18 janeiro, 2019
Na pré-jornada, jovens indígenas do Brasil denunciam realidade de violência
Na pré-jornada, jovens indígenas do Brasil denunciam realidade de violência
Teve início nesta quinta-feira, 17, no Panamá, o Encontro Mundial da Juventude Indígena. A pouco menos de uma semana do início oficial do maior evento juvenil do mundo, cerca de mil jovens pertencentes a populações tradicionais estão reunidos na cidade de Soloy, na diocese de David. Com participação de 10 jovens indígenas do Brasil, o evento é oportunidade para a denúncia da realidade de violência vivida pelos povos originários.
O evento é destinado a refletir e celebrar a fé em Cristo a partir da riqueza milenar das culturas indígenas. “Será uma oportunidade de responder ao convite do Papa Francisco à juventude de serem agradecidos pela história de nossos povos e corajosos aos desafios que nos rodeiam para seguir em frente cheios de esperança na construção de um mundo melhor”, afirmam os organizadores.
Cerimônias ancestrais em comunhão com a natureza, orações e danças tradicionais completam o programa formado pela partilha, por testemunhos, pelo lançamento de um projeto ecológico e por dramatizações das lutas que esses povos enfrentaram, de acordo com notícia publicada pela Agência Fides.
Um dos motes deste evento é “seguir em frente valorizando as memórias do passado, com coragem no presente e esperança para o futuro”, cujo tema é “Assumir a memória do passado para construir o futuro com valentia”.
Na cidade de Soloy, foi construída em um parque uma aldeia tradicional, onde música, danças, artesanato e apresentações artísticas mostram à juventude de todo o mundo a riqueza destas culturas. O encontro também é uma oportunidade para refletir sobre a relação entre a fé cristã e as religiões tradicionais indígenas, acrescentaram os organizadores.
Uma iniciativa realizada no contexto dos povos tradicionais, foi a gravação de uma versão do hino da JMJ na língua ngäbere. A interpretação foi feita por jovens indígenas ngäbe añade, do Panamá, e contam, além das palavras na língua nativa, com instrumentos e o ritmo da dança “jegui”.
Participação do Brasil
De acordo com o Cimi, o Brasil está representado por jovens indígenas dos povos Tukano, Baré, Tikuna, do Amazonas; Pataxó Hã-Hã-Hãe, da Bahia; Guajajara, do Maranhão; Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul; Macuxi, de Roraima; e Karipuna, de Rondônia.
“Estaremos levando as riquezas ancestrais e a força da espiritualidade e da resistência, em garantir o cuidado da Mãe Terra, dos rios, das florestas e guardiões e cuidadores da Casa Comum”, discorre documento preparado pelo grupo. “A casa comum, morada de todos os seres vivos, está sendo ameaçada e atacada pelos projetos de morte em nome do capital econômico”, denunciam. Os indígenas levarão para a esfera internacional as violências sofridas recentemente pelos povos Arara, no Pará, Guarani, no Rio Grande do Sul, Uru Eu Wau Wau e Karipuna, em Rondônia.
“Será uma oportunidade de responder ao convite do papa Francisco feito a juventude, de sermos agradecido pela história dos nossos povos e valente frente aos desafios que nos envolvem para seguir adiante cheios de esperança na construção de outro mundo possível”, afirma a carta convocatória do encontro.
O Cimi relacionou as principais pautas que serão abordadas pelo indígenas brasileiros:
Delegação Brasileira
A delegação do Brasil terá como eixos de participação o debate pelo respeito a cultura e as diversidades étnicas; a proteção dos territórios indígena, para que se evite novos mártires e mortes; a lutar pela demarcação das terras indígenas. Os jovens brasileiros apresentarão as seguintes realidades em encontro de cinco dias:
Invasão do agronegócio nas terras indígenas e as ameaças de exploração dos recursos minerais. São práticas que ameaçam as terras tradicionais preservadas pelos indígenas
Ameaça e criminalização de lideranças indígenas
Poluição e envenenamento dos rios
Crescente desmatamento devido a invasão dos fazendeiros, grileiros e madeireiros em terras indígenas.
A preocupação em relação ao decreto do presidente Jair Bolsonaro, que facilita a compra de armas de fogo no Brasil. Os indígenas serão mais vulneráveis pela violência alimentada pelo agronegócio
A proliferação do alcoolismo, drogas, tráfico humano, prostituição nas comunidades indígenas.
Violação dos direitos constitucionais e a insegurança de comunidades indígenas que estão a mercê da extinção e redução das terras tradicionais
Com informações de Vatican News e Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
Fonte: CNBB
A violência vai crescer na classe média - Roberto Malvezzi (Gogó)
Reza a lenda policial que um menino de 13 anos, filho de um casal de policiais militares de São Paulo, pegou a arma do pai, matou o pai, a mãe, a avó, uma tia e no dia seguinte foi à escola. Quando voltou para casa, cometeu suicídio. É o caso da família Pesseghini. No dizer de Onix Lorenzoni, ele literalmente “liquidou” sua família.
Mais armas vão trazer mais violência para a classe média, assim como nos Estados Unidos. Vamos ter mais acidentes e assassinatos dentro de casa, mais chacinas em shoppings, cinemas, escolas, shows, enfim, lugares públicos frequentados pela classe média.
Crentes e devotos, vai aumentar também a violência nas igrejas, como já aconteceu na Catedral de Campinas. No meio de mil, basta uma pessoa armada e com desejos de matar.
Nas periferias, tanto fez como faz se passarmos de 63 para 100 mil mortes por armas de fogo ao ano. Mortes de pobres e pretos não contam.
Vários irmãos e irmãs de Pastoral da Terra tiveram suas vidas podadas por arma de fogo: Padre Josimo, Irmã Dorothy, Padre Ezequiel Ramin, Irmã Adelaide Molinari, tantos outros e outras. Eles não tinham armas, sabiam do risco de vida que corriam, morreram mesmo não querendo morrer.
Dizem os amigos do Pará que, quando os assassinos de Dorothy a encontraram nas estradas da floresta, lhe perguntaram: “que arma você tem na bolsa?” Ela respondeu, abrindo a bolsa e tirando uma bíblia: “minha arma é essa”. Seguiu viagem e levou seis tiros pelas costas.
José Rodrigues, bispo aqui em Juazeiro da Bahia e já falecido, muito perseguido, teve oferta da polícia para uma equipe de segurança. Ele respondeu: “prefiro levar um tiro que andar preso por uma equipe de segurança”.
Entrar para o time dos pacifistas ou violentos é também uma escolha.
OBS: Nabhan, Secretário de Assuntos Fundiários do atual governo, já avisou que vai sobrar também para a CPT e o CIMI.
Edições CNBB disponibiliza playlist da Campanha da Fraternidade de 2019
Edições CNBB disponibiliza playlist da Campanha da Fraternidade de 2019
A Edições CNBB disponibilizou a Playlist da Campanha da Fraternidade de 2019 com todas as músicas para as celebrações litúrgicas. O material pode ser acessado nas principais plataformas digitais: Itunes, Spotify, Youtube e SoundClound. A iniciativa é uma forma de estimular e incentivar a participação de todos os cidadãos, a nível nacional, nesta Campanha que é realizada anualmente pela Igreja no Brasil.
Este ano, a CF 2019 terá início em todo o país no dia 06 de março. Com o tema “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema “Serás libertado pelo direito e pela Justiça”, busca conhecer como são formuladas e aplicadas as políticas públicas estabelecidas pelo Estado brasileiro.
Dom Leonardo Steiner, bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB destaca que a Campanha tem como objetivo estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade.
Ainda de acordo com ele, a Campanha acontece no ano em que o papa Francisco proclamou o mês de outubro como Mês Missionário Extraordinário. “Os batizados em sua missão no mundo participando da construção de Políticas Públicas que construam a fraternidade”, disse.
Plataformas
Acesse agora nas principais plataformas digitais e ouça quando quiser!
Tunes → https://goo.gl/ZAoK19
Spotify → https://goo.gl/b4zqbH
Youtube → https://goo.gl/aiijgc
Soundcloud→ https://goo.gl/Uum3jh
Materiais
Outros materiais foram produzidos para dar apoio nesta missão: círculos bíblicos, que trazem aprofundamento da Palavra de Deus; sugestão de celebração ecumênica, para reunir pastores e representantes de outras Igrejas na preparação desse evento; a Cartilha Fraternidade Viva, rodas de conversa com a perspectiva de aprofundar-se no tema e a vigília eucarística e celebração da misericórdia.
Também pensando nos jovens, a Comissão para a Juventude da CNBB preparou um material que é direcionado a juventude das diversas realidades eclesiais, para que sejam contagiados pela Luz de Cristo. Aos educadores, por ter um papel fundamental na sociedade, fazendo com que os educandos sejam sempre esclarecidos sobre a sua realidade e as possibilidades de melhor desenvolver a sociedade, foi preparado subsídios para o Ensino Fundamental I e II, Ensino Médio e Ensino Superior. Todos eles estão disponíveis no site da Editora da CNBB (clique aqui).
Fonte: CNBB
17 janeiro, 2019
Diversidade (Lenine)
Diversidade (Lenine)
Foi pra diferenciar
Que Deus criou a diferença
Que irá nos aproximar
Intuir o que ele pensa
Se cada ser é só um
E cada um com sua crença
Tudo é raro, nada é comum
Diversidade é a sentença
Que seria do adeus
Sem o retorno
Que seria do nu
Sem o adorno
Que seria do sim
Sem o talvez e o não
Que seria de mim
Sem a compreensão
Que a vida é repleta
E o olhar do poeta
Percebe na sua presença
O toque de Deus
A vela no breu
A chama da diferença
A humanidade caminha
Atropelando os sinais
A história vai repetindo
Os erros que o homem traz
O mundo segue girando
Carente de amor e paz
Se cada cabeça é um mundo
Cada um é muito mais
Que seria do caos
Sem a paz
Que seria da dor
Sem o que lhe apraz
Que seria do não
Sem o talvez e o sim
Que seria de mim...
O que seria de nós
Que a vida é repleta
E o olhar do poeta
Percebe na sua presença
O toque de Deus
A vela no breu
A chama da diferença
16 janeiro, 2019
2014 – 13º Intereclesial das CEBs – Juazeiro do Norte (CE)
Foto: Eu, Pe Sidney Fabril e Pe. Genivaldo Ubinge
Momento inesquecível!
2014 – 13º Intereclesial das CEBs – Juazeiro do Norte (CE)
Participaram do encontro 4.036, desses 2.248 mulheres e 1.788 homens, 72 bispos, 232 padres e 146 religiosos e religiosas, 75 lideranças indígenas; 20 membros de outras Igrejas cristãs, 35 pessoas pertencentes a outras religiões, 36 estrangeiros e 68 assessores e membros da coordenação ampliada. E, pela primeira vez na história, um Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base recebe uma mensagem de um papa. A mensagem do papa Francisco dirigida aos participantes do 13º Intereclesial trouxe muita alegria e renovou a esperança de uma Igreja pobre e dos pobres comprometida com a justiça e a profecia a serviço da vida.
Comissão Pastoral da Terra divulga balanço da questão agrária no Brasil no ano de 2018
Comissão Pastoral da Terra divulga balanço da questão agrária no Brasil no ano de 2018
No ano que se encerrou, os povos da Terra, das Águas e das Florestas viveram a porção de um tempo ainda mais triste que está por vir. Em 2018, segundo dados parciais da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o índice[1] de famílias despejadas foi 65% maior do que o ano anterior e os recursos destinados à Reforma Agrária e às políticas públicas para o campo chegaram ao ápice do sufocamento. 2018 também foi o ano de consolidação da tendência de privatização de terras públicas e o ano em que o poder privado se sentiu autorizado a promover o terror no campo, estando envolvido em 81% dos conflitos por terra e por água. Em síntese, 2018 foi de domínio violento do agrohidronegócio e do latifúndio no campo brasileiro. Confira:
Durante o governo de Michel Temer, não foram poucos os ataques e os retrocessos aos direitos conquistados pelo povo brasileiro por meio de sua luta histórica. Atacaram direitos trabalhistas, eliminaram ou reduziram investimentos em saúde, educação, cultura, esportes, políticas para minorias, entre tantas outras áreas estratégicas e primordiais para a vida de milhões de brasileiros e brasileiras. Em especial, atacaram frontalmente a Reforma Agrária, a regularização de territórios quilombolas e a demarcação de terras indígenas.
Em tempos de golpe, assistimos ao poder judiciário negar o cumprimento da sua única missão: a justiça. Decisões judiciais de alto impacto passaram a ser explicitamente objetos de manipulação dos jogos de poder. O legislativo, protagonista do golpe, mais um ano se viu reduzido ao ator passivo dos interesses econômicos do mercado. O golpe de 2016 só poderia se tornar um “crime” perfeito se os seus arquitetos garantissem em 2018 a vitória do aprofundamento do projeto político que derrotou a democracia em 2016. E assim aconteceu.
No meio desse cenário, nós, sociedade civil, não conseguimos defender de forma eficaz, com os meios e as narrativas que dispomos, nossos direitos sociais, civis e políticos e não conseguimos evitar os riscos decorrentes dos ataques à nossa pouca e frágil democracia.
Reforma Agrária silenciada – A Reforma Agrária, direito da sociedade brasileira e obrigação do Estado, foi reduzida ao completo silêncio em 2018. O número de novas famílias assentadas durante o Governo Temer foi praticamente reduzido a zero. Por outro lado, na lógica da privatização de tudo, Temer promoveu a fragmentação e a consequente vulnerabilização das famílias assentadas, na medida em que implementou uma intensa política de titulação individualizada de lotes. Segundo o Incra, a titulação é o instrumento que transfere o imóvel rural ao/à beneficiário/a da Reforma Agrária em caráter definitivo.
Só em 2017, foram expedidos 26.523 Títulos de Domínio e 97.030 Contratos de Concessão de Uso, o que supera a soma dos últimos dez anos. O objetivo foi beneficiar o mercado de terras, pois muitas famílias fragilizadas podem ceder à pressão do agronegócio e do latifúndio e venderem seus lotes. Em outras palavras: os assentamentos da Reforma Agrária, fruto exclusivamente de décadas luta de milhares de famílias sem-terra, estão agora disponíveis à reconcentração fundiária uma vez titularizados.
Antes, só era permitido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) emitir títulos às famílias assentadas quando fosse constatada a independência estrutural do assentamento. A medida, até certo ponto, impedia a transferência em larga escala de terras para o controle do capital. Agora, o Incra se transformou em um balcão de negócios de terra, uma “imobiliária estatal”.
Outro ataque se deu em uma das áreas mais estratégicas: a dos orçamentos para as políticas de Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário que, em 2018, chegaram ao seu valor mínimo histórico. O valor destinado à obtenção de terras em 2018 foi de 83,7 milhões, sendo que em 2015 esse valor foi de 800 milhões. O orçamento para a Assistência Técnica nos assentamentos também sofreu grande corte. Em 2015, o orçamento para essa área foi de 355,4 milhões, enquanto que no ano de 2018, o valor destinado foi 19,7 milhões. Esses são somente alguns exemplos do recuo histórico do orçamento para não solucionar os problemas do campo no país.
Venda de Terras para estrangeiros: ameaça na agulha – Uma das principais reivindicações políticas do capital no Brasil é a aprovação do projeto de lei que possibilita a venda de terras no país para estrangeiros. A legislação brasileira em vigor – Lei 5.709/1971 – limita a compra de terras por estrangeiros, inclusive para empresas brasileiras com controle acionário estrangeiro. Através do Projeto de Lei 2.289/2007, ao qual se encontram apensados outros PLs, como o de nº 4.059/2012, propõe-se a liberação quase que irrestrita da venda de imóveis rurais a estrangeiros. O PL de 2012 foi destacado como uma das prioridades da Frente Parlamentar Agropecuária e apresentado ao presidente Temer como uma das reivindicações prioritárias junto à bancada ruralista na negociação de apoio ao impeachment de Dilma Rousseff. Atualmente ele encontra-se em regime de urgência para votação na Câmara dos Deputados e pode ser votado a qualquer momento.
Se esse Projeto for aprovado como pretendem os ruralistas, será possível a estrangeiros comprarem até 100 mil hectares de terra, além de arrendar mais 100 mil. A titularidade de terras a estrangeiros é, normalmente, limitada a apenas três módulos rurais e à prévia autorização do governo. Este é na prática o maior programa de concentração de terras a ser implementado no país. E o pior, com a entrega de terras aos interesses externos, a soberania do país na produção de alimentos estará também ameaçada.
Outro objetivo deste projeto político e econômico é, além da já conhecida criminalização de movimentos sociais, a também criminalização de Organizações Não Governamentais (ONGs), tratadas como se fossem agentes de uma conspiração internacional para internacionalizar o Brasil. Essa absurda contradição denuncia o verdadeiro jogo de interesses econômicos do latifúndio e do agrohidronegócio, nos quais sem-terra, quilombolas, indígenas, comunidades tradicionais, áreas protegidas e organizações sociais são alvos a serem destruídos.
Conflitos no campo – Em contextos de golpe, de tomada de poder por uma direita reacionária e odiosa, o latifúndio e o agrohidronegócio encontraram as portas abertas e, com o consentimento do poder público, atuaram de forma violenta e autoritária no campo. De acordo com dados parciais da Comissão Pastoral da Terra, 81% dos conflitos pela terra e pela água tiveram o envolvimento do poder privado, sob a conivência do poder público.
Nesse cenário, os principais alvos da violência foram as diversas categorias de povos e comunidades tradicionais, correspondendo a 64% das vítimas dos conflitos, seguidas dos trabalhadores e trabalhadoras rurais sem-terra e dos assentados e assentadas, representando 32%, e de pequenos/as proprietários, sendo estes 2% das vítimas de violência no campo, de acordo com dados parciais da CPT.
De modo geral, o projeto político e econômico em curso vem atuando estrategicamente na tomada de áreas tradicionalmente ocupadas com o intuito de se apropriar dos bens naturais, bem como da vida das populações que resistem nesses territórios. Um forte exemplo foram os dados divulgados recentemente pelo Projeto Jornalístico Latentes, que estima que existam no país 4.536 focos de conflitos iminentes em decorrência somente da exploração mineral e que podem vitimar comunidades quilombolas, povos indígenas, comunidades de assentamento, além de unidades de conservação.
Do mesmo modo, empresas de energia eólica, pecuária, cana-de-açúcar e outros grandes empreendimentos privados e do latifúndio continuaram protagonistas de violências que tornaram territórios camponeses verdadeiros campos de guerra e de exploração. Assim foi, por exemplo, para as comunidades camponesas dos estados acompanhados pela CPT Regional Nordeste II (que engloba os estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas,).
Campo de guerra para as comunidades camponesas que vivem no agreste Pernambucano e sertão Paraibano, que estão sendo impactadas pelo avanço desenfreado de parques eólicos que, a despeito de discursarem em defesa de uma energia sustentável, possuem inúmeros impactos invisibilizados que colocam a vida dessas populações em risco.
Campo de guerra também na Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte, onde centenas de famílias camponesas que vivem na área denunciam incansavelmente os impactos causados por grandes empresas de fruticultura irrigada e seus agrotóxicos.
O campo de guerra também pôde ser visto no município de Sertânia, sertão de Pernambuco, onde, por várias ocasiões em 2018, jagunços a mando de proprietários aterrorizaram a vida de famílias sem-terra acampadas na Fazenda Jaú, provocando perseguições, tiroteios, queimadas de barracos e deixando nove pessoas ameaçadas de morte.
Campo de guerra, cenário de destruição foi o que ocorreu no dia 07 de agosto de 2018, na comunidade de Pau a Pique, no município de São José dos Ramos (PB), quando a Polícia, em uma reintegração de posse, destruiu 80 hectares de alimentos produzidos pela comunidade que vive no local há três gerações.
Campo de Guerra, cenário de destruição foi o que ocorreu no acampamento Dom José Maria Pires, no município de Alhandra (PB), no dia 08 de dezembro de 2018, quando dois trabalhadores rurais sem-terra foram barbaramente assassinados em um crime ainda impune.
Estes fatos são somente breves exemplos do que aconteceu no cotidiano das comunidades camponesas no ano de 2018 no país e são também tristes pré-anúncios de futuras ameaças e violências que certamente passarão com muita resistência e luta.
O momento exige-nos enfrentar o desafio de reconstruir o caminho que nos levará a um novo ciclo de conquistas. Haveremos de resistir com lucidez crítica contra toda ameaça à vida dos pequenos e da nossa Casa Comum, junto às comunidades e povos do campo. No meio da noite escura caminhar é preciso, sabendo que um novo amanhecer está garantido, pois toda noite escura carrega em si a madrugada. Não vamos deixar que nos roubem a esperança.
Recife (PE), janeiro de 2019.
Comissão Pastoral da Terra Nordeste II
[1] O índice de famílias despejadas é a relação entre o número total de famílias despejadas e o total de ocorrências de despejos. Ao dividir o número de famílias despejadas pelo número de ocorrências de despejo, obtemos o índice de famílias despejadas.
Mais informações:
Cristiane Passos (assessoria de comunicação da CPT Nacional): (62) 4008-6400 | 99307-4305
Renata Albuquerque (assessoria de comunicação da CPT Nordeste II): (81) 99663-2716
Fonte: CNBB
14 janeiro, 2019
Cáritas Brasileira lança a campanha #EuMigrante em parceria com a Signis Brasil Jovem
A Cáritas Brasileira, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com um conjunto de organizações, lançou na última quinta-feira, 10 de janeiro, a Campanha #EuMigrante baseada na ideia de que migrar é um direito humano. “Migrar diz respeito à mobilidade espacial das pessoas, ou seja, trocar de casa, de cidade, de região, de estado ou de país. Esse processo ocorre desde o início da história da humanidade. Todos nós temos, em nossas famílias, realidades migratórias, deslocamentos. Uns migram por escolha, outros são forçados a isso”, diz o texto de divulgação do projeto.
A campanha #EuMigrante tem como objetivo mostrar a realidade e o drama vivido pelos migrantes, em especial os venezuelanos, que chegam ao Brasil e será executada até o dia 30 de junho deste ano. As ações buscarão sinalizar caminhos para ajudá-los no processo de integração, como pede o papa Francisco: “acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e os refugiados”.
A campanha faz parte do Programa Pana, que é uma iniciativa desenvolvida pela Igreja do Brasil, por meio Cáritas Brasileira, com apoio da Cáritas Suíça e do Departamento de Estado dos Estados Unidos. O objetivo de sensibilizar e mobilizar pessoas e recursos para a questão migratória no Brasil, com foco para a crise humanitária vivenciada na fronteira Brasil & Venezuela.
Fases e momentos: A campanha #EuMigrante estrutura-se em três momentos: 1) Sensibilização; 2) Mobilização; e 3) Integração. A proposta é que ao longo do primeiro semestre de 2019, diversas ações sejam dinamizadas pelo país, buscando visibilizar a realidade migratória no Brasil a partir da ação do Projeto Pana que ao longo de um ano, visa favorecer mais de 3.500 pessoas, sendo, pelo menos, 1.224 delas migrantes venezuelanos, a partir da integração em sete capitais do Brasil: Boa Vista (RR); Brasília (DF); Curitiba (PR); Florianópolis (SC); Porto Velho (RO); Recife (PE) e São Paulo (SP). Nesse processo, 612 pessoas já estão sendo integrada nessas capitais.
As iniciativas têm como referência as Casas de Direitos, espaços onde são desdobradas as ações do Programa Pana, que estão situadas nas sete capitais. As Casas são ambientes para acolhida e garantia de direitos aos migrantes. Nesse sentido, uma equipe multidisciplinar, formada por assistentes sociais, advogados, educadores e psicólogos, atende e acompanha os migrantes.
No site da campanha eumigrante.org é possível verificar as diversas maneiras de ajudar, seja com quantias em dinheiro ou doações de móveis, eletrodomésticos, roupas e calçados em bom estado de uso, bem como produtos de limpeza e de higiene pessoal. A Campanha #EuMigrante nasce da parceria entre a Cáritas Brasileira, que é uma instituição com mais de 62 anos de história no país, que atua como uma rede solidária, com cerca de 15 mil agentes espalhados por todo o território nacional, com a Signis Brasil Jovem que tem pouco mais de um ano de existência, um novo setor da Associação Católica de Comunicação – Signis Brasil, fundada há 10 anos.
Mais informações:
Osnilda Lima – osnilda@caritas.org.br WhatsApp (61) 98366-1235
Ricardo Alvarenga – ricardo@signisbrasil.org.br WhatsApp (98) 98275-7760
Franklin Machado – franklinecops@gmail.com WhatsApp (48) 99696-4144
Fonte: CNBB
13 janeiro, 2019
"Estou só o restinho"
"Estou só o restinho"
Cheguei e sentei.
Uma senhora sentada no banco atrás tocou meu ambro e disse "tudo bem Lucia".
Simultaneamente um senhora bem idosa, miudinha, rosto de quem ja muito lutou, abraçou-me, então perguntei a ela:
Tudo bem com a senhora.
Ela respondeu:
Estou só o restinho.
Essa celebração que iniciará a dez minuto na paroquia São Mateus Apóstolo, que já é rica pelos mistérios que celebramos enriqueceu-se mais, meu coração queima de forma que não consigo explicar...
11 janeiro, 2019
Há dois anos tenho vivido emoções e as complexidades de cuidar de meus pais!
Emoções e Complexidades!
Há dois anos tenho vivido emoções e as complexidades de cuidar de meus pais, principalmente minha mãe.Tem sido uma fase desgastante, triste, complexa e emocionante.
A cada dia um aprendizado de como ser filha de pais envelhecidos e doentes.
Não tem mágica para facilitar a luta comigo mesmo no dia a dia para vencer o cansaço, manter a calma, ser paciente e carinhosa, más não é fácil.
O desafio da contínua necessidade de renunciar muitas vezes a mim mesmo. Não é fácil deixar de fazer o que gosto para dedicar-se a eles.
A fé e o amor é o que me faz ser capaz de superar os meus limites.
11 de Janeiro Dia Mundial de Controle da Poluição por Agrotóxicos
Agrotóxico: o envenenamento da Casa Comum
Estamos diante de um cenário socioambiental visivelmente degradado e que se encaminha para um colapso planetário. Isso é o que demonstra as diversas informações, resultantes de inúmeras pesquisas produzidas desde a metade do século passado, que apresentam o futuro pouco promissor que tem sido construído pela humanidade. Atualmente, as alterações ambientais são perceptíveis no cotidiano de todos, é notável, por exemplo, as alterações sofridas, nas últimas décadas, no regime de chuvas ou mesmo nas condições climática, além da redução do número e qualidade de fontes de água potável e na perda da biodiversidade local, entre muitas outras. Perante esta realidade, todos os seres humanos são chamados a assumir, com responsabilidade, os danos que suas atitudes e estilo de vida provocaram no refinado equilíbrio ecossistêmico, e a promover as transformações necessárias para reduzir os impactos e a preservar as relações de vida. Neste processo, os cristãos desempenham um papel fundamental, pois o cuidado e proteção com a casa comum é compreendida como uma missão dada ao ser humano por Deus ao criá-lo, onde "O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim de Éden, para que o cultivasse e guardasse" (Gn 2,15), portanto "viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa" (LS 217).
Frente a isso, a Arquidiocese de Maringá, através da ARAS/Caritas, lança luz sobre uma questão de grande impacto socioambiental para a região de sua abrangência, trata-se do altíssimo índice de consumo de Agrotóxico e suas consequências para o equilíbrio e saúde das comunidades locais.
O Brasil, desde o ano de 2008, é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas kg/litros por ano. Entre os anos de 2005 e 2015 o mercado mundial de agrotóxicos teve um incremento de 93% no consumo destes produtos, no Brasil este aumento foi de 190%. O estado do Paraná, desde o ano de 2009, é o terceiro estado que mais utiliza agrotóxicos em sua agricultura. A quantidade utilizada no período de 2012 a 2014 representou uma média anual de 12,21Kg/ha, um consumo 34,9% maior que o apresentado para o estado do Rio Grande do Sul neste período. No ano de 2015 o consumo no Paraná foi de 100.572,8 toneladas, e os municípios pertencentes à Arquidiocese de Maringá consumiram um montante de 5.093,4 toneladas destes produtos, o que correspondeu a um aumento de 27,5% em relação ao ano de 2013. Dos cincos municípios do Estado que apresentaram a maior relação entre o número de estabelecimentos que utilizam agrotóxicos e o total de estabelecimentos do município, dois pertencem a nossa Arquidiocese, sendo: Floresta e Itambé. Dos quinze produtos mais consumidos no Paraná, quatro são proibidos na União Europeia (UE); em 2017, o segundo agrotóxico mais consumido foi o Paraquate, proibido desde 2009 na UE pelo altíssimo risco de contaminação, e por provocar morte devido à necrose dos rins e morte das células dos pulmões.
A média nacional per capta do consumo de agrotóxico por ano é de 7,3 litros, para o estado do Paraná esta média é de 8,7 litros. No ano de 2015, assustadoramente, 9 municípios da Arquidiocese tiveram médias superiores a 30 litros de agrotóxico/pessoa/ano, conforme tabela abaixo:
No Estado do Paraná são notificados em média 830 casos por ano de intoxicação por agrotóxico, entretanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estipula que para cada 1 casonotificado outros 50 são subnotificados. Entre os anos de 2013 e 2017 foram registrados 450 casos de intoxicação por agrotóxico para a Arquidiocese de Maringá, sendo os municípios com maior incidência: Maringá, Marialva, Jandaia do Sul, Sarandi, Mandaguari, Bom Sucesso e Itambé.
Outro fator alarmante corresponde às causas de óbito, as neoplasias (tumores) ocupam a segunda posição dentre as causas de óbito no Paraná e apresentam taxas crescentes desde a década de 1990, onde 224 municípios do Paraná (56%) evidenciam taxas superiores à média do estado. No ano de 2017 as neoplasias foram a maior causa de morte para os municípios de Doutor Camargo e Floresta, e a segunda maior para Jandaia do Sul, Mandaguaçu, Mandaguari, Marialva, Maringá, Marumbi, Paiçandu, Paranacity e Sarandi. Existem pesquisas científicas que comprovam outros efeitos nocivos causados por agrotóxicos, como a carcinogenicidade, toxicidade reprodutiva, neurotoxicidade, efeitos de desregulação endócrina e mutagenicidade. O glifosato, agrotóxico mais consumido pelo Paraná, foi classificado como provável cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde.
Contribuir ativamente na coleta de Assinaturas em favor do Manifesto em apoio ao Programa Estadual de Redução de Agrotóxicos e a proibição da pulverização aérea por agrotóxicos no estado do Paraná.
Realizar uma Mesa Redonda sobre a temática do uso de agrotóxico, como forma de divulgar e incentivar a discussão, contribuindo para conscientização das comunidades cristãs e da sociedade civil. O evento acontecerá no dia 26 de setembro de 2018 às 20h (local ???)
Você pode cuidar da casa comum!
Denuncie o uso de agrotóxicos e a pulverização aérea que cause danos às moradias, comunidades, criações, culturas, mananciais e recursos de água - ADAPAR (44) 3245-4448; Ministério Público (44) 3226-0484; IAP (44) 3226-3665.
Não realiza capina química em seu terreno urbano ou propriedade rural.
Consuma e produza produtos orgânicos.
Fonte: ARAS/Caritas
10 janeiro, 2019
Excelente reflexão do Pe. Genivaldo Ubinge, sobre a decisão estúpida do presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro de sair do Pacto Global para a Migração
Excelente reflexão do Pe. Genivaldo Ubinge, sobre a decisão estúpida do presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro de sair do Pacto Global para a Migração.
"Deliberadamente" significa propositalmente, com intenção; pode ser sinônimo de refletidamente, uma tomada de decisão a partir de uma discussão racional.
Indeliberadamente, significa sugere algo irrefletido, feito de qualquer modo.
Ai que está, ninguém, nem a ONU nem o Papa, está propondo uma abertura de fronteiras INDELIBERADAMENTE. Mas justamente o contrário disso. Entendendo a migração como um fenômeno global, propõe um pacto, um plano que, DILIBERADAMENTE, ou seja, discutido e assumido pelas Nações como esforço para lidar com os problemas deste fenômeno por viés humanitário.
Por isso, a decisão mais estúpida (ou anti-humanitária) de um governo e sair deste acordo e considerar o fenômeno da migração, isolando-se do mundo.
"Deliberadamente" significa propositalmente, com intenção; pode ser sinônimo de refletidamente, uma tomada de decisão a partir de uma discussão racional.
Indeliberadamente, significa sugere algo irrefletido, feito de qualquer modo.
Ai que está, ninguém, nem a ONU nem o Papa, está propondo uma abertura de fronteiras INDELIBERADAMENTE. Mas justamente o contrário disso. Entendendo a migração como um fenômeno global, propõe um pacto, um plano que, DILIBERADAMENTE, ou seja, discutido e assumido pelas Nações como esforço para lidar com os problemas deste fenômeno por viés humanitário.
Por isso, a decisão mais estúpida (ou anti-humanitária) de um governo e sair deste acordo e considerar o fenômeno da migração, isolando-se do mundo.
Até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo, diz OMS
Até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo, diz OMS
Ela chega de mansinho, assim como quem não quer nada. Num dia, você acorda triste, desanimado. No outro, bate uma sensação de vazio e uma vontade incontrolável de chorar, sem qualquer motivo aparente. A depressão é assim, um mal silencioso e ainda mal compreendido – até mesmo entre os próprios pacientes.
Considerada um transtorno mental afetivo, ou uma doença psiquiátrica, a depressão é caracterizada pela tristeza constante e outros sintomas negativos que incapacitam o indivíduo para as atividades corriqueiras, como trabalhar, estudar, cuidar da família e até passear.
De acordo com OMS (Organização Mundial de Saúde), até 2020 a depressão será a principal doença mais incapacitante em todo o mundo. Isso significa que quem sofre de depressão tem a sua rotina virada do avesso. Ela deixa de produzir e tem a sua vida pessoal bastante prejudicada.
Atualmente, mais de 120 milhões de pessoas sofrem com a depressão no mundo – estima-se que só no Brasil, são 17 milhões. E cerca de 850 mil pessoas morrem, por ano, em decorrência da doença.
Descrita pela primeira vez no início do século 20, a depressão ainda hoje é confundida com tristeza, sentimento comum a todas as pessoas em algum momento da vida. Brigar com o namorado, repetir o ano escolar e perder o emprego são motivos para deixar alguém triste, cabisbaixo. Isso não significa, porém, que o sujeito está com depressão. Em alguns dias, ele, certamente, vai estar melhor.
O desconhecimento real do funcionamento desse transtorno afetivo é o principal responsável por um dos maiores problemas para quem sofre com a depressão: o preconceito. Para Marcos Pacheco Ferraz, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), ele ainda existe e prejudica muito o paciente.
– Principalmente no ambiente de trabalho, onde há competições e cobranças por bom desempenho, é comum as pessoas nem comentarem sobre a enfermidade. Nesses casos, o melhor é tirar férias ou licença médica.
E não é só isso. A ignorância em torno da doença faz com que familiares e amigos, na tentativa de ajudar, piorem ainda mais a condição do depressivo.
Frases como “tenha um pouco de força de vontade”, “vamos passear no shopping que melhora”, “você tem uma vida tão boa, tá com depressão por que?” e “se ocupe com outras coisas que você não terá tempo de pensar em bobagens”, funcionam como uma bomba na cabeça de quem já se esforça, diariamente, para conseguir sair da cama.
– Isso mostra que as pessoas não conhecem o transtorno. Achar que é frescura ainda é comum. Elas não imaginam que o paciente não consegue reagir. Não depende de força de vontade.
A designer C.N., 35 anos, que passou por uma depressão severa há alguns anos, sabe bem o que é isso. Mesmo trabalhando em um ambiente com pessoas bastante esclarecidas, ela cansou de ouvir esse tipo de comentário. E os efeitos eram devastadores. Ela conta que “até críticas sobre o meu médico eu ouvi. Uma colega disse que ele não devia ser bom, pois depois de um mês de tratamento eu já deveria estar curada.”
– É incrível o poder que algumas palavras tem sobre o doente. A primeira coisa que as pessoas perguntavam era o motivo da minha depressão, pois eu tinha uma vida tão boa, uma família, filha, um casamento bacana, um emprego legal. O fato de não ter uma explicação para a doença me deixava péssima. Era um sentimento de culpa enorme.
Por isso, Ferraz diz que é muito importante a participação da família no tratamento. Eles precisam saber o que devem e o que não devem fazer em relação ao doente. Para ele, “fazer com que todos entendam o mecanismo do transtorno e como agem os remédios é fundamental para o sucesso do tratamento. Ainda existe o mito de que antidepressivo vicia, o que é um grande engano.”
Fonte do texto: Revista Pazes
Fonte da foto: Google Imagem
Um bom livro e um bom vinho são melhores do que muita gente
Por Karen Curi em Crônicas
Um bom livro e um bom vinho são melhores do que muita gente
Por Karen Curi em Crônicas
Estou ficando velha e a cada dia mais medrosa. Tenho medo de tudo. Do escuro, de espíritos, de barata, de montanha-russa, até de manga com leite — melhor evitar. Não me convide para programações radicais, como descer numa tirolesa ou pular de uma cachoeira. Para quê? Já estou velha para algumas emoções. Quanto mais perto dos 40, mais me convenço de que já vivi o bastante para saber, pelo menos, o que eu não quero fazer.
Hoje eu sei que não preciso mais me agarrar à adrenalina para me sentir viva. Ler um livro, assistir a um filme, encontrar um amigo me fazem melhor do que voar de asa delta, por exemplo. Chega uma época em que não precisamos mais de autoafirmação. Nós nos conhecemos tão bem que já não fazemos a menor questão e o mínimo esforço para agradar aos outros. Não temos mais a necessidade de nos sentir aceitas, da mesma forma que também não aceitamos qualquer um e qualquer programa.
Uma coisa é certa: o nível de exigência aumenta impetuosamente com os anos e isso reflete em todos os aspectos. Para sair de casa, só se a companhia for excepcional. Para entrar num relacionamento, nem se fala. Depois dos 30, nós só namoramos se valer muito a pena. Antes só do que mal amada. Se isso é bom? Claro que sim! Fica quem quer ficar e vai embora quem deve ir.
Deixo a pressa para os jovens que têm fôlego para nadar — não sei por que — contra a maré do amanhã. Os anos me ensinaram, e vão ensinar aos afobados, que a vida não pode ser vivida em apenas um dia, e que não se deve beber todos os drinks em uma noite só. O tempo e a ressaca estão aí para provar que o mundo gira igual para todos, mesmo que tenhamos a impressão de que para nós só existem duas velocidades: câmera lenta ou avanço rápido.
Mas não podemos ter medo de envelhecer. Nós não vamos nos transformar em monjas solitárias, apenas nos tornaremos mais seletivas, mais cautelosas e mais reflexivas. É mais ou menos assim; enquanto, antes, nós nos lançávamos ao mar sem pensar, agora observamos as ondas primeiro, sentimos o vento, e molhamos um pé de cada vez.
Apesar de andar medrosa, confesso que eu não temo amadurecer. Sabe por quê? Porque a maturidade me fez enxergar que eu não tenho o controle de nada e de ninguém, senão de mim mesma. Já não ponho a culpa nos outros e nem carrego culpa que não me pertence. Estou mais leve e, ao mesmo tempo, mais forte. Aprendi a me proteger da dor ao invés de apenas curar meus ferimentos. Entendi que perfeição não existe, nem príncipe encantado, e muito menos a felicidade eterna.
Enfim, a mulher madura não tem medo de ficar sozinha. Tem medo de ficar mal acompanhada! É preferível a solidão fiel do que a companhia traiçoeira. Um bom livro e um bom vinho são melhores do que muita gente…
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