Clique na imagem para ampliar
26 março, 2015
A Mulher que surpreendeu a tod@s e ungiu Jesus
Marcos 14.3-9: A Mulher que surpreendeu a tod@s e ungiu Jesus [João Bartsch]
O texto em questão é o relato da unção de Jesus em Betânia e é essencialmente relato de uma ação; visto que a mulher não fala uma palavra sequer - só age, faz acontecer. Olhemos mais de perto a ação desta mulher!
O texto não traz maiores informações sobre a mulher. Ela é apresentada de forma anônima. Para o evangelista parece que não é importante a identidade desta mulher e sim a sua ação.
A ação da mulher consistiu numa unção que provocou forte reação por parte dos presentes à ceia. Os presentes indignaram-se com a atitude da mulher de ungir Jesus com perfume. O texto traz que o principal motivo da indignação foi o desperdício nesta ação da mulher. Ela derramou perfume da melhor qualidade sobre a cabeça de Jesus. Esse perfume custava o salário de um ano de trabalho. Porém, suspeita-se que podem ter sido outros motivos que causaram a indignação dos presentes. Pode ter sido porque a mulher invadiu um lugar essencialmente de homens. As mulheres entravam na sala de refeição só para servir a refeição. E esta mulher entra sem falar nada e age! Sua ação causa grande impacto. Mas sabe-se também, que o ato de ungir era amplamente praticado no meio judaico. A unção era muitas vezes uma cortesia da dona da casa para com o visitante. Já a unção na cabeça era essencialmente um ato dos profetas e sacerdotes do povo de Israel. Com este ato proclamava-se a pessoa ungida rei. Neste texto uma mulher, sem pedir permissão, pratica um ato messiânico que era efetuado apenas por homens. Este parece ser o principal motivo da indignação dos presentes na ceia.
Com o ato de unção, a mulher declara, reconhece, testemunha Jesus como o Messias. O Messias, o Salvador que o povo estava esperando. Como sabemos, pelo evangelho, Pedro já havia confessado Jesus como Messias anteriormente. Vê-se que a confissão de Pedro era um tanto frágil, pois à medida que Jesus se confrontava com sua morte e não fugia, Pedro se decepcionava. Pedro queria que Jesus fosse o Messias a sua maneira, não entendia muito bem o caminho de Jesus.
A mulher não age por agir. Sua ação é certeira. Ela faz a coisa certa na hora certa. Jesus reconhece que ela fez o que pode. O que estava ao seu alcance ela fez sem medir esforços. Como vemos, a ação da mulher está baseada em sua fé e em seu discernimento. Ela por força de sua fé faz a leitura do momento e age ali onde achou que deveria agir.
É o final da época da paixão e todos tiveram a oportunidade de refletir sobre o sofrimento e a cruz de Cristo. Cruz, sinal de escândalo e também a maior expressão do amor dele por nós. Hoje neste domingo de Ramos, a partir do relato da ação desta mulher, lembremo-nos de tudo aquilo que fazemos por Jesus hoje em nossas vidas, sem esquecermos de tudo aquilo que deixamos de fazer por ele, que é nosso Senhor e Salvador. Que coisas preciosas temos e que poderíamos colocar a seu serviço? E que ainda não colocamos! Não pensemos unicamente em formas materiais. Há muitas maneiras de diferentes pessoas expressarem o amor e o reconhecimento que têm por Jesus. Podem oferecer a ele parte de seu tempo, dons, conhecimento, etc. Como vimos no texto a mulher fez o que pode!
Agora, por alguns instantes, pensamos sobre o que estamos fazendo e o que mais poderíamos fazer a Jesus!
Como naquela época, também hoje, gestos que transmitem e traduzem amor podem ser, e certamente o serão, alvo de críticas, provocando a indignação de certas pessoas. Todo e qualquer gesto em direção a Jesus, em nossa sociedade onde o acúmulo e o lucro são os valores predominantes, receberão críticas e vaias. Por isso, nosso envolvimento comunitário em nome de Jesus pode ser considerado como “perda” de tempo, e nosso testemunho e estudo da palavra podem ser considerados ingenuidade e alienação.
Porém, não podemos deixar que estas críticas nos façam desistir. A mulher mesmo sendo criticada, fez o que pode naquele momento para enaltecer Jesus, seu Senhor e Salvador. Que também nós, caros irmãos e irmãs, olhando para a cruz de Cristo possamos ver o que estamos fazendo e também o que estamos deixando de fazer. Como Jesus Cristo nos diz: “Em verdade vos digo, cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes”.
18 março, 2015
Arquidiocese de Maringá - 5º Encontrão Arquidiocesano das CEBs
O 5º Encontrão Arquidiocesano das Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs, já começa a ser preparado na Arquidiocese de Maringá.
Será um lindo momento!
Já foram escolhido o tema e o lema
Tema: "CEBs: o rosto humano de Deus"
Lema: "sua ternura abraça toda criatura" (cf. Sl 144(145),9)
Com a metodologia dinâmica das CEBs, o encontrão vai envolver todas e todos que estiverem presentes, vai ser muito lindo.
Data: 23/08/2015
Início: pontualmente às 13h30m
Local: Pavilhão Azul do Parque de Exposições da cidade de Maringá-Pr
Será um lindo momento!
Já foram escolhido o tema e o lema
Tema: "CEBs: o rosto humano de Deus"
Lema: "sua ternura abraça toda criatura" (cf. Sl 144(145),9)
Com a metodologia dinâmica das CEBs, o encontrão vai envolver todas e todos que estiverem presentes, vai ser muito lindo.
Data: 23/08/2015
Início: pontualmente às 13h30m
Local: Pavilhão Azul do Parque de Exposições da cidade de Maringá-Pr
Movimentos sociais preparam semana de mobilização pela reforma política
Entidades criticam proposta que defende financiamento privado no Congresso Nacional e pedem que o ministro Gilmar Mendes devolva ao STF o processo
que proíbe essa prática.
que proíbe essa prática.
Diversas organizações saíram às ruas, na última sexta-feira, para se manifestar diante do atual cenário político brasileiro.
Os protestos levantaram bandeiras em defesa da Petrobras e criticaram as tentativas de retirada de direitos trabalhistas.
Outra pauta era o combate à corrupção. Na avaliação das organizações, esse combate pode se dar por meio de uma reforma política.
Entre os dias 20 e 29 de março, organizações que se articulam em torno de um projeto de lei de iniciativa popular para uma reforma política farão uma nova semana de mobilização para coleta de assinaturas.
São quatro elementos centrais do projeto de lei popular: fim do financiamento empresarial privado de campanhas eleitorais e de partidos políticos, fortalecimento da votação em programas partidários, paridade de sexo em eleições e fortalecimento da democracia direta.
Propostas de lei relativas ao tema sempre circularam pelo Congresso, mas nenhuma delas avançou.
A reforma política passou a ser debatida com mais força pela sociedade civil a partir das manifestações de junho de 2013.
As organizações que propõem o projeto de lei popular se articularam em torno deste tema em agosto daquele ano.
Elas formaram a “Coalizão por uma Reforma Política Democrática e Eleições Limpas”.
Em paralelo, foi organizada uma campanha em prol da convocação de uma Constituinte exclusiva e soberana para a reforma do sistema político.
A proposta foi debatida intensamente nos meses seguintes, culminando em um plebiscito popular realizado de 1º a 7 de setembro de 2014.
Sete milhões e meio de pessoas votaram a favor da ideia da Constituinte.
Também em 2013, a Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB, deu entrada no Supremo Tribunal Federal, o STF, a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade apontando a ilegalidade do financiamento de campanhas eleitorais por empresas.
Se aprovada, favoravelmente, isso implicaria na proibição desse tipo de financiamento.
Até agora, vários ministros já haviam votado no tema e o placar atual é de 6 a 1 em favor da inconstitucionalidade.
Como são onze os ministros, a questão já estaria definida.
Mas em abril do ano passado, o ministro Gilmar Mendes pediu vistas ao processo e ainda não o devolveu ao Supremo.
Com isso, até hoje a votação não terminou.
Movimentos sociais organizaram uma campanha com um abaixo assinado virtual, pedindo que o ministro devolva o processo.
Fonte: brasil de fato (da Radioagência Brasil de Fato, Simone Freire)
Como desmontar o ódio social - Leonardo Boff
Deve-se mudar não apenas a música mas também a letra.
Em outras palavras, importa
pensar mais no Brasil como nação e menos nos partidos.
Estes devem dar centralidade
Em outras palavras, importa
pensar mais no Brasil como nação e menos nos partidos.
Estes devem dar centralidade
ao bem geral e unir forças ao redor de alguns valores e princípios
fundamentais, buscando convergências na diversidade,
fundamentais, buscando convergências na diversidade,
em função de um projeto-Brasil viável e que torne menos perversa a
desigualdade, outro nome, para a injustiça social.
desigualdade, outro nome, para a injustiça social.
Estamos constatando que vigora atualmente muito ódio e raiva na sociedade, seja pela situação geral de insatisfação que perpassa a humanidade, mergulhada numa profunda crise civilizacional, sem que ninguém nos possa dizer como seria a sua superação e para onde este voo cego nos poderia conduzir. O inconsciente coletivo detecta este mal-estar como já antes Freud o descrevera em seu famoso texto O mal estar na cultura (1929-1930) e que, de alguma forma, previa os sinais de uma nova guerra mundial.
O nosso mal-estar é singular e se deriva das várias vitórias do PT com suas políticas de inclusão social que beneficiaram 36 milhões de pessoas e elevaram 44 milhões à classe média. Os privilegiados históricos, a classe alta e também a classe média se assustaram com um pouco de igualdade conseguida pelos do andar de baixo. O fato é que, por um lado vigora uma concentração espantosa de renda e, por outro, uma desigualdade social que se conta entre as maiores do mundo. Essa desigualdade, segundo Marcio Pochmann no segundo volume de seu Atlas da Exclusão social no Brasil (Cortez 2014) diminuiu significativamente nos últimos dez anos mas é ainda muito profunda, fator permanente de desestabilização social.
Como notou bem o economista e bom analista social, do partido do PSDB, Luiz Carlos Bresser Pereira, o que foi assumido em sua coluna dominical (8/3) por Verissimo, tal fato fez surgir um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos a um partido e a um presidente; não é preocupação ou medo; é ódio; a luta de classes voltou com força; não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita.
Estimo correta esta interpretação que corrobora o que escrevi neste espaço com dois artigos "O que se esconde atrás do ódio ao PT". É a emergência de milhões que eram os zeros econômicos e que começaram ganhar dignidade e espaços de participação social, ocupando os lugares antes exclusivos das classes beneficiadas. Isso provocou raiva e ódio aos pobres, aos nordestinos, aos negros e aos membros da nova classe média.
O problema agora é: como desmontar este ódio? Uma sociedade que deixa esse espírito se alastrar, destrói os laços mínimos de convivência sem os quais ela não se sustenta. Corre o risco de romper o ritmo democrático e instaurar a violência social. Depois das amargas experiências que tivemos de autoritarismo e da penosa conquista da democracia, devemos, por todos os modos, evitar as condições que tornem o caminho da violência, incontrolável ou até irreversível.
Em primeiro lugar, na linha sábia de Bresser Pereira, faz-se urgente um novo pacto social que vá além daquele criado pela constituição de 1988, pacto que reuna empresários, trabalhadores, movimentos sociais, meios de comunicação, partidos e intelectuais que distribua melhor os ônus da superação da atual crise nacional (que é global) e que, claramente convoque os rentistas e os grandes ricos, geralmente articulados com os capitais transnacionais a darem a sua contribuição.
Deve-se mudar não apenas a música mas também a letra. Em outras palavras, importa pensar mais no Brasil como nação e menos nos partidos. Estes devem dar centralidade ao bem geral e unir forças ao redor de alguns valores e princípios fundamentais, buscando convergências na diversidade, em função de um projeto-Brasil viável e que torne menos perversa a desigualdade, outro nome, para a injustiça social.
Estimo que amadurecemos para esta estratégia do ganha-ganha coletivo e que seremos capazes de evitar o pior e assim não gastar tempo histórico que nos faria ainda mais retardatários face ao processo global de desenvolvimento social e humano na fase planetária da humanidade.
Em segundo lugar, creio na força transformadora do amor como vem expresso na Oração de São Francisco: onde houver ódio que eu leve o amor. O amor aqui é mais que um afeto entre duas pessoas; ele ganha uma feição coletiva e social: o amor a uma causa comum, amor ao povo como um todo, especialmente, àqueles mais penalizados pela vida, amor à nação (precisamos de um sadio nacionalismo), amor como capacidade de escutar as razões do outro, como abertura ao diálogo e à troca.
Se não encontrarmos nem escutarmos o outro, como vamos saber o que pensa e pretende fazer? Ai começamos a imaginar e a projetar visões distorcidas, alimentar preconceitos e destruímos as pontes possíveis que ligam as margens diferentes.
Precisamos dar mais espaço à nossa cordialidade positiva (pois há também a negativa) que nos permite sermos mais generosos, capazes de olhar para frente e para cima e deixar para trás o que ficou para trás e não deixar que o ressentimento alimente a raiva, a raiva o ódio e o ódio, a violência que destrói a convivência e sacrifica vidas.
As igrejas, os caminhos espirituais, os grupos de reflexão e ação, especialmente a mídia e todas as pessoas de boa-vontade podem colaborar no desmonte desta carga negativa. E contamos para isso com a força integradora dos contrários que é o Espírito Criador que perpassa a história e a vida pessoal de cada um.
Texto: Leonardo Boff ( Teólogo, filósofo e autor de: "A oração de São Francisco: uma mensagem de paz para o mundo atual" entre diversos outras publicações)
Fonte: Carta Maior
15 março, 2015
O ''primeiro mandamento'' da vida paroquial “Estar próximo das pessoas”
O ''primeiro mandamento'' da vida paroquial
“Estar próximo das pessoas”
Falando
para o conselho pastoral de uma igreja na periferia leste de Roma, disse Papa Francisco: o ''primeiro mandamento''
da vida paroquial é a
proximidade
com as pessoas.
"Estejam
perto das pessoas", exortou-os. "Não tenham medo da proximidade. Não
tenham medo de fazer carinho: acariciem as pessoas, os doentes, os solitários,
mesmo aqueles que merecem o título de "miserável":
acariciem
como Deus nos acaricia".
De
fato, disse o papa, o "primeiro mandamento" das paróquias é praticar
essa proximidade e evitar dizer às pessoas o que elas devem mudar em suas
vidas.
"Se
os seus filhos estão com fome e a sociedade não o ajuda a trabalhar, não o
ajuda a encontrar trabalho, não o ajuda a se livrar dos vícios ...
você
precisa alimentar os seus filhos".
Ele
disse ao conselho pastoral que eles devem trabalhar "para que essas
situações não se repitam", dizendo, "Vocês trabalham para continuar
indo em
frente
com as pessoas e dizer-lhes:
'Venha
aqui, o que você precisa? Nós vamos ajudá-lo'".
"Para
isso, eu recomendo uma coisa para vocês, para ajudar as pessoas",
continuou ele. "O primeiro mandamento pastoral é a proximidade.
Estar
próximo das pessoas. Proximidade".
10 março, 2015
Revista de uma comunidade carente argentina entrevista o papa
Apresentamos o extraordinário diálogo publicado pela revista Cárcova News
Por ocasião dos dois anos de pontificado do papa Francisco, os jovens de uma favela da periferia da Grande Buenos Aires lhe enviaram uma série de perguntas, pensando em publicar as respostas do papa no jornal da comunidade. E o papa respondeu.
Cárcova News - O senhor fala muito em periferia. É uma palavra que usa muitas vezes. No que o senhor pensa quando fala de periferias? Em nós, nas pessoas da favela?
PAPA FRANCISCO - Quando eu falo de periferia, falo de limites. Normalmente, nós nos movemos em espaços que, de alguma forma, controlamos. Este é o centro. Mas, à medida que vamos saindo do centro, vamos descobrindo mais coisas. E quando olhamos para o centro a partir dessas novas coisas que descobrimos, a partir das nossas novas posições, a partir dessa periferia, vemos que a realidade é diferente. Uma coisa é ver a realidade a partir do centro e outra coisa é vê-la do último lugar ao qual chegamos. Um exemplo. A Europa, vista a partir de Madri no século XVI, era uma coisa, mas quando Magalhães chega ao fim do continente americano e olha para a Europa, ele entende outras coisas. A realidade é vista melhor a partir da periferia do que do centro. Também a realidade de uma pessoa, das periferias existenciais e, inclusive, a realidade do pensamento. Você pode ter um pensamento muito armado, mas, quando se confronta com alguém que está fora desse pensamento, de alguma forma tem que procurar as razões do seu próprio pensar; começa a dialogar, se enriquece a partir da periferia do pensamento do outro.
Cárcova News - O senhor conhece os nossos problemas. As drogas avançam e não são barradas; entram nas favelas e atacam os nossos jovens. Quem deve nos defender? E nós, como podemos nos defender?
PAPA FRANCISCO - É verdade, a droga avança e não é barrada. Há países que já são escravos da droga e isso nos preocupa. O que mais me preocupa é o triunfalismo dos traficantes. Essas pessoas já cantam vitória, venceram, triunfaram. E isto é uma realidade. Há países ou regiões onde tudo está sob o domínio da droga. A respeito da Argentina, posso dizer só isto: há 25 anos, era um lugar de passagem da droga; hoje em dia, é um lugar de consumo. E não tenho certeza, mas acredito que também de fabricação.
Cárcova News - Qual é a coisa mais importante que temos que dar aos nossos filhos?
PAPA FRANCISCO - O pertencimento, o pertencimento a um lar. O pertencimento se dá com amor, com carinho, com tempo, de mãos dadas, escutando-os, brincando com eles, dando a eles o necessário em cada momento para o seu crescimento. Dando a eles, principalmente, espaço para se expressarem. Se você não brinca com o seu filho, o priva da dimensão da gratuidade. Se você não dá espaço para que ele diga o que sente e para que ele possa até discutir com você por sentir-se livre para isso, então você não está deixando que ele cresça. Mas o mais importante é a fé. Dói muito, em mim, quando encontro jovens que não sabem fazer o sinal da cruz. Esses jovens não receberam a coisa mais importante que um pai e uma mãe podem dar a eles: a fé.
Cárcova News - O senhor acha que sempre existe a possibilidade de uma mudança, tanto em situações difíceis, de pessoas que foram muito provadas pela vida, como em situações sociais ou internacionais que são causa de grandes sofrimentos para a população? De onde vem esse otimismo, inclusive quando seria o caso de nos desesperarmos?
PAPA FRANCISCO - Toda pessoa pode mudar, inclusive as muito provadas. Eu conheço gente que estava abandonada ao deus-dará e que hoje está casada, tem o seu lar. Isto não é otimismo; isto é certeza de duas coisas. Primeiro, do homem, da pessoa. A pessoa é imagem de Deus e Deus não despreza a sua imagem, sempre a resgata de alguma forma. E, segundo, da força do Espírito Santo, que vai mudando a consciência. Não é otimismo, é fé na pessoa, porque ela é filha de Deus. Deus não abandona os seus filhos. Eu gosto de repetir que nós, os filhos de Deus, fazemos bobagens o tempo todo, erramos, pecamos, mas, quando pedimos perdão, Ele sempre nos perdoa. Ele não se cansa de perdoar. Somos nós que, quando nos achamos importantes, nos cansamos de pedir perdão.
Cárcova News - Como podemos ficar convictos e constantes na fé? Vivemos altos e baixos; em alguns momentos somos conscientes da presença de Deus, de que Deus é um companheiro de caminho, mas, em outros, nos esquecemos disso e nos comportamos como se Deus não existisse. Podemos conseguir estabilidade numa questão como a da fé?
PAPA FRANCISCO - Sim, há altos e baixos. Em alguns momentos, somos conscientes da presença de Deus, outras vezes nos esquecemos dela. A Bíblia diz: a vida do homem, da pessoa sobre a terra, é um combate. Ou seja, temos que estar em paz e lutando. Preparados para não desfalecer, não baixar a guarda, e, por outro lado, desfrutando de todas as coisas lindas que Deus nos dá na vida. Temos que estar alertas. Não ser derrotistas, não ser pessimistas. Como ser constante na fé? Se você não se negar a senti-la, vai senti-la muito perto, vai encontrá-la no seu coração. Outro dia pode ser que você não sinta nada. Mas a fé está ali, não está? É necessário acostumar-se com o fato de que a fé não é um sentimento. Às vezes, nosso Senhor nos dá a graça de senti-la, mas a fé é mais do que isso. A fé é a minha relação com Jesus Cristo; eu creio que Ele me salvou. Este é o ponto central da fé. Procure os momentos da sua vida em que você estava mal, perdido, frustrado, e observe como Cristo o salvou. Abrace isto; esta é a raiz da sua fé. Quando você se esquece, quando não sente nada, abrace isto, porque essa é a base da sua fé. E sempre com o Evangelho na mão. Leve consigo um Evangelho pequeno, no bolso. Mantenha um Evangelho em casa. É a Palavra de Deus. Nele você alimenta a fé. Afinal, a fé é um presente, não é uma atitude psicológica. E quando lhe dão um presente, você tem que recebê-lo, não é? Receba, então, o presente do Evangelho e leia. Leia e escute a Palavra de Deus.
Cárcova News - A sua vida tem sido intensa, rica. Nós também queremos viver uma vida plena, intensa. Como fazer para não viver inutilmente? E como podemos saber que não vivemos inutilmente?
PAPA FRANCISCO - Bom, eu vivi muito inutilmente, sabiam? Não foi tão intensa e tão rica. Eu sou um pecador como qualquer outro. Acontece que, simplesmente, nosso Senhor quis que as coisas que eu faço sejam públicas, mas quantas vezes há gente que não vemos, e o bem que elas fazem! A intensidade não é diretamente proporcional ao que se vê. A intensidade é vivida por dentro. E é vivida alimentando-se a fé. Como? Fazendo obras de fecundidade, obras de amor pelo bem das pessoas. Talvez o pior pecado contra o amor seja o de renegar uma pessoa. Há uma pessoa que ama você e você a renega fingindo que nem a conhece. Ela ama você e você a renega! Quem mais nos ama é Deus. Renegar a Deus é um dos piores pecados que existem. São Pedro cometeu esse pecado, renegou Jesus Cristo… e foi escolhido papa! Então, o que me resta? Vamos seguir adiante!
Cárcova News - Há pessoas, ao seu redor, que não concordam com o senhor?
PAPA FRANCISCO - Sim, claro.
Cárcova News - Como o senhor se comporta com elas?
PAPA FRANCISCO - Nunca me fez mal escutar as pessoas. Cada vez que as escuto, me faz bem. Nas vezes em que não as escutei é que me dei mal. Porque, mesmo que você não esteja de acordo, elas sempre, sempre vão lhe dar algo ou colocar você numa situação em que é preciso repensar as coisas. E isso enriquece. Esta é a maneira de nos comportarmos com as pessoas das quais discordamos. Agora, se eu não estou de acordo com alguém e paro de cumprimentá-lo, fecho a porta na sua cara ou não o deixo falar, não lhe pergunto nada, é evidente que anulo a mim mesmo. Esta é a riqueza do diálogo. Dialogando, escutando, você se enriquece.
Cárcova News - A moda de hoje empurra os jovens para as relações virtuais. Na favela também acontece isto. Como fazer para que as pessoas saiam do seu mundo de fantasia, como ajudá-las a viver a realidade e as relações verdadeiras?
PAPA FRANCISCO - Eu distinguiria entre o mundo da fantasia e as relações virtuais. Às vezes, as relações virtuais não são de fantasia; são concretas, são de coisas reais, muito concretas. Mas, evidentemente, o desejável é a relação não virtual, ou seja, a relação física, afetiva, a relação no tempo e no contato com as pessoas. E acho que o perigo que nós corremos é o de ter uma capacidade de informação muito grande, de nos movermos virtualmente dentro de toda uma série de coisas que podem nos fazer virar jovens-museu. Um jovem-museu é muito bem informado, mas o que ele faz com tudo o que tem? A maneira de ser fecundo na vida não é acumular informação ou manter apenas comunicações virtuais, mas mudar o concreto da existência. Em suma, isto quer dizer amar. Você pode amar outra pessoa, mas, se não aperta a sua mão, não lhe dá um abraço, não é amor; se você ama alguém para se casar com esse alguém, ou seja, com o desejo de se entregar completamente, mas não o abraça, não lhe dá um beijo, não é verdadeiro amor. O amor virtual não existe. Existe a declaração de amor virtual, mas o verdadeiro amor prevê o contato físico, concreto. Vamos ao essencial da vida. E o essencial é isso. Então, nada de jovens-museu que só estejam informados das coisas virtualmente, e sim jovens que sintam e que, com as próprias mãos, e isto é o concreto, levem a vida adiante. Eu gosto de falar das três linguagens: a linguagem da cabeça, a linguagem do coração e a linguagem das mãos. Tem que haver harmonia entre as três, de tal maneira que você pense o que sente e o que faz, sinta o que pensa e o que faz e faça o que sente e o que pensa. Isto é o concreto. Ficar somente no virtual é como viver numa cabeça sem corpo.
Cárcova News - Há algo que o senhor queira sugerir aos governantes argentinos num ano de eleições?
PAPA FRANCISCO - Primeiro, uma plataforma eleitoral clara. Que cada um diga: se nós formos governo, vamos fazer “isto”. Bem concreto. A plataforma eleitoral é muito sadia e ajuda as pessoas a ver o que cada um pensa. Em eleições de muitos anos atrás, houve um caso importante, com alguns jornalistas espertos. Mais ou menos na mesma hora, eles se encontraram com três candidatos. Não me lembro se eram candidatos a deputados ou a intendentes. E perguntaram a cada um: “O que o senhor pensa sobre tal coisa?”. Cada um deu a sua resposta e um dos jornalistas disse a um deles: “Mas o que o senhor pensa não é a mesma coisa que o seu partido pensa. Veja a plataforma eleitoral do seu partido…”. Às vezes, os próprios candidatos não conhecem a plataforma eleitoral. Um candidato tem que se apresentar à sociedade com uma plataforma eleitoral clara, bem estudada, dizendo explicitamente: “Se eu for eleito deputado, intendente, governador, vou fazer ‘isto’, porque é ‘isto’ o que tem que ser feito”. Segundo, honestidade na apresentação da própria postura. E terceiro, e isso é uma das coisas que nós temos que conseguir, espero que consigamos, uma campanha eleitoral não financiada. Porque nos financiamentos das campanhas eleitorais entram muitos interesses que depois “mandam a fatura”. Então, tem que haver independência em relação a qualquer um que possa financiar uma campanha eleitoral. É um ideal, evidentemente, porque sempre se precisa de dinheiro para a propaganda, para a televisão. Mas, em todo caso, que o financiamento seja público. Deste modo, eu, cidadão, sei que financio este candidato com esta determinada quantidade de dinheiro. Que seja tudo transparente e limpo.
Cárcova News - Quando o senhor vem à Argentina?
PAPA FRANCISCO - Pretendo ir em 2016, mas ainda não há nada certo, porque é preciso combinar com outras viagens, com outros países.
Cárcova News - Ouvimos pela televisão notícias que nos doem, sobre fanáticos que querem matá-lo. O senhor não tem medo? E nós, que o amamos, o que podemos fazer?
PAPA FRANCISCO - Vejam, a vida está nas mãos de Deus. Eu disse a nosso Senhor: cuida de mim. Mas se a tua vontade for que eu morra ou que me façam algo, só te peço um favor: que não me doa. Porque eu sou muito medroso para a dor física...
Fonte: zenit.org
Entrevista com o arcebispo Palmer-Buckle
Dom Palmer-Buckle, foi escolhido pelos bispos de Gana para
ser um dos participantes do Sínodo dos bispos, programado para os dias 4 a 25
de outubro no Vaticano. O Papa Francisco confirmou sua eleição no fim de
janeiro.
Dom Palmer-Buckle também atua como bispo responsável pela
família na Conferência dos Bispos de Gana e coo tesoureiro deo Simpósio das
Conferências Episcopais da África e Madagascar (SECAM), organização de todos os
bispos católicos do continente africano.
A entrevista com o arcebispo Palmer-Buckle aconteceu no dia
5 de fevereiro, após uma reunião do Comitê Permanente do SECAM em Roma.
A reportagem é de Diane Montagna, publicada no sítio
Aleteia, 25/02/2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.
Eis a entrevista.
Sua Excelência, o que é importante para a África no Sínodo?
O que é importante para a África é que a Igreja seja clara sobre a
doutrina antiga e moderna da Igreja sobre o casamento, ou seja, que o casamento
é uma união entre um homem e uma mulher.
O que estamos realmente
esperando ouvir é a posição clara da Igreja em relação ao que é e continua
sendo a doutrina sobre o sagrado matrimônio: a união entre homem e mulher, um
homem e uma mulher, para se ajudarem mutuamente e para a procriação. Isso é o que
estamos esperando ouvir, porque há muitas vozes conflitantes, não
necessariamente da Igreja - mas, infelizmente, do mundo ocidental - que estão
tentando abafar a voz de Deus, a voz da Igreja. Essa é a primeira coisa.
Na África, muitas
pessoas, previamente, estavam envolvidas em casamentos polígamos. Mas, para o
nosso povo, o casamento sempre foi entre macho e fêmea, entre homem e mulher.
Inclusive entre um homem e várias mulheres, ou, em casos raros, mesmo entre uma
mulher e vários homens. Mas, já que o Cristianismo não aceita isso, a maioria
de nosso povo tem tentado muito duramente viver de acordo com os preceitos de
Jesus Cristo.
Em Mateus 19, 1-6, Jesus
diz que "o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e serão
os dois uma só carne ... Então, o que Deus uniu o homem não separe". Isso
é o que nós estamos esperando ouvir, claramente enunciado pela Igreja.
O senhor tem alguma dúvida de que o ensinamento da Igreja sobre o
casamento não seja enunciado claramente no Sínodo em outubro?
Eu não tenho
absolutamente nenhuma dúvida em relação a isso. A minha preocupação é que
muitos gostam de tornar a "voz dos meios de comunicação" em "voz
da Igreja". É a Igreja que deve se pronunciar sobre isso.
O primeiro Sínodo
Extraordinário foi concebido para trazer à tona as questões relacionadas com o
casamento na era atual - para as pessoas de dentro da Igreja e para aquelas de
fora da Igreja - e perguntar quais deveriam ser as nossas preocupações
pastorais sobre o casamento: sobre as pessoas casadas, sobre as pessoas que se
casaram e deixaram a relação, sobre aqueles que voltaram a se casar, e até
mesmo pensar sobre as novas formas de uniões que estão sendo impostas sobre a
humanidade com o nome de casamento.
O Sínodo Extraordinário, na verdade, era só para dizer: este é o status
quaestionis [estado
da investigação]. O que a Igreja faz com isso? O que vamos fazer com isso? Como
vivemos neste tipo de mundo sem ser desse tipo de mundo? Como podemos viver
neste mundo e levar o ensino e a salvação de Cristo ao povo? Isso é o que
tratava o primeiro Sínodo Extraordinário.
O próprio Santo Padre elaborou uma síntese muito bonita. O
resumo dela é: ninguém deve impedir ninguém de dizer o que pensa sobre o estado
atual do casamento, família etc. Ninguém deve sufocar ninguém. Devemos ouvir
uns aos outros e devemos refletir sobre isso e tentar ver o que o Espírito
Santo vai nos dizer sobre como acompanhar as pessoas que se encontram em
qualquer forma de casamento em direção a Cristo. Essa é a preocupação principal
[do Papa Francisco]:
como vamos levar essas pessoas, sejam elas quem forem, em qualquer contexto em
que se encontrem, a Cristo. Eu acho que foi uma mensagem bonita.
O que o senhor quer dizer com "qualquer forma de
casamento"?
Tome como exemplo a África. Há
pessoas em relações poligâmicas, que estavam envolvidas nelas antes de se
tornarem cristãs. Sua família teve que fazer uma escolha: mandar embora uma
mulher ou duas mulheres com todos os seus filhos, sem ferir as crianças, sem
ferir as esposas. Por isso, é um problema.
Como faço para batizar
filhos de casamentos polígamos? O que eu vou ensiná-los? Se eu lhes disser:
"Seu pai deve deixar a sua mãe", isso não vai machucar a criança
emocionalmente, espiritualmente, até mesmo pelo resto de sua vida, a ponto de
que ela possa até decidir que a Igreja é má porque dilacerou a sua família?
Eu posso dizer com
certeza que existem casamentos polígamos, em que você vai se surpreender com a
harmonia entre o marido e as suas diferentes esposas, entre as diferentes
mulheres e entre os seus filhos. É incrível. Há muitos, muitos outros casos em
que há muita dor em curso entre as diferentes mulheres, entre as diversas
crianças, e isso deve ser trazido à tona. Como podemos ajudar todos os
envolvidos a olharem para Cristo e para o que Cristo os convida a fazer?
A carta aos Hebreus diz
para termos "o olhar fixo em Cristo" e nos empenharmos em direção a
ele. Então, como posso ajudá-los a manter Cristo em vista? E como faço para
acompanhá-los em qualquer circunstância em que se encontram?
Na África - este é o contexto com que estou
lidando - eu não vou fechar meus olhos para o fato de que há casos de
homossexuais, de pessoas com tendências homossexuais, de pessoas com tendências
lésbicas. A África sempre desaprovou isso, uma vez que
sempre olhou para o casamento como algo que contribui para o bem-estar da
sociedade, não necessariamente só para o bem-estar dos indivíduos.
Então, de certa forma,
podemos dizer que qualquer um que tem uma certa tendência não foi visto com
ternura. De fato, tem havido casos em que os seus direitos humanos foram
violados. A Igreja está nos pedindo para entender isso. Se a pessoa tem
tendências homossexuais ou tendências heterossexuais, a pessoa é criada à
imagem e semelhança de Deus, e essa imagem e semelhança de Deus é o que devemos
proteger. Isso é o que devemos defender. E é por isso que temos que ajudar essa
pessoa a ouvir o que Deus diz sobre o seu estado. E eu acho que essa é a beleza
do que a Igreja nos ensina.
Portanto, esse período entre o Sínodo Extraordinário e o Sínodo
Ordinário está nos proporcionando um tempo, enquanto analisamos os Lineamenta,
para ouvir, para orar e discernir. Quando nos encontrarmos em outubro, eu
acredito que nós estaremos indo para afirmar o que a Igreja sempre ensinou. Nós
não estamos indo para diluir o ensinamento. Mas isso vai ser declarado de uma
forma que não exclua, de modo algum, quem quer que seja da jornada e do caminho
para Cristo, que é o cumprimento da nossa perfeição.
No Ocidente, o lobby gay é muito forte e tem muito poder na mídia.
Muitas pessoas, portanto, estão preocupadas que, se a linguagem for muito
"solta", o Sínodo será uma ocasião em que alguns poderão usar essa
linguagem vaga para levar adiante ideias que são contrárias ao Evangelho. Por
exemplo, a palavra "accogliere" [acolher] foi uma palavra muito usada
durante o Sínodo Extraordinário em outubro passado. A palavra, em alguns casos,
foi sequestrada para fazer parecer como se a Igreja estivesse a caminho de
aprovar as relações homossexuais. O que os bispos precisam dizer em outubro
próximo, a fim de comunicar tanto para a África quanto para o Ocidente a
posição exata da Igreja?
Você sabe, se há algo que eu acho bonito sobre o Papa
Francisco é como
ele nos faz voltar à pergunta: como é que Cristo agiria nesta circunstância?
E eu creio que um dos aspectos mais profundos foi quando ele
estava voltando do Rio de Janeiro e foi entrevistado por jornalistas que
estavam interessados em saber o que o papa pensava sobre gays e
lésbicas e ele disse: "Se um gay está à procura de Cristo, quem sou eu
para julgar a pessoa?".
Acho que o papa tomou a
postura de Jesus Cristo. Por exemplo, diante da mulher que foi pega em
adultério, aqueles que estavam ali queriam apedrejá-la até a morte. E o que
Jesus disse? "Quem de vós estiver sem pecado atire a primeira pedra".
A Bíblia nos diz: "Eles foram embora, um por um". Agora, se você se
lembra da pergunta que Jesus fez para a mulher: "Mulher, alguém te
condenou?". Ela responde: "Ninguém". Ele diz: "Então, eu
também não te condeno. Vai e não peques mais".
A beleza disso é que
Jesus primeiro pensou que ele deveria salvar essa mulher, a sua dignidade dada
por Deus e o dom da vida que Deus lhe dera. Depois de lhe ter salvo e feito
compreender que Deus a ama, então ele diz a ela: agora vá e repare tudo o que
há entre você e Deus. Acho que isso é bonito.
Eu gostaria de dizer que
isso não acontece somente no caso da mulher pega em adultério, mas também na
forma como ele se relaciona com os leprosos. Quando o leproso vem e diz:
"Senhor, se quiseres, podes purificar-me", Jesus diz: "Sim, eu
quero". Ele toca o leproso e diz: "Fique purificado". Por que
Jesus tocou o leproso? Era contra a lei judaica tocar um leproso. Ele fez o
leproso entender que: "O fato de que você tem essa doença não significa
que você não é um filho de Deus. É também por sua causa que eu vim".
Eu gostaria de usar
outro exemplo, não só os negativos. Tomemos a mulher que foi ao encontro de
Jesus e estava chorando aos seus pés. Agora, o que é muito engraçado é que diz
que todo mundo sabia que ela era uma pecadora. Quanto ao tipo de pecado, não
nos é dito, mas eles a conheciam como uma pecadora.
As pessoas que
convidaram Jesus já estavam condenando a mulher em suas mentes, e ele diz:
"Simão, você vê esta mulher? Eu vim para a sua casa, e você nem sequer
lavou minha cabeça, e ela não parou de lavar os meus pés com suas lágrimas, e,
portanto, os seus muitos pecados, eu não sei quantos são, nem quais são, mas
eles estão perdoados, porque ela muito amou".
Então, veja, Jesus tem
uma bela maneira de confirmar em cada pessoa: "Você é um filho de Deus,
você é único, e eu amo você por quem você é, independentemente do que os outros
pensam de você ou do que você se tornou. No entanto, tenha Deus em vista, continue
andando".
Então, eu não culpo a
mídia. O mais provável é que temos feito as pessoas sofrerem por tanto tempo
apenas porque elas não são "como nós". Nós já as fizemos sofrer, as
discriminamos, as ostracizamos. Então, se hoje o lobby gay é muito grande, é porque
quase desumanizamos essas pessoas.
O senhor gostaria de explicar isso melhor?
O que o papa está
levantando é que não temos o direito de desumanizar ninguém, seja pela cor,
pelo credo ou pela orientação sexual. Nós devemos abraçar essas pessoas e, em
seguida, apontar, caminhar com elas para o que o papa acredita ser essa certa
voz interior que ninguém pode sufocar, que nem mesmo a mídia pode sufocar.
Aqueles que estão no
lobby gay, por uma razão ou outra, têm sido obrigados por nós, os chamados
"bons", até mesmo a sufocar uma certa voz interior que
definitivamente eu acho que os está advertindo de que algo não está 100% certo.
Temos contribuído para isso. Nós também estamos calando em nós mesmos a voz que
diz: "Todos são filhos de Deus, e devemos acolher a todos". Não temos
o direito de apedrejar ninguém, e não temos o direito de desprezar ninguém.
Devemos acolhê-los.
Alguns leitores estão se perguntando: O que se entende por
"acolher", se é o caso de um casal que se divorciou e casou novamente
civilmente ou algum outro caso? O cardeal Kasper propôs que, em alguns casos,
aqueles que estão divorciados e recasados civilmente - mas sem uma nulidade - deveriam ser autorizados a
receber a Sagrada Comunhão, depois de seguir um caminho de penitência. Essa é uma
maneira de acolher as pessoas. Outra maneira de acolher é dizer: "Sim,
venha à Igreja, faça parte da comunidade, mas há limites em termos de recepção
da Sagrada Comunhão". O que significa "acolher", na sua opinião?
Deixe-me usar um parâmetro muito diferente. Deixe-me usar a Europa.
Deixe-me usar os Estados Unidos.
O que está acontecendo agora, por exemplo, nos Estados Unidos,
é que o presidente Obama está dizendo que há muitas pessoas
vivendo ilegalmente nos EUA. Não
podemos mandá-las de volta para casa. Por isso, vamos achar um jeito de legalizar seu estado para que elas possam
contribuir dignamente para o bem do país. Há muitos norte-americanos que são
contra isso. Não é verdade?
Sim, muitos norte-americanos pensam que não é por isso que Obama
quer que as pessoas sejam legalizadas nos Estados Unidos. Eles enxergam como
uma tentativa de mudar o caráter do eleitorado.
Veja, tentar pensar por ele [Obama] é sempre o problema. Tudo o que ele disse
é: "Se você está nessa posição, como você gostaria que nós o tratássemos?".
Quando se trata dos refugiados em Lampedusa, olhe para a atitude
aqui na Europa. O que
eu acho é que o papa está tentando nos fazer analisar, especialmente no que diz
respeito às pessoas divorciadas e novamente casadas. Ele não disse
"sim" ou "não". Ele disse "pensem".
A Sagrada Comunhão é
remédio para os doentes. Não é uma recompensa para os perfeitos.
Mas, de acordo com a doutrina da Igreja Católica, seja qual for o
seu pecado, é preciso estar em um estado de graça, a fim de receber a Santa Eucaristia
(CCC 1415).
Eu tenho que admitir
que, ao longo dos séculos, nós fizemos uma linha muito dura nesse contexto. Eu
conheci um pastor protestante uma vez. Tivemos uma grande discussão. Ele disse
que, em Mateus 16, Jesus deu o poder das chaves para Pedro, dizendo: "Tudo
o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra
será desligado nos céus".
De acordo com esse meu
amigo pastor protestante, por causa disso, em algumas das Igrejas protestantes,
eles acreditam que Cristo deu-lhes o poder de desvincular aqueles que se
comprometeram em alguns casamentos que são irregulares, que são difíceis, que
são contraproducentes, e permitir-lhes ir adiante em outro contexto.
Então, veja, é uma
interpretação. Segundo a nossa interpretação, sim, a Igreja tem o poder das
chaves, mas não nesse contexto particular dos casamentos. Portanto, o casamento
deve passar por todo o processo e ser anulado antes de o casal estar autorizado
a ir mais além. Eu acho que nós vamos olhar para o que "o poder das
chaves" pode significar nesse contexto.
Como isso pode ser conciliado com as palavras do Senhor: "O
que Deus uniu, o homem não separe"?
Isso é verdade. O que
Deus uniu... Na verdade, não é "o homem não separe", mas "o que
Deus uniu, o homem não pode separar". Nenhum homem pode separar o que Deus
uniu, e isso é verdade. Mas, em seguida, o mesmo Jesus diz: "Tudo o que
ligares na terra será ligado no céu, tudo o que desligares na terra é desligado
no céu." Então, o que ele quis dizer com isso? São duas afirmações que se
contradizem?
Bem, Vossa Excelência, elas não podem se contradizer, porque foi o
Senhor que disse, e Ele é a Verdade.
Elas não podem se
contradizer, por isso vamos ter que descobrir por meio da oração o que fazer.
Eu acredito que cada instituição, como a Igreja, deve ter regras e
regulamentos. Mas as regras e regulamentos são ideais, pontos de chegada. Eles
são a perfeição a que aspiramos. No entanto, estamos caminhando e, quando
caímos, deveríamos ser capazes de levantar e de seguir em frente. E é por isso
que o papa nos pede: como podemos ajudar as pessoas, cujos casamentos estão em
ruínas, sem possibilidade de reparo, a tomar o remédio de que necessitam e a
continuar a andar?
Vamos mantê-las
perpetuamente se sentindo culpadas por si mesmas e pelas crianças que tiveram a
partir daí, e assim por diante? Vamos ajudá-las dessa maneira? Deus não é todo
misericórdia? É somente em Deus que a justiça e misericórdia se encontram e se
abraçam. Nós somos apenas seus instrumentos, então eu acredito fortemente que
devemos ser capazes de dizer: "Senhor, esta é a situação, mas nós a
elevamos a ti em sua grande misericórdia". Vai ser difícil, mas vamos ter
que fazer isso.
É ousado dizer o que
estou dizendo.
09 março, 2015
VIII Encuentro Nacional de Comunidades Eclesiales de Base Tegucigalpa, Honduras, 26-28 de febrero de 2015
Presentes 70
miembros animadores las Comunidades Eclesiales de Base en representación de las
diócesis de Trujillo, La Ceiba, San Pedro Sula, Juticalpa, Yoro, Comayagua,
Choluteca y la Arquidiócesis de Tegucigalpa hemos celebrado nuestro VIII
Encuentro Nacional de Comunidades Eclesiales de Base (CEB´s) en la Casa de
Retiro Montaña Clara María.
A la luz
de la Sagrada Escritura, las orientaciones pastorales del Documento de
Aparecida, la enseñanza del Papa Francisco y la memoria de nuestros mártires hemos
analizado, orado y reflexionado a profundidad el tema “JUSTICIA, PAZ Y DEFENSA
DE LOS BIENES DE LA CREACION”, con el lema “Con
María, las Comunidades Eclesiales de Base nos comprometemos con la Justicia y
construimos la Paz”.
Siguiendo
la metodología del Ver, Juzgar y Actuar hemos iniciado escuchando, con dolor,
el flagelo de las diferentes diócesis. Problemáticas que amenazan a todo el país.
Hemos detectado los siguientes conflictos comunes que también están “clamando
al cielo” (cf. Ex 3,7) por liberación:
1.
Las grandes Concesiones de Extracción Minera
cedidas por el gobierno a empresas nacionales y transnacionales.
2.
Concesión de nuestros ríos y montañas para
construcción de proyectos hidroeléctricos.
3.
Desmedida deforestación y tala inmoderada de
los bosques.
4.
Injustas leyes que entregan nuestras playas a
transnacionales.
5.
Irracional monocultivo de palma africana.
6.
Concesión de territorios para construcción de
las Ciudades Modelo, denominadas Zonas de Empleo y Desarrollo Económico
(ZEDES).
Este
análisis de la realidad, elaborado con la ayuda de personas expertas en la
materia y con el testimonio de comunidades afectadas por estos conflictos, nos
lleva a asegurar que de continuar estos perversos proyectos generaran terrible destrucción
de la vida, como de hecho hemos constatado: enfermedades, epidemias,
expropiación y acaparamiento de tierras, invasión y destrucción de comunidades
enteras, amenazas y muertes de líderes campesinos e indígenas, daños
irreparables al medio ambiente y empobrecimiento que generará mayores problemas
sociales (Cf. Jn 10, 10.12-13). Como “profetas de la vida” (DA 471) manifestamos
nuestra indignación ante la facilidad con la que nuestros gobernantes están
entregando nuestro territorio sin consultar a la ciudadanía y emitiendo leyes
que no favorecen al bien común sino intereses egoístas y foráneos (Cf. Mc 10,
42).
Movidas por el amor
de Cristo, y los valores del evangelio proclamados y sufridos por él, las CEB´s
nos sentimos comprometidas a integrarnos en las organizaciones de la sociedad
civil para ser partícipes de las luchas en defensa de los territorios (Cf. DA
472), siendo solidarias con nuestro pueblo oprimido (Cf. Is 1, 17) que ya está
sufriendo los embates del gobierno y empresarios inescrupulosos (Cf. DA 473).
Por tal motivo, hemos
acordado fortalecer y promover un proceso de sensibilización que nos lleve a
tomar conciencia de nuestra responsabilidad cristiana con la justicia y el
cuidado de la creación a través de temas, oraciones, cantos, resonancias,
talleres, retiros y otras iniciativas para conseguir transformaciones en favor
de la paz y el bien común en nuestro país (Cf. DA 474).
Dado en Casa de Retiro Montaña Clara María de
la ciudad de Tegucigalpa, MCD a los 28 días del mes de febrero del año dos mil
quince para que sea ampliamente conocido y divulgado
Assinar:
Postagens (Atom)




