22 outubro, 2026

Eleições 2026: Deus Ouve os Clamores do Povo. E Nós?


Eleições 2026: Deus Ouve os Clamores do Povo. E Nós?

Que sociedade estamos construindo e quem se beneficia das decisões políticas?

Ao nos aproximarmos das eleições, somos convidadas e convidados a refletir não apenas sobre quem merece nosso voto, mas sobre qual projeto de sociedade queremos construir.

A realidade brasileira é marcada por profundas diferenças econômicas. A população trabalhadora — assalariadas e assalariados, trabalhadoras domésticas, profissionais autônomos, trabalhadoras e trabalhadores rurais, pequenos comerciantes e tantas outras pessoas — sustenta a sociedade com seu trabalho. Mesmo assim, muitas pessoas enfrentam dificuldades para garantir alimentação, moradia, transporte e outras necessidades básicas.

As famílias de baixa renda convivem com maiores dificuldades e, muitas vezes, dependem de políticas públicas e serviços sociais para assegurar direitos essenciais. A classe média, embora tenha maior poder de consumo, também pode depender do salário mensal e enfrentar insegurança financeira. Já a população rica e muito rica concentra rendimentos elevados e, em muitos casos, patrimônios, empresas e investimentos.

Essas diferenças não determinam como cada pessoa pensa ou vota, mas nos ajudam a compreender que as decisões políticas e econômicas afetam de maneiras diferentes os diversos grupos sociais.

E o nosso voto, considera essa realidade?

Se você tem uma microempresa ou uma empresa de pequeno ou médio porte, no comércio, na indústria ou nos serviços, pergunte-se: a que grupo pertence a maior parte de sua clientela? À população trabalhadora, à população de baixa renda, à classe média ou à população rica e muito rica?

Entre os planos de governo, qual apresenta melhores condições para que seus clientes tenham poder aquisitivo e possam consumir seus produtos e serviços?

E você, trabalhadora ou trabalhador, que depende do emprego para sustentar sua família: qual projeto de governo oferece melhores perspectivas para a continuidade da empresa em que trabalha, a manutenção dos empregos e a valorização do trabalho?

A economia está interligada. Quando há trabalho e renda, as pessoas consomem, o comércio se movimenta e as empresas podem crescer. Quando faltam emprego e poder aquisitivo, toda essa dinâmica é afetada.

Por isso, precisamos olhar além dos discursos e das preferências pessoais. É necessário comparar propostas e perguntar: quais delas enfrentam a fome e a pobreza, fortalecem a saúde e a educação públicas, promovem trabalho digno, reduzem desigualdades e respeitam a democracia e os direitos humanos?

Deus viu, ouviu e conheceu os clamores do seu povo

No livro do Êxodo, Deus diz a Moisés:

“Eu vi, eu vi a miséria do meu povo [...] Ouvi o seu clamor [...] conheço as suas angústias.” (Êxodo 3,7)

Deus não permanece indiferente ao sofrimento do povo. Ele vê, ouve, conhece suas necessidades e chama Moisés para participar do processo de libertação.

Essa passagem nos provoca a olhar para o Brasil de hoje. O que temos visto e ouvido? Quais são os clamores que vêm das ruas, das comunidades, dos locais de trabalho e das famílias? O que nos dizem as pessoas que enfrentam o desemprego, a fome, a falta de moradia e as dificuldades para ter acesso aos serviços essenciais?

Diante desses clamores, não basta ouvir os discursos eleitorais. Precisamos examinar as propostas e as práticas de quem pretende governar e perguntar a quem elas beneficiam?

Jesus também nos ensina que o compromisso com as pessoas mais necessitadas está diretamente ligado à nossa relação com Ele (Mateus 25,31-46). Como cristãs e cristãos, não podemos separar a fé das escolhas que afetam a vida do povo.

Votar é assumir uma responsabilidade coletiva

Assim como Moisés foi chamado a participar da libertação do povo, cada cidadã e cada cidadão tem a responsabilidade de contribuir para a construção da sociedade.

Neste segundo turno, somos convidadas e convidados a avaliar os projetos de governo e suas consequências para a vida da população. Qual deles apresenta propostas mais consistentes para garantir direitos, enfrentar as desigualdades, promover trabalho digno e responder aos clamores do povo?

Não se trata de acreditar cegamente em promessas, mas de analisar, comparar e escolher com consciência, responsabilidade e compromisso com o bem comum.

O Evangelho não nos oferece uma lista de candidatos, mas nos apresenta critérios para discernir nossas escolhas.

Se acreditamos em um Deus que vê, ouve e conhece os clamores do seu povo, precisamos também perguntar a nós mesmas e a nós mesmos: estamos vendo? Estamos ouvindo? Estamos comprometidas e comprometidos com a transformação dessa realidade?

Que sociedade estamos construindo? Quem se beneficia das decisões políticas? E que lugar ocupam, em nossas escolhas, as pessoas que mais precisam?

Que nosso voto seja expressão de uma fé comprometida com a vida, a justiça, a fraternidade e a esperança, para que todas as pessoas tenham vida, e vida em abundância (João 10,10).

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Eu, Lucimar Moreira Bueno (Lúcia)

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