade ou a mesma valorização concedida aos homens.

Houve situações em que mulheres que exerciam sua missão, como Ministras da Eucaristia viam seus colegas homens subir ao presbitério, enquanto elas permaneciam abaixo, impedidas de ocupar o mesmo espaço. Atitudes como essas nos fazem questionar quanto o machismo e interpretações discriminatórias limitaram a participação feminina na vida eclesial. Felizmente, a caminhada das mulheres também foi marcada pela persistência, pela reivindicação de dignidade e pela conquista de espaços de participação e reconhecimento.

Não se trata de negar a contribuição de ninguém, mas de reconhecer que a história da Igreja também foi construída pelas mãos, pela inteligência, pela espiritualidade e pela coragem das mulheres.


Mulheres que merecem ser lembradas

Entre tantas mulheres que contribuíram para a caminhada da Arquidiocese de Maringá, algumas histórias e trajetórias merecem ser recordadas.


Irmã Maria Dolores dedicou-se à formação de religiosas, à catequese de crianças e adultas, à pastoral paroquial e diocesana e à animação missionária. Também colaborou com a evangelização por meio da comunicação. Sua trajetória expressa a dedicação de tantas religiosas que colocaram seus dons a serviço da formação e da missão.

Irmã Maria Dierlinde, também conhecida como Maria Adelheid Ginten, de 1973 até seu falecimento, em 2010, cuidou da residência episcopal e assumiu importantes tarefas relacionadas à organização e à preservação da memória de Dom Jaime Luiz Coelho. Documentos, correspondências, artigos, fotografias e arquivos pessoais passaram por suas mãos cuidadosas. Um trabalho muitas vezes silencioso, mas fundamental para preservar parte da memória da Igreja de Maringá.

Albany Pereira de Souza tornou-se referência na formação de tantas pessoas, jovens e adultas. Com simplicidade, conhecimento e dedicação, contribuiu para preparar pessoas e fortalecer a caminhada de quem assumia responsabilidades na Igreja.

Irmã Judite Delmassa, na coordenação arquidiocesana da Catequese, contribuiu para a missão de formar na fé e acompanhar a caminhada catequética, serviço essencial à transmissão do Evangelho e à formação de comunidades vivas.

Regina Helena R. F. Mantovani, lembrada por sua atuação na coordenação arquidiocesana da Catequese em 2002, também integra essa memória de mulheres que assumiram responsabilidades na formação e na organização pastoral. Sua trajetória nos recorda a importância de registrar e preservar as histórias das mulheres que abriram caminhos para outras.

Lucimar Moreira Bueno, a Lúcia, leiga que assumiu, em 2005, a coordenação e a articulação das Comunidades Eclesiais de Base na Arquidiocese de Maringá, esteve à frente da organização prática e metodológica dos Encontrões Arquidiocesanos das CEBs. Em 2019, assumiu a coordenação da Escola de Formação de Formadores e Articuladores das CEBs, da qual foi uma das idealizadoras. Em 2023, tornou-se a primeira mulher a assumir a assessoria arquidiocesana das Comunidades Eclesiais de Base. Sua caminhada expressa o compromisso com a formação, a participação popular, a articulação comunitária e o fortalecimento do protagonismo do povo de Deus.

E o protagonismo feminino não pertence apenas às mulheres adultas que assumem coordenações e responsabilidades. Ele começa na infância, cresce na juventude e se transforma ao longo de toda a vida.

Paula Barbuzano Bueno é um exemplo desse protagonismo que floresce desde cedo. Em 2017, aos oito anos, enfrentou a perda do pai. Aos dez, viveu a morte da avó, que ajudava a cuidar dela; aos doze, perdeu o tio, uma referência importante da presença paterna em sua vida. Mesmo diante de tantas dores, não perdeu a fé nem o vínculo com a comunidade.
Desde pequena, participa da Infância e Adolescência Missionária. Ao crescer, passou a ajudar com as crianças menores e, aos dezesseis anos, assumiu responsabilidades na coordenação da Infância Missionária na Paróquia Nossa Senhora da Liberdade. Sua história nos recorda que crianças e adolescentes não são apenas destinatárias da evangelização: são também sujeitos da missão, capazes de testemunhar a fé, cultivar a esperança e contribuir para a vida da comunidade.

Esses nomes são parte de uma história muito maior. Não representam todas as mulheres que merecem ser lembradas, mas nos ajudam a abrir caminhos para que tantas outras possam sair do anonimato e ter suas histórias registradas.


Uma história que continua sendo escrita

Quando falamos do protagonismo das mulheres, precisamos olhar para todas as idades e para os diferentes lugares onde a vida acontece.

Estão presentes as meninas que aprendem a servir e a partilhar; as jovens que questionam, sonham e assumem compromissos; as mulheres adultas que coordenam, articulam, formam e cuidam; e as mulheres idosas que carregam a memória, a sabedoria e a experiência de tantas décadas de caminhada.

Estão nas equipes de canto, nas pastorais, nos movimentos, nos grupos de reflexão, nas comunidades paroquiais e nas Comunidades Eclesiais de Base. Estão na catequese, na liturgia, na formação, na ação social, nos conselhos, nas iniciativas de solidariedade e nas lutas por dignidade e justiça. Estão também em tantas tarefas discretas, que raramente aparecem nos registros oficiais, mas sem as quais a vida comunitária não seria a mesma.

Somos mulheres de todas as idades, religiosas e leigas, com diferentes histórias, dons e experiências. Mulheres que evangelizam, formam, articulam, cuidam, questionam, resistem e abrem caminhos. Mulheres que, mesmo quando não são reconhecidas, continuam semeando a Palavra e cultivando a esperança.

Reconhecer esse protagonismo não é apenas fazer memória do passado. É assumir um compromisso com o presente e com o futuro: registrar nossas histórias, valorizar nossos saberes, garantir espaços de participação e reconhecer que a missão evangelizadora é responsabilidade de todo o povo de Deus.

Do Antigo Testamento aos nossos dias, das primeiras comunidades cristãs à Arquidiocese de Maringá, a história da fé também é escrita por mulheres.

Mulheres que vieram antes de nós, mulheres que caminham conosco e meninas que já começam a escrever as páginas de amanhã.

Somos mulheres. Somos memória, fé, resistência e ousadia. Somos protagonistas da história e da evangelização na Arquidiocese de Maringá. E continuaremos fazendo história!